“Santistas de todo mundo, uni-vos!”

Foi um ano bem confuso.

A principal causa foi a revolução tenentista de julho, na capital Paulista. Neste mês, tenentes do exército rebelaram-se e tomaram, momentaneamente, o Palácio do Governo do Estado. As tropas legalistas – ligadas ao Governo Federal -  em repressão ao movimento tenentista, bombardearam com a aviação a cidade de São Paulo, principalmente os bairros operários da Moóca, Ipiranga, Cambuci e Brás.

Com a enorme confusão, as partidas do Campeonato Paulista foram suspensas.  A bola só voltaria a rolar após o controle do movimento pelas forças do Governo Federal. Os revoltosos abandonaram a Capital e se deslocaram até o interior do Paraná, encontrando-se com outros tenentes em guerra de guerrilha: a Coluna Prestes. Tudo isso durou 45 dias.

O time começou o ano vencendo o Espanha por 4×0, e na primeira competição oficial, o Torneio Início (chamado na época de Torneio Eliminatório) caiu na segunda rodada:

13/04 – 0×0 SC Internacional – classificado por 2 escanteios contra nenhum do Internacional;

0×1 AA São Bento

Não foi bem nas partidas “valendo Taça”, não ganhando  nenhuma em 24.

No Campeonato Paulista sai-se bem melhor que nos anos anteriores, chegando a 4ª colocação:

SC Sírio – 4×7 (SP); 2×2 (S).

CA Paulistano – 1×1 (SP); 1×0 (S).

SS Palestra Itália – WOx0 – *Palestra não compareceu, em protesto contra a APEA. O SFC foi declarado vencedor. Posteriormente o Palestra abandonou a competição. Seus jogos no campeonato foram desconsiderados.

AA São Bento – 1×1 (S); 2×4 (SP).

Bráz AC – 4×1 (S); 3×0 (S)

SC Coprinthians P – 1×6 (SP); 2×0 (S).

CA Ypiranga – 1×2 (SP); 5×2 (S).

AA Palmeiras – 0×2 (SP);

SC Germânia – 3×0 (S);

SC Internacional – 7×0 (S);

A Portuguesa E – 7×1 (S); WOx0 – O SFC ganhou os pontos pelo não comparecimento do Portuguesa (suspensa pela APEA)

Como se pode notar, o Campeonato foi bem confuso. A APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos) havia preparado um código disciplinar rígido, prevendo punições aos atletas em casos de violência ou desrespeito ao árbitro. O Palestra, sentindo-se prejudicado com as decisões da APEA em suspender seus atletas logo nas duas primeiras partidas abandonou a competição (não sem antes “amarelar” contra o SFC…). Ao final da competição (já em 1925), foi a vez da Portuguesa ser suspensa pela APEA, não podendo realizar suas últimas partidas, entre elas contra o SFC.

Se não bastassem as confusões armadas pelos clubes, houve a “Revolução de 24″, que interrompeu os jogos desde o início de julho até 17 de agosto, motivo o qual prolongou a  competição até janeiro de 25.

Destaques do Santos neste ano, considero dois: A estreia do “ataque de 27″ (Omar, Siriri, Camarão, Araken e Hugo) nos 7×1 contra a Portuguesa e a vitória contra o Paulistano na Vila Belmiro:

28/09/1924 Santos FC 7×1 A Portuguesa E (São Paulo)

Local: Vila Belmiro – Santos (SP)

Competição: Campeonato Paulista

Gols: Camarão (3), Araken e Siriri (3) (SFC) – Miguel (APE)

SFC: Agne; Bilú e David; Rosa, Alfredo e Renato; Omar, Camarão, Siriri, Araken e Hugo

APE: Mesquita; Gaúcho e Mário; Eduardo, Arô e Barros; Filó, Peres, Miguel, Bassani e Hugo.

30/11/1924 Santos FC 1×0 CA Paulistano (São Paulo)

Local: Vila Belmiro – Santos (SP)

Competição: Campeonato Paulista

Árbitro: Fulvio Benti

Gol: Camarão

SFC: Agne; Bilú e David Pimenta; Rosas, Marba e Renato Pimenta; Omar, Camarão, Siriri, Araken e Hugo

CAP: Kunz; Clodoaldo e Caldeira; Sérgio, Nondas e Abate; Formiga, Mário Andrada, Friedenreich, Mário Seixas e Netinho.

Vila Belmiro lotada nesse dia. Os moradores das casas ao redor da Vila alugavam suas janelas para acomodar os interessados em acompanhar a partida (e ganharam um bom dinheiro…)