Amigos,
Ontem resisti heróicamente até o final do debate (?) promovido pela Rede Globo.
Tido e havido como decisivo, foi de uma previsibilidade exemplar. Creio que o debate na Record foi mais dinâmico que o o Globo, devido a participação dos jornalistas, com comentários dos candidatos e a possibilidade de confronto de ideias. A Globo deve rever seu formato de debate, porque esse é muito ruim…
Bom, uma pequena análise do que vi pela TV:
Serra, conseguiu o inimaginável, foi o pior entre os quatro. Esteve um pouco melhor que no debate da Record, com ar de menos cansado… porém seu desempenho foi beirando o desastre. Ficou com o cartaz de promessômetro no pescoço, levou uma tremenda enquadrada de Marina na questão das favelas em SP, foi ironizado por Plínio (“imposto? Ih… ele gosta disso…”). Porém a situação mais patética foi nas considerações finais. Neste momento todos os auxiliares que estão acompanhando o programa no estúdio fazem questão de aplaudir o seu candidato. Pois bem, quando Serra encerrou seu pronunciamento ocorreu um silêncio ensurdecedor. Foi de dar pena. Termina a”descampanha” isolado, derrotado e abandonado por seus mais próximos correlegionários.
Plínio como sempre um caso à parte… Tentou ser irônico, mordaz, mas continua preso a um discurso dos anos 60/70. Começou muito mal o debate, perdendo-se em seus papéis… depois pediu voto para Luciana Genro, Ivan Valente e Chico Alencar, e foi ineficiente em tentar atacar Dilma. Teve (novamente) oportunidade de derrubar Serra, mas não forçou o suficiente… Porém seu discurso final de encerramento foi muito eficiente, puxando para a emoção, serviu como um bom encerramento do debate, dando vivas ao Brasil. Ao contrário de Serrra, recebeu inúmeros aplausos, e acredito, até mesmo de seus adversários.
Marina… Marina jogou, dentro daquilo que o debate permitia, o seu “tudo ou nada”… Nem uma coisa nem outra ao final. Repetindo chavões a exaustão (“lamentavelmente”, foi o termo dos mais usados) e sempre jogando a discussão para o genérico. Não sei se isso convence alguém. Foi convincente e eficiente quando esgrimou com Serra, dando-lhe um “touchê” na questão das favelas de SP, desmascarando o candidato tucano. Fez um discurso que talvez agrade aos jovens e a classe média, na minha opinião um discurso preparado nos barzinhos da Vila Madalena… Termina a campanha num patamar muito acima de quando começou. Dependo das companhias que terá daqui para frente, dependendpo da postura do PV, poderá firmar-se como uma liderança expressiva nacionalmente (ao contrário de Serra).
Finalmente, Dilma. Como das outras vezes, precisa ser provocada para mostrar suas qualidades. Assim como no debate da Record, entrou para jogar na retranca… mas, com o decorrer do debate, como não haviam ataques pesados dos concorrentes, ficou “tocando a bola na intermediária adversária”… suas respostas para Marina foram cirúrgicas: “Marina, quando se é governo, deve-se agir…”, além de fazer Marina reconhecer os acertos nas UPP e no Bolsa Família. Foi incisiva na provocação de Plínio sobre habitação, defendendo a casa própria para todos os brasileiros e assumindo o papel de Chefe de Governo, e não de líder partidário sectário. Outro destaque foi quando afirmou que não havia caixa 2 na sua campanha… alguns presentes na platéia iniciaram uma gargalhada e Dilma foi fulminante e arrancou aplausos: “Lamento os risos de quem outras práticas. A minha não é essa”, mais direto ao PSDB, impossível (caso dos 4 milhões arrecadados das empreiteiras do rodoanel, denunciado pela Revista “Isto é” – agosto de 2010).
Ao final do debate ficou na base do “tudo como dantes no quartel de Abrantes”.
Era o que Dilma queria.