A despedida de Giovanni

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Mesmo com frustação provocada por Márcio Rezende de Freitas no final de 1995, a massa santista estava otimista para o ano de 1996.

No entanto, as coisas seriam bem diferentes que os torcedores imaginavam…

Em janeiro, Cabralzinho se desentende com a direção e deixa o clube. Em seu lugar chega Candinho.

Marquinhos Capixaba também deixa o elenco e a grande novidade é a dupla africana Arthur e Kennedy:

Kennedy nasceu no Zimbabue  caiu nas graças da torcida (brevemente) por sua atuação contra o Corinthians, em janeiro de 1996.
Kennedy nasceu no Zimbabue caiu nas graças da torcida (brevemente) por sua atuação contra o Corinthians, em janeiro de 1996.
Arthur era sul-africano. Não teve o mesmo rendimento que Kennedy.
Arthur era sul-africano. Não teve o mesmo rendimento que Kennedy.

Nos gramados, o ano começa com os torneios de pré-temporada. A Federação Paulista tenta ressuscitar o Torneio Início.

O torneio foi disputado no Parque Antártica, e o Santos caiu na 2ª rodada após empatar com a Portuguesa (que seria a campeã) no jogo e nos escanteios, sendo eliminado pelo fato da equipe tomar mais cartões amarelos que a Portuguesa (não houve decisão por penaltis).

Campanha:

1×0 GE Novorizontino;

0x0 A Portuguesa D

Ainda no final de janeiro, outro torneio de pré-temporada e  o santista abre um enorme sorriso: O Santos vence o Torneio de Verão (Santos, Grêmio, Corinthians e Cruzeiro)

A competição foi disputada no estilo dos torneios de pré-temporada da Espanha: dois jogos eliminatórios e os vencedores disputam o título. Dessa forma, o Santos eliminou o Grêmio e o Corinthians eliminou o Cruzeiro.

Na noite de 24 de janeiro, Santos e Corinthians se enfrentaram na Vila Belmiro e Kennedy e Giovanni fizeram a diferença, 3×1 para o alvinegro praiano e mais um título faturado em cima do rival pauilistano. O jejum de títulos já incomodava e a torcida presente na Vila fez a festa pela conquista…

Campanha:

22/01 – 2×2 Grêmio FPA  – Vila Belmiro – 3×0 nos penaltis (Edinho defendeu duas cobranças gremistas)

24/01 – 3×1 SC Corinthians P – Vila Belmiro

Animado com a conquista o Santos começaria o Paulistão 96 como um dos favoritos ao título.

A FPF mudava novamente o regulamento do Campeonato. Em 1996 seriam dois turnos com 16 equipes, com os dois melhores de cada turno classificando-se para a fase final. Os quatro classificados fariam semi-finais e os vencedores as  finais. Porém se uma mesma equipe ganhasse os dois  turnos, ela seria proclamada campeã.

O campeonato começou com obras em diversos estádios para atender às questões de segurança, sendo que alguns estavam interditados e outros liberados com capacidade reduzida.

A trajetória do SFC começou na Vila, numa vitória magra por 1×0 contra o União São João. No compromisso seguinte, outra vitória (3×2, Juventus). Porém as derrotas nos clássicos contra o São Paulo e a Portuguesa, mostravam que o time não era o mesmo de 95…

Na partida contra a Lusa, no Canindé, os torcedores já ficaram sismados antes da bola rolar… quando viram o alvinegro entrar em campo com camisas brancas e calções pretos alguns pensaram que haviam entrado no estádio errado (alguns pensaram  devolver o seu ingresso, pois julgavam  que tinham entrado no estádio errado na mesma Marginal Tiête)… Era a FPF que exigia que  os times usassem 3 peças de roupa diferenciados em relação ao adversário. Como a Portuguesa usava calções brancos, o SFC foi obrigado a usar calções pretos…

Mesmo com resultados razoáveis nas rodadas seguintes,  o time seguia longe do Palmeiras que massacrava seus adversários a cada rodada, e mesmo no início da competição já era considerado favorito disparado para vencer o Campeonato…

No meio do 1º turno, um momento de grande felicidade: o gol de Placa de Robert  na vitória por 4×2 na Vila Belmiro. Robert foi homenageado com uma placa na entrada do Estádio, veja o motivo de tal homenagem:

Era uma felicidade efêmera… alguns dias depois o SFc era eliminado pelo Atlético Paranaense  na Copa do Brasil (seria a 1ª participação do alvinegro nesta competição):

05/03 – 0x3 C Atlético Paranaense – Baixada (Curitiba)

12/03 – 1×1 C Atlético Paranaense  –  Vila Belmiro

Além da eliminação na Copa do Brasil, mais duas derrotas no Paulistão (América e Guarani) selam o destino de Candinho no comando técnico.

Quem chega para tentar devolver o bom futebol do ano anterior é o ex-zagueiro dos anos 70, Orlando Lelé (foto ao lado), que trabalhava coma base santista.

Com Orlando dirigindo o time, os resultados demoram um pouco para aparecer… e quem se aproveitou foi o Palmeiras que aplicou uma das maiores goleadas sobre o Peixe: 0x6, na Vila Belmiro, numa tarde onde o zagiueiro Cleber (que mais tarde viria a atuar pelo alvinegro) marcou dois gols… tristes lembranças…

O Massacre sofrido despertou o elenco…

No encerramento do turno, o Botafogo “bancou o holandês, e pagou pelo que não fêz”… Santos 5×1!

O Palmeiras venceu o turno com folga e o SFC ficou na 8ª colocação.

No returno  Giovanni brilhou como nunca…

Contra o União São João, 8×2 e a grande novidade da temporada: os calções quadriculados!

Se não bastasse o calção “tabuleiro de xadrez” criaram um outro… estrelado!!!

Seu 1º uso foi contra o São Paulo, no Pacaembu com todos os ingresso vendidos (27.000) e não deu muita sorte: 1×2  São Paulo.

Mas o time se recupera e engata uma sequência de bons resultados: 2×2 Portuguesa, 3×2 Corinthians, 6×2 Ferroviária (um escorregão em Novo Horizonte – 1×2), 3×1 Mogi Mirim, 5×2 Rio Branco, 5×3 América, 2×1 Guarani…

O Santos era a única equipe em condições de evitar o título antecipado do Palmeiras  (que continuava arrasando os adversários)… mas uma surpreendente derrota em Jaú praticamente decide o campeonato. Uma nova derota contra o Palmeiras  define o campeão de 1996.

O Santos ficou na 2º colocação do returno e em 5º lugar na classificação geral.

Vejam a "beleza" do uniforme duante o Paulistão  - 96
Vejam a "beleza" do uniforme duante o Paulistão - 96

O prêmio de consolação foi ver  Giovannii como artilheiro da competição com 24 gols.

Giovanni, ídolo de uma geração orfã de grandes títulos
Giovanni, ídolo de uma geração orfã de grandes títulos

Campanha:

União São João EC – 1×0 (VB); 8×2 (Araras)

CA Juventus  – 3×2 (Parque Antártica); 2×1 (Santo André)

São Paulo FC – 1×2 (VB); 1×2 (Pacaembu)

A Portuguesa D – 2×3 (Canindé); 2×2 (Pacaembu)

SC Corinthians P – 2×2 (VB); 3×2 (Pacaembu)

A Ferroviária E  – 3×0 (Araraquara); 6×2 (VB)

GE Novorizontino – 1×1 (VB); 1×2 (Novo Horizonte)

Mogi Mirim EC – 0x2 (Mogi Mirim); 3×1 (VB)

Rio Branco EC – 4×2 (VB); 5×2 (Americana)

América FC – 0x1 (SJRP); 5×3 (VB)

Guarani FC – 0x2 (Brinco de Ouro); 2×1 (VB)

EC XV de Novembro (Jaú) – 2×1 (VB); 0x2 (Jaú)

AE Araçatuba – 0x2 (Araçatuba); 5×2 (VB)

SE Palmeiras – 0x6 (VB); 0x2 (Parque Antártica)

Botafogo FC – 5×1 (VB); 2×1 (Santa Cruz)

Terminando o Campeonato Paulista, a tristeza:

Giovanni parte para a Espanha, para o Barcelona.

Na despedida, um amistoso contra o Real Madrid, na Vila Belmiro:

20/06 – 2×0 Real Madrid CF – Na Vila Belmiro

Sem Giovanni, o SFC passava a ser um time comum… e os resultados seriam visíveis em campo no 2º semestre.

Mais uma vez é disputado o Torneio dos Campeões Mundiais, mas o alvinegro não foi feliz, não se classificando para a final:

28/06 – 1×1 São Paulo FC – em Cuiabá

05/07 – 1×0 Grêmio FPA – em Cuiabá

16/07 – 1×2 CR Flamengo – em Brasília

O alvinegro tinha um mês para se preparar ao Brasileiro de 1996… e seguiu para Bebedouro, onde em 1995 também tinha feito sua inter-temporada.

A grande novidade santista era o atacante colombiano Usuriaga, o qual o torcida e os dirigentes depositavam grandes esperanças.

A vinda do craque colombiano deu uma tremenda dor de cabeça...
A vinda do craque colombiano deu uma tremenda dor de cabeça...

E, como em 1995, o Santos enfrentou o time local, desta feita  porém, com uma goleada por 8×0!

Mais dois amistosos contra equipes paulistas (2×2 AA Internacional  – Limeira; e 3×1 Comercial FC) colocavam o Peixe em ordem para a estreia no Barsileirão – 96.

Nestes amistosos, Usuriaga havia marcado 3 gols, sendo o artilheiro, ao lado de Jamelli.

A competição máxima organizada pela CBF iria começar, e o regulamento novamente era modificado…

Os 24 participantes jogavam em turno único e o s 8 melhores disputavam em jogos eliminatórios as quartas-de-final, semi-final e final.

Não parecia muito difícil a classificação para fase eliminatória…

Além de Usuriaga, o Peixe contava como retorno do veterano goleiro Sergio Guedes, o zagueiro Sandro (vindo do Sport Recife) e a efetivação de Marcos Assunção no meio de campo. E um novo técnico comandava o alvinegro: José Teixeira era o contratado com a saída de Orlando.

O Santos teria uma dificuldade… a Vila Belmiro estava fechada para reformas no gramado  e o mando de suaus partidas seria na Capital, no simpático estádio do Complexo Esportivo Vaz Guimarães, no Ibirapuera.

Na realidade, o simpático e bem localizado estádio Ícaro de Castro é para competições de atletismo
Na realidade, o simpático e bem localizado estádio Ícaro de Castro é para competições de atletismo

Começou bem a competição,  obtendo resultados satisfatórios, principalmente fora de casa: 1×1 Guarani, 2×0 Botafogo e 3×1 no Coritiba. Mas o fato de maior destaque era o imbróglio Usuriaga…

O atacante colombiano havia participado da partida contra o Fluminense (1×0), porém sua documentação não estava totalmente acertada na CBF… os dirigentes e a torcida ficaram apreensivos pois havia o risco da perda dos pontos e ter as suas arrecadações confiscadas pela CBF.

A confusão terminou com a saída de Usiuriaga para o futebol mexicano. O atacante colombiano realizou apenas 3 partidas pelo Peixe e marcou 3 gols.

A Super Copa da Libertadores começava mais uma vez, o desta feita a participação santista foi mais adequada a sua história. Mesmo aos trancos e barrancos, chegou até as semi-finais, graças aos milagres de Edinho e de resultados positivos no Brasil. Caiu frente ao bom time do Velez Sarsfield, campeão da Super Libertadores daquele ano. Velez de mítico goleiro paraguaio  Chilavert.

Campanha:

CA Peñarol (Uruguai)- 2×1, em Rivera (Urruguai); 3×0 no Ícaro de Castro (São Paulo). Peñarol era o tetra campeão uruguaio (93,94, 95 e 96)

Atlético Nacional (Colômbia) 2×0, em São José do Rio Preto, no Teixeirão; 1×3, em Medelín. Na decisão por penaltis:  7×6 para o SFC, com Edinho evitando duas conversões.

CA Velez Sarsfield (Argentina) 1×2, em Uberlândia; 1×1 em Buenos Aires. O Velez foi campeão argentino de 1996.

No Brasileirão o restante da campanha foi decepcionante… empates, derrotas e péssimas apresentações…

O Estádio Ícaro de Castro não era satisfatório por seu gramado de dimensões reduzidas e o time pulou de cidade em cidade, de estádio para estádio…

Jogou em São José do Rio Preto (contra o Atlético Nacional e Flamengo), em São Bernanrdo do Campo (Internacional), Bebedouro (Atlético Mineiro), Uberlândia (Velez), Parque Antártica (Paraná) e Morumbi (Corinthians).

A nota curiosa deste período foi o amistoso internacional que a equipe mista do SFC realizou contra a Seleção do Haiti, em Miami (EUA): 27/10, SFC 2×1 Haiti.

Campanha do SFC no Campeonato Brasileiro:

Guarani FC  – 1×1 (Brinco de Ouro)

Fluminense FC – 1×0 (Ícaro de Castro)

São Paulo FC – 1×2 (Morumbi)

Botafogo FR – 2×0 (Maracanã)

Coritiba FC – 3×1 (Couto Pereira)

Juventude EC – 1×1(Ícaro de Castro)

SE Palmeiras  – 1×2 (Morumbi)

Goiás EC – 0x2 (Serra Dourada)

A Portuguesa D – 2×0 (Ícaro de Castro)

C Atlético Mineiro  – 0x1 (Bebedouro)

SC Internacional  -1×2 (Vila Euclides – São Bernardo do Campo)

EC Bahia  – 1×1 (Fonte Nova)

Sport C Recife  – 1×2  (Ícaro de Castro)

Criciúma EC – 1×1 (Criciúma)

CR Flamengo  – 1×2 (Teixeirão, em SJRP)

SC Corinthians P – 0x0 (Morumbi)

CA Bragantino  – 2×2 (Ícaro de Castro)

CR Vasco da Gama  – 2×1 (São Januário)

EC Vitória  – 1×0 (Ícaro de Castro)

Grêmio FPA – 0x3 (Olímpico)

C Atlético Paranaense  – 3×2  (Ícaro de Castro)

Paraná C – 0x3 (Parque Antártica)

Cruzeiro EC  – 1×2 (Mineirão)

A classificação final foi a 20ª colocação entre 24 participantes. Pouco

A crise rondava a Vila Belmiro, como podemos ver neste vídeo após a derrota para o Sport:

O ano se encerra com Edinho em baixa, sem um artilheiro, sem mando de campo… mas a direção santista promete uma virada para 1997.