Um título!

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Depois do fracasso do 2º semestre de 1996, a direção santista resolveu se mexer.

Ainda em dezembro, contrata o Técnico Vanderley Luxemburgo, e todos vislumbram novos tempos para o alvinegro praiano.

Era uma contratação de impacto. Depois de 2 anos de “pés no chão” era momento dos pés sairem para uma bela caminhada… ao mesmo tempo, o gramado de Vila Belmiro estava quase pronto para receber seus artistas.

E o elenco apresentava novidades… a começar pelo gol, onde Zetti chegava para dar a tranquilidade da saída de gol que Edinho não proporcionava… Ronaldão era o xerife na zaga, Caíco no meio de campo e Edgar Baez o reserva paraguaio que quebrava o galho fazendo um gol aqui outro acolá…

Mas outros reforços chegariam… Careca era um deles… já veterano, fazia questão de, antes de encerrar a carreira envergar a imaculada camisa branca. Também chegava Muller…

Vanderley institui a pré-temporada no interior, e  o SFC parte para Atibaia onde realiza 3 jogos-treinos… Nestes jogos, Vanderley colocava todos os atletas em campo, substituindo a todos ao final do 1º tempo… o resultado era o menos importante, mas mesmo assim o Peixe ganhou as 3 partidas treino, inclusive a última, contra o Paulista de Jundiaí  (1×0).

No calendário do futebol uma inovação: o retorno do Torneio Rio/São Paulo.

A tabela era simples, com 8 times em jogos eliminatórios em quartas, semi -finais e final.

Assim, sem poder atuar na Vila Belmiro, o Santos começou sua jornada.

A eliminação do Vasco após dois empates não despertou grande entusiamso por parte da imprensa ou da torcida… no entanto, a categórica vitória por 3×1 sobre o Palmeiras, em pleno Parque Antártica, mostrou que aquele Santos era diferente…

E o alvinegro se classificou para as finais contra o Flamengo de Romário e Sávio.

No Morumbi, uma vitória apertada por 2×1 deixava os rubro-negros certos da desforra, assim como em 1983…

Todavia, era um outro SFC… mais compacto, mais firme… e Zico não era mais o camisa 10 do clube carioca e o árbitro seria Oscar Godói.

Anderson Lima abriu o marcador com sua costumeira “patada” em cobrança de falta, porém logo depois, Romário empatava e antes de encerrar o 1º tempo colocou o Flamengo na frente… o Maracanã, com mais de 70 mil pessoas sorria e cantava…

Foi com esse uniforme que o Peixe ganhou o Rio/São Paulo de 97.
Foi com esse uniforme que o Peixe ganhou o Rio/São Paulo de 97.

Foi então que a estrela de Luxemburgo brilhou… colocou Juari em campo.

Não era atacante, não era goleador, não era um craque… era daqueles atletas de compor elenco, útil… que entra em campo para cumprir as ordens de seu técnico…

E foi Juari, que aos 77 minutos acertou uma bomba no gol de Zé Carlos… era o gol do título!

Depois de 13 anos, um título!

Os campeões com a Taça

Os torcedores rivais desdenhavam, mas o santista não queria nem saber, festejava pois imaginava que a sina estava quebrada e com Luxemburgo no comando, haveria uma série de comemorações a serem feitas… o tempo mostrou que não.

Campanha:

CR Vasco da Gama  – 2×2 (Morumbi); 3×3 (São Januário) – 4×3 na decisão por penaltis

SE Palmeiras – 3×1 (Parque Antártica); 0x1 (Presidente Prudente)

CR Flamengo – 2×1 (Morumbi); 2×2 (Maracanã)

Logo em seguida começava o Paulistão – 97. Um regulamento maluco, fruto da imaginação fértil da cartolagem paulista…

Os 16 times foram divididos em 2 grupos de 8. Na “1ª fase”, jogos apenas entre os clubes de mesmo grupo , totalizando 7 rodadas. Na  “2ª fase”, jogos em turno e returno entre os times de um grupo contra os times de outro grupo, totalizando outras 16 rodadas. Ao final de 23 jogos, os 2 melhores de cada grupo se classificavam para as finais… um quadrangular em turno único entre os 4 melhores.

O grupo do SFC contava com Palmeiras, Portuguesa, Guarani, São José, Juventus, Botafogo e América… não era um grupoo fácil… a Lusa era a vice campeã brasileira e tinha um grande time, o Palmeiras ainda contava com o dinheiro da Parmalat e o Guarani impunha respeito.

Na 1ª fase, o alvinegro estava na 3ª colocação, mas ao chegar a 2ª fase o time embalou e terminou  com a 2ª vaga.

Campanha da 1ª fase:

América FC – 3×1 (Teixeirão)

CA Juventus  – 1×0 (Morumbi)

Guarani FC – 2×3 (Brinco de Ouro)

A Portuguesa D – 2×1 (Jundiaí)

Botafogo FC – 1×1 (Morumbi)

SE Palmeiras  – 0x2 (Parque Antártica)

São José EC – 1×0 (São José dos Campos)

Ao mesmo tempo que disputava o Campeonato Paulista, o alvinegro entrava na Copa do Brasil .

A Copa Brasil já tinha caido no gosto dos torcedores, pois percebiam que era uma competição curta que colocava o campeão na Libertadores…. e mais importante: de regulamento simples. Dois jogos eliminatórios e pronto… já era possível  conhecer o classificado… e outro fator: todos os grandes clubes participavam, mesmo o os que jogavam a LIbertadores.

O SFC começou eliminando a Desportiva (ES), depois o Figueirense.. até que em março, enfrentou o Internacional.

Grande festa!

Era a reabertura da Vila Belmiro… e o SFC presenteou o  torcedor: 2×0!

Depois de anos, o Santos apresentava um gramado dentro dos padrões de qualidade, finalmente haveria um tapete para a prática do futebol.

Entretanto, na partida de  volta, o SFC foi eliminado na decisão por penaltis, depois de perder por 2×0.

Campanha na Copa do Brasil:

A Desportiva FVRD (ES): 1×1 (Cariacica); 5×1 (Parque Antártica)

Figueirense FC – 1×0 (Orlando Scarpelli, Florianópolis); 3×2 (Parque Antártica)

SC Internacional – 2×0 (VIla Belmiro); 0x2 (Beira Rio) – na decisão por penaltis: 2×3

O time estava livre para se dedicar ao Paulistão , e os resultados surgiam… algumas goleadas e bons resultados nos clássicos, principalmente no 2º turno da 2ª fase, onde o destaqe foi a vitória contra o Corinthians por 2×0.

Veja a goleada santista no campo da Lusinha de Santos:

Uma das partidas que mais chamaram a atenção foi o empate entre Santos e São Paulo, na estreia de Careca e Muller.

Careca era santista desde menino, foi revelado pelo Guarani, atuou com grande destaque pelo São Paulo e foi para o Napoli jogar ao lado de Maradona a Alemão. Muller foi companheiro de Careca no São Paulo dos “menudos”. Jogou em todos os principais clubes de São Paulo ( Santos, São Paulo, Palmeiras,  Portuguesa, Corinthians e São Caetano)

Veja a primeira partida de Careca com a camisa do SFC:

Campanha na 2ª fase:

AA Internacional – 5×2 (Ulrico Mursa); 1×1 (Limeira)

São Paulo FC  -1×1 (Morumbi); 2×2 (VB)

União São João EC – 0x0 (São José dos Campos); 1×1 (Araras)

Rio Branco EC – 1×1 (Americana); 3×1 (VB)

Mogi Mirim EC – 4×2 (VB); 2×0 (Mogi Mirim)

SC Corinthians P – 1×3 (Morumbi); 2×0 (VB)

AE Araçatuba  – 4×1 (VB);1×0 (Araçatuba)

AA Portuguesa – 2×0 (Ulrico Mursa); 5×0 (VB)

Com a torcida animada, o alvinegro termina a fase de classificação em 2º lugar em seu grupo. Para o quadrangular decisivo (com os 4 “grandes”), todos os jogos seriam com mando da FPF, isto siginificava que a Vila Belmiro não seria utilizada…

Logo na rodada, o Corinthians… 1º tempo equilibrado, mas no final a derrota amarga por 3×4.

Contra o São Paulo seria o “tudo ou nada”… e deu “nada”… nova derota (0x1).  Ná u?tima rodada, contra um Palmeiras também já eliminado, a FPF marcou a partida para a Vila… e o destaque foi o gol de Careca na goleada por 4×0.

Campanha:

SC Corinthians P – 3×4 (Morumbi)

São Paulo FC – 0x1 (Pacaembu)

SE Palmeiras – 4×0 (VB)

Abatido, o time parte para mais uma edição do “Torneio dos Campeões Mundias” e o resultado não poderia ser melhor do que foi… apenas a 3ª colocação. O fato pitoresco foi o público pagante na última rodada, contra o Grêmio (em Brasília): 192 heróis! Creio que havia mais gente trabalhando que vendo…

Campanha:

CR Flamengo – 0x0 (Campo Grande)

São Paulo FC – 0x3 (Campo Grande)

Grêmio FPA  – 2×1 (Brasília)

O Campeonato Brasileiro estava para começar e Luxemburgo leva o time para Serra Negra para mais uma inter-temporada.

As novidades eram duas: Caio Ribeiro e Arinélson!

Arinélson veio do Iraty, do Paraná, com a fama que seria o sucessor de Giovanni… não foi.

O Brasileiro de 1997 teria mais uma vez mudanças em seu regulamento… seriam 26 equipes jogando uma fase de classificação em turno único. Os oito melhores passaria para a fase final e seriam divididos em dois grupos de 4 times. Nesta fase os jogos seriam em turno e returno e os campeões de cada grupo disputariam a final em partida única.

Luxemburgo muda o time táticamente, colocando para jogar no 3-5-2… Luxemburgo também tentou mudar a numeração das camisas no SFC, isto é, com o lateral direito usando a “2” e não a “4”… Luxemburgo conseguiu o 3-5-2, mas a força da tradição na numeração das camisas falou mais alto e o Santos retornou a distribuição costumeira (1; 4, 2, 6 e 3; 5, 8, 10 e 11; 7 e 9).

A adaptação ao novo esquema tático custou alguns pontos no início da competição, mas quando da inauguração do fechamentoo das arquibancadas do gol de fundo da Vila Belmiro, o Santos jogou muito bem e venceu, o sempre diícil de ser batido, Goiás por 3×0!

Era assim a Vila Belmiro até 1997...
Era assim a Vila Belmiro até 1997...
Hoje é assim.
Hoje é assim.

No meio do Brasileirão, o SFC realizou uma pequena excursão para a Europa… jogos na Noruega e na Inglaterra:

Rosemborg BK (Noruega) – 2×2 (Em Oslo)

Barnsley FC (Inglaterra) – 3×0 (Em Barnsey)

Wolverhampton FC (Inglaterra) – 1×1 (Em Wolverhampton)

Bradford City FC (Inglaterra) – 3×1 (em Bradford)

Retornou ao Brasil e já havia mais uma competição aguardando o SFC: A Super Copa da Libertadores de América.

Em sua derradeira edição, a “Super Copa” mudava de regulamento… os participantes seriam divididos em grupos de 4 equipes e jogariam a classificação em turno e returno. O grupo santista contava com Vasco da Gama, River Plate e Racing.

Luxemburgo desdenhou da competição e colocou em algumas oportunidades quem estava esquentando o banco de reservas… dessa forma, Edinho pode atuar em algumas partidas.

O regulamento ditava que as 3 primeiras partidas do Peixe seriam em território adversário, o que dificultaria as coisas. Contra o River Plate, no Monumental de Nuñez, o Santos vencia por 2×0,  até que teve a dupla de zaga expulsa… aí não deu para segurar os argentinos e tomou a virada (2×3). Contra o Racing, a virada foi santista e Zetti ainda agarrou um penalti no empate por 2×2.

Uma derrota na Vila, contra o Vasco eliminou o alvinergro. Campanha na Super Copa:

CR Vasco da Gama  – 1×2 (São Januário); 1×2 (VB)

CA River Plate – 2×3 (Nuñez); 2×1 (VB)

Racing C – 2×2 (Avellaneda); 3×2 (VB)

No Brasileirão o time alternou boas apresentações e outras ruins…  os destaques positivos foram as vitórias contra o Vasco (3×1), São Paulo (2×1), Corinthians (1×0), Bahia (3×1)… o destaque ruim foi a goleada sofrida contra o Palmeiras (0x5), além da derrota contra o Botafogo por 1×2 , quando caiu uma invencibilidade de 21 partidas na Vila Belmiro. Luxemburgo sabia fazer valer o mando de campo, apenas 2 vezes o Peixe foi derrotado  no alçapão em 1997.

Campanha na fase de classificação;

CR Flamengo – 3×2 (Maracanã)

Paraná C – 0x2 (Durival de Brito)

SC Internacional – 0x2 (Beira Rio)

Goiás EC – 3×0 (VB)

Grêmio FPA  – 3×0 (VB)

Sport C Recife  – 1×1 (Ilha do Retiro)

CA Bragantino – 1×2 (Bragança paulista)

JUventude EC – 1×1 (Alfredo Jaconi)

CR Vasco da Gama  – 3×1 (VB)

Fluminense FC – 0x1 (maracanã)

Criciíuma EC  – 2×0 (VB)

C Atlético Mineiro – 1×2 (Mineirão)

Coritiba FC – 2×1 (VB)

São Paulo FC – 2×1 (VB)

SE Palmeiras – 0x5 (Parque Antártica)

Botafogo FR – 1×2 (VB)

União São João EC – 3×1 (VB)

A Portuguesa D – 1×1 (Canindé)

Guarani FC – 3×2 (brinco de Ouro)

SC Corinthians P – 1×0 (VB)

C Atlético Paranaense  – 1×1 (Érton Coelho Queiróz  – Curitiba)

Bahia EC – 3×1 (VB)

Vitória EC  – 0x2 (Barradão)

América FC (Natal) – 2×0 (VB)

Cruzeiro EC  – 2×2 (VB)

Na partida contra o Bahia, o lateral esquerdo Dutra marcou um “Gol de Placa”, conforme podemos lembrar no vídeo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=8dpUgkemoFE

Classificado para a fase final, o Santos teria como adversários o Internacional, Palmeiras e o Atlético Mineiro.

A grande dificuldade do alvinegro é que o mando das partidas seriam da CBF, o que significava a Vila fora da tabela.

E aconteceu o esperado… derrotas fora de casa, vitórias em casa… o desequilíbrio seria contra o Palmeiras… porém um empate e uma derrota deixavam o clube sem o sonhado título de campeão barsilerio.

Campanha na fase final:

C Atlético Mineiro: 0x2 (Mineirão); 1×0 (Morumbi)

SE Palmeiras: 3×3 (Morumbi); 0x1 (Morumbi)

SC Internacional – 4×0 (Morumbi); 1×4 (Beira Rio)

O ano termina com o seguinte resumo: 6 competições (Rio/SãoPaulo, Paulista, Copa do Brasil, Torneio dos Campeões Mundias, Super Copa da Libertadores e Brasileiro) e um título (Rio/São Paulo) e mais duas Taças comemorativas:

Contra o SC Internacional, na reinauguração do gramado da Vila Belmiro, em 27/03 (SFC 2×0 SCI)

Contra  a AA Portuguesa, ganhou o Troféu Cidade de Santos, em 13/04 (SFC 2×0 AAP)

Agradecimento especial ao Wesley Miranda pelas fotos cedidas do Santistas Loucos.