A confirmação de Diego e Robinho (2003)

Santistas de todo mundo, uni-vos!

Depois da apoteótica conquista do Brasileiro de 2002, parecia que não haveria limites para o alvinegro praiano. A base do time era mantida, e se Alberto e Robert deixavam o clube, Ricardo Oliveira era um reforço de grande peso para o ataque santista.

Confiante, o torcedor santista esperava por títulos em 2003… Paulista, Brasileiro, Libertadores ou mesmo a neófita Copa Sul-Americana.

A primeira competição do ano seria o Campeonato Paulista…. campeonato que seria marcado por um regulamento absurdo e por jogadas extra-campo…

A fórmula do absurdo era o seguinte: Três grupo de 7 equipes, jogando em turno único. Os dois primeiros de cada grupo seriam classificados para a fase eliminatória, juntamente com os dois melhores 3ºs colocados.

O Grupo do Santos FC contava com: São Paulo, Santo André, Juventus, Internacional de Limeira, Portuguesa Santista e Paulista.

Além do regulamento maluco, outro destaque foi a briga pela transmissão das partidas pela TV. Globo e SBT disputavam quase que no tapa os direitos de imagem da competição, a bagunça era tão grande que na primeira partida (Santos x Santo André), o intervalo durou 35 minutos!

Mas, como sabemos, na queda de braço, a vencedora foi a poderosa e platinada Rede Globo…

No Campeonato Paulista , o time entrou meio de ressaca, com resultados abaixo do esperado: empate contra o Santo André e vitórias magras contra o Paulista e Juventus, porém uma partida na Colômbia mudaria o astral do time …

O SFC voltava à Libertadores, num grupo com o América de Cáli (Colômbia) , Doze de Octubre (Paraguai) e o EL Nacional (Equador). A grande expectativa era a estreia contra o sempre perigoso America, em Cáli.

E como nos anos 60, o Santos bailou em campo… 5×1!

A manchete do jornal colombiano “El País” resume o que foi a partida: “Santo Deus, que surra!”

Veja as imagens:

Embalado pelo sucesso em Cáli, os meninos encararam a Inter de Limeira numa escaldante Vila Belmiro em pleno verão de fevereiro e outra goleada: 5×1!

Ninguem duvidava da classsificação santista…Vários falavam que aquela era uma geração de ouro, comparável ao time dos anos 60….

Mas, ali pertinho da Vila havia uma armadilha reservada ao alvinegro: Pepe!

Sim , o canhão da Vila estava preparando uma surpresa para os meninos… Técnico da AA Portuguesa, Pepe havia montado um time certinho, ofensivo e bom de bola, aliás como já havia feito com a Internacional de Limeira, em 1986.

A campanha da Lusinha era muito boa (2×1 Juventus, 6×0 Internacional e 1×1 São Paulo).

E Pepe mostrou aos meninos da Vila que conhecia (e muito) de futebol… armou a Portuguesa de forma a controlar o ímpeto ofensivo do SFC, e em dois contra-ataques liquidou a partida: AA Portuguesa 2×0  Santos.

O Santos teria que partir para o “tudo ou nada” contra o tricolor, na Vila Belmiro. Com a desastrada atuação de Paulo Cesar de Oliveira que não assinala um pênalti em Ricardo  Oliveira, o Santos perde novamente. A classificação do grupo naquele momento, estava assim:

AA Portuguesa, 13 pontos (e faltando uma partida)

São Paulo, Santo André e Santos, 10 pontos. O Santos já havia encerrado a campanha, mas a tabela marcava um último confronto entre São Paulo e Santo André…

Num vergonhoso jogo de compadres, os dois santos empataram em dois gols, eliminado o alvinegro.

Enquanto isso, em Ulrico Mursa, Pepe levava a Lusinha até as semi-finais…

Campanha do Alvinegro:

EC Santo André – 2×2 (Bruno Daniel)

Paulista Fc – 3×2 (VB)

CA Juventus  – 1×0  (Pacaembu)

AA Internacional  – 5×1 (VB)

AA Portuguesa  – 0x2 (Ulrico Mursa)

São Paulo FC – 1×2 (VB)

Por curiosidade, a campanha da Lusinha:

CA Juventus  – 2×1 (Javari)

AA Internacional – 6×0 (Ulrico Mursa)

São Paulo FC  – 1×1 (Morumbi)

Santos FC – 2×0  (Ulrico Mursa)

EC Santo André  – 1×0 (Bruno Daniel)

Paulista FC – 3×0 (Ulrico Mursa)

Guarani FC – 0x0 (Ulrico Mursa) – classificado às semi-finais

São Paulo FC – 0x5 (Morumbi) e 0x1 (VB)

Em 2003, a Portuguesa Santista fez a festa, junto com a sua fiel torcida

Fora do Paulista, o Santos concentrou suas forças na Libertadores, classificando-se com sobras em seu grupo:

CD América  – 5×1 (Cáli) e 3×0 (VB)

C Doze de Octubre – 3×1 (VB) e 4×1 (Ciudad del leste – Paraguai)

CD El Nacional  – 0x0 (Quito) e 1×1 (VB)

Passado a primeira fase, o alvinegro encarou a fase eliminatória. O adversário agora seria o Nacional de Montevideo.

No histórico e lotado estádio Centenário, numa partida alucinante, o Santos ficou no empate em incríveis 4×4!

Na partida de volta, Vila Belmiro arrebentando de gente, um inacreditável empate por 2×2. Os dois empates levaram a partida para decisão nos pênaltis. E então, brilhou a estela de Fábio Costa.

Fábio Costa que havia falhado durante a partida, salva o Peixe com três (!!!) defesas nos pênaltis, imagens para serem vistas e revistas:

Eliminado o Nacional, o Santos partia para a altitude da Cidade do México  e encarar o Cruz Azul. Um golaço do Diego garante o empate próximo às nuvens, em 2×2. Na Vila, vitória por 1×0, e o SFC na semi-final.

O adversário seria o Independiente de Medelin, do jovem craque Molina

Molina jogava pelo Independiente de Medellin (Colômbia), depois seria ídolo da torcida santista.

Sem Ricardo Oliveira, o time cansou de perder gols na Vila Belmiro, e o magro 1×0 não refletiu o que foi a partida. Mesmo assim, o Peixe seguia como favorito para Medellin…

Na Colômbia, um caldeirão esperava o Santos…

E o Independiente foi para cima do alvinegro na tentativa de reverter o resultado…

E antes dos 15 minutos já abria o placar… porém os meninos tiveram sangue frio o suficiente para virar a partida aos 62′, através de Fabiano (o genro de Wanderley Luxemburgo foi o nome do jogo), e ainda suportar as pedras atiradas em direção ao gramado. Faltando 10 minutos para acabar, Molina empata e coloca fogo na partida…

A pressão é gigante, mas Fabiano realiza grande jogada e Leo desempata aos 87′. Não há tempo para mais nada, e o Santos voltava a uma final de Libertadores depois de 40 anos.

O adversário seria o tradicinal e temível Boca Juniors

A primeira partida seria em “La Bombonera” e a final, no Morumbi.

E os meninos não tremeram…

Foram para cima do Boca, encurralaram os argentinos, mas faltou experiência…

Em dois rápidos contra-ataques, o time porteño fatura 2 gols e vence a partida.

O desafio seria no Morumbi, e mesmo com a derrota em Buenos Aires, mais de 74.000 santistas lotam o estádio do São Paulo FC.

Mesmo com toda pressão, o tinhoso time argentino marca um gol ainda no primeiro tempo, e o empate alcançado aos  74′  não foi suficiente para o Santos… nos contra ataques (novamente), o Boca liquida a partida em 3×1. O sonho do Tri foi adiado…

Campanha na Libertadores:

C Nacional F – 4×4 (Montevideo) e 2×2 (VB) – na decisão por p?naltis: 3×1

CDSC Cruz Azul – 2×2 (Cidade do México) e 1×0 (VB)

CD Independiente Medellin  – 1×0 (VB) e 3×2 (Medellin)

CA Boca Juniors  – 0x2 (Buenos Aires) e 1×3 (Morumbi)

Santos Fc - Vice campeão da Libertadores (2003)

Ao mesmo tempo que disputava a Libertadores, o Santos tentava o bicampeonato brasileiro… porém antes do término do brasileirão, o Santos encarou outra competição continental: A Copa Sulamericana.

Era a primeira edição da Copa… e a fórmula de disputa era (e ainda é) um tanto confusa… na primeira fase apenas jogos entre clubes do memso País, classificando-se 8 equipes para as fases eliminatórias:

Na fase de classificação nacional, o Santos enfrentou o Flamengo e o Internacional:

SC Internacional – 1×1 (VB)

CR Flamengo – 3×0 (Maracanã)

Com esses resultados o Santos classificou-se para a fase seguinte (maior saldo de gols que o Internacional), para encarar o forte São Caetano:

AD São Caetano – 1×0 (São Caetano) e 1×1 (VB)

Assim, o Peixe teria que subir às nuvens de Cuzco, e enfrentar o Cienziano (Peru).

O fundamental seria vencer na Vila por boa margem de gols e depois segurar e suportar a altitude de 3.400 metros.

No entanto, os meninos foram surpreendidos na Vila e o time da Capital do Império Inca, arrancou o empate em 1×1.

Em Cuzco, o Peixe não suportou o entusiamado time peruano e caiu por 1×2.

Sobrava apenas o Campeonato Brasileiro…

Campeonato Brasileiro que, finalmente, seria disputado em turno e returno, quem fizesse mais pontos sria o campeão. Fórmula simples e óbvia, depois de 30 anos, pela primeira vez seria disputado um campeoanto na fórmula consagrada em todo o planeta…

Depois de décadas de fórmulas absurdas, os dirigentes, técnicos e atletas demoraram para se adaptar a tal tipo de competição, onde todos os jogos são importantes. Apenas dois técnicos perceberam tão evidente conclusão: Emerson Leão (Técnico do SFC0 e Wanderley Luxemburgo (Técnico do Cruzeiro).

E foram os dois clubes que dispararam na ponta desde o inícioo da competição.

O segundo turno foi uma verdadeira “caça à raposa”…

Num campeonato marcado por grandes partidas e onde em diversas rodadas (6 em seguidas , no 2º turno) o peixe saiu atrás do marcador, ao final da maratona (eram 24 equipes) o alvinegro ficou com mais um vice-campeonato.

Campanha:

Paraná C – 2×2 (VB); 2×1 (Couto Pereira)

C Atlético Mineiro – 0x0 (Mineirão); 3×3 (VB)

Payssandu SC – 1×2 (Mangueirão); 2×0 (VB)

Figueirense FC – 2×0 (VB); 0x1 (Florianópolis)

CR Flamengo – 2×0 (Maracanã); 2×1 (VB)

Fortaleza EC  – 4×0 (VB); 0x0 (Castelão)

Criciúma EC – 3×1 (Criciúma); 5×2 (VB)

Cruzeiro EC – 0x2 (VB); 0x3 (Mineirão)

Juventude EC  – 1×1 (Caxias do Sul); 1×1 (VB)

SC Internacional – 2×1 (VB); 0x1 (Beira Rio)

São Paulo FC – 3×2 (VB); 2×1 (Morumbi)

Guarani FC – 2×1 (Brinco de Ouro); 1×1 (VB)

AD São Caetano – 0x1 (VB); 2×2 (São Caetano)

EC Bahia  – 4×0 (VB); 7×4 (Fonte Nova)

Coritiba FC – 3×1 (VB); 4×0 (Couto Pereira)

SC Corinthians P – 1×1 (Morumbi); 3×1 (VB)

EC Vitória  – 0x2 (Barradão); 3×1 (VB)

AA Ponte Preta  – 2×1 (VB); 4×3 (Moises Lucarelli)

Fluminense FC – 4×1 (Mesquita); 3×1 (VB)

Goiás EC – 3×3 (VB); 0x3 (Serra Dourada)

CR Vasco da Gama  –  2×1 (VB); 1×1 (São Januário)

C Atlético Paranaense  – 2×0 (Arena da Baixada); 3×2 (VB)

Grêmio FPA – 0x2 (Olímpico); 2×2 (VB)

VAle apena lembrar rde algumas partidas:

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Uma opinião sobre “A confirmação de Diego e Robinho (2003)”

  1. O texto atual, como já foi comentado, é cheio de adjetivos (assim como outros textos que publica sobre a história do Santos), nada melhor para chamar a atenção do leitor apaixonado ou não; santista ou não.
    Guilherme, enquanto historiador, busca-se os fatos. Os fatos podem ser vistos através de diversos olhares. A visão dos vencidos não é igual a dos vencedores. A linha tênue que separa o fato (verdade) das interpretações (ou o olhar multirreferencial) já demanda que não há neutralidade.
    Nada mais natural que um memorial seja percebido com mais ou menos adjetivos. A ausência deles nos leva a procurar nas entrelinhas ou no contexto em que é expresso. Isso que denota a essência do que se mostra, ainda que a aparência seja de “insenção”. E, para o futebol, a relação razão/emoção é elemento intrínseco e algo que nos leva a um prazer maior em concordar/discordar. Como posso falar do meu bugre campineiro despojando-me dos adjetivos? Como posso me referir ao Parque da Moóca, ao Jabaquara sem impregnar de sentidos e sensações?
    Esse aspecto é que atrai o leitor, e isso, você o faz com talento e brilhantismo…

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