O cachorro que foi campeão da Libertadores

Boneco segurando a flâmula do Independiente

Amigos,

Recebi essa bela história de um amigo argentino, torcedor do CA Independiente.

É a história de “Boneco”, cachorro que acompanhava a delegação do multi-campeão Independiente nos anos 70, ao lado de seu dono, o fanático Lolo.

Lolo era brasileiro e vivia perambulando pela Argentina quando conheceu “Boneco”. Sua perna estava gangrenando e Boneco “cuidou” de sua perna lambendo-a e “limpando”. Ficaram amigos, e Lolo ensinou Boneco alguns truques circenses. Lolo ganhou algum dinheiro e comprou um automóvel onde adaptou uma casinha de cachorro na parte traseira. Lolo dizia que o Fiat 600 pertencia a Boneco.

Num dia, ao acaso, Lolo/Boneco conheceram o Independiente… Lolo levou seu cãozinho à concentração dos “rojos”, ganhando a simpatia de todos. Daí a entrar em campo junto com a delegação foi um pequeno passo. Boneco entrava com a equipe segurando uma flâmula ou bandeira e no intervalo fazia sua apresentação, dando saltos, piruetas e andando em duas patas saudando o público.

A importância de Boneco (que acompanhava seu dono por toda América) era fundamental para a equipe. Pipo Ferreira, técnico dos “rojos”, afirmava que: “Boneco era mais um integrante, e quando Independiente viajava ao exterior, tinha uma passagem e um passaporte para ele… Cansou-se de ser campeão”

Os atletas que compunham o elenco também tinham uma avaliação positiva da presença de Boneco nos gramados, como Pavoni (capitão da equipe) que comentando sobre a presença do simpático cachorro, dizia: ” se Boneco entra nesses estádios tão cheios e não fica com medo, como é que nós vamos nos sentir intimidados?”

Outro ídolo do Independiente, Bochini, tinha um pensamento típico dos boleiros: ” no mundo do futebol, as cábalas existem e são muito fortes; Boneco era um talismã da sorte, e quando ele faltava, sentíamos sua ausência como se fosse um de nós”

Perci Rojas (atacante) reafirmava a importância do cãozinho: “Era conhecido em muitos países, quando chegávamos a outra cidade, as pessoas sempre queriam conhecer o famoso cachorro do Independiente. No Peru, ainda lembram dele”.

Mas, um dia Boneco deixou de acompanhar os “rojos”…

Foi quando Lolo (seu dono) morreu.

Eram tão estranhamente amigos, que quando Lolo faleceu, Boneco ficou embaixo do caixão, por todo o velório, junto de seu amigo.

Depois da noite de vigília, seguiu seu dono até o cemitério e ali ficou sem que ninguém pudesse movê-lo ou tirá-lo. Nunca mais aceitou comida e deixou-se morrer ao lado do túmulo de seu grande amigo. A partir de então, mais ninguém poderia separá-los.

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