Santos é Brasil, Brasil é Santos!

Um capítulo dedicado ao Rei Pelé, que na foto aparece "abraçando" as bandeiras do Santos FC e da CBF (Crédito: Kelly Miranda)

Amigos,

Vamos para o 3º capítulo da série “O Santos, os 100 anos da CBF e a Copa 2014″.

Completamos agora, 75 curiosidades relacionados com o tema… e ainda não acabamos.

Capítulo III

Com o bicampeonato no Chile, o prestígio do futebol brasileiro foi às nuvens, junto com o SFC.

Em 1963,  o Santos veste a camisa amarela e enfrenta a Alemanha em Hamburgo. Oito atletas do alvinegro  formavam a seleção brasileira: Gylmar, Lima, Zito, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, vitória por 2×1 com gols de Coutinho e Pelé (1).

Lima, Zito, Dias, Rildo, Eduardo e Gylmar. Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Depois da partida os jogadores tiveram uma folga e foram passear por Hamburgo.

Pelé e Zito compartilhavam um táxi que se envolveu num acidente com um ônibus que destruiu o veículo e acabaram desmaiando no acidente. Zito teve algumas escoriações e Pelé nada sofreu, além do susto enorme.

Em mais duas ocasiões a seleção contou com 8 atletas santistas: na mesma turnê europeia da seleção brasileira (Brasil 0x3 Itália) e em 1969, no Maracanã, quando o Brasil venceu a Inglaterra por 2×1, com Gylmar, Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Clodoaldo, Pelé e Edu (2).

https://www.youtube.com/watch?v=XUxxFIY-ZZI

O Santos roda o Mundo

O sucesso santista é global. E as excursões não se limitam mais à América do Sul, México e Europa, o Santos é requisitado para rodar o Mundo.

Em 1965 era a vez dos EUA;  Costa do Marfim (1966), Gana, Nigéria, Argélia, Croácia, Bósnia (1969), Honduras (1970), Japão, Coréia do Sul, Irã, Austrália (1972) e Camarões (1983) foram os outros países da Copa 2014 que o alvinegro visitou (3).

Em 1966, um fato curiosíssimo: Pelé participa da equipe da seleção da Costa do Marfim numa partida não oficial contra o Santos FC (4):

https://www.youtube.com/watch?v=LGwcxdOgmx4

10/01/1966 Santos FC 4×2 COSTA DO MARFIM

L: Estádio Houphonet-Boigny – Abdjan – Costa do Marfim (CTM)

C: Jogo-treino

P: 20.000

G: Dorval 25′ e 47′, Zito 55′ e Pepe 79′ – Mengle 5′ e Pelé 83′

Equipes prováveis:

SFC: Pelé (Cláudio); Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos de Oliveira (Oberdan), Orlando Peçanha (Joseph Belizere) e Geraldino; Lima e Mengálvio (Joachin);

Dorval, Coutinho, Toninho Guerreiro (Sissoko) e Abel (Syla).

Técnico: Lula

CTM: Silva; ?????, Joseph Belizere (Orlando Peçanha), ????, Joachin (Mengalvio), Mengle, Sissoko (Pelé) e Syla (Abel).

Foi uma exibição para o povo marfinês. Pelé iniciou no gol santista e no 2º tempo jogou pela Seleção de Costa do Marfim, inclusive marcando um gol contra o Santos!!!! Outros 3 atletas santistas fizeram o  mesmo: Orlando, Abel e Mengálvio. Quatro atletas marfineses jogaram pelo SFC, entre eles Joseph Blezire.

No Brasil, todos acreditavam piamente na conquista do tri-campeonato na Inglaterra. A certeza era tão grande que o compositor e sambista Moreira da Silva gravou uma música onde James Bond invadia a concentração do Santos FC, junto com Cláudia Cardinalle para sequestrar o Rei do futebol e impedir a conquista do Tri. Vale a pena ouvir o samba-de-breque do “Kid Morengueira” (5):

https://www.youtube.com/watch?v=Eriv0-aDqeA

Pelé e Silva (que viria para o alvinegro em 1967)

A quantidade de grandes atletas atuando no Brasil era enorme e 44 jogadores foram convocados para o período de treinamento. Sete são santistas: Gylmar, Carlos Alberto Torres, Orlando Peçanha, Zito, Lima, Pelé e Edu (6). Edu de apenas 16 anos e com 3 meses como atleta profissional bate um recorde em rapidez de convocação (7).

Com tantos jogadores, era necessária uma organização primorosa, o que não aconteceu. E o selecionado partiu para Inglaterra com 6 santistas (8):

Gylmar – 1

Orlando Peçanha – 7

Pelé – 10

Lima – 14

Zito -15

Edu – 22

Dos 6 atletas, quatro atuaram em pelo uma das três partidas realizadas pelo Brasil, a saber: Gylmar, Orlando Peçanha, Pelé e Lima (9).

E como em 1958, Pelé foi o único santista a marcar um gol na Copa (10).

https://www.youtube.com/watch?v=ggQNEXNy_FU

Pelé levanta Toninho Guerreiro. Eram as "Feras do Saldanha" em treinamento. Nove feras eram santistas.

Com a perda do tri na Inglaterra, a seleção brasileira sofre profunda reformulação. A CBD chama o jornalista João Saldanha para comandar a equipe que deveria disputar novamente as eliminatórias.

Saldanha faz então o óbvio: Nada menos que nove atletas seriam do Santos FC, o melhor do Brasil em 1969. E não foi apenas isso, Saldanha trouxe a numeração da equipe do Santos para a seleção brasileira, isto é, a linha de quatro defensores seria como no alvinegro: 4, 2, 6 e 3, além do meio de campo e ataque com os tradicionais 5 e 8;  7, 9, 10 e 11. Igualzinho ao SFC (11)!

Para os treinamentos são chamados: Cláudio, Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Clodoaldo, Toninho Guerreiro, Pele e Edu (12).

Numa partida não oficial da seleção, na inauguração do Estádio Lourival Batista (que recebeu o público recorde de 45.058 pessoas) , em Aracajú, novamente foram 8 atletas santistas em campo (13):

Carlos Alberto (SFC), Félix, Djalma Dias (SFC), Clodoaldo (SFC), Djalma Dias (SFC) e Rildo (SFC). Jairrzinho, Gerson, Toninho Guerreiro (SFC), Pelé (SFC) e Edu (SFC)

Nas partidas das eliminatórias, os santistas titulares eram Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Pelé e Edu (14).

E foi com esses atletas que o Brasil enfrentou o Paraguai no Maracanã para decidir a vaga  para a Copa. Maracanã lotado com recorde de público pagante em sua história: 183.341 pessoas (15)

https://www.youtube.com/watch?v=Ij83fxtGdWs

Antes disso, no início do ano, o Santos  fez um giro pela África onde enfrentou as seleções da Argélia e da Nigéria (16). Um roteiro onde parou guerras e semeou a paz.

https://www.youtube.com/watch?v=BvbCUB0sym8

O Tri

Carlos Alberto Torres, o capitão do Tri

Começa o ano de 1970 e a CBD realiza um plano cuidadoso e detalhista para a conquista do TRI,  e acaba encurtando a distância entre a seleção  e o Santos FC. Uma outra aproximação é feita com a CBD acrescentado duas estrelas acima do escudo da entidade, representando o bicampeonato mundial, a semelhança do Santos FC, onde desde 1968 ostentava duas estrelas acima do distintivo do clube para celebrar o bicampeonato mundial de clubes (17).

Nos preparativos para a Copa de 1970, Zagalo assume  o comando técnico e cinco atletas do Santos FC são relacionados e partem para o México (18):

No destaque os atletas do Santos FC

Carlos Alberto Torres – 4

Clodoaldo – 5

Pelé – 10

Joel Camargo – 17

Edu – 19

Manuel Maria e Rildo

Na lista de espera, constavam ainda Manoel Maria e Rildo, além de Zé Carlos (que viria para o SFC em 1972), Carlos Roberto (que chegaria em 1976) e Rogério (que jogou em 1971)  (19)

Nos gramados mexicanos, o Brasil jogou em Guadalajara e na cidade do México, mas não jogou em Léon, no estádio que o Santos inaugurou em 1967 contra o River Plate (20).

Os gols que não aconteceram

Foi a Copa das jogadas antológicas de Pelé, dos “quase gol” em diversas oportunidades: no chute do meio de campo na estreia contra a Tchecoslováquia; na cabeceada que Banks defendeu; no sem pulo de primeira contra o Uruguai, no drible em, Mazurkiewics na mesma partida (21).

https://www.youtube.com/watch?v=nNc-YiUzi2g

Novamente Pelé deixou sua marca no gol adversário, assim como Clodoaldo e Carlos Alberto Torres (22).

Além deles, Edu também atuou na Copa, batendo o recorde de santistas em campo em partidas de Copa do Mundo (23).

Na partida final contra a Itália, novamente atletas santistas fizeram gols, sendo a única equipe a ter atletas marcando gols nas 3 finais que resultaram na conquista da Jules Rimet (24).

Nas outras seleções, também a aproximação com o Santos FC. Na equipe do Peru a presença da Ramón Mifflin que em 1974 viria para a Vila Belmiro usar a camisa 10 de Pelé (25).

No mesmo dia que o Brasil vencia a Itália e sagrava-se tri-campeão Mundial, o SFC jogava em Honduras contra o Motagua, onde Djalma Dias e Rildo recebiam homenagens pela conquista do tri-campeonato, afinal tinham atuado nas eliminatórias e para os dirigentes hondurenhos eram tão tri-campeões como os outros cinco que estavam no México (26).

Ramón Mifflin veio com a ingrata tarefa de substituir Pelé.

Com a conquista do tri, a camisa da seleção ganha uma estrela a mais. E como o Santos foi um grande colaborador da conquista da nossa seleção, durante 3 anos o SFC também ostentou 3 estrelas acima do escudo (entre 1970 e 1972) (27).

Capítulo extra:

Pelé e a "Jules Rimet", na Vila Belmiro

Bem, como já extrapolamos a quantidade de curiosidades para esse período, então apresentaremos mais outras.

E claro, não poderíamos encerrar o capítulo sem realçar um feito ímpar, que somente ele, o Rei poderia ter alcançado.

Pelé foi campeão nas Copas de 1958, 1962 e 1970. É o único atleta tricampeão mundial (28).


Leia os dois primeiros capítulos, aqui: http://prof-guilherme.capesp.org/archives/4515

e aqui: http://prof-guilherme.capesp.org/archives/4542

Texto produzido com a seleção de imagens (e dicas) de Wesley Miranda, colaboração de Walmir Gonçalves e Marcelo Fernandes.

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