Retrospectiva 40 anos sem Pelé (parte II)

Amigos santistas, uni-vos!

Vamos para o 2º capítulo da saga da despedida do Rei, os meses de março e abril de 1974.

Veja o 1º capítulo aqui: http://prof-guilherme.capesp.org/archives/4506

O Campeonato Brasileiro de 1974 começa no mês de março, junto com a preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo na Alemanha. Os grandes times estão bem desfalcados por conta dos convocados, principalmente o Palmeiras com 6 atletas escolhidos.  O Santos ficaria sem 3 atletas: Clodoaldo, Marinho Perez e Edu. Carlos Alberto Torres também deveria fazer parte dos selecionados, mas uma contusão o afastou da seleção e do Santos.

Pelé, é claro, tinha total condição de ser o titular do time do Brasil, porém sua decisão tomada em 1971 de não mais atuar pela seleção foi mantida, apesar dos apelos populares para que voltasse à seleção.

Assim, com Pelé, Cejas e a base campeã paulista de 1973, o alvinegro entra na competição como um dos favoritos ao título (apesar da frustração da fase final do Brasileiro de 1973).

Antes de começar o Brasileiro o SFC realizou amistosos. Um deles foi em Uberaba, onde Pelé recebeu o título de cidadão honorário. O Estádio Eng. João Guido ficou lotado, a semelhança da foto acima.

Na partida de abertura um clássico contra a rival Portuguesa, e uma derrota por 2×1.

Depois dessa derrota, o time passaria os meses de março e abril invicto. Uma sequência de vitórias e estádios lotados, afinal a perspectiva de ver Pelé pela última vez, enchia os estádios, mantendo uma média de 20.000 pessoas por partida (mesmo atuando em estádios pequenos). Média essa muito boa para o 1º semestre de 1974.

Em campo, Pelé não decepciona seus admiradores, realizando boas partidas e fazendo gols.

No dia 20 de março, em Brasília, Pelé faz um gol e leva os brasilienses ao delírio. A torcida invade o campo ao término do  jogo e a PM entrou em ação. Naqueles dias cinzentos da política brasileira, a polícia não teve dúvidas: “desceu” a borracha nos torcedores e o saldo foram diversos feridos.

A repressão policial comia solta no País. Fosse nas ruas ou nos estádios.

Contra o Guarani, novamente casa cheia para ver Pelé marcar mais dois gols e dar mais um espetáculo em campo.

Veja as incríveis imagens desta partida, neste vídeo publicado por Wesley Miranda:

https://www.youtube.com/watch?v=zoER_EwGspk

Na partida seguinte, contra o Náutico em Recife. Os torcedores vaiavam Pelé e o Santos, afinal o timbu vencia por 1×0. Após o intervalo, Pelé voltou disposto a calar as vaias… E conseguiu. Marcou o gol de empate, comandou o time e o “pau cantou” no gramado. Pelé recebeu um cartão amarelo, mas não saiu derrotado. Mesmo com o final de carreira chegando, Pelé não admitia perder sem lutar. E o Santos saiu com o empate no Arrudão.

Em abril, uma partida mítica: contra o Guarani de Juazeiro, em Juazeiro do Norte, terra do “padim Ciço”  em pleno semi-árido cearense!

O estádio ficou lotado para ver Pelé pela primeira e última vez.

O Santos FC (e Pelé) posando para foto em Juazeiro do Norte

Pelé fez o que deveria fazer… Atuou com seriedade, deu passes, se deslocou… E fez algo mais: Fez chover no semi-árido, literalmente!

Coisas do Rei!!!!

Contra o Sport, um golaço de Pelé!

De costas para o gol, um sutil toque na bola encobrindo o goleiro e marcou o tento de empate.

Mas as grandes exibições estavam programadas para São Paulo. Contra o Cruzeiro, uma atuação ótima frente a Dirceu Lopes, com um Santos arrasador nos 10 minutos iniciais.

Contra o Palmeiras…

Foi uma aula. Mostrou que aos 32 anos tinha muito futebol. Comandando o time, destruiu a retranca alviverde e apesar de marcar um único gol foi fundamental na goleada por 4×0. Do alto de sua experiência, impediu que os “Meninos da Vila” (versão 1974) aplicassem um olé por exibicionismo. Saiu delirantemente aplaudido do Pacaembu, por todos os presentes (santistas, palmeirenses e  jornalistas).

https://www.youtube.com/watch?v=NV3hI5gJL54

Pelé e Zózimo se encontram nos gramados depois de 12 anos.

Em Franca, mais um  amistoso (o calendário maluco da CBD impedia uma excursão internacional) no aniversário da cidade. E quase 30 mil pessoas (informação do jornal OEstado de São Paulo), viram Pelé pela primeira vez. Viram Pelé e Zózimo (bi campeão mundial – 58/62).

E em Manaus, outras 30 mil pessoas viram mais um show de Pelé, na vitória por 1×0.

Acompanhe as partidas deste período:

22/02 – 2×1 Vila Nova (GO) – Goiânia – público estimado em 14.500 pessoas – amistoso

03/03 – 2×0 Uberaba – Uberaba – público de 25.000 – amistoso

06/03 – 1×0 Caldense – Poços de Caldas –  público estimado em  6.000 pessoas – amistoso

10/03 – 1×2 Portuguesa Desportos – Morumbi – público total de 9.724 – Campeonato Brasileiro

17/03 – 2×0 América (MG) – Mineirão – público total de 17.973 –  Campeonato Brasileiro

20/03 – 3×1 CEUB – Brasília – público total de 19.511 – Campeonato Brasileiro – 1 gol

23/03 – 2×2 Guarani – Campinas – público pagante de 19.338 – Campeonato Brasileiro – 2 gols (um de falta e outro de pênalti)

30/03 – 1×1 Naútico – Arruda – público pagante de 24.122 – Campeonato Brasileiro – 1 gol (falta)

03/04 – 2×0 Guarani (CE) – Juazeiro do Norte – público estimado em 20.000 – amistoso

06/04 – 1×1 Sport – Arruda – público pagante de 18.633 – Campeonato Brasileiro – 1 gol

13/04 – 1xo Cruzeiro – Pacaembu – público pagante de 26.247 – Campeonato Brasileiro

20/04 – 4×0 Palmeiras – Palmeiras – público pagante de 23.139 – Campeonato Brasileiro – 1 gol

24/04 – 0x0  Francana – Franca – público acima de 20.000 pessoas – amistoso

28/04 – 1×0 Nacional (AM) – Manaus – público pagante de 32.060 – Campeonato Brasileiro – 1 gol (Falta)

Resumo do período:

14 jogos; 9 vitórias, 4 empates e 1 derrota

Marcou 7 gols, sendo um de pênalti e três de falta.

Público total de 276.247

Público médio de 20.000 pessoas