Ouvindo Nanette Konig

Nanette Koning, autografa para aluna em Mongaguá.

Amigos,

Na tarde desta 3ª feira tive um compromisso diferente.

Fui ouvir a holandesa Nanette Konig, que estava em Mongaguá para uma palestra.

Nanette Konig é uma senhora nascida em Amsterdã, em 1929.

Judia.

Sobrevivente à ocupação nazista.

Sobrevivente dos campos de concentração.

Sobrevivente do holocausto, sobrevivente da intolerância e do ódio.

Um público de cerca de 200 jovens (e uns poucos não tão jovens) ouviam com atenção a fala serena e firme de uma senhora de 85 anos.

Nanette contou como foram os anos de terror na ocupação nazista, falou das delações, do arbítrio e dos poucos que emprestavam solidariedade aos perseguidos do nazismo. Falou das condições desumanas das prisões e dos campos de concentração, de como conheceu seu marido e como chegou ao Brasil.

E num momento especial, sua relação com Anne Frank, sua colega de escola.

A descrição de seu reencontro no campo de concentração de Bergen-Belsen (Alemanha) é tocante. “Anne estava embrulhada num cobertor, magra, tremia de frio… não usava roupas, pois estavam infestados por piolhos… Apenas nos abraçamos”

Contou ainda que Anne Frank morreu pouco antes dos soldados britânicos chegarem ao campo de concentração. Num outro momento muito forte afirmou: “Quando os britânicos chegaram encontraram o campo abandonado, sem comida ou água para os prisioneiros… pilhas de cadáveres exalavam um cheiro insuportável e indescritível”

Foram 50 minutos de história viva, pulsante.

O tempo de uma aula que valeu um curso.

Curso de combate ao preconceito, da defesa dos direitos humanos e da vida.

Ao final foi aplaudida de pé pelos presentes.

A organização do evento foi por conta do Grêmio Estudantil da EE Aída Leda e do Coletivo Domínio Público, com o apoio do Professor Magno (História) daquela instituição.

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