Minhas Copas

Amigos,

Depois de uma semana de Copa do Mundo, onde nenhuma desgraceira aconteceu (como os arautos do caos previam), gostaria de lembrar minhas Copas.

A primeira que realmente lembro, foi a de 1970. A primeira transmitida pela TV.

A Copa das jogadas geniais de Pelé, do Furacão Jairzinho, dos passes longos de Gerson, da patada atômica de Rivelino, da comprovação que Tostão era um craque fora do comum.

Também já escolhia contra quem torceria, e a escolhida foi a Inglaterra, que esbanjava antipatia em solo mexicano.

Tempos difíceis na política interna com a repressão comendo solta, onde pela primeira vez ouvi a discussão se era legítimo torcer para a seleção ou não…

Eu era uma criança que tinha dúvida entre ser jogador de futebol, astronauta ou cientista e não conseguia entender aquele discurso tão deslocado da realidade que via…

De qualquer forma, eu, meus irmãos e pais vibramos (e muito) com o gol de Carlos Alberto Torres na final contra a Itália.

Minha primeira Copa, e vi a seleção ser tricampeã!

Em 1974, a atmosfera ainda era densa e tensa como em 70.

Pelé, Tostão, Carlos Alberto, Clodoaldo, Everaldo, Brito, Félix não estavam na Alemanha. Tínhamos que torcer por Jairzinho, Rivelino e PC Caju. Pior, suportar o retranqueiro e arrogante Zagallo dizendo que a Holanda jogava um “tico-tico no fubá”.

O resultado foi o baile que Cruijff e Neskeens aplicaram no time brasileiro.

Holanda 1974, uma seleção inesquecível
Holanda 1974, uma seleção inesquecível

De bom em 1974, apenas a dispensa nas aulas para ver a Copa.

Chuva de papel picado no Monumental de Nuñez. A festa da torcida argentina foim o melhor de uma Copa cinza e verde oliva
Chuva de papel picado no Monumental de Nuñez. A festa da torcida argentina foi o melhor de uma Copa cinza e verde oliva

1978, Copa na Argentina. Começava a ter outros interesses… Tempos de abertura política e começo de militância. Não me identificava com a seleção, talvez por bairrismo (um time cheios de jogadores do RJ), talvez por miopia política ou mesmo por não ter nenhum atleta do Santos FC… Não sei… O fato é que a primeira fase foi sofrível, e que por breve momento o sonho de uma final esteve perto, até os argentinos entrarem em campo contra o Peru. O resultado todos sabem: uma goleada suspeita por 6×0 e a certeza que ninguém tiraria o título de Kempes, Luque e Videla.

Em 1982 finalmente pude ver uma Copa numa tv colorida…

O time era bom, com o quadrado Falcão, Cerezo, Zico e Sócrates. Já admirava Maradona e quando o Brasil venceu a Argentina por 3×1, imaginei que não haveria mais adversários para a seleção… Mas surgiu Paolo Rossi…

Lembro de ver essa partida junto com meu sogro (santista e colorado), homem muito sério e avesso a demonstrações de alegria ou entusiasmo. No gol de Falcão, ele pulou do sofá aos berros “Falcão!!!” “Raça de gaúcho” “gol do Brasil”… não sabia se ria ou se gritava gol também…

A capa do “Jornal da Tarde” no dia seguinte entrou para a história…

A Copa voltava ao México em 1986, e eu já era um pai de família.

A melhor recordação dessa Copa era o trânsito (infernal) para voltar pra casa e ver os jogos. Era muto curioso ver as pessoas alegres e apressadas. Muitos davam carona para desconhecidos, apenas pelo sentimento de solidariedade…

Pela TV, a derrota nos pênaltis para a simpática seleção francesa de Platini, e a genialidade de Maradona aos estraçalhar os ingleses no Estádio Azteca.

Fiquei contente com a conquista argentina, pois vi gols antológicos de Diego Maradona!

Maradona, gênio!
Maradona, gênio!

A Copa de 1990 foi umas das piores que acompanhei…

Copa marcada por Milla fazendo gol em Higuita, por Maradona comandando a frágil Argentina até a final, por Lazaroni (!!!) como técnico (???) da seleção do Brasil. Uma copa onde a Argentina foi garfada na final contra a recém reunificada Alemanha. (aqui vale um pouco de teoria da conspiração: a FIFA nunca deixaria nunca Maradona ser bicampeão e politicamente a Alemanha era o “país” da vez…)

1990: O ano da Alemanha
1990: O ano da Alemanha

O Brasil já estava na “fila” a quase 25 anos e parecia que nunca mais teríamos um time campeão…

Então, surge Parreira… discípulo de Zagallo, pragmático ao extremo, montando um time sem graça que contava com a eficiência de Romário e os lampejos de Bebeto. A principal imagem desse time era Dunga…

Um outra copa sem graça, mas menos pior que 90, levou a uma final nos pênaltis, após um insosso 0x0. Baggio foi de uma incompetência ímpar e mandou a bola nas nuvens dando o título para o Brasil.

Chegamos a 1998, a Copa do apagão de Ronaldo. Copa onde a Marselhesa sacudiu os franceses e arrasando o time canarinho, que amarelou na final.

As Copas mais recentes, de 2006 e 2010, acompanhei com amigos em alguns jogos ou em casa. Sem dúvida, a derrota contra a França em 2006 estava “escrita na pedra”… foi o resultado natural do salto alto e da falta de compromisso. A última Copa a maior lembrança sem dúvida foi o mal humor de Dunga, muitas vezes engraçado. Porém sua aversão ao jogo técnico e sua teimosia em não levar Neymar e Ganso, fizeram da seleção um time pra lá de previsível.

Ah, 2002…

Uma Copa que ficará na minha lembrança…

Não pelos resultados ou partidas, ou mesmo pelo título, ou pelo time.

Mas pela partida de abertura, que  vi em Curitiba.

Era feriado de Corpus Christi, e fomos conhecer a capital paranaense.

Pegamos um tremendo frio e vimos o jogo Senegal 1×0 França no quarto do Hotel.

Vi ou tentei ver… Meus filhos faziam uma folia danada no quarto, pulando nas camas e eu não sabia se ria, via o jogo ou dava bronca… no final ri muito mais que vi (e não dei bronca alguma). Lembro principalmente de Carolina, que era a que mais pulava…

Essa é a lembrança mais doce de uma Copa do Mundo: Eu com minha esposa e filhos, brincando…

Pois de uma Copa do Mundo guardam-se momentos de confraternização, de alegria, mesmo que não seja na sua casa, mesmo que não seja numa partida de seu País.

Essa é a magia do futebol.

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Uma opinião sobre “Minhas Copas”

  1. Que legal!

    É isso mesmo… A Copa de 2002 também me trás uma lembrança assim. Os jogos eram de madrugada, e eu, minha mãe e meu irmão praticamente trocamos de fuso horário. Eu chegava cedo do trabalho (as 5 da tarde) e fechava meu quarto como uma tumba. Aí acordávamos de madrugada, e víamos os jogos, regados a pipoca e refrigerante…
    Na final, saímos de carro, minha saudosa mãe dirigindo e buzinando, além de me dar broncas pois ia com o corpo quase todo para fora tremulando a bandeira.
    Chegamos na muvuca, o carro enguiçou no congestionamento e eu saí pro meu da galera. Só aí de dei conta que tinha que voltar para resgatar minha família… rimos e comemoramos apenas os três…

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