Arquivo da categoria: funcionalismo

Mais um 15 de outubro.

Professor Paulo Freire - Fonte de inspiração e referência em Educação na América Latina

Amigos,

Amanhã será 15 de outubro, dia dos professores (as).

Como Professor da Rede Pública Estadual afirmo sem receio: será um dia 15 dos mais tristes.

Mergulhado numa crise que parece não ter fim, a educação paulista se arrasta na total falta de perspectiva à alunos e professores.

Engessado no modelo “quadrado” das apostilas e do “material de apoio” do Governo Paulista (Revista Veja e Folha de São Paulo), sobram aos mestres uma jornada estafante, classes superlotadas e baixos salários. E pior ainda, a possibilidade de dobrar a jornada, isto é, ter dois cargos.

Poder assumir dois cargos é um dos maiores crimes contra a Educação que o Governo tucano realizou.

Significa transformar o professor numa máquina de dar aulas… sem tempo de reflexão, estudo ou atualização.

Professores, vítimas dos baixos salários, acabam se sujeitando a essa forma de exploração profissional e de desmonte da Educação.

E, infelizmente, não há perspectiva de mudanças… a linha geral da Secretaria da Educação deverá ser mantida… a política  da aprovação automática (um desvirtuamento da progressão continuada), a ausência de diálogo com as entidades representativas (não só da Educação como do funcionalismo em geral), das classes superlotadas, da contínua e sistemática municipalização, a lenta e implacável destruição da carreira, a precarização das escolas, a violência (dentro e fora dos muros escolares), a multiplicação dos casos de doenças psiquiátricas montam o enorme quebra-cabeça de um quadro de enorme sofrimento.

Qual a saída?

Demissão?

Abandonar tudo?

Acomodar-se nas salas dos professores?

Creio que nessas horas o melhor é “respirar fundo” e olhar para o passado… não na busca da escola imaginária (“bons tempos aqueles, quando estudei… naquela época sim, o estudo era levado à sério…”), nada disso… lembrar o passado e buscar a fonte de inspiração para o nosso ingresso na profissão.

Uma cena que tenho na memória é um diálogo com a  minha Professora de Matemática (Professora Maria Sílvia – EE Celso Gama – Santo André) quando foi estagiar em suas aulas.. ela dizia (em 1978/1979): “Isso aqui já foi bom… Por quê você vai entrar nesta profissão?”

Eu respondia que a profissão de professor é uma das mais importantes para a sociedade, a transmissão, a renovação do conhecimento  é fundamental para a evolução das pessoas e da sociedade como um todo, além do que seria a minha “fonte da juventude”, afinal mesmo aos 50, 55 ou 60 anos estaria sempre lidando com jovens, o que impediria o envelhecimento de minhas ideias”… ela respondeu, com uma frase lógica, dura e inquietante: “Espero que você consiga manter esse pensamento quando chegar ao meu tempo de serviço…”

Meus amigos, sempre que o desânimo me atinge, volto em pensamento ao diálogo descrito acima… e digo com toda sinceridade:  cada ano que passa fica mais difícil mantê-lo em prática… mas ainda é o  norteador de meu trabalho.

Não leciono para mim, mas para os jovens, para a sociedade… mas, não para a sociedade de consumo, egoísta, cruel e muitas vezes preconceituosa, não para a sociedade pensada pelo grupo dominante financeiro e ideológico… mas, para uma sociedade fraterna, livre dos preconceitos de classe, etnia, gênero, religião (ou não), opção sexual ou da origem do local de nascimento de cada um.

É isso que busco… apesar de tudo… mesmo depois de quase 30 anos de profissão.

Ao amigo (a) professor (a),

Feliz dia 15 de outubro!

MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRO DILMA

“Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos  para apoiar Dilma Rousseff.  Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.

Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.

Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.

Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.

Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.

Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.”

Leonardo Boff

Chico Buarque

Fernando Morais

Emir Sader

Eric Nepumuceno

fonte: http://www.conversaafiada.com.br/cultura/2010/10/13/chico-boff-morais-e-emir-estao-com-dilma-cae-e-marina/

Total apoio ao Manifesto, aderindo ao documento.

Guilherme Nascimento, Químico, Professor, Dirigente do Centro Associativo dos Profissionais de Ensino do Estado de São Paulo (CAPESP), Diretor  da Federação das Entidades de Servidores Públicos do Estado de São Paulo (FESPESP), Articulista e membro do Conselho Editorial da Revista Cadernos de Cultura & Educação do CAPESP, e mantenedor deste blog.

Hoje tem debate na Globo: Mercadante x Alckmim

fonte: http://www.mogianaonline.com.br

Amigos,

A hora da verdade está chegando… hoje é dia de debate na Globo…

É Santos x Corinthians; é São Paulo x Palmeiras; Ponte x Guarani; é Come-fogo…

Semi-finais de campeonato… Alckmim (mais Feldmam) e Mercadante (mais Russomano, Skaf) além de Bufalo (solto)…

A final será domingo.

É dia para empurrar – definitivamente – Mercadante no 2º turno.

E tendo 2º turno, bye bye PSDB…

Ontem, Russomano já declarou apoio para Dilma… alguma dúvida que ele apoiará Mercadante?

No 2º turno, Dilma, Lula, Eduardo Campos, Cid Gomes, Suplicy, Marta e Netinho livres para fazer campanha… duvido que o funcionalismo não se una em torno de Mercadante…

Aécio vem ajudar Alckmim? Serra?Bom, se Serra vier em ajuda… melhor para Mercadante…

O data-folha da “Fox de São Paulo” ainda diz que Alckmim vence em 1º turno… quem acredita na Fox?

O atendimento médico ao funcionalismo

Amigos,

O atendimento médico ao funcionalismo público estadual, na Baixada Santista é um caso sério.

Para que o leitor (que não é servidor público estadual) tenha uma ideia, o Governo do Estado desconta  2% da folha de pagamento de todo funcionalismo para a manutenção do IAMSPE (Instituto de Assistência Médica do Servidor Público Estadual). O IAMSPE é responsável por todo atendimento médico  (PS, consultas, internações, cirurgias…), e funciona como um plano de Saúde.

Quem administra esse montante (cerca de 400 milhões por ano) é um administrador indicado pelo Governo do Estado. Porém, o Governo do Estado não entra com a sua cota-parte (outros 2%), como seria normal. Funciona assim: nós entramos com o dinheiro, e eles com a administração.

Na capital, o funcionalismo conta com o Hospital do Servidor Público Estadual  (HSPE).

No interior, além do CEAMA (Centro de Atendimento Médico Ambulatorial) foram feitos, ao longo dos anos, diversos convênios com Hospitais Particulares, ao estilo convênio SUS.

Na Baixada Santista é diferente.

O CEAMA de Santos sempre manteve poucos médicos com poucas especialidades (ao longo de mais de 20 anos, teve no máximo 8 especialidades), hoje são apenas 6 (incluindo nutrição e psicologia).

As clínicas conveniadas fazem apenas consultas, mas não fazem um procedimentro qualquer (não recebem para isso).

Logo, se você for servidor público, passar num dermatologista e precisar de um tratamento no local, não terá. Receberá apenas o diagnóstico, o tratamento será feito em São Paulo, no HSPE!

Então, por que não usar um Hospital na região?

Na Baixada, que vai de Bertioga até Peruíbe, o último convênio médico hospitalar data de 1987!

São 23 anos sem um convênio médico hospitalar. Só isso, 23 anos!!!!!

A bem da verdade, no ano passado foi firmado um convênio com o Hospital Santo Amaro (Guarujá), porém, nem de longe atende as reais necessidades do funcionalismo. E isso por duas razões – uma, geográfica: alguém acredita na viabilidade de um funcionário do Forum de Peruíbe deslocar-se até Guarujá para um atendimento de urgência ou uma cirurgia? – outra, de ordem prática: o Hospital já recebe uma quantidade enorme de pacientes via SUS, e não consegue oferecer o atendimento adequado aos usuários do convênio IAMSPE.

Mais uma gestão termina e a Baixada Santista ainda não tem seu atendimento médico adequado. São 23 anos assim…

Nesses 23 anos, passaram Quércia, Fleury, Covas, Alckmim (2 vezes) e Serra.

Nenhum deles conseguiu fazer um convênio.

Será que não tiveram tempo?

As eleições em São Paulo

Amigos,

Sou Professor da Rede Pública desde 1981.

Quando ingressei no magistério em caráter temporário – ACT – (ainda como estudante), o Governador era Paulo Maluf (PDS).

O Brasil vivia a fase final da Ditadura Militar; a Guerra Fria dava o tom da política nacional e internacional; A direita explodia bombas pelas bancas do País; surgia a MTV; o SBT passava a funcionar; Arnaldo Jabor ainda era cineasta; Ayrton Senna ainda estava na fórmula Ford; surgia o Mettalica, o Ultrage a Rigor e a Blitz; minha TV era em Preto e Branco; eu ainda usava bata indiana, barba, bolsa e sandália de couro; e para telefonar, colocava fichas no orelhão.

Em 15 de novembro de 1982, houve a primeira eleição direta para Governadores desde 1965. Franco Montoro (PMDB, mais tarde PSDB) venceu as eleições.

Em 1983 assumi minhas primeiras aulas livres, uma 5ª série do período noturno, em Diadema.

Em 1984, casei. Tinha uma jornada de 26 aulas e minha esposa, 22 aulas. Fizemos nossa primeira greve.

Em 1986 novas eleições, Quércia (PMDB) eleito.

Aos poucos a jornada de trabalho foi aumentando..

Assumo meu cargo no Estado em 1987 na cidade de Praia Grande. Meus filhos podiam ser atendidos no Hospital Ana Costa (Santos), por conta do convênio com o IAMSPE.

Em 1990, Fleury (PMDB) eleito.

O material didático ainda era básicamente o mesmo de 1983: giz e lousa.

O IAMSPE cancela o convênio Médico com o Hospital Ana Costa.

Tive que ser operado no Hospital do Servidor Público, porém a cirurgia sofreu adiamentos por falta de roupa cirúrgica para os médicos…

Chega 1993, uma das maiores greves da história do movimento sindical do magistério… a violência sobre os professores chega a ser tratada em pleno horário nobre global… sentíamos que as mudanças poderiam chegar e que estava ao nosso alcance… mas, não chegou.

Covas (PSDB) eleito em 1994… no magistério, expectativa por parte de uns e indiferença por parte de outros… eu acreditava que algumas mudanças poderiam ocorrer. Ocorreram… para pior.

Agora, além da jornada maior, passei a lecionar em escolas particulares e no final de ano, aulas particulares.

Em 1995, Rosa Neubauer impõe a reorganização da rede escolar. Fui removido ex-ofício… a ausência de diálogo já era uma marca daquele Governo, as portas foram abertas para a municipalização… diversos colegas perdem emprego… época do PDV… era o Governo do Estado procurando eliminar os professores mais experientes e reduzir sua folha de pagamento.

Covas (PSDB) é reeleito em 1998, muito mais em função do receio de eleger Paulo Maluf (PPB) do que dos méritos de seu Governo.

Ampliei ainda mais minha jornada de trabalho, e minha esposa também… Minha jornada chegou a 55 horas semanais, e a dela passa a ser de 32 aulas…

Pela primeira vez, ouvi casos de Síndrome de Burnout na rede estadual… passava a ser comum encontrar colegas em licença médica psiquiátrica.

Chega a vez de Alckmim (PSDB), em 2002.

Casos de violência sobre professores no local de trabalho passam a ser noticiados com frequência pela imprensa… cristaliza-se a política de prêmios e gratificações, excluindo os aposentados… a carreira continua a ser demolida pela administração pública.

Serra (PSDB) é eleito em 2006. Surgem as apostilas…. o material de apoio, em diversas escolas ainda na base do giz e lousa.

Prosseguem os casos de violência nas escolas… o plano de carreira, conquistado em 1984, esta destruído… o desânimo e o conformismo se alastram na sala dos professores.

Nesses meus 29 anos de Estado vi o Mundo mudar… acabou a polarização URSS x EUA; acabou a Ditadura Militar, um Operário é  Presidente da República; a direita não explode mais bombas (publica-as), TV agora é em HD; Ayrton Senna já morreu, Arnaldo Jabor faz pontas no Jornal da Globo; Não uso mais bata indiana, barba, bolsa ou sandália de couro… uso telefone celular e até escrevo num blog;

Mas, duas coisa ainda não mudaram: Continuo sem atendimento médico hospitalar e o Estado de São Paulo continua sendo “Governado” pela dobrada PMDB-PSDB.

Até quando, meu Deus?

Participação na TV – Programa Cidadania e Serviço Público

Duarte Moreira (AFPESP), José Gozze (ASSETJ), Guilherme Nascimento (CAPESP) e Zilda Guerra (APAMPESP).

Amigos,

No dia de hoje estive gravando programa de TV da FESPESP (Federação  das Entidades de Servidores Públicos do Estado de São Paulo), “Cidadania e Serviço Público”.  O Programa vai ao ar aos domingos, às 21:00, pela TV Aberta (Canal Comunitário de São Paulo).

Participaram do programa: José Gozze (Presidente da FESPESP) como mediador, Duarte Moreira (AFPESP), Zilda Guerra (APAMPESP) e este blogueiro, Guilherme Nascimento (CAPESP), como debatedores.

O tema do debate foi a Greve do Judiciário e suas consequências ao movimento organizado do funcionalismo.

Minha intervenção foi de destacar a necessidade da união do funcionalismo em torno de um pauta unificada, passando por cima de divergências políticas e particulares, permitindo uma ação conjunta dos diversos setores do funcionalismo paulista.

Citei entre outros itens, a defesa da data-base de 1º de março; o repasse dos 2% do Governo para o IAMSPE; o pagamento imediato dos precatórios alimentares e o fim da política de prêmios e gratificações.

Discutiu-se ainda, o inedetismo da decisão da Justiça em obrigar o Governo do Estado em pagar o dissídio coletivo aos trabalhadores do Judiciário, inclusive com o reconhecimento das Associações como entidades representativas do funcionalismo.

O debate irá ao ar em dois programas: 12 e 19 de setembro.

Judiciário: Final de greve!

Amigos,

E o servidores do Judiciário encerraram a mais longa greve no Serviço Público no Estado de São Paulo. Depois de mais de 120 dias em greve, 127 dias para ser mais preciso, em assembleia na Praça João Mendes os trabalhadores do Judiciário suspenderam o movimento. Segundo o site da ASSETJ, a reposição de 4,77% será paga este ano ou até janeiro de 2011 e os demais 20,16% negociados para inclusão no orçamento do Estado, que segue no final do mês para a Assembléia.

Um exemplo de união e garra para o conjunto do funcionalismo.

Uma greve heróica.

Que tornou-se tão longa pelo desinteresse do Tribunal de Justiça e do Governo do Estado de São Paulo.

Leia a notícia completa na página: http://www.assetj.org.br/portal/index.php?secao=lendonews&taskCat=4&taskNot=3310