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Um presente para o Santos FC, em seu aniversário

O almanaque do Santos FC, permitindo revisões históricas do futebol Paulista

Amigos,

Ontem o maior time de todos os tempos completou mais um ano de fundação.

São 101 anos de futebol-arte, gols, dribles e fair play.

Alguns não valorizam essas qualidades, são aqueles que gostam do 1×0 sofrido, do carrinho, do zagueiro que “chega junto”, do volante brucutu e do centro avante “trombador” .

Ao longo da história do alvinegro, a principal marca tem sido os gols…

Muitos gols…

Milhares de gols…

O ataque mais eficiente do planeta com seus quase 12.000 gols!

Ataque de artilheiros como Feitiço, Araken, Arnaldo Silveira, Ary Patuska, Vasconcelos, Toninho Guerreiro, Coutinho, Pepe, Juary, Serginho Chulapa, Guga, Paulinho McLaren, Giovanni, Robinho, Neymar e Pelé!

E como homenagear estes craques… como homenagear essa vocação artística do Santos FC?

Fazendo justiça histórica.

E na busca da justiça histórica, alguns santistas como Leo Devezas, Evaldo Rodrigues  e Wesley Miranda, munidos do almanaque do Santos  FC, resgataram os artillheiros do Santos FC nos anos 20.

Evaldo Rodrigues e Wesley Miranda fizeram correções importantes na história dos artilheiros do futebol Paulista.

É fato consensual, que Araken foi artilheiro do Campeonato Paulista de 1927 com 31 gols…

Pois bem…

Os dois pesquisadores do Santos FC refizeram as contas e anotaram 36 gols para o craque Araken Patuska!

E mesmo fizeram em relação ao ano de 1929.

É aceito por todos, que o artilheiro daquele ano no Campeonato Paulista foi Feitiço com 12 gols.

Era aceito… uma vez que os dois insistentes pesquisadores recontaram 13 gols para o artilheiro Feitiço.

E, talvez a descoberta mais significativa foi do pesquiador Leo Devesas, e confirmado por mais 4 pesquisadores (Wesley Miranda, Evaldo Rodrigues, Guilherme Nascimento e Marcos Nascimento) : o artilheiro do Campeonato Paulista de 1926 não foi Heitor com 13 ou 18 gols (como algumas listas chegam a publicar), mas sim o santista ARAKEN PATUSKA com 13 gols!

Assim, no aniversário do Santos FC, uma descoberta de valor histórico…

Temos o artilheiro em mais uma edição do Campeonato Paulista!

Que a Federação Paulista de Futebol se posicione e reconheça a conquista de Araken!

Que a mídia esportiva renda-se (mais uma vez) ao reconhecimento deste grande fato.

E que o Santos FC continue em sua tradição de reconhecimento dos feitos do passado e preste mais uma homenagem aos familiares do craque.

Parabéns Leo Devezas, Evaldo e Wesley por resgatar o valor dos atacante santistas.

Araken Patuska, artilheiro do Campeonato Paulista de 1926.

Finalmente, Campeão Paulista

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Foi o ano da redenção!

Depois de várias tentativas frustradas, finalmente o torcedor alvinegro podia celebrar a conquista de um Campeonato Paulista.

Veja aqui, vídeo do Santos FC, sobre o título de 1935, contado por esse blogueiro: 

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A final do Campeonato de 1927: Como operar sem anestesia

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Estudos recentes descobriram o apito usado na final de 1927.

Ah, o apito… 

A equipe santista caminhava para o inédito título estadual, quando houve a interrupção para   a disputa do Campeonato Brasileiro de Seleções. O alvinegro era tão forte que nada menos que doze atletas santistas foram convocados para a  Seleção Paulista!

Na partida final entre Paulistas e Cariocas, disputada em São Januário, com a presença do Presidente da República (Washington Luiz) foi cercada de grande expectativa.

Jogo equilibrado, até que o árbitro assinala um pênalti contra o selecionado paulista, causando a revolta  geral dos paulistas, que reclamavam e impediam a cobrança do penalidade máxima. A confusão em campo era enorme, até que parte a ordem vinda da Tribuna de Honra: “Que os paulistas permitam a cobrança e a partida recomece, ordens do Presidente da República!”

Em pouco tempo chega o recado ao gramado.

Feitiço ao ouvir o recado, devolve ao mensageiro: “Diga ao Presidente que ele manda no Catete (Palácio do Catete, sede do Governo Brasileiro em 1927), no campo mandamos nós”!

Feitiço encarava qualquer dividida.
Feitiço encarava qualquer dividida.

Um escândalo! Uma afronta!

Guilherme Gonçalves, Presidente do SFC e representante da APEA na partida exige a saída de Feitiço e promete suspender o atacante santista.

Dito e feito: Feitiço saiu, o pênalti foi cobrado e os cariocas sagraram-se Campeões Brasileiros.

Em Santos, a coisa ficou ainda pior…

Feitiço e Tuffy são punidos disciplinarmente pela direção santista, com uma pena extrema: Expulsão do Clube!

A Assembleia que determinou a expulsão dos atletas foi tensa, e o direito de defesa de Feitiço foi “dado”. Guilherme Gonçalves (que era médico) usou a tribuna para acusar Feitiço, na base “Quem é Feitiço? Um jogador de futebol?”… “Cafajestada”… E por aí foi…

O lema “Campeão da Técnica e da Disciplina” era levado a ferro e fogo pela direção santista.

(O Título – “Campeão da Técnica e da Disciplina” –  foi atribuído após a vitória santista sobre o Vasco da Gama, por 4×1, em 14/07, nas Laranjeiras, quando os atletas do Vasco bateram a vontade nos craques santistas, que mantiveram o sangue frio, não revidando a pancadaria vascaína. A expressão foi criada por Carlos Gonçalves, redator de “O Globo”).  

Sem Tuffy e principalmente Feitiço, o time caiu de rendimento.

Tuffy foi substituido por Athiê, o que não causou grandes traumas. Mas sem Feitiço os gols rarearam, as goleadas diminuíram sensivelmente, mesmo assim o SFC chega a última partida do 1º turno, líder e invicto, sem nenhum ponto perdido. As partidas sem Feitiço são:

06/11 – 4×2 SC Americano (amistoso)

27/11 – 4×1 CA Sílex (Campeonato Pauilista)

04/12 – 3×2 São Cristóvão AC (amistoso)

O São Cristóvão usou camisas do Fluminense naquela tarde
O São Cristóvão usou camisas do Fluminense naquela tarde

18/12 – 4×2 AA São Paulo Alpargatas (amistoso)

08/01/1928 – 4×4 SC Corinthians P (Amistoso)

15/01/1928 – 5×1 Combinado CA Independência/ CA Ypiranga

22/01/1928 – 1×4 SS Palestra Itália (Campeonato Paulista)

29/01/1928 – 1×1 SS Palestra Itália (amistoso)

05/02/1928 – 4×2 Guarani FC (Campeonato Paulista

26/02/1928 – 1×0 SC Corinthians P (Campeonato Paulista)

Sem a mesma força no ataque , o Santos FC chega à ultima partida, na Vila Belmiro, contra o Palestra Itália, para a decisão.

Para entender como foi a partida, segue o texto deste  blogueiro, publicado no antigo site do “Santista Roxo”:

Anestesia usando éter

“Quem já passou por um tratamento dentário ou sofreu uma intervenção cirúrgica tem a exata dimensão da importância dos anestésicos. A evolução da química e da medicina livrou o homem das privações causadas pela dor ou desconforto. O primeiro produto usado como anestésico foi o éter, e sua primeira aplicação para este fim deu-se em meados do século XIX. Antes disso as operações eram feitas a sangue-frio, onde a força e a rapidez do cirurgião era o que mais contava.

Esta introdução se fez necessária para entendermos o que aconteceu na Vila Belmiro em 4 de março de 1928. Apesar de já serem conhecidos o éter, o clorofórmio ou o gás hilariante (N2O), naquele dia o Santos FC foi “operado” sem qualquer tipo de anestesia.

Naquele dia, 15.000 pessoas se aglomeravam na Vila Belmiro para acompanhar a conquista do Campeonato Paulista de 1927, pelo melhor time da competição, o Santos FC. A certeza da conquista era tão contagiante, que nem mesmo os fortes rumores que o juiz da partida estava “encomendado” provocaram qualquer tipo de precaução por parte da direção santista.

Jogando para vencer, o Santos parte com tudo ao gol Palestrino, e antes do 1º minuto marca seu gol através de Siriri. A festa corria nas arquibancadas, quando o “juiz” tirou o “bisturi” do bolso. Tedesco empata em completo impedimento, todos viram, menos o juiz, 1×1. E daí para frente houve de tudo… ao melhor estilo de 1920, a sangue-frio, sem éter, sem clorofórmio ou muito menos gás hilariante.

Pênaltis para o Santos, foram 3 (!), todos não assinalados.

Para o Palestra foram dois: um questionável (e convertido), outro defendido por Athiê.

Gol anulado do Santos, teve? É evidente que sim. Um gol anulado (era o suficiente).

Com tudo isso, numa partida final, não é preciso dizer que o “couro” comeu na Vila Belmiro. A torcida invadiu o campo, hurrando de dor e revolta. A cavalaria da Força Pública (A PM da época) avançou sobre o público para “acalmar” os ânimos.

Nessa confusão, o Palestra já vencia por 3×1, mas Camarão marcou o 2º gol santista. Faltavam ainda dois gols e mais cinco minutos de partida. Para o ataque dos 100 gols, era tempo mais que suficiente. Mas para evitar “surpresas indesejáveis” o juiz encerra a partida.

Graças a sua “habilidade”, “força” e “rapidez”, extraiu o título de campeão do Santos. Atuou como um cirurgião-barbeiro do Brasil colônia e graças a sua barbeiragem, o campeão foi o Palestra”.

Material de trabalho usado pela arbitragem na final de 1927.

 

(O texto é uma versão apaixonada de um torcedor santista, baseado em relatos de jornais da época)

04/03/1928 Santos FC  2×3 SS Palestra Itália (São Paulo) (323)

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

D: Domingo

C: Campeonato Paulista de 1927

R: R 24:005$300 (Recorde)

P: 15.000 (Recorde em Santos)

A: Anthero Mollinaro

G: Siriri 23”e Camarão (2º tempo) – Tedesco 25’, Lara e Perillo (ambos no 2º tempo)

SFC: Athiê; Meira e Bilú; Hugo, Julio e Alfredo; Omar, Camarão, Siriri, Araken (cap) e Evangelista.

Técnico: Urbano Caldeira

Uniforme: Camisas brancas

SSPI: Augusto; Bianco e Miguel; Xingó, Gogliardo e Serafim; Tedesco, Heitor, Armando, Lara e Perillo.

Capitão: Amílcar Barbuy

 

O Santos FC ficou com o Vice Campeonato de 1927;  Teve o melhor ataque (100 gols), e o artilheiro da Competição: Araken 

Segundo diversos pesquisadores (Evaldo Rodrigues, Leo Devesas, Guilherme Nascimento, Marcelo Fernandes e Walmir Gonçalves) os gols atribuídos à Araken estão errados. A FPF informa 31 gols, no entanto foram 36 gols e Feitiço marcou outros 30 gols. 

 

Fontes e agradecimentos: Arquivo Pessoal; “Almanaque do Santos FC” (Guilherme Nascimento); Álbum de Ouro do Santos FC -edição de 1965 (De Vaney); Assophis; Evaldo Rodrigues; Leo Devesas; Marcelo Fernandes; Walmir Gonçalves e Wesley Miranda


1926, ano do Primeiro Título Estadual

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

1926: Amadurecia o lendário ataque dos cem gols, na Vila Belmiro em Santos.

1926: Nascia a lendária Mercedes Benz, fruto da fusão da Daimler AG e da Benz & Cia, na Alemanha.

A estrela de 3 pontas da Mercedes Benz – símbolo de qualidade no mundo dos automóveis. As camisas brancas do Santos FC – símbolo de atacantes de qualidade no mundo do futebol.

 

O ano começava com um bom empate contra o Campeão Paulista de 1925 ( 2×2  AA São Bento em 10 de janeiro).

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História do Santos FC. O ano de 1925

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Eisenstein lança o clássico do cinema, “O encouraçado Potemkim”, em 1925.

O ano de 1925 foi histórico para o futebol brasileiro, foi o ano que o CA Paulistano se aventurou aos campos europeus em épica excursão. E de certo modo, o Santos FC contribuiu com o sucesso do esquadrão alvi-rubro, emprestando o atacante Araken ao tradicional clube paulistano. A participação de Araken foi tão importante que recebeu a alcunha “Le danger” (O perigo) da imprensa francesa.

A excursão do Paulistano à Europa foi um marco no futebol brasileiro.

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