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Sinal de vida em 1977

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

A bagunça da excursão ao Maranhão no final de 76 tinha que ser controlada, e a direção encontrou um “culpado”: Zé Duarte foi demitido e contratado o disciplinador Urubatão.

O dinheiro continuava curto e o clube não podia abrir mão de qualquer convite que chegasse às mesas da Secretaria de Vila Belmiro.

E foi por esse motivo que o SFC encarou uma viagem de ônibus até o interior de Goiás para enfrentar o Itumbiara EC. Imagine viajar cerca de 3.000 Km (ida e volta) num busão para UMA única partida de futebol! Parecia coisa dos anos 30…

Num busão semelhante a esse que o SFC encarou 3.000 de estrada (Imagem: /www.semprepeixe.com.br)
Num busão semelhante a esse que o SFC encarou 3.000 de estrada (Imagem: /www.semprepeixe.com.br)

Em seguida, partiu para a capital chilena, Santiago (naturalmente de avião…), retornando ao confrontos internacionais e às excursões.

Longe da pressão da torcida, o time saiu-se muito bem, conquistando o Hexagonal do Chile.

O Torneio tinha perdido um pouco do brilho dos anos 60, e nessa edição contava com o Everton (clube chileno de Viña del Mar), os tradicionais Colo-Colo e Universidad do Chile, Além do River Plate e o FK Áustria.

Jogando um futebol convincente, arrancando aplausos do público chileno, o Santos venceu todos os sul-americanos e perdeu apenas para o Áustria  e mais um título para a Vila Belmiro. O 1º título internacional pós-Pelé foi conquistado assim:

19/01 – 3×1 CSD Colo-Colo – 34.353 –

23/01 – 4×0 CD Everton – (em Viña del Mar) – 21.650

28/01 – 2×0 CA River Plate (Argentina) – 25.000

01/02 – 0x1 FK Áustria  – 8.162

04/02 – 2×0 CD Universidad do Chile – 11.761

Totonho com 5 gols foi o artilheiro santista .

De saída do Chile, passou por Rosário  (Argentina) e encarou o Newll’s Old Boys e goleou por 4×1.

A torcida se empolgava com os resultados no Chile e Argentina… o meio de campo e ataque pareciam bem azeitados com Clodoaldo, Aílton Lira e Toinzinho; Nilton Batata, Totonho e Bozó.

Enfrenta ainda o River Plate e perde por 1×3.

Só volta para Santos após ficar por 35′ no gramado do Centenário suportando um tremendo dilúvio que interrompeu a partida contra a Seleção Uruguaia. Como era domingo de carnaval, não houve continuidade do confronto e a partida foi encerrada enquanto estava 1×1. Para fins de estatística, esses 35′ não são considerados.

Voltou para o Campeonato Paulista que já estava em andamento.

Campeonato que teria aqueles regulamentos malucos dos anos 70.

O 1º turno estaria em disputa a “Taça Cidade  São Paulo” e no 2º turno, a “Taça Governador do Estado”

Em cada turno os clubes estariam divididos em 4 grupos, o vencedor de cada grupo disputariam semi-finais e final do turno.

Mas o campeonato seria decidido apenas num turno final. Neste 3º turno fariam parte o campeão e vice de cada turno, os dois melhores na classificação geral por pontos e outros dois por melhores arrecadações. Os oito times seriam divididos em dois grupos e o campeão de cada grupo disputaria a final em melhor de 3 pontos.

“Simples”, não?

Vitórias por 3 gols de diferença valiam 3 pontos.

No 1º turno, o grupo do Santos seria com  Guarani,  América e Paulista. Os outros grupos tinham 5 clubes.

O início da participação santista foi realmente promissor: Vitória em Araraquara, um heróico empate (3×3) com a Portuguesa, um tropeço na Vila (empate com o Noroeste), e boas vitórias contra Guarani e São Bento.

E finalmente um clássico no Morumbi, o adversário seria o Corinthians (que contava com o grande Edu na ponta esquerda). E foi uma experiência bizarra ver Edu usando calções negros e não brancos… Num Morumbi, abarrotado e com as arquibancadas divididas ao meio entre santistas e corintianos o empate no gramado foi um reflexo fiel do foi a partida. O destaque, novamente, seria Ailton Lira… veja a foto abaixo e entenda porque:

Ailton Lira marcando gol em cobrança de falta (Imagem: revista Placar - 25/03/77)

A partida seguinte seria contra o Botafogo na Vila Belmiro… Novamente com Vila Belmiro saindo gente pelo “ladrão” e a 1ª meia hora foi empolgante… 2×0. Ai apareceu um “estraga prazeres”… um atleta alto, magro, que torcia para o SFC na infância e que se tornaria uma pedra no caminho: Sócrates.

Naquela noite, Sócrates marcou um gol de calcanhar na pequena área santista…estava de costas para o gol e quando todos imaginavam um toque para um atacante qualquer, Sócrates rolou de calcanhar para dentro do gol santista… era difícil de aceitar… um lindo gol, mas contra o gol  santista … e pensar que alguns anos antes a direção santista recusou o passe do Dr Sócrates… O Botafogo foi para cima do alvinegro e conseguiu a virada (2×3).

O Botafogo era a grande sensação do futebol paulista em 1977. Além da genialidade de Sócrates, contava com a experiência de Lorico, o futebol vigoroso do zagueiro Miro (que viria pra o alvinegro alguns anos mais tarde), do ex-santista Wilson Campos na lateral e do veloz ponta Zé Mario (que chegou à seleção brasileira).

E o time sentiu a derrota… ficando mais 4 partidas sem vencer… o futebol entusiasmante do início do ano acabava e o time se arrastava em campo…

Problemas extra campo começavam a aparecer… Certa vez conversando com Urubatão, ele me contou um episódio de sua passagem no comando técnico do SFC:

Isso deu um problemão na Vila...
Isso deu um problemão na Vila...

Foi durante um dia de treinos… Antes de começar os treinamentos propriamente ditos, os atletas faziam um aquecimento dando voltas ao redor do campo. E Toinzinho, com rótulo de craque, fazia seu aquecimento ao lado de seu cachorro… segurava a coleira do bicho e partia para a corrida de aquecimento…

Urubatão avisou o craque: “No próximo treino, o cachorro não entra em campo…”

E no treino seguinte, lá estavam Toinzinho e o cãozinho…

Urubatão  pensou, “ou faço valer minha ordem, ou perco o controle…”

Não deu outra… não teve aviso…Urubatão partiu para cima do craque para tirar do campo, o craque e o cachorro, no braço!

Urubatão contava que ele era bem maior que o atleta e que se a turma do “deixa disso, professor” não entra, ele tinha feito um estrago no Toinzinho e no cãozinho…

O fato é que o ambiente não estava lá essas coisas na Vila Belmiro… tanto que Urubatão não durou até o final do turno e Toinzinho continuou na Vila até 1978…

Aos trancos, o SFC chegou  na última rodada podendo se classificar para as finais da Taça Cidade de São Paulo, bastava uma vitória simples contra o desclassificado Juventus na Vila Belmiro. A massa santista lotou a Vila (mais uma vez) e com os nervos a flor da pele (mais uma vez), o alvinegro foi derrotado (mais uma vez), ficando de fora das finais (mais uma vez)…

Os torcedores se desesperavam… o time não conseguia se impor na Vila, começava a nascer um trauma… vencer na Vila em jogos decisivos.

Campanha do 1º turno:

1×0 A Ferroviária E  – Arararquara – 8.570 pagantes

3×3 A Portuguesa D – Pacaembu – 52.558

1×1 EC Noroeste – VB – 22.242 pagantes + 514 gratuitos

2×0 Guarani FC – VB – 23.821 pagantes e 1.652 gratuitos

3×0 EC São Bento – Sorocaba – 8.849

1×1 SC Corinthians P – Morumbi – 116.881 pagantes + 3.901 gratuitos

2×3 Botafogo FC – VB – 21.840

0x0 EC Xv de Novembro (Piracicaba) – Piracicaba – 9.987 pagantes + 315 gratuitos

0x1 América FC – SJRP – 11.556

0x1 SE Palmeiras – Morumbi – 38.853

1×1 Paulista FC – Jundiaí – 12.562

2×1 Comercial FC – Francisco Palma Travassos  – 9.512

1×0 XV de Novembroo (Jaú) – VB – 13.937

1×1 AA Ponte Preta – Moisés Lucarelli – 21.717

1×0 AA Portuguesa -VB – 10.122

1×0 Marília AC – VB – 10.558

0x2 São Paulo FC – Morumbi – 34.769

0x2 CA Juventus  – VB – 21.109

A fragilidade da defesa impressiona… sabedora disso, a direção contrata dois zagueiros: Alfredo Mostarda (ex- Palmeiras, participante da Copa de 1974) e Joãozinho revelado pelo Vitória e que assumiria a condição de líder da defesa por sua técnica e garra. Joãozinho ficou entre os 40 relacionados para a Copa de 1978. Mais tarde, em 1994 Joãozinho assumiu  o comando técnico do Santos FC.

Quem assume o lugar de técnico depois da demissão de Urubatão é o experiente Oto Glória.

Oto fez história no futebol português levando a seleção lusitana ao 3º posto na Copa da Inglaterra e ao  dividir o título com o Santos, pela Portuguesa, em 1973.

Oto Glória pede mais reforços e chega o veteraníssimo atacante Flávio (ex Corinthians, Fluminense, Porto e Internacional). Flávio realizou 12 partidas e marcou 3 gols.

O goleiro metido a galã, Ado, aportou na Vila em 1977. Goleiro reserva da Seleção de 70, viveu seu grande  momento no Corinthians (69/74)... no Peixe apenas treinou e jogou uma partida não oficial contra o Jabaquara.  (Imagem: site Milton Neves)
O goleiro metido a galã, Ado, aportou na Vila em 1977. Goleiro reserva da Seleção de 70, viveu seu grande momento no Corinthians (69/74)... no Peixe apenas treinou e jogou uma partida não oficial contra o Jabaquara. (Imagem: site Milton Neves)

No 2º turno, em disputa a Taça Governador do Estado, o Santos ficou num grupo com Portuguesa, São Bento, Comercial e Noroeste.

Manteve a regularidade da irregularidade, isto é, algumas vitórias, empates e derrotas inexplicáveis durante toda a competição e ficou de fora das finais do 2º turno (a Portuguesa ficou com a vaga), porém sua eliminação se deu numa derrota em Bauru quando ainda faltavam dois compromissos.

Mesmo assim ,o time estava classificado para o 3º turno… pelo critérios das arrecadações… o que na verdade, não era nada animador… apenas se acreditava que a massa santista poderia fazer a diferença… talvez os torcedores (eu incluso) imaginavam que seria possível empurrar a bola para dentro do gol adversário na base do grito proveniente das arquibancadas…

A Campanha no 2º turno foi assim:

2×1 AA Portuguesa – VB – 13.633 pagantes + 1.101 gratuitos

0x4 SC Corinthians P – Morumbi – 117.676 pagantes + 2.289 gratuitos

1×1 Botafogo FC – Santa Cruz – 13.971

0x0 América FC – VB – 13.817

1×1 SE Palmeiras – Morumbi – 24.318

1×0 Paulista FC – VB – 11.612

3×0 EC XV de Novembro (Piracicaba) – VB –  7.182

1×2 Guarani FC – Brinco de Ouro – 9.527 pagantes + 987 gratuitos

0x3 São Paulo FC – Pacaembu – 29.088

2×0 EC São Bento – VB – 7.133

2×0 EC Xv de Novembro (Jaú) – Estádio Zezinho Magalhães (Jaú) –  10.669 pagantes + 1.387 gratuitos

1×0 A Ferroviária E – VB – 12.715

2×0 Marília AC – Marília – 9.813

0x1 AA Ponte Preta – VB – 22.749

0x0 CA Juventus  -Pacaembu – 22.232

0x1 EC Noroeste – Bauru  – 6.265

4×1 Comercial Fc –  VB – 4.828

3×1 A Portuguesa D – Pacaembu  – 20.324

No meio do returno um suspiro de bom futebol… o Atlético de Madrid (com os craques Leivinha e Luis Pereira) chega ao Brasil para alguns amistosos… a cartolagem vê a possibilidade de arrecadar mais alguns cobres e inventa um Torneio: a Taça Governo do Estado de Estado de São Paulo. Os participantes seriam 4 e a fórmula de disputa seria como os torneios europeus: 2 jogos, os vencedores na final e os perdedores disputavam o 3º lugar. E  acharam um jeito de todos ganharem: como os jogos seriam no Morumbi, o tricolor ganhava no aluguel…. como as atrações eram ex-palmeirenses, um dos participantes seria o Palmeiras… como o Corinthians não vencia nada (já eram 23 anos de fila), foi convidado para levantar a Taça e finalmente chamaram o  Santos… para encher as arquibancadas e mais nada.

Sem peso nenhum nas costas, Oto Glória monta o seguinte ataque: Nilton Batata, Juary e João Paulo… o amigo santista, lembra de alguma coisa ao ler esses nomes?

Pois é, os meninos jogam soltos e encaram o Corinthians sem traumas… numa grande exibição eliminam o rival paulistano na disputa por penaltis, após o empate em 2 gols no tempo normal… e aquele time, que entrou no quadrangular para fazer numeração estava na final… o adversário era o poderoso Atlético de Madrid.

A massa santista toma o Morumbi e vibra quando Juary  aproveita uma bobeada do consagrado Luis Pereira e marca o gol alvinegro.

Aquele bando de garotos com a camisa branca estava dando gosto de ver jogar… mas ainda eram muito garotos… e cederam o empate. Na decisão por penaltis, o jovem Zé Mário perde uma cobrança e a taça vai para Madrid.

Campanha:

04/08 – 2×2 SC Corinthians P – Morumbi – 67.610 (preliminar de Palmeiras x Atlético de Madrid); na decisão por penaltis: SFC 5×4 SCCP

07/08 – 1×1 C Atlético de Madrid – Morumbi – 67.314 pagantes + 4.825 gratuitos; na decisão por penaltis: SFC 5×6 CAM

E será com a esperança nos garotos que o Santos inicia o 3º turno. Seu grupo era composto por Palmeiras, Ponte Preta e Botafogo.

Começa com um promissor empate contra o Corinthians… depois, uma Vila Belmiro lotada vê Sócrates destruir o alvinegro (0x2 Botafogo). Uma vitória em Campinas  (1×0 no Guarani) e as esperanças ressurgem. Mas a dura realidade de um time inexperiente e frágil  se impõe nas derrotas para o São Paulo, Ponte Preta  e Portuguesa. Fim de campeonato para o Santos.

Campanha no 3º turno:

2×2 SC Corinthians P – Morumbi – 77.273 pagantes + 3.383 gratuitos

0x2 Botafogo FC – VB – 26.880 pagantes + 1.374 gratuitos

1×0 Guarani FC – Brinco de Ouro – 13.215 pagantes + 1.415 gratuitos

0x2 São Paulo – Pacaembu –  45.678

0x1 AA Ponte Preta – VB – 15.585

0x1 A Portuguesa D – Pacaembu – 11.642 pagantes + 1.162 gratuitos

1×1 SE Palmeiras – Pacaembu – 16.023

Mais uma competição perdida…

Porém uma outra excursão estava em vista.. para os EUA. O motivo era um só: participar da Festa de despedida do Rei Pelé em Nova Iorque.

Pelé desde 1975 jogava pelo New York Cosmos e tentava de maneira comovente fazer os pernas de pau norte americanos aprenderem a jogar futebol … com muito dinheiro, a liga promoveu uma verdadeira invasão estrangeira nas terras de Tio Sam . E lá estavam Pelé, Beckembauer, Chinaglia, Mifflin, Carlos Alberto Torres, Marinho Chagas, Rildo, Manoel Maria e uma infinidade de brasileiros…

Um público recorde de 75.000 pessoas aplaudiram em delírio Pelé… Para a tristeza dos santistas Pelé (que atuou um tempo para cada time) marcou um gol de falta contra o SFC. O goleiro santista (Ernâni) montou uma barreira com apenas 2 atletas… Pelé não perdoou e disparou o canhão… mais um gol de Pelé, o último.

Veja as imagens:

A partida entra para a história… Pelé faz um discurso em inglês e pede: “Love, Love, Love” e o Giant Stadium repete uníssono; Love… Love … Love.

Caetano Veloso eternizou as palavras do Rei na canção:

Fim de um ciclo, fim de uma era… o futebol perdeu o seu maior nome em toda a existência do esporte.

A vida segue e o SFC realiza mais jogos em solo da América do Norte. Parte para um Torneio em León, (México) e surpreendentemente vence a competição. Era o 2º título internacional do alvinegro em 1977. Jogos do Santos na excursão:

28/09 – 2×0 Seatle Sounders (EUA), em Seatle

01/10 – 1×2 New York Cosmos (EUA), em Nova Iorque

05/10 – 1×1 New York Cosmos (EUA), em Detroit

09/10 – 2×2 CF América (México), em León – Copa Governador Luis Ducoing; na decisão por penaltis: SFC 5×3 CFA

11/10 – 3×2 C León (México), em León – Copa Governador Luis Ducoing; Santos Campeão do Triangular do México

No Brasil, as coisas começam a se modificar… tanto nos gramados como fora dele…

O Corinthians quebra o jejum sobre a Ponte Preta… pobre Ponte Preta… garfada em 70, viu o título escapar no Morumbi…  até hoje é lembrada a polêmica participação do árbitro da partida… veja a citação da atuação de Dulcídio Wanderley Boschilia em “Nome aos bois”: http://prof-guilherme.capesp.org/?p=2439

Fora dos gramados, a ditadura começa a ser implodida… no ABC surgem as greves operárias e nos estádios de futebol, torcidas organizadas exibem faixas: “Anistia, ampla, geral e irrestrita”… Duas torcidas fizeram questão de atuar em conjunto com a sociedade, a “Gaviões da Fiel” e a “TORCIDA JOVEM do SFC”. É claro que a polícia reprimia com violência as duas torcidas, e não foram poucas as vezes que isso aconteceu…

No retorno ao Brasil depara-se com mais um inchadíssimo Campeonato Nacional.  Era anunciado o como o maior campeonato de futebol do Mundo…  Teria a participação de absurdas 62 agremiações. Na 1ª fase 6 grupos (4 de 10, e 2 de 11 equipes); Os 5 melhores de cada grupo seriam redistribuídos formando o grupo dos vencedores (6 grupos de 5 times); os outros formavam o grupo dos perdedores ( 6 grupos, sendo 4 com 5 clubes e 2 grupos com 6 clubes);  A 3ª fase contaria com 24 classificados (3 de cada grupo dos vencedores além do campeão de cada grupo de perdedores). Os 24 classificados sofreriam uma nova distribuição de grupos (4 grupos de 6 times). Os campeões de cda grupo passariam para as semi-finais (em duas partidas)e, finalmente, a final em partida única!

Vitória por 2 gols de diferença valiam 3 pontos.

Na chave do SFC: Botafogo (RP), Atlético Mineiro, Cruzeiro, América (MG), Uberaba, Fast Clube (AM), Nacional (AM), Remo e Paissandu.

A vitória em campos mexicanos devolveu as esperanças ao torcedor alvinegro, e na estreia do time praiano no Pacaembu, contra o Cruzeiro, o velho estádio recebeu um público imenso: 67.000 pessoas.

E incredúla, a massa santista via Revetria (atacante do Cruzeiro) destruir  a zaga santista e fazer o clube mineiro vencer por 2×0.

Aquilo foi demais para o impaciente torcedor…  a massa perdeu a cabeça e alguns tentaram invadir o gramado… uma confusão dos diabos… tentaram atingir Revetria com uma pedra…

Na partida seguinte na Vila Belmiro, diversos protestos forma realizados… o caldo só não entornou porque o Peixe venceu com relativa facilidade o Paissandu por 4×0.

O próximo compromisso era contra o fortíssimo Atlético, no Mineirão. Atlético com Cerezo, Reinaldo, Paulo Isidoro, Danival, Ziza e João Leite.  Os 3×0 para o Galo mineiro dá uma ideia do foi a partida…

Dois jogos no Norte do País (Fast e Remo) rendem 6 pontos ao alvinegro e um pouco de tranquilidade para encarar o Botafogo, na Vila…

E Sócrates, mais uma vez não perdoou… Botafogo 1×0… pedras, garrafas, foguetes… apareceu de tudo no gramado de Vila Belmiro, menos o gol do SFC.

O resultado da confusão é que mais uma vez o Técnico foi demitido. Alguma satisfação tinha que ser dada à torcida, pensavam os dirigentes.

Quem assume o barco é o lendário Ramos Delgado.

Nessa altura mais dois reforços desembarcam em Santos: Nelsinho Batista e Gilberto Sorriso (ambos ex-São Paulo FC).

Um providencial excursão ao interior da argentina permite um pouco de entrosamento aos novos contratados (os dois laterais e mais De Rossis).

O resultado foi o seguinte:

16/11 – 1×2 CA Tallares (Argentina), em Córdoba

20/11 – 6×3 Combinado C Juventud Antoniana/Gimnasia Ibura (Argentina), em Salta

22/11-  5×2 C Atlético Tucumán (Argentina), em Tucumán

Lembrando que no final do 1º semestre, o Santos tinha enfrentado uma outra equipe argentina , na Vila Belmiro: o CA San Lorenzo de Almagro (em 29/06, 1×0)

Capengando, o time passa para o grupo dos vencedores e cai num mesmo grupo de Palmeiras, Portuguesa, Bahia e Goytacaz.

Estava claro que o confronto com a Lusa definiria a 3ª vaga (Palmeiras e Bahia eram favoritos). E a massa santista sorriu satisfeita na vitória por 2×1, no Pacaembu.

A derrota contra o Bahia, na Vila foi sentida, mas a classificação era possível… tudo seria resolvido no clássico contra o Palmeiras…

E novamente a torcida santista dava show… comparece em peso no Pacaembu, sendo maioria no estádio… o Público até hoje não se pode precisar… Relatos da imprensa afirmam que mais de 70.000 pessoas se espremeram ao extremo no próprio da municipalidade… a bilheteria registrou, segundo matéria de 1ª página da FSP a presença de 73.532 pessoas, além de umas 2.000 penduradas nas árvores, muros e qualquer espaço disponível para se ver o campo… outros relatos descrevem um público pagante menor, porém com a invasão de mais de 5.000 pessoas que arrombaram os portões localizados na Avenida Itápolis… o fato inquestionável é que o Recorde de público no Pacaembu pertence ao Santos FC!

Foto do jornal FSP. Reparem que só a torcida santista esta na foto.

Foto do jornal FSP… reparem que é a torcida santista o destaque (percebe-se pelas camisas listradas)…

Assim o alvinegro seguia para a fase final, depois de dois anos de ausência…

A fase final seria disputada apenas em 1978, e o Santos ficou no apelidado “grupo do povo”: Santos e Corinthians;Flamengo e Vasco; além de Londrina e Caxias.

Começou com, mais um empate com o Corinthians, e a massa santista dividia meio a meio o lotado Morumbi… mais uma vez Ailton Lira cobrava uma falta com maestria e garantia o gol do SFC… o time foi para o abafa, encurralou e só não ganhou por coisa encomendada…

No Rio de Janeiro, onde o mais justo seria um empate, uma derota por 1×0 para o Vasco da Gama.

O 3º compromisso era decisivo: o Londrina, no Pacaembu.

Outra vez a massa santista invade o Pacaembu (46.000 pessoas)… e a tragédia se repete… nervoso, infeliz e perdendo gols e mais gols, o Santos PERDE para o Londrina por 1×2. O clube do interior do Paraná, chegou a  abrir 2×0, mas Joaõazinho diminiu logo em seguida…

Santos estava para ser eliminado, mais uma vez.

O desespero tomou conta de todos… e violência foi “mato” naquela tarde de sábado… alguns invadiram o gramado e foram para cima de Ramos Delgado.. outros choravam humilhados na arquibancada… uma parte ironizava e gritava “Mais um, mais um… (para o Londrina)”… outra parte abandonava o estádio… uns brigavam entre si… enfim, uma tarde de caos.

Campanha no Campeonato Nacional:

16/10 -0x2 Cruzeiro EC – Pacaembu – 63.885 pagantes + 3.609 menores

19/10 – 4×0 Paissandu SC – VB –  10.412

23/10 – 0x3 C Atlético Mineiro – Mineirão – 25.984

26/10 – 3×1 N Fast Clube – Vivaldão – 17.110

30/10 – 2×0 C Remo – Evandro de Almeida – 14.833

06/11 – 0x1 Botafogo FC – VB – 24.878

09/11 – 1×1 América FC (MG) – VB – 14.608

13/11 – 2×0 Nacional FC – VB – 16.198

27/11 – 1×4 Uberaba SC – João Guido (Uberaba) – 18.903

01/12 – 2×1 A Portuguesa D – Pacaembu – 8.768

07/12 – 0x1 EC Bahia – VB – 20.271

11/12 – 1×1 SE palmeiras –  Pacaembu – 68.327 pagantes + 5.205 menores

14/12 – 0x0 Goytacaz FC – Ari Oliveira e Silva – 11.489

29/01/1978 – 1×1 SC Corinthians P – Morumbi –  85.372 pagantes + 4.842 menores

03/02/1978 – 0x1 CR Vasco da Gama  – Maracanã – 19.789

11/02/1978 – 1×2 Londrina EC –  Pacaembu – 42.514 pagantes + 3.789 (46.303 total)

16/02/1978  – 0x0 CR Flamengo – Pacaembu – 15.512

18/02/1978 – 3×3 SER Caxias – Centenário – 5.956

1978 já tinha começado… os torcedores estavam no limite da paciência (ou falta dela)… tudo conspirava para uma grande crise… e das crises e que surgem as grandes ousadias e soluções.

Música para o final de Semana

Zé Ramalho interpretando Caetano Veloso em “Um Índio”, de 1986

Como sempre, Zé Ramalho dá um show de interpretação… e Caetano Veloso com rara inspiração

“Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul
Na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá
Impávido que nem Muhammad Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranqüilo e infálivel como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé Filhos de Gandhi
Virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor
Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto-sim resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará
Não sei dizer assim de um modo explícito

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos

Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

http://www.youtube.com/watch?v=jmvF84rYIiE

Música para o final de semana

Na semana que a NASA divulga a existência de uma nova possibilidade de vida “extraterrestre”, uma música que lembre algo fora do Planeta:

Gal Costa em “Não Identificado”, de Caetano Veloso.

Imagens ótimas do final dos anos 60, início dos anos 70…

de quebra, “Meu nome é Gal”

http://www.youtube.com/watch?v=VVlT8OJPE4I&playnext=1&list=PL9B1A6D4EFEBA3F5E&index=7

Música para o final de semana

A discutida “Charles Anjo 45″ de Jorge Ben, na voz e no balanço de Caetano Veloso.

Explicações da letra?

Duas versões: a mais provável é que seria uma homenagem a um malandro dos morros cariocas dos anos 60 (música gravada em 1969). A outra possibilidade seria uma suposta apologia  a um guerrilheiro (ex-marinheiro) de codinome Charles.

Antes de ouvir a música, acesse e leia:

http://qualdelas.blogspot.com/2010/02/charles-anjo-45.html

Ouça a versão de Caetano: