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A conquista definitiva da Taça Brasil

A conquista definitiva da 1ª Taça Brasil (50 anos)

A Taça Brasil, precursora do atual Campeonato Brasileiro, era a competição oficial da CBD que reunia os campeões estaduais para definir o Campeão Brasileiro. Disputado em sistema eliminatório em melhor de três pontos (com as vitórias valendo dois pontos), tinha em seu regulamento que o clube que vencesse em três ocasiões (consecutivas ou não) levaria o Troféu em definitivo, em semelhança a Taça Jules Rimet.

O Santos FC vencedor da Taça em 1961 e 1962 partia para o Tricampeonato em 1963. No entanto, por conta do calendário brasileiro da época, a Taça Brasil de 1963 avançou no calendário civil e terminou apenas em 1964, quando foram disputadas as fases finais da competição.

Como campeão do ano anterior, o alvinegro entrou direto na fase de semifinais, em janeiro de 1964.

O adversário seria o forte Grêmio Porto-alegrense (que havia eliminado o Metropol – SC e o Atlético Mineiro).

A tabela indicava que o Peixe teria que se deslocar até Porto Alegre e encarar o tricolor gaúcho. O estádio Olímpico (atualmente demolido) recebeu um público recorde de 50 mil pessoas, e os torcedores testemunharam a maior apresentação de um time de futebol no Rio Grande do Sul até então.

Com Coutinho e Pelé fazendo diabruras em altas dosagens, o SFC venceu por 3×1. A partida foi muito disputada e o Grêmio abriu o placar logo no início do 1º tempo. Mas naquela noite, os craques santistas mostraram porque eram bicampeões mundiais. Jogadas inesquecíveis, como a tabelinha de cabeça de Coutinho e Pelé da intermediária até a área tricolor e um show de bola durante os 90 minutos provocaram os aplausos de uma multidão embevecida ao final do espetáculo.

Na partida da volta num Pacaembu lotado, mais um jogo alucinante. Pepe abre a contagem num canhão de falta logo aos 6 minutos. E surpreendentemente, Paulo Lumumba vira a partida e o valente Grêmio faz três gols em 10 minutos!

O Pacaembu, atônito, via o Grêmio abrir 3×1.

Mas o Santos tinha o Rei do Futebol… E Ele marca outras três vezes e vira novamente o Placar: 4×3.

No entanto, logo após o quarto gol santista, Gylmar é expulso de campo por ofensas ao árbitro. O tricolor teria 5 minutos para conseguir outra proeza no mesmo dia… Naquela época era permitida apenas uma substituição (que havia sido realizada com a entrada de Joel Camargo para dar jeito na defesa), e assim algum jogador  de “linha” deveria assumir o cargo de goleiro.

E lá foi Pelé para o gol…

O Grêmio partiu para o abafa…

A defesa santista fazia de tudo para impedir as conclusões das jogadas do ataque gaúcho. Nas poucas ocasiões que furaram o bloqueio santista encontraram Pelé!

fonte: www.acervosantista.com.br

O Rei realizou algumas defesas, entre elas a antecipação num cruzamento que poderia resultar numa jogada perigosa no interior da área santista.

E foi com Pelé no gol que o Santos segurou o 4×3 e classificou-se para as finais.

Após a partida, os santistas viram a  tabela e leram: Bahia!

Os baianos já não causavam arrepios como em 1959 ou 1961. Mesmo assim impunham respeito, pois para chegar até a final eliminaram o Ceará, o Sport Recife e nada menos que o Botafogo, com todos os seus craques.

A primeira partida da final foi no Pacaembu.

Com um novo uniforme e com Pepe barbarizando na esquerda, o Peixe goleou o campeão baiano por 6×0!

Na partida de volta, recorde de renda na Bahia e trinta e cinco mil baianos esperavam um novo milagre do Senhor do Bomfim para vencer o Santos e provocar uma 3ª partida (pelo regulamento, bastava um simples 1×0 para que houvesse um jogo extra, não havia decisão por saldo de gols).

Porém o Santos tinha aprendido a lição de 1959 e com um gol em cada tempo não deu chances para a zebra e conquistou o tricampeonato brasileiro. Mais que isso, conquistou de maneira definitiva a “Taça Brasil”, que se encontra em exposição do Memorial das conquistas.

Foto: Wesley Miranda

Veja o vídeo produzido por Wesley Miranda com imagens da final, vale a pena:

https://www.youtube.com/watch?v=5vDRB5imbE8

Conheça a campanha da conquista da “Taça Brasil” (e do tricampeonato brasileiro):

16/01/1964 Santos FC 3×1 Grêmio FPA (Porto Alegre)

L: Olímpico – Porto Alegre (RS)

D: 5ª feira

Competição: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 21.327.000,00 (Recorde de renda no RS)

P: 50.000 (estimado) (Recorde de público no RS)

A: Eunápio de Queiroz

G: Coutinho 25′, Pelé 37′ e Coutinho 70′ – Paulo Lumumba 6′

SFC: Gylmar; Dalmo, João Carlos e Geraldino; Haroldo e Zito; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Batista.

Técnico: Lula.

Uniforme: Camisas brancas.

GFPA: Alberto; Valério, Airton, Aureo e Ortunho; Cleo e Milton; Marino (Madureira), Joãozinho, Paulo Lumumba e Vieira.

Técnico: Carlos Froner

19/01/1964 Santos FC 4×3 Grêmio FPA (Porto Alegre)

L: Pacaembu – São Paulo (SP)

D: Domingo

C: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 11.931.500,00

Pe (Público estimado pelo valor médio dos ingressos): 31.000

Árbitro: Teodoro Nitti (ARG)

Expulsão: Gylmar (SFC) expulso aos 41’ do 2º tempo (4×3)

G: Pepe (f) 6′ , Pelé (p) 30′, 58′ e (p) 85′ – Paulo Lumumba 9′ e 11′ e Marino 14′

SFC: Gylmar (Pelé); Dalmo, João Carlos (Joel Camargo) e Geraldino; Haroldo e Zito; Batista, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula.

Uniforme: Camisas brancas.

GFPA: Alberto; Valério, Airton, Aureo e Ortunho; Cleo e Milton; Marino, Joãozinho, Paulo Lumumba e Vieira.

Técnico: Carlos Froner

25/01/1964 Santos FC 6×0 EC Bahia (Salvador)

L: Pacaembu – São Paulo (SP)

D: Sábado

C: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 12.432.800,00

Pe: 33.000

Árbitro: Armando Marques

G: Pepe 7′ e 91′ Pelé (p) 28′ e (p) 87′, Coutinho 63′ e Mengálvio 81′

SFC: Gylmar; Ismael, Mauro e Geraldino; Haroldo e Lima; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula.

Uniforme novo: branco com listras verticais finas em preto

ECB: Nadinho; Hélio, Henrique, Roberto e Ivan; Nilsinho e Mário; Valença (Vermelho), Vevé, Hamilton e Biriba

Técnico: Geninho

28/01/1964 Santos FC 2×0 EC Bahia (Salvador)

L: Fonte Nova – Salvador  (BA)

D: 3ª feira

C: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 21.083.300,00 (Recorde de Renda na BA)

P: 35.365

Árbitro: Armando Marques

G: Pelé (f) 26′ e 85′

SFC: Gylmar; Ismael, Mauro e Geraldino; Haroldo (Joel Camargo) e Lima; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula.

Uniforme: Camisas brancas

ECB: Nadinho; Hélio, Henrique, Roberto e Russo (Ivan); Nilsinho e Mário; Miro, Vevé, Hamilton e Biriba

Técnico: Geninho

SFC Tricampeão da Taça Brasil 61/62/63. O Santos FC conquista de maneira definitiva a “1ª Taça Brasil”


IDH do Brasil melhora.

Amigos,

Ontem foi divulgado a nova colocação do Brasil em relação ao IDH.

O Brasil melhorou no ranking, e o responsável pelo fato foi a diminuição das desigualdades sociais.

Ainda há muito onde melhorar, principalmente na educação, mas os números indicam um rumo positivo ai Brasil.

Veja a matéria, publicado no Portal Vermelho, aqui:  http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=167748&id_secao=10

Transferência de Renda faz o Brasil melhorar o IDH

Fichas técnicas – 1961

Amigos,

Seguem as fichas técnicas de 1961:

05/03/1961 Santos FC 3×1 Fluminense FC (Rio de Janeiro)

Local: Maracanã – Rio de Janeiro (GB)

Competição: Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Torneio Rio/São Paulo)

Renda: Cr$ 2.685.317,00

Público: 39.990

Juiz: Olten Aires de Abreu

Gols: Pelé 3,5’ e 40’ e Pepe 52’ – Jaburu 89,5’

SFC: Laércio; Fioti, Mauro Ramos de Oliveira, Dalmo e Calvet; Zito e Mengálvio (Nei); Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe (Sormani).

Técnico: Lula

FFC: Castilho; Jair Marinho, Pinheiro, Clóvis (Augusto) e Altair; Edmilson e Paulinho; Telê (Paulo), Valdo, Jaburú e Escurinho.

Técnico: Zezé Moreira

O gol de placa foi aos 40′. Pelé driblou metade do time tricolor.

11/03/1961 Santos FC  7×1 CR Flamengo (Rio de Janeiro)

Local: Maracanã – Rio de Janeiro (GB)

Competição: Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Torneio Rio/São Paulo)

Renda: Cr$ 6.675.580,00 (recorde)

Público: 87. 868 (total 90.218)

Juiz: Olten Aires de Abreu

Gols: Pepe 22′ e (p) 57′, Pelé 31′, 49′, 51′, Dorval 55′ e Coutinho 75′ – Henrique 53′,

SFC: Laércio; Dalmo, Mauro Ramos de Oliveira (Formiga) e Fioti (Feijó); Zito (Urubatão) e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula

CRF: Fernando; Joubert, Bolero e Jordan; Nelinho (Jadir) e Carlinhos; Joel, Gerson, Henrique (Luis Carlos), Dida e Babá (Germano).

Técnico: Fleitas Solich

15/06/1961 Santos FC 6×3 SL Benfica (POR)

Local: Parc des Princes – Paris (FRA)

Competição:  Torneio de Paris

Público: 36.364

Árbitro: Pierre Achinte (FRA)

Gols: Pelé (2), Pepe (2), Coutinho e Lima – Eusébio (3)

SFC: Laércio; Mauro Ramos de Oliveira e Décio Brito; Getúlio, Brandão e Lima; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe

Técnico: Lula

SLB: Barroca; Mário João, Germano e Ângelo (Mendes); Neto e Cruz; José Augusto, Santana (Euzébio), Águas, Coluna e Cávem.

Bicampeonato da Torneio de Paris. Pepe fazendo a festa na França.

Presença de Lima no time

Lima foi revelado pelo CA Juventus e veio para o Santos em

1961.

Disputou a Copa da Inglaterra, em 1966.

O grande coringa do time por 10 anos. jogando em todas as posições, menos no gol.

Foi capa da revista Placar, com o título: Lima FC (imagem ao lado, de 1971).

16/08/1961 Santos FC 5×1 SC Corinthians P (São Paulo)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Paulista

Renda: Cr$ 5.000.600,00

Público: 50.132

Árbitro: Romualdo Arpi Filho

Gols: Pepe 23′, 76′ e 79′, Pelé 34′ e Coutinho 65′ – Joaquinzinho (p) 46′

SFC: Laércio (Silas); Getúlio, Mauro Ramos de Oliveira e Dalmo; Formiga (Décio Brito) e Zito; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe

Técnico: Lula

SCCP: Gilmar; Jaime, Raul e Ari; Da Silva e Oreco; Joaquinzinho (Neves), Manoelzinho, Beirute, Rafael e Gelson.

Técnico: Martim Francisco

Fichas Técnicas do Campeonato Brasileiro (Taça Brasil):

11/11/1961 Santos FC 6×2 América FC (Rio de Janeiro)

Local: São Januário – Rio de Janeiro (GB)

Competição: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil)

Renda: Cr$ 1.718.260,00

Árbitro: Olten Ayres de Abreu

Gols: Coutinho 26′, Pelé 53′ e 73′, Pepe 76′, 80′ e 85′ – Nilo 5′ e João Carlos 59′

SFC: Laércio; Figueiró, Mauro Ramos de Oliveira e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Mengálvio, Coutinho (Pagão), Pelé e Pepe

Técnico: Lula

AFC: Pompéia; Jorge, Djalma e Wilson Santos; Amaro e Leônidas; Fontoura, Antoninho, Quarentinha, João Carlos e Nilo.

Técnico: Lorival Lorenzi

19/11/1961 Santos FC 0x1 América FC (Rio de Janeiro)

Local: Vila Belmiro – Santos (SP)

Competição: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil)

Renda: Cr$ 1.382.400,00

Público: (16.200 calculado)

Árbitro: Armando Marques

Expulsões: Pelé (SFC) e Lorival Lorenzi (Técnico do América FC) expulsos

Gol: – Fontoura 38′

21/11/1961 Santos FC  6×1 América FC (Rio de Janeiro)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil)

Renda: Cr$ 2.741.150,00

Público: (21.700 calculado)

Árbitro: Eunápio Queiroz

Gols: Pelé 34′, Coutinho 51′ Pelé 53′, Dorval 67′, Pepe 74′ (p) e Coutinho 89′- Quarentinha 8′

22/12/1961 Santos FC 1×1 EC Bahia (Salvador)

Local: Fonte Nova – Salvador (BA)

Competição: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil)

Renda: Cr$ 7.441.400,00

Público: 41.893

Árbitro: Olten Ayres de Abreu

Gols: Coutinho 2′ – Mario 49′

27/12/1961 Santos FC 5×1 EC Bahia (Salvador)

Local: Vila Belmiro – Santos (SP)

Competição: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil)

Renda: Cr$ 2.177.700,00

Público: 18.662

Árbitro: Baymonilso Lisboa

Gols: Pelé 24′, 30′ e 31′, Coutinho 33′ e 60′ – Florisvaldo (p) 89′

SFC: Laércio (Silas); Lima, Mauro Ramos de Oliveira (Olavo) e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Tite, Coutinho, Pelé e Pepe

Técnico: Lula

ECB: Nadinho; Helio, Henrique e Florisvaldo; Vicente e Pinguela (Antoninho); Nilsinho, Alencar, Didico, Mario e Marito.

Técnico: Armando Simões

Imagem: ahistoriadosantosfc.blogspot.com


O Mundo nunca mais será o mesmo, nem o futebol…

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Chegamos a 1961.

A geração do pós-guerra atinge a adolescência, uma geração ávida por novidades, contestadora, que aposta na alegria como forma de expressão…

Imagem abaixo:cincomeiasete.blogspot.com

Por aqui, em terras tropicias, o País vive o final dos “50 anos em 5″, de JK.

Brasília já é uma realidade e vê  Janio Quadros assumir a Presidência, com João Goulart de vice.

A guerra fria esta em seu auge, e Cuba já sofre o bloqueio economico dos EUA.

No futebol, o Santos continua com sua máquina de gols e exibições espetaculares. Começa o ano com alguns amistosos na Vila Belmiro, entre eles a partida de entrega de faixas do Campeonato Paulista de 1960. O convidado foi o simpático Guarani FC, de Campinas, que não conheceu derrota para o Santos no ano anterior.

E num jogo festivo, o alvinegro jogou com sede de vingança… pobre Guarani, conheceu uma de suas maiores derrotas: 10×2 para o SFC.

Imagem: eisdsgn.blogspot.com

Em seguida a primeira parte da turnê Mundial do alvinegro. Sim, meus amigos, muito antes dessa turma boa ai de cima, o Santos FC já partia em turnês pelo Mundo afora.

Nesta primeira parte, os jogos foram pelas 3 Américas: Sul, Central e Norte:

14/01 – CDS Colo-Colo (Campeão Chileno de 1960) – 3×1

18/01  – Seleção da Colômbia – 2×1 (em 1962, a Colômbia disputaria a Copa do Mundo no Chile)

22/01 – CD Saprissa (Costa Rica) – 7×3  Taça Sears Recbuck (Triangular da Costa Rica)

25/01 – SC Herediano (Campeão da Costa Rica de 1961) – 3×0 Taça Sears Recbuck (Triangular da Costa Rica)

29/01 – Seleção da Guatemala – 4×1

02/02 – C Necaxa (México) – 3×4  Pentagonal do México

09/02 – CD Guadalajara AC (México) – 0x0 Pentagonal do México

12/02 – Oro Jalisco (México) – 2×2 Pentagonal do México

16/02 – CA Independiente (Campeão da Argentina de 1960) – 4×1 Pentagonal do México

19/02 – CD Guadalajara AC (México) – 6×2 Pentagonal de Guadalajara (México)

22/02 – CF America (México) – 6×2  Pentagonal de Guadalajara (México)

24/02 – CF Atlas (México) – 2×0 Pentagonal de Guadalajara (México)

26/02 – America FC (Rio de Janeiro) – 3×3 Pentagonal de Guadalajara (México)

Terminada a primeira parte da turn?, com 2 Taças conquistadas e uma lenda mitológica.

As Taças: Triangular da Costa Rica e o Pentagonal de Guadalajara (Troféu Gil Preciado).

A lenda: Numa das partidas no México, Pelé entra em campo na metade do 2º tempo. Entra amarrando seu calção… recebeu a bola e driblou toda defesa adversária… chegou na pequena área e mandou a bomba: a bola explode no joelho do goleiro e vai para escanteio. Escanteio sendo cobrado, e Pelé esta agachado arrumando o cadarço da chuteira…  a bola vem… Pelé pula e, de cabeça,  marca o gol santista… os mexicanos vão ao delírio, nunca tinham visto algo semelhante em campo… uma chuva de almofadas são lançadas ao ar… para todos os presentes, a partida poderia ter acabado por ali mesmo, tinham visto uma cena mitológica em campo … uma proeza digna de uma herói grego… um desafio aos deuses, algo digno de um dos trabalhos de Hércules, de tão espetacular e grandioso…

Voltando ao Brasil, já disputa o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (o Rio/São Paulo) com uma campanha fulminante:

CR Vasco da Gama  – 5×1 (Pacaembu)

Fluminense FC – 3×1 (Maracanã) – A partida do “gol de placa”. Não há registros de imagens desse gol antológico, ou melhor mitológico… o SporTv divulgou uma matéria mostrando como foi reproduzido esse gol no filme “Pelé, eterno”:

CR Flamengo  – 7×1 (Maracanã) – um baile em vermelho e preto… a maior surra que o Flamengo levou no Maracanã…  outro feio épico… os deuses do futebol estavam atuando junto como Santos FC, sem dúvida nenhuma…

São Paulo FC – 1×0 (Pacaembu)

A Portuguesa D – 3×0 (Pacaembu)

SE Palmeiras – 1×1 (Pacaembu)

SC Corinthians P – 0x2 (Pacaembu)

Botafogo FR – 4×2 (Pacaembu)

America FC – 6×1 (Vila Belmiro)

Na foto ao lado (skylanhouse2010.blogspot.com), Zoca e Pelé. Zoca é o irmão de Pelé que tentou a carreira de futebolista… não deu muita sorte… na partida contra o America, na Vila Belmiro, entrou no lugar de Coutinho. Teve uma boa oportunidade, quando o alvinegro já ganhava por 6×1: um pênalti para  cobrar no final do jogo… infelizmente, não conseguiu converter a cobrança…

Teve outras oportunidades, mas não conseguiu se firmar na equipe…

Com esse resultados o Santos seria o campeão do Rio/São Paulo, porém, em 1961 inventaram uma fase final que seria disputado pelos 3 melhores de cada Federação em partidas interestaduais.

Na fase final, o time não rendeu o mesmo da fase inicial:

CR Vasco da Gama 1×2 (Maracanã)

CR Flamengo 1×5 (Pacaembu)

Botafogo FR 1×2 (Pacaembu)

No aniversário de 1 ano de Brasília, o principal convidado foi o SFC.

Uma partida contra a seleção de Brasília e ma goleada por 4×0.

Em maio a 2ª parte da turnê Mundial:

16/05  – FC Bayern Munchen (Alemanha Ocidental) – 3×2

18/05 – KAA Gantoise (Bélgica) – 1×2

24/05 – RSC Anderlecht (Bélgica) – 2×2

26/05 – R Standart Liége (Bélgica) – 4×4

01/06 – FC Basel (Suiça) – 8×2

03/06 – V fur L Wolsburg – (Alemanha Ocidental) – 6×3

04/06 – Seleção de Antuérpia (Bélgica) – 4×4

07/06 – Racing C de F (França) – 6×1

09/06 – Olimpique Lyon (França) – 6×2

11/06 – Seleção de Israel – 3×1  Primeira partida do SFC em solo asiático.

13/06  – Racing C de F (França) – 5×4  Torneio de Paris

15/06 –  SL Benfica (Portugal) – 6×3  Torneio de Paris. Um outro mito se consagra: Pepe, le canon… Bicampeão do Torneio de Paris.

Idolatrado pelos franceses, a torcida local viu  a prévia da Final do Mundial Interclubes no ano seguinte, um baile dos deuses!

18/06 – Juventus FC (Itália) – 2×0 Torneio Itália 61

21/06 – AS Roma (Itália) – 5×0 Torneio Itália 61

24/06 – Internazionale FC (Itália) – 4×1 Torneio Itália 61

Santos FC Campeão do Torneio Centenário dell’Unitá de Itália

26/06 – Karlsruhe SC  (Alemanha Ocidental) – 8×6

E o time dos deuses parte para a terra dos deuses.

Destino: Grécia, o berço da democracia ocidental.

28/06 – AEK FC (Grécia) Athlitiki Enosis Konstantinoupoleos – 3×0

Primeiro confronto foi contra o AEK (o União Atlética de Constantinopla). Um clube histórico, que segundo seu site, é mais que um clube , é uma ideia que representa valores humanos e uma cultura. Seus fundadores eram gregos que viviam em solo turco que retornaram à pátria-mãe.

mesmo com todos esses valores, o AEK não foi páreo,  3×0 para o Peixe.

30/06 – Panathinaikos FC (Grécia) Panathinaikos Athlitikos Omilos – 3×2

Os deuses continuavam a favor do SFC… agora, contra o Panathinaikos, o time “de todos os atenieneses”…

Numa partida difícil, mais uma vitória: 3×2

04/07 – Olimpiakos CFP (Grécia) Olympiakos Syndesmos Filathlon Peiraios – 1×2

O último adversário seria o Olimpiakos (Clube Olímpico Fãs do Pireu).

Olimpiakos que anos mais tarde receberia um dos deuses do futebol, o craque Giovanni.

Time mais popular da Grécia, fica nos Pireus, porto vizinho de Atenas.

E na última apresentação , um golpe dos deuses…

Zeus (Senhor de todos os deuses – imagem à esquerda) e Poseidon (deus do mar- imagem à direita) se uniram para derrotar o mais perfeito time de futebol de semi-deuses…

Depois da jornada épica pelo solo grego o alvinegro retorna ao Brasil, para ser bi-campeão Paulista:

Comercial FC – 1×0 (VB); 4×1 (Costa Coelho)

AA Portuguesa – 0x0 (Ulrico Mursa); 5×2 (VB)

EC Taubaté – 0x0 (Taubaté); 4×2 (VB)

SE Palmeiras – 2×1 (VB); 2×3 (Pacaembu)

Jabaquara AC -4×0 (VB); 1×2 (VB)

Guarani FC – 3×1 (VB); 2×1 (Brinco de Ouro)

EC Noroeste  – 7×1 (Bauru); 4×2 (VB)

SC Corinthians P – 5×1 (Pacaembu); 1×1 (VB)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 6×1 (VB); 7×2 (Piracicaba)

São Paulo FC – 6×3 (Morumbi); 4×1 (VB)

CA Juventus – 10×1 (VB); 3×1 (Pacaembu)

Botafogo FC – 3×0 (Luis Pereira); 4×1 (VB)

AE Guaratinguetá – 5×1 (VB); 4×0 (Guaratinguetá)

A Portuguesa D – 6×1 (VB); 3×1 (Canindé)

A Ferroviária E – 1×0 (Araraquara); 6×2 (VB)

Observações:

* Pelé, novamente artilheiro.

* O Santos teve uma impressionante sequência de 8 goleadas consecutivas

* Na partida contra o XV de Novembro, em Piracicaba, uma atuação espetacular de Pelé… mais uma atuação digna dos deuses… Vale a apena ver os gols e prestem atenção nos gestos de Pelé:

http://www.youtube.com/watch?v=4K5HRfWUBII

No final do ano, a grande conquista do Santos FC: Campeão Brasileiro de  1961!

Como vencedor do Campeonato Paulista, o Santos estava classificado para enfrentar o Campeão Carioca de 1960, o America FC, pela Taça Brasil.

Na primeira partida, no estádio de São Januário, um baile: 6×2!

Na partida de volta, outra peça pregada pelos deuses… America 1×0, em plena Vila Belmiro. O regulamento previa uma 3ª partida, também em santos… mas, a CBD marcou a partida para o Pacaembu. Mesmo assim, o SFC não deu brechas para o azar e goleou novamente: 6×1!

E nas finais, novamente o fantasma baiano, o EC Bahia.

Na Fonte Nova, empate (1×1) e na Vila Belmiro, a conquista da Taça: 5×1

Campanha:

America FC – 6×2 (São Januário); 0x1 (VB) e 6×1 (Pacaembu)

EC Bahia – 1×1 (Fonte Nova) e 5×1 (VB)

Assim , termina a odisséia de 1961.

As fichas técnicas seguem na próxima postagem.

A unificação dos Títulos

Amigos,

Com  um atraso considerável, a CBF finalmente reconheceu aquilo que era o óbvio: Existia futebol no Brasil antes de 1971!

Reconhecer e unificar os títulos é uma vitória daqueles que buscam a preservação da memória do futebol e do resgate da verdade dos fatos.

O duro é ler artigos de alguns “jornalistas” (tentando disfarçar suas preferências clubísticas) fazendo uma misturança danada… já li os “argumentos” mais absurdos, tipo: “Corinthians e São Paulo não participaram de nenhuma Taça Brasil (tentando desqualificar a Taça Brasil)”… “a competição era mata-mata”… “no máximo 5 times do grupo dos 13 participaram de uma mesma Taça Brasil”… e por aí vai…

Poucos tiveram a grandeza em reconhecer a importância do reconhecimento e unificação dos Títulos, como por exemplo o Diretor do São Paulo FC, João Paulo Jesus Lopes, que afirmou: “Não tenho nada contra, não vejo nenhuma dificuldade em relação a isso. Acho que até nos motiva. Nós que somos o clube grande mais jovem do Brasil temos aí uma quantidade de títulos e temos um grande desafio, de recuperar essa primeira posição. Acho isso muito positivo”

Acho que tal postura é definitiva sobre o assunto. E uma novidade incrível tratando-se de dirigentes tricolores, conhecidos pela arrogância e soberba.

Sobre o assunto, é melhor lermos o autor do dossiê que abriu caminho para a unificação e reconhecimento: Odir Cunha.

Segue o endereço: http://blogdoodir.com.br/2010/12/o-respeito-e-o-reconhecimento-vieram-agora-e-hora-de-uniao/

Vale a pena ler o artigo, bem como os desdobramentos nos artigos seguintes.