Arquivo da tag: Cláudio Adão

Tristeza não tem fim…

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

A aposta no técnico Olavo e nos atletas vindos da base santista rendeu uma efêmera alegria aos torcedores santistas na virada de 1975 para 1976. Bem ou  mal, o time conseguiu uma verdadeira façanha, manter-se invicto por mais de 20 jogos:

1 – 04/10 – 2×2 CEUB – Campeonato Brasileiro 75

2 – 19/10 – 3×1 Sergipe – Campeonato Brasileiro 75

3  – 22/10 – 2×1 Goiânia – Campeonato Brasileiro 75

4 – 26/10 – 3×1 Vitória – Campeonato Brasileiro 75

5 – 29/10 – 0x0 Portuguesa – Campeonato Brasileiro 75

6 – 01/11  – 5×1 Campinense – Campeonato Brasileiro 75

7 – 13/11 – 1×0 Ponte Preta – amistoso

8 – 15/11 – 1×0 Coritiba – amistoso

9 – 19/11 – 2×1 Atlético Mineiro – amistoso

10 – 25/11 – 1×1 Vasco da Gama – Torneio Governador Roberto Santos,

11 – 30/11 – 1×0 Fluminense FS – amistoso

12 – 03/12 – 1×1 Potiguar (Mossoró) – amistoso

13 – 05/12 – 3×0 ABC – amistoso

14 – 07/12 – 1×1 Bahia – Torneio Governador Roberto Santos

15 – 11/12 – 3×2 Figueirense – Torneio Governador Roberto Santos

16 – 13/12 – 1×0 Atlético Mineiro – Torneio Governador Roberto Santos

17 – 14/12 – 7×2 Seleção de Conceição do Coité (BA) – amistoso

18 – 16/12 – 1×1 Atlético Mineiro  (4×3 penaltis) – Torneio Governador Roberto Santos

19 – 18/12 – 3×0 Vitória  -Torneio Governador Roberto Santos

20 – 14/01/1976 – 0x0 Grêmio Maringá – amistoso

21 – 17/01 – 1×1 Portuguesa – Torneio Governador do Estado

22 – 21/01 – 0x0 Santo André – amistoso

Foram quase 4 meses sem conhecer uma derrota sequer… mesmo considerando que o nível técnico de alguns adversários não eram lá essas coisas, não deixava de ser um bom resultado…

E essa última partida invicta, contra o Santo André, vale um pequeno relato…

O Santo André tinha conquistado o Campeonato da 1ª Divisão no final de 75, e em janeiro ainda comemorava o Título… a partida das faixas foi contra o Palmeiras no novo estádio distrital do Parque Jaçatuba, perto do Centro de Santo André, local  de fácil acesso  e bem servido de condução… naquela noite umas 25 mil pessoas invadiram as arquibancadas, morros e encostas em torno do estádio e viram um empate entre as as equipes… uns dias depois foi a vez do SFC visitar Santo André. Numa noite quente de janeiro, caiu uma chuva enorme na cidade afugentando o público e no máximo umas 2.000 pessoas se aventuraram para ver o “espetáculo”. Coloco entre aspas pois o jogo foi pavoroso… ruim, chato, uma tragédia no gramado…

Nessas condições as torcidas resolveram aparecer.  Começou com a torcida alvinegra: “Santos! Santos! Santos!”

Os andreenses responderam, provocando:  “Time de Vila! Time de Vila!”

Em seguida, os peixeiros exaltavam a cidade de Santos, como resposta: “Vila das praias! Vila das parias! Vila das praias!”

Pouco tempo depois, um novo grito vindo da torcida do Santo André: “É poluída ! É poluída! É poluída1″

Os santistas ficaram no veneno e rebateram: “Vocês vão lá! Vocês vão lá! Vocês vão lá!”

E aí o pessoal do Santo André apelou: “Comer sua mãe!  Comer sua mãe! Comer sua mãe!”

Depois dessa, meus amigos, não preciso escrever que o pau quebrou nas arquibancadas encharcadas do Parque Jaçatuba…

Assim era torcida santista, entusiasmada, barulhenta… e que não aceitava provocações, partindo para o confronto… um torcida jovem, aguerrida e “mal acostumada” com os títulos e proezas daquele time de camisas brancas…

O entusiasmo era tão grande que mesmo num torneio caça-níqueis como o Governador do Estado (substituindo o Torneio Laudo Natel, que não era mais governador do Estado de São Paulo), a massa praiana lotava a Vila Belmiro.

Mesmo após perder a série invicta para o Guarani (1×3, em Campinas), na partida seguinte contra o Corinthians, 26.000 pessoas viram o SFC vencer o rival paulistano por 1×0, e alguns imaginavam que seria possível um a nova conquista, como em 75.

O empate contra o São Paulo, no Morumbi (3×3) deixava o time quase sem chances, mas como foi conseguido na base da raça, com um gol aos 90′, muitos acreditavam numa goleada contra o Palmeiras para que uma eventual conquista milagrosa ocorresse. E 31.000 pessoas entraram na Vila Belmiro, naquela tarde de domingo de fevereiro.

E viram uma goleada…

Do Palmeiras: 5×0… fora o baile. Um vexame completo…

Campanha:

1×1 Portuguesa (VB)

1×3 Guarani (Brinco de Ouro)

1×0 Corinthians (VB)

3×3 São Paulo (Morumbi)

0x5 Palmeiras (VB)

O Santos terminou em último lugar na competição (vencida pela Portuguesa), disputada em turno único.

É claro que a goleada abalou o prestígio inicial que Olavo havia conquistado… e foi sob a desconfiança geral que o Santos começou o Paulistão -76, que novamente apresentava novidades.

A cartolagem com sua imaginação fértil, tinha preparado um Campeonato bem diferente: Os 18 times foram divididos em 3 grupos de 6 clubes. Todos os 18 jogariam entre si em turno único, e os 4 melhores de cada grupo seguiriam para o 2º turno. O Campeão do 1º turno ganharia um ponto de bonificação para o 2º turno, que apontaria o campeão. Vitórias por 3 gols de diferença valeriam 3 pontos.

O Santos ficou no grupo “C”, juntamente com a AA Portuguesa, América, Noroeste, Ponte Preta e Palmeiras.

A primeira partida foi no clássico das praias, uma vitória por 3×0 e a festa pelo 1º gol do Campeonato marcado pelo meio campista Léo Oliveira. A Portuguesa Santista contava em seu elenco com diversos veteranos e ex-santistas  como Lima (o Coringa), Picolé, Davi, Pitico, Veiga e Raul  Marcel (eterno reserva de Leão , no Palmeiras).

Uma derrota contra o São Bento , na Vila Belmiro definiu o destino de Olavo. Em seu lugar vem o folclórico Alfredinho Sampaio, que tinha sido auxiliar de Lula no Mundial Interclubes de 1963, a quem Almir Pernambuquinho atribuia a tarefa de distribuir comprimidos estimulantes a ele, Almir.

Alfredinho não conseguia dar um padrão de jogo à aquele catado de jogadores que entravam em campo, e os vexames se sucediam… na Vila Belmiro, em meia hora o Guarani liquida com o alvinegro, fazendo 3×0 com a incrível colaboração da defesa santista… nesta partida descobri o que é ir com irmão “secador” para o estádio… estávamos lá, em plena arquibancada do retão, vendo o baile do Bugre…. Quando sai o 3º  gol, ele dá um pulo e fica de pé, sozinho é claro,  gritando gol… olhei para ele com os olhos arregalados e dei um puxão… ele se “tocou” e começou  e gritar: gol… frangueiro, desgraçado, defesa de merda…. sentou e começou a cornetar o técnico, a defesa, e todo time santista (e por dentro estava gargalhando como só…)

E o time ia seguindo com a sua constante irregularidade… uma vitória na Vila… um empate… uma derrota no interior… até que se dá a tragédia: numa partida em São José do Rio Preto, Cláudio Adão (única fonte de lucidez no ataque santista) quebra a perna!

César jogou 9 partidas pelo SFC e marcou 5 gols
César jogou 9 partidas pelo SFC e marcou 5 gols

Sem Cláudio Adão  (titular da Seleção olímpica), as esperanças de gols sobram para César “Maluco”. César, veio para o SFC já veterano, depois de uma desastrosa passagem pelo Corinthians, onde perdeu mais penaltis que marcou gols… e não era nem sombra do terrível artilheiro do Palmeiras.

E o veterano goleador entra redondo no time, fazendo gols e aliviando o sofrimento da massa alvinegra. Escrevo redondo, pois é a melhor maneira de descrever o aspecto físico do nº 9…

Além de César, outro veterano que aporta no Santos é Carlos Roberto, volante vindo do Botafogo FR para atuar no lugar do combalido Clodoaldo… Carlos Roberto era um bom volante, mas não era craque… se houvessem outros bons jogadores no elenco poderia resolver o problema do meio de campo, mas não era esse o caso… o time era fraco e se decompunha a olhos vistos, menos para a apaixonada massa santista, que empurrava o time para as vitórias (poucas), como por exemplo contra o Marília (3×0) e Ponte Preta(1×0).

E no meio do Campeonato Paulista ocorre uma interrupção, para que a Seleção Brasileira pudesse viajar até os EUA para participar (e ganhar) o Torneio do Bicentenário da Independência dos EUA. Neste Torneio, Pelé jogou pelo time norte-americano, menos contra o Brasil..

Antes da interrupção, o Santos ocupava a 3ª posição de seu grupo, ao lado do América e 5 pontos à frente do Noroeste. Faltavam 4 jogos (3 na Vila Belmiro e 1 fora) e 4 pontos bastariam para a classificação.

Tudo seguia com uma certa tranquilidade, mas a luz amarela piscou num amistoso contra o Volta Redonda… Uma derrota por 3×0 mostrou que as coisas não iam muito bem pelos lados da Praça Princesa Isabel…

No retorno ao Campeonato , clássico contra o Corinthians na Vila… 25.000 pessoas dormiram nas arquibancadas num sonolento 0x0.

Na partida seguinte, contra o Comercial, Alfredinho escala 3 volantes (Clodoaldo, Carlos Roberto e Léo Oliveira) e o que não impede a derrota por 2×0.

E o Noroeste vai diminuindo a diferença na classificação…

Agora, é o tricolor que desce a Serra em direção à Vila Belmiro. A massa santista toma a Vila e empurra desesperadamente o inoperante ataque alvinegro (Babá, Totonho e Edu), mas mais uma vez os gols não saem… outro 0x0.

Tudo será decidido na última rodada… todos os outros grandes já estão classificados, inclusive o Guarani, que sob o comando de Brecha (ex-SFC) esta prestes a conquistar o ponto extra de campeão do 1º turno.

O adversário será a Ferroviária e a partida será na Vila Belmiro. Uma vitória simples liquida a classificação…

Alfredinho retorna César no lugar de Totonho, mantendo Babá e Edu nas pontas e Toinzinho na armação… Clodoaldo e Carlos Roberto eram os encarregados de protegar a zaga formada por Vicente e Marçal.

Com os nervos a flor da pele, perdendo gols e sendo cozinhado pela Ferroviária, o time não sai do zero e empata a partida (0x0).

Quatro partidas, nenhum gol  marcado e o Santos eliminado do 2º turno do Campeonato Paulista…

Campanha:

AA Portuguesa – 3×0 (VB)

Paulista FC – 1×0 (Jaime Cintra)

EC São Bento – 0x1 (VB)

A Portuguesa D – 2×0 (Parque Antártica)

Guarani FC – 0x3 (VB)

EC Noroeste – 1×3 (Bauru)

SE Palmeiras – 1×1 (Pareque Antártica)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 0x2 (Piracicaba)

Botafogo FC – 2×1 (VB)

CA Juventus  – 1×1 (Rua Javari)

América FC – 0x2 (SJRP)

Marília AC  – 3×0 (VB)

AA Ponte Preta  – 1×0 (Moisés Lucarelli)

SC Corinthians P – 0x0 (VB)

Comercial FC – 0x2 (Francisco Palma Travassos)

São Paulo FC – 0x0 (VB)

A Ferroviária e – 0x0 (VB)

Apesar de ficar em 10º lugar na classificação geral, o Santos FC ficou em 5º lugar em seu grupo, sendo desclassificado. A direção do Peixe tentou uma virada de mesa, mas não conseguiu, o remédio seria dar tempo para o novo técnico (Zé Duarte) e marcar alguns amistosos…

Quem se oferece para jogar na Vila Belmiro, com despesas reduzidas são os times cariocas (Flamengo, Vasco e America). E quando o Flamengo retorna à Vila Belmiro

Este lateral marcou Manoel Maria na Vila Belmiro (Imagem: www.flamengo.com.br)
Este lateral marcou Manoel Maria na Vila Belmiro (Imagem: www.flamengo.com.br)

depois de quase 20 anos, o velho estádio enche… E 13.000 pessoas quase choram de desespero quando é anunciado o ataque santista: Manoel Maria, Totonho, Toinzinho e Admundo.

Um mês de amistosos e Zé Duarte vai dando um mínimo de padrão de jogo à equipe… mas o elenco sentia falta de um maestro de alguém que cadenciasse a partida, que colocasse os nervos no lugar… e Zé Duarte encontra esse maestro na Caldense… tratava-se de Ailton Lira, que chega na Vila em agosto de 1976. Vem, assume a camisa 10 e não saiu mais do time.

Para conhecer mais sobre Ailton Lira veja o vídeo abaixo:

E Zé Duarte vai lançando mais garotos aos poucos… Juary, Claudinho, além de indicar a contratação de jovens como Zé Mário e Tata.

Tata jogou no SFC em 1976. Hoje é auxiliar técnico de Muricy Ramalho
Tata jogou no SFC em 1976. Hoje é auxiliar técnico de Muricy Ramalho

E será com essa turma nova que o time vai engrenando… vence o XV de Jaú , em Jaú por 2×1; em seguida vai até Vitória (ES) e enfrenta o campeão capixaba (Vitória FC) vencendo por 1×0, na ocasião recebe a Taça Geraldo José de Almeida.

Segue nos preparativos para o Campeonato Nacional, e de maneira inédita desde 1954, não realizará nenhuma partida internacional.

Campeonato Nacional que assume de vez seu caráter politiqueiro. Os torcedores criam o bordão: “Onde a ARENA vai mal, um time no Nacional; onde vai bem, mais um time também”.

Lembrando que a ARENA era o partido de sustenção da Ditadura Militar, e que em 1976 a CBD era presidida pelo Almirante Heleno Nunes. Foi Heleno Nunes que criou o monstrengo de 1976, com 54 clubes divididos em 6 grupos de 9 equipes. Os 4 melhores de cada grupo passavam para a fase seguinte formando os “grupos dos vencedores”, em número de 6. Os demais formavam os “grupos dos perdedores”. O campeão de cada grupo dos perdedores passavam a 3ª fase, juntamente com os 3 melhores de cada grupo dos vencedores. Essas 18 equipes seriam divididas em dois grupos de 9 clubes. Os dois melhores de cada grupo disputavam a semi-final e os vencedores, a final . Vitórias por 2 gols de diferença valiam 3 pontos.

O Santos fica num grupo com Palmeiras, Grêmio, Internacional, Caxias, Avaí, Figueirense, Desportiva e Rio Branco.

E o alvinegro começa bem a competição com uma vitória sobre o Caxias, depois uma goleada sobre o Figueirense, com Edu comendo a bola. O grande teste seria contra o Palmeiras (Campeão Paulista de 1976), e mais uma vitória (1×0) .

A Globo lançou essa novela em 1976. A torcida abriu uma faixa: Santos, "Estupido cupido", os anos 60 estão de volta
A Globo lançou essa novela em 1976. A torcida abriu uma faixa: Santos, "Estupido cupido", os anos 60 estão de volta

A torcida se empolga…

Um empate com o Grêmio no Olímpico, outro empate com o Avaí e mais uma vitória contra o Rio Branco e a tabela aponta Santos x Internacional no Morumbi.

Foi, talvez, a primeira grande demonstração de força da massa santista.

83.000 santistas lotam o Morumbi, quebrando recorde de renda no Estado de São Paulo e também estabelecendo o maior público registrado numa competição Nacional no Estado de São Paulo.

O Santos perde (1×3), mas esta classificado para o grupo dos vencedores, um avanço e tanto em relação a 1975.

Na segunda fase, fica no mesmo grupo de Atlético Paranaense, Atlético Mineiro, Bahia, Santa Cruz e Remo.

Ao enfrentar o Atlético Paranaense no Pacaembu, realiza uma partida épica… o rubro-negro de Curitiba abre o marcador com um jovem ponta, Nilton Batata, que inferniza a vida santista… No 2º tempo, o alvinegro vai para o abafa… bolas na trave foram duas, penaltis não marcados foram outros dois… até que aos 80′, Edu cobra uma falta e enche as redes do Pacaembu… o jogo passa a ser uma corrida contra o tempo… chances surgem para os dois times, e aos 87′ Totonho desempata! Delírio no Pacaembu…. a massa santista urrava de alegria… a virada mostrava que o time estava vivo, que Edu ainda sabia jogar muito bem, que Ailton Lira era o craque que faltava e que Clodoaldo era indispensável.

Vai para Belém e mais uma virada, agora sobre o Remo, 2×1. A próxima partida seria decisiva: o forte Bahia, no Pacaembu. E o Pacaembu recebe uma multidão de 45.000 torcedores entre santistas e um número considerável de torcedores do Bahia. A partida fica num sonolento 0x0 e Toinzinho perde um penalti…

As duas últimas partidas são disputadas longe de sua torcida… contra o Santa Cruz, a derrota por 2×0 coloca a classificação por um fio… apenas uma vitória contra o Galo mineiro, em Belo Horizonte daria a vaga para o SFC…

Na base do tudo ou nada, o time vai para cima do Atlético de Toninho Cerezo, Paulo Isidoro e Marcelo. Mesmo jogando muito bem, fica num empate por 1 gol, sendo tristemente eliminado da competição, um duro golpe para o time que estava se recuperando… novamente ficaria longe da fase final do Campeonato Brasileiro, fruto de um regulamento maluco, pois com apenas duas derrotas ficou de fora da competição…

Veja a campanha completa do SFC:

01/09 – 2×1 SER Caxias – Pacaembu – 20.126

04/09 – 4×1 Figueirense FC –  Orlando Scarpelli – 6.624

07/09 – 1×0 SE Palmeiras – Pacaembu – 29.575 pagantes + 1.350 gratuitos (30.925 total)

12/09 – 0x0 Grêmio FPA – Olímpico – 22.741

15/09- 0x0 Avaí FC – Vila Belmiro – 10.120 pagantes  + 115 gratuitos (10.235 total)

19/09 – 1×0 Rio Branco AC – Engenheiro Araripe – 9.287

26/09 – 1×3 SC Internacional – Morumbi – 79.892 pagantes + 4.103 gratuitos (83.995 total)

03/10 – 0x0 A Deportiva FVRD – Vila Belmiro – 17.617

10/10 – 2×1 C Atlético Paranaense – Pacaembu –  27.523

13/10 – 2×1 C Remo – Evandro de Almeida -14.426

16/10 – 0x0 EC Bahia – Pacaembu – 42.233

20/10 – 0x2 Santa Cruz FC – Arruda – 17.515

24/10- 1×1 C Atlético Mineiro – Mineirão – 72.484

A eliminação do SFC abate muito os atletas e o time desanda…

Os meses de novembro e dezembro serão de amistosos, pois a folha de pagamento é impiedosa e as excursões internacionais não ocorrem mais… o resultado são os jogos caça-níqueis e uma segunda edição do “Torneio  da Fome”, desta vez no Maranhão.

A romaria de amistosos começa na Vila Belmiro, contra o São Paulo (também eliminado), 1×0; Segue com um amistoso contra o Cruzeiro (outro eliminado), 1×1.

Surge o Torneio de Piracicaba (SFC, XV de Novembro e São Paulo).. e nada:

07/11 – 0x1 São Paulo FC

11/11 – 4×1 EC XV de Novembro

Um amistoso em Catanduva (interior de São Paulo) passa a ter significado histórico: é a última atuação de Edu com a imaculada camisa branca, e também seu último gol. Clodoaldo passa a ser o único vínculo com os gloriosos anos 60.

E o Santos segue para o Maranhão, onde disputará o Torneio Nunes Freire, jocosamente denominado Torneio da Fome II. Os participantes foram (além do SFC), São Paulo, América (MG), Sampaio Correia, Moto Clube e Ferroviário (MA).

Na estreia, vexame: derrota para o Sampaio Correia, o boliviano do Maranhão (tricolor como a bandeira da Bolívia), por 1×0.

Um amistoso em Bacabal , interior do Maranhão e empate (0x0) com o time local, cujo único destaque foi a estreia de Nilton Batata com a camisa santista.

Novo empate, desta feita contra o Moto (0x0) e o alvinegro esta praticamente eliminado no Torneio da Fome. Vence o Ferroviário, 3×0. Porém a pá de cal foi no compromisso seguinte, contra o América Mineiro… uma derrota por 2×0 e a vergonha de ter 3 atletas expulsos de campo… além do futebol medíocre, nem mesmo o título simbólico de “campeão da técnica e disciplina” podia mais ostentar…

A tristeza parecia não ter mais fim…

Fichas técnicas

26/02/1975 SAntos FC 2×2 SE Palmeiras (São Paulo)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Torneio Laudo Natel

Renda: Cr$ 422.593,00 – rodada dupla (na preliminar: Corinthians x Portuguesa)

Público: 32.533

A: Dulcídio Vanderlei Boschilia

Gols: Edu (p) 15′ e 33′ – Ademir da Guia 9′ e Leivinha 50′

SFC: Wilson Quiqueto; Luis Carlos Beleza (Wilson Campos), Oberdã, Vicente e Zé Carlos; Paulo D’ávoli, Léo Oliveira e Brecha; Adílson, Cláudio Adão e Edu.

Técnico: Tim

SEP: Leão; Eurico, Luis Pereira, Alfredo e João Carlos; Jair Gonçalves e Ademir da Guia; Edu (De Rosis), Leivinha, Ronaldo (Fedato) e Nei.

Técnico: Valdir Joaquim de Moraes

Penalti meio mandraque garantiu o (justo) titulo para o SFC… Grande festa da torcida santista. SFC campeão do Torneio Laudo Natel

Olha quem jogava pelo São Paulo...
Olha quem jogava pelo São Paulo...
Cláudio  Adão, o demolidor de invictos
Cláudio Adão, o demolidor de invictos

07/08/1975 Santos FC 2×1 São Paulo FC

Local: Morumbi – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Paulista – 2º turno – fase final

Renda: Cr$ 513.974,00

Público: 23.058 (rodada dupla na preliminar Palmeiras x Corinthians)

A: Armando Marques

Gols: Cláudio Adão 6′ e 81′ – Pedro Rocha 26′

SFC: Joel Mendes; Carlos Alberto Torres, Oberdã, Bianchi e Zé Carlos; Clodoaldo e Mifflin (Léo Oliveira); Adílson, Cláudio Adão, Brecha e Jurandi (Clayton).

Técnico: Pepe

SPFC: Valdir Perez; Nelsinho Batista, Paranhos, Arlindo e Gilberto Sorriso; Chicão e Pedro Rocha ; Terto, Murici Ramalho, Mauro (Silva) e Zé Carlos (Piau).

Técnico: Poy

Santos FC quebrou uma longa série invicta do São Paulo FC

Imagem: Revista Placar (12/12/1975)

07/12/1975 Santos FC 1×1 EC Bahia (Salvador)

Local: Fonte Nova – Salvador (BA)

Competição: Torneio Governador Roberto Santos/ Taça Cidade de Salvador

Renda: Cr$ 129.549,00 (Rodada dupla, na preliminar Atlético Mineiro x Remo)

Público: 14.536

A: Climamulte França

Gols: Brecha 78′ – Alberto 71′

SFC: Willians; Tuca, Bianchi, Vicente e Fernando; Clodoaldo e Léo Oliveira; Babá (Mazinho), Cláudio Adão, Pelé (Brecha) e Toinzinho.

Técnico: Olavo

ECB: Joel Mendes; Ubaldo, Sapatão, Rodolfo e Juca; Baiaco (Alberto) e Fito; Tírson (Adílson), Douglas, Mickey e Caldeira.

Técnico:

Obs: Pelé retornou especialmente para este jogo, mostrando que ainda está em condições de atuar em qualquer clube brasileiro… aos 33′ após deixar Baiaco e Sapatão estatelados no chão, ficou frente a frente com Joel Mendes, que espalmou para escanteio… Cláudio Adão perdeu um penalti, batido na trave.

Repare que o Bahia atuava com 3 ex-atletas do SFC: Joel Mendes, Fito e Douglas.

14 /12/1975 Santos FC 7×2 Seleção de Conceição do Coité (Combinado dos times Associação Carvalho Mota e Botafogo EC)

Local: Conceição do Coité (BA)

Competição: Amistoso

Público: 1.100

Gols: Totonho (4), Brecha (2) e Cláudio Adão – Prego e Teiu

SFC: Willians; Alceu, Lazinho, Bianchi e Fernando; Léo Oliveira (Celso Diniz) e Didi; Toinzinho (Clodoaldo), Cláudio Adão (Zeca), Totonho e Brecha.

Técnico: Olavo

ACM/BEC: Carlinhos; Berto, Hamilton, Edemar e Chupinho; Teteco (Teiu I) e Robério; Deo, Lelo (Teiu II), Panema e Prego.

Um sinal dos tempos… amistoso contra a Seleção de Conceição do  Coité!!!!! Até o Preparador Físico Celso Diniz entrou na pelada… Acredite, um amistoso oficial do SFC!

SFC levou um Troféu Prefeitura De Conceição do Coité

Começar de novo

Santista de todo Mundo, uni-vos!

O adeus de Pelé e as saídas de Cejas, Marinho Peres as contusões de Clodoaldo e Edu, e a vontade incontrolável de Carlos Alberto Torres em ir embora, faziam do SFC um time em busca de identidade no início de 1975.

Dinheiro para novas contratações era mínimo, reforços de peso como Leivinha, Valdir Perez, Brito, Paulo Cesar Caju eram sonhos impossíveis…

Os reforços eram jogadores medianos como Wilson Campos (com passagem pelo clube em 1968) e Wilson Quiqueto no gol (ex Ponte Preta). Todas as fichas eram lançadas aos pés do jovem Cláudio Adão, que era titular da seleção Olímpica Brasileira.

Pela primeira vez desde o final dos anos 50, o alvinegro não parte em excursão, por sinal não fará uma única partida em campos estrangeiros em 1975 e 1976. Sinal dos tempos…

O remédio era participar de competições “caça-níqueis” como o Torneio Laudo Natel.

A competição era organizada pela FPF, e teve como ganhadores o Palmeiras (1972) e Corinthians (1973), não sendo disputada em 1974.

Em 1975, o Laudo Natel foi encarado com extrema importância pelo time e torcida… numa diferença brutal dos anos anteriores, pois em 72 a direção inscreveu um time reserva e em 73 sequer participou…

Bem, na competição de 75, os 18 clubes foram divididos em 4 grupos (2 grupos de 5 times e outros 2, de 4 times); os campeões de cada grupo disputavam o quadrangular final em turno único. Dessa forma o SFC participa no mesmo grupo que Guarani, Ponte Preta, AA Portuguesa e XV de Novembro (Piracicaba):

15/01 – 3×1 Guarani FC – Brinco de Ouro

19/01 – 2×0 AA Portuguesa – Vila Belmiro

22/01 – 1×0 EC XV de Novembro (Piracicaba) – Barão de Serra Negra

30/01 – 0x0 AA Ponte Preta – Vila Belmiro

Com esses resultados o alvinegro estava classificado para o quadrangular final, junto com Corinthians, Palmeiras e Portuguesa.

A campanha era satisfatória, apesar do time não convencer em algumas ocasiões, e uma derrota frente ao São Bento (amistoso em Sorocaba), deixava  a torcida ressabiada.

Na fase final, o SFC brilhou e surpreendentemente venceu a competição:

20/02 – 2×0 SC Corinthians P – Pacaembu – 40.345 (preliminar de Palmeiras x Portuguesa)

23/02 – 2×0 A Portuguesa D – Pacaembu – 45.398 (preliminar de  Palmeiras x Corinthians). Aqui a torcida já fazia a festa… saindo do Pacaembu  gritando: “É Campeão”

26/02 – 2×2 SE Palmeiras – Pacaembu – 35.322 (Corinthians x Portuguesa na preliminar). Num jogo parelho, o Palmeiras apresentou um padrão de jogo melhor, mesmo assim o alvinegro soube ser eficiente no gramado do Pacembu e arrancou um empate. A torcida peixeira fez uma enorme festa, mostrando que o time estava vivo, firme e forte… Enquanto isso, os adversários desdenhavam da conquista santista. Na realidade, o elenco era muito instável, porém em algumas partidas podia rendar acima do esperado… era um  time que não consegueria manter o ritmo durante uma competição de longo prazo, mas em competições de “tiro curto” como foi o Laudo Natel, tinha algumas chances.

Em março começava o Campeonato Paulista de 1975. A grande novidade era a presença do Saad como convidado. Os 19 clubes disputavam um primeiro turno e definia um campeão; no 2º turno, os times seriam divididos em dois grupos, os participantes de um grupo enfrentavam os participantes de outro grupo, classificavam-se os 3 melhores da cada grupo para um hexagonal decisivo, e aí definiam o campeão do 2º turno. Os campeões de cada turno fariam a final em partida única.

A primeira partida seria contra o Marília, na Vila Belmiro. Favoritismo total ao alvinegro … mas, como seria comum nos anos pós Pelé, em partidas assim o SFC naufragava… 1×2 Maríla, com os santistas caindo na real…

Teodoro, quando jogou nos EUA
Teodoro, quando jogou nos EUA

Numa tentativa de melhorar a equipe, Tim desloca Carlos Alberto Torres para o meio de campo e o time vence a AA Portuguesa. Três derrotas seguidas (América, Saad e Portuguesa de Desportos) comprovam ao torcedor que as coisas seriam muito difíceis… a direção do clube entra em desespero e começam as contratações no atacado e em qualquer momento… o primeiro que chega é o veterano meio campista Teodoro (ex- Ponte Preta e São Paulo).

Tim recua novamente Carlos Alberto Torres para zaga,  monta um meio campo com Teodoro, Mifflin e Brecha e o time melhora… e vence 5 partidas seguidas, inclusive um clássico contra o Palmeiras (2×0). Tim, que estava desgastado com o elenco, cai, retornando Pepe para o comando técnico do Santos FC.

A essa altura um outro contratado chega à Vila Belmiro: Paulo Nani (ponta, ex- São Paulo).

A mudança de técnico deixa o time um tanto perdido e 4 resultados negativos entram na contabilidade santista.

Mais uma contratação: o atacante Totonho (revelado pelo Villa Nova, de Minas Gerais)

Totonho estreia num amistoso internacional na Vila Belmiro (o último amistoso desse tipo acontecera em 1968, contra o Boca Juniors). o adversário seria o Huracán, clube ao qual o goleiro Cejas se transferira… Totonho marcou um gol e se entendeu muito bem com Cláudio Adão, deixando os jovens torcedores santistas esperançosos.

E foi dando “uma no cravo outra na ferradura” que o Santos fechou o 1º turno num modesto 7º lugar, muito longe do campeão São Paulo (14 pontos de diferença)

Campanha:

02/03 – 1×2 Marília AC (VB)

09/03 – 2×0 AA Portuguesa (VB)

12/03 – 1×2 América FC – (SJRP)

15/03 – 2×3 Saad EC (Pacaembu)

23/03 – 1×3 A Portuguesa D (Pacaembu)

26/03 – 2×1 CA Juventus (VB)

29/03 – 3×1 Comercial FC (Francisco Palma Travassos)

06/04 – 2×0 SE Palmeiras (Pacaembu)

09/04 – 2×0 Paulista FC (VB)

13/04 – 1×0 AA Ponte Preta  (Moisés Lucarelli)

20/04 – 0x0 SC Corinthians P  (Morumbi)

23/04 – 1×2 EC XV de Novembro – Piracicaba  (Piracicaba)

27/04 – 1×1 EC Noroeste (VB)

04/05 – 0x2 São Paulo FC (Morumbi)

11/05 – 4×0 Botafogo FC (VB)

14/05 – 2×3 Guarani FC (VB)

17/05 – 3×0 A Ferroviária E (VB)

24/05 – 1×1 EC São Bento (VB)

O 2º turno começou em seguida, com o SFC ficando no mesmo grupo de: AA  Portuguesa, Palmeiras, Portuguesa de Desportos, Botafogo, Comercial, Noroeste, Marília, São Bento e Paulista.

A 1ª partida foi contra a Ponte, vitória por 1×0 e manteve-se invicto por mais 4 jogos, sendo derrotado na 6ª apresentação frente ao São Paulo (que era disparado a melhor equipe do campeonato). Mais dois resultados negativos (empate contra o Guarani e derrota contra o Corinthians), fez da última apresentação do alvinegro, uma partida decisiva frente a Ferroviária.

Nesta altura o elenco já contava com outro reforço, também vindo de Minas Gerais (Uberaba), o armador Toinzinho. Ao lado de Totonho montou a famosa “dupla caipira”: Totonho & Toinzinho. Escrevendo assim, parece menosprezo, mas não é… é claro, não era uma dupla Pelé/Coutinho, mas não eram dois pernas de pau, como a lenda faz supor… Totonho era brigador, raçudo e fazia seus gols, e Toinzinho tinha um mínimo de intimidade com a bola… mal comparando um Molina dos dias atuais…

O fato, porém, é que os torcedores adversários riam as gargalhadas com o nome da dupla… o que serviu para queimar o nome de Totonho, o menos técnico da dupla.

Ainda assim, o SFC venceu a Ferroviária com gol de Jurandi (sem “r”), ponta esquerda que veio para fazer sombra à Edu, mas não conseguiu tal façanha.

Campanha da 1ª fase do 2º turno:

29/05 – 1×0 AA Ponte Preta (VB)

01/06 – 2×0 CA Juventus (Pacaembu)

08/06 – 0x0 Saad EC (VB)

15/06 – 2×1 América FC (VB)

25/06 – 0x0 EC XV de Novembro – Piracicaba (VB)

29/06 – 0x1 São Paulo FC (Morumbi)

06/07 – 1×1 Guarani FC (Brinco de Ouro)

13/07 – 0x1 SC Corinthinas P  (Pacaembu)

20/07 – 1×0 A Ferroviária E (VB)

Com a classificação para o hexagonal decisivo, a torcida pensava que o espírito do Torneio Laudo Natel poderia cair sobre a equipe novamente, levando a uma decisão com o São Paulo.

Mas não foi dessa maneira… na 1ª partida uma derrota por 2×0 para o Palmeiras… o ataque não funcionou, Zé Carlos foi expulso e a derrota foi um resultado lógico e previsível.

Uma vitória contra o Corinthians reacendeu as esperanças santistas: 2×0. O compromisso seguinte seria contra o perigoso América, bem armado pelo rígido Urubatão. Uma nova vitória colocaria o time novamente na disputa do título, e o  Santos era naturalmente favorito. Afinal, a tabela apontava São Paulo e Portuguesa na liderança com 3 pontos; Santos e Palmeiras com 2 e Corinthians e América com 1.

Esse foi o time que enfrentou o América, naquele domingo pela manhã.
Esse foi o time que enfrentou o América, naquele domingo pela manhã.

Com Joel Mendes no gol (que retornara à Vila Belmiro, depois de 5 anos), Carlos Alberto Torres, Oberdã, Bianchi (da Seleção Olímpica) e Wilson Campos; Teodoro e Mifflin; Mazinho, Totonho, Cláudio Adão e Edu, a torcida estava confiante, afinal era o melhor que o Alvinegro poderia colocar em campo.

E o time começou bem, com o rápido ponteiro Mazinho abrindo a contagem aos 15′.

Depois…

Depois parou… e o América foi subindo de produção e encurralando o alvinegro… Pepe pressentindo o desastre tira Wilson Campos e coloca Ney (zagueiro), tira Edu e coloca Brecha na tentativa de fechar o meio de campo…

Nada dá certo… o vexame estava “escrito na pedra”, era questão de tempo… Paraná empata aos 60’… os santistas se torcem de raiva na arquibancada, olham para o relógio, olham desesperados para o time que se desmancha feito leite em pó ao adicionar água… no último minuto o gol esperado e temido: Luis Poiani vira a partida e o árbitro encerra… sobram vaias, muitas vaias… mais que vaias,  explodem as agressões: o ônibus que conduzia a delegação deixa o Pacaembu sob uma chuva de pedras…

O adversário seguinte seria o São Paulo FC invicto a 40 partidas e todos imaginavam o massacre…  e não é que o Santos venceu? 2×1, com dois gols de Cláudio Adão.

Surpreendentemente, agora o Santos só depende dele para ser campeão… uma vitória por 2 gols de diferença contra a Portuguesa coloca o SFC na final… quem diria?

A Lusa monta sua retranca e o Santos martela, martela, martela… Edu entra no 2º tempo, Cláudio Adão manda uma bola na trave…  o ataque aperta, o tempo passa e aos 80′, novamente ele, Cláudio Adão abre o placar: 1×0.

O time se empolga e vai para o tudo ou nada… Oberdã e Bianchi estão sempre na área tentando uma eventual bola alta… Edu tenta, Cláudio Adão também… Brecha arma as jogadas… mas são apenas 10′ para buscar um milagre. E a torcida do SFC aprende neste dia que milagres nem sempre acontecem…  final,  SFC 1×0 Portuguesa, mas fora das finais pelo saldo de gols.

A direção do clube tenta uma vitória no tapetão, contestando a entrega de pontos para a Lusa relativo a partida suspensa contra o América (estava 1×1 quando encerrada), porém foi em vão.

Campanha no hexagonal final:

27/07 – 0x2 SE Palmeiras – Morumbi – 78.239 (rodada dupla, preliminar de São Paulo x Portuguesa)

31/07 – 2×0 SC Corinthians P – Morumbi – 50.585 (preliminar de Portuguesa x Palmeiras)

03/08 – 1×2 América FC – Pacaembu – 17.100

07/08 – 2×1 São Paulo FC – Morumbi – 23.058 (rodada dupla , na preliminar Corinthians x Palmeiras)

10/08 – 1×0 A Portuguesa D – Morumbi – 46.535 (rodada tripla, nas preliminares: Palmeiras x América  e São Paulo x Corinthians).

A vida segue, e depois de 10 dias o Santos inicia sua jornada no Campeonato Nacional.

Campeonato Nacional que inchava novamente. EM 1975 seriam 42 clubes, divididos em 4 séries (2 com 10 equipes e outras 2 com 11 equipes). Os times da série “A” enfrentavam os da série “B”; enquanto que os da série “C” enfrentavam os da série “D”. Os cinco melhores passavam para a fase seguinte, sendo divididos em dois grupos de 10 equipes. Os 6 melhores de cada grupo passavam a 3 ª fase. Enquanto isso, os desclassificados disputavam a “repescagem”, o campeão de cada grupo da repescagem estava classificado para a 3ª fase. Finalmente, teríamos então 16 equipes que seriam divididas em dois grupo de 8. As partidas seriam dentro do próprio grupo, sendo classificados os dois melhores para as semi-finais em partida única. Os vencedores disputavam a final em partida única também. Uma outra novidade é que as vitórias por 2 gols de diferença passavam a valer 3 pontos.

O Santos ficou no grupo “C”, junto com Portuguesa, Flamengo, Grêmio, Santa Cruz, Figueirense, Goiânia, Sergipe, Campinense (representando a Paraíba), Vitória, América RN  e enfrentou o  São Paulo, Vasco da Gama, Americano (que entrou no lugar do Olaria), Internacional, Sport, Naútico, Bahia, Goiás, CEUB, CSA e Deportiva.

A jornada começou com um empate contra o Goiás, resultado bem recebido em Vila Belmiro, afinal um 0x0 fora de casa não deixava de ser um bom resultado. A partida seguinte seria contra o Americano de Campos, e 2 pontos (no mínimo) eram dados como favas contadas…

Foi esse o time que entrou em campo no interior do Rio de Janeiro, em 28 de agosto.

Oberdã, Joel mendes, Clodoaldo, Bianchi, Zé carlos e Tuca (em pé); Mazinho, Didi, Cláudio Adão, Toinzinho e Edu. Quase 15.000 pessoas abarrotavam o Estádio Godofredo Cruz para ver um Santos ainda mais desfigurado (Mifflin e Carlos Alberto Torres já não mais faziam parte do elenco). E mesmo com um grupo mais experientes que o adversário, a tragédia da derrota do campeonato Paulista (1×2 contra o América) se repetiu… E outra vez tomou um gol aos 90′, selando a derrota. Um vexame, uma vergonha!

Dai para frente,  foi ladeira abaixo, numa campanha indigna às tradições santistas:

20/08 – 0x0 Goiás – Serra Dourada – 25.328

24/08 – 1×2 Americano Fc – Godofredo Cruz  – 14.440

27/08 – 2×1 Desportiva  – Engenheiro Araripe –  9.845

30/08 – 0x2 EC Bahia – Vila Belmiro – 12.836

06/09 – 2×0 CSA – Vila Belmiro – 9.657

14/09 – 0x1 SC Internacional – Beira-Rio – 21 690 colorados previam uma goleada… Flávio marcou de falta logo aos 2′ e o SFC montou uma retranca gigante para perder por 1 gol.

17/09 – 0x3 C Náutico C – Vila Belmiro – 5.374. Um VEXAME sem igual… tomou um baile  em plena Vila Belmiro… Pepe não sabia mais o que fazer… o grupo dos desclassificados estava muito próximo.

20/09 – 1×1 CR Vasco da Gama- Morumbi – 8.308. Como consolo, o SFC recebeu o Troféu Almirante Vasco da Gama

28/09 – 0x2 São Paulo FC –  Morumbi – 15.528. E pensar que um mês antes o Peixe vencia o tricolor…

01/10 –  0x2 Sport C Recife – Ilha do Retiro – 15.785

04/10 – 2×2 CEUB – Presidente Médice – 6.160. Apesar da boa partida, o resultado final é melancólico, ambas as equipes desclassificadas e Pepe caindo.

Foram 15 dias mergulhados no inferno… do time que encantava Reis, Presidentes e  Chefes de Estado, restava ao SFC juntar os cacos e tentar dar a volta por cima. Olavo é chamado para arrumar o time e promover atletas da base como o promissor ponta Babá…

E um paradoxo ocorria, a torcida santista ficava ainda mais apaixonada, sendo capaz de grandes façanhas… a primeira delas foi uma incrível excursão para Aracaju para acompanhar a estreia do alvinegro no grupo dos perdedores. O grupo de 50 santistas viajou por horas, chegando apenas no 2º tempo da partida, fazendo um barulho incrível no semi-deserto Estádio Lourival Batista e comemorou os 2×0 (e os 3 pontos) sobre o Sergipe.

Aquilo parece que mexeu nos brios dos atletas, e o time realiza partidas mais convincentes:

19/10 – 2×0 CS Sergipe – Lourival Batista – 6.723

22/10 – 2×1 Goiânia EC – Vila Belmiro – 4.963

26/10 – 3×1 Vitória Ec –  Fonte Nova – 10.975

29/10 – 0x0 A Portuguesa D –  Vila Belmiro – 22.430 torcedores lotaram a Vila, no maior público no estádio nos últimos 10 anos! O SFC precisava da vitória e o empate deixou a vaga praticamente nas mãos da Lusa… Mesmo assim, a torcida apoiou o time.

01/11 – 5×1 Campinense C – Vila Belmiro – 6.541 . A goleada não foi suficiente, o Santos estava de fora da fase final do Campeonato Nacional.

Com dois meses para fazer pagamentos, a direção parte em busca de amistosos… no mercado apenas os clubes desclassificados da fase final da competição e do interior de São Paulo.

E os amistosos são marcados:

13/11 – 1×0 AA Ponte Preta

15/11 – 1×0 Coritiba FC

19/11 – 2×1 C Atlético Mineiro

No final do mês o Governo do Estado da Bahia promove um octogonal com clubes que não estavam na fase final do Nacional: Bahia e Vitória (Salvador), Atlético Mineiro, Vasco da Gama, Santos, Remo, Figueirense e Coritiba. O Octogonal é batizado com o nome Torneio Roberto Santos, a revista Placar entra no embalo e oferece a Taça Cidade de Salvador. Para os torcedores rivais e imprensa era o “Torneio da Fome”… alguns tripudiavam dizendo que o vencedor receberia uma saco de pães…

E lá vai o SFC para a Bahia… objetivo: O torneio e mais alguns amistosos, e principalmente arrumar uns cruzeiros para conseguir cobrir a folha de pagamento do final do ano.

Na delegação santista, a presença de Pelé como embaixador e promotor das partidas, numa tentativa de atrair mais torcedores ao desanimado Torneio.

25/11 – 1×1 Vasco da Gama  – Fonte Nova

Aproveitando uma brecha na tabela, parte para amistosos pelo Nordeste:

30/11 – 1×0 Fluminense FFC – Feira de Santana

03/12 – 1×1 ACD Potiguar – Mossoró (RN)

05/12 – 3×0 ABC FC – Natal

Volta para o Octogonal (na realidade dois quadrangulares, com semi-finais e final):

07/12 – 1×1 EC Bahia – Neste dia, Pelé volta aos gramados com a camisa branca por 45′. Mostrava que ainda podia ser titular em qualquer equipe brasileira

11/12 – 3×2 Figueirense FC

13/12 – 1×0 C Atlético Mineiro – Com o resultado, o time passava para as semi-finais do Torneio, contra o próprio Atlético Mineiro.

Antes, porém um amistoso… Um constrangedor amistoso em Conceição do Coité, interior da Bahia, contra o Combinado Associação Carvalho Mota e Botafogo EC (da liga local). Mil e cem testemunhas viram o SFC golear por 7×2 e levar o Troféu “Prefeitura de Conceição de Coité”… para quem em 1974 enfrentava o Barcelona de Cruijff…

O Ano ainda não terminara, a Taça Governador Roberto Santos estava em jogo, e havia a semi-final contra o Galo Mineiro:

16/12 – 1×1 C Atlético Mineiro –  Com o empate, a decisão foi para os penaltis, e a vitória do SFC se deu por 4×3.

Assim o Santos, invicto desde 1º de outubro, enfrentava o Vitória na final:

18/12 – 3×0 EC Vitória. Santos campeão

Se o Laudo Natel no início do ano serviu como motivo de alegrias, esse título tinha um sabor um tanto amargo… ser o melhor entre os desclassificados do Nacional não era exatamente um motivo de orgulho.

No entanto,  a invencibilidade santista dava uma tênue esperança ao jovem torcedor praiano. Nunca um ano novo foi tão esperado…

O lento adeus de Pelé.

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Assim como nos anos 50, o ano de 1974 começa sem acabar 1973.

O Campeonato Nacional de 73 ainda estava em andamento quando chegou 1º de janeiro de 1974.

O Santos estava classificado para a fase seguinte do Nacional e era um dos favoritos para a fase final, o quadrangular decisivo da competição. Mas não seria nada fácil, pois seus adversários seriam equipes como o São Paulo , Botafogo, Cruzeiro e Grêmio, além dos perigosos Guarani, Goiás, Vitória, Santa Cruz e Fortaleza.

O início nesta fase foi muito animador, com 3 grandes exibições: 1×1 Santa Cruz, 3×0 Botafogo e 5×1 Fortaleza.

A tabela apontava o Grêmio como adversário no Olímpico… jogo duro, truncado, e empate até o final da partida, quando Carlinhos marcou para o tricolor gaúcho.

A derrota abala  o time, e acaba perdendo novamente, agora  para o São Paulo por 1×2.

Mesmo com as duas derrotas, ainda era possível a classificação, pois as quatro partidas derradeiras seriam em São Paulo, inclusive contra o Cruzeiro (que disputava a vaga)…

Duas vitórias sem convencer, contra o Vitória e Guarani, colocavam o alvinegro novamente no páreo. Agora, viria o Goiás (que nesta altura, não assustava ninguém).

Pacaembu em noite de rodada dupla, com Corinthians e Tiradentes (PI) na preliminar.

O Santos começa muito bem a partida, sem dar chances ao alviverde goiano. Abre 3×0, e desce para o intervalo com a boa vantagem na partida,  3×1. No início do 2º tempo, mais um gol: 4×1. Mesmo com o placar amplamente favorável,o time se arrastava em campo… Pelé, Carlos Alberto Torres, Marinho Peres, Clodoaldo e até Cejas jogavam no sacrifício, todos com algum tipo de lesão… Clodoaldo pede para sair e o time desmonta… o relógio marcava 80’… mas, foi tempo suficiente para o Goiás empatar um jogo perdido. O alvinegro estava desclassificado para as finais.

Campanha no Nacional – 73 (fase semi-final)

13/01 – 1×1 Santa Cruz FC – Arruda – 45.928

20/01 – 3×0 Botafogo FR – Maracanã – 74.478 – Um baile na Maracanã…

23/01 – 5×1 Fortaleza EC – Presidente Vargas – 31.951

26/01 – 0x1 Grêmio FPA – Olímpico – 20.083

29/01 – 1×2 São Paulo FC –  Morumbi – 41.902

31/01 – 1×0 Vitória EC – Pacaembu – 33.361 (rodada dupla – preliminar de São Paulo x Fortaleza)

03/02 – 2×0 Guarani FC- Pacaembu – 21.253

06/02 – 4×4 Goiás EC – Pacaembu – 27.247 (rodada dupla – Corinthians x Tiradentes na preliminar)

10/02 – 0x0 Cruzeiro EC – Pacaembu – 29.059

Com o final do Nacional, o jeito era pensar na derradeira temporada de Pelé. Convites para amistosos choviam em Vila Belmiro, mas o calendário  da CBD já era uma lástima desde aquela época.

Em março são convocados os atletas para a Copa do Mundo de 1974. O SFC colabora com Marinho Peres, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres e Edu. Pelé tinha condições de sobra para disputar mais uma Copa, no entanto manteve sua decisão de não participar… Pelé que jogaria apenas até outubro. Seriam 10 meses de despedidas, uma em cada estádio brasileiro.

A temporada de amistosos até que não foram muitos: um em São Bernardo do Campo no mítico e lotado Estádio de Vila Euclides, onde 5 anos depois ficaria lotado ainda mais, pois uma nova liderança abalava o modorrento sindicalismo brasileiro, Lula.

Imagem: palestrasb.webs.com
Imagem: palestrasb.webs.com

Naquele 9 de janeiro, Pelé recebeu uma chuteira folheada a ouro, e o Santos venceu o Palestra de São Bernardo por 4×0.

Nos anos de 78 a 81 o Vila Euclides foi palco de grandes públicos para o confronto Metalúrgicos x Empresários. Públicos acima de 50.000 eram bem comuns.
Nos anos de 78 a 81 o Vila Euclides foi palco de grandes públicos para o "clássico" Metalúrgicos x Empresários. Públicos acima de 50.000 eram bem comuns.Imagem: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (smabc.org.br)

Voltando ao futebol, depois da desclassificação do Nacional -73, o SFC realiza alguns amistosos pelo Brasil:

22/02 – 2×1 Vila Nova FC (Goiânia)

03/03 – 2×0 Uberaba SC – Pelé recebe o título de cidadão honorário de Uberaba.

06/03 – 1×0 AA Caldense – A arrecadação da partida serviu para o pagamento da contratação do lateral Luis Carlos, que logo recebeu o apelido carinhoso de “Luis Carlos Beleza”. O motivo é a foto abaixo:

Imagem: terceirotempo.ig.com.br (antes e depois)
Imagem: terceirotempo.ig.com.br (antes e depois)

Com os principais atletas brasileiros a serviço da CBD, começava mais um Campeonato Nacional.

Novamente com 40 clubes, mas com alterações no regulamento e substituições de alguns participantes: Avaí (no lugar do Figueirense), Itabaiana (substituindo o Sergipe), CSA (saindo o CRB), Sampaio Correia (ficando com a vaga do Moto Clube, suspenso pela CBD) e Operário (ocupando a vaga do Comercial).

Assim como em 73, os 40 clubes foram divididos em dois grupos de 20. Grupos que foram montados regionalmente, assim o Santos integrou o grupo dos times paulista, mineiros, pernambucanos, amazonenses, cearenses, além do representante alagoano, brasiliense, goiano e matogrossense, ou seja: Santos, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Portuguesa, Guarani, Cruzeiro, Atlético Mineiro, América, Santa Cruz, Naútico, Sport, Ceará, Fortaleza, Rio Negro, Nacional, CEUB, Goiás, Operário e CSA.

A grande novidade era a forma de classificação para a fase semi-final. Dez equipes de cada grupo, mais os dois melhores pontuados independentemente de grupo e ainda mais dois pelas melhores arrecadações (não havendo riscos para que o Flamengo não estivesse na fase seguinte).

Com Pelé cheio de vontade e enfrentando alguns times bem desfalcados, o Santos foi muito bem na fase de classificação:

10/03 – 1×2 A Portuguesa D – Morumbi –  9.308 pagantes + 416 gratuitos (9.724 total)

17/03 – 2×0 América FC – Mineirão – 15.268 pagantes + 2.705 gratuitos (17.973 total)

20/03 – 3×1 CEUB – Nacional Presidente Médici – 18.894

23/03 – 2×2 Guarani Fc –  Brinco de Ouro – 19.338

30/03 – 1×1 C Náutico C – Arruda – 24.122

06/04 – 1×1 Sport C Recife – Arruda – 18.633

13/04 – 1×0 Cruzeiro EC – Pacembu – 26.247 – Com dois times desfalcados, mesmo assim 26.000 pessoas no Pacaembu, afinal Pelé e Dirceu Lopes estavam em campo…

20/04 – 4×0 SE Palmeiras – Pacaembu – 23.139 – Aproveitando um Palmeiras sem 6 titulares, o Santos (mesmo sem 4 titulares) goleou…

28/04 – 1×0 Nacional FC – Vivaldo Lima – 32.060

02/05 – 3×0 A Rio Negro C – Vila Belmiro – 12.790 – Retorno à Vila  depois de 6 meses.

11/05 – 2×3 Goiás EC – Pedro Ludovico – 13.196 – o Goiás vai levando a fama de asa-negra do SFC, versão anos 70.

15/05 – 2×0 Fortaleza EC –  Castelão – 11.110

18/05 – 1×1 SC Corinthians P – Pacaembu – 59.721

22/05 – 1×0 CSA – Vila Belmiro – 6.289

25/05 – 1×1 Ceará SC – Castelão -9.518

02/06 – 1×1 São Paulo FC – Morumbi – 15.982 – Essa partida merece um comentário à  parte, logo abaixo…

05/06 – 0x1 Operário FC – Pedro Petrossian – 17.382

09/06 – 1×2 C Atlético Mineiro – Mineirão – 53.373 pagantes  + 4.570 gratuitos (57.943 total)

12/06 – 1×1 Santa Cruz FC –  Vila Belmiro – 1.253

Com esses resultados o alvinegro seguia na competição. Goiás e Palmeiras se classificaram pelo critério técnico e Fluminense e Nacional se classificaram pelas arrecadações (algumas partidas sob forte suspeita de “engorda”)

Nesta primeira fase, o Santos levou muita gente aos estádios… Tanto que ficou em 2º lugar na arrecadações entre os 40 clubes, atrás apenas do Flamengo. Pelé era sem sombra de dúvida a grande atração. Se o Rei não era mais um menino com a explosão e o vigor da juventude, contava com a experiência e conhecia os atalhos no campo.

Isso ficaria provado na partida contra o São Paulo, no Morumbi, cujo fato que relato abaixo fui testemunha presencial.

Santos e São Paulo faziam um jogo amarrado, onde o ataque santista absolutamente não funcionava.

A partida seguia sem graça, combinando com o vento frio da tarde de inverno no Morumbi.

No 2º tempo o tricolor vai pra cima do Santos e Mirandinha abre a contagem aos 64’… a torcida do SãoPaulo já dava a vitória como certa, ainda mais quando Mirandinha perde mais um gol pouco depois, além disso o ataque santista estava numa draga só, não causando medo nem em criança de 5 anos…

O ataque podia estar bem ruim, mas tinha Pelé… e eles não.

Faltavam menos de 15′ para acabar e mais um ataque santista acaba nas mãos de Waldir Perez.

A defesa do  tricolor vai saindo da área e Pelé recua, andando de costas, olhando para Waldir Perez.

De repente, Pelé sai correndo e gritando… “É minha, é minha”

Samuel, que esta de costas para Waldir, age imeditamente: agarra Pelé e derruba o Rei dentro da área.

PENALTI!!!!!!!!!

Samuel se desespera, os tricolores chiam barbaridade na arquibancada… e os santistas se dobram de rir e gargalhar…

A bola sempre esteve nas mãos de Waldir Perez, e Samuel (coitado), caiu na armadilha do Rei.

Brecha cobrou com categoria e empatou a partida… final 1×1.

Agora, veja as imagens e divirta-se com a cena de pastelão:

Aqui um comentário em homenagem a Brecha, falecido ontem. Brecha veio do Juventus e ajudou a arrumar o meio campo santista em 73/74. Era um bom cobrador de faltas e penaltis, e chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira em 1973. Jogou no Guarani, Juventus, Barretos, Grêmio Maringá e Catanduvense entre outras agremiações. Foi campeão Paulista pelo SFC (1973), além de conquistar o Torneio Laudo Natel e a Taça Cidade de Salvador (1975). Pelo Guarani foi campeão do 1º turno do campeonato Paulista de 1976, no Juventus venceu o Paulistinha 71. A breve biografia publicada no portal terra (http://esportes.terra.com.br/futebol/noticias/0,,OI5329110-EI1832,00.htmlTerra) é muito aquém das qualidades do meio campista, onde o autor afirma que a maior passagem de Brecha em sua carreira não foi a Seleção Brasileira, mas um gol no Corinthians…

Veja foto de Brecha com a camisa da seleção, aqui: http://terceirotempo.ig.com.br/quefimlevou_especial_foto.php?id=2495&sessao=f&galeria_id=2235&foto_id=37916

Retornamos ao Santos FC, para a fase semi-final, onde os 24 clubes classificados formaram 4 grupos de 4, sendo que o campeão de cada grupo classificava-se ao quadrangular final.

Disputado durante a Copa do Mundo na Alemanha, os públicos foram bem baixos, reflexo direto da decepção da torcida com o fraco futebol apresentado nos campos alemães.

No entanto, o Peixe fez a sua parte, contando com a grande revelação Cláudio Adão:

29/06 – 2×1 Coritiba FC – Pacaembu – 3.351

03/07 – 2×0 America FC – Maracnã – 2.302

07/07 – 1×0 Grêmio FPA – Olímpico – 25.044

15/07 – 2×0 C Náutico C – Arruda – 7.944

18/07 – 1×1 Fortaleza EC – Pacaembu – 18.522

Santos no quadrangular final junto com Vasco, Cruzeiro e Internacional.

Pelé queria um último título, e o favoritismo santista era grande… Cláudio Adão era a sensação do momento, e com o retorno de Marinho Peres e Edu, a recuperação de Clodoaldo e Carlos Alberto Torres, poucos duvidavam que a decisão não seria mesmo na última rodada do quadrangular, no Morumbi, entre Santos e Cruzeiro.

21/07 – 1×2 CR Vasco da Gama – Maracanã – 97.696 – Pelé cobrando falta empatou aos 76′, e tudo encaminhava para um ótimo empate, mas Roberto Dinamite desempatou faltando 2’….

24/07 – 2×1 SC Internacional – Morumbi – 19.882 – Uma nova vitória no domingo poderia dar o título ao Santos, desde que o Vasco não ganhasse do Internacional.

A situação era seguinte:

Vasco com 3 pontos (1 vitória); Santos  2 pontos (1 vitória), Cruzeiro 2 pontos e Internacional 1 ponto. Em caso de empate, uma partida extra, com o mando de campo para o clube com maior nº de vitórias na competição (o que favorecia o SFC).

E no dia 28, Santos e Cruzeiro entraram no Morumbi… ou melhor o Cruzeiro entrou em campo, parecia que o Santos não… em meia hora o clube mineiro fazia 3×0 e despachava para longe o sonho santista e o desejo do Rei.

Foi um duro golpe a derrota por 3×1.

E foi assim, abalado, que o Alvinegro começou o Campeonato Paulista na semana seguinte.

Abalado, desanimado, sem dinheiro, e ficando sem Pelé, era angustiante os momentos do Santos naquele 2º semestre de 1974.

Um das imagens mais marcantes dessa fase do alvinegro foi durante uma breve excursão à Espanha, para a disputa do Troféu Ramón Carranza. Os participantes seriam o Santos e Palmeiras (Brasil) e o Barcelona e o Español (Espanha). Com uma tabela elaborada a dedo, Santos enfrentava o Español e Palmeiras, o Barcelona. Na cabeça da cartolagem tudo certo para uma final Santos x Baracelona, ou melhor, uma final Pelé x Cruijff.  Cruijff, o cérebro holandês da Copa do Mundo de 74, o novo gênio do  futebol… o velho Rei e o novo Rei…

Imagem: www.fcbarcelona.com
Imagem: www.fcbarcelona.com

Só que não avisaram os adversários… e sobrou para Santos e Barcelona a decisão do 3º lugar.

E aí, ficou claro como o Santos estava… Cruijff bailou em campo e o Barça aplicou um sonoro 4×1. Mais que o placar, foi a forma…sem apelação, como pugilista grogue enfrentando um campeão… foi muito triste…

31/08 – 0x2 RCD Español –

01/09 – 1×4 CF Barcelona

03/09 – 3×2 R Zaragoza (Espanha) – Pelé marcou dois gols e a torcida espanhola invadiu o gramado para carregar Pelé.

O Paulistão (onde o Peixe seguia aos trancos e barrancos), repetia basicamente a mesma fórmula de 1973 (agora, com 2 partidas finais), porém com 14 times na competição:

03/08 – 2×1 EC Noroeste (VB)

11/08 – 0x1 A Portuguesa D (Pacaembu)

14/08 – 2×1 Botafogo FC (VB

17/08 – 4×0 América FC (VB)

24/08 – 1×3 Saad EC (VB) – Depois da goleada contra o América, Pelé retornava ao time e a torcida lotou a Vila (17.161 torcedores)… no final vaiou pra valer o SFC, Pelé incluso… uma ingratidão…

09/09 – 0x0 SE Palmeiras (Pacaembu)

15/09 – 1×1 São Paulo FC (Pacaembu)

18/09 – 1×0 Comercial FC (Francisco Palma Travassos)

22/09 – 2×2 Guarani FC (Brinco de Ouro)

25/09 – 1×0 EC São Bento (Pacaembu)

29/09 – 0x1 SC Corinthins P  (Pacaembu)

02/10 – 2×0 AA Ponte Preta (VB) – Aqui o futebol perdeu a graça, perdeu a magia. Pelé entrou em campo pela última vez como profissional do SFC. Jogou pouco mais que 20′. Pegou a bola, ajoelhou-se no centro do gramado de Vila Belmiro e agradeceu… aplausos, choro, muito choro na Vila…foram os 70 minutos finais de futebol mais tristes na Vila Belmiro… quem, na realidade se importava com os gols marcados? Na verdade os mais velhos sabiam que uma era do futebol terminava às 21:19 de 2 de outubro de 1974. Nunca mais haveria um Pelé em campo… nunca mais haveria um atleta com a capacidade técnica como Ele… nunca mais teríamos um atacante fazendo mil gols… nunca mais teríamos os gols não feitos mais maravilhosos… nunca mais teríamos diversão garantida aos domingos. O futebol ficava cinzento, frio e morno. A brincadeira acabava naquela 4ª feira.

e na última partida do turno, a 1ª sem Pelé, uma vitória apertada sobre o Juventus (2×1, no Pacaembu)

Nesse momento o time não tinha mais Pelé (é óbvio), Marinho Peres (vendido ao Barcelona), Nenê (vendido ao futebol mexicano… assim como Ferreira, Eusébio e Alcindo). Cejas estava para sair, Clodoaldo vivia com problemas físicos e Carlos Alberto Torres também não duraria muito tempo…

Pelé e Mifflin no Cosmos. No SFC foram poucas partidas juntos
Pelé e Mifflin no Cosmos. No SFC foram apenas duas partidas juntos

A grande esperança era Ramón Mifflin, habilidoso armador peruano, contratado para substituir Pelé…

Pobre Mifflin….

Já imagiram a pressão da torcida sobre o craque?

Pois é…

Mifflin sequer conseguia garantir a condição de titular,  e em 1975 vai para o New York Cosmos.

Sobravam então dois atacantes: Edu e Cláudio Adão para motivar a torcida e mais alguns bons jogadores (Léo Oliveira, Oberdã, Zé Carlos e Brecha).

Não era muito…

Com o Corinthians vencedor do 1º turno, inicia-se o returno:

13/10 – 1×1 Comercial FC (VB)

20/10 – 1×0 AA Ponte Preta (Moisés Lucarelli)

27/10 – 1×1 São Paulo FC (Pacaembu)

30/10 – 2×1 CA Juventus (VB)

03/11 – 1×1 América FC (SJRP)

06/11 – 2×0 Botafogo FC (Santa Cruz)

10/11 – 1×1 EC São Bento (VB)

17/11 – 0x1 SC Corinthians P – (Pacaembu)

24/11 – 0x2 SE Palmeiras (Pacaembu) – Duas derrotas seguidas em clássicos derrubam a possibilidade do bicampeonato

28/11 – 3×1 Saad EC (Parque Antártica) – apenas 932 testemunhas viram o SFC vencer e ouviram o desmentido da direção santista sobre a contratação do jovem atacante Sócrates do Botafogo de Ribeirão Preto…

01/12 – 3×2 EC Noroeste (Bauru)

08/12 – 1×0 A Portuguesa D (Pacaembu) – Apenas 8.000 torcedores no Pacaembu, e os santistas empurrando o time como se estivesse disputando um título… muita vibração no gol de Edu.

15/12 – 1×0 Guarani FC (VB)

Apesar da campanha irregular, o SFC terminou em 3º lugar na classificação geral do Paulista-74.

Mesmo com um gosto amargo, havia um pouco de esperança na alma peixeira para o ano de 1975.