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1993: Nasce o CT e um time valente.

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Em 1993, o SFC entrava numa curva ascendente.

Os tenebrosos anos do  final da década de 80 estavam sendo superados e o time trazia uma ponta de esperança à massa alvinegra.

Fora das quatro linhas, uma marco no patrimônio santista: a aquisição do terreno para a construção do CT.

Fachada recente do CT Rei Pelé. O sonho começou em 1993
Fachada recente do CT Rei Pelé. O sonho começou em 1993

Mais forte fora dos campos, o ano começou com o Campeonato Paulista e com Evaristo de Macedo no comando técnico.

Campeonato Paulista que repetia a formula do ano anterior: Dois grupos de 16 equipes; no grupo forte as 6 melhores se classificavam para a fase semi-final, juntamente com as duas melhores do grupo mais fraco. Os oito times seriam divididos em dois grupos de 4, jogando em turno e returno dentro do mesmo grupo; os campeões de cada grupo disputavam a final. O melhor colocado na fase de classificação ganhava um ponto de bônus para a fase semi-final.

Não seria um Campeonato fácil… o São Paulo era bicampeão Mundial, o Palmeiras havia montado uma seleção como  dinheiro da Parmalat, o Corinthians era forte, a Portuguesa tinha Denner, e o Guarani contava com Luisão e Djalminha.

Talvez fosse possível afirmar que ganhar o Brasileiro era menos difícil que vencer o Paulista, naquele ano de 1993.

Reforços eram mais que necessários, e eles vieram. Maurício no gol, Darci e Cuca (meio campistas) se juntavam a Guga, Índio, Axel, Almir e Marcelo Passos. Era um bom time, onde o conjunto se destacava mais que os valores individuais. E isso era o dedo de Evaristo…

Evaristo que arriscou colocando o Peixe no ataque, surpreendendo os adversários.

O começo de campanha foi entusiamante: nas quatro primeiras partidas, quatro vitórias, inclusive contra Guarani, Corinthians e Portuguesa.

A massa se alegrava e o maior teste seria contra a seleção da Parmalat (Antonio Carlos, Roberto Carlos, César Sampaio, Mazinho, Zinho, Edílson, Evair e Edmundo)… e aí, não deu… 40.000 torcedores viram o Palmeiras bater o SFC por 3×1. Mesmo com a derrota o time não se abateu e continuou com a boa campanha, tendo apenas mais uma derrota, agora para o tricolor (0x1). Desta forma, terminava o 1º turno em 2º lugar, um ponto abaixo do Palmeiras e um ponto acima do São Paulo.

No 2º turno o desempenho não foi tão eficiente… o time perdeu pontos e levou de 5 do Corinthians (começando uma terrível sina, que só terminou em 2001), mesmo assim terminou em 2º lugar na classificação junto com São Paulo e Corinthians, porém nas critérios de desempate ficou na 4ª colocação.

Campanha na fase de classificação:

A Portuguesa D – 4×2 (VB); 2×4 (Canindé)

EC Noroeste – 2×0 (VB); 3×2 (Bauru)

SC Corinthians P – 1×0 (Pacaembu); 2×5 (Morumbi)

Guarani FC – 2×1 ( VB); 2×1 (Brinco de Ouro)

SE Palmeiras – 1×3 (Morumbi); 1×2 (Morumbi)

CA Juventus – 2×1 (Pacaembu); 2×1 (VB)

Marília AC – 4×2 (VB); 1×3 (Marília)

AA Ponte Preta – 0x0 (Moisés Lucarelli); 1×1 (VB)

Ituano FC – 4×1 (Itu); 5×1 (VB)

EC XV de Novembro – 1×1 (Piracicaba); 2×1 (VB)

Mogi Mirim EC  – 2×2 (VB); 0x1 (Mogi Mirim)

São Paulo FC – 0x1 (Morumbi);1×0 (VB)

Rio Branco EC – 2×2 (Americana); 2×1 (VB)

CA Bragantino  – 2×0 (VB); 1×1 (Bragança)

União São João EC – 0x0 (Araras); 3×1 (VB)

Nesta fase algumas notas:

Esse é o Neizinho
Esse é o Neizinho

* Surge Neizinho…  o “talismã” do torcedor santista… Neizinho entrava no time e colocava uma correria louca… fazia seus gols e era querido pela massa;

* Telê mais uma vez deu “show” quando o tricolor veio jogar na Vila, sequer ficando no banco de reservas… e mais uma vez o tricolor perdeu. Mestre Telê sabia das coisas…

* Guga continuava a marcar seus gols contra o Corinthians. Na vitória no 1º turno foi ele que decidiu a partida;

* O desempenho de Almir no Campeonato Paulista, garantiu sua convocação para a Seleção Brasileira que disputou a Copa América no Equador.

* Veja abaixo, os gols da maior goleada aplicada pelo Peixe na competição:  SFC 5×1 Ituano:

Na fase decisiva, o alvinegro ficou no mesmo grupo de São Paulo, Corinthians e Novorizontino.

Começou com uma nova derrota para o Corinthians, porém duas vitórias seguidas por 3×2 (São Paulo e Novorizontino) embolaram o grupo, ficando os 3 grandes empatados na 1ª posição com 4 pontos.

Tudo ficava para o turno final…

No returno o empate com o Corinthians e a vitória tricolor contra o clube interiorano deixa tudo mais ou menos na mesma…

O “fiel da balança” seria o Novorizontino… uma vitória na Vila, de preferência por goleada, seria um grande passo para a final.

O “tigre” de Novo Horizonte havia perdido todas as partidas até então… e ninguém, absolutamente ninguém  acreditava em outro resultado que não fosse a vitória peixeira.

E assim o SFC entrou em campo… convicto da possiblidade de vitória e com a necessidade de golear.

Logo aos 14′ Darci cobra falta e coloca no barbante… nada seria mais promissor, 1×0 antes de 1/3 do tempo inicial. Porém, ao invés de se acalmar, o time continuou aflito… e piorou, quando aos 22′ Sinval empatou de pênalti. Ainda nervoso, o Santos chegou ao desempate com Cuca…e assim desceu aos vestiários.

O nervosismo santista era inexplicável… o time jogava em casa, era melhor que o Novorizontino, tinha Guga fazendo gols e mais gols… mesmo assim não conseguia controlar o aspecto emocional.

No 2º tempo, o adversário percebeu que o jogo estava aberto e começou  a atuar nos contra ataques…  do lado santista, era um festival de gols perdidos… como quem não marca, toma… Flávio empata a partida.

O que era nervosismo, vira desespero… e todos na Vila viam que o resultado estava perdido… aquele time não venceria… e foi assim:

Nervosismo  ao extremo no campo e nas arquibancadas…  Aos 66′, Cilinho cava um pênalti, o juizão manda seguir e ainda por cima  expulsa Cilinho por simulação… no contra ataque, gol do Novorizontino!

Era o prego que faltava no caixão santista… nas gerais e grudados nos alambrados, a massa urrava e xingava  João Paulo Araújo, até a décima geração… aos 38′, o inevitável… misteriosamente, os portões de acesso ao gramado são abertos e a torcida invade o campo e sai caçando o árbitro… a PM entra em ação… João Paulo é agredido e não deixa por menos, parte para cima de quem chegasse por perto… a PM tenta escoltar o árbitro ao vestiário, o time do interior vendo toda confusão corre apavorado para o túnel de acesso aos vestiários. Sem a menor condição de prosseguir, a partida é encerrada e o Santos eliminado do campeonato.

Triste dias para a comunidade alvinegra…

O Santos estava fora das finais, mas ainda havia mais um compromisso: contra o tricolor, no Morumbi.

O São Paulo jogava suas últimas e remotas esperanças e Raí se despedia do time… O Santos abatido, derrotado e envergonhado, levou um baile humilhante, 1×6. Completava-se 9 anos sem títulos…

Campanha:

SC Corinthians P – 1×2 (Morumbi); 0x0 (Morumbi)

São Paulo FC – 3×2 (Pacaembu); 1×6 (Morumbi)

Novorizontino – 3×2 (Novo Horizonte); 2×3 (VB)

Terminado o Paulistão, a cartolagem ressuscitou o Torneio Rio/São Paulo. Seriam 8 clubes em dois grupos de 4 equipes, jogando em turno e returno.

O grupo santista contava com Palmeiras, Flamengo e Fluminense. Como metade do Palmeiras servia a Seleção Brasileira, as chances do alvinegro eram bem razoáveis…

E, novamente, começou bem a competição, vencendo o Fluminense e o Palmeiras. Porém, duas derrotas por 3×0 (Flamengo e Palmeiras), deram uma dose extra de realidade ao time.

Mesmo assim , ao chegar na última rodada, o Santos estava no páreo… o adversário seria o Flamengo na Vila Belmiro. Com um 1º tempo espetacular, o SFC abriu 4×0! No entanto, nos últimos 10 minutos o rubro-negro reagiu e encostou no placar… 4×3, vitória santista.

Mesmo com a bela exibição, a vitória não classificou o time para a final, ficando com o Palmeiras a vaga .

Campanha no Rio/São Paulo:

Fluminense FC –  3×1 (VB); 1×1 (Laranjeiras)

SE Palmeiras – 2×0 (VB); 0x3 (Parque Antártica)

CR Flamengo – 0x3 (Caio Martins, Niterói); 4×3 (VB)

Veja, agora, gols do Santos no torneio Rio/São Paulo, na vitória contra o Fluminense por 3×1:

Evaristo de Macedo já havia caído no comando técnico desde o final do Paulista, e Antonio Lopes era o novo comandante santista.

Na espera do Brasileirão de 1993, o alvinegro parte para mais excursão e mais uma vez o destino é a Ásia, mais precisamente, a China.

Não teve o mesmo glamour que a excursão de 89, mas ainda assim os frutos (dólares) foram bons, além de permanecer invictos nos gramados chineses:

14/08 – Seleção de Guangzhou – 2×1 (Em Guangzhou)

16/08 – Seleçao de Sichuan – 4×0 (Em Chengdou)

18/08 – Primeiro de Agosto – 1×0 (Em Chengdou) – O 1º de Agosto é o time do Exército Chinês, tem esse nome por ser a data da fundação do Exército de Libertação

Chinês.

22/08 – Seleção de Pequim – 2×0 (Em Pequim)

25/08 – Seleção de Shangai – 2×2 (Em Shangai)

28/08 – CHINA (Seleção Olímpica)  – 1×0 (Em Nanking)

Ricardo Rocha foi tetra em 94 (Copa dos EUA). No SFC, ganhou o Troféu Bola de Prata de 1993.
Ricardo Rocha foi tetra em 94 (Copa dos EUA). No SFC, ganhou o Troféu Bola de Prata de 1993.

Para o Campeonato Brasileiro, mais reforços… a maior foi o zagueiro Ricardo Rocha, titular da Seleção Brasileira e participante das  Copas de 90 e 94. Também chegava o bom goleiro Velloso, que estava amargando o banco no Palmeiras.

Enquanto isso, vivia-se no Brasil mais uma troca de moeda… criava-se o “Cruzeiro Real” (CR$), com mais um corte de 3 zeros… tempos de Itamar Franco e do fusca ressuscitado.

Para o Brasileirão 93, novidades promovidas pela imaginação fértil da cartolagem…

Como o Grêmio não havia conseguido subir, deram um “jeitinho” para o tricolor gaucho não ficasse mais um ano de fora, e foi “simples”, montaram um  campeonato com 32 clubes, isto é, na canetada subiram 12 equipes.

A CBF montou 2 séries. Uma com os times do “clube dos 13″ mais Sport, Guarani e Bragantino. E uma outra, com os demias clubes.

Em cada série haviam dois grupos de 8 agremiações. Os grupos da série “forte” classificavam 3 equipes para a fase final, e mais dois times da série fraca.

Em cada grupo, os jogos seriam em turno e returno.

O grupo do Alvinegro era assim constituído: Santos, Palmeiras, Guarani, Vasco, Fluminense, Atlético Mineiro, Sport e Grêmio.

E o desempenho santista foi muito bom, empolgando a massa. Duas vitórias contra o fortíssimo Palmeiras lavaram a alma praiana… mesmo com a boa campanha, Antonio Lopes caiu após a eliminação na Super Copa da Libertadores ( 0x0 e 0x1 contra o Atlético Nacional, de Medellin – Colômbia).

Quem volta é Pepe. E é sob a batuta do velho comandante que o Peixe termina a fase de classificação em 2º lugar em seu grupo e em 3º na classificação geral. Depois de muitos naos, finalmente o time de Vila Belmiro era competitivo.

Comprove vendo a virada santista sobre o Parmalat/Palmeiras na Vila Belmiro:

Mesmo ficando no 2º lugar em seu grupo, na fase seguinte cai num grupo bem complicado: Santos, Corinthians (líder geral), Flamengo e Vitória (vindo da série mais fraca).

Na 1ª partida da nova fase, o adversário seria o Corinthians. 0x0 até os 45′ iniciais. No 2º tempo, uma loucura…

Em apenas quinze minutos, o alvinegro da Capital abre 3×0 e todos temem um vexame sem tamanho… mas, aquele Santos era diferente do Santos do 1º semestre… Ricardo Rocha, Gallo, Darci e Pepe não exigiam menos que o máximo de dedicação dos atletas em campo… Pepe coloca Neizinho em campo e o SFC parte para cima do Corinthians… Escanteio para o alvinegro praiano, Gallo sobe soberano e manda de cabeça para o gol de Ronaldo, 1×3.

Apenas seis minutos depois, Almir avança pela direita e cruza na medida para Guga  marcar mais um, 2×3.

O empate estava próximo e a partida atinge temperaturas típicas da superfície solar… um festival de gols perdidos para os dois lados… porém, com toda a raça, todo o empenho, a sorte não sorriu para o Peixe, ficando o gosto amargo da derrota, mas de cabeça erguida e com a possibilidade de troco no returno.

O compromisso seguinte seria contra o Flamengo e o empate por 1 gol não foi considerado um mau resultado.

Na última rodada, o adversário seria o surpreendente Vitória (que já vencera o Corinthians e o Flamengo). A classificação marcava: Vitória 4 pontos, Corinthinas 2 e Santos e Flamengo 1.Somente a vitória interessava ao SFC… Mas, aquele Vitória contava com Dida, Paulo Isidoro, Vampeta, Alex Alves e Roberto Cavalo.

Num jogo cheio de alternativas e gols, registrou o empate em 3×3.

Começava o returno e o Santos deveria ir até Salvador, era tudo ou nada.

Um apagão do time no início e o Vitória abre 2×0… mas aquele SFC lutava, guerreava…

E chega ao empate ainda no 1º tempo… e ficou assim: 2×2.

As chances eram pequenas, pois o Vitória permanecia invicto… no entanto, o rubro negro baiano faria as duas últimas partidas fora de casa e não poderia fazer mais que um ponto…

O SFC recebe o Flamengo e vence por 2×1, enquanto que o Vitória empata com o Corinthians…

O Vitória com a vaga na mão, porém uma combinação de resultados poderia dar a classificação ao Peixe…

Última rodada, SFC x Corinthians, Flamengo x Vitória.

O Vitória empata na Maracanã, e o Santos perde um jogo inacreditável no Morumbi… abriu 1×0, o goleiro Ronaldo foi expulso, indo o zagueiro Elias para o gol… e nos 5 minutos finais, leva uma virada daquelas de deixar o torcedor desconcertado…

Assim, o valente time peixeiro terminou o Brasileiro em 5º lugar, uma colocação razoável, a melhor desde o vice campeonato de 1983.

Campanha na Fase final:

SC Corinthinas P – 2×3 (Morumbi); 1×2 (Morumbi)

CR Flamengo – 1×1 (Maracanã); 2×1 (Parque Antártica)

EC Vitória – 3×3 (Parque Antártica); 2×2 (Fonte Nova)