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FSP e Globo e a ficha de Dilma

Amigos,

Como já comentei neste espaço, a FSP publicou a ficha de Dilma enquanto esteve prisioneira nos porões da Ditadura Militar. O que foi divulgado pouco acrescenta àquilo do que já era conhecido, porém o que os dois jornalões (FSP e O Globo) tentaram fazer foi noticiar fatos de 1970 como se fosse 2010. Isto é, divulgam um fato histórico (a ficha da militante Dilma) como se a realidade de 1970 fosse a mesma que a atual.

O blog “Amigos do Presidente Lula” publica um artigo esclarecedor sobre a posição dos jornalões.

Veja matéria na íntegra, aqui: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/11/folha-e-globo-mentem-havia-uma-guerra.html

E a FSP publica a ficha de Dilma

Amigos,

O jornal Folha de São Paulo, publicou em sua edição de hoje, a ficha de Dilma quando presa pela repressão militar nos anos 70.

A tal ficha não apresenta grandes novidades… pelo que foi publicado, o que consta dos relatórios militares (obtidos sob intensa e brutal tortura) não liga diretamente Dilma a ações armadas  da VAR Palmares. Dilma é apresentada como a pessoa que sabia onde ficava guardado o arsenal do grupo de resistência armada à ditadura Militar.

O “blog da cidadania”, de Eduardo Guimarães, reproduz a matéria na íntegra e tece algumas considerações muito pertinentes.

E no Paulo Henrique Amorim, na sua “conversa afiada”, o texto é ótimo, no tradicional estilo ácido de PHA.

Leia mais em: http://www.blogcidadania.com.br/2010/11/a-vinganca-postuma-de-otavio-frias-de-oliveira/

e também: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/11/20/dilma-folha-vai-escrever-a-biografia-de-mandela/

Alerta: O que ainda pode vir pela frente.

Amigos,

Os diversos blogs alertam: a Folha deve preparar matéria de capa para amanhã (6ª feira) sobre as tais fichas de Dilma.

Indico a leitura de duas matérias sobre o assunto: a de Brizola Neto, no seu tijolaço, e a do Rovai, em seu blog.

Links:

http://www2.tijolaco.com/29503

http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/10/26/folha-de-amanha-vem-com-historias-da-ditadura-contra-dilma/

Aguardemos o desenrolar dos fatos….

Mas, o alerta esta dado.

O incrível papel da Folha de São Paulo

Amigos,

Na edição de ontem (domingo) o jornal Folha de São Paulo publica uma entrevista com um agente da repressão política dos anos 60/70. O objetivo da matéria é esboçar o perfil psicológico de Dilma Roussef, candidata a Presidente da República pelo PT.

O que se pode esperar desse jornal?

Depois de publicar uma ficha policial falsa de Dilma (e ter que desmentir posteriormente, porém bem escondido em seus cadernos internos), a manchete (que virou alvo de piada) do domingo retrasado, agora a Folha publica essa preciosidade.

O que se passa na redação do jornal?

Lembrar sempre que entre 1964 e 1985 o Brasil viveu uma Ditadura Militar, com cassações de mandatos parlamentares e sindicais, fechamento do Congresso Nacional, supressão de eleições livres e diretas, censura nos meios de comunicação, prisões arbitrárias, torturas e mortes nos porões da repressão. E é um representante do pior momento da história do Brasil que a Folha resolve entrevistar…

Porém, nada mais natural, afinal essa mesma Folha afirmou algum tempo atrás que no Brasil não viveu uma Ditadura, mas uma “ditabranda’…

Triste caminho escolhido pela Folha de São Paulo…

11 de Setembro – uma data que nunca deve ser esquecida

Allende no dia do golpe. fonte: http://amte.wordpress.com

Amigos,

11 de setembro de 1973.

Uma data que o Mundo não pode esquecer. Uma data que a América Latina chora até hoje.

11 de setembro de 1973.

Data do sangrento golpe militar no Chile.

Salvador Allende resiste até sua morte, de fuzil em punho, na defesa do sonho da democracia socialista chilena. Sua morte ainda é controversa, a versão mais aceita é que Allende teria cometido suicídio com sua AK-47, outros afirmam que teria sido assassinado pelos golpistas.

Allende era fundador do Partido Socialista e fora eleito em 1970, através da Unidade Popular (Frente de Esquerda, com a participação do Partido Socialista, Partido Comunista, Partido Radical, Partido Social Democrata e o Movimento de Ação Popular Unitária). Foi deposto por seu chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet, de triste lembrança.

A participação dos EUA e de outros países (inclusive da Ditadura Militar brasileira) foi decisiva para o golpe e em esmagar qualquer tentativa de resistência. O saldo da tragédia foram uns 60.000 mortos e desaparecidos, além de 200.000 pessoas que abandonaram o Chile ao longo da tenebrosa ditadura militar.

Veja também no blog: “Quando o alvinegro humilhou Pinochet”; “Missing – Costa Gravas”

As eleições em São Paulo

Amigos,

Sou Professor da Rede Pública desde 1981.

Quando ingressei no magistério em caráter temporário – ACT – (ainda como estudante), o Governador era Paulo Maluf (PDS).

O Brasil vivia a fase final da Ditadura Militar; a Guerra Fria dava o tom da política nacional e internacional; A direita explodia bombas pelas bancas do País; surgia a MTV; o SBT passava a funcionar; Arnaldo Jabor ainda era cineasta; Ayrton Senna ainda estava na fórmula Ford; surgia o Mettalica, o Ultrage a Rigor e a Blitz; minha TV era em Preto e Branco; eu ainda usava bata indiana, barba, bolsa e sandália de couro; e para telefonar, colocava fichas no orelhão.

Em 15 de novembro de 1982, houve a primeira eleição direta para Governadores desde 1965. Franco Montoro (PMDB, mais tarde PSDB) venceu as eleições.

Em 1983 assumi minhas primeiras aulas livres, uma 5ª série do período noturno, em Diadema.

Em 1984, casei. Tinha uma jornada de 26 aulas e minha esposa, 22 aulas. Fizemos nossa primeira greve.

Em 1986 novas eleições, Quércia (PMDB) eleito.

Aos poucos a jornada de trabalho foi aumentando..

Assumo meu cargo no Estado em 1987 na cidade de Praia Grande. Meus filhos podiam ser atendidos no Hospital Ana Costa (Santos), por conta do convênio com o IAMSPE.

Em 1990, Fleury (PMDB) eleito.

O material didático ainda era básicamente o mesmo de 1983: giz e lousa.

O IAMSPE cancela o convênio Médico com o Hospital Ana Costa.

Tive que ser operado no Hospital do Servidor Público, porém a cirurgia sofreu adiamentos por falta de roupa cirúrgica para os médicos…

Chega 1993, uma das maiores greves da história do movimento sindical do magistério… a violência sobre os professores chega a ser tratada em pleno horário nobre global… sentíamos que as mudanças poderiam chegar e que estava ao nosso alcance… mas, não chegou.

Covas (PSDB) eleito em 1994… no magistério, expectativa por parte de uns e indiferença por parte de outros… eu acreditava que algumas mudanças poderiam ocorrer. Ocorreram… para pior.

Agora, além da jornada maior, passei a lecionar em escolas particulares e no final de ano, aulas particulares.

Em 1995, Rosa Neubauer impõe a reorganização da rede escolar. Fui removido ex-ofício… a ausência de diálogo já era uma marca daquele Governo, as portas foram abertas para a municipalização… diversos colegas perdem emprego… época do PDV… era o Governo do Estado procurando eliminar os professores mais experientes e reduzir sua folha de pagamento.

Covas (PSDB) é reeleito em 1998, muito mais em função do receio de eleger Paulo Maluf (PPB) do que dos méritos de seu Governo.

Ampliei ainda mais minha jornada de trabalho, e minha esposa também… Minha jornada chegou a 55 horas semanais, e a dela passa a ser de 32 aulas…

Pela primeira vez, ouvi casos de Síndrome de Burnout na rede estadual… passava a ser comum encontrar colegas em licença médica psiquiátrica.

Chega a vez de Alckmim (PSDB), em 2002.

Casos de violência sobre professores no local de trabalho passam a ser noticiados com frequência pela imprensa… cristaliza-se a política de prêmios e gratificações, excluindo os aposentados… a carreira continua a ser demolida pela administração pública.

Serra (PSDB) é eleito em 2006. Surgem as apostilas…. o material de apoio, em diversas escolas ainda na base do giz e lousa.

Prosseguem os casos de violência nas escolas… o plano de carreira, conquistado em 1984, esta destruído… o desânimo e o conformismo se alastram na sala dos professores.

Nesses meus 29 anos de Estado vi o Mundo mudar… acabou a polarização URSS x EUA; acabou a Ditadura Militar, um Operário é  Presidente da República; a direita não explode mais bombas (publica-as), TV agora é em HD; Ayrton Senna já morreu, Arnaldo Jabor faz pontas no Jornal da Globo; Não uso mais bata indiana, barba, bolsa ou sandália de couro… uso telefone celular e até escrevo num blog;

Mas, duas coisa ainda não mudaram: Continuo sem atendimento médico hospitalar e o Estado de São Paulo continua sendo “Governado” pela dobrada PMDB-PSDB.

Até quando, meu Deus?

Independência!

Amigos,

Nesse dia chuvoso de 7 de setembro me faz lembrar antigos feriados.

Tempos de escola… tempos de desfiles cívicos pelo bairro.

Colocar o uniforme de Educação Física e sair “marchando” pelas ruas.

Lembro em especial, do 7 de Setembro de 1972. Ano do sesquicentenário da Independência… data que a Ditadura Militar tomou como dela, e não do povo.

Pois bem, naquele dia acordei cedo e fui para a Escola para fazer parte do grupo de alunos que participariam do desfile cívico. Já fui contrariado, afinal acordar cedo em feriado de sol para ir para a escola não era dos melhores programas, além do mais não iria participar do batalhão que desfilaria de bicicleta, e sim iria a pé.

Mas ao encontrar os colegas, a contrariedade acabava indo embora, afinal no meio de um bando de pré-adolescentes e adolescentes não dava para ficar desanimado… a quantidade de brincadeiras e piadas, impediam qualquer cara amarrada.

Montamos o “pelotão” e saímos… tentando – sem muito sucesso – seguir o compasso das bandas marciais e fanfarras que davam o ritmo do desfile. Depois de uma boa caminhada de uns 40 minutos a uma hora pelo bairro, paramos em frente a Associação de Moradores. Pensei que ali aconteceria algo mais especial… Alguém falou sobre a importância da data e em seguida cantamos o Hino Nacional.

Fim.

Não acreditava… tinha acordado cedo, subido e descido ladeiras por quase uma hora para não ouvir alguém falando e cantar o Hino Nacional!

Ao ir embora, saí reclamando em voz alta (para o espanto de uma senhora por perto) com um colega: ” Que droga!!! vir até aqui para cantar  Hino… que droga!!!!”

O Dia da Independência não podia ser apenas isso.

Uma história do Santos FC: Quando o alvinegro humilhou Pinochet.

Amigos,

Vou aproveitar o espaço do blog para contar algumas passagens da história do alvinegro de Vila Belmiro, o Santos FC. São histórias baseadas num dos maiores arquivos de jogos do Santos FC… modestamente, o meu… um arquivo continuamente atualizado a mais de 30 anos.

Começaremos pelo “dia que o Santos derrubou Pinochet”.

Que o Santos já foi capaz de interromper guerras civis, de provocar faltas coletivas ao trabalho, ou “fechar o comércio”, todos os santistas conhecem. Mas, uma história pouco comentada é aquela que o Santos FC provocou a humilhação do sanguinário Ditador Chileno, o General Augusto Pinochet.

O caso inicia-se em 1973, mais precisamente em 11 de setembro de 1973, quando Pinochet lidera o bombardeio ao Palácio Presidencial Chileno, provocando a morte do Presidente eleito livremente pelo povo chileno, o socialista Salvador Allende. Com o golpe, os militares executam um plano de prisões e mortes em massa dos aliados do Governo legalmente constituído, chegando ao cúmulo de manter mais de 5.000 pessoas presas (algumas fontes indicam até 10.000 pessoas) no lendário Estádio Nacional de Santiago.

Nesse estádio, em 1962, a Seleção Brasileira tornava-se bi-campeã mundial (com Gilmar, Mauro e Zito em campo, mais Mengálvio, Coutinho, Pepe e Pelé –  contundido – no banco),  e onde o Santos já havia sido campeão dos hexagonais de 65 e 70, além do octogonal de 1968.

Na mesma época estavam sendo jogadas as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1974,  e pelo capricho dos deuses do futebol, a tabela marcava: Chile x U.R.S.S.

Local: Estádio Nacional de Santiago.


Mesmo após empatar por 0x0 em Moscou, a forte Seleção Soviética poderia vencer o bom time chileno de Figueroa e Cazsely, em Santiago.
Porém, os dirigentes soviéticos recusavam-se a jogar num estádio transformado em campo de concentração, onde os militares chilenos prenderam, torturaram e mataram (no centro do gramado,  4 em 4 presos de cada vez) intelectuais, artistas, sindicalistas, socialistas e comunistas, entre eles o compositor Victor Jara (que além de compositor, era músico, teatrólogo, jornalista e comunista).

Victor Jara teve as mãos amputadas durante as torturas sofridas e foi morto a tiros, no interior do Estádio Nacional.

Os soviéticos afirmavam que jogariam em qualquer lugar no Chile, menos no Estádio Nacional de Santiago.

O Presidente da FIFA, o inglês Sir Stanley Rous, nem quis ouvir os argumentos soviéticos e manteve o jogo no Estádio Nacional.

A União Soviética prometeu e cumpriu: não viajou até Santiago. Sendo assim, o Chile iria classificar-se para a Copa da Alemanha sem jogar, como de fato, aconteceu.

Mas, os dirigentes da Federação Chilena de Futebol, em sintonia com os militares golpistas, queriam uma festa para celebrar a vitória do Chile frente aos “comunistas soviéticos”. E para não ficar sem futebol, convidaram o Santos FC para enfrentar o Selecionado Chileno, com a TV local transmitindo para a Europa e América.

Por um bom punhado de dólares (30.000 dólares americanos), os dirigentes santistas aceitaram o amistoso, e a delegação do alvinegro praiano seguiu viagem para Santiago.

Lá chegando, o Santos entrou no então sinistro estádio Nacional de Santiago.

Apenas 25.000 presentes (os tempos não eram favoráveis a grandes aglomerações, e o comparecimento ao estádio Nacional poderia trazer recordações nada agradáveis à boa parte do povo chileno). Os santistas, alheios aos problemas políticos, defendiam a imaculada camisa branca contra “la roja” (como a seleção chilena é conhecida).

Para o desgosto do ditador Pinochet, o jogo terminou com uma grande goleada santista – 5×0, estragando a festa preparada pelos cartolas e militares Chilenos e sendo uma saborosa vingança daqueles que abominam a violência e a brutalidade (lembrando episódio semelhante acontecido em Berlim, nas Olimpíadas de 1936, onde o atleta negro Jesse Owens ganhou medalha de ouro nas provas de atletismo, com Hitler no estádio).
Interessante saber que a imprensa brasileira pouco divulgava os motivos soviéticos, insistia que seria por meros caprichos políticos, por não concordar com o governo chileno. Era uma época de censura nos meios de comunicação, além do fato de que o regime de Pinochet era simpático aos militares brasileiros…

Os dirigentes da Federação Chilena pretendiam homenagear o Rei do Futebol… e Pelé não jogou pelo Santos FC nesse dia, alegou uma contusão. Ou será que se recusara a participar de tal evento?

Bom, se não pôde ou se não quis, apenas o Rei do Futebol poderá esclarecer.

O que fica para nós, santistas, é que além golear uma das principais seleções da América do Sul, o Santos FC humilhou e estragou a festa preparada ao Ditador, para a alegria daqueles que gostam de futebol, da liberdade e da vida.

Segue a ficha técnica da partida:

21/11/1973 Santos FC  5×0 CHILE
Local: Estádio Nacional – Santiago (CHIL)
Competição: Amistoso
Público: 25.000
Árbitro: Rafael Hormozabal
Gols: Nenê 21′ e 38′, Edu 26′ e Eusébio 29′ e 65′
SFC: Cejas; Hermes, Marinho Perez, Vicente e Roberto; Carlos Alberto Torres e Leo Oliveira (Nelsi); Mazinho, Eusébio, Nenê (Cláudio Adão) e Edu.
Técnico: Pepe
CHILE: Olivares; Machuca, Figueroa, Quintano e Arias; Rodriguez e Valdez (Yavar); Reinoso, Cazsely, Ahumada e Crisosto (Velez).

E para encerrar, um pequeno trecho (já traduzido à Língua Portuguesa) do último poema escrito  por Victor Jara, feito no interior do Estádio Nacional, pouco antes de ser assassinado:


“Somos cinco mil
nesta pequena parte da cidade.
Somos cinco mil.
Quantos seremos no total,
nas cidades e em todo o país?
Somente aqui, dez mil mãos que semeiam
e fazem andar as fábricas.


Quanta humanidade
com fome, frio, pânico, dor,
pressão moral, terror e loucura!


Seis de nós se perderam
no espaço das estrelas.
Um morto, um espancado como jamais imaginei
que se pudesse espancar um ser humano.
Os outros quatro quiseram livrar-se de todos os temores
um saltando no vazio,
outro batendo a cabeça contra o muro,
mas todos com o olhar fixo da morte.


Que espanto causa o rosto do fascismo!”