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Do nada ao topo

Santistas de todo mundo, uni-vos!

Retomando a história do alvinegro mais famoso do mundo, chegamos ao ano de 2002.

Ano que o SFC viveu os extemos: foi do fundo do poço às alturas do sucesso.

Tudo começou com uma reviravolta no calendário do futebol, com a CBF ampliando o Torneio Rio/São Paulo  e praticamente extinguindo os torneios estaduais.  Pelo calendário de Ricardo Teixeira, o futebol seria assim:

Torneios Regionais (Rio/São Paulo; Sul/Minas; Nordeste; Norte e Centro-Oeste) e Copa do Brasil: No 1º semestre

Super-Estaduais: Os 3 melhores paulistas no Rio/São Paulo  e o Campeão do Paulistinha (disputado por 12 equipes que não disputavam o Rio/São Paulo): maio/junho

Torneio dos Campeões – Com os 6 melhores do Rio/São Paulo; 4 da Sul/MInas; 3 do Nordeste; Campeões do Norte e Centro-Oeste, além do Campeão do Torneio do ano anterior: disputado no mês de julho

Campeonato Brasileiro: No 2º semestre

Pois bem…

Em janeiro, ao iniciar o Torneio Rio/São Paulo, o time já sentia os olhares de desconfiança da tocida. O Técnico era Celso Roth (que não era unanimidade na massa santista) e com reforços de atletas experientes como Odvan, Oseas e Esquedinha que não inspiravam muita confiança ao torcedor alvinegro.

A aventura de Marcelinho Carioca havia terminado para alívio de grande parte dos santistas.

Na primeira partida um sofrimento… contra um America improvisado, o alvinegro só marcou seus gols após os 85′. O destaque foi a estreia de Diego. Em seguida levou um baile da Ponte (1×3)… e quando todos temiam uma nova derrota,  a vitória contra o Corinthinas (1×0, na Vila), aliviou os ares na Praça Princesa Isabel…

E assim foi durante todo o Rio/São Paulo: uma campanha irregular… mas, aos trancos, o time ia se estabilizando. Faltando 3 rodadas para o término da fase de classificação, o time deu uma arrancada: venceu o Guarani, na primeira apresentação de Robinho (que entrou no final da partida), empatou com o Vasco e venceu o clásssico contra o São Paulo. O time precisava vencer o último compromissso (Bangu, no Rio de Janeiro), mas a afobação e o nervosismo decretaram o empate por 1 gol e a desclassificação da fase final do Rio/São Paulo.

Um trágico presente de aniversário ao  clube!

O empate não significava apenas a desclassificação, era o afastamento do time das competições oficiais. Além de ficar fora da Fase final do Rio/ São Paulo, o time ficou de fora do Torneio dos Campeões e do Super Paulistão.

Nem ao menos a Copa do Brasil foi salva, pois fora eliminado pelo Internacional de Porto Alegre.

Veja os resultados das competições do 1º semestre:

Torneio Rio/ São Paulo:

America FC  3×0  – Vila Belmiro

AA Ponte Preta 1×3 – Moisés Lucarelli

SC Corinthians P  1×0  – Vila Belmiro

A Portuguesa D  1×1- Canindé

SE Palmeiras 1×2 – Parque Antártica

AD São Caetano  2×1  – Vila Belmiro

CR Flamengo  2×0 – Vila Belmiro

Americano FC  2×3  – Godofredo Cruz (Campos)

Botafogo FR  3×3 – Vila Belmiro

Fluminense FC  1×1 – Maracanã

Etti Jundiaí F Ltda (Ex-Paulista FC) 1×2 – Vila Belmiro

Guarani FC 2×0  – Vila Belmiro

CR Vasco da Gama  1×1 – São Januário

São Paulo FC  3×2  – Vila Belmiro

Bangu AC 1×1 – Moça Bonita

Aqui, os gols da estreia na competição:

http://www.youtube.com/watch?v=UgfrpgjVUyk&feature=related

Na Copa do Brasil:

Ji-Paraná FC  0x0, em Rolim de Moura (RO); 4×2 na Vila Belmiro

SC Internacional  3×3, na  Vila Belmiro; 0x1 no Beira Rio

A desclassificação no Rio/São Paulo ocorreu em 14 de abril,  e a primeira rodada do Brasileiro seria em 10 de agosto!

Quatro meses sem competições, longe do noticiário, tendo uma folha de pagamento enorme para saldar…

A crise chegava com força na Vila Belmiro!

O time campeão do Mundo nos anos 60, agora não tinha uma competição sequer para entrar  em campo… era o “fundo do poço”, popularmente falando… o famoso “pior que esta, não da para ficar”.

Numa situação dessas o caminho é “fazer das tripas, coração”.

Assim, Celso Roth é demitido, bem como os veteranos… para aliviar a folha de pagaemnto, Robert (a única estrela) é emprestado para o São Caetano (que disputava as finais da Libertadores da América).

Contando apenas com jovens promessas e jogadores do time da base, é contratado para dirigir o SFC, Emerson Leão, que conformado, aceitou o desafio de montar um time, que na época, era sério candidato ao rebaixamento…

E Leão foi vendo o que tinha m mãos… Renato, Elano, Paulo Almeida, André Luis, Leo do time de 2001… Diego, Robinho, Willian vindos da base… Diego tinha 16 anos, Robinho 17, Willian 18…

Leão pegou a meninada e colocou para treinar, afinal tinha tempo de sobra…

Providenciou uns amistosos longe da “cornetagem” da Vila Belmiro, pois naquele momento era preciso paciência, persistência e tranquilidade.

Reforços, apenas dois mais significativos: Maurinho e Alberto… nada que provocasse explosões de alegria na massa santista…

Deste modo, no final de julho, o alvinegro parte para um amistoso em Nova Iorque (EUA), contra o Rangers (Escócia). No aeroporto parecia uma excursão de estudantes, muitos estavam usando pela primeira vez um passaporte… e no saguão de embarque as pessoas olhavam curiosos  aquele monte de jovens… quando tomavam conhecimento que se tratava de delegação do SFC partindo em viajem, perguntavam: “Mas, é o time principal?”

Um saguão não muito mais movimentado que o da foto, recebeu o Santos FC naquele final de julho de 2002.

Nos “States”, uma boa vitória:

20/07 – 1×0 Rangers FC (Escócia) – New York (EUA)

Leão sentiu que o otimne estava ficando bom e solicitou um último amistoso antes do Brasileiro… o adversário deveria ser um time forte para testar os garotos… e chamaram o Corinthinas quen havia acabado de vencer o Rio/São Paulo e a Copa do Brasil.

A vitória do alvinegro da Capital era dadda como certa… porém do outro lado  surgiam dois fantasmas para os corintianos: Robinho e Diego!

E os dois moleques comandaram o Peixe em campo e derrotaram o rival por 3×1!

O resultado animou a torcida… na verdade, mais que o resultado foi a forma… dribles, toques de bola… um baile!

Diego a promessa de um novo "Menino da Vila"

Ao começar o Brasileiro, o temor do rebaixamento já não assustava tanto… e foi mandado para longe após a estreia vitoriosa contra o Botofogo (2×1, Na Vila).

Mesmo assim, o time permanecia irregular, principalmente atuando longe da boa vontade da torcida…acumulando  empates e derrotas. Porém,. na Vila a coisa mudava… o futebol rápido, alegre e cheio de gols fazia o torcedor passar a mão na cabeça dos atletas nos casos de pequenas falhas… lembro de uma ocasião, contra o Atlético Paranaense, quando Diego perdeu um pênalti… em outros tempos seria vaiado, execrado… naquela tarde, não… a torcida compreendeu que era um menino de 17 anos que perdera a cobrança e aplaudiu o jovem craque como forma de incentivo… duvido que isto não tenho feito bem ao camisa 10!

http://www.youtube.com/watch?v=QBvBDVf4r34

Até chegou o confronto contra o Corinthians (o 3º do ano), no Pacaembu. Teste definitivo para os praianos.

Um hora de show!

Com direito a gol de bicicleta de Alberto… final 4×2!

http://www.youtube.com/watch?v=AnuP6IOP7z0

Na sequência mais dois vitórias espetaculares: Atlético (3×2) e Cruzeiro, 4×1 em pleno Mineirão.

O Grande teste seria no Morumbi… adversário: São Paulo.

A partida foi ótima… muita técnica, muita disposição, “sangue nos olhos” nos dois times… O tricolor abriu 2×0 e achou que o jogo estava ganho, que os meninos se indimidariam no Morumbi lotado (54.000 pessoas), mas não… não aqueles garotos… e os meninos foram para cima… Leão tira Maurinho e coloca Robert, tira Elano e coloca Willian… o time atua no 3-4-3 e aperta o tricolor… Robert diminui aos 71’… depois um pênalti sofrido por Leo. Diego bate na bola e Rogério Ceni (quase na linha da pequena área defebnde). Cleber Abade manda retornar a cobrança e RC vai a loucura chegando a empurrar o árbitro… Cobrança refeita e Diego manda para o canto esquerdo de RC, sem chances… Virada santista, alegria, explosão… Diego vai para a massa, sobe no escudo do SPFC na pista de atletismo e vibra com o empate, sem camisa e pulando sem parar… nova confusão, queriam bater no menino por ter feito o gol de empate e comemorado no escudo…

No finalzinho, Leo faz um pênalti, que Ricardinho cobra e desempata, final 2×3. Derrota…  sentida derrota…

Os meninos sentem o baque… derrota para a Portuguesa na Vila, derrota para o Payssandu na batalha do Mangueirão, onde sobrou pancadaria da PM paraense sobre o atletas santistas.

Segue na busca da classificação para a fase final, mas a derrota surpreendente para a Ponte Preta na penúltima rodada deixa a massa santista roendo as unhas. Tudo será definida na última rodada, contra o perigoso São Caetano, no ABC Paulista.

Num Anacleto Campanella lotado, o Sâo Caetano não tomou conhecimento ds garotos e venceu por 3×1… time desclassificado…

Não!

Como num roteiro de Hollywood, o imprevisível acontece… em Brasília, o Gama (rebaixado) goleia o Coritiba, danda a última vaga ao alvinegro praiano.

Havia algo de diferente no ar… os céus não conspiravam mais contra o Santos FC.

Agora era a fase de mata -mata.

O regulamento do Brasileiro daquele ano mudava novamente: Eram 26 times (em turno único) disputando 8 vagas para a fase final.

Os 4 piores seriam rebaixados para a série B.

Na fase final: São Paulo, São Caetano, Corinthians, Juventude, Grêmio, Atlético Mineiro, Fluminense e Santos FC.

Os rebaixados: Portuguesa, Palmeiras, Gama e Botafogo.

A Tabela indicava: Santos x São Paulo; Fluminnese x São Caetano; Atlético Mineiro x Corinthinas e Grêmio x Juventude.

Vamos relembrar a campanha na fase de classificação:

Botafogo FR – 2×1 (VB)

Juventude EC – 1×2 (Alfredo Jaconi)

Figueirense FC – 3×0 (VB)

Fluminnese FC – 1×1 (Maracanã)

Paraná C – 2×1 (VB)

SC Internacional  – 0x3 (Beira Rio)

EC Vitória – 3×0 (VB)

C Atlético Paranaense -2×2 (VB)

Coritiba FC – 2×4 (Couto Pereira)

Grêmio FPA – 2×0 (VB)

CR Vasco da Gama – 2×1 (São Januário)

Goiás EC – 1×1 (VB)

SE Gama – 0x0 (Bezerrão)

SE Palmeiras – 1×1 (VB)

SC Corinthians P – 4×2 (Pacaembu)

C Atlético Mineiro – 3×2 (VB)

Cruzeiro EC – 4×1 (Mineirão)

São Paulo FC  – 2×3 (Morumbi)

A Portuguesa D – 1×2 (VB)

Payssandu SC – 1×2 (Mangueirão)

CR Flamengo  – 3×0 (VB)

EC Bahia  – 1×1 (Fonte Nova)

Guarani F – 2×0 (Jaime Cintra – Jundiaí)

AA Ponte Preta  – 1×3 (VB)

AD São Caetano – 2×3 (São Caetano)

Ao chegar na Vila Belmiro para enfrentar o Peixe, o tricolor deve ter sentido o ambiente… os ingressos esgotados, a torcida fazendo festa, não parecia que o o tricolor era o favorito… nas ruas de Santos, nos arredores da Vila, uma alegre confusão… eu, particularmente cheguei na Vila bem cedo… Minha filha, Fernanda prestava vestibular naquela tarde, e após deixá-la na porta da Universidade para o exame, e partimos para a Vila logo em seguida… junto com meu ex-genro (André) entramos na Vila logo depois dos portões abrirem, e fomos percebendo a Vila lotar e pulsar ao ritmo da alegria que aquele time inspirava.

Primeiro tempo equilibrado, mas no 2º… um baile… dribles, elásticos, pedaladas e gols… 3×1!

http://www.youtube.com/watch?v=5-Q8zEIxpPY

No Morumbi, Ricardinho e RC afirmavam aos 4 ventos que venceriam por 3×0 e classificariam o tricolor…não foi o que aconteceu… na garra e na categoria, uma virada imponente do alvinegro: 2×1! Com RC ajoelhado, reverenciado a categoria de Diego. Imagem perfeita da partida.

http://www.youtube.com/watch?v=ugWq6WxTEQA&feature=related

Eliminado o tricolor do Morumbi, vinha para a Vila o tricolor gaucho… O técnico Tite comandava na ocasião o “imortal”, no mesmo estilo de sempre: raça, marcação (alguma violência) e 1×0.

Na Vila foi  uma exibição primorosa… dribles, dribles, e mais dribles… os defensores gremistas ficaram com sérios problemas de coluna que só seriam sanados graças as férias de final de ano. Melhor que descrever, é ver:

http://www.youtube.com/watch?v=zaPsGulIzFk&feature=related

No Olímpico, os meninos jogaram como veteranos… segurando, catimbando, deixando o Grêmio nervoso… tomou um gol, mas não seria mais que isso… Peixe na final.

Os deuses do futebol são caprichosos… quis o destino que Santos e Corinthians se enfrentassem na final do Campeonato Brasileiro de 2002.

Numa grande jogada, Marcelo Teixeira tira a final da Vila Belmiro e leva para o Morumbi, com a condição de ingressos na base do meio a meio… 50% para os santistas e 50% para o adversário… E o Morumbi lotou… o santistas fizeram a sua parte… e ganharam no grito, no entusiamo a batalha das arquibancadas.

Na primeira partida, o Santos poderia ter vencido com uma folga maior que os 2×0 no placar indicaram ao final do confronto. Diego foi o grande maestro neste dia… com uma apresentação brilhante, comandou o espetáculo… Renato, Alberto, Elano e Robinho também reluziram, assim como Fabio Costa, Alex e Leo. O título estava próximo… tudo parecia tranquilo…

Do nada, surge a manchete nos impressos esportivos: “Diego fez declarações racistas durante a partida”… acusava um atleta do Corinthians…

Logo quem… Diego, cuja amizade com Robinho era pública e notória!

Os meninos começavam a perceber o que enfentariam naquele domingo… as pressões seriam as mais diversas…

Durante a semana, Diego sente uma contusão e sua participação é dúvida…

Em casa, acompanhamos a decisão com mais entusiamo do que final de Copa do Mundo… Todos grudados na TV.

Eu, com a minha camisa do SFC (coisa que normalmente faço apenas nos estádios), minha esposa, meus filhos também… Gabriel (palmeirense) não resistia aos encantos do alvinegro e torcia abertamente pelo Peixe, ainda mais contra o Corinthians… Fernanda e o namorado (o ex-genro), ambos santistas, ocupavam seu espaço na “arquibancada” doméstica… e a Carol, minha filha mais nova, assumia a condição de santista… arrumou tinta preta e branca e passou no rosto, ao estilo “cara-pintada” e arrumei uma camisa do Santos para ela… uma camisa antiga, listrada… dos tempos da UNICOR.

Leão coloca o pequeno maestro em campo, mas sua presença não dura 1 minuto, desabando no meio de campo. Aos prantos, Diego pede a substituição…

Na lateral, Robinho promete o título ao amigo…

Na metade do 1º tempo, as pedaladas…. confesso que nunca havia presenciado aquilo… 8 pedaladas… OITO!!!!!!

Quando Robinho pegou a bola para a cobrança do pênalti, temi… pensei: ou se consagra ou é muito pretencioso…

Consagrou-se!!!!!

Uma explosão em casa, nos vizinhos… fogos e gritos… 1×0!

Na etapa final, o adversário vem com tudo para cima do alvinegro praiano… surge a muralha: Fábio Costa!

Leão é expulso… o Corinthinas não sai da área do SFC… Fábio Costa realiza um milagre sobre outro…

Trinta minutos, faltam apenas 15… eles teriam que fazer 3 gols… não dá mais tempo…

Mas o sonho é interrompido… Deivid (ex-santista presente em 2001) empata…  a partida esta alucinante… o relógio anda lentamente… cada minuto parece durar 600 segundos…

Aos 84′, a virada corintiana… o pesadelo parece se repetir… o fantasma de 2001 assusta… um espectro ronda o  Morumbi…

Ao ver o gol da virada sai da sala e fui para ao quintal… nem queria ver mais a partida…de imediato, levei uma bronca de minha esposa: “Deixa de bobagem e vem ver o jogo”…

Sábio conselho…

Pois em menos de 2 minutos, Robinho faz um carnaval pela direita e toca para Elano encher o pé: 2×2!!!!!!!!!

A casa parece que vem abaixo… eu grito, meus filhos pulam e até a Katia bate palmas e grita gol!

Mal tínhamos sentado novamente, quando Robinho pela esquerda, faz um novo carnaval… todos já preparam o grito… a bola vai para Leo e… GOL!

A gritaria é enorme… meu vizinho sai gritando pelo corredor… “É CAMPEÃO”… fogos… buzinas…. gritos e mais gritos…

Em casa todos se abraçam… Carol já perguntava: Vamos para o Centro de Mongaguá comemorar?

E lá fomos nós… a família completa, todos comemorando a vitória do Peixe.

2002, um ano inesquecível!