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A confirmação de Diego e Robinho (2003)

Santistas de todo mundo, uni-vos!

Depois da apoteótica conquista do Brasileiro de 2002, parecia que não haveria limites para o alvinegro praiano. A base do time era mantida, e se Alberto e Robert deixavam o clube, Ricardo Oliveira era um reforço de grande peso para o ataque santista.

Confiante, o torcedor santista esperava por títulos em 2003… Paulista, Brasileiro, Libertadores ou mesmo a neófita Copa Sul-Americana. Continue lendo

Do nada ao topo

Santistas de todo mundo, uni-vos!

Retomando a história do alvinegro mais famoso do mundo, chegamos ao ano de 2002.

Ano que o SFC viveu os extemos: foi do fundo do poço às alturas do sucesso.

Tudo começou com uma reviravolta no calendário do futebol, com a CBF ampliando o Torneio Rio/São Paulo  e praticamente extinguindo os torneios estaduais.  Pelo calendário de Ricardo Teixeira, o futebol seria assim:

Torneios Regionais (Rio/São Paulo; Sul/Minas; Nordeste; Norte e Centro-Oeste) e Copa do Brasil: No 1º semestre

Super-Estaduais: Os 3 melhores paulistas no Rio/São Paulo  e o Campeão do Paulistinha (disputado por 12 equipes que não disputavam o Rio/São Paulo): maio/junho

Torneio dos Campeões – Com os 6 melhores do Rio/São Paulo; 4 da Sul/MInas; 3 do Nordeste; Campeões do Norte e Centro-Oeste, além do Campeão do Torneio do ano anterior: disputado no mês de julho

Campeonato Brasileiro: No 2º semestre

Pois bem…

Em janeiro, ao iniciar o Torneio Rio/São Paulo, o time já sentia os olhares de desconfiança da tocida. O Técnico era Celso Roth (que não era unanimidade na massa santista) e com reforços de atletas experientes como Odvan, Oseas e Esquedinha que não inspiravam muita confiança ao torcedor alvinegro.

A aventura de Marcelinho Carioca havia terminado para alívio de grande parte dos santistas.

Na primeira partida um sofrimento… contra um America improvisado, o alvinegro só marcou seus gols após os 85′. O destaque foi a estreia de Diego. Em seguida levou um baile da Ponte (1×3)… e quando todos temiam uma nova derrota,  a vitória contra o Corinthinas (1×0, na Vila), aliviou os ares na Praça Princesa Isabel…

E assim foi durante todo o Rio/São Paulo: uma campanha irregular… mas, aos trancos, o time ia se estabilizando. Faltando 3 rodadas para o término da fase de classificação, o time deu uma arrancada: venceu o Guarani, na primeira apresentação de Robinho (que entrou no final da partida), empatou com o Vasco e venceu o clásssico contra o São Paulo. O time precisava vencer o último compromissso (Bangu, no Rio de Janeiro), mas a afobação e o nervosismo decretaram o empate por 1 gol e a desclassificação da fase final do Rio/São Paulo.

Um trágico presente de aniversário ao  clube!

O empate não significava apenas a desclassificação, era o afastamento do time das competições oficiais. Além de ficar fora da Fase final do Rio/ São Paulo, o time ficou de fora do Torneio dos Campeões e do Super Paulistão.

Nem ao menos a Copa do Brasil foi salva, pois fora eliminado pelo Internacional de Porto Alegre.

Veja os resultados das competições do 1º semestre:

Torneio Rio/ São Paulo:

America FC  3×0  – Vila Belmiro

AA Ponte Preta 1×3 – Moisés Lucarelli

SC Corinthians P  1×0  – Vila Belmiro

A Portuguesa D  1×1- Canindé

SE Palmeiras 1×2 – Parque Antártica

AD São Caetano  2×1  – Vila Belmiro

CR Flamengo  2×0 – Vila Belmiro

Americano FC  2×3  – Godofredo Cruz (Campos)

Botafogo FR  3×3 – Vila Belmiro

Fluminense FC  1×1 – Maracanã

Etti Jundiaí F Ltda (Ex-Paulista FC) 1×2 – Vila Belmiro

Guarani FC 2×0  – Vila Belmiro

CR Vasco da Gama  1×1 – São Januário

São Paulo FC  3×2  – Vila Belmiro

Bangu AC 1×1 – Moça Bonita

Aqui, os gols da estreia na competição:

http://www.youtube.com/watch?v=UgfrpgjVUyk&feature=related

Na Copa do Brasil:

Ji-Paraná FC  0x0, em Rolim de Moura (RO); 4×2 na Vila Belmiro

SC Internacional  3×3, na  Vila Belmiro; 0x1 no Beira Rio

A desclassificação no Rio/São Paulo ocorreu em 14 de abril,  e a primeira rodada do Brasileiro seria em 10 de agosto!

Quatro meses sem competições, longe do noticiário, tendo uma folha de pagamento enorme para saldar…

A crise chegava com força na Vila Belmiro!

O time campeão do Mundo nos anos 60, agora não tinha uma competição sequer para entrar  em campo… era o “fundo do poço”, popularmente falando… o famoso “pior que esta, não da para ficar”.

Numa situação dessas o caminho é “fazer das tripas, coração”.

Assim, Celso Roth é demitido, bem como os veteranos… para aliviar a folha de pagaemnto, Robert (a única estrela) é emprestado para o São Caetano (que disputava as finais da Libertadores da América).

Contando apenas com jovens promessas e jogadores do time da base, é contratado para dirigir o SFC, Emerson Leão, que conformado, aceitou o desafio de montar um time, que na época, era sério candidato ao rebaixamento…

E Leão foi vendo o que tinha m mãos… Renato, Elano, Paulo Almeida, André Luis, Leo do time de 2001… Diego, Robinho, Willian vindos da base… Diego tinha 16 anos, Robinho 17, Willian 18…

Leão pegou a meninada e colocou para treinar, afinal tinha tempo de sobra…

Providenciou uns amistosos longe da “cornetagem” da Vila Belmiro, pois naquele momento era preciso paciência, persistência e tranquilidade.

Reforços, apenas dois mais significativos: Maurinho e Alberto… nada que provocasse explosões de alegria na massa santista…

Deste modo, no final de julho, o alvinegro parte para um amistoso em Nova Iorque (EUA), contra o Rangers (Escócia). No aeroporto parecia uma excursão de estudantes, muitos estavam usando pela primeira vez um passaporte… e no saguão de embarque as pessoas olhavam curiosos  aquele monte de jovens… quando tomavam conhecimento que se tratava de delegação do SFC partindo em viajem, perguntavam: “Mas, é o time principal?”

Um saguão não muito mais movimentado que o da foto, recebeu o Santos FC naquele final de julho de 2002.

Nos “States”, uma boa vitória:

20/07 – 1×0 Rangers FC (Escócia) – New York (EUA)

Leão sentiu que o otimne estava ficando bom e solicitou um último amistoso antes do Brasileiro… o adversário deveria ser um time forte para testar os garotos… e chamaram o Corinthinas quen havia acabado de vencer o Rio/São Paulo e a Copa do Brasil.

A vitória do alvinegro da Capital era dadda como certa… porém do outro lado  surgiam dois fantasmas para os corintianos: Robinho e Diego!

E os dois moleques comandaram o Peixe em campo e derrotaram o rival por 3×1!

O resultado animou a torcida… na verdade, mais que o resultado foi a forma… dribles, toques de bola… um baile!

Diego a promessa de um novo "Menino da Vila"

Ao começar o Brasileiro, o temor do rebaixamento já não assustava tanto… e foi mandado para longe após a estreia vitoriosa contra o Botofogo (2×1, Na Vila).

Mesmo assim, o time permanecia irregular, principalmente atuando longe da boa vontade da torcida…acumulando  empates e derrotas. Porém,. na Vila a coisa mudava… o futebol rápido, alegre e cheio de gols fazia o torcedor passar a mão na cabeça dos atletas nos casos de pequenas falhas… lembro de uma ocasião, contra o Atlético Paranaense, quando Diego perdeu um pênalti… em outros tempos seria vaiado, execrado… naquela tarde, não… a torcida compreendeu que era um menino de 17 anos que perdera a cobrança e aplaudiu o jovem craque como forma de incentivo… duvido que isto não tenho feito bem ao camisa 10!

http://www.youtube.com/watch?v=QBvBDVf4r34

Até chegou o confronto contra o Corinthians (o 3º do ano), no Pacaembu. Teste definitivo para os praianos.

Um hora de show!

Com direito a gol de bicicleta de Alberto… final 4×2!

http://www.youtube.com/watch?v=AnuP6IOP7z0

Na sequência mais dois vitórias espetaculares: Atlético (3×2) e Cruzeiro, 4×1 em pleno Mineirão.

O Grande teste seria no Morumbi… adversário: São Paulo.

A partida foi ótima… muita técnica, muita disposição, “sangue nos olhos” nos dois times… O tricolor abriu 2×0 e achou que o jogo estava ganho, que os meninos se indimidariam no Morumbi lotado (54.000 pessoas), mas não… não aqueles garotos… e os meninos foram para cima… Leão tira Maurinho e coloca Robert, tira Elano e coloca Willian… o time atua no 3-4-3 e aperta o tricolor… Robert diminui aos 71’… depois um pênalti sofrido por Leo. Diego bate na bola e Rogério Ceni (quase na linha da pequena área defebnde). Cleber Abade manda retornar a cobrança e RC vai a loucura chegando a empurrar o árbitro… Cobrança refeita e Diego manda para o canto esquerdo de RC, sem chances… Virada santista, alegria, explosão… Diego vai para a massa, sobe no escudo do SPFC na pista de atletismo e vibra com o empate, sem camisa e pulando sem parar… nova confusão, queriam bater no menino por ter feito o gol de empate e comemorado no escudo…

No finalzinho, Leo faz um pênalti, que Ricardinho cobra e desempata, final 2×3. Derrota…  sentida derrota…

Os meninos sentem o baque… derrota para a Portuguesa na Vila, derrota para o Payssandu na batalha do Mangueirão, onde sobrou pancadaria da PM paraense sobre o atletas santistas.

Segue na busca da classificação para a fase final, mas a derrota surpreendente para a Ponte Preta na penúltima rodada deixa a massa santista roendo as unhas. Tudo será definida na última rodada, contra o perigoso São Caetano, no ABC Paulista.

Num Anacleto Campanella lotado, o Sâo Caetano não tomou conhecimento ds garotos e venceu por 3×1… time desclassificado…

Não!

Como num roteiro de Hollywood, o imprevisível acontece… em Brasília, o Gama (rebaixado) goleia o Coritiba, danda a última vaga ao alvinegro praiano.

Havia algo de diferente no ar… os céus não conspiravam mais contra o Santos FC.

Agora era a fase de mata -mata.

O regulamento do Brasileiro daquele ano mudava novamente: Eram 26 times (em turno único) disputando 8 vagas para a fase final.

Os 4 piores seriam rebaixados para a série B.

Na fase final: São Paulo, São Caetano, Corinthians, Juventude, Grêmio, Atlético Mineiro, Fluminense e Santos FC.

Os rebaixados: Portuguesa, Palmeiras, Gama e Botafogo.

A Tabela indicava: Santos x São Paulo; Fluminnese x São Caetano; Atlético Mineiro x Corinthinas e Grêmio x Juventude.

Vamos relembrar a campanha na fase de classificação:

Botafogo FR – 2×1 (VB)

Juventude EC – 1×2 (Alfredo Jaconi)

Figueirense FC – 3×0 (VB)

Fluminnese FC – 1×1 (Maracanã)

Paraná C – 2×1 (VB)

SC Internacional  – 0x3 (Beira Rio)

EC Vitória – 3×0 (VB)

C Atlético Paranaense -2×2 (VB)

Coritiba FC – 2×4 (Couto Pereira)

Grêmio FPA – 2×0 (VB)

CR Vasco da Gama – 2×1 (São Januário)

Goiás EC – 1×1 (VB)

SE Gama – 0x0 (Bezerrão)

SE Palmeiras – 1×1 (VB)

SC Corinthians P – 4×2 (Pacaembu)

C Atlético Mineiro – 3×2 (VB)

Cruzeiro EC – 4×1 (Mineirão)

São Paulo FC  – 2×3 (Morumbi)

A Portuguesa D – 1×2 (VB)

Payssandu SC – 1×2 (Mangueirão)

CR Flamengo  – 3×0 (VB)

EC Bahia  – 1×1 (Fonte Nova)

Guarani F – 2×0 (Jaime Cintra – Jundiaí)

AA Ponte Preta  – 1×3 (VB)

AD São Caetano – 2×3 (São Caetano)

Ao chegar na Vila Belmiro para enfrentar o Peixe, o tricolor deve ter sentido o ambiente… os ingressos esgotados, a torcida fazendo festa, não parecia que o o tricolor era o favorito… nas ruas de Santos, nos arredores da Vila, uma alegre confusão… eu, particularmente cheguei na Vila bem cedo… Minha filha, Fernanda prestava vestibular naquela tarde, e após deixá-la na porta da Universidade para o exame, e partimos para a Vila logo em seguida… junto com meu ex-genro (André) entramos na Vila logo depois dos portões abrirem, e fomos percebendo a Vila lotar e pulsar ao ritmo da alegria que aquele time inspirava.

Primeiro tempo equilibrado, mas no 2º… um baile… dribles, elásticos, pedaladas e gols… 3×1!

http://www.youtube.com/watch?v=5-Q8zEIxpPY

No Morumbi, Ricardinho e RC afirmavam aos 4 ventos que venceriam por 3×0 e classificariam o tricolor…não foi o que aconteceu… na garra e na categoria, uma virada imponente do alvinegro: 2×1! Com RC ajoelhado, reverenciado a categoria de Diego. Imagem perfeita da partida.

http://www.youtube.com/watch?v=ugWq6WxTEQA&feature=related

Eliminado o tricolor do Morumbi, vinha para a Vila o tricolor gaucho… O técnico Tite comandava na ocasião o “imortal”, no mesmo estilo de sempre: raça, marcação (alguma violência) e 1×0.

Na Vila foi  uma exibição primorosa… dribles, dribles, e mais dribles… os defensores gremistas ficaram com sérios problemas de coluna que só seriam sanados graças as férias de final de ano. Melhor que descrever, é ver:

http://www.youtube.com/watch?v=zaPsGulIzFk&feature=related

No Olímpico, os meninos jogaram como veteranos… segurando, catimbando, deixando o Grêmio nervoso… tomou um gol, mas não seria mais que isso… Peixe na final.

Os deuses do futebol são caprichosos… quis o destino que Santos e Corinthians se enfrentassem na final do Campeonato Brasileiro de 2002.

Numa grande jogada, Marcelo Teixeira tira a final da Vila Belmiro e leva para o Morumbi, com a condição de ingressos na base do meio a meio… 50% para os santistas e 50% para o adversário… E o Morumbi lotou… o santistas fizeram a sua parte… e ganharam no grito, no entusiamo a batalha das arquibancadas.

Na primeira partida, o Santos poderia ter vencido com uma folga maior que os 2×0 no placar indicaram ao final do confronto. Diego foi o grande maestro neste dia… com uma apresentação brilhante, comandou o espetáculo… Renato, Alberto, Elano e Robinho também reluziram, assim como Fabio Costa, Alex e Leo. O título estava próximo… tudo parecia tranquilo…

Do nada, surge a manchete nos impressos esportivos: “Diego fez declarações racistas durante a partida”… acusava um atleta do Corinthians…

Logo quem… Diego, cuja amizade com Robinho era pública e notória!

Os meninos começavam a perceber o que enfentariam naquele domingo… as pressões seriam as mais diversas…

Durante a semana, Diego sente uma contusão e sua participação é dúvida…

Em casa, acompanhamos a decisão com mais entusiamo do que final de Copa do Mundo… Todos grudados na TV.

Eu, com a minha camisa do SFC (coisa que normalmente faço apenas nos estádios), minha esposa, meus filhos também… Gabriel (palmeirense) não resistia aos encantos do alvinegro e torcia abertamente pelo Peixe, ainda mais contra o Corinthians… Fernanda e o namorado (o ex-genro), ambos santistas, ocupavam seu espaço na “arquibancada” doméstica… e a Carol, minha filha mais nova, assumia a condição de santista… arrumou tinta preta e branca e passou no rosto, ao estilo “cara-pintada” e arrumei uma camisa do Santos para ela… uma camisa antiga, listrada… dos tempos da UNICOR.

Leão coloca o pequeno maestro em campo, mas sua presença não dura 1 minuto, desabando no meio de campo. Aos prantos, Diego pede a substituição…

Na lateral, Robinho promete o título ao amigo…

Na metade do 1º tempo, as pedaladas…. confesso que nunca havia presenciado aquilo… 8 pedaladas… OITO!!!!!!

Quando Robinho pegou a bola para a cobrança do pênalti, temi… pensei: ou se consagra ou é muito pretencioso…

Consagrou-se!!!!!

Uma explosão em casa, nos vizinhos… fogos e gritos… 1×0!

Na etapa final, o adversário vem com tudo para cima do alvinegro praiano… surge a muralha: Fábio Costa!

Leão é expulso… o Corinthinas não sai da área do SFC… Fábio Costa realiza um milagre sobre outro…

Trinta minutos, faltam apenas 15… eles teriam que fazer 3 gols… não dá mais tempo…

Mas o sonho é interrompido… Deivid (ex-santista presente em 2001) empata…  a partida esta alucinante… o relógio anda lentamente… cada minuto parece durar 600 segundos…

Aos 84′, a virada corintiana… o pesadelo parece se repetir… o fantasma de 2001 assusta… um espectro ronda o  Morumbi…

Ao ver o gol da virada sai da sala e fui para ao quintal… nem queria ver mais a partida…de imediato, levei uma bronca de minha esposa: “Deixa de bobagem e vem ver o jogo”…

Sábio conselho…

Pois em menos de 2 minutos, Robinho faz um carnaval pela direita e toca para Elano encher o pé: 2×2!!!!!!!!!

A casa parece que vem abaixo… eu grito, meus filhos pulam e até a Katia bate palmas e grita gol!

Mal tínhamos sentado novamente, quando Robinho pela esquerda, faz um novo carnaval… todos já preparam o grito… a bola vai para Leo e… GOL!

A gritaria é enorme… meu vizinho sai gritando pelo corredor… “É CAMPEÃO”… fogos… buzinas…. gritos e mais gritos…

Em casa todos se abraçam… Carol já perguntava: Vamos para o Centro de Mongaguá comemorar?

E lá fomos nós… a família completa, todos comemorando a vitória do Peixe.

2002, um ano inesquecível!

Por 10 segundos…

Santistas de todo mundo, uni-vos!

2001, um ano tão impactante para o santista como o filme de Stanley Kubrik..

2001, um ano tão incompreensível como o monolito negro…

2001, um ano tão indecifrável como o computador Hall 9000…

2001, um ano para o alvorecer de uma nova era.

Tudo começou no Rio/São Paulo daquele ano…

Geninho assume o comando técnco do Peixe depois do breve reinado de Carlos Alberto Parreira. O time estava modificado, os medalhões não haviam obtido êxito e as contratações eram mais modestas… Deivid, Elano, Leo, Fabio Costa, Renato, André Luis e Paulo Almeida  se juntavam a Caio, Dodô, Claudiomiro, Rincón e  Robert, deixando o time bem mais jovem e raçudo.

Porém, Geninho padecia de um mal; sempre que possível colocava o time para trás buscando garantir o resultado… muitas vezes deu certo, mas o DNA ofensivo santista estava impregnado na massa santista, que em diversas oportunidades não aceitava tal postura por parte do time.

Mesmo assim, o time saiu-se bem na primeira fase do Rio São Paulo de 2001. Torneio que apresenta uma novidade: na fase de classificação eram dois grupos: um só de times paulistas e outro de times cariocas, os jogos seriam entre paulistas e cariocas. Classificavam-se dois de cada grupo e disputavam-se as semi-finais e finais em mata-mata.

E o Alvinegro foi bem na fase inicial, ficando invicto nas 4 partidas. Na semi-final pegou o Botafogo e empatou no Rio de Janeiro. Todos tinham certeza da classificação santista na partida de volta em Vila Belmiro. Com o alçapão lotado, a classificação foi perdida aos 88’!

1×0 para o time da estrela solitária e uma grande frustação.

CR Flamengo – 3×0 (Edson Passos – Mesquita)

Botafogo FR – 3×0 (VB)

Fluminense FC – 2×2 (Maracanã)

CR Vasco da Gama – 3×0 (VB)

Semi-finais:

Botafogo FR – 2×2 (Maracanã) e 0x1 (VB)

O Campeonato Paulista passava a ser a grande esperança de título…

Em 2001, a cartolagem continuava a fazer suas estrepolias… A competição teria 16 equipes jogando em turno único, para a classificação de 4 equipes para a fase semi-final e final (em mata-mata). A grande invencionice dos dirigentes era que, em caso de empate, haveria decisão por pênaltis, o vencedor ficaria com dois pontos e o derrotado 1 ponto. Porém se o empate fosse em 0x0, o vencedor receberia 1 ponto apenas e o derrotado, nenhum.

O Peixe até que começou bem a competição, com algumas goleadas (5×0 AA Portuguesa, 4×0 Portuguesa Desportos, 5×1 União Barbarense). Mas tudo mudou ao ser goleado, novamente,  pelo arquirival Corinthians: 0x5!

As torcidas organizadas não suportaram mais uma humilhação, e em protesto viraram as faixas de ponta cabeça e só retornariam se o SFC ganhasse um título!

Tempos difíceis…

Mesmo assim , graças a mais algumas vitórias o Alvinegro classificou-se em 2 º lugar na pontuação geral. Com isso, levaria vantagem contra o seu adversário, o Corinthians; na outra semi-final, um clássico do interior: Ponte Preta x Botafogo (RP).

Campanha na fase de classificação:

Guarani FC – 1×0 (VB)

AA Portuguesa  – 5×0 (VB) * Nesse jogo, o SFC recebeu o Troféu ACESAN (Associação dos Cronistas Esportivos de Santos), pelo aniversário da Cidade de Santos.

São Paulo FC  – 2×4 (Morumbi)

União Agrícola Barbarense FC – 5×1 (Santa Bárbara D’Oeste)

A Portuguesa D – 4×0 (VB)

União São João EC -1×1 (Araras) – decisão por penaltis: 2×1

Rio Branco EC – 2×3 (Americana)

Botafogo FC – 1×2 (Santa Cruz)

SC Corinthians P – 0x5 (Pacaembu)

AA Ponte Preta – 0x1 (Moisés Lucarelli)

SE Palmeiras  – 3×1 (VB)

SE Matonense  – 5×4 (Matão)

AA Internacional – 1×0 (Limeira)

AD São Caetano – 2×1 (Sâo Caetano)

Mogi Mirim EC – 5×1 (Mogi Mirim)

Contra o  Corinthians, o Peixe jogava por dois empates.

Na 1ª partida, jogou melhor, poderia ter liquidado no 1º tempo, mas ficou no 1×1. O time dominava o Corinthians até que Geninho tirou Deivid e colocou o volante Marcelo SIlva… acabou dando campo para o rival e saiu o empate.

Para a decisão, a massa santista estava otimista… o Botafogo praticamente havia elimindo a Ponte, e caso o Peixe superasse o Corinthians, muitos já viam a Taça de Campeão descendo a Serra…

Na grande decisão, o Santos, mais uma vez era melhor em campo… Logo no início,  pênalti para o SFC… Dodô cobra na trave… O Corinthians também tem um p?nalti ao seu favor, mas também manda na trave a cobrança de Marcelinho Carioca… Aos 33′, Renato abre o placar, mas nem há tempo de comemoração, pois Marcelinho Carioca empata no minuto seguinte… o jogo é equilibrado, mas o SFC esta firme em campo, não dando muitas chances ao adversário.

Sai Deivid e entra o zagueiro André Luis em seu lugar… o tempo vai passando e o SFC resolve segurar o placar… o time já atuava com 3 volantes (Paulo Almeida, Rincón e Renato) e Geninho tira o único atacante (Dodô) e coloca o meia-atacante Caio… Do outro lado, Vanderley Luxemburgo faz o inverso, colocando o Corinthians no ataque… entrando Marcos Sena e Gil em campo.  Fim de jogo se aproximando e uma entrada mais dura de Galván provoca sua expulsão. Quem sai é Robert, dando lugar para Marcelo Silva. Assim, com 4 defensores, 4 volantes e apenas Caio na frente…

Partida acabando e o SFC tem a bola no ataque… ao invés de segurar a bola e gastar o tempo, alguém dá um chutão para a linha de fundo… Faltam 30 segundos… o Corinthians avança e a bola chega ate Gil… Gil, corre, corre, dribla André Luis que cai sentado … faltam 15 segundos… Gil cruza, Marcelinho Carioca faz o corta-luz e Ricardinho bate de primeira… gol.

Um gol inacreditável…

Faltavam 10 segundos…

Fabio Costa vai ao desespero e discute com André Luis… Paulo Almeida  chora, Leo chora, Renato esta atônito e Geninho briga com a arbitragem, sendo expulso… o Morumbi chora… metade de alegria, a outra metade de tristeza profunda.

Nem há ânimo para reclamar que uns 3 atacantes do Corinthians encobriam a visão de Fabio Costa e poderia ser interpretado como impedimento… nem que Ricardinho jogou com um ponto eletrônico, infringindo as normas da FIFA. O Santos estava eliminado da maneira mais brutal, mais dolorida possível. Eram 17 anos de fila…

Pode parecer masoquismo, mas as imagens devem ser revistas… são imagens fortes, sofridas, dolorosas, porém significativas quando, vemos um Leo chorando em campo, quando vemos um Paulo Almeida em prantos…

Depois disso, o ano acabou… acabou em 13 de maio.

Antes disso, a equipe já havia sido eliminada da Copa do Brasil. Não teria sucesso no Campeonato Brasileiro, nem na Copa Nike (Torneio Internacional do México), o SFC entrava numa grave crise existencial  que parecia não teria saída.

Bom, voltando ao o que foi 2001, vamos conhecer a breve campanha na Copa do Brasil:

AA Anapolina  -2×1 (Anápolis) e 5×1 (VB)

EC Bahia  – 0x2 (Fonte Nova ) e 0x2 (VB)

Nos jogos internacionais, uma vitória de destaque: na inauguração do Estádio de Taegu, na Coréia do Sul. Estádio que seria usado na Copa de 2002:

20/05 – SFC 2×1 Seongnam Ilhwa Chunma (Coréia do Sul) – Em Taegu – Coréia do Sul

13/07 – SFC 0x2 CF Atlas (México) – Guadalajara – Copa Nike

15/07 – SFC 1×1 CF America (México) (2×4 Pênaltis) – Guadalajara – Copa Nike

O destaque negativo foi a quantidade de jogadores santistas expulsos nas duas partidas: 4 (Fabio Costa, Paulo Almeida,  Claudiomiro e Orestes) mostrando que o time estava abalado psicologicamente depois do fátidico jogo.

Para o Campeonato Brasileiro o santista não tinha ilusões… seriam 28 equipes correndo atrás de 8 vagas para a fase eliminatória. Mas poucos acreditavam que o alvinegro poderia ser classificar.

Viola retornava ao time e no meio da competição a contratação mais polêmica da história do Santos FC: Marcelinho Carioca!

Marcelinho havia brigado com Luxemburgo e pediu para sair do Corinthians. Deu declarações em jornais que precisava trabalhar e que estavam impedindo que trabalhasse… foi para programas de TV e chorou em frente as câmaras… Marcelo Teixeira acreditou em Marcelinho Caroca e o camisa sete apareceu na Vila…

A torcida se dividiu de imediato… alguns tinham esperanças que Viola e Marcelinho pudessem reeditar suas passagens pelo time de Parque São Jorge, outros duvidavam da capacidade de Marcelinho em se adaptar ao SFC…  foi um breve namoro… no início, bem no início, as coisas caminharam bem com boas exibições de Viola e Marcelinho, como na goleada sobre o Baha (5×1).

O grande teste seria o clássico na Vila, entre Santos e Corinthians.

Se Marcelinho jogasse bem e o SFC vencesse, Marcelinho tornar-se-ia ídolo, caso contrário seria execredo na Baixada.

Numa partida sem o menor brilho, o Santos de Cabralzinho, perde por 2×0. Os dias de Marcelinho estavam contados…

E Marcelinho não durou até o final do Campeonato, sendo sacado do time titular nas duas últimas apresentações.

Campanha no Brasileiro de 2001:

Santa Cruz FC – 1×1 (VB)

EC Vitória – 1×1 (Barradão)

SE Gama  – 1×1 (Brasília)

Coritiba FC – 2×0 (VB)

Botafogo FC – 1×0 (Santa Cruz)

Botafogo FR – 0x0 (VB)

Juventude EC – 2×2 (VB)

C Atlético Paranaense  – 1×1 (Arena da Baixada)

Goiás EC – 1×2 (VB)

CR Flamengo  – 0x2 (Taguatinga)

Guarani FC  – 1×1 (Brinco de Ouro)

América FC (MG) – 3×0 (VB)

Sport C Recife  – 2×0 (Ilha do Retiro)

EC Bahia  – 5×1 (VB)

Paraná C  – 0x1 (Durival de Brito)

São Paulo FC  -1×0 (VB)

AD São Caetano  – 1×2 (VB)

SE Palmeiras  – 1×2 (Parque Antártica)

C Atlético Mineiro – 1×0 (Mineirão)

SC Corinthians P – 0x2 (VB)

Grêmio FPA  – 4×2 (VB)

A Portuguesa D – 0x0 (Canindé)

Cruzeiro EC  – 4×2 (VB)

SC Internacional – 0x3 (Beira Rio)

AA Ponte Preta  – 1×2 (VB)

Fluminense FC – 1×2 (Maracanã)

CR Vasco da Gama – 2×2 (VB)

Um ano triste, onde a única coisa que salvou era a bela  camisa, com o logo da FIFA: “O melhor do século nas Américas”

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