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A conquista definitiva da Taça Brasil

A conquista definitiva da 1ª Taça Brasil (50 anos)

A Taça Brasil, precursora do atual Campeonato Brasileiro, era a competição oficial da CBD que reunia os campeões estaduais para definir o Campeão Brasileiro. Disputado em sistema eliminatório em melhor de três pontos (com as vitórias valendo dois pontos), tinha em seu regulamento que o clube que vencesse em três ocasiões (consecutivas ou não) levaria o Troféu em definitivo, em semelhança a Taça Jules Rimet.

O Santos FC vencedor da Taça em 1961 e 1962 partia para o Tricampeonato em 1963. No entanto, por conta do calendário brasileiro da época, a Taça Brasil de 1963 avançou no calendário civil e terminou apenas em 1964, quando foram disputadas as fases finais da competição.

Como campeão do ano anterior, o alvinegro entrou direto na fase de semifinais, em janeiro de 1964.

O adversário seria o forte Grêmio Porto-alegrense (que havia eliminado o Metropol – SC e o Atlético Mineiro).

A tabela indicava que o Peixe teria que se deslocar até Porto Alegre e encarar o tricolor gaúcho. O estádio Olímpico (atualmente demolido) recebeu um público recorde de 50 mil pessoas, e os torcedores testemunharam a maior apresentação de um time de futebol no Rio Grande do Sul até então.

Com Coutinho e Pelé fazendo diabruras em altas dosagens, o SFC venceu por 3×1. A partida foi muito disputada e o Grêmio abriu o placar logo no início do 1º tempo. Mas naquela noite, os craques santistas mostraram porque eram bicampeões mundiais. Jogadas inesquecíveis, como a tabelinha de cabeça de Coutinho e Pelé da intermediária até a área tricolor e um show de bola durante os 90 minutos provocaram os aplausos de uma multidão embevecida ao final do espetáculo.

Na partida da volta num Pacaembu lotado, mais um jogo alucinante. Pepe abre a contagem num canhão de falta logo aos 6 minutos. E surpreendentemente, Paulo Lumumba vira a partida e o valente Grêmio faz três gols em 10 minutos!

O Pacaembu, atônito, via o Grêmio abrir 3×1.

Mas o Santos tinha o Rei do Futebol… E Ele marca outras três vezes e vira novamente o Placar: 4×3.

No entanto, logo após o quarto gol santista, Gylmar é expulso de campo por ofensas ao árbitro. O tricolor teria 5 minutos para conseguir outra proeza no mesmo dia… Naquela época era permitida apenas uma substituição (que havia sido realizada com a entrada de Joel Camargo para dar jeito na defesa), e assim algum jogador  de “linha” deveria assumir o cargo de goleiro.

E lá foi Pelé para o gol…

O Grêmio partiu para o abafa…

A defesa santista fazia de tudo para impedir as conclusões das jogadas do ataque gaúcho. Nas poucas ocasiões que furaram o bloqueio santista encontraram Pelé!

fonte: www.acervosantista.com.br

O Rei realizou algumas defesas, entre elas a antecipação num cruzamento que poderia resultar numa jogada perigosa no interior da área santista.

E foi com Pelé no gol que o Santos segurou o 4×3 e classificou-se para as finais.

Após a partida, os santistas viram a  tabela e leram: Bahia!

Os baianos já não causavam arrepios como em 1959 ou 1961. Mesmo assim impunham respeito, pois para chegar até a final eliminaram o Ceará, o Sport Recife e nada menos que o Botafogo, com todos os seus craques.

A primeira partida da final foi no Pacaembu.

Com um novo uniforme e com Pepe barbarizando na esquerda, o Peixe goleou o campeão baiano por 6×0!

Na partida de volta, recorde de renda na Bahia e trinta e cinco mil baianos esperavam um novo milagre do Senhor do Bomfim para vencer o Santos e provocar uma 3ª partida (pelo regulamento, bastava um simples 1×0 para que houvesse um jogo extra, não havia decisão por saldo de gols).

Porém o Santos tinha aprendido a lição de 1959 e com um gol em cada tempo não deu chances para a zebra e conquistou o tricampeonato brasileiro. Mais que isso, conquistou de maneira definitiva a “Taça Brasil”, que se encontra em exposição do Memorial das conquistas.

Foto: Wesley Miranda

Veja o vídeo produzido por Wesley Miranda com imagens da final, vale a pena:

https://www.youtube.com/watch?v=5vDRB5imbE8

Conheça a campanha da conquista da “Taça Brasil” (e do tricampeonato brasileiro):

16/01/1964 Santos FC 3×1 Grêmio FPA (Porto Alegre)

L: Olímpico – Porto Alegre (RS)

D: 5ª feira

Competição: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 21.327.000,00 (Recorde de renda no RS)

P: 50.000 (estimado) (Recorde de público no RS)

A: Eunápio de Queiroz

G: Coutinho 25′, Pelé 37′ e Coutinho 70′ – Paulo Lumumba 6′

SFC: Gylmar; Dalmo, João Carlos e Geraldino; Haroldo e Zito; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Batista.

Técnico: Lula.

Uniforme: Camisas brancas.

GFPA: Alberto; Valério, Airton, Aureo e Ortunho; Cleo e Milton; Marino (Madureira), Joãozinho, Paulo Lumumba e Vieira.

Técnico: Carlos Froner

19/01/1964 Santos FC 4×3 Grêmio FPA (Porto Alegre)

L: Pacaembu – São Paulo (SP)

D: Domingo

C: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 11.931.500,00

Pe (Público estimado pelo valor médio dos ingressos): 31.000

Árbitro: Teodoro Nitti (ARG)

Expulsão: Gylmar (SFC) expulso aos 41’ do 2º tempo (4×3)

G: Pepe (f) 6′ , Pelé (p) 30′, 58′ e (p) 85′ – Paulo Lumumba 9′ e 11′ e Marino 14′

SFC: Gylmar (Pelé); Dalmo, João Carlos (Joel Camargo) e Geraldino; Haroldo e Zito; Batista, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula.

Uniforme: Camisas brancas.

GFPA: Alberto; Valério, Airton, Aureo e Ortunho; Cleo e Milton; Marino, Joãozinho, Paulo Lumumba e Vieira.

Técnico: Carlos Froner

25/01/1964 Santos FC 6×0 EC Bahia (Salvador)

L: Pacaembu – São Paulo (SP)

D: Sábado

C: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 12.432.800,00

Pe: 33.000

Árbitro: Armando Marques

G: Pepe 7′ e 91′ Pelé (p) 28′ e (p) 87′, Coutinho 63′ e Mengálvio 81′

SFC: Gylmar; Ismael, Mauro e Geraldino; Haroldo e Lima; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula.

Uniforme novo: branco com listras verticais finas em preto

ECB: Nadinho; Hélio, Henrique, Roberto e Ivan; Nilsinho e Mário; Valença (Vermelho), Vevé, Hamilton e Biriba

Técnico: Geninho

28/01/1964 Santos FC 2×0 EC Bahia (Salvador)

L: Fonte Nova – Salvador  (BA)

D: 3ª feira

C: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 21.083.300,00 (Recorde de Renda na BA)

P: 35.365

Árbitro: Armando Marques

G: Pelé (f) 26′ e 85′

SFC: Gylmar; Ismael, Mauro e Geraldino; Haroldo (Joel Camargo) e Lima; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula.

Uniforme: Camisas brancas

ECB: Nadinho; Hélio, Henrique, Roberto e Russo (Ivan); Nilsinho e Mário; Miro, Vevé, Hamilton e Biriba

Técnico: Geninho

SFC Tricampeão da Taça Brasil 61/62/63. O Santos FC conquista de maneira definitiva a “1ª Taça Brasil”