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Fichas técnicas 1994

15/03/1994 Santos FC 1×0 CA Bragantino (Bragança Paulista) –

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Campeonato Paulista

R: CR$ 16.474.000

P: 4.580

A: José Mocelin

G: Gallo 23′

SFC: Edinho, Sérgio Santos, Júnior, Marcelo Fernandes e Luciano Carlos; Gallo,Dinho, Cerezo e Carlinhos; Macedo (Neizinho) e Guga.

Técnico: Serginho Chulapa

CAB: Marcelo; Valmir, Remerson, Nei e Da Guia; Pires, Marcão, Marcelo Prates e Alberto; Silvio e Ciro.

Técnico: Dusan Drascovic

Dinho tomou um cartão amarelo absurdo… estava avisando o árbitro que a bola estava murcha, o juizão pensou que estava fazendo cera e amarelou o craque… minutos depois, parou a partida para trocar de bola, pois a redonda estava mesmo murcha…

24/04/1994 Santos FC 4×3 SC Corinthians P (São Paulo) -

L: Morumbi – São Paulo (SP)

C: Campeonato Paulista

R: CR$ 145.250.000

P: 26.271

A: Oscar Godói

G: Guga 23′, 41′ e 86′ e Dinho (p) 26′ – Marcelinho Carioca (p) 8′ e Casagrande 21′ e 88′

SFC: Edinho; Índio, Marcelo Fernandes, Cerezo e Silva; Dinho, Gallo e Ranielli (Sérgio Santos); Macedo, Guga e Kobayashi (Zé Renato).

Técnico: Serginho Chulapa.

SCCP: Ronaldo; Valdo, Gralak, Wilson Mano e Daniel (Elias); Embu (Marques), Zé Elias, Casagrande e Marcelinho; Viola e Rivaldo.

Técnico: Carlos Alberto Silva

Espetacular partida de Edinho (que praticou umas 4 defesas sensacionais) e Guga… imprensa já cogitava a convocação de Edinho para a Seleção Brasileira

19/05/1994 Santos FC 7×1 Seleção de Hortolândia -

L: Municipal de Hortolândia (Tico Breda) – Hortolândia (SP)

C: Amistoso (Aniversário de Hortolândia)

G: Guga (2), Paulinho Kobayashi (2), Demétrius (2) e Serginho Fraldinha – Não informado

SFC: Edinho (Nando), Índio (Luciano Carlos), Junior (Marcelo Fernandes), Maurício Copertino e Silva (Piá); Dinho, Gallo (Sergio Santos), Paulinho Kobayashi (Demétrius) e Ranieli (Zé Renato); Macedo (Serginho Fraldinha) e Guga (Neizinho).

Técnico: Serginho Chulapa.

SFC recebeu Troféu comemorativo (3º aniversário de Hortolândia)

14/08/1994 Santos FC  1×0 C Remo (Belém)

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Campeonato Brasileiro

R: R$ 60.957

P: 9.937

A: Leo Feldman

Expulsão: Marcelo (CR) e Demetrius (SFC) expulsos

G: Paulinho Kobayashi 14′

SFC: Edinho; Índio, Júnior, Narciso e Silva; Dinho, Gallo, Neto e Paulinho Kobayashi (Cerezo); Macedo e Demétrius.

Técnico: Serginho Chulapa

CR: Clemer; Marcelo, Belterra, Fabio e Serginho; Cleberton, Rogerinho, Mazinho (Wandêr) e Helinho; Mauro e Alencar (Junior).

Técnico: Valdemar Carabina

Edinho defendeu um penalti, mandando a bola para escanteio.

22/10/1994 Santos FC 2×0 Botafogo FR (Rio de Janeiro) -

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Campeonato Brasileiro

R: R$ 17.529

P: 3.211

A: Marcio Rezende de Freitas

Expulsão: Rogério Pinheiro (BFR) expulso

G: Guga 18′ e Marcelo Fernandes 66′

SFC: Edinho; Indio, Marcelo Fernandes, Narciso e Silva; Dinho, Gallo, Raniéli (Paulinho Kobayashi) e Giovani (Cerezo); Macedo e Guga.

Técnico: Serginho Chulapa

BFR: Carlão; Beto, Wilson Gotardo, Rogério Pinheiro e Jeferson; Nelson, Bonamico (Moisés), Juninho e Sergio Manoel; Mauricinho e Tulio (Marcelo).

Técnico: Renato Trindade

Destaque da partida foi Giovanni (sua 2ª partida oficial)… será assim nos próximos anos.

16/06/1994 Santos FC 4×2 C Atlético Mineiro (Belo Horizonte)

L: Caio Martins – Niterói (RJ)

C: Copa Denner

Árbitro: Aluísio Viug (RJ)

Gols: Luciano, aos 8’, Ânderson, aos 12’, Ranielli, aos 17’, Luciano, aos 37’, Demétrius, aos 49’ e Renaldo, aos 63’

SFC: Robson; Sergio Santos, Marcelo Fernandes, Maurício Cupertino e Cerezzo; Piá, Raniéli (Marcelo Passos), Zé Renato e Serginho Fraldinha (Neizinho); Demétrius e Luciano.

Técnico: Joãozinho

CAM: Percovich, Vladimir (Alessandro), Adeílson, Zezé (Edílson) e Guto “Ganso”; Ânderson (Lúcio Mário), Canela e Vanderlei; Renaldo, Wiver e Leandro Tavares.

Técnico: Erivelto Martins

SFC Campeão da Copa Denner. Tanto SFC, como o CAM atuaram com equipes mistas. Neste dia o time principal do Atlético Mineiro enfrentava o Vasco pela Copa do Brasil, em São Januário.

28/08/1994 Santos FC 2×3 C Deportivo Guadalajara AC Chivas (MEX)

L: Estádio Jalisco – Guadalajara (MEX)

C: Amistoso

A: José de Jesus Robles

G: Marcos Paulo 44′ e Serginho Fraldinha 64′ – Guzmán 9′ e 30′ e Misael 50′

SFC: Gilberto; Rogério, Marcelo Fernandes, Maurício Cupertino e Marcos Paulo; Sergio Santos, Carlinhos e Ranielli (Giovani); Serginho Fraldinha, Neizinho (Moisés) e Mundinho (Dirceu).

Técnico: Joãozinho

CDGAC: Morales; Arellano, Vidrio, Hernadez e Robles; Coyote, Garcia (Arreola), Ramon Ramirez (Matias) e Chepo (Zarate); Misael (Vazquez) e Guzmán.

Técnico: Guerra Lopez

Primeira partida de Giovanni pelo Santos FC. Ocorreu nesta excursão ao México com o time misto.

Pés no chão! (1994)

Santistas de todo mundo, uni-vos!

Depois da boa campanha de 1993 o santista esperava muito de 1994.

Porém, fora das 4 linhas, as coisas estavam “mal paradas”…

Marcelo Teixeira deixa a presidência e quem assume é Miguel Kodja Neto, com Pelé fazendo parte da diretoria.

Pelé defendia uma política mais austera, onde o saneamento do clube e os investimentos em infra-estrutura (Reforma da Vila Belmiro, construção do CT, fim da política de medalhões e fortalecimento da base) falassem mais alto. Eram tempos de “pés no chão”!

Dessa forma, é que logo em seguida a posse da Nova Diretoria, Miguel Kodja Neto, Pelé, David Capistrano (prefeito de Santos – PT, já falecido), Mariângela Duarte (presidenta da Câmara de Vereadores, na época eleita pelo PT) subiriam a Serra para se encontrar com FHC (Ministro de Itamar Franco) para acertar a documentação do CT (afinal a área pertencia ao Governo Federal).

Com dívidas acumuladas perante a família Teixeira, Pelé avisava a massa para ter paciência, pois a meta era estabilizar o SFC financeiramente e alicerçá-lo para o futuro…  Pelé atuaria como um “consultor internacional”, viabilizando contatos e abrindo portas junto ao empresariado.

Assim, não foi surpresa a saída de Ricardo Rocha… atletas agora, apenas vindos da base ou jovens (e baratas) promessas… Almir foi vendido para um clube japonês, Axel foi para o Morumbi (em troca vieram Gilberto, Macedo e Dinho), Veloso foi devolvido ao Palmeiras.

E logo em janeiro o alvinegro encarava o Campeonato Paulista.

Depois de 10 anos, retornava o regulamento óbvio e simples: turno e returno, pontos corridos.

O SFC deveria começar o Campeonato contra o Bragantino, mas as fortes chuvas de  verão adiaram o confronto, para o final do 1º turno.

Desta forma, o 1º adversário foi o Guarani, na Vila Belmiro. Com Pelé nos camarotes, o Peixe empatou por 2×2 como forte Bugre de 1994.

Mas no clássico contra o São Paulo… numa verdadeira disputa de pólo aquático, Gilberto leva um enorme frango possibilitando a vitória tricolor por 2×0.

Contra o Ituano, nova falha de Gilberto, e mais um empate (1×1). A massa se impacientava nas arquibancadas…

Gilberto vai para o banco e quem vai para o gol é Edinho… o príncipe… o filho do Rei.

Os santistam se encheram de saudosismo…

Uma espécie de “Sebastianismo”* tomava conta do santista naqueles tempos.

Edinho, como Pelé, começava sua carreira em Santo André.

E o Bruno Daniel lotou… lugar nas arquibancadas, esgotados, apenas nas cadeiras é que haviam vagas… e este blogueiro lá estava, perto de Clodoaldo (agora como Diretor Técnico), voltando aos estádios depois de 7 anos, com a esperança renovada e a certeza que dias melhores estariam por vir…

Se Pelé teve Jair Rosa Pinto ao seu lado, Edinho não teve essa sorte.

Com um time sofrível, nervoso  e pressionado pela posição na tabela, o Santos não teve melhor sorte.

Veja as imagens desta partida:

A campanha continuava irregular, porém uma derrota contra o Corinthians (0x4), onde Edinho teve boa atuação, faz com que a crise exploda na Vila.

Uma providencial excursão ao Japão surgia… poderia ser um alívio ao elenco, mas no aeroporto os torcedores cercam os atletas e a coisa ficou bem feia…

No Japão, os resultados não foram animadores:

23/02 – 1×0 Bellmare Hiratsuka (atual Shonan Bellmare), em Yokohama

26/02 – 2×1 Cerezzo Osaka, em Tokushima

02/03 – 0x0 Kashiwa Reysol, em Fukuoka

Ao retornar do Japão mais resultados adversos e mais uma goleada sofrida: 1×4 Palmeiras. Pepe não resistiu e pediu demissão.

Serginho Chulapa assume como Técnico e o tima muda a forma de jogar… boleiro, “malandro”, e conhecedor da alma dos jogadores, Srginho falava o que o atleta precisava ouvir… e ai dele se não ouvisse….

E Chulapa ainda era o mesmo dos tempos de atleta… na sua 2ª partida como Técnico é expulso do banco de reservas…  e o Peixe ganha do América.

Na raça, o time sai da última colocação e passa a encarar os adversários de igual para igual… fica nove partidas invicto e vence o Corinthians numa partida histórica no Morumbi: 4×3! Três gols de Guga !!!! E Edinho soberano no gol.

Na 2ª feira, o santista andava pelo Gonzaga com a camisa branca e fazendo o “4” com os dedos… uma vitória de lavar a alma.

Nesta altura do Campeonato, Edinho era a grande revelação do futebol Paulista… alguns, mais apressados, já viam o filho do Rei com a camisa nº 1 da Seleção Brasileira.

Veja 10  minutos de imagens dessa vitória:

Ao final do Campeonato, o alvinegro ficou num honroso 4º lugar.

Campanha santista:

Guarani FC – 2×2 (VB); 1×1 (Brinco de Ouro)

São Paulo FC  – 0x2 (Morumbi); 0x0 (Morumbi)

Ituano FC – 1×1 (VB); 2×0 (Itu)

EC Santo André – 0x1 (Bruno Daniel); 2×0 (VB)

AA Ponte Preta  – 0x0 (Moisés Lucarelli);2×1 (VB)

Mogi Mirim EC – 1×0 (VB); 1×1 (Mogi Mirim)

Rio Branco EC – 0x2 (Americana); 3×0 (VB)

SC Corinthians P – 0x4 (Pacaembu); 4×3 (Morumbi)

A Ferroviária E – 1×1 (VB);1×2 (Araraquara)

SE Palmeiras – 1×4 (Pacaembu);1×1 (Pacaembu)

União São João EC – 1×1 (Araras);1×1 (VB)

América FC – 3×1 (VB);2×1 (SJRP)

A Portuguesa D – 2×1 (VB); 1×1 (Canindé)

CA Bragantino  – 1×0 (VB);1×1 (Bragança)

GE Novorizontino – 0x1 (Novo Horizonte); 2×0 (VB)

Com o fim do Paulistão (vencido pelo Palmeiras/Parmalat), chega a Copa do Mundo e os times ficam parados esperando o Brasileirão no 2º semestre.

Seriam 3 meses sem uma competição oficial, e o jeito era ser criativo…e nisso a cartolagem é mestra…

O Peixe realiza alguns amistosos, um deles é contra a seleção de Hortolândia, no 3º aniversário de emancipação da cidade. O alvinegro vai até Hortolândia a goleia por 7×1, levando um Troféu comemorativo na bagagem…

Na sequência, o Torneio Internacional Brasil-Itália, um torneio bancado pela Parmalat. Participantes: Santos, Palmeiras, Parma e Lazio. Torneio ao estilo dos torneios de pré-temporada espanhola…

Campanha:

21/05 – 0x1 SE Palmeiras (Parque Antártica)

22/05 – 3×1 Parma AC  (Parque Antártica)

Com a Copa do Mundo acontecendo nos EUA, a cartolagem e a TV inventam a Copa Denner. Uma competição para preencher a grade horária na TV e com times mistos… Não é necessário dizer que os estádios ficavam às moscas para as partidas…

Participantes: Santos, Portuguesa, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Botafogo e Vasco da Gama .

E o mistão santista, sob o comando de Joãozinho fez bonito:

Botafogo FR – 1×2 (Ítalo del Cima – Estádio do Campo Grande AC – Rio de Janeiro)

C Atlético Mineiro – 4×0 (Juiz de Fora)

CR Vasco da Gama  – 3×3 (Caio Martins, Niterói)

Cruzeiro EC – 1×0 (Juiz de Fora)

A Portuguesa D – 4×1 (Canindé).

Com esses resultados o Peixe ficou em 1º lugar, porém o regulamento previa que os dois melhores colocados fariam uma decisão em jogo único. E lá foram Santos e Atlético Mineiro jogar a final em Ítalo del Cima, no suburbio de Campo Grande, a oeste do Rio de Janeiro.

E o SFC finalmente ganhava um título: Santos 4×2 Atlético Mineiro!

Time misto… é verdade… mas o torcedor santista, àvido por conquistas ainda festejou o caneco… claro, não teve concentração na Praça Independência, mas já era possível esboçar um sorriso…

Demétrios foi o artilheiro do alvinegro (7 gols) e o time na final foi :

Robson; Sérgio Santos, Marcelo Fernandes, Maurício Cupertino e Cerezzo; Piá, Raniéli (Marcelo Passos), Zé Renato e Serginho Fraldinha (Neizinho); Demétrius e Luciano.

Técnico: Joãozinho

Em julho mais um “caça -níquies”:  A Copa Bandeirante… na realidade um “caça-reais”, pois desde o dia 1º de julho era a nova (e atual) moeda brasileira.

O prêmio seria a vaga na Copa do Brasil de 1995.

Eram oito clubes (os 6 melhores do Paulistão, mais o Campeão da 2ª e da 3ª divisão),  divididos em duas chaves:

Santos, Palmeiras, América e Nacional (da Capital) num grupo; Corinthians, São Paulo, Araçatuba e Novorizontino no outro.

Apesar de perder a 1ª partida, o time de Serginho acertou o pé, vencendo o grupo, classificando-se para a final contra o Corinthians.

Campanha:

América FC  – 0x2 (SJRP);1×0 (VB)

SE Palmeiras  – 0x0 (Santo André);2×1 (VB)

Nacional AC – 4×0 (VB); 1×0 (Anacleto Campanella – São Caetano do Sul)

Na final, foram dois encontros… O Título foi decido na prática nos últimos 10 minutos do primeiro confronto…

Santos e Corinthians fizeram um jogo cheio de alternativas… lá e cá… O alvinegro de Parque São Jorge fazia um gol, o Santos ia para o ataque e marcava outro… foi assim: 0x1…1×1…1×2…2×2…2×3…3×3, porém em 5 minutos dos 83′ aos 88′ o Corinthians marcou outras 3 vezes e liquidou a fatura: 3×6!

Na última partida, o Corinthians jogava por um empate… em caso de vitória santista (mesmo por 1×0), prorrogação… e se fosse necessário, pênaltis.

E Demétrios, o gladiador, marcou logo aos 8 minutos… mas Gralak (!!!!) empatou ainda no 1º tempo. Final, 1×1 e o título para o Parque São Jorge…

Demétrios veio do Botafogo (RP)... esperança santista de gols.
Demétrios veio do Botafogo (RP)... esperança santista de gols.

Em agosto, finalmente começa o Brasileirão – 94.

O regulamento, novamente é alterado…

Foram 24 clubes divididos em 4 grupos de 6 equipes. Classificavam-se os 4 melhores de cada grupo.O campeão de cada grupo recebia um ponto de bonificação para a 2ª fase.

Na 2ª fase, os 16 classificados eram divididos em dois grupos de oito.

Os oito desclassificados da 1ª fase, iam para a repescagem… os dois melhores (entre os piores) passariam para as quartas de final do campeonato!

Nos dois grupos dos melhores, os jogos eram em “turno e returno”. No turno os jogos eram dentro dos grupos, e no returno os jogos seriam contra os adversa?ios do outro grupo, totalizando 15 rodadas.  Os campeões de cada turno e em cada grupo, também se classificariam para as quartas de final, juntamente com os dois melhores por pontos na classificação geral (apenas entre os 16 classificados da 1ª fase).

Tudo muito simples… como sempre.

O grupo do SFC na 1ª fase contava com: Bahia, Remo, Vasco, Cruzeiro e Guarani.

Serginho continuava como Técnico, mas as coisa mudaram nos bastidores… Miguel Kodja cansou dos “pés no chão” e contratou o veterano Neto, contrariando Pelé… Pelé estava nos EUA, trabalhando como comentarista do Globo.

A parceria Santos – Pelé chegava ao fim com críticas de Miguel Kodja à Pelé.

E o tempo mostrou que Pelé estava certo…

Além de Neto, chegavam na Vila, Narciso e Marcelinho Paraíba… ambos provenientes do Corintians de Alagoas.

Na 1ª fase  o alvinegro ficou apenas um ponto atrás do Guarani, com a seguinte campanha:

Clube do Remo – 1×0 (VB); 4×1 (Mangueirão)

Cruzeiro EC – 0x0 (Mineirão); 4×1 (VB)

CR Vasco da Gama – 2×0 (VB); 0x0 (São Januário)

EC Bahia – 3×0 (VB);1×2 (Fonte Nova)

Guarani FC – 0x4 (Brinco de Ouro); 1×0 (VB)

Veja os gols contra o Cruzeiro:

Na partida contra o Vasco em São Januário… uma tragédia… uma briga generalizada nas arquibancadas com mais de 10 feridos e 3 hospitalizados. Apenas 6 policiais faziam a “segurança” em São Januário… os torcedores santistas foram perseguidos e acuados… a pancadaria levou quase uma hora,  mas o jogo não foi suspenso nem o Vasco sofreu qualquer punição… nâo… eram tempos de Eurico Miranda…na ocasião candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Na virada do 1ºpara o 2º turno, o mistão santista segue em excursão para o México para 3 amistosos.

Seriam jogos sem importância se não fosse por um detalhe histórico: a presença de Giovanni!

Sim, amigos foi longe da Vila belmiro que Giovanni deu seus primeiros passos coma imaculada camisa branca.

28/08 – 2×3 CD Guadalaja AC Chivas (em Guadalajara)

01/09 – 3×1 CD Tepec (em Tepec) – Giovanni marcava seu 1º gol.

04/09 – 2×0 Atlético San Luiz (em San Luiz de Potosi)

Essas 3 partidas não são consideradas como oficiais, tratava-se de uma equipe mista, com outra comissão técnica. Afinal o time titular estava disputando o Campeonato Brasileiro.

Durante a 1ª fase, o SFC disputou novamente a Super Copa da Libertadores… e mais uma vez caiu na 1ª eliminatória:

CA Independiente (Argentina) – 1×0 (VB); 0x4 (Avellaneda)

Giovanni chegou ao Santos e logo conquistou a condição de titular
Giovanni chegou ao Santos e logo conquistou a condição de titular

Na partida do returno contra o Clube do Remo, em Belém do Pará, Giovanni faz sua estreia oficial com a camisa santista.

Na 2ª fase, os adversários seriam: Paraná, Flamengo , Botafogo, São Paulo, Palmeiras, Sport e Bahia.

A campanha foi decepcionante, ficando apenas na 5ª colocação:

CR Flamengo – 1×1 (Maracanã)

São Paulo FC – 2×3 (VB) – Finalmente, Telê vence na Vila Belmiro…

Sport C Recife  – 2×2 (VB)

SE Palmeiras  – 0x2 (Parque Antártica)

Botafogo FR – 2×0 (VB) – ótima exibição de Giovanni… começava o reinado do “messias”

EC Bahia  – 2×3 (Fonte Nova)

Paraná C – 1×0 – Gol de Giovanni

O 2º turno da 2ª fase iria começar e Giovanni já tomava conta da camisa que no início do Campeonato era para ser de Neto…

Agora os adversários seriam do outro grupo…

E o time arrancou…

Paissandu SC  -1×0 (Mangueirão)

CR Vasco da Gama – 3×0 (Pacaembu)

SC Internacional  – 1×0 (VB)

A Portuguesa D – 0x0 (Canindé)

e no dia 16 de novembro, o desastre… Santos x Corinthians, no Pacaembu… Serginho montou a equipe no 4-4-2, mas com 3 volantes (Dinho, Gallo e Carlinhos) e Neto na armação… na frente, Macedo e Guga.

O alvinegro paulistano abriu 2×0, ainda no 1º tempo… ao final do 1º tempo, Neto entra na área é derrubado…. e nada. O árbitro não marca o pênalti. Nas arquibancadas a massa berra por Giovanni e Chulapa atende… Com Giovanni, organizando o meio de campo, Neto fica livre para atuar mais no ataque… O Santos cresce em campo… Giovanni lança Neto, o meia dribla Gralak e marca!

Apesar dos esforços santistas o placar não se altera… após a partida, torcedores invadem o vestiário para cobrar os atletas… um repórter do jornal “Diário Popular” tenta entrevistar Serginho Chulapa… Serginho perde a cabeça e agride o jornalista… Era, na prática, o fim da carreira de Chulapa como técnico de futebol.

Serginho é demitido em seguida, assumindo a tarefa o ex-zagueiro Joãozinho (campeão em 1978).

Com Joãzinho são mais três compromissos:

Fluminense Fc – 1×0 (Maracanã)

Grêmio FPA – 0x1 (Olímpico)

Guarani FC – 3×0 (VB)

O alvinegro fica com 17 pontos e na vice colocação de seu grupo. Na pontuação geral fica atrás de São Paulo e Bahia, faz mais pontos que Palmeiras e Corinthians (que farão a final do Brasileirão) mas é eliminado do Campeonato… Coisas da CBF nos anos 90…

No último compromisso do ano é um amistoso internacional no México, contra o Chivas Gaudalajara, em 14 de dezembro. Uma convincente vitória por 3×1!

Apesar de conquistar apenas uma Taça comemorativa e a Copa Denner, o torcedor santista havia descoberto dois ídolos: Edinho e Giovanni.

O ano de 1995 prometia ser bem melhor…

*Sebastianismo: Movimento místico-secular que ocorreu em Portugal na segunda metade do século XVI como consequência da morte do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Basicamente é um messianismo adaptado às condições lusas e à cultura nordestina do Brasil. Traduz uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação, ainda que miraculosa, através da ressureição de um morto ilustre. (Fonte: wickipédia)

1993: Nasce o CT e um time valente.

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Em 1993, o SFC entrava numa curva ascendente.

Os tenebrosos anos do  final da década de 80 estavam sendo superados e o time trazia uma ponta de esperança à massa alvinegra.

Fora das quatro linhas, uma marco no patrimônio santista: a aquisição do terreno para a construção do CT.

Fachada recente do CT Rei Pelé. O sonho começou em 1993
Fachada recente do CT Rei Pelé. O sonho começou em 1993

Mais forte fora dos campos, o ano começou com o Campeonato Paulista e com Evaristo de Macedo no comando técnico.

Campeonato Paulista que repetia a formula do ano anterior: Dois grupos de 16 equipes; no grupo forte as 6 melhores se classificavam para a fase semi-final, juntamente com as duas melhores do grupo mais fraco. Os oito times seriam divididos em dois grupos de 4, jogando em turno e returno dentro do mesmo grupo; os campeões de cada grupo disputavam a final. O melhor colocado na fase de classificação ganhava um ponto de bônus para a fase semi-final.

Não seria um Campeonato fácil… o São Paulo era bicampeão Mundial, o Palmeiras havia montado uma seleção como  dinheiro da Parmalat, o Corinthians era forte, a Portuguesa tinha Denner, e o Guarani contava com Luisão e Djalminha.

Talvez fosse possível afirmar que ganhar o Brasileiro era menos difícil que vencer o Paulista, naquele ano de 1993.

Reforços eram mais que necessários, e eles vieram. Maurício no gol, Darci e Cuca (meio campistas) se juntavam a Guga, Índio, Axel, Almir e Marcelo Passos. Era um bom time, onde o conjunto se destacava mais que os valores individuais. E isso era o dedo de Evaristo…

Evaristo que arriscou colocando o Peixe no ataque, surpreendendo os adversários.

O começo de campanha foi entusiamante: nas quatro primeiras partidas, quatro vitórias, inclusive contra Guarani, Corinthians e Portuguesa.

A massa se alegrava e o maior teste seria contra a seleção da Parmalat (Antonio Carlos, Roberto Carlos, César Sampaio, Mazinho, Zinho, Edílson, Evair e Edmundo)… e aí, não deu… 40.000 torcedores viram o Palmeiras bater o SFC por 3×1. Mesmo com a derrota o time não se abateu e continuou com a boa campanha, tendo apenas mais uma derrota, agora para o tricolor (0x1). Desta forma, terminava o 1º turno em 2º lugar, um ponto abaixo do Palmeiras e um ponto acima do São Paulo.

No 2º turno o desempenho não foi tão eficiente… o time perdeu pontos e levou de 5 do Corinthians (começando uma terrível sina, que só terminou em 2001), mesmo assim terminou em 2º lugar na classificação junto com São Paulo e Corinthians, porém nas critérios de desempate ficou na 4ª colocação.

Campanha na fase de classificação:

A Portuguesa D – 4×2 (VB); 2×4 (Canindé)

EC Noroeste – 2×0 (VB); 3×2 (Bauru)

SC Corinthians P – 1×0 (Pacaembu); 2×5 (Morumbi)

Guarani FC – 2×1 ( VB); 2×1 (Brinco de Ouro)

SE Palmeiras – 1×3 (Morumbi); 1×2 (Morumbi)

CA Juventus – 2×1 (Pacaembu); 2×1 (VB)

Marília AC – 4×2 (VB); 1×3 (Marília)

AA Ponte Preta – 0x0 (Moisés Lucarelli); 1×1 (VB)

Ituano FC – 4×1 (Itu); 5×1 (VB)

EC XV de Novembro – 1×1 (Piracicaba); 2×1 (VB)

Mogi Mirim EC  – 2×2 (VB); 0x1 (Mogi Mirim)

São Paulo FC – 0x1 (Morumbi);1×0 (VB)

Rio Branco EC – 2×2 (Americana); 2×1 (VB)

CA Bragantino  – 2×0 (VB); 1×1 (Bragança)

União São João EC – 0x0 (Araras); 3×1 (VB)

Nesta fase algumas notas:

Esse é o Neizinho
Esse é o Neizinho

* Surge Neizinho…  o “talismã” do torcedor santista… Neizinho entrava no time e colocava uma correria louca… fazia seus gols e era querido pela massa;

* Telê mais uma vez deu “show” quando o tricolor veio jogar na Vila, sequer ficando no banco de reservas… e mais uma vez o tricolor perdeu. Mestre Telê sabia das coisas…

* Guga continuava a marcar seus gols contra o Corinthians. Na vitória no 1º turno foi ele que decidiu a partida;

* O desempenho de Almir no Campeonato Paulista, garantiu sua convocação para a Seleção Brasileira que disputou a Copa América no Equador.

* Veja abaixo, os gols da maior goleada aplicada pelo Peixe na competição:  SFC 5×1 Ituano:

Na fase decisiva, o alvinegro ficou no mesmo grupo de São Paulo, Corinthians e Novorizontino.

Começou com uma nova derrota para o Corinthians, porém duas vitórias seguidas por 3×2 (São Paulo e Novorizontino) embolaram o grupo, ficando os 3 grandes empatados na 1ª posição com 4 pontos.

Tudo ficava para o turno final…

No returno o empate com o Corinthians e a vitória tricolor contra o clube interiorano deixa tudo mais ou menos na mesma…

O “fiel da balança” seria o Novorizontino… uma vitória na Vila, de preferência por goleada, seria um grande passo para a final.

O “tigre” de Novo Horizonte havia perdido todas as partidas até então… e ninguém, absolutamente ninguém  acreditava em outro resultado que não fosse a vitória peixeira.

E assim o SFC entrou em campo… convicto da possiblidade de vitória e com a necessidade de golear.

Logo aos 14′ Darci cobra falta e coloca no barbante… nada seria mais promissor, 1×0 antes de 1/3 do tempo inicial. Porém, ao invés de se acalmar, o time continuou aflito… e piorou, quando aos 22′ Sinval empatou de pênalti. Ainda nervoso, o Santos chegou ao desempate com Cuca…e assim desceu aos vestiários.

O nervosismo santista era inexplicável… o time jogava em casa, era melhor que o Novorizontino, tinha Guga fazendo gols e mais gols… mesmo assim não conseguia controlar o aspecto emocional.

No 2º tempo, o adversário percebeu que o jogo estava aberto e começou  a atuar nos contra ataques…  do lado santista, era um festival de gols perdidos… como quem não marca, toma… Flávio empata a partida.

O que era nervosismo, vira desespero… e todos na Vila viam que o resultado estava perdido… aquele time não venceria… e foi assim:

Nervosismo  ao extremo no campo e nas arquibancadas…  Aos 66′, Cilinho cava um pênalti, o juizão manda seguir e ainda por cima  expulsa Cilinho por simulação… no contra ataque, gol do Novorizontino!

Era o prego que faltava no caixão santista… nas gerais e grudados nos alambrados, a massa urrava e xingava  João Paulo Araújo, até a décima geração… aos 38′, o inevitável… misteriosamente, os portões de acesso ao gramado são abertos e a torcida invade o campo e sai caçando o árbitro… a PM entra em ação… João Paulo é agredido e não deixa por menos, parte para cima de quem chegasse por perto… a PM tenta escoltar o árbitro ao vestiário, o time do interior vendo toda confusão corre apavorado para o túnel de acesso aos vestiários. Sem a menor condição de prosseguir, a partida é encerrada e o Santos eliminado do campeonato.

Triste dias para a comunidade alvinegra…

O Santos estava fora das finais, mas ainda havia mais um compromisso: contra o tricolor, no Morumbi.

O São Paulo jogava suas últimas e remotas esperanças e Raí se despedia do time… O Santos abatido, derrotado e envergonhado, levou um baile humilhante, 1×6. Completava-se 9 anos sem títulos…

Campanha:

SC Corinthians P – 1×2 (Morumbi); 0x0 (Morumbi)

São Paulo FC – 3×2 (Pacaembu); 1×6 (Morumbi)

Novorizontino – 3×2 (Novo Horizonte); 2×3 (VB)

Terminado o Paulistão, a cartolagem ressuscitou o Torneio Rio/São Paulo. Seriam 8 clubes em dois grupos de 4 equipes, jogando em turno e returno.

O grupo santista contava com Palmeiras, Flamengo e Fluminense. Como metade do Palmeiras servia a Seleção Brasileira, as chances do alvinegro eram bem razoáveis…

E, novamente, começou bem a competição, vencendo o Fluminense e o Palmeiras. Porém, duas derrotas por 3×0 (Flamengo e Palmeiras), deram uma dose extra de realidade ao time.

Mesmo assim , ao chegar na última rodada, o Santos estava no páreo… o adversário seria o Flamengo na Vila Belmiro. Com um 1º tempo espetacular, o SFC abriu 4×0! No entanto, nos últimos 10 minutos o rubro-negro reagiu e encostou no placar… 4×3, vitória santista.

Mesmo com a bela exibição, a vitória não classificou o time para a final, ficando com o Palmeiras a vaga .

Campanha no Rio/São Paulo:

Fluminense FC –  3×1 (VB); 1×1 (Laranjeiras)

SE Palmeiras – 2×0 (VB); 0x3 (Parque Antártica)

CR Flamengo – 0x3 (Caio Martins, Niterói); 4×3 (VB)

Veja, agora, gols do Santos no torneio Rio/São Paulo, na vitória contra o Fluminense por 3×1:

Evaristo de Macedo já havia caído no comando técnico desde o final do Paulista, e Antonio Lopes era o novo comandante santista.

Na espera do Brasileirão de 1993, o alvinegro parte para mais excursão e mais uma vez o destino é a Ásia, mais precisamente, a China.

Não teve o mesmo glamour que a excursão de 89, mas ainda assim os frutos (dólares) foram bons, além de permanecer invictos nos gramados chineses:

14/08 – Seleção de Guangzhou – 2×1 (Em Guangzhou)

16/08 – Seleçao de Sichuan – 4×0 (Em Chengdou)

18/08 – Primeiro de Agosto – 1×0 (Em Chengdou) – O 1º de Agosto é o time do Exército Chinês, tem esse nome por ser a data da fundação do Exército de Libertação

Chinês.

22/08 – Seleção de Pequim – 2×0 (Em Pequim)

25/08 – Seleção de Shangai – 2×2 (Em Shangai)

28/08 – CHINA (Seleção Olímpica)  – 1×0 (Em Nanking)

Ricardo Rocha foi tetra em 94 (Copa dos EUA). No SFC, ganhou o Troféu Bola de Prata de 1993.
Ricardo Rocha foi tetra em 94 (Copa dos EUA). No SFC, ganhou o Troféu Bola de Prata de 1993.

Para o Campeonato Brasileiro, mais reforços… a maior foi o zagueiro Ricardo Rocha, titular da Seleção Brasileira e participante das  Copas de 90 e 94. Também chegava o bom goleiro Velloso, que estava amargando o banco no Palmeiras.

Enquanto isso, vivia-se no Brasil mais uma troca de moeda… criava-se o “Cruzeiro Real” (CR$), com mais um corte de 3 zeros… tempos de Itamar Franco e do fusca ressuscitado.

Para o Brasileirão 93, novidades promovidas pela imaginação fértil da cartolagem…

Como o Grêmio não havia conseguido subir, deram um “jeitinho” para o tricolor gaucho não ficasse mais um ano de fora, e foi “simples”, montaram um  campeonato com 32 clubes, isto é, na canetada subiram 12 equipes.

A CBF montou 2 séries. Uma com os times do “clube dos 13″ mais Sport, Guarani e Bragantino. E uma outra, com os demias clubes.

Em cada série haviam dois grupos de 8 agremiações. Os grupos da série “forte” classificavam 3 equipes para a fase final, e mais dois times da série fraca.

Em cada grupo, os jogos seriam em turno e returno.

O grupo do Alvinegro era assim constituído: Santos, Palmeiras, Guarani, Vasco, Fluminense, Atlético Mineiro, Sport e Grêmio.

E o desempenho santista foi muito bom, empolgando a massa. Duas vitórias contra o fortíssimo Palmeiras lavaram a alma praiana… mesmo com a boa campanha, Antonio Lopes caiu após a eliminação na Super Copa da Libertadores ( 0x0 e 0x1 contra o Atlético Nacional, de Medellin – Colômbia).

Quem volta é Pepe. E é sob a batuta do velho comandante que o Peixe termina a fase de classificação em 2º lugar em seu grupo e em 3º na classificação geral. Depois de muitos naos, finalmente o time de Vila Belmiro era competitivo.

Comprove vendo a virada santista sobre o Parmalat/Palmeiras na Vila Belmiro:

Mesmo ficando no 2º lugar em seu grupo, na fase seguinte cai num grupo bem complicado: Santos, Corinthians (líder geral), Flamengo e Vitória (vindo da série mais fraca).

Na 1ª partida da nova fase, o adversário seria o Corinthians. 0x0 até os 45′ iniciais. No 2º tempo, uma loucura…

Em apenas quinze minutos, o alvinegro da Capital abre 3×0 e todos temem um vexame sem tamanho… mas, aquele Santos era diferente do Santos do 1º semestre… Ricardo Rocha, Gallo, Darci e Pepe não exigiam menos que o máximo de dedicação dos atletas em campo… Pepe coloca Neizinho em campo e o SFC parte para cima do Corinthians… Escanteio para o alvinegro praiano, Gallo sobe soberano e manda de cabeça para o gol de Ronaldo, 1×3.

Apenas seis minutos depois, Almir avança pela direita e cruza na medida para Guga  marcar mais um, 2×3.

O empate estava próximo e a partida atinge temperaturas típicas da superfície solar… um festival de gols perdidos para os dois lados… porém, com toda a raça, todo o empenho, a sorte não sorriu para o Peixe, ficando o gosto amargo da derrota, mas de cabeça erguida e com a possibilidade de troco no returno.

O compromisso seguinte seria contra o Flamengo e o empate por 1 gol não foi considerado um mau resultado.

Na última rodada, o adversário seria o surpreendente Vitória (que já vencera o Corinthians e o Flamengo). A classificação marcava: Vitória 4 pontos, Corinthinas 2 e Santos e Flamengo 1.Somente a vitória interessava ao SFC… Mas, aquele Vitória contava com Dida, Paulo Isidoro, Vampeta, Alex Alves e Roberto Cavalo.

Num jogo cheio de alternativas e gols, registrou o empate em 3×3.

Começava o returno e o Santos deveria ir até Salvador, era tudo ou nada.

Um apagão do time no início e o Vitória abre 2×0… mas aquele SFC lutava, guerreava…

E chega ao empate ainda no 1º tempo… e ficou assim: 2×2.

As chances eram pequenas, pois o Vitória permanecia invicto… no entanto, o rubro negro baiano faria as duas últimas partidas fora de casa e não poderia fazer mais que um ponto…

O SFC recebe o Flamengo e vence por 2×1, enquanto que o Vitória empata com o Corinthians…

O Vitória com a vaga na mão, porém uma combinação de resultados poderia dar a classificação ao Peixe…

Última rodada, SFC x Corinthians, Flamengo x Vitória.

O Vitória empata na Maracanã, e o Santos perde um jogo inacreditável no Morumbi… abriu 1×0, o goleiro Ronaldo foi expulso, indo o zagueiro Elias para o gol… e nos 5 minutos finais, leva uma virada daquelas de deixar o torcedor desconcertado…

Assim, o valente time peixeiro terminou o Brasileiro em 5º lugar, uma colocação razoável, a melhor desde o vice campeonato de 1983.

Campanha na Fase final:

SC Corinthinas P – 2×3 (Morumbi); 1×2 (Morumbi)

CR Flamengo – 1×1 (Maracanã); 2×1 (Parque Antártica)

EC Vitória – 3×3 (Parque Antártica); 2×2 (Fonte Nova)

Jogos do Santos FC em 1992

30/03/1992 Santos FC 4×0 SC Internacional (Porto Alegre)

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Campeonato Brasileiro

R: Cr$ 33.296.000

P: 7.491

A: José Roberto Wright

Expulsões: Marquinhos, Gerson e Fernandez (SCI) expulsos

G: Paulinho MacLaren 18′, Cilinho 57′ e 60′ e Axel 71′

SFC: Sérgio; Carlinhos (Guga), Pedro Paulo, Luís Carlos e Marcelo Veiga; Axel, Zé Renato e Sérgio Manoel; Almir (Serginho Fraldinha), Paulinho MacLaren e Cilinho

Técnico: Geninho

SCI: Fernandez; Celio Lino, Célio Silva (Sandro), Norton e Canhoto; Elson, Marquinhos, Zinho (Maizena) e Lima; Julio e Gerson.

Técnico: Antonio Lopes

O Inter teve que fazer um “cai-cai” para escapar de uma goleada astronômica. No 2º tempo, Lima e Canhoto sairam contundidos e o árbitro encerrou a partida.

07/06/1992 Santos FC 3×3 CR Vasco da Gama (Rio de Janeiro)

L: Maracanã – Rio de Janeiro (RJ)

C: Campeonato Brasileiro

R: Cr$ 300.020.000

P: 30.543 pagantes

A: Marcio Rezende de Freitas

G: Paulinho McLaren 10′, 65′ e 82′ – Bebeto 27′, 38′ e 70′

SFC: Sérgio; Dinho, Pedro Paulo, Luís Carlos (Guga) e Flavinho; Bernardo, Axel e Raniélli (Serginho Fraldinha); Almir, Paulinho Maclaren e Cilinho

Técnico: Geninho

CRVG: Régis; Cassio, Jorge Luíz (Tinho), Alexandre Torres e Eduardo; Luisinho, Flávio e Giovani (Sorato) e Bismarck; Bebeto e Edmundo.

Técnico: Nelsinho

Partida sensacional onde Paulinho e Bebeto brilharam

25/10/1992 Santos FC  3×1 SC Corinthians P (São Paulo)

L: Morumbi – São Paulo (SP)

C: Campeonato Paulista

R: Cr$ 391.915.000

P: 19.856 pagantes

A: João Paulo Araújo

G: Guga 34′, 47′ e 63′ – Paulo Sérgio 31′

SFC: Sérgio, ÍIndio, Junior, Nei e Flavinho ; Axel, Gallo e Raniélli (Rogério Trivellato); Almir (Edmar), Guga e Cilinho.

Técnico: Geninho

SCCP: Ronaldo; Marcelinho Paulista, Marcelo, Henrique e Vladimir; Ezequiel, Tupãzinho (Marques) e Edu Manga; Fabinho, Nílson e Paulo Sérgio.

Técnico: Nelsinho

De virada, um baile de Guga com direito a um golaço de voleio no 3º gol. Presença do veterano atacante Edmar no ataque santista.

1992: Falece Athiê, Marcelo Teixeira assume

Santistas de Todo Mundo, uni-vos!

Em 1992 uma nova diretoria assume o clube. Marcelo Teixeira, o  jovem Presidente do SFC é o novo mandatário do alvinegro.

E começa no estilo que ficou bem conhecido, contratando e gastando muito.

Contratado em janeiro, Minelli durou apenas 50 dias ou 6 partidas oficiais
Contratado em janeiro, Minelli durou apenas 50 dias ou 6 partidas oficiais

De imediato acertou a vinda do Técnico Rubens Minelli.  Minelli  teve seu grande momento nos anos 70, chegando a ser tricampeão brasileiro (Inter 75/76 e São Paulo 77), mas em 1992 era mais uma aposta que certeza.

A pedido de Minelli, MT contratou Guga (atacante), Dinho (Lateral), Castro (zagueiro), Gílson (Defesa), Bernardo (volante) e Cilinho (atacante). Apenas Guga vingou…

Assim cheio de contratações, o Peixe começava o Campeonato Brasileiro de 1992 no 1º semestre.

Os 20 clubes disputavam um turno único classificatório, onde os 8 melhores passavam para a fase  semi-final. Nesta fase, os clubes seriam divididos em dois grupos de 4 equipes e jogariam em turno e returno. Os campeões de cada grupo disputariam final em duas partidas.

O começo da caminhada santista  foi claudicante… empates , derrotas e vitórias não convincentes… desta forma, Minelli é demitido por MT, numa passagem meteórica pelo comando alvinegro.

Quem assume a direção técnica é Geninho (que havia feito uma boa campanha no Paulista de 1991). E com Geninho a equipe consegue a classificação a fase semi-final… de quebra, uma goleada histórica sobre o Internacional na Vila Belmiro: 4×0. E o placar só não foi maior por que o time colorado recorreu ao “cai-cai”, do contrário seriam 6, 7 ou 8… A goleada foi aberta graças ao oportunismo de Paulinho MacLaren.

Quer ver os gols? clique aqui: http://www.youtube.com/watch?v=k7DidLaPvXQ

Veja a campanha na fase de classificação:

São Paulo FC – 1×1 (VB)

SC Corinthians P – 1×1 (Pacaembu)

Goiás EC  – 0x1 (Serra Dourada)

Guarani FC – 1×0 (VB)

Payssandu SC  – 2×1 (VB)

Fluminense FC – 0x4 (Laranjeiras)

CR Flamengo – 2×0 (VB)

Sport C Recife  – 2×2 (Ilha do Retiro)

A Portuguesa D – 2×0 (VB)

CA Bragantino – 0x1 (VB)

SC Internacional – 4×0 (VB)

SE Palmeiras  – 1×1 (Parque Antártica)

C Atlético Mineiro  – 0x0 (VB)

C Naútico C – 2×0 (Aflitos)

Botafogo FR  – 0x2 (Caio Martins) * nesta partida houve a quebra do recorde de público no estádio: 13.160 no total

C Atlético Paranaense – 2×2 (VB)

Cruzeiro EC –  1×2 (VB)

EC Bahia  – 2×0 (Fonte Nova)

CR Vasco da Gama  – 0x0 (São Januário)

Com esses resultados, o SFC classificou-se em 8º lugar, ficando no mesmo grupo de Vasco (1º colocado), Flamengo (4º) e São Paulo (6º).

Na 1ª partida da fase semi-final, uma partida inacreditável: o empate em 3 gols no Maracanã, numa partida onde Paulinho MacLaren brilhou intensamente, assim como Bebeto…

O empate no Rio de Janeiro animou o alvinegro, e na sequência venceu o forte Flamengo por 1×0, no Morumbi, e empatou com o São Paulo (1×1). A torcida nem acredita… terminava o 1º turno e a liderança era do Peixe.

Mas no 2º turno…  um ponto apenas conquistado no empate com Vasco e duas derrotas deixam o SFC fora de mais uma final.

Campanha na Fase semi-final:

CR Vasco da Gama – 3×3 (Maracanã); 1×1 (Morumbi)

CR Flamengo – 1×0 (Morumbi); 1×3 (Maracanã)

São Paulo FC  – 1×1 (Pacaembu); 0x1 (Morumbi)

Sem participar de partidas finais, sem recursos, e com dívidas crescendo,  a solução era vender.

Desta forma, Paulinho MacLaren foi negociado com o Porto, por 800 mil dólares (quantia irrisória nos dias de hoje…). Bernardo, contratado em janeiro, também foi vendido. O volante Gallo foi contratado para o lugar de Bernardo e Guga assumia a condição de artilheiro. Mas, Guga sofreu com a torcida até firmar-se na equipe…

Para o Campeonato Paulista de 1992, a cartolagem usou fórmula semelhante a de 1991. Dois grupos (um forte e outro fraco) de 14 equipes em turno e returno. Os seis melhores do grupo forte passariam para a fase seguinte, juntamente com os dois melhores do grupo fraco. Os 4 últimos do grupo forte disputariam o grupo fraco no ano seguinte, enquanto que os 6 melhores do grupo fraco passariam ao grupo principal em 1993.

Na fase de classificação, o Santos ficou em 4º lugar, abaixo de São Paulo, Palmeiras e Corinthians.

Campanha santista na fase de classificação:

Botafogo FC – 3×0 (VB); 2×2 (Canindé)

SE Palmeiras  – 0x2 (Pacaembu); 0x1 (Morumbi)

EC Noroeste  – 0x0 (VB); 0x1 (Bauru)

EC Santo André  -1×1 (Santo André); 2×2 (VB)

Guarani FC  – 2×0 (VB); 1×1 (Brinco de Ouro)

SC Corinthians P – 1×1 (Pacaembu); 3×1 (Morumbi)

CA Juventus – 1×1 (Canindé); 2×1 (Canindé)

A Portuguesa D – 0x0 (Canindé); 2×1 (VB)

GE Sãocarlense  – 1×2 (São Carlos); 0x0 (VB)

CA Bragantino  – 3×0 (VB); 1×0 (Bragança Paulista)

São Paulo FC  – 3×2 (VB); 0x0 (Morumbi)

AA Internacional  – 3×0 (Limeira); 4×0 (VB)

Ituano FC – 1×1 (Itu); 2×2 (VB)

As curiosidades desta fase foram muitas…

O Palmeiras fecha parceria com a Parmalat e aposenta a tradicional camisa verde. Os resultados da parceria apareceriam dentro e muitas vezes "fora do campo"
O Palmeiras fecha parceria com a Parmalat e aposenta a tradicional camisa verde. Os resultados da parceria apareceriam dentro e muitas vezes "fora do campo"

* Telê  Santana amargava mais uma derrota na Vila Belmiro… o velho mestre detestava enfrentar o alvinegro no alçapão… e os números mostram que Telê tinha razão.

* O Campeonato Paulista de Aspirantes era uma atração na preliminares da  partidas. E nos jogos do SFC, uma motivação maior aos torcedores: a presença do jovem goleiro Edinho, que dava seus primeiros passos no futebol.

* O atacante Denner, da Portuguesa, marca um gol de placa contra a Internacional. Por sinal, Denner fez alguns gols de placa (inclusive contra o alvinegro) ao longo de sua (curta) carreira. Denner era um atacante que, se vestisse a imaculada camisa branca santista ficaria muito a vontade…

* O elenco do SFC apresentava como destaques: Sérgio Guedes, Axel, Edu Marangón, Almir, Guga e Marcelo Passos.

* Guga tinha a desconfiança da massa santista. Ressabiada com a saída de Paulinho MacLaren, artilheiro inconteste do SFC, Guga era cobrado e em algumas partidas não correspondia…

Porém,  tudo acabou num Santos x Corinthians.

Jogando muita bola e com o faro de gol apuradíssimo, Guga deixou sua marca 3 vezes no gol corintiano, tornando-se ídolo da torcida!

Veja um dos gols de Guga no vídeo abaixo:

Durante o Campeonato Paulista  uma rápida excursão ao Japão, duas partidas contra o Shimizu-Pulse:

26/08- 3×0 Shimizu S Pulse (Japão), em Tóquio

29/08 – 1×1 Shimuzu S Pulse (Japão), em Shizuoka

Na Super Copa da Libertadores mais uma eliminação na primeira fase: desta vez, foi o São Paulo o adversário:

30/09 – 1×1 (Parque Antártica)

13/10 – 1×4 (Morumbi)

Na fase semi-final do Paulista, o  SFC ficou no mesmo grupo de São Paulo (que por ter sido a equipe com mais pontos na 1ª fase, levou um ponto de bonificação), Portuguesa (5ª colocada)  Ponte Preta (vinda dos grupo das equipes mais fracas).

Assim como no Brasileiro, o Santos começou bem, vencendo a Ponte, em Campinas por 1×0. A parida decisiva seria contra o São Paulo, logo na 2ª rodada… uma vitória era fundamental para tirar a vantagem tricolor… mas do outro lado havia Telê e Raí, o e tricolor venceu por 3×0, deixando o alvinegro com chances remotas. Na última partida do turno, a pá de cal: nova derrota, agora para a Portuguesa (1×2).

No returno, desmotivado, foi uma sequências de derrotas: Sâo Paulo, Portuguesa e Ponte Preta.

AA Ponte Preta –  1×0 (Moisés Lucarelli); 1×2 (VB)

São Paulo FC  – 0x3 (Pacaembu); 1×2 (Pacaembu)

A Portuguesa D – 1×2 (VB); 1×3 (Canindé)

Nesta fase a FPF garantia uma cota mínima de público e renda, surgiam os “públicos virtuais”, isto é, o público e a renda divulgada não correspondiam com a realidade. Por exemplo, na última partida contra a Ponte, com as duas equipes eliminadas, a FPF divulgou um público de 15.030 na Vila Belmiro, no entanto menos de mil torcedores fizeram-se presentes naquela ocasião…

Poucos dias depois de mais uma eliminação, o Santos FC perdia seu presidente Athiê Jorge Cury. No dia 1º de dezembro falecia o ex-dirigente santista que mudou a história do alvinegro.

Athiê, mesmo com seus erros administrativos, foi sem dúvida, o principal dirigente do clube em toda história santista.

Athiê: um marco, uma lenda que passou pelos portões de Vila Belmiro.

Athiê: Talvez o maior Presidente de todos os tempos do SFC
Athiê: Talvez o maior Presidente de todos os tempos do SFC

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