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As eleições em São Paulo

Amigos,

Sou Professor da Rede Pública desde 1981.

Quando ingressei no magistério em caráter temporário – ACT – (ainda como estudante), o Governador era Paulo Maluf (PDS).

O Brasil vivia a fase final da Ditadura Militar; a Guerra Fria dava o tom da política nacional e internacional; A direita explodia bombas pelas bancas do País; surgia a MTV; o SBT passava a funcionar; Arnaldo Jabor ainda era cineasta; Ayrton Senna ainda estava na fórmula Ford; surgia o Mettalica, o Ultrage a Rigor e a Blitz; minha TV era em Preto e Branco; eu ainda usava bata indiana, barba, bolsa e sandália de couro; e para telefonar, colocava fichas no orelhão.

Em 15 de novembro de 1982, houve a primeira eleição direta para Governadores desde 1965. Franco Montoro (PMDB, mais tarde PSDB) venceu as eleições.

Em 1983 assumi minhas primeiras aulas livres, uma 5ª série do período noturno, em Diadema.

Em 1984, casei. Tinha uma jornada de 26 aulas e minha esposa, 22 aulas. Fizemos nossa primeira greve.

Em 1986 novas eleições, Quércia (PMDB) eleito.

Aos poucos a jornada de trabalho foi aumentando..

Assumo meu cargo no Estado em 1987 na cidade de Praia Grande. Meus filhos podiam ser atendidos no Hospital Ana Costa (Santos), por conta do convênio com o IAMSPE.

Em 1990, Fleury (PMDB) eleito.

O material didático ainda era básicamente o mesmo de 1983: giz e lousa.

O IAMSPE cancela o convênio Médico com o Hospital Ana Costa.

Tive que ser operado no Hospital do Servidor Público, porém a cirurgia sofreu adiamentos por falta de roupa cirúrgica para os médicos…

Chega 1993, uma das maiores greves da história do movimento sindical do magistério… a violência sobre os professores chega a ser tratada em pleno horário nobre global… sentíamos que as mudanças poderiam chegar e que estava ao nosso alcance… mas, não chegou.

Covas (PSDB) eleito em 1994… no magistério, expectativa por parte de uns e indiferença por parte de outros… eu acreditava que algumas mudanças poderiam ocorrer. Ocorreram… para pior.

Agora, além da jornada maior, passei a lecionar em escolas particulares e no final de ano, aulas particulares.

Em 1995, Rosa Neubauer impõe a reorganização da rede escolar. Fui removido ex-ofício… a ausência de diálogo já era uma marca daquele Governo, as portas foram abertas para a municipalização… diversos colegas perdem emprego… época do PDV… era o Governo do Estado procurando eliminar os professores mais experientes e reduzir sua folha de pagamento.

Covas (PSDB) é reeleito em 1998, muito mais em função do receio de eleger Paulo Maluf (PPB) do que dos méritos de seu Governo.

Ampliei ainda mais minha jornada de trabalho, e minha esposa também… Minha jornada chegou a 55 horas semanais, e a dela passa a ser de 32 aulas…

Pela primeira vez, ouvi casos de Síndrome de Burnout na rede estadual… passava a ser comum encontrar colegas em licença médica psiquiátrica.

Chega a vez de Alckmim (PSDB), em 2002.

Casos de violência sobre professores no local de trabalho passam a ser noticiados com frequência pela imprensa… cristaliza-se a política de prêmios e gratificações, excluindo os aposentados… a carreira continua a ser demolida pela administração pública.

Serra (PSDB) é eleito em 2006. Surgem as apostilas…. o material de apoio, em diversas escolas ainda na base do giz e lousa.

Prosseguem os casos de violência nas escolas… o plano de carreira, conquistado em 1984, esta destruído… o desânimo e o conformismo se alastram na sala dos professores.

Nesses meus 29 anos de Estado vi o Mundo mudar… acabou a polarização URSS x EUA; acabou a Ditadura Militar, um Operário é  Presidente da República; a direita não explode mais bombas (publica-as), TV agora é em HD; Ayrton Senna já morreu, Arnaldo Jabor faz pontas no Jornal da Globo; Não uso mais bata indiana, barba, bolsa ou sandália de couro… uso telefone celular e até escrevo num blog;

Mas, duas coisa ainda não mudaram: Continuo sem atendimento médico hospitalar e o Estado de São Paulo continua sendo “Governado” pela dobrada PMDB-PSDB.

Até quando, meu Deus?