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O Brasil elege seu Presidente e Sócrates deixa o Santos FC… e a Fênix renasce.

Santistas de Todo Mundo, uni-vos!

O ano de 1989 é uma referência na história do Brasil,  pela 1ª vez desde 1960 os brasileiros poderiam eleger o Presidente da República… A economia do Brasil, novamente estava mergulhada em crise, o Plano Cruzado fracassara e uma nova moeda entra em circulação: o Cruzado Novo (NCz$). O povo sofre com a inflação alucinante, porém eram tempos de esperança. E com grande entusiasmo e a expectativa vivia-se a campanha eleitoral de 1989… E não seria por falta de candidatos para animar o processo… eram mais de duas dezenas. Exatamente 22… uma farra cívica/eleitoral… muitos eleitores faziam coleções de adesivos para automóveis… Poucas eram as coligações, a maioria dos Partidos lançou candidatura própria. A direita representada por Collor (PRN), Maluf (PDS), Afif (PL), Aureliano Chaves (PFL), Ronaldo Caiado (PSD), Eneas (PRONA)e Afonso Camargo (PTB). Na centro-esquerda havia: Lula (PT), Brizola (PDT), Gabeira (PV), Covas (PSDB), Ulysses Guimarães (PMDB), Roberto Freire (PCB) e Fernando Brant (PMN)… e, claro, os folclóricos: Marronzinho (PSP), Paulo Gontijo (PP), Zamir Teixeira (PCN), Lívia de Abreu (PN), Eudes Mattar (PLP), Antonio Pedreira (PPB), Manoel Horta (PDC do B) e Armando Corrêa (PMB)…

É engraçado ver essas divisões do campo político nos dias de hoje… era uma época mais radicalizada e as diferenças ideológicas eram evidentes.

A eleição foi pra 2º turno entre Lula e a Globo, digo, Collor, sendo eleito Collor…

No início era a festa da democracia. No 2º turno as posições se radicalizaram e o "pau quebrou" nas ruas em algumas oportunidades.
No início era a festa da democracia. No 2º turno as posições se radicalizaram e o "pau quebrou" nas ruas em algumas oportunidades.

No Santos FC foi uma época de crises…

A presença do Dr Sócrates rendiam convites para amistosos no exterior, e com todos os problemas, o alvinegro voltou às turnês Mundiais. Começou em fevereiro com 3 amistosos no Chile. Jogos em Concepción e Viña del Mar:

07/02 – 1×1 CDRA Fernandes Vial – Concepción  – Quadrangular – 5.845 presentes

09/02 – 1×0 Deportivo Concepción – Concepción – Quadrangular – 7.180 presentes

11/02 – 0x1 CD Everton – Viña del Mar – 4.089 presentes

Cada participação de Sócrates rendia U$ 2.000 ao Doutor…  O resultado final da excursão foi um tanto melancólica, recebeu apenas US$ 16.000 no lugar dos US$ 60.000 prometidos pela Sociedade dos Hemofílicos do Chile e da Associação dos Artistas Chilenos… além disso, o Técnico Marinho Perez abandonou o comando do SFC.

Sérgio Guedes chegou à Seleção Brasileira em 1990

Para o Campeonato Paulista, a direção providencia alguns reforços… o melhor deles era o goleiro Sérgio. Revelado pela Ponte Preta, foi um digno substituto de Rodolfo Rodrigues. Outros reforços também chegaram à Vila Belmiro: o lateral esquerdo Wladimir (ex Corinthinas) e os atacantes Juary e Aloisio Guerreiro retornavam ao Peixe.

Com Wladimir, Sócrates e Juary, o time seria muito forte… em 1979. Não em 1989.

Se o time não disputou o título, ao menos se equilibrou em inúmeros empates…

O Campeonato Paulista vinha cheio de “novidades”, era a fértil cabeça da cartolagem que funcionava a pleno vapor : vitória por 2 gols de diferença ou mais, 3 pontos; vitória por um gol de diferença, 2 pontos; empate com gols, 1 ponto para cada equipe; empate sem gols, decisão por pênaltis (ao vencedor um ponto, ao derrotado nenhum ponto).

Outra inovação era a formação de dois grupos, ambos de 11 clubes (um “forte” e outro “fraco”). No “1º turno” os times de um grupo enfrentavam os times do outro grupo; no “2º turno”, os confrontos eram dentro de cada grupo. No grupo forte, classificavam-se 8 equipes, e no grupo fraco, 4 equipes. As doze equipes seria  reagrupadas em 4 grupos de 3, o campeão de cada grupo passaria às semi-finais e os vencedores fariam as finais.

A Campanha Santista começou com um empate em Ribeirão Preto (1×1 com o Botafogo), nesta partida o Peixe recebeu o Troféu Peirão de Castro, jornalista esportivo falecido em 1989.

O início da participação foi uma decepção tremenda… derrotas vexatórias em plena Vila Belmiro (1×2 Catanduvense)… aos poucos o time foi se estabilizando e chegou a ficar 15 partidas invictas (claro, com muitos empates no meio).

Campanha do 1º turno:

Botafogo FC –  1×1 (Santa Cruz)

GE Catanduvense  – 1×2 (VB)

GE Novorizontino – 1×2 (Novo Horizonte)

AA Intrernacional – 1×1 (VB)

A Ferroviária E – 1×0  (VB)

EC XV de Novembro (Jaú) – 0x0 (4×5 pênaltis) – (Jaú)

Mogi Mirim EC – 0x0 (5×3 pênaltis) – (Mogi Mirim)

EC Noroeste – 1×2 (Bauru)

América FC – 3×0 (VB)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 0x0 (4×3 pênaltis) – (VB)

União São João FC – 0x0 (3×1 pênaltis) (Araras)

Antes de começar o 2º turno, mais um giro internacional. Agora, para o Caribe… no roteiro Jamaica e Ilhas Cayman.

Ilhas Cayman, um local nada agradável de visitar
Ilhas Cayman, um local nada agradável de visitar

Nas duas apresentações, a presença de Sócrates era obrigatória. E Sócrates atraia multidões…

Em Kingstow (Jamaica), 30.000 torcedores se acotovelaram para ver Sérgio  Guedes, Davi (Seleção Olímpica), Wladimir, César Sampaio e Sócrates, no empate por 1×1.

Na ilha de Grand Cayman, 2.000 pessoas ocuparam o estádio local para ver a exibição santista. Parece pouco, mas a população da ilha era de 20.000 pessoas… ou seja 10% de toda a ilha estiveram presentes no estádio … “Estádio”, modo de dizer, havia apenas uma pequena arquibancada com capacidade de 100 torcedores. Os organizadores precisaram colocar tapumes ao redor do campo, para evitar que as pessoas que passassem pela rua vissem a partida sem pagar…

Resultados:

16/04 – 1×1 Seleção da Jamaica

17/04 – 2×0 Seleção das Ilhas Cayman

Voltou ao Brasil após escala em Miami, para buscar a recuperação no 2º turno, onde enfrentaria os times mais fortes.

E o time desempenhou bem, ficando invicto…

CA Bragantino -1×0 (VB)

São José EC – 1×1 (SJC)

Guarani FC – 0x0 (5×3 pênaltis)  (Brinco de Ouro)

Santo André EC  – 0x0 (4×5 pênaltis) (VB)

SE Palmeiras – 1×1 (Morumbi)

SC Corinthians P – 0x0 (4×5 pênaltis) – (Pacaembu)

EC São Bento – 0x0 (5×4 pênaltis) – (Sorocaba)

São Paulo FC – 2×1 (Pacaembu)

A Portuguesa D – 1×0 (Canindé)

CA Juventus – 2×1 (VB)

Veja no vídeo abaixo, um gol belo de Sócrates, contra o América:

Na fase seguinte, o SFC disputaria uma vaga nas semi-finais com Mogi  Mirim e Corinthians. A tática era uma só: fechado na defesa e esperar um jogada genial de Sócrates ou um arranque de Juary…

Começou vencendo o Mogi (1×0), gol de Juary e empatou em zero com o Corinthians. O alvinegro paulistano havia vencido duas vezes o time do interior. Dessa forma a a partida do SFC em Mogi tomou ares de decisão… Apenas a vitória interessava ao alvinegro, no entanto ficou no empate (1×1), tomando o gol aos  89′. Restava uma última e derradeira esperança: vencer o Corinthians no Morumbi. Não foi possível… a série sem derrotas no tempo normal cai na última apresentação santista… SFC eliminado do Paulistão:

Mogi Mirim EC –  1×0 (VB); 1×1 (Mogi Mirim)

SC Corinthians P – 0x0 (Morumbi); 1×3 (Morumbi)

Fora das finais, parte em busca de uns trocados em Santa Catarina, enfrentando times de 2ª linha e perante públicos nunca acima de 3.000 pessoas:

Juary foi o artlheiro na excursão ao Sul do País, com 4 gols.
Juary foi o artlheiro na excursão ao Sul do País, com 4 gols.

1×1 AEC Iguaçu (União da Vitória) – União da Vitória (PR) –  Cidade que é divisa de Estado (Paraná/ Santa Catarina)

4×0 Guaycurus FC (Concórdia) – Concórdia (SC)

4×0 AD Joaçaba – Joaçaba (SC)

4×0 Videira EC – Videira (SC)

Com a crônica falta de gols, a direção traz mais um atacante: Roberto Cearense.

E será com Juary, Roberto Cearense, Sócrates, César Sampaio, Wladimir, Davi e Heriberto (Ex São  Paulo) que o alvinegro parte par o outro lado do planeta. Viaja até a misteriosa e fechada China!

China que se preparava para tornar-se a potência econômica que é hoje. China que dava os primeiros passos para quebrar a época de isolamento esportivo.

E o Santos FC foi convidado para divulgar o futebol brasileiro nas terras de Mao. Pela 1ª vez um grande clube brasileiro visitava a China. O Madureira (Rio de Janeiro ) havia jogado em 1964, mas foi só.

Os chineses fizeram de tudo para agradar e divulgar os brasileiros… A excursão santista era anunciada como a “Competição da Amizade”. E ao final de cada partida os melhores atletas do SFC em campo, eram premiados com finíssimos vasos de porcelana chinesa… um prêmio de uma riqueza cultural inestimável.

Nicanor de Carvalho (Técnico), Sócrates, Ernani, César Sampaio, Sérgio Guedes, Juary  receberam vasos semelhantes ao da foto.
Nicanor de Carvalho (Técnico), Sócrates, Ernani, César Sampaio, Sérgio Guedes, Juary receberam vasos semelhantes ao da foto.

O alvinegro atuou em diversas cidades chinesas, além de Honk Kong (pela 3ª vez – 1970, 1972 e 1989).

Conheça a campanha do SFC na China:

06/08 – 4×1 Seleção de Tianjim – Em Tianjim

09/08 – 1×0 Seleção Olímpica da China – Em Beijing

12/08 – 1×1 Seleção da China  – Em Daliam, com a inauguração do Estádio Local (Estádio do Povo de Daliam)

15/08 – 1×0 Shenyang Liaoning – Em Shenyang, com a inauguração do Estádio Wulihe

18/08 – 2×0 Seleção de Shangai -Em Shangai

21/08 – 2×1 Seleção de Hubei – Em Wuham

24/08 – 1×2 Seleção de Guangdong – Em Guangzo.  Partida com maior público na excursão (55.000 torcedores)

27/08 – 2×0 Double Flowers (HGK) – Em Hong Kong

29/08 – 4×0 Seleção de Fosham – Em Fosham. Aqui, o SFC recebeu a Fosham Cup

Após 20 dias na China , o time estava exausto… mesmo com toda gentileza dos dirigentes chineses, as diferenças culturais eram abissais, as hospedagens muitas vezes não eram das melhores e as viagens eram longas e cansativas… os atletas já estavam saturados das partidas… e para complicar, Sócrates cobrava publicamente a direção do clube, sobre os valores que deveria receber em cada partida internacional…  Cobrava os 2.000 dólares por partida que tinha direito, e que não recebia desde as partidas no Chile, em fevereiro.

Precisando de dinheiro, o SFC estica a excursão para a América do Norte… Sócrates desafia a direção e afirma que se o SFC não pagar o que deve, que ele abandonaria o clube.  E não deu outra… Sem receber o que estava previsto em contrato, Sócrates rescinde o seu contrato com o SFC e volta ao Brasil…

Sócrates realizou 46 partidas e marcou 14 gols. Mesmo jogando apenas o 1º semestre, foi o principal artilheiro em 1989.

Nas terras de Tio Sam, o Peixe realizou mais duas apresentações:

01/09 – 1×0 Boston Bolts (EUA) – Em Boston

02/09 -1×1 Alianza FC (El Salvador) – Em Washington (EUA)

Sem Sócrates, o alvinegro busca reforços para o Brasileirão – 89. E vários atletas chegam ao clube: Carlinhos (vindo do C Atlético Paranaense), Paulinho McLaren (vindo do Figueirense), o lateral-direito Ditinho (ex Palmeiras e Coritiba) e o meia atacante Jorginho. De todos o mais badalado era Jorginho… reconhecido como craque, carregava a triste sina de não ser campeão… 10 anos de Palmeiras comprovavam a tese…  e não seria naquele Santos, que Jorginho perderia o maldoso apelido de “Jorginho pé-frio”.

E o Campeonato Brasileiro apresentava novo regulamento: Os 22 clubes seriam divididos em dois grupos de 11. No 1º turno, jogos apenas dentro dos grupos. Oito times de cada grupo passariam para o 2º turno. Os 6 desclassificados fariam um “Torneio da Morte” para definir os 4 rebaixados para a 2ª divisão de 1990. No 2º turno, haveria o confronto entre os participantes de cada grupo. O campeão de cada grupo disputaria a final.

Havia o real temor que o SFC não passasse para o 2º turno…

E o time foi o mesmo do Campeonato Paulista, fechado na defesa esperando um milagre qualquer dos atacantes.

Nas 5 primeiras partidas marcou apenas um gol (Ernani, na derrota contra o Vasco – 1×2). Venceu apenas no compromisso seguinte, contra o Bahia (3×1) e voltou a perder.

Ao mesmo tempo, iniciava-se a Super Copa da Libertadores. E o SFC deveria enfrentar o Independiente. E não precisava conhecer muito de futebol  para saber que o Santos não teria chances frente ao Campeão Argentino. Tanto que apenas 2176 santistas compareceram à Vila para ver mais um derrota (1×2) e vaiar o time … Ernani, ficou irritado e ao final do 1º tempo (0x2), afirmava aos repórteres que não voltaria ao jogo em protesto às vaias… no final da partida o Peixe marcou um golzinho.

Na Argentina, uma derrota: 0x2, e novamente eliminado.

No Campeonato Brasileiro , uma partida decisiva na Vila  contra a Portuguesa. Torcida nervosa, e time mais ainda… arbitragem caótica e o SFC consegue arrancar um empate… Teve de tudo durante a partida, chuva de pedras (inclusive no bandeirinha) , invasão de campo, gol anulado de Roberto Dinamite (APD), dirigente da Lusa agredindo bandeirinha ao final da partida… um caos, e um empate suado em 1×1.

Nesta altura da competição , o Peixe estava em 8º lugar em seu grupo e teria que enfrentar o Cruzeiro (em BH) e o Coritiba (marcada para Juiz de Fora -MG)… a situação era crítica… o “torneio da morte” se aproximava perigosamente.

Mais um 0x0 em BH colocava o alvinegro na dependência de outros resultados… que não aconteceram.

E no dia 19 de outubro o Santos estava desclassificado, faria companhia ao Bahia e mais um clube (Sport ou Coritiba), além de Guarani, Atlético Paranaense e Vitória no luta pára não cair. Os torcedores morriam de vergonha… o Técnico Nicanor de Carvalho já estava demitido… o dinheiro que já andava curto, prometia ser ainda menor… o fundo do poço chegara como nunca havia chegado… nem em 75/ 76, ou na dédaca de 40 ou no início dos anos 20…  O santista sofria e chorava… e o pior, sem esperanças de recuperação…

Mas os céus abrem caminhos não imaginados pelos homens…

A tabela da CBF marca a data da partida entre Santos e Coritiba para o dia 22 de outubro.

Coritiba que brigava por uma vaga com o Sport Recife, sendo que o Sport deveria enfrentar o líder Vasco no dia 25 de outubro em partida adiada da 9ª rodada (15 de outubro). O Coritiba precisava apenas de um empate para se classificar frente a um despedaçado Santos, enquanto que o Sport teria que vencer o Vasco e torcer para alvinegro vencer o Coxa, para ficar com a vaga…

A direção do Coritiba entende que as partidas devem acontecer simultaneamente, isto é, no mesmo dia e horário, não admitindo enfrentar o SFC na data prevista. Consegue uma liminar na Justiça e suspende seu confronto em Juiz de Fora. A CBF ignora liminar a mantem a partida conforme a tabela… Com a liminar nas mãos, o Coxa nem segue para Juiz de Fora… por outro lado, o alvinegro vai até a cidade mineira, entra em campo, aguarda 20 minutos e é declarado vencedor por WO.

Agora, tudo será definido no tapetão… e na noite de 23 de outubro, o STJD cassa a liminar do Coxa por 6×2, declarando o SFC vencedor por 1×0. As coisas mudam completamente… o Coritiba é eliminado do Campeonato e uma vitória do Vasco, contra o Sport coloca o Peixe na disputa do 2º turno.

Foto: Revista Placar

A Fênix ressurge!

Pepe assume o comando técnico do Santos FC e as esperanças ressurgem nos corações santistas pois, mais uma vez, retorna Serginho Chulapa para fazer os gols que o alvinegro necessitava.

Mesmo com toda a fragilidade do elenco, mesmo com Chulapa ainda mais veterano, Pepe arranca um empate em 0x0 contra o Corinthians e uma vitória contra o Internacional na Vila Belmiro, com direito a gol olímpico de Jorginho.Vitórias contra o Náutico e a Internacional de Limeira garantem o 12º lugar na competição… o que não era ruim diante da perspectiva do rebaixamento que rondava a Vila.

Pepe teria muito trabalho em 1990…

Campanha:

SE Palmeiras – 0x0 (Morumbi)

Fluminense FC – 0x1 (VB)

CR Vasco da Gama  – 1×2 (VB)

Goiás EC – 0x0 (VB)

Grêmio FPA  – 0x0 (Olímpico)

EC Bahia  – 3×1 (VB)

Sport C Recife  – 0x2 (Ilha do Retiro)

A Portuguesa D – 1×1 (VB)

Cruzeiro EC – 0x0x (Mineirão)

Coritiba  – WOx0 (Juiz de Fora)

WO – Expressão inglesa que significa “walkover”. É a atribuição de uma vitória a uma equipe ou competidor quando a equipe adversária está impossibilitada de competir (Wikipédia)

SC Corinthians  P – 0x0 (Morumbi)

SC Internacional – 2×1 (VB)

São Paulo FC – 0x3 (Morumbi)

CR Flamengo – 0x1 (Maracanã)

AA Internacional – 2×0 (VB)

C Náutico C – 2×1 (VB)

C Atlético Mineiro – 1×2 (Mineirão)

Botafogo FR – 0x1 (VB)

E Corró dá adeus

Santistas de Todo Mundo, uni-vos!

Em 79 eram capa de revista... em 80 não estavam mais no SFC.
Em 79 eram capa de revista... em 80 não estavam mais no SFC.

Os anos 70 chegam ao fim… O Brasil mudava rapidamente… A Ditadura Militar começava a perder força, no ABC novas lideranças operárias abalavam a estrutura sindical… A Igreja Católica colocava-se ao lado da classe trabalhadora com a prática da Teologia da Libertação e a opção preferencial pelos pobres. A censura ainda dominava nas artes, mas já era possível ouvir “Cálice” ou ler “A Ilha” sem  ser às escondidas…. Nascia o PT.

No futebol,  a geração da Copa de 70 estava em seu crepúsculo… Poucos ainda corriam pelos gramados e os nomes que a mídia descatava eram outros… Zico (Flamengo), Reinaldo (Atlético MG), Falcão (Inter), Sócrates (Corinthians), Carlos (Ponte Preta),Careca (Guarani), Jorge Mendonça (Palmeiras), Serginho Chulapa (São Paulo).

Na Vila Belmiro o mesmo fenômeno ocorria… Clodoaldo o único remanescente dos gloriosos anos 60 dava adeus ao alvinegro. Outro grande craque, Ailton Lira trocava a Baixada Santista pelo Morumbi (onde encontraria Renato e Oscar).

Mas a grande perda para os santistas foi a saída de Juary, goleador, fominha que fazia lembrar Toninho Guerreiro pelo apetite de gols.  Juary, seduzido pelas liras italianas, seguiu para a Europa, para o Avelino. Ainda defendeu a Internazionale, foi campeão Europeu e Mundial pelo Porto e retornou ao alvinegro em 1989 (quando atuou ao lado de Sócrates).

Com a saída dos três craques, a direção santista foi atrás de reforços e além de Marolla que já havia chegado no final de 1979, somam-se a eles: o atacante Aloísio Guerreiro (revelado pelo Flamengo), o zagueiro Márcio Rossini (vindo do Marília), o volante (e zagueiro quando necessário) Miro, vindo do Botafogo RP,  e o lateral Paulinho.

O início do ano é recheado por amistosos pelo Brasil. O 1º deles é exatamente a despedida de Clodoaldo… uma partida festiva na Vila Belmiro (lotada) contra a Seleção do Romênia, com derrota por 1×0 (26/01).

Parte para Goiânia para o Torneio Adjair Lima, onde fica em 2º lugar:

31/01 – 4×0 Goiás EC

03/02 – 2×3 Vila Nova FC

Inaugura a iluminação do Bruno Daniel, em Santo André, numa partida que contou com o divino Ademir da Guia com a camisa azul do “Ramalhão” por 20 minutos. Com uma boa participação de Aloíso Guerreiro, o Peixe vence por 2×1.

Antes de iniciar o Campeonato Brasileiro, realiza amistosos em Fortaleza (2×0 no Ceará) e em Dourados – MS (4×0 Operário local).

A avaliação da torcida é que o time montado por Pepe esta bem preparado para o Nacional de 80. Campeonato que, para variar será cheio de grupos, fases e muitos times…

Depois do absurdo de 79, a CBD inova e estabelece duas divisões no futebol brasileiro… eram duas divisões, mas na prática funcionava como uma só. Senão vejamos:

A divisão principal foi batizada de “Taça de Ouro”, e a secundário de “Taça de Prata”.

Na Taça de Ouro, 40 clubes, divididos em 4 grupos de 10 equipes. Os 7 melhores passavam para a 2ª fase, onde se uniriam a 4 equipes provenientes da Taça de Prata… isso mesmo, 4 times da 2ª divisão passavam para a 2ª fase da 1ª divisão! Essas 32 equipes formavam 8 grupos de 4. Dois de cada grupo seriam classificados para a 3ª fase, totalizando 16 equipes. As 16 agremiações são novamente divididas em 4 grupos de 4, os campeões de cada grupo passam para as semi-finais (em 2 partidas) e finais (2 partidas).

A Taça de Prata contava com 64 equipes divididas em 8 grupos de 8. Os campeões de cada grupo disputavam em “mata-mata” 4 vagas para a Taça de Ouro. Os 4 perdedores juntamente com mais 2 de cada grupo, passavam para a fase seguinte da competição, num total de 20 times. Agora seriam 4 grupos de 5 times, onde o campeão de cada grupo passava as semi-finais e posteriormente às finais. Tudo bem simples, não?

O Santos, como um bom time grande, participou da Taça de Ouro, num, grupo que contava com Flamengo, Internacional, Ponte Preta, Naútico, Itabaiana (SE), Botafogo (PB), Ferroviário (CE), São Paulo (RS) e Misto (MT).

Pegou o Flamengo de Zico na estreia no Morumbi. Mesmo com o apoio de mais de 70.000 santistas, foi derrotado por 1×0. O grande destaque da partida foram as cornetas que azucrinavam atletas, jornalistas e torcedores que não estavam usando o objeto infernal… algo como as populares vuvuzelas da Copa na África do Sul de 2010.

Isso já era um inferno em 1980
Isso já era um inferno em 1980

Foi para Fortaleza e empatou com o Ferroviário (1×1) e depois desembestou a ganhar… 2×0 no Itabaiana, 2×1 na Ponte; 2×0 no São Paulo (RS); 3×0 no Botafogo (PB).

Este jogo em João Pessoa foi cercado de grande expectativa, tanto que o recorde de público no Estádio foi quebrado naquele dia (em mantido até hoje). Mais de 40.000 pessoas entupiram  o Estádio José Américo de Almeida para ver  o Botafogo apanhar do Peixe… os torcedores paraibanos estavam eufóricos com a vitória de seu clube contra o Flamengo, em pleno Maracanã (2×1).

E continuou ganhando… 4×1 no Naútico e uma grande vitória contra o Internacional, no Morumbi. Uma vitória muito importante, pois desde 1974 o alvinegro não vencia um clube de Porto Alegre, BH ou Rio de Janeiro em Campeonatos Brasileiros.

Fechou a 1º fase como campeão de seu grupo e em 2º numa classificação geral… O time era basicamente o mesmo que de 78, com poucas alterações: Marola no gol, Paulinho na lateral esquerda, Miro como volante e Aloísio no meio do ataque. Era um time consistente e sem dúvida era um dos favoritos ao título.

Na 2ª fase ficou lado a lado com Guarani, América (RJ) e Joinville.

Novamente ficou em 1º, mas com uma campanha mais irregular…

Finalmente a 3ª fase… Pela 1ª vez desde 1974, o time entrava para competir de verdade… O grupo era difícil: Ponte Preta, Flamengo e a “zebra” Desportiva (ES).

A intenção de Pepe era vencer as duas na Vila  e garantir o empate contra o Flamengo.

E na tarde de 10 de maio, na Vila Belmiro, o Santos bailou… Com Rubens Feijão e Toninho Vieira jogando muito bem, o Peixe lascou 3×0 na veterana Ponte Preta.

Na partida seguinte a Vila transbordou de gente… 31.000 alvinegros esperavam outra bela exibição do SFC… mas sem Toninho Vieira no meio campo, o SFC não consegiuu traduzir domínio em gols, e a massa santista  saiu amargando um pálido 0x0.. o menos ruim é que a Ponte segurara o Flamengo em Campinas. Mesmo assim , o empate era vantagem para o rubro-negro.

No Maracnã tudo seria bem mais difícil… Zico desequilibrou… mandando no campo, abriu espaços e ainda marcou dois gols, levando o Flamengo às finais.

O Santos ficou numa hipotética classificação geral num 7º lugar… apenas razoável é verdade, porém bem longe dos vexames de 75, 76, 77 e 78.

Na final da Taça de Ouro, O Atlético foi operado no Maracanã… vale a pena ver o  vídeo para entender melhor o que acontecerá em 1983:

Campanha do SFC:

0x1 CR Flamengo – Morumbi – 73.540

1×1 Ferroviário AC – Presidente Vargas – 11.869

2×0 AO Itabaiana  – Lourival Batista – 13.911

2×1 AA Ponte Preta – Vila Belmiro -16.566

2×0 SC São Paulo (RS) – Vila Belmiro – 14.000

3×0 Botafogo FC (PB) – José Américo de Almeida –  40.417 (Recorde)

4×1 C Naútico C  –  Vila Belmiro – 16.474 + 2.560 gratuitos  (19.034 total)

1×0 SC Internacional – Morumbi  – 32.421

2×1 Misto EC  –  José Fragelli – 13.826

2ª fase:

4×1 Guarani FC – Vila Belmiro – 16.922

0x1 America FC –  Morumbi – 43.324 + 4.163 menores (47.487 total)

0x2 Joinville EC – Ernesto Schlemn Sobrinho – 22.918

2×0 America FC –  Maracanã – 7.435

2×0 Joinville EC –  Vila Belmiro – 25.374

1×1 Guarani FC – Brinco de Ouro – 34.232 + 4.350 menores (38.582 total)

3ª fase:

3×0 AA Ponte Preta – Vila Belmiro – 22.600 + 2.833 gratuitos (25.433 total)

0x0 A Desportiva FVRD – Vila Belmiro – 26.743 + 4.303 gratuitos (31.146 total)

0x2 CR Flamengo – Maracanã – 110.079

No meio do Campeonato teve tempo para um importante amistoso na Vila Belmiro: contra o New York Cosmos.

Pelé retorna à Vila e dá o pontapé inicial da partida. E no vídeo você verá o Peixe com uma estranha camisa negra, por sinal bem interessante de ser relançada… uma boa pedida para um modelo retrô. Em campo, “monstros” como Beckembauer, Romerito, Chinaglia, com a companhia de Pita e João Paulo.

Mal acabava o Brasileiro, começava o Paulista. Campeonato Paulista mais simples, longe das loucuras de 77, 78 e 79.

20 clubes, turno e returno. Ao final de cada turno, semi-finais e finais entre as 4 melhores equipes. Campeão do 1º turno x Campeão do 2º turno.

O único reforço que chegou a Vila foi o veterano atacante Campos (Ex-Atlético MG), sem a mesma volúpia de gols de 72,73.

Como a situação econômica do brasileiro fazia água, a presença de público nos Estádios diminuía sensivelmente… até porque os torcedores começaram a selecionar os jogos que realmente interessavam… Assim a média de público na Vila, não era das melhores…muito abaixo de 78 ou 77.

Em campo, os meninos de Pepe continuavam dando conta do recado… e o alvinegro segue vencendo e termina a fase de classificação do 1º turno em 2º lugar, atrás da Portuguesa. Pega o Botafogo na semi-final e massacra: 5×1!

Um baile no 2º tempo: 5x1! (Imagem: Placar)

E jogando com muita categoria, jovialidade e no ataque o Santos passou por cima da Lusa nas duas partidas (1×0 e 2×1), ganhando o 1º turno do Paulistão-80.

O destaque da campanha foi o meio de campo, Pita. Um digno substituto de Ailton Lira, Jair Rosa Pinto ou Antoninho.

Pita chegou a Seleção Brasileira em 1980 (Imagem: Placar)

No 2º turno, o alvinegro seguia na mesma toada… vencendo seus adversários e dando a impressão  que poderia vencer o Campeonato direto, sem decisão, caso também ganhasse o 2º turno.

Tudo ia bem até outubro…

Duas derrotas seguidas encerram as esperanças santistas… uma em São José do Rio Preto(0x4 America) e outra no Morumbi (0x3 Corinthians).

Contra o America, um pênalti contestado logo aos 2 minutos abalou  a equipe, mais 15 minutos e leva mais um… mesmo assim o SFC não se abateu e lançou-se loucamente ao aatque… pressionou, mandou uma bola na trave, o zagueiro do America evitou um gol em cima da linha… e aos 75′ o desasstre… Neto e João Paulo são expulsos… e nos acréscimos toma mais dois gols…

No Morumbi, quase a repetição… sem 3 titulares (Nilton Batata, Neto e João Paulo) o Peixe mandou na partida, mas o gol não aparecia… Depois de mandar toda partida, aos 70′ Vaguinho em posição duvidosa (na dúvida, pró Corinthians) marca… muita reclamação… Pepe afirmava que o jogo estava “armado”, que não era para o SFC vencer o 2º turno… Dezoito minutos de paralisação… e nos acréscimos, o SCCP marca mais dois gols…

Com o título do 2º turno perdido, mas garantido na final do Campeonato, o Santos retorna à Europa depois de 6 anos, para enfrentar o Sevilha, na comemoração do 75º aniversário do clube.  Uma única partida, mas a vitória santista possibilitou a reabertura do mercado Europeu para os anos seguintes.

Ao retornar ao Brasil, o SFC já pensva na final e aguardava o adversário.

E o adversário seria o São Paulo.

Diferentemente de 1978, o São Paulo estava embalado, tinha uma constelação de craques (Valdir Perez, Oscar, Dario Pereyra, Serginho Chulapa, Zé Sergio e Renato) e era levemente favorito.

Mas Pepe sabia armar bem o alvinegro, e na 1ª partida com 122.000 torcedores trasnbordando no Morumbi, a partida foi equilibrada.

Mas, na fase final os experientes craques tricolores fizeram a diferença…e Chulapa aos 85′ marcou… tudo terminado?

Não!

Aquele SFC não era tão técnico como  o de 78, mas tinha raça… e foi ao ataque… aos 88′ Miro acerta um belo chute… a bola vai entrar… Valdir Perez toca com as pontas dos dedos e caprichosamente a bola bate na trave… vai entrando… a massa santista prepara o grito de gol…. e Valdir agarra a bola pelo”rabo” salvando a meta tricolor.

Na 2ª partida, tudo seria mais difícil… a vantagem era tricolor.

Pepe coloca Campos no ataque, mas Campos não era Juary…

E Chulapa novamente não perdoou, marcando outro gol na decisão… Rubens Feijão teve a oportunidade do empate, mas quis enfeitar a jogada e perdeu um gol feito, sendo imediatamente substituido por um Pepe furioso. Ainda apareceu mais uma oprtunidade com Joãozinho, mas na realidade o São Paulo esteve mais próximo do gol qie o alvinegro.

Termina o Campeonato, SPFC campeão e  Santos, Vice.

O ano que tinha começado bem , terninava com problemas internos no elenco sntista… não havia certeza que Pepe continuaria e o ano de 1981 se aproximava cercado de incertezas.

Campanha:

EC XV de Novembro (Jaú) – 3×0 (VB); 2×2 (Jaú)

Botafogo FC – 2×0 (VB); 0x0 (Santa Cruz)

A Ferroviária E  – 0x0 (VB); 0x0 (Araraquara)

AA Ponte Preta – 0x0 (Moisés Lucarelli); 0x0 (VB)

AA Francana  – 3×1 (VB); 1×1 (Franca)

EC São Bento  – 1×1 (Sorocaba); 0x0 (VB)

AA Internacional  – 1×0 (VB); 0x1 (Limeira)

Comercial FC – 1×2 (Francisco Palma Travassos); 1×0 (VB)

America FC – 1×0 (VB); 0x4 (SJRP)

A Portuguesa D – 1×1 (Pacaembu); 3×0 (Pacaembu)

Marília AC – 3×1 (Marília); 2×1 (VB)

Guarani FC – 1×1 (VB); 1×2 (Brinco de Ouro)

EC Xv de Novembro (Piracicaba ) – 1×0; 2×1 (VB)

SC Corinthinas P – 1×1 (Morumbi); 0x3 (Morumbi)

EC Taubaté – 3×1 (VB); 3×1 (Taubaté)

CA Juventus – 1×0 (Parque Antártica); 1×1 (Pacaembu)

EC Noroeste – 4×1 (VB); 2×1 (Bauru)

São Paulo FC – 2×2 (Morumbi); 1×1 (Morumbi)

SE Palmeiras  – 0x1 (Parque Antártica); 0x0 (Morumbi)

Finais do 1º turno:

Botafogo FC – 5×1 (Morumbi); 2×0 (Pacaembu)

A Portuguesa D – 1×0 (Morumbi); 2×1 (Morumbi)

Finais do Campeonato:

São Paulo FC – 0x1 (Morumbi); 0x1 (Morumbi)

Amistosos internacionais:

14/10 – 1×0 Sevilla FC (Espanha), em Sevilla – Troféu Cidade de Sevilla

13/03 – 1×2 New York Cosmos (EUA) – Vila Belmiro

26/01 – 0x1 Seleção da Romênia – Vila Belmiro

Um ataque campeão

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Com o vice campeonato da Taça Cidade de São Paulo, o alvinegro já estava classificado para o 3º e decisivo turno.

Antes disso, porém, havia um looooongo  a ser percorrido. Ainda em dezembro de 1978 começava o 2º turno, começou um tanto desconcentrado… perdeu para a Francana, uma vitória opaca sobre a AA Portuguesa no clássico praiano, uma vitória no sufoco contra o “moleque travesso” e um empate com o Marília encerravam o ano de 1978. O Paulistão entraria 1979 afora…

Na 1ª partida de 79, uma grande festa… era o volta de Serginho Chulapa ao ataque tricolor depois de pegar um gancho  de quase um ano por ter chutado um bandeirinha em Ribeirão Preto.

Morumbi lotado e Rubens Minelli, o vencedor técnico do tricolor anuncia que tinha um jeito de segurar o endiabrado Juary… colocaria Marião na marcação do atacante santista. Marião era um zagueiro tipo “armário”, grande, seguro, firme nas bolas altas e seguia toda a orientação do técnico… mas não era um Jurandir ou Roberto Dias, longe disso…

Os tricolores estavam confiantes e comparecem em grande número, mas os santistas eram maioria… até mesmo no setor reservado aos tricolores haviam alvinegros… e não eram poucos, digo isso pois lá estava… eu e mais algumas centenas  de santistas “infiltrados” entre os tricolores.

Aos 12 minutos Juary marca 1×0… grito contido, segurado… afinal não estava no melhor lugar para torcer … E gente chegando… mesmo com 20′ ainda chegava mais torcedores, afinal por ali, atrás do gol era o único lugar que era possível encontrar algum lugar…

Aos 28′, Juary faz 2×0… não segurei e pulei…. Quando vi, tinha um monte de santistas pulando também…. aquele pessoal que estava chegando atrasado eram santistas em sua maioria…

Com 2×0, o alvinegro bailava em campo… e foi assim que virou o 1º tempo.

No início da fase final, Serginho deixa sua marca de artilheiro… explosão no meu setor…  um mar de tricolores transpiravam otimismo, acreditando na virada…

Mas, quem tinha Ailton Lira, Juary, Pita, Nilton Batata e João Paulo não se deixava intimidar…

Um lançamento primoroso de Lira deixa Batata livre na direita…. ele avança e penalti!

Meus amigos, em 1978 penalti era covardia, pois quem cobrava era Ailton Lira… uma cobrança com uma tranquilidade e precisão impressionante e o 3º gol.

Com o São Paulo desmontado, foi só tocar a bola, e bem no finalzinho, Juary ganha um presentão da defesa tricolor, parte em velocidade e outro penalti.  E novamente Ailton Lira marca um golaço de penalti. 4×1!

Ao final a partida, dividindo os prêmios com Ailton Lira, perguntaram ao Juary sobre a marcação especial do São Paulo, sobre a marcação de Marião… Juary respondeu:

Marião? Marião me marcou? e saiu dando risada… Esses eram os meninos da Vila… irreverentes, rápidos e craques.

E o SFC foi seguindo sua batida, vencendo os times do interior… tropeçando em Sócrates, até que chega o clássico com o Palmeiras em 04 de março.

O destaque não é o gol relâmpago de Juary, mas a torcida santista, que abre uma faixa na arquibancada exigindo “Anistia ampla, geral e irrestrita”

FSP - 05/03/1979

A sociedade se levantava contra o poder ditatorial dos militares que mantinham a 15 anos a nação silenciosa. Eram tempos de grande agitação política no Brasil.

Bem , voltando ao Paulistão, o Santos classifica-se para a fase final do turno ficando em 1º lugar em seu grupo (Ferroviária, XV de Piracicaba, XV de Jaú e .Portuguesa). O mata-mata do 2º turno começava contra a Francana, e no sufoco mas com um golaço de Zé Roberto, o alvinegro passa para as semi-finais.

Assim como no 1º turno, quem encara o SFC é a Ponte Preta. A Ponte era a equipe com maior quantidade de pontos (fosse em pontos corridos, seria a campeã). O jogo é dos melhores, compensando cada cruzeiro gasto pelos 53.000 torcedores no Morumbi. O empate de 1×1 manda a partida para a prorrogação, porém faltando 3′ para o final da prorrogação, a Ponte desempata  e se classifica.

É no final do 2º turno que fica claro a bagunça que era a competição… As quartas de final começam com jogos ainda para serem realizados pelo 2º turno… no dia da semi-final entre Santos e Ponte, se disputam outros jogos da quartas de final… o último jogo do 2º turno só aconteceu após a 2ª partida da semi-final… e para completar, preparem-se que esta é a mais surreal de todas: a final do 2º turno (Ponte x Guarani) só foi realizada 2 meses depois, quando o 3º turno tinha acabado.

Nesta confusão começa o 3º e último turno… Os participantes são: Corinthians, Santos, Guarani e Ponte (Campeão e Vice de cada turno); São Paulo e Palmeiras (2 melhores por pontos), Portuguesa (por gols marcados), Francana (por arrecadação), Juventus (Vice do Torneio Incentivo) e Botafogo (a vaga deveria ser do Paulista – Campeão do Torneio Incentivo – mas, como o Paulista foi rebaixado, o tricolor de Ribeirão Preto ficou com a vaga pelo nº de pontos ) . Pois é, na postagem anterior eu errei… tinha esquecido esse “Torneio Incentivo” (Um caça-níqueis disputados pelos clubes que não participaram do Campeonato Brasileiro de 1978).

O Santos ficou no grupo de Ponte Preta, Palmeiras, Juventus e Portuguesa. No outro grupo: Corinthians, Guarani, São Paulo, Botafogo e Francana.

Antes de começar o 3º turno, o Peixe realiza um amistoso no Mineirão  contra o Atlético Mineiro, e vence por 2×1. Santos, Atlético Mineiro, Flamengo, Guarani, Ponte Preta, Corinthians, e Internacional eram os melhores times de 1979.

Cartaz usado no 1º de Maio de 1979 (Imagem: PCO)
Cartaz usado no 1º de Maio de 1979 (Imagem: PCO)

No dia 1º de maio, o Governo do Estado de São Paulo e a FPF promovem uma partida em homenagem ao Dia do Trabalhador: Seleção da Capital x Seleção do Interior, no Pacembu. A seleção da capital vence por 4×1. Na seleção do Interior jogaram Clodoaldo, Ailton Lira, Nilton Batata, Juary e João Paulo, sob o comando de Formiga.  O público não foi dos melhores…. é que no Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, 130.000 trabalhadores comemoravam a mesma data sem a participação do Governo e sem jogo de futebol… Um 1º de Maio de luta, como se dizia na época… diferente de hoje…

No mesmo dia, em Santo André, um mistão do Santos, orientado por Mengálvio, perde para o Santo André (0x2) em partida patrocinada pela Prefeitura de Santo André. Mesmo com portões  abertos, o estádio Bruno José Daniel não encheu…

Voltando ao Paulistão, no início do 3º turno o alvinegro foi arrasador; Pegou o Botafogo e surrou, 5×1. Veio a Francana e mais uma vitória praiana (1×0). Clássico na Vila Belmiro, a instável Portuguesa desce a Serra sob protestos…. e toma de 5×1.

Inexplicavelmente o time desanda…  perde 3 partidas em seguida: São Paulo, Juventus (!) e Palmeiras.

A classificação esta por um fio… O SFC ocupa apenas a 4ª colocação em seu grupo, atrás até do Juventus.

As duas partidas seguintes são contra as poderosas equipes de Campinas, Guarani e Ponte, ambas no Pacaembu. O futebol do SFC renasce, com um toque de bola envolvente bate o Guarani por 3×1 e a Ponte por 2×0.

A classificação para as semi-finais fica novamente visível. Um empate no clássico alvinegro e pronto.

E com um gol de penalti, o alvinegro paulistano vence o praiano por 1×0. A vaga estava quase que nas mãos do surpreendente Juventus (que já tinha eliminado o Corinthians no 2º turno).

Na última rodada, o Juventus enfrentaria a Ponte no Pacaembu e a torcida do Santos compareceu em grande número (quase 9.000 pessoas no estádio) para empurrar o time de Campinas.  E foi assim que a Ponte venceu por 2×1. O Palmeiras venceu o grupo e Santos e Ponte ficaram em 2º, porém no critério de desempate, o Santos foi o classificado (tinha melhor ataque que a Ponte, apesar de ter feito menos pontos…).

As semi-finais apontavam: Santos x Guarani e Palmeiras x São Paulo.

O Guarani era franco favorito, além de ter feito mais pontos que o Santos em todo Campeonato, pegava o alvinegro aos pedaços.

O SFC entraria em campo remendado, desfalcado de alguns de seus melhores atletas… Clodoaldo estava fora do time desde a derrota contra o São Paulo, e na partida contra o Corinthinas perdera de uma só vez, Vitor, Neto, Nilton Batata (contusão e cartões) além do maestro Ailton Lira (expulso).

Sem 5 titulares enfrentaria o completo Guarani.

Entraram no time Flávio (goleiro que fazia a torcida viver fortes emoções), Antonio Carlos (zagueiro  vindo do futebol,de São Bernardo do Campo) e Zé Carlos, Toninho Vieira e Claudinho (todos das categorias de base do alvinegro). O Meio de campo atuou beirando a perfeição com Vieira, Zé Carlos e Pita e o ataque foi novamente infernal… em 90′ liquidou o Campeão Brasileiro de 78, com categóricos 3×1! O Santos estava na final!!!!!!

Na outra semi–final o tricolor, com um gol no último minuto da prorrogação eliminava o Palmeiras. Os dois favoritos verdes caiam.

Era um confronto de contrates, de um lado  o futebol irreverente, rápido de dribles e gols dos meninos da Vila , do outro o experiente, malandro, pesado e tinhoso São Paulo.

Os destaques no tricolor eram Chicão, Dario Pereyra, Serginho Chulapa, Zé Sérgio, Valdir Perez e o técnico tri-campeão brasileiro (Inter 75/76, São Paulo 77), Rubens Minelli.

Ainda com cinco desfalques, o alvinegro entra em campo no gélido Morumbi de uma noite de junho, com um objetivo: manter a vantagem do regulamento em suas mãos, isto é, em caso de empates seria o campeão, pois seu ataque fizera mais gols que o ataque tricolor.

Isso na teoria, pois aqueles meninos não sabiam jogar recuados… mesmo com um time cheio de remendos como aquele que encarou o São Paulo.

O tricolor abre o marcador, Serginho Chulapa (sempre ele), mas o alvinegro não se abala…

E em 10 minutos empata a partida com Juary…  e  tome corridinha em torno da bandeirinha…uma explosão nas arquibancadas.

No 2º tempo, é a vez de Pita marcar e virar o placar, 2×1. O Santos seguiu jogando melhor e colocou a mão no título.

Mas não seria, assim, tão simples. Zé Carlos e João Paulo tomam cartão amarelo e cedem seu lugar no time… agora serão SETE desfalques para a 2ª partida… enquanto isso o tricolor segue completo.

Vieira vai para a posição de volante e Rubens Feijão (também da base) entra com a 8, completando o trio de meio campo com Pita. Célio (outro da base) entrava no lugar de João Paulo… Na prática, era um 4-4-2 que Formiga preparava para enfrentar o matreiro Minelli.

A primeira vista, parecia que o Santos ficaria recuado… mas, quem segurava aquela bando de garotos?

Logo aos 20′ penalti para o SFC. Sem Ailton Lira, é o zagueirão Antonio Carlos que parte para a cobrança… Chicão catimba…. Antonio Carlos bate, Waldir Perez avança quase até a linha da pequena área  e defende…

O alvinegro não desanima e continua em cima, até que no finalzinho do 1º tempo, Célio coloca o Santos na frente, 1×0.

O mar branco transborda no Morumbi. Cerca de 2/3 das 115.000 pessoas são santistas…

No 2º tempo manteve-se a mesma toada… o Santos mandando na partida. Aos 80′ Juary recebe livre na área, chuta … e Waldir Perez defende… era o gol do título… uma pena. E os deuses do futebol não perdoam uma situação dessas… a massa santista já gritava “É Campeão”, quando aos 89′ Zé Sérgio faz o gol que nem os tricolores acreditavam mais, 1×1 e tudo se decidindo na 3ª partida.

No mesmo dia, em Nova Iorque, falecia Cláudio, brilhante goleiro dos anos 60.

Os problemas do SFC persistem… agora é Joãozinho que desfalcará o time na final… o retorno de Neto, Nilton Batata e Zé Carlos é um pequeno alívio…

Na 3ª partida o tricolor não tinha escolha, ou vencia a partida e a prorrogação ou tudo estava perdido.

E assim, alucinadamente feito animal  acuado, o São Paulo se joga na partida… o alvinegro tenta manter em banho-maria, mas Zé Sérgio coloca o SPFC em vantagem… o SFC não é o mesmo das partidas anteriores… parece que sente a responsabiliodade e atua sem saber se parte para cima ou se toca a bola…

No início do 2º tempo Neca amplia, 2×0. O jogo acaba na prática… o São Paulo tem a vitória nas mãos e não precisa fazer mais gols,  e o Santos não quer arriscar… serão 40 minutos de bola rolando e os dois times esperando a prorrogação.

E foi dessa forma, num 2º tempo chatíssimo que as coisas aconteceram.

Fim de jogo, São Paulo 2×0. A maratona absurda daquele Campeonato seria decidido em 30 minutos de prorrogação.

E ao invés do tricolor partir com tudo… quem toma conta é o alvinegro… são 30 minutos de grande exibição, o futebol esquecido nos 90′ foi superado e o gol santista era questão de tempo… gols, gols e mais gols são deperdiçados… Juary, Claudinho e Rubens Feijão perdem chances incríveis… Toninho Vieira e Pita mandam e desmandam no meio de campo e  a  zaga com os imprevisíveis Antonio Carlos e Neto jogam como se deve jogar uma final, sem brincadeiras, sem firula, na base do chutão e da dividida mantinham a bola longe da área santista, dando tranquilidade para Flávio e a massa santista.

Ao final dos 30 minutos termina o Campeonato… Santos, Campeão!!!!!!!!!!!!

Um ataque campeão!

Veja coletânea de gols em 1978:

A campanha vitoriosa:

1º turno:

20/08 – 1×1 SC Corinthians P – Morumbi – 111.103 + 6.525 menores

27/08 – 2×1 AA Portuguesa – VB – 24.867 + 1.606 menores

30/08 – 5×0 Comercial FC – VB – 12.525 + 1.122 menores

03/09 – 2×2 AA Ponte Preta – Moises Lucarelli – 30.568 + 2.653 menores

07/09 – 0x0 Paulista FC – VB – 26.212 + 2.934 menores

10/09 – 0x0 Marília AC –  Marília – 15.394 + 675 menores

17/09 – 4×0 A Portuguesa D –  Morumbi  – 37.039 + 3.178 menores

20/09 – 2×0 EC Noroeste – VB – 21.368 + 2.239 menores

24/09 – 0x0 Botafogo FC – Santa Cruz – 23.451 + 2.634 menores

28/09 – 1×0 AA Francana – VB – 19.924 + 1.249 menores

01/10 – 3×1 São Paulo FC – Morumbi – 91.962 + 5.229 menores

04/10 – 3×1 A Ferroviária E – VB – 25.505 + 1.880 menores

08/10 – 0x0 EC São Bento – VB – 27.237 + 1.220 menores

15/10 – 0x2 SE Palmeiras – Morumbi – 123.318 + 4.105 menores

18/10 –  0x2 Guarani FC –  VB – 28.352 + 2.820 menores

22/10 – 2×2 EC XV de Novembro (Piracicaba) – Piracicaba – 16.269 + 1.620 menores

25/10 – 1×1 CA Juventus – VB  – 14.573 + 672 menores

29/10 – 1×1 EC XV de Novembro (Jaú) – Jaú – 15.447 + 1.911 menores

05/11 – 0x1 America FC – SJRP – 15.071 + 1.770 menores

Finais do turno:

11/11 – 0x0 São Paulo FC (0x0 prorrogação) – Morumbi – 21.920 + 1.632 menores

22/11 – 1×0 AA Ponte Preta  – Morumbi – 31.481 + 1.874 menores

26/11 – 0x1 SC Corinthians P – Morumbi – 120.000

2º turno:

29/11 – 0x2  AA Francana  – Franca – 16.583 + 1.724 menores

03/12 – 2×1 AA Portuguesa -VB – 8.807 + 979 menores

09/12 – 3×2 CA Juventus – Pacaembu – 28.968 + 1.317 menores

16/12 – 0x0 Marília AC – VB – 13.802 + 1.438 menores

28/01/1979 – 4×1 São Paulo FC –  Morumbi – 74.356 + 4.116 menores

03/02/1979 – 2×0 Comercial FC – Palma Travassos – 26.821 + 2.711 menores

11/02/1979 – 1×2 SC Corinthians P –  Morumbi – 103.494 + 5.497

14/02/1979 – 1×0 EC XV de Novembro (Piracicaba) – VB – 16.529 + 1.021 menores

17/02/1979 – 1×0 EC XV de Novembro (Jaú) – VB – 19.258 + 1.280 menores

21/02/1979 – 0x0 EC Noroeste – Bauru – 16.220 + 1.915 menores

24/02/1979 – 0x0 Paulista FC – Jundiaí – 15.110 + 1.016 menores

04/03/1979 – 1×2 SE Palmeiras – Morumbi – 55.585 + 1.841menores

07/03/1979 – 0x2 EC São Bento – Valter Ribeiro – 13.964 + 1.546 menores

11/03/1979 – 3×2 A Portuguesa D – Pacaembu – 36.336 + 1.269 menores

14/03/1979 – 4×0 America FC – VB – 12.438 + 1.694 menores

18/03/1979 – 1×0 Guarani FC – Brinco de Ouro – 30.557 + 3.322 menores

24/03/1979 – 3×0 Botafogo FC – VB – 13.083

28/03/1979 – 0x0 A Ferroviária E – Araraquara – 13.517

02/04/1979 – 0x1 AA Ponte Preta – VB – 27.181 + 3.618 menores

Finais do turno:

14/04/1979 – 2×1 AA Francana – VB – 26.332 + 2.749 menores

19/04/1979 – 1×1 AA Ponte Preta (0x1 prorrogação) – Morumbi – 51.312 + 2.028

3º turno:

03/05/1979 – 5×1 Botafogo FC – VB – 12.006 + 2.143 menores

06/05/1979 – 1×0 AA Francana – VB – 19.069

09/05/1979 – 5×1 A Portuguesa D – VB – 21.497 + 2.688 menores

12/05/1979 – 1×2 São Paulo FC –  Morumbi – 73.803 + 4.225 menores

20/05/1979 – 0x1 CA Juventus – VB – 17.153 + 2.110 menores

27/05/1979 – 1×2 SE Palmeiras- Morumbi – 60.076 + 4.694 menores

30/05/1979 – 3×1 Guarani FC – Pacaembu  -13.152 + 525 menores

07/06/1979 – 2×0 AA Ponte Preta – Pacaembu – 41.346 + 4.697 menores

10/06/1979 – 0x1 SC Corinthians P – Morumbi – 100.569 + 6.198 menores

Finais:

16/06/1979 – 3×1 Guarani FC – Morumbi – 41.352 + 2.856 menores

20/06/1979 – 2×1 São Paulo FC – Morumbi – 81.788 + 6.528 menores

24/06/1979 – 1×1 São Paulo FC – Morumbi – 107.485 + 7.670 menores

28/06/1979 – 0x2 São Paulo FC (0x0 prorrogação) – Morumbi – 74.535 + 5.95 menores

Veja os vídeos das finais:

Explode a massa santista nos estádios, surgem os “Meninos da Vila”.

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

A traumática desclassificação do SFC em pleno Pacaembu calou fundo na alma do santista. O sentimento era de humilhação, e qualquer coisa  poderia detonar consequências imprevisíveis… a falta de paciência da torcida era palpável feito um saco de cimento.

Assim, a direção santista providenciou uns amistosos pelo sul do País para que o time se preparasse para o Nacional de 1978, que seria no 1º semestre, por conta da Copa do Mundo na Argentina…

O time enfrenta o Internacional (Lages-SC) e vence por 3×0, segue para Caçador e enfrenta dois times no mesmo dia e estádio… entra em campo para enfrentar o GRE Kinderman, quando retorna do intervalo esta em campo a A Caçadorense D… é que o Kinderman estava mudando de nome naquela partida… morria o Kinderman e nascia o Caçadorense, e o SFC foi o “padrinho” de batismo do clube catarinense.

Seguiu em amistosos com a mesma irregularidade… perdeu para o Maringá (0x2), venceu o Corintians de Presidente Prudente (2×0) e perdeu para o Guarani (2×3). A massa santista realmente não nutria grandes esperanças em relação ao elenco do alvinegro… Sem nenhum reforço de peso, entraria no Nacional de 78 com pouquíssimas chances de algo acima de 10º lugar… A única vantagem santista era que contaria com todos os seus titulares na competição, enquanto que seus rivais teriam desfalque dos craques que estariam servindo a Seleção Brasileira…

Vejam a tristeza do torcedor da época… em outros anos, numa situação dessas (preparativos da Seleção), o SFC era quem mais sofria desfalques… em 78 não teria nenhum atleta convocado… no máximo contava com Clodoaldo e Joãozinho entre os 40 do listão, mas somente 26 foram chamados para os preparativos…

O Nacional de 1978 continuava no processo de inflação de participantes… teriam nesta competição, a fantástica quantidade de 74 agremiações. A política da Ditadura Militar graçava solta nos salões da CBD, e os novos clubes convidados eram do interior de cada Estado… Itabuna (BA), Anápolis (GO), Chapecó (SC), Pelotas (RS), Uberlândia (MG) e por aí afora.

Na 1ª etapa eram 6 grupos (2 de 13 equipes e 4 de 12); Os 6 melhores de cada grupo fariam parte do “grupos dos vencedores”, sendo redistribuídos em 4 chaves de 9 clubes; Os outros clubes ficavam no “grupo dos perdedores” (em número de 6), uma repescagem onde apenas o campeão de cada grupo passaria à 3ª fase; Esta 3ª fase seria formada com os 6 primeiros de cada chave do grupo dos vencedores, além dos campeões da repescagem, além de mais dois classificados pela melhor pontuação.

Os 32 clubes seriam redistribuídos em outros 4 grupos de 8 times; Os dois melhores de cada grupo passariam para às quartas de final, depois semi-finais e as finais. Toda fase de mata-mata seria em duas partidas. Vitórias por 3 gols de diferença valiam 3 pontos. Um regulamento beirando o caos…

E foi nessa maratona de partidas que o Santos se enfiou  a partir de 25 de março, com previsão de fim de campeonato apenas em meados de agosto, com uma Copa do Mundo no meio…

O grupo do Santos era constituído  por: Corinthians (SP), Goiás (GO), Vila Nova (GO), Anapolina (GO), Misto (MT), Dom Bosco (MT), Operário (MS), Comercial (MS), Brasília (DF), Rio Branco (ES) e Desportiva (ES). Santos, Corinthians, Operário e Goiás eram os favoritos, não necessariamente nesta ordem.

A 1ª partida foi uma grande alegria, 3×0 no Goiás (no Pacaembu), numa grande atuação do ataque alvinegro,destacando-se Juary. O empate contra o Misto (MT) em pleno Pacaembu foi o sinal amarelo para Ramos Delgado… Ainda assim, uma nova vitória por 3 pontos contra o fraco Dom Bosco, deu uma certa tranquilidade, porém um gol contra aos 90′ contra o Comercial (MS), em Campo Grande, voltou a abalar a confiança do elenco…

A partida seguinte foi um triste 0x0 contra o Corinthians, no Morumbi, onde um dos lances mais aplaudido foi um pique dado por Toinzinho na pista de atletismo para retornar ao campo de jogo… era uma tarde seca e a corrida de Toinzinho provocou o levantamento de enorme quantidade de poeira… os torcedores santistas sentiram que tal correria e poeira levantada era uma demonstração de boa vontade e aplaudiu o camisa 8… na realidade, alguns aplaudiram, outros deram risada e muitos choraram ou levaram as mãos à cabeça vendo a cena digna de um campo de várzea.

Atletas santistas se envolvem em polêmica na travessia de balsa, ao retornarem de uma churrascadaAtletas santistas se envolvem em polêmica na travessia de balsa, ao retornarem de uma churrascada

Internamente o clima estava fervendo na Praça Princesa Isabel…

A oposição havia ganho as eleições e preparava uma “limpa” no clube… Ramos Delgado foi chamado para discutir redução salarial (em tempos de inflação brava…1978…)…e claro, Ramos Delgado pediu o boné… e para completara situação, 5 atletas santistas (Ailton Lira, Toinzinho, Reinaldo, Bianqui e De Rossis) se envolveram num rumorosos caso de atentado ao pudor na travessia da balsa (Santos- Guarujá), denunciado por 2 senhoras esposas de médicos conselheiros do Peixe….

Lembrando que no final de 76, a delegação do SFC quase foi expulsa do Hotel em São Luiz (MA) por mau comportamento dos atletas…

Mengálvio é chamado para dirigir a equipe contra o Operário, no Pacaembu…

O time começou bem a partida, com Juary abrindo o marcador… depois…

Depois foi um DESASTRE!

Mengálvio tira Ailton Lira e o SFC cede espaço para o Operário… logo aos 48′ o empate. A torcida não perdoou o antigo craque e pôs-se a vaiar freneticamente o Técnico interino… a pressão aumentava e o Operário na dele, tocando a bola… até que aos 81′ o gol da virada.

O Pacaembu explode em violência…. Torcedores pulam o alambrado e seguem direto para o banco santista, não para reclamar , mas para agredir… a PM entra em cena…  Meus amigos, o tempo fechou de vez… 19.000 santistas enfurecidos enfrentaram a polícia com o que tinham nas mãos… paus, pedras, mastros de bandeiras, foguetes… qualquer coisa…por sua vez os policiais não aliviaram no cassetete… baixaram o porrete na massa santista…

O Onibus do alvinegro foi apedrejado… o estádio do Pacaembu parecia uma praça de guerra ao final das cenas de selvageria coletiva.

Esmeraldo Tarquínio foi eleito prefeito pelo MDB (1968), foi cassado pelos Militares 2 dias antes de assumir o cargo. Seu "crime": ser do MDB
Esmeraldo Tarquínio foi eleito prefeito pelo MDB (1968), e cassado pelos Militares 2 dias antes de assumir o cargo. Seu "crime": ser do MDB

Nos dias seguintes esse era o grande assunto da imprensa santista, juntamente com as dívidas, os credores e a contratação de Formiga (com salário menor que Ramos Delgado). A coisa esquentou tanto que virou debate político… O Secretário de Segurança Pública (de triste memória) era Erasmo Dias (conselheiro do SFC e ligado a ARENA) e o Presidente do Conselho do SFC, era Esmeraldo Tarquínio (Prefeito eleito de Santos, do MDB, que teve seus direitos político cassados pela Ditadura Militar), batiam boca via jornais, cada um publicando sua versão dos fatos…

Esmeraldo Tarquínio protestava como a torcida do Santos foi tratada pela PM, enquanto que Erasmo Dias justificava a ação da PM comandada por ele.

Como testemunha daquela época, posso afirmar que o Secretário da (In)Segurança Pública era do tipo que  mandava bater pra valer, isso em estádio de Futebol, porta de Universidade, Fábrica ou Igreja. E Esmeraldo Tarquínio não aceitava tal comportamento.

A partida seguinte foi no Espírito Santo, e as “organizadas” avisavam o técnico Formiga no intervalo da partida: quebrariam a Vila Belmiro na partida contra a Desportiva!

Os torcedores exigiam a vitória.

Uma providencial ajuda da Tabela afastou o alvinegro do turbilhão de confusão… Empatou com a Desportiva no Pacaembu (sob intenso aparato policial) e seguiu para Goiás e Brasília, retornando a atuar em São Paulo somente um mês após as confusões.

Conseguiu (sabe Deus, como) classificação para a fase seguinte, caindo no grupo de Fluminense, Grêmio, Joinville, Ceará, Náutico, Goiás, Santa Cruz e Bahia.

Derrota no Maracanã para o Fluminense foi um resultado óbvio, empatou em zero com o Goiás e perdeu para o Náutico, no Arruda. A desclassificação rondava a Vila Belmiro… e Formiga lança mão da única solução possível naqueles dias… barrar os “medalhões” e lançar os meninos da base… Na realidade , a grande sacada foi a saída de Toinzinho e efetivação de Pita no meio de campo, ao lado de Toninho Vieira e Zé Carlos. No Ataque: Juary, Célio e João Paulo.

Um empate conquistado aos 90′ foi providencial… uma derrota queimaria os meninos… no entanto, o empate não era tão ruim assim… afinal, o Santa Cruz era um grande time, contava com Nunes (servindo a Seleção) e ao lado do Bahia, encarava qualquer time do Sul/Sudeste sem o menor temor.

Duas vitórias em sequência (Ceará e Joinville) aseguraram a classificação para a 3ª fase.

Abriu a 3 ª fase com uma goleada sobre o Goytacaz (4×0), com ótimas participações dos meninos… mas, na partida seguinte, surgia o Botafogo (RP) e Sócrates… e novamente o Doutor provocava uma derrota santista… pegou o Guarani, em Campinas,  e nova derrota. Porém o Guarani  já surpreendia com o futebol de Careca, Zenon, Renato “pé-murcho” e Zé Carlos (ex-Cruzeiro).

Foi para Porto Alegre e perdeu para o Inter, mas Nilton Batata bailou  no gramado… Veja a foto abaixo e conheça quem sofreu com o futebol de Nilton Batata:

E encerrou a participação vencendo o Goiás e empatando com o Botafogo (PB). Conheça, agora, toda a campanha santista:

25/03 – 3×0 EC Goiás – Pacaembu – 30.584 pagantes  + 2.152 menores

29/03 – 1×1 Misto EC – Pacaembu – 12.250

02/04 – 3×0 CE Dom Bosco – José Fragelli (Cuiabá) – 15.926

05/04 – 0x1 Comercial EC – Pedro Pedrossian (Campo Grande) – 13.195

08/04 – 0x0 SC Corinthians P – Morumbi – 53.482 pagantes + 3.253 gratuitos

20/04 – 1×2 Operário FC – Pacaembu – 19.232

23/04 – 2×2 Rio Branco AC – Engenheiro Araripe – 4.508

26/04 – 1×1 A Desportiva VRD – Pacaembu – 10.894

07/05 – 3×1 Vila Nova FC – Serra Dourada – 15.574

10/05 – 1×2 Brasília FC – Elmo Serejo – 18.198

14/05 – 1×1 AA Anapolina –  Jonas Duarte – 6.271

2ª fase:

21/05 – 1×2 Fluminense FC – Maracanã – 13.081

24/05 – 0x0 Goiás EC – Serra Dourada – 22.939

28/05 – 0x2 C Naútico C – Arruda – 7.147

31/05 – 1×1 Santa Cruz FC – Pacaembu  – 11.534

04/06 – 0x3 EC Bahia – Fonte Nova – 22.033

07/06 – 2×1 Ceará SC – Vila Belmiro – 7.745

10/06 – 3×0 Joinville EC – Vila Belmiro – 5.095

17/06 – 0x0 Grêmio FPA –  Morumbi – 10.084

3ª fase:

02/07 – 4×0 Goytacaz FC –  Vila Belmiro – 19.375

05/07 – 1×2 Botafogo FC (SP) – Santa Cruz  – 12.640

08/07 – 1×2 Guarani FC –  Brinco de Ouro – 16.908

13/07 – 0x0 Londrina EC – Vila Belmiro – 19.181 pagantes + 1.125 menores

16/07 – 0x1 SC Internacional –  Beira Rio – 21.078

19/07 – 3×0 Goiás EC –  Vila Belmiro – 10.787

22/07 – 1×1 Botafogo FC (PB) – José Américo de Almeida (João Pessoa) – 8.429

O Campeonato Paulista se aproximava e o SFC ficou realizando amistosos na Vila Belmiro: Fluminense, Noroeste, Villa Nova (MG) e America (RJ) foram os adversários. Um único reforço chega ao clube: Vitor, bom goleiro reserva do Cruzeiro.

O Campeonato Paulista de 1978 foi o mais longo de todos os Campeonatos promovidos pela FPF. Durou quase um ano, começando em 20 de agosto de 1978 e terminando em 28 de junho de 1979!!!!!

O motivo foi a fórmula das mais extravagantes adotada pela cartolagem. O regulamento maluco era assim:

1º turno (Taça Cidade de São Paulo): 20 clubes divididos em 4 grupos de 5 clubes. Jogos entre todos os 20 times; os dois melhores de cada grupo classificavam-se para as quartas de final, depois semi-final e a final do turno;

2º Turno (Taça Governador do Estado): A mesma do 1º turno, porém com a formação de 4 grupos diferentes do 1º turno.

3º turno final: 10 clubes divididos em duas séries de 5 clubes. Jogos entre os 10 times, os dois melhores de cada série passam para a semi-final, e os vencedores fazem a final em melhor de 3 pontos.

A grande novidade era a forma de classificação para o 3º turno: Campeão e Vice de cada turno; os dois melhores por pontos; os dois melhores por arrecadações (!!!) e os dois melhores ataques (!!!!!!!!).

Nas fases de mata-mata (qualquer turno, 1º, 2º,  3º – inclusive a final), em caso de empate, seguia em frente a equipe com melhor ataque(!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)

O Campeonato começou em grande estilo:

Santos x Corinthians, no Morumbi. Estreia de Sócrates no alvinegro paulistano. Batismo de fogo para os Meninos!

Formiga fez o time entrar assim no gramado:  Vitor; Nelsinho Batista, Joãozinho, Neto e Gilberto Sorriso; Clodoaldo, Aílton Lira e Pita; Nilton Batata, Juary e João Paulo.

Pita com a 10 e Ailton Lira com a 8…

O time surpreendia o atônito Corinthiinas e aos 4′ Pita manda um balaço no travessão… os santistas mal acreditavam… o time finalmente jogava bem… eu, particularmente tinha visto isso pela última vez em 1973/74… eram 4 anos de uma agonia que finalmente terminaria… os meninos eram rápidos e bons de bola… Juary, um azougue;  Nilton Batata, um raio driblador e João Paulo colocava a bola onde queria… Clodoaldo, aos 29 anos, dava a tranquilidade que um volante precisa dar a defesa.. e Ailton Lira e Pita dispensam maiores apresentações… dois craques, dois mitos do meio campo. Na defesa Joaõzinho tinha que compensar todos os outros, não que fossem uns pernas-de-pau, mas também não eram craques… Nelsinho Batista, Gilberto Sorriso e Neto montavam uma linha de zagueiros bem razoáveis… nenhum teria oprtunidade numa seleção brasileira. E Vitor, era muito mais seguro que Ricardo, Willian, Wilson Quiqueto ou Joel Mendes juntos.

Assim o Peixe comandou boa parte do clássico e logo no início do 2º tempo, Pita abriu o marcador… Pode-se dizer que o Mar branco se abriu no Morumbi!

Hoje não sei dizer o que era mais belo: o gol de Pita ou a massa santista dividindo o Morumbi meio  a meio…

Mas os meninos cansaram… e cansar jogando contra Sócrates era algo muito perigoso…faltando 10′ Rui Rei (Ex- Ponte, polêmico atacante envolvido numa estranhíssima expulsão na final entre Ponte x Corinthians) empata o jogo.

A Torcida se empolga com seus meninos… seus, pois foram os torcedores que insistiram para que houvesse a promoção dos garotos ao time de cima… e no clássico das praias a Vila Belmiro esta abarrotada e vê uma vitória apertada por 2×1

O Comercial seria o próximo adversário… em 15′, o Santos abre 3×0. Era o futebol “discoteque”!

Discoteque era o ritmo que estava na moda em 1978… na esteira de produtos como o filme “Embalos de sábado  a noite”, “Bee Gees” e muita disco-music.

As meninas usavam essas meias... Dá para acreditar?
As meninas usavam essas meias... Dá para acreditar?

E o Santos virou o time da moda…

O Compromisso seguinte seria em Campinas, contra a temível Ponte Preta. A Ponte tinha um timaço, com Carlos, Oscar, Polozzi, Dicá, Dario (da Copa de 70), além de Vanderlei, Marco Aurélio, Lúcio e Odirlei.

A Ponte abre 2×0 e toca a bola com categoria esperando o tempo passar… até que faltando 5 minutos a “discoteque” começa a funcionar e o alvinegro empata a partida. Explosão num canto de Moisés Lucarelli… e o pau quebra nas arquibancadas… eram 33.000 torcedores se apertando no velho estádio da Ponte… uma pancadaria sem proporções no Estádio, e a torcida santista ganhava a fama de fanática, entusiasta e…. violenta (lamentavelmente)….

Em Marília, outra confusão da massa santista… mas quando chega o clássico contra  a Portuguesa,  o Morumbi vira o “Dancin’ Days” ou o “Papagaios” (discotecas da época)… o Santos lasca 4×0 e com o baile característico do futebol “disco”.

Vence o Noroeste, empata em Ribeirão Preto (Botafogo) e passa pela Francana.

O SFC é a sensação do futebol paulista.  A Tabela marca mais um clássico no Morumbi: São Paulo.

Um confrontos de invictos… E Juary destrói a defesa tricolor… marca 3 gols!!!! Um espetáculo, em campo, nas arquibancadas e no placar.

Veja os gols e Juary correndo em volta da bandeira de escanteio:

Depois do massacre santista, não havia espaço para dúvidas… aquele era um grande time, digno das tradições alvinegras desde os anos 20… jovem, ousado, goleador.

Mais duas semanas e outro clássico, contra o Palmeiras… CENTO E VINTE E SETE MIL pessoas no Morumbi. Sim, meus amigos, vocês estão lendo corretamente… 127.000 torcedores super-abarrotaram o Morumbi… uma pena que o a invencibilidade alvinegro foi quebrada… (0x2).

A partida seguinte foi contra o Guarani (campeão Brasileiro de 1978) e 31.000 santistas ocuparam a Vila e viram outra derrota… (0x2).

O time perde um pouco a concentração,  mas a sua pontuação é o suficiente para garantir a participação na fase decisiva do turno. Ficou em 2º lugar em seu grupo (Ponte, Paulista, Noroeste e Portuguesa Santista) e enfrentaria o São Paulo.

A partida fica no 0x0, inclusive na prorrogação. O tricolor tinha feito 28 pontos, contra 23 do SFC. MAS o regulamento previa que, em caso de empate, o classificado seria a equipe com melhor ataque… e isso o Santos tinha com enorme folga (27 x 18). Dessa forma, o classificado foi o alvinegro… claro que o tricolores prostestaram, entraram na justiça, pararam o  Campeonato… no final o veredicto foi o seguinte: o regulamento prevê como critério de desempate o melhor ataque, portanto Santos classificado.  Assim “sem choro, nem vela” o Santos seguia e o tricolor ficava pelo caminho…

A semi-final seria contra o Ponte Preta (talvez a melhor equipe nos anos de 76/80)… só que a Ponte tinha um  problema: ou era garfada ou tremia…

E naquela quarta-feira, Ailton Lira cobrou uma falta de maneira perfeita e decretou a eliminação do alvinegro campineiro.

Na outra semi-final, o Corinthians eliminava o Guarani e colocava-se na final contra o Santos FC.

Era a oportunidade de redenção ao clube de Vila Belmiro… no entanto, um fato chamou a atenção de todos: o árbitro escalado seria Dulcídio Vanderlei Boschilia, o mesmo que comandara o título, ops, a partida entre Corinthians e Ponte, em 1977 (veja referência ao fato em: http://prof-guilherme.capesp.org/?p=2439)

O Dulcídio fez o que todos esperavam: Corinthians 1×0 Santos.

Morumbi com 120.000 alvinegros… jogo duro, parelho… ataque santista pela direita, Pita recebe entra na área e cai… pênalti seria a marcação comum… mas, esse não seria um jogo comum (o Corinthians disputava um título…) e Dulcídio manda seguir… aos 35′ Sócrates manda de calcanhar para Palhinha, entra na área e cai… pênalti, marca Dulcídio. Clodoaldo se desespera… reclama, gesticula, reclama mais…. e leva o cartão vermelho (muita semelhança aos fatos de 77). O grande capitão fica fora de si… corre, pula, faz gestos com as mãos em sinal de roubo, é cercado pelos policiais, pela imprensa,  até que tomba desmaiado… as imagens são impressionantes.

Com 10 jogadores e um penalti contra, a perspectiva do SFC é das piores… Zé Maria cobra e Vitor defende… O Santos não era a Ponte Preta!

O 2º tempo é uma agonia… o Santos joga pelo empate (no jogo e na prorrogação)…. com 10 no gramado, sem Juary (contundido, nem entrou em campo) e sem Clodoaldo, o alvinegro incorporva toda a raça, toda garra possível.

No final da partida Sócrates entra na área (em posição duvidosa), divide com Vitor, sobra para Palhinha e gol.

Fim das esperanças do título, mas a certeza que o SFC renascera.

A certeza que aquele time tinha alma, e que sua alma era Clodoaldo.

A certeza que aquele time tinha um comandante: Formiga

A certeza que tinha dois craques: Ailton Lira e Pita

A certeza que tinha um goleador nato: Juary.

A certeza que tinha os dois melhores pontas do Brasil, naquele 2º semestre de 1978: Nilton Batata e João Paulo.

A certeza que o Santos não morrera, como diziam.

Que a alegria de jogar para frente, buscando o gol,  estava impregnado em Vila Belmiro. E  embalado ao som da disco-music do final dos anos 70, muitas alegrias e surpresas estavam à espreita em 1979.

Fichas técnicas

28/01/1977 Santos FC 2×0 CA River Plate (ARG)

Local: Nacional de Santiago – Santiago (CHI)

Competição: Torneio Hexagonal do Chile

Renda: Cr$ 800.000,00

Público: 25.000

Árbitro: Juan Silvano

Expulsão: Ailton Silva (SFC) expulso

Gols: Aílton Lira 62′ e 75′

SFC: Ricardo; Leo, Ailton Silva, Neto e Fernando; Clodoaldo, Ailton Lira e Toinzinho (Zé Mario); Nilton Batata, Totonho e Reinaldo (Marçal).

Técnico: Urubatão

CARP: Landaburu; Saporitti, Perfumo (Pena), Artico e Hector Lopez; Merlo (Cocco), JJ Lopes e Sabela; Pedro Gonzaçez, Bianco e Ortiz (Commisso).

Amplo domínio santista no 2º tempo, time saiou ovacionado do Estádio…


27/02/1977 Santos FC 3×3 A Portuguesa D (São Paulo)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: – Campeonato Paulista

Renda: Cr$ 1.091.606,00

Público: 52.558

A: José de Assis Aragão

Gols: Bozó 2′ e Toinzinho 61′ e 73′ – Enéas 19”, 49′ e 58′

SFC: Ricardo (Wilson Quiqueto); Leo Paraibano, Aílton Silva (Otávio), Neto e Fernando; Carlos Roberto, Ailton Lira e Toinzinho; Nilton Batata, Totonho e Bozó .

Técnico: Urubatão

APD: Moacir; Marinho, Mendes, Alexandre Pimenta e Bolívar; Badeco e Alexandre Bueno; Antonio Carlos, Enéias, Tata e Valtinho (Esquerdinha).

Técnico: Oto Glória

Nilton Batata deu um show na direita e Toinzinho marcou dois belos gols… partida eletrizante no Pacaembu, com Eneas (APD) jogando muito. Reação santista foi empolgante.

07/08/1977 Santos FC 1×1 C Atlético de Madrid (ESP) (5×6 penaltis)

Local: Morumbi – São Paulo (SP)

Competição: Taça Governador do Estado

Renda: Cr$ 2.446.050 (Rodada dupla, na preliminar Corinthians x Palmeiras)

Público: 67.314 + 4.825 (72.139 total)

A: José Faville Neto

Expulsão: Leal (CAM) expulso

Gols: Juary 35′ – Bermejo 60′

SFC: Ricardo; Fausto, Marçal, Alfredo Mostarda e Fernando; Bianchi (Silva), Zé Mário e Ailton Lira; Nilton Batata, Juary (Reinaldo) e Bozó .

Técnico: Oto Glória

CAM: Reina; Marcelino, Eusebio, Luis Pereira e Capón; Rubi, Marcial, Leal e Agullar (Bermejo); Caño e Ayala (Alberto).

Decisão por pênaltis: SFC: Alfredo Mostarda, Fausto, Ailton Lira, Reinaldo e Fernando marcaram; Bozó e Zé Mário perderam penaltis;

CAM: Marcial, Alberto, Fernejo, Cappon, Cano e Luis Pereira marcaram; Rubi perdeu penalti

Outra boa apresentação santista… a boa novidade foi a grande apresentação do menino Juary, marcando um gol sobre o consagrado Luis Pereira. Juary foi capa da revista Placar na semana seguinte e chamava a tenção dos torcedores santistas. Ao lado de Joãozinho e Clodoaldo eram os destaques do time no 2º semestre de 1977

01/10/1977 Santos FC 1×2 New York Cosmos (EUA)

Local: Giant Stadium – New York (EUA)

Competição: Amistoso

Público: 75.646

A: Gino Hipólito

Gols: Reinaldo 14′ – Pelé (f) 43′ e Mifflin 49′

SFC: Ernani; Fernando, Joãozinho, Alfredo Mostarda e Neto; Carlos Roberto, Zé Mário e Ailton Lira (Pelé); Nilton Batata, Reinaldo (Juary) e Rubens Feijão (Bianchi).

Técnico: Oto Glória

NYC: Messing (Yasin), Nelsi (Hunter), Roth (Mike), Carlos Alberto (Bob Smith) e Rildo (Formoso); Garbett (Vitor) e Beckenbauer; Tony Field (Ord), Chinaglia, Pelé (Ramon Miflin) e Hunt (Oliveira).

Tércnico: Eddie Firmani

Obs: Despedida de Pelé, atuando um tempo para cada equipe. Nelsi, Carlos Alberto, Rildo, Pelé e Mifflin ex-santistas. Ernani armou uma barreira com apenas 2 jogadores e Pelé ia bater a falta… Ernâni não conhecia Pelé… Os times não mudaram de campo, apenas Pelé. Presença de diversas personalidades: Mohamed Ali, Henry Kissinger, Sergio Mendes, Roberta Flack, Jeff Carter (filho do Presidente dos EUA, Jimmy Carter), Robert Redford entre outros1

11/10/1977 Santos Fc 3×2 C  León (México)

Local: Estádio de Leon (Nou Camp) – Leon (MEX)

Competição:  Triangular do México – Torneio Copa Governador Luis Ducoing

Público: 20.000

A: Marco Antonio Borantes

Expulsões: Zé Mário, Ailton Lira e Milton Teixeira (Dirigente do SFC) expulsos

GOls: Zé Mário, Nilton Batata e Juary – Alfredo Mostarda (contra) e Rodriguez

SFC: Ernani; Fernando, Joãozinho, Alfredo Mostarda e Fausto; Carlos Roberto, Zé Mário e Ailton Lira; Nilton Batata, Juary e Bozó (Bianchi).

Técnico: Oto Glória

CL: Miranda; Razo, Ayala, Diaz (Batalha) e Florez; Luiz Gomes, Delgado e Mauri; Rodrigues, Calu (Echevarry) e Alberto Jorge (Salomão).

Veja o vídeo produzido pelo Wesley Miranda com a partida Santos x America (México) pelo  Triangular do México:


11/12/1977 Santos FC1x1 SE Palmeiras (São Paulo)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Brasileiro

Renda: Cr$ 2.018.220,00

Pùblico: 68.327 + 5.205 menores (total de 73.532)

A: Luís Carlos Félix

Expulsões: Pires (SEP) e Toinzinho (SFC) expulsos

Gols: Toinzinho 62′ – Jorge Mendonça 43′

SFC: Ricardo; Nelsinho Batista, Joãozinho, Fernando e Gilberto Sorriso; Carlos Roberto, Ailton Lira e De Rossis (Juary); Nilton Batata, Toinzinho e João Paulo (Bianchi).

Técnico: Ramos Delgado

SEP: Leão; Rosemiro, Jair Gonçalves, Beto Fuscão e Vacaria; Pires, Zé Mário e Jorge Mendonça; Edu, Toninho e Macedo (Adriano).

Técnico: Jorge Vieira

Mais de 70.000 pessoas no Pacaembu…Umas 2.000 penduradas em árvores e barrancos ao redor do Estádio. Recorde absoluto de público!

Boas participações de Toinzinho e Aílton Lira… resultado justo que satisfez o enorme público… Tiveram que liberar as catracas do Pacaembu, a real presença de presentes é muito difícil, até hoje,  de se afirmar qual foi.