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Fim dos meninos

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

A década de 80 começa com  sinais de grandes mudanças para o Brasil.  O fato mais importante do ano foi o atentado no Rio Centro, quando forças da repressão política, inconformadas com o avanço democrático no País explodiram duas bombas durante um show de MPB em comemoração ao Dia do Trabalhador (véspera de 1º de maio de 1981). A ideia era culpar grupos de esquerda no atentado… mas tudo saiu diferente do planejado… a bomba principal explodiu antes do previsto nas mãos dos condutores da mesma… e eram homens ligados aos órgãos de repressão do Governo Militar. Por sinal foram as únicas vítimas dos artefatos… o público presente ao show só tomou conhecimento das explosões quando avisadas por Gonzaguinha, que subiu no palco para dar a notícia.

O atentado frustado foi uma tentativa de endurecimento da Ditadura planejado por membros da repressão
O atentado frustado foi uma tentativa de endurecimento da Ditadura planejado por membros da repressão

O desastroso fato  atentado serviu para comprovar que o Ditadura dava seus últimos suspiros… o pluripartidarismo já era uma realidade com a criação de mais 3 partidos: o PT, a volta do PTB e o nascimento do PDT, liderado por Leonel Brizola, que havia perdido o comando da sigla do PTB no Supremo Tribunal Eleitoral. A ARENA tinha mudado de nome para PDS e o MDB virava o PMDB (proncipal partido de oposição na época).

No futebol o grande acontecimento no início do ano foi o Mundialito de Seleções no Uruguai, em comemoração aos 50 anos da conquista do Título Mundial em 1930.

Vejo o vídeo da vitória uruguaia e identifique dois monstros que, alguns anos depois chegaram à Vila Belmiro: Rodolfo Rodriguez e Hugo de Léon.  Seleção brasileira que contou com dois santistas no ano de 1981: Marolla e Pita. João Paulo que havia sido convocado em 1980 não foi chamado novamente.

Se quiser conhecer mais sobre o Mundialito veja o filme: “Mundialito, la pelicula”.É Muito bom!

No  Santos FC as coisas também mudavam, infelizmente não para melhor…

Dos Meninos da Vila, sobravam apenas 4: Pita, Toninho Vieira, Rubens Feijão e João Paulo. E mesmo assim não eram titulares absolutos (apenas Pita era o inconteste dono do meio de campo),  Nilton Batata deixava o clube e seguia para o México exibir seu futebol veloz e cheio de dribles…

Pepe deixava o comando técnico santista e quem vinha substituí-lo era Sérgio Clérice, que tinha realizado um bom trabalho na AA Internacional (Limeira) em 1980.

A direção santista começava a apostar em jogadores baratos pelo interior e medalhões fora de sua melhor forma. No balaio de jovens promessas que desembarcavam na Vila estavam Carlos Silva (meio de campo, Ex-Fernandópolis) e Roberto Biônico (atacante, Ex- XV de Jaú), além de Mococa (volante, Ex- Palmeiras). Os veteranos viriam mais para o meio do ano.

Realiza dois amistosos no início de janeiro,  1×1 com o Fernandópolis (como forma de pagamento do passe de Carlos Silva) e 2×2 contra a Inter de Limeira.

E o time esta pronto da começar o Campeonato Brasileiro.

Campeonato que será parecido com o de 1980, com poucas mudanças. Na Taça de Ouro, as mudanças ocorriam na 3ª fase, onde os 16 classificados jogariam no sistema de mata-mata até a final.  Na Taça de Prata, mudanças mais significativas, como a redução no número de participantes (48), mantendo a classificação para a Taça de Ouro no meio da competição.  A grande novidade era a presença do Palmeiras na Taça de Prata.

Mas, como os grandes times disputavam a Taça de Ouro, vamos tratar dela, afinal ali era o lugar do Santos FC , um time que NUNCA disputou uma divisão de acesso, torneio classificatório ou teve que viver o vexame do rebaixamento.

E mesmo com um time sem brilho, terminou a 1ª fase do Campeonato Brasileiro como Campeão de seu grupo e em 1º lugar entre todos os participantes da competição.

Foi uma campanha invicta, que vamos conhecer de imediato:

18/01 – 0x0 CR Flamengo – Maracanã – 30.191

21/01 – 5×2 CRB – Vila Belmiro – 9.337

25/01 – 1×1 Santa Cruz FC – Arruda – 24.992

28/01 – 4×0 Paissandu SC – Vila Belmiro – 17.750

01/02 – 0x0  Cruzeiro EC –  Morumbi – 29.223

04/02 – 1×0 Sampaio Correia FC –  Nhozinho Santos  – 18.635

07/02 – 3×0 AO Itabaiana – Batistão –  10.004

14/02 – 3×0 Nacional FC – Vila Belmiro – 13.087

21/02 – 2×1 Fortaleza EC – Castelão – 9.349

O SFC era o único invicto, tinha ficado acima do Flamengo em seu grupo, mesmo assim a torcida estava ressabiada… faltava um craque no time, Elóy apesar de ser bom jogador não fazia a mesma função de Ailton Lira (nesta altura, já no Oriente Médio) e Aloisio Guerreiro e Roberto Biônico, que se revesavam no comando do ataque não matavam as saudades de Juary… pois assim como faziam gols, também os perdiam…

Veja como eram os gols santistas em 1981:

Na 2ª fase ficou num grupo com Misto (MT), Botafogo e Bangu.

A ausência de Pita no meio de campo, aliado com a irregularidade de Aloisio Guerreiro, Roberto Biônico e Claudinho provocaram a queda de rendimento da equipe, ficando em 2º lugar em seu grupo, e tendo que enfrentar o fortíssimo São Paulo que contava com metade da Seleção Brasileira em seu elenco.

Os jogos nesta fase foram:

08/03 – 1×1 Misto EC – José Fragelii – 15.520

12/03 – 2×0 Bangu AC – Vila Belmiro  – 19. 779

15/03 -1×2 Botafogo FR – Maracanã -21.678

21/03 – 2×0 Misto EC –  Vila Belmiro- 12.538

28/03 – 1×1 Bangu AC – Moça Bonita – 2. 353

03/04 – 0x0 Boatfogo FR – Pacaembu – 35.695

A direção santista brigou para atuar na Vila Belmiro, porém a CBF considerou que o mando de campo para o SFC seria no Pacaembu. A 2ª partida seria no Morumbi.

E assim como na decisão do Paulistão-80, o Santos perdeu as duas partidas: 0x2 no Pacaembu (08/04, com 45.433 torcedores presentes no Estádio) e 1×2, em 12/04, com 59.766 torcedores no Morumbi.

E assim, mesmo tendo feito mais pontos que o Grêmio (que seria o campeão) o alvinegro estava eliminado do campeonato.   Como se vê, o  sistema não era dos mais justos…

Bom, justiça no futebol naqueles tempos era algo meio raro de se encontrar…

Veja o vídeo abaixo e conheça mais um capítulo (Libertadores 81) de absurdos a favor de um clube.

Deixando a sujeira de lado e voltando ao futebol, no final de abril começava o Campeonato Paulista, que novamente teria um regulamento confuso cheio de fases e jogos…

Durante o Campeonato  Brasileiro, foi disputado um Torneio entre os clubes do interior, onde os dois primeiros deste Torneio ficaram classificados para as finais do 1º turno. O 1º turno foi jogado e os 6 melhores classificados para a fase final, quando somados com os dois do interior do Torneio de classificação totalizavam 8 clubes. Esses 8, seriam divididos em duas séries de 4 equipes. O Campeão de cada série disputava a final do turno em duas partidas, para definir o Campeão do turno.

Enquanto os 8 times definiam o Campeão do 1º turno , os 12 desclassificados foram divididos em 3 grupos, jogando dentro do mesmo grupo em turno e returno… os 3 campeãoes disputavam um triangular final e definiam os dois qualificados para as finais do 2º turno.

O 2º turno, classificava 6 equipes para a 2ª fase do retruno , que somadas com as duas entre os desclassificados do 1º turno somavam 8 clubes divididos em duas ?eries de 4. Os campeões de cada série disputavam as finais do 2º turno. Os campeões de cada turno fariam  a final do Campeonato.

Tudo bem simples, não é mesmo?

E mesmo sem ter um time brilhante o SFC fez o seu papel, classificando-se para as duas fases finais de turno, sem ter que passar pelo vexame de São Paulo, Palmeiras e Corinthians e disputaram o Torneio dos desclassificados do 1º turno…

Para o  Paulistão a direção correu atrás de reforços e eles vieram para a defesa, meio de campo e ataque

No meio de campo a principal contratação foi a de Elóy, da Inter de Limeira, que havia ganho a Bola de Pratada Revista Placar.

Elóy recebendo a Bola de Prata no programa de TV do Chacrinha.
Amaral foi titular na Copa de 1978

A maior contratação era o zagueiro Amaral, que tinha atuado na Copa de 1978 como titular absoluto da seleção. Porém, Amaral não era mais o mesmo… tinha perdido a condição de titular do Corinthians e chegava ao Santos para dar a volta por cima. Também chegava o lateral Suemar (Ex- Palmeiras) e no meio do 2º semesttre aportavam os veteranos Palhinha e Chicão, ambos vindos do Atlético MG.

Chicão e Palhinha chegavam à Vila tentando um título que negado no Galo Mineiros

O alvinegro segue aos trancos… mas seus destaques foram internacionais.

Em maio, segue para Assunção para um amistoso contra a Seleção do Paraguai, no caldeirão dos “Defensores del Chaco”.

Com uma atuação firme e segura e destaques para Elóy e Pita, o Alvinegro venceu por 2×1.

Em junho, parte para a Europa , onde disputou em Milão o Mundialito de Clubes.

O Mundialito foi uma competição não oficial  que reuniu clubes Campeões Mundiais: Santos e Peñarol (América do Sul) e Internazionale, Milan e Feynoord (Europa). Todas as partida foram no San Siro, em Milão e o desempenho do Peixe foi, de certa forma, surpreendente.

A diferença econômica entre os times sulamericanos e europeus já era visível, com craques do Brasil, Uruguai e Argentina trocando sua terra natal pelos dólares europeus, além disso o próprio Santos não era sombra do time dos anos 60 e muitos temiam por um vexame em solo italiano.

Mas quando o Santos FC entra em campo, muitas vezes seua atletas se superam… e isso aconteceu novamente.

Na 1ª partida um empate contra o Peñarol (Campeão Uruguaio de 81 e da Libertadores de 1982): 1×1

Enfrenta o Milan (campeão Italiano de 1980) e uma brilhante vitória premia o SFC: 2×1, de virada!

A equipe liderava a competição ao lado da Inter e do Feynoord, seus próximos adversários.

Elóy, tinha tinha recebido diversos prêmios como o melhor em campo contra o Milan, atua como falso centro-avante novamente, mas o desempenho da equipe não foi o mesmo… sendo derrotado pela Inter por implacáveis 4×1.

Na última rodada enfrenta os holandeses de Roterdã e, mesmo não repetindo a atuação contra o Milan, vence por 2×0.

O Vice campeonato do Mundialito rendia aos combalidos cofres alvinegros a importância de 40.000 dólares, nada desprezível para a ocasião.

No Campeonato Paulista, o time era o melhor dos 4 grandes, mas abaixo dos dois clubes de Campinas… ficou em 6º lugar na fase de classificação do 1º turno com a Campanha:

2×3 AA Internacional – VB

2×0 A Portuguesa D – VB

1×1 Guarani FC – VB

2×1 Marília AC – Marília
2×0 EC Noroeste – VB

1×0 EC Taubaté – VB

0x1 AA Ponte Preta –  Moisés Lucarelli

1×0 América FC – VB

1×2 Comercial FC –  Francisco Palma Travassos

2×0 Botafogo FC – VB

0x2 SC Corinthians P –  Morumbi

4×0 EC São Bento – VB

1×1 EC XV de Novembro (Jaú)  – Jaú

2×2 AA Francana  – Franca

0x3 São Paulo FC –  Morumbi

4×1 A Ferroviária E – VB

0x1 São José EC –  São josé dos Campos

1×0 SE Palmeiras  –  Morumbi

0x2 CA Juventus  – Rua Javari

Classificadoo estava, mas a campanha era decepcionante… outra derrota para o tricolor (a 5ª seguida), continuava sem vencer o Corinthians, e nenhuma vitória no interior. Tudo isso somados, não davam o menor favoritismo ao Peixe no seu quadrangular final do 1º turno ao lado de Ponte Preta, América e Botafogo.

E na 1ª partida da fase final um desastre completo: Santos 0x5 Ponte Preta.

Sergio Clérice que já balançava desde o Mundialito, desaba. Quem vai para o comando técnico é Coutinho.

E mesmo com a troca de  comando o time não consegue um desempenho muito melhor, amargando a última colocação de seu grupo:

Esse era o time base da Ponte, campeã do 1º turno de 1981
Esse era o time base da Ponte, campeã do 1º turno de 1981, que provocou a queda de Sérgio Clérice

0x5 AA Ponte Preta  – Moisés Lucarelli; 1×2 – VB

0x0 Botafogo FC – VB; 0x1 – Santa Cruz

1×2 América FC –  SJRP; 2×0 – VB

Para o 2º turno , a direção sabia que as coisas não poderiam continuar como estavam… e parte para o s medalhões, com a chegada Palhinha e Chicão. E os dois veteranos fizeram o que se esperav, mas o elenco no todo era muito frágil. E a campanha sem convencer continuava, apesar dos bons resultados.

Como vários times faziam campanhas irregulares, o SFC chegou na última rodada  podendo ficar em 1º lugar na fase de classificação, porém uma nova (mais uma, a 6ª) derrota para o tricolor, deixou a equipe em 3º lugar, ao lado de São José, Ponte e XV de Jaú.  Na realidade foram 3 derrotas seguidas que tiraram a liderança do turno das mãos alvinegras.

Campanha:

0x0 EC Noroeste – Bauru

0x0 AA Internacional  – Limeira

0x0 A Portuguesa D – Canindé

2×0 São José EC – VB

1×0 AA Francana -VB

0x0 EC Taubaté – Taubaté

2×2 XV de Novembro (Jaú)- VB

0x3 Botafogo FC –  Santa Cruz

2×0 Comercial FC – VB

0x0 SE Palmeiras – Morumbi

0x0 AA Ponte Preta –  VB

2×1 EC São Bento – Sorocaba

2×2 SC  Corinthians P – Morumbi

4×1 Marília AC – VB

1×0 América  – SJRP

3×0 CA Juventus  – VB

0x2 Guarani FC – Brinco de Ouro

0x1 A Ferroviária E –  Araraquara

2×3 São Paulo FC –  Morumbi

Na fase final caiu num grupo equilibrado com Ponte Preta, Palmeiras e São José .

A essa altura Coutinho não era mais o  técnico, mas sim Daltro Menezes, um veterano treinador com sucesso no sul do País e interior do Estado de São Paulo.

Sob a batuta de Daltro o Peixe começou bem  o seu quadrangular, inclusive com uma bela vitória sobre o Palmeiras, que mais que letras, valem as imagens…

Ao final do turno do quadrangular , o Peixe lidera seu grupo. Restava mais um clássico e dois jogos no interior..

Mas a virada contra o Palmeiras seria a última vitória santista em 1981…

Empatou com Palmeiras (1×1) e perdeu para a Ponte (0x1) e para o São José (0x1, de novo).

Campanha no quadrangular:

1×1 AA Ponte Preta – VB; 0x1 – Brinco de Ouro

3×2 SE Palmeiras  – Morumbi; 1×1-  Morumbi

2×2 São José EC – VB; 0x1 – SJC

Time 4º colocado no Paulista de 1981: Paulinho, Márcio Rossini, Chicão, Marolla, Neto e Washington. Agachados: Claudinho, Elóy, Palhinha, Pita e Nílson Dias.

Para cumprir com as obrigações da folha de pagamento, realizou mais 3 amistosos, sem sucesso em campo:

0x1 Joinville EC, em Joinville

0x2 Criciúma EC, Em Criciúma

0x1 C  Atlético Mineiro, em Belo Horizonte.

No final  do ano, Daltro Menezes pede o boné e deixa a Vila Belmiro. Elóy segue para o Rio de Janeiro e a grande esperança santista, para 1982,  é Clodoaldo que assume como Técnico.

Fichas técnicas

25/04/1979 Santos FC 2×1 C Atlético Mineiro (Belo Horizonte)

Local: Mineirão – Belo Horizonte (MG)

Competição: Amistoso

Renda: Cr$ 2.134.310,00

Público: 41.612

A: Abel Santos

Gols: Marcio (contra) e Nilton Batata – Reinaldo

SFC: Vitor; Nelsinho Batista, Joãozinho, Neto e Valdemir (Fernando); Clodoaldo, Aílton Lira e Pita (Toninho Vieira); Nilton Batata, Juary e João Paulo.

Técnico: Formiga

CAM: João Leite; Alves, Márcio, Luisinho e Donizete; Toninho Cerezo, Heleno e Paulo Isidoro; Pedrinho (Vilmar), Reinaldo e Ziza.

Técnico: Procópio Cardoso.

Um desfile de grandes craques… Clodoaldo, Ailton Lira, Pita, Nilton Batata, Juary e João Paulo de um lado. João Leite, Luisinho, Cerezo, Paulo Isidoro e Reinaldo do outro. Grande vitória sobre o Galo mineiro.

23/09/ 1979 Santos FC 0x0 SC Corinthians P (São Paulo)

Local: Morumbi – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Paulista de 1979

Renda: Cr$ 2.531.070,00

Público: 40.180 + 3.268 (43.448 total)

A: Roberto Nunes Morgado

SFC: País; Nelsinho Batista, Cassiá , Fernando e Washington; Gilberto Costa, Toninho Vieira e Pita; Nilton Batata, Juari e João Paulo.

Técnico: Hilton Chaves.

SCCP: Jairo; Zé Maria, Amaral, Djalma (Zé Eduardo) e Vladimir; Caçapava, Biro-Biro e Palhinha; Vaguinho, Geraldão e Wilsinho (Romeu).

Técnico: José Teixeira

O 0x0 foi o retrato da partida… o destaque foi a confusão na Ponte do Morumbi, quando ônibus da torcida do alvinegro da Capital atacou o ônibus da delegação santista… O Pau quebrou na Rua… logo depois chegou outro ônibus da torcida santista… enorme confusão nas proximidades  do Rio Pinheiros.  Guilherme Guarche conta com detalhes a pancadaria em seu livro “O melhor do século nas Américas”

Rubens Feijão teve boa participação nos anos de 79 e 80
Rubens Feijão teve boa participação nos anos de 79 e 80

03/11/1979 Santos FC 3×1 AA Francana (Franca)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Paulista de 1979

Renda: Cr$ 553.010,00

Público: 13.309 + 1.804 (15.113 total)

A: Roberto Nunes Morgado

Expulsões: Zé Mauro, Norival, Delém e Chiquinho (T) (AAF) expulsos

Gols: Rubens Feijão 5′, 85′ e (p) 89′ – Sergio Ramos 41′

SFC: País; Gilberto Sorriso, Neto, Fernando e Washington; Zé Roberto (Augusto), Toninho Vieira (Gilberto Costa) e Rubens Feijão; Nilton Batata, Juary e Claudinho.

Técnico: Pepe

AAF: Mario Sergio; Gasparzinho, Poli, Boca, Zé Mauro e Reginaldo (Pavan); Borjão, Norival e Reinaldo; Antenor, Delém e Sergio Ramos.

Técnico: Chiquinho

Com a Vila interditada, o Peixe realizou a partida no Pacaembu, e ali Rubens Feijão (outro “menino”) brilhou!

06/12/1979 Santos FC 2×0 EC XV de Novembro (Jaú)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Amistoso

Renda: Cr$ 371.500,00

Público: 8.394 + 586 (8.980 total)

A: José Luis Guidotti

Gols: Claudinho 53′ e 67′

SFC: Marolla; Nelsinho Batista, Joãozinho, Fernando e Washington; Zé Carlos (Cláudio Gaúcho), Gilberto Costa e Aílton Lira; Nilton Batata, Claudinho e João Paulo.

Técnico: Pepe

ECXVN: Hugo; Miro, Carlos Alberto, Odélio e Marco Antonio; Sabará, Paulinho e Roberval; Frasão, Célio (Robertão) e Fernando Pirulito (Mario Celso).

Estreia de Marolla no gol santista

Quando o Santos não participou do Brasileirão

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Como vimos o ano de 1978 “valeu por dois” graças a genialidade dos cartolas que comandavam o futebol paulista.

Assim, o Campeonato Paulista de 78 entrou 79 afora e terminou somente no final de junho de 1979. Portanto, o ano de 79, em termos de futebol,  teve na prática 6 meses. Tirando as partidas do Paulistão-78, sobraram alguns amistosos pelo Brasil.

32.000 pessoas no simpático Estádio Joaquim de Moraes. Um recorde do SFC.
32.000 pessoas no simpático Estádio Joaquim de Moraes. Um recorde do SFC.

Num deles, em 21 de março, em Taubaté provocou o recorde de público do Estádio local: 32.987 torcedores para ver a vitória do Peixe sobre o “Burro da Central” por 3×1.

Outro amistoso foi contra a Internacional (Limeira) e nova vitória (1×0).

O Taubaté foi o campeão da Divisão de Acesso em 1979 e a Internacional em 1978.

Ainda em abril, mais amistosos: na Cidade de Cascavel, Paraná…  e 22.000 pessoas lotam o estádio local para ver a goleada peixeira por 3×0. O Cascavel seria o Campeão Paranaense de 1980.

Depois, um grande amistoso contra o Galo Mineiro, no Mineirão, vitória por 2×1.

Retornou  ao Estado de São Paulo e quebrou o recorde de renda no ABC, na vitória sobre o Aliança (São Bernardo do Campo) por 3×1. Em maio, numa brecha do Campeonato, vai até Guaíra (interior de São Paulo), no aniversário da Cidade e outra vitória: 2×1.

Contra o São José (que também subiria em 1979), em São José dos Campos, empate por 1 gol.

Novos amistosos aconteceriam apenas em dezembro.

Assim que terminou o Campeonato de 78, começou o de 1979.

O regulamento não poderia ser a mesma irracionalidade de 1978. Afinal eram apenas 6 meses até o final do ano, e no meio do caminho havia um Campeonato Nacional. Mas isso não era problema para a imaginação fértil dos cartolas…

Que tal um Campeonato simples, tipo turno e returno, com pontos corridos?

Nem Pensar!

E o Paulistão – 79 foi assim: Dois turnos classificatórios onde as 20 equipes jogavam entre si. A FPF criou 4 grupos de 5 clubes… os 3 melhores classificavam-se para o 3º turno decisivo. No 3º turno, os 12 clubes seriam divididos em duas séries de 6, classificando-se os 2 melhores de cada série. Seriam jogadas as semi-finais (2 partidas) e as finais (3 partidas). Para dar conta desta pequena maratona a tabela indicava jogos de 3ª a Domingo… uma beleza…

Não é preciso escrever que a média de público caiu e além do regulamento maluco, outros fatores como a volta da inflação e o desemprego que rondava a sociedade influenciaram nos números finais.

Apenas 4 dias após a conquista do Paulistão 78, começava a temporada de 1979.

Apresentação da Taça em Vila Belmiro:  01/07 - SFC 2x1 XV de Jaú
Apresentação da Taça em Vila Belmiro: 01/07 - SFC 2x1 XV de Jaú

E óbviamente a ressaca era enorme… com o time totalmente desconcentrado, os resultados eram irregulares chegando a ficar  6 partidas sem vencer.

O assédio sobre o SFC também aumentava, afinal depois de anos o alvinegro voltava a ter atletas convocados para a Seleção Brasileira, como Nilton Batata e Juary. Além disso Chico Formiga foi convidado para treinar no Oriente Médio e deixou o clube.

Veja dois gols de Nilton Batata pela Seleção Brasileira:

Com a saída de Formiga, chega Hilton Chaves para dirigir os meninos… e Hilton Chaves não conhecia bem aqueles garotos, e os problemas começaram a surgir… o ataque não fazia mais tantos gols, os empates se sucediam, e a torcida começava a pegar no pé de seus meninos… No gol havia País, que assim como Flávio, provocava fortes emoções na espinha do torcedor alvinegro, também diziam que Juary estava mascarado, que Pita estava mias interessado em atividades noturnas que nos jogos… e assim por diante.

O fato é que Hilton Chaves não tinha o grupo nas mãos e que  o time chegou a ficar na última posição de seu grupo ao final do 1º turno. Dois fatos selaram a permanência de Hilton no SFC… no clássico perdido para o Palmeiras de Telê Santana, País tomou um gol olímpico em bola rasteira (dizem que em Brasília, quando Renato Russo viu o lance na TV, exclamou: “Que País é esse?”) e na partida seguinte contra o América na Vila Belmiro. O SFC perdeu novamente, mas a confusão na Vila foi digna dos tempos de 1977/78. Um tremendo “sururu” na Vila… pedras, tentativa de invasão… o resultado foi a partida suspensa ao final do 1º tempo, a perda dos pontos pelo SFC, a interdição da Vila e a demissão de Hilton Chaves (depois de apenas dois meses – 5 vitórias, 9 empates e 3 derrotas).

Para colocar ordem na casa é chamado o velho craque Pepe. Profundo conhecedor da Vila, de seus mistérios e magias…

Pepe vai colocando o time no ataque e ganhando pontos… (3×1 Botafogo; 3×0 Comercial; 1×0 Ponte; 2×1 Noroeste; 4×0 Juventus, 1×0 Velo; 1×1 São Bento; 3×0 São Paulo), a torcida volta a encher os estádios e o time esta classificado para o 3º turno.

Nesta altura do ano, já havia começado o Campeonato Brasileiro.

E que Campeonato!

O Almirante Heleno Nunes atingia a obra-prima: foram apenas 96 clubes na competição!!!!!!

Acompanhe, lentamente, o regulamento do monstrengo:

* 1ª fase: 80 times divididos em 8 grupos de 10 equipes (Nesta fase não disputaram os 4 principais clubes do Rio de Janeiro e nenhum clube Paulista).

Dos 8 grupos, haviam dois mais “fortes”, onde se classificariam 8 equipes; Nos dois grupos mais “fracos” seriam 4 classificados, enquanto que nos outros 4 grupos “intermediários” seriam 5 classificados. Portanto, 44 equipes passariam para a 2ª fase.

* 2ª fase: Os 44 classificados, mais 12 (que entraram direto na 2ª fase), das Federações Carioca (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Americano e Goytacaz) e Paulista (Francana, São Bento, Comercial, Internacional, XV de Jaú e XV de Piracicaba).

As 56 agremiações foram divididas em 7 grupos de 8 clubes, classificando-se 2 por grupo, num total de 14.

* 3ª fase: Os 14 classificados da 2ª fase, mais o Guarani e o Palmeiras (campeão e Vice de 1978), num total de 16. Esses 16, divididos em 4 grupos de 4 times.

O Campeão de cada grupo passaria às semi-finais (2 partidas) e os vencedores disputariam a final (duas partidas).

Nesta altura, o torcedor amigo, estará perguntando: Cadê o Santos, São Paulo, Corinthians, Portuguesa, Ponte Preta e Botafogo?

Pois é, não disputaram o Brasileiro de 79… não quiseram disputar, preferiram disputar o 3º turno do Campeonato Paulista!

Creio que tenha sido o ÚNICO Campeonato Brasileiro que algum clube se recusou a participar… E como já alertaram os leitores Antonio e Walmir, os defensores contrários à unificação dos títulos brasileiros deveriam estudar um pouco mais a história do futebol antes de fazer suas afirmações baseadas no achismo.

Bom, o alvinegro voltou suas baterias para o Campeonato Paulista na busca do Bicampeonato. Na fase de classificação ficou em 2º em seu grupo (Guarani, Portuguesa, Internacional e Comercial) e em 6º na classificação geral. Pelo conjunto da obra, o Palmeiras era o favorito, mas havia o forte Guarani, o Corinthians  e o surpreendente América. O SFC contava com a reação no 2º turno para entrar entre os favoritos.

No turno decisivo, ficou no mesmo grupo que Portuguesa, Guarani, Palmeiras, Noroeste e Juventus.

Um empate com a Lusa na 1ª rodada, não foi tão ruim assim… no entanto Palmeiras e Guarani venciam seus rivais (Noroeste e Juventus).

Na 2ª rodada o desastre: uma inesperada derrota para o Juventus no Parque Antártica, deixava o time com a única alternativa de vencer todos os confrontos. A goleada contra o Noroeste (4×0) entusiasmou a massa santista para o grande clássico contra o Palmeiras. Numa partida onde tudo deu errado, onde o goleiro do Palmeiras foi o grande nome da partida, o alvinegro tombou por 1×5!

Na última rodada ainda havia uma possibilidade: vencer o Guarani em Campinas, numa 4ª feira a noite. Isso por que na tarde daquele dia o Juventus apenas empatara com o Noroeste ficando de fora das finais…

Mesmo precisando vencer, o SFC foi envolvido pelo Guarani, e sofreu o 1×0. Juary ainda empatou, mas o time não teve forças para superar o entrosado Guarani e encerrou o sonho do bicampeonato.

Na realidade, era visível que a defesa não inspirava confiança… Flávio e País poderiam ser reservas e como titulares não tiveram uma boa fase no alvinegro… Vitor havia se desentendido com a direção e voltou para Belo Horizonte para trabalhar como “marchand” numa galeria de arte.

E quem chega, no final do ano, para tomar conta do gol nos próximos anos era o goleiro revelação do Campeonato Paulista: Marolla, vindo do XV de Jaú:

Marolla, revelação do Paulistão 79 é contratado pelo SFC
Marolla, revelação do Paulistão 79 é contratado pelo SFC

Com o mês de dezembro livre, sem compromissos oficiais, e com uma boa folha de pagamento para cobrir, o clube parte para amistosos pelo Brasil.

Primeira parada, Itabuna, interior da Bahia: 3×0.

No Pacaembu,  a estreia de Marola, contra o XV de Jaú: 2×0.

E encerra o ano com uma mini-excursão ao Sul do País:

3×1 Operário FEC (Ponta Grossa)

2×1 Criciúma EC

4×2 CE Payssandu (Brusque).

A expectativa para 1980 era bem razoável… os meninos da Vila eram uma realidade… Pepe no comando era a certeza de bom futebol e no ataque, a chegada de Marolla era vista com ótimas perspectivas… porém um fantasma vinha da Europa: os dólares dos clubes italianos…

Veremos isso na próxima postagem, agora conheça a campanha do Paulistão -79:

1º turno:

01/07 – 2×1 EC XV de Novembro (Jaú) – VB; 04/07 – 1×1 AA Internacional – VB; 08/07 – 0x2 América FC – SJRP; 11/07 – 2×1 AA Ponte Preta – Moisés Lucarelli; 15/07 – 0x1 SC Corinthians P – Morumbi; 18/07 – 0x0 Botafogo FC – VB; 22/07 – 0x0 EC Noroeste – Bauru; 25/07 – 1×1 Comercial FC – VB; 29/07 – 0x1 São Paulo FC – Morumbi; 01/08 – 0x5 Guarani FC – Brinco de Ouro; 05/08 – 2×0 AA Francana – Franca; 08/08 – 0x0 EC XV de Novembro (Piracicaba) – VB; 12/08 – 2×0 A Ferroviária E – Araraquara; 15/08 – 4×1 Marília AC – VB;  18/08 – 2×2 CA Juventus  – Pacaembu; 22/08 – 3×2 AE Velo CRC – Rio Claro;  26/08 – 1×1 A Portuguesa D – Pacaembu; 29/08 – 1×3 EC São Bento – Sorocaba e 03/09 – 1×3 SE Palmeiras – Morumbi.

2º turno:

06/09 – 0x0 EC Xv de Novembro (Jaú)- Jaú; 09/09 – 1×1 XV de Novembro (Piracicaba) – Piracicaba; 12/09 – 1×1 Guarani FC – VB; 16/09 – 0x0 A Portuguesa D – Pacaembu; 19/09 – 1×0 Marília AC – Marília; 23/09 – 0x0 SC Corinthians P – Morumbi; 26/09 – 0x0 A Ferroviária E – VB; 30/09 – 1×2 SE Palmeiras – Morumbi; 03/10 – 0x1 América FC -VB; 07/10 – 3×1 Botafogo FC – Santa Cruz; 09/10 – 3×0 Comercial FC – Francisco Palma Travassos; 11/10 – 1×0 AA Ponte Preta – VB; 14/10 – 2×1 EC Noroeste – VB; 17/10 – 4×0 CA Juventus – VB; 20/10 – 1×0 AE Velo CRC – VB; 25/10 – 1×1 EC São Bento – VB; 28/10 – 3×0 São Paulo FC – Morumbi; 01/11 – 1×3 AA Internacional – Limeira e 03/11 – 3×1 AA Francana – Pacaembu

3º turno:

07/11 – 0x0 A Portuguesa D – Pacaembu

12/11 – 1×2 CA Juventus – Parque Antártica

15/11 – 4×0 EC Noroeste – Parque Antartica

18/11 – 1×5 SE Palmeiras – Morumbi

21/11 – 1×1 Guarani FC – Brinco de Ouro