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A confirmação de Diego e Robinho (2003)

Santistas de todo mundo, uni-vos!

Depois da apoteótica conquista do Brasileiro de 2002, parecia que não haveria limites para o alvinegro praiano. A base do time era mantida, e se Alberto e Robert deixavam o clube, Ricardo Oliveira era um reforço de grande peso para o ataque santista.

Confiante, o torcedor santista esperava por títulos em 2003… Paulista, Brasileiro, Libertadores ou mesmo a neófita Copa Sul-Americana. Continue lendo

E Corró dá adeus

Santistas de Todo Mundo, uni-vos!

Em 79 eram capa de revista... em 80 não estavam mais no SFC.
Em 79 eram capa de revista... em 80 não estavam mais no SFC.

Os anos 70 chegam ao fim… O Brasil mudava rapidamente… A Ditadura Militar começava a perder força, no ABC novas lideranças operárias abalavam a estrutura sindical… A Igreja Católica colocava-se ao lado da classe trabalhadora com a prática da Teologia da Libertação e a opção preferencial pelos pobres. A censura ainda dominava nas artes, mas já era possível ouvir “Cálice” ou ler “A Ilha” sem  ser às escondidas…. Nascia o PT.

No futebol,  a geração da Copa de 70 estava em seu crepúsculo… Poucos ainda corriam pelos gramados e os nomes que a mídia descatava eram outros… Zico (Flamengo), Reinaldo (Atlético MG), Falcão (Inter), Sócrates (Corinthians), Carlos (Ponte Preta),Careca (Guarani), Jorge Mendonça (Palmeiras), Serginho Chulapa (São Paulo).

Na Vila Belmiro o mesmo fenômeno ocorria… Clodoaldo o único remanescente dos gloriosos anos 60 dava adeus ao alvinegro. Outro grande craque, Ailton Lira trocava a Baixada Santista pelo Morumbi (onde encontraria Renato e Oscar).

Mas a grande perda para os santistas foi a saída de Juary, goleador, fominha que fazia lembrar Toninho Guerreiro pelo apetite de gols.  Juary, seduzido pelas liras italianas, seguiu para a Europa, para o Avelino. Ainda defendeu a Internazionale, foi campeão Europeu e Mundial pelo Porto e retornou ao alvinegro em 1989 (quando atuou ao lado de Sócrates).

Com a saída dos três craques, a direção santista foi atrás de reforços e além de Marolla que já havia chegado no final de 1979, somam-se a eles: o atacante Aloísio Guerreiro (revelado pelo Flamengo), o zagueiro Márcio Rossini (vindo do Marília), o volante (e zagueiro quando necessário) Miro, vindo do Botafogo RP,  e o lateral Paulinho.

O início do ano é recheado por amistosos pelo Brasil. O 1º deles é exatamente a despedida de Clodoaldo… uma partida festiva na Vila Belmiro (lotada) contra a Seleção do Romênia, com derrota por 1×0 (26/01).

Parte para Goiânia para o Torneio Adjair Lima, onde fica em 2º lugar:

31/01 – 4×0 Goiás EC

03/02 – 2×3 Vila Nova FC

Inaugura a iluminação do Bruno Daniel, em Santo André, numa partida que contou com o divino Ademir da Guia com a camisa azul do “Ramalhão” por 20 minutos. Com uma boa participação de Aloíso Guerreiro, o Peixe vence por 2×1.

Antes de iniciar o Campeonato Brasileiro, realiza amistosos em Fortaleza (2×0 no Ceará) e em Dourados – MS (4×0 Operário local).

A avaliação da torcida é que o time montado por Pepe esta bem preparado para o Nacional de 80. Campeonato que, para variar será cheio de grupos, fases e muitos times…

Depois do absurdo de 79, a CBD inova e estabelece duas divisões no futebol brasileiro… eram duas divisões, mas na prática funcionava como uma só. Senão vejamos:

A divisão principal foi batizada de “Taça de Ouro”, e a secundário de “Taça de Prata”.

Na Taça de Ouro, 40 clubes, divididos em 4 grupos de 10 equipes. Os 7 melhores passavam para a 2ª fase, onde se uniriam a 4 equipes provenientes da Taça de Prata… isso mesmo, 4 times da 2ª divisão passavam para a 2ª fase da 1ª divisão! Essas 32 equipes formavam 8 grupos de 4. Dois de cada grupo seriam classificados para a 3ª fase, totalizando 16 equipes. As 16 agremiações são novamente divididas em 4 grupos de 4, os campeões de cada grupo passam para as semi-finais (em 2 partidas) e finais (2 partidas).

A Taça de Prata contava com 64 equipes divididas em 8 grupos de 8. Os campeões de cada grupo disputavam em “mata-mata” 4 vagas para a Taça de Ouro. Os 4 perdedores juntamente com mais 2 de cada grupo, passavam para a fase seguinte da competição, num total de 20 times. Agora seriam 4 grupos de 5 times, onde o campeão de cada grupo passava as semi-finais e posteriormente às finais. Tudo bem simples, não?

O Santos, como um bom time grande, participou da Taça de Ouro, num, grupo que contava com Flamengo, Internacional, Ponte Preta, Naútico, Itabaiana (SE), Botafogo (PB), Ferroviário (CE), São Paulo (RS) e Misto (MT).

Pegou o Flamengo de Zico na estreia no Morumbi. Mesmo com o apoio de mais de 70.000 santistas, foi derrotado por 1×0. O grande destaque da partida foram as cornetas que azucrinavam atletas, jornalistas e torcedores que não estavam usando o objeto infernal… algo como as populares vuvuzelas da Copa na África do Sul de 2010.

Isso já era um inferno em 1980
Isso já era um inferno em 1980

Foi para Fortaleza e empatou com o Ferroviário (1×1) e depois desembestou a ganhar… 2×0 no Itabaiana, 2×1 na Ponte; 2×0 no São Paulo (RS); 3×0 no Botafogo (PB).

Este jogo em João Pessoa foi cercado de grande expectativa, tanto que o recorde de público no Estádio foi quebrado naquele dia (em mantido até hoje). Mais de 40.000 pessoas entupiram  o Estádio José Américo de Almeida para ver  o Botafogo apanhar do Peixe… os torcedores paraibanos estavam eufóricos com a vitória de seu clube contra o Flamengo, em pleno Maracanã (2×1).

E continuou ganhando… 4×1 no Naútico e uma grande vitória contra o Internacional, no Morumbi. Uma vitória muito importante, pois desde 1974 o alvinegro não vencia um clube de Porto Alegre, BH ou Rio de Janeiro em Campeonatos Brasileiros.

Fechou a 1º fase como campeão de seu grupo e em 2º numa classificação geral… O time era basicamente o mesmo que de 78, com poucas alterações: Marola no gol, Paulinho na lateral esquerda, Miro como volante e Aloísio no meio do ataque. Era um time consistente e sem dúvida era um dos favoritos ao título.

Na 2ª fase ficou lado a lado com Guarani, América (RJ) e Joinville.

Novamente ficou em 1º, mas com uma campanha mais irregular…

Finalmente a 3ª fase… Pela 1ª vez desde 1974, o time entrava para competir de verdade… O grupo era difícil: Ponte Preta, Flamengo e a “zebra” Desportiva (ES).

A intenção de Pepe era vencer as duas na Vila  e garantir o empate contra o Flamengo.

E na tarde de 10 de maio, na Vila Belmiro, o Santos bailou… Com Rubens Feijão e Toninho Vieira jogando muito bem, o Peixe lascou 3×0 na veterana Ponte Preta.

Na partida seguinte a Vila transbordou de gente… 31.000 alvinegros esperavam outra bela exibição do SFC… mas sem Toninho Vieira no meio campo, o SFC não consegiuu traduzir domínio em gols, e a massa santista  saiu amargando um pálido 0x0.. o menos ruim é que a Ponte segurara o Flamengo em Campinas. Mesmo assim , o empate era vantagem para o rubro-negro.

No Maracnã tudo seria bem mais difícil… Zico desequilibrou… mandando no campo, abriu espaços e ainda marcou dois gols, levando o Flamengo às finais.

O Santos ficou numa hipotética classificação geral num 7º lugar… apenas razoável é verdade, porém bem longe dos vexames de 75, 76, 77 e 78.

Na final da Taça de Ouro, O Atlético foi operado no Maracanã… vale a pena ver o  vídeo para entender melhor o que acontecerá em 1983:

Campanha do SFC:

0x1 CR Flamengo – Morumbi – 73.540

1×1 Ferroviário AC – Presidente Vargas – 11.869

2×0 AO Itabaiana  – Lourival Batista – 13.911

2×1 AA Ponte Preta – Vila Belmiro -16.566

2×0 SC São Paulo (RS) – Vila Belmiro – 14.000

3×0 Botafogo FC (PB) – José Américo de Almeida –  40.417 (Recorde)

4×1 C Naútico C  –  Vila Belmiro – 16.474 + 2.560 gratuitos  (19.034 total)

1×0 SC Internacional – Morumbi  – 32.421

2×1 Misto EC  –  José Fragelli – 13.826

2ª fase:

4×1 Guarani FC – Vila Belmiro – 16.922

0x1 America FC –  Morumbi – 43.324 + 4.163 menores (47.487 total)

0x2 Joinville EC – Ernesto Schlemn Sobrinho – 22.918

2×0 America FC –  Maracanã – 7.435

2×0 Joinville EC –  Vila Belmiro – 25.374

1×1 Guarani FC – Brinco de Ouro – 34.232 + 4.350 menores (38.582 total)

3ª fase:

3×0 AA Ponte Preta – Vila Belmiro – 22.600 + 2.833 gratuitos (25.433 total)

0x0 A Desportiva FVRD – Vila Belmiro – 26.743 + 4.303 gratuitos (31.146 total)

0x2 CR Flamengo – Maracanã – 110.079

No meio do Campeonato teve tempo para um importante amistoso na Vila Belmiro: contra o New York Cosmos.

Pelé retorna à Vila e dá o pontapé inicial da partida. E no vídeo você verá o Peixe com uma estranha camisa negra, por sinal bem interessante de ser relançada… uma boa pedida para um modelo retrô. Em campo, “monstros” como Beckembauer, Romerito, Chinaglia, com a companhia de Pita e João Paulo.

Mal acabava o Brasileiro, começava o Paulista. Campeonato Paulista mais simples, longe das loucuras de 77, 78 e 79.

20 clubes, turno e returno. Ao final de cada turno, semi-finais e finais entre as 4 melhores equipes. Campeão do 1º turno x Campeão do 2º turno.

O único reforço que chegou a Vila foi o veterano atacante Campos (Ex-Atlético MG), sem a mesma volúpia de gols de 72,73.

Como a situação econômica do brasileiro fazia água, a presença de público nos Estádios diminuía sensivelmente… até porque os torcedores começaram a selecionar os jogos que realmente interessavam… Assim a média de público na Vila, não era das melhores…muito abaixo de 78 ou 77.

Em campo, os meninos de Pepe continuavam dando conta do recado… e o alvinegro segue vencendo e termina a fase de classificação do 1º turno em 2º lugar, atrás da Portuguesa. Pega o Botafogo na semi-final e massacra: 5×1!

Um baile no 2º tempo: 5x1! (Imagem: Placar)

E jogando com muita categoria, jovialidade e no ataque o Santos passou por cima da Lusa nas duas partidas (1×0 e 2×1), ganhando o 1º turno do Paulistão-80.

O destaque da campanha foi o meio de campo, Pita. Um digno substituto de Ailton Lira, Jair Rosa Pinto ou Antoninho.

Pita chegou a Seleção Brasileira em 1980 (Imagem: Placar)

No 2º turno, o alvinegro seguia na mesma toada… vencendo seus adversários e dando a impressão  que poderia vencer o Campeonato direto, sem decisão, caso também ganhasse o 2º turno.

Tudo ia bem até outubro…

Duas derrotas seguidas encerram as esperanças santistas… uma em São José do Rio Preto(0x4 America) e outra no Morumbi (0x3 Corinthians).

Contra o America, um pênalti contestado logo aos 2 minutos abalou  a equipe, mais 15 minutos e leva mais um… mesmo assim o SFC não se abateu e lançou-se loucamente ao aatque… pressionou, mandou uma bola na trave, o zagueiro do America evitou um gol em cima da linha… e aos 75′ o desasstre… Neto e João Paulo são expulsos… e nos acréscimos toma mais dois gols…

No Morumbi, quase a repetição… sem 3 titulares (Nilton Batata, Neto e João Paulo) o Peixe mandou na partida, mas o gol não aparecia… Depois de mandar toda partida, aos 70′ Vaguinho em posição duvidosa (na dúvida, pró Corinthians) marca… muita reclamação… Pepe afirmava que o jogo estava “armado”, que não era para o SFC vencer o 2º turno… Dezoito minutos de paralisação… e nos acréscimos, o SCCP marca mais dois gols…

Com o título do 2º turno perdido, mas garantido na final do Campeonato, o Santos retorna à Europa depois de 6 anos, para enfrentar o Sevilha, na comemoração do 75º aniversário do clube.  Uma única partida, mas a vitória santista possibilitou a reabertura do mercado Europeu para os anos seguintes.

Ao retornar ao Brasil, o SFC já pensva na final e aguardava o adversário.

E o adversário seria o São Paulo.

Diferentemente de 1978, o São Paulo estava embalado, tinha uma constelação de craques (Valdir Perez, Oscar, Dario Pereyra, Serginho Chulapa, Zé Sergio e Renato) e era levemente favorito.

Mas Pepe sabia armar bem o alvinegro, e na 1ª partida com 122.000 torcedores trasnbordando no Morumbi, a partida foi equilibrada.

Mas, na fase final os experientes craques tricolores fizeram a diferença…e Chulapa aos 85′ marcou… tudo terminado?

Não!

Aquele SFC não era tão técnico como  o de 78, mas tinha raça… e foi ao ataque… aos 88′ Miro acerta um belo chute… a bola vai entrar… Valdir Perez toca com as pontas dos dedos e caprichosamente a bola bate na trave… vai entrando… a massa santista prepara o grito de gol…. e Valdir agarra a bola pelo”rabo” salvando a meta tricolor.

Na 2ª partida, tudo seria mais difícil… a vantagem era tricolor.

Pepe coloca Campos no ataque, mas Campos não era Juary…

E Chulapa novamente não perdoou, marcando outro gol na decisão… Rubens Feijão teve a oportunidade do empate, mas quis enfeitar a jogada e perdeu um gol feito, sendo imediatamente substituido por um Pepe furioso. Ainda apareceu mais uma oprtunidade com Joãozinho, mas na realidade o São Paulo esteve mais próximo do gol qie o alvinegro.

Termina o Campeonato, SPFC campeão e  Santos, Vice.

O ano que tinha começado bem , terninava com problemas internos no elenco sntista… não havia certeza que Pepe continuaria e o ano de 1981 se aproximava cercado de incertezas.

Campanha:

EC XV de Novembro (Jaú) – 3×0 (VB); 2×2 (Jaú)

Botafogo FC – 2×0 (VB); 0x0 (Santa Cruz)

A Ferroviária E  – 0x0 (VB); 0x0 (Araraquara)

AA Ponte Preta – 0x0 (Moisés Lucarelli); 0x0 (VB)

AA Francana  – 3×1 (VB); 1×1 (Franca)

EC São Bento  – 1×1 (Sorocaba); 0x0 (VB)

AA Internacional  – 1×0 (VB); 0x1 (Limeira)

Comercial FC – 1×2 (Francisco Palma Travassos); 1×0 (VB)

America FC – 1×0 (VB); 0x4 (SJRP)

A Portuguesa D – 1×1 (Pacaembu); 3×0 (Pacaembu)

Marília AC – 3×1 (Marília); 2×1 (VB)

Guarani FC – 1×1 (VB); 1×2 (Brinco de Ouro)

EC Xv de Novembro (Piracicaba ) – 1×0; 2×1 (VB)

SC Corinthinas P – 1×1 (Morumbi); 0x3 (Morumbi)

EC Taubaté – 3×1 (VB); 3×1 (Taubaté)

CA Juventus – 1×0 (Parque Antártica); 1×1 (Pacaembu)

EC Noroeste – 4×1 (VB); 2×1 (Bauru)

São Paulo FC – 2×2 (Morumbi); 1×1 (Morumbi)

SE Palmeiras  – 0x1 (Parque Antártica); 0x0 (Morumbi)

Finais do 1º turno:

Botafogo FC – 5×1 (Morumbi); 2×0 (Pacaembu)

A Portuguesa D – 1×0 (Morumbi); 2×1 (Morumbi)

Finais do Campeonato:

São Paulo FC – 0x1 (Morumbi); 0x1 (Morumbi)

Amistosos internacionais:

14/10 – 1×0 Sevilla FC (Espanha), em Sevilla – Troféu Cidade de Sevilla

13/03 – 1×2 New York Cosmos (EUA) – Vila Belmiro

26/01 – 0x1 Seleção da Romênia – Vila Belmiro

Quando o Santos não participou do Brasileirão

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Como vimos o ano de 1978 “valeu por dois” graças a genialidade dos cartolas que comandavam o futebol paulista.

Assim, o Campeonato Paulista de 78 entrou 79 afora e terminou somente no final de junho de 1979. Portanto, o ano de 79, em termos de futebol,  teve na prática 6 meses. Tirando as partidas do Paulistão-78, sobraram alguns amistosos pelo Brasil.

32.000 pessoas no simpático Estádio Joaquim de Moraes. Um recorde do SFC.
32.000 pessoas no simpático Estádio Joaquim de Moraes. Um recorde do SFC.

Num deles, em 21 de março, em Taubaté provocou o recorde de público do Estádio local: 32.987 torcedores para ver a vitória do Peixe sobre o “Burro da Central” por 3×1.

Outro amistoso foi contra a Internacional (Limeira) e nova vitória (1×0).

O Taubaté foi o campeão da Divisão de Acesso em 1979 e a Internacional em 1978.

Ainda em abril, mais amistosos: na Cidade de Cascavel, Paraná…  e 22.000 pessoas lotam o estádio local para ver a goleada peixeira por 3×0. O Cascavel seria o Campeão Paranaense de 1980.

Depois, um grande amistoso contra o Galo Mineiro, no Mineirão, vitória por 2×1.

Retornou  ao Estado de São Paulo e quebrou o recorde de renda no ABC, na vitória sobre o Aliança (São Bernardo do Campo) por 3×1. Em maio, numa brecha do Campeonato, vai até Guaíra (interior de São Paulo), no aniversário da Cidade e outra vitória: 2×1.

Contra o São José (que também subiria em 1979), em São José dos Campos, empate por 1 gol.

Novos amistosos aconteceriam apenas em dezembro.

Assim que terminou o Campeonato de 78, começou o de 1979.

O regulamento não poderia ser a mesma irracionalidade de 1978. Afinal eram apenas 6 meses até o final do ano, e no meio do caminho havia um Campeonato Nacional. Mas isso não era problema para a imaginação fértil dos cartolas…

Que tal um Campeonato simples, tipo turno e returno, com pontos corridos?

Nem Pensar!

E o Paulistão – 79 foi assim: Dois turnos classificatórios onde as 20 equipes jogavam entre si. A FPF criou 4 grupos de 5 clubes… os 3 melhores classificavam-se para o 3º turno decisivo. No 3º turno, os 12 clubes seriam divididos em duas séries de 6, classificando-se os 2 melhores de cada série. Seriam jogadas as semi-finais (2 partidas) e as finais (3 partidas). Para dar conta desta pequena maratona a tabela indicava jogos de 3ª a Domingo… uma beleza…

Não é preciso escrever que a média de público caiu e além do regulamento maluco, outros fatores como a volta da inflação e o desemprego que rondava a sociedade influenciaram nos números finais.

Apenas 4 dias após a conquista do Paulistão 78, começava a temporada de 1979.

Apresentação da Taça em Vila Belmiro:  01/07 - SFC 2x1 XV de Jaú
Apresentação da Taça em Vila Belmiro: 01/07 - SFC 2x1 XV de Jaú

E óbviamente a ressaca era enorme… com o time totalmente desconcentrado, os resultados eram irregulares chegando a ficar  6 partidas sem vencer.

O assédio sobre o SFC também aumentava, afinal depois de anos o alvinegro voltava a ter atletas convocados para a Seleção Brasileira, como Nilton Batata e Juary. Além disso Chico Formiga foi convidado para treinar no Oriente Médio e deixou o clube.

Veja dois gols de Nilton Batata pela Seleção Brasileira:

Com a saída de Formiga, chega Hilton Chaves para dirigir os meninos… e Hilton Chaves não conhecia bem aqueles garotos, e os problemas começaram a surgir… o ataque não fazia mais tantos gols, os empates se sucediam, e a torcida começava a pegar no pé de seus meninos… No gol havia País, que assim como Flávio, provocava fortes emoções na espinha do torcedor alvinegro, também diziam que Juary estava mascarado, que Pita estava mias interessado em atividades noturnas que nos jogos… e assim por diante.

O fato é que Hilton Chaves não tinha o grupo nas mãos e que  o time chegou a ficar na última posição de seu grupo ao final do 1º turno. Dois fatos selaram a permanência de Hilton no SFC… no clássico perdido para o Palmeiras de Telê Santana, País tomou um gol olímpico em bola rasteira (dizem que em Brasília, quando Renato Russo viu o lance na TV, exclamou: “Que País é esse?”) e na partida seguinte contra o América na Vila Belmiro. O SFC perdeu novamente, mas a confusão na Vila foi digna dos tempos de 1977/78. Um tremendo “sururu” na Vila… pedras, tentativa de invasão… o resultado foi a partida suspensa ao final do 1º tempo, a perda dos pontos pelo SFC, a interdição da Vila e a demissão de Hilton Chaves (depois de apenas dois meses – 5 vitórias, 9 empates e 3 derrotas).

Para colocar ordem na casa é chamado o velho craque Pepe. Profundo conhecedor da Vila, de seus mistérios e magias…

Pepe vai colocando o time no ataque e ganhando pontos… (3×1 Botafogo; 3×0 Comercial; 1×0 Ponte; 2×1 Noroeste; 4×0 Juventus, 1×0 Velo; 1×1 São Bento; 3×0 São Paulo), a torcida volta a encher os estádios e o time esta classificado para o 3º turno.

Nesta altura do ano, já havia começado o Campeonato Brasileiro.

E que Campeonato!

O Almirante Heleno Nunes atingia a obra-prima: foram apenas 96 clubes na competição!!!!!!

Acompanhe, lentamente, o regulamento do monstrengo:

* 1ª fase: 80 times divididos em 8 grupos de 10 equipes (Nesta fase não disputaram os 4 principais clubes do Rio de Janeiro e nenhum clube Paulista).

Dos 8 grupos, haviam dois mais “fortes”, onde se classificariam 8 equipes; Nos dois grupos mais “fracos” seriam 4 classificados, enquanto que nos outros 4 grupos “intermediários” seriam 5 classificados. Portanto, 44 equipes passariam para a 2ª fase.

* 2ª fase: Os 44 classificados, mais 12 (que entraram direto na 2ª fase), das Federações Carioca (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Americano e Goytacaz) e Paulista (Francana, São Bento, Comercial, Internacional, XV de Jaú e XV de Piracicaba).

As 56 agremiações foram divididas em 7 grupos de 8 clubes, classificando-se 2 por grupo, num total de 14.

* 3ª fase: Os 14 classificados da 2ª fase, mais o Guarani e o Palmeiras (campeão e Vice de 1978), num total de 16. Esses 16, divididos em 4 grupos de 4 times.

O Campeão de cada grupo passaria às semi-finais (2 partidas) e os vencedores disputariam a final (duas partidas).

Nesta altura, o torcedor amigo, estará perguntando: Cadê o Santos, São Paulo, Corinthians, Portuguesa, Ponte Preta e Botafogo?

Pois é, não disputaram o Brasileiro de 79… não quiseram disputar, preferiram disputar o 3º turno do Campeonato Paulista!

Creio que tenha sido o ÚNICO Campeonato Brasileiro que algum clube se recusou a participar… E como já alertaram os leitores Antonio e Walmir, os defensores contrários à unificação dos títulos brasileiros deveriam estudar um pouco mais a história do futebol antes de fazer suas afirmações baseadas no achismo.

Bom, o alvinegro voltou suas baterias para o Campeonato Paulista na busca do Bicampeonato. Na fase de classificação ficou em 2º em seu grupo (Guarani, Portuguesa, Internacional e Comercial) e em 6º na classificação geral. Pelo conjunto da obra, o Palmeiras era o favorito, mas havia o forte Guarani, o Corinthians  e o surpreendente América. O SFC contava com a reação no 2º turno para entrar entre os favoritos.

No turno decisivo, ficou no mesmo grupo que Portuguesa, Guarani, Palmeiras, Noroeste e Juventus.

Um empate com a Lusa na 1ª rodada, não foi tão ruim assim… no entanto Palmeiras e Guarani venciam seus rivais (Noroeste e Juventus).

Na 2ª rodada o desastre: uma inesperada derrota para o Juventus no Parque Antártica, deixava o time com a única alternativa de vencer todos os confrontos. A goleada contra o Noroeste (4×0) entusiasmou a massa santista para o grande clássico contra o Palmeiras. Numa partida onde tudo deu errado, onde o goleiro do Palmeiras foi o grande nome da partida, o alvinegro tombou por 1×5!

Na última rodada ainda havia uma possibilidade: vencer o Guarani em Campinas, numa 4ª feira a noite. Isso por que na tarde daquele dia o Juventus apenas empatara com o Noroeste ficando de fora das finais…

Mesmo precisando vencer, o SFC foi envolvido pelo Guarani, e sofreu o 1×0. Juary ainda empatou, mas o time não teve forças para superar o entrosado Guarani e encerrou o sonho do bicampeonato.

Na realidade, era visível que a defesa não inspirava confiança… Flávio e País poderiam ser reservas e como titulares não tiveram uma boa fase no alvinegro… Vitor havia se desentendido com a direção e voltou para Belo Horizonte para trabalhar como “marchand” numa galeria de arte.

E quem chega, no final do ano, para tomar conta do gol nos próximos anos era o goleiro revelação do Campeonato Paulista: Marolla, vindo do XV de Jaú:

Marolla, revelação do Paulistão 79 é contratado pelo SFC
Marolla, revelação do Paulistão 79 é contratado pelo SFC

Com o mês de dezembro livre, sem compromissos oficiais, e com uma boa folha de pagamento para cobrir, o clube parte para amistosos pelo Brasil.

Primeira parada, Itabuna, interior da Bahia: 3×0.

No Pacaembu,  a estreia de Marola, contra o XV de Jaú: 2×0.

E encerra o ano com uma mini-excursão ao Sul do País:

3×1 Operário FEC (Ponta Grossa)

2×1 Criciúma EC

4×2 CE Payssandu (Brusque).

A expectativa para 1980 era bem razoável… os meninos da Vila eram uma realidade… Pepe no comando era a certeza de bom futebol e no ataque, a chegada de Marolla era vista com ótimas perspectivas… porém um fantasma vinha da Europa: os dólares dos clubes italianos…

Veremos isso na próxima postagem, agora conheça a campanha do Paulistão -79:

1º turno:

01/07 – 2×1 EC XV de Novembro (Jaú) – VB; 04/07 – 1×1 AA Internacional – VB; 08/07 – 0x2 América FC – SJRP; 11/07 – 2×1 AA Ponte Preta – Moisés Lucarelli; 15/07 – 0x1 SC Corinthians P – Morumbi; 18/07 – 0x0 Botafogo FC – VB; 22/07 – 0x0 EC Noroeste – Bauru; 25/07 – 1×1 Comercial FC – VB; 29/07 – 0x1 São Paulo FC – Morumbi; 01/08 – 0x5 Guarani FC – Brinco de Ouro; 05/08 – 2×0 AA Francana – Franca; 08/08 – 0x0 EC XV de Novembro (Piracicaba) – VB; 12/08 – 2×0 A Ferroviária E – Araraquara; 15/08 – 4×1 Marília AC – VB;  18/08 – 2×2 CA Juventus  – Pacaembu; 22/08 – 3×2 AE Velo CRC – Rio Claro;  26/08 – 1×1 A Portuguesa D – Pacaembu; 29/08 – 1×3 EC São Bento – Sorocaba e 03/09 – 1×3 SE Palmeiras – Morumbi.

2º turno:

06/09 – 0x0 EC Xv de Novembro (Jaú)- Jaú; 09/09 – 1×1 XV de Novembro (Piracicaba) – Piracicaba; 12/09 – 1×1 Guarani FC – VB; 16/09 – 0x0 A Portuguesa D – Pacaembu; 19/09 – 1×0 Marília AC – Marília; 23/09 – 0x0 SC Corinthians P – Morumbi; 26/09 – 0x0 A Ferroviária E – VB; 30/09 – 1×2 SE Palmeiras – Morumbi; 03/10 – 0x1 América FC -VB; 07/10 – 3×1 Botafogo FC – Santa Cruz; 09/10 – 3×0 Comercial FC – Francisco Palma Travassos; 11/10 – 1×0 AA Ponte Preta – VB; 14/10 – 2×1 EC Noroeste – VB; 17/10 – 4×0 CA Juventus – VB; 20/10 – 1×0 AE Velo CRC – VB; 25/10 – 1×1 EC São Bento – VB; 28/10 – 3×0 São Paulo FC – Morumbi; 01/11 – 1×3 AA Internacional – Limeira e 03/11 – 3×1 AA Francana – Pacaembu

3º turno:

07/11 – 0x0 A Portuguesa D – Pacaembu

12/11 – 1×2 CA Juventus – Parque Antártica

15/11 – 4×0 EC Noroeste – Parque Antartica

18/11 – 1×5 SE Palmeiras – Morumbi

21/11 – 1×1 Guarani FC – Brinco de Ouro

Fichas técnicas

20/04/1978 Santos FC1x2 Operário FC (Campo Grande)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Brasileiro de 1978

Renda: Cr$ 517.560,00

Público: 19.232

A: Arnaldo César Coelho

Gols: Juary 27′ – Pedro 48′ e Da Silva 81′

SFC: Willians; Nelsinho Batista, Gilberto Costa, Fernando (Neto) e Gilberto Sorriso; Clodoaldo, Ailton Lira (De Rossis) e Toinzinho; Juary, Reinaldo e João Paulo.

Técnico: Mengálvio

OFC: Manga; Paulinho, Tadeu Vieira, Biluca e Da Silva; Edson , Cuca (Lucinho) e Claudinho; Pedro, Marinho e Cleber.

Técnico: Castilho

Manga (Copa de 66) era a segurança do Operário no gol . As dores da derrota e das confusões no Pacaembu eram as dores do parto dos Meninos da Vila…

31/05/1978 Santos FC 1×1 Santa Cruz FC (Recife)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Brasileiro de 1978 (segunda fase)

Renda: Cr$ 291.000,00

Público: 11.534

A: Wilson Carlos dos Santos

Gols: Nelson Borges 92′ – Joãozinho 17′

SFC: Ricardo; Nelsinho Batista, Joãozinho, Fernando e Gilberto Sorriso; Zé Carlos, Toninho Vieira (Nelson Borges) e Pita; Juary, Célio e João Paulo.

Técnico: Formiga

SCFC: Joel Mendes; Carlos Alberto Barbosa, Paranhos, Lula (Alfredo) e Pedrinho; Givanildo, Wilson Carrasco e Betinho; Fumanchu, Neinha e Joãozinho.

Técnico: Evaristo de Macedo

No batismo dos Meninos da Vila, um empate salvador nos acréscimos

20/08/1978 Santos FC1x1 SC Corinthians P (São Paulo)

Local: Morumbi – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Paulista

Renda: Cr$ 4.476.490,00

Público: 111.103 + 6.525 menores (117.628 total)

A: Oscar Scôlfaro

Gols: Pita 67′ – Rui Rei 85′

SFC: Vitor; Nelsinho Batista, Joãozinho, Neto e Gilberto Sorriso; Clodoaldo, Aílton Lira e Pita; Nilton Batata, Juary e João Paulo.

Técnico: Formiga

SCCP: Jairo; Luis Cláudio, Amaral (Mauro), Ademir e Vladimir; Nobre (Vagner), Sócrates e Palhinha; Vaguinho, Rui Rei e Romeu.

Técnico: José Teixeira

Na estreia de Sócrates os meninos da Vila mostraram grande futebol. Pita, Nilton Batata e Juary foram os destaques.

15/10/1978 Santos FC 0x2 SE Palmeiras (São Paulo)

Local: Morumbi – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Paulista

Renda: Cr$ 4.658.620,00

Público: 123.318 + 4.105 menores (127.723 total)

A: Emidio Marques Mesquita

Expulsões: Rosemiro (SEP) e Fernando (SFC) expulsos

Gols:                       – Jorge Mendonça 32′ e Escurinho 50′

SFC: Vítor; Nelsinho Baptista, Fausto, Neto e Fernando; Zé Carlos, Aílton Lira e Pita; Nílton Batata, Juari, João Paulo

Técnico: Formiga

SEP: Gilmar; Rosemiro, Marinho Perez, Alfredo Mostarda e Pedrinho; Ivo, Pires e Jorge Mendonça; Amílton Rocha (Marinho Paranaense), Escurinho e Baroninho.

Técnico: Filpo Nuñez

Perdendo 3 gols feitos, o Peixe poderia ter ao menos conseguido o empate… O Palmeiras venceu numa boa partida, disputada onde a experiência de Dom Filpo venceu a juventude dos meninos. Partida de maior público da história do SFC em São Paulo.

22/11/1978 Santos FC 1×0 AA Ponte Preta (Campinas)

Local: Morumbi – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Paulista (Taça Cidade de São Paulo – semi final)

Renda: Cr$ 1.303.890,00

Público: 31.481 + 1.874 menores (33.355 total)

A: Roberto Nunes Morgado

Gol: Ailton Lira (p) 19′

SFC: Vítor, Nelsinho Batista, Joãozinho, Neto e Gilberto Sorriso; Clodoaldo, Aílton Lira e Pita; Nílton Batata, Célio e João Paulo (Claudinho).

Técnico: Formiga

AAPP: Carlos; Toninho, Oscar, Polozzi e Odirlei; Vanderlei, Marco Aurélio (Mirandinha), Osvaldo e Dicá; Lola e Tuta.

Técnico: Osvaldo Brandão

Uma cobrança de falta magistral de Ailton Lira coloca o Peixe na final.

Um ataque campeão

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Com o vice campeonato da Taça Cidade de São Paulo, o alvinegro já estava classificado para o 3º e decisivo turno.

Antes disso, porém, havia um looooongo  a ser percorrido. Ainda em dezembro de 1978 começava o 2º turno, começou um tanto desconcentrado… perdeu para a Francana, uma vitória opaca sobre a AA Portuguesa no clássico praiano, uma vitória no sufoco contra o “moleque travesso” e um empate com o Marília encerravam o ano de 1978. O Paulistão entraria 1979 afora…

Na 1ª partida de 79, uma grande festa… era o volta de Serginho Chulapa ao ataque tricolor depois de pegar um gancho  de quase um ano por ter chutado um bandeirinha em Ribeirão Preto.

Morumbi lotado e Rubens Minelli, o vencedor técnico do tricolor anuncia que tinha um jeito de segurar o endiabrado Juary… colocaria Marião na marcação do atacante santista. Marião era um zagueiro tipo “armário”, grande, seguro, firme nas bolas altas e seguia toda a orientação do técnico… mas não era um Jurandir ou Roberto Dias, longe disso…

Os tricolores estavam confiantes e comparecem em grande número, mas os santistas eram maioria… até mesmo no setor reservado aos tricolores haviam alvinegros… e não eram poucos, digo isso pois lá estava… eu e mais algumas centenas  de santistas “infiltrados” entre os tricolores.

Aos 12 minutos Juary marca 1×0… grito contido, segurado… afinal não estava no melhor lugar para torcer … E gente chegando… mesmo com 20′ ainda chegava mais torcedores, afinal por ali, atrás do gol era o único lugar que era possível encontrar algum lugar…

Aos 28′, Juary faz 2×0… não segurei e pulei…. Quando vi, tinha um monte de santistas pulando também…. aquele pessoal que estava chegando atrasado eram santistas em sua maioria…

Com 2×0, o alvinegro bailava em campo… e foi assim que virou o 1º tempo.

No início da fase final, Serginho deixa sua marca de artilheiro… explosão no meu setor…  um mar de tricolores transpiravam otimismo, acreditando na virada…

Mas, quem tinha Ailton Lira, Juary, Pita, Nilton Batata e João Paulo não se deixava intimidar…

Um lançamento primoroso de Lira deixa Batata livre na direita…. ele avança e penalti!

Meus amigos, em 1978 penalti era covardia, pois quem cobrava era Ailton Lira… uma cobrança com uma tranquilidade e precisão impressionante e o 3º gol.

Com o São Paulo desmontado, foi só tocar a bola, e bem no finalzinho, Juary ganha um presentão da defesa tricolor, parte em velocidade e outro penalti.  E novamente Ailton Lira marca um golaço de penalti. 4×1!

Ao final a partida, dividindo os prêmios com Ailton Lira, perguntaram ao Juary sobre a marcação especial do São Paulo, sobre a marcação de Marião… Juary respondeu:

Marião? Marião me marcou? e saiu dando risada… Esses eram os meninos da Vila… irreverentes, rápidos e craques.

E o SFC foi seguindo sua batida, vencendo os times do interior… tropeçando em Sócrates, até que chega o clássico com o Palmeiras em 04 de março.

O destaque não é o gol relâmpago de Juary, mas a torcida santista, que abre uma faixa na arquibancada exigindo “Anistia ampla, geral e irrestrita”

FSP - 05/03/1979

A sociedade se levantava contra o poder ditatorial dos militares que mantinham a 15 anos a nação silenciosa. Eram tempos de grande agitação política no Brasil.

Bem , voltando ao Paulistão, o Santos classifica-se para a fase final do turno ficando em 1º lugar em seu grupo (Ferroviária, XV de Piracicaba, XV de Jaú e .Portuguesa). O mata-mata do 2º turno começava contra a Francana, e no sufoco mas com um golaço de Zé Roberto, o alvinegro passa para as semi-finais.

Assim como no 1º turno, quem encara o SFC é a Ponte Preta. A Ponte era a equipe com maior quantidade de pontos (fosse em pontos corridos, seria a campeã). O jogo é dos melhores, compensando cada cruzeiro gasto pelos 53.000 torcedores no Morumbi. O empate de 1×1 manda a partida para a prorrogação, porém faltando 3′ para o final da prorrogação, a Ponte desempata  e se classifica.

É no final do 2º turno que fica claro a bagunça que era a competição… As quartas de final começam com jogos ainda para serem realizados pelo 2º turno… no dia da semi-final entre Santos e Ponte, se disputam outros jogos da quartas de final… o último jogo do 2º turno só aconteceu após a 2ª partida da semi-final… e para completar, preparem-se que esta é a mais surreal de todas: a final do 2º turno (Ponte x Guarani) só foi realizada 2 meses depois, quando o 3º turno tinha acabado.

Nesta confusão começa o 3º e último turno… Os participantes são: Corinthians, Santos, Guarani e Ponte (Campeão e Vice de cada turno); São Paulo e Palmeiras (2 melhores por pontos), Portuguesa (por gols marcados), Francana (por arrecadação), Juventus (Vice do Torneio Incentivo) e Botafogo (a vaga deveria ser do Paulista – Campeão do Torneio Incentivo – mas, como o Paulista foi rebaixado, o tricolor de Ribeirão Preto ficou com a vaga pelo nº de pontos ) . Pois é, na postagem anterior eu errei… tinha esquecido esse “Torneio Incentivo” (Um caça-níqueis disputados pelos clubes que não participaram do Campeonato Brasileiro de 1978).

O Santos ficou no grupo de Ponte Preta, Palmeiras, Juventus e Portuguesa. No outro grupo: Corinthians, Guarani, São Paulo, Botafogo e Francana.

Antes de começar o 3º turno, o Peixe realiza um amistoso no Mineirão  contra o Atlético Mineiro, e vence por 2×1. Santos, Atlético Mineiro, Flamengo, Guarani, Ponte Preta, Corinthians, e Internacional eram os melhores times de 1979.

Cartaz usado no 1º de Maio de 1979 (Imagem: PCO)
Cartaz usado no 1º de Maio de 1979 (Imagem: PCO)

No dia 1º de maio, o Governo do Estado de São Paulo e a FPF promovem uma partida em homenagem ao Dia do Trabalhador: Seleção da Capital x Seleção do Interior, no Pacembu. A seleção da capital vence por 4×1. Na seleção do Interior jogaram Clodoaldo, Ailton Lira, Nilton Batata, Juary e João Paulo, sob o comando de Formiga.  O público não foi dos melhores…. é que no Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, 130.000 trabalhadores comemoravam a mesma data sem a participação do Governo e sem jogo de futebol… Um 1º de Maio de luta, como se dizia na época… diferente de hoje…

No mesmo dia, em Santo André, um mistão do Santos, orientado por Mengálvio, perde para o Santo André (0x2) em partida patrocinada pela Prefeitura de Santo André. Mesmo com portões  abertos, o estádio Bruno José Daniel não encheu…

Voltando ao Paulistão, no início do 3º turno o alvinegro foi arrasador; Pegou o Botafogo e surrou, 5×1. Veio a Francana e mais uma vitória praiana (1×0). Clássico na Vila Belmiro, a instável Portuguesa desce a Serra sob protestos…. e toma de 5×1.

Inexplicavelmente o time desanda…  perde 3 partidas em seguida: São Paulo, Juventus (!) e Palmeiras.

A classificação esta por um fio… O SFC ocupa apenas a 4ª colocação em seu grupo, atrás até do Juventus.

As duas partidas seguintes são contra as poderosas equipes de Campinas, Guarani e Ponte, ambas no Pacaembu. O futebol do SFC renasce, com um toque de bola envolvente bate o Guarani por 3×1 e a Ponte por 2×0.

A classificação para as semi-finais fica novamente visível. Um empate no clássico alvinegro e pronto.

E com um gol de penalti, o alvinegro paulistano vence o praiano por 1×0. A vaga estava quase que nas mãos do surpreendente Juventus (que já tinha eliminado o Corinthians no 2º turno).

Na última rodada, o Juventus enfrentaria a Ponte no Pacaembu e a torcida do Santos compareceu em grande número (quase 9.000 pessoas no estádio) para empurrar o time de Campinas.  E foi assim que a Ponte venceu por 2×1. O Palmeiras venceu o grupo e Santos e Ponte ficaram em 2º, porém no critério de desempate, o Santos foi o classificado (tinha melhor ataque que a Ponte, apesar de ter feito menos pontos…).

As semi-finais apontavam: Santos x Guarani e Palmeiras x São Paulo.

O Guarani era franco favorito, além de ter feito mais pontos que o Santos em todo Campeonato, pegava o alvinegro aos pedaços.

O SFC entraria em campo remendado, desfalcado de alguns de seus melhores atletas… Clodoaldo estava fora do time desde a derrota contra o São Paulo, e na partida contra o Corinthinas perdera de uma só vez, Vitor, Neto, Nilton Batata (contusão e cartões) além do maestro Ailton Lira (expulso).

Sem 5 titulares enfrentaria o completo Guarani.

Entraram no time Flávio (goleiro que fazia a torcida viver fortes emoções), Antonio Carlos (zagueiro  vindo do futebol,de São Bernardo do Campo) e Zé Carlos, Toninho Vieira e Claudinho (todos das categorias de base do alvinegro). O Meio de campo atuou beirando a perfeição com Vieira, Zé Carlos e Pita e o ataque foi novamente infernal… em 90′ liquidou o Campeão Brasileiro de 78, com categóricos 3×1! O Santos estava na final!!!!!!

Na outra semi–final o tricolor, com um gol no último minuto da prorrogação eliminava o Palmeiras. Os dois favoritos verdes caiam.

Era um confronto de contrates, de um lado  o futebol irreverente, rápido de dribles e gols dos meninos da Vila , do outro o experiente, malandro, pesado e tinhoso São Paulo.

Os destaques no tricolor eram Chicão, Dario Pereyra, Serginho Chulapa, Zé Sérgio, Valdir Perez e o técnico tri-campeão brasileiro (Inter 75/76, São Paulo 77), Rubens Minelli.

Ainda com cinco desfalques, o alvinegro entra em campo no gélido Morumbi de uma noite de junho, com um objetivo: manter a vantagem do regulamento em suas mãos, isto é, em caso de empates seria o campeão, pois seu ataque fizera mais gols que o ataque tricolor.

Isso na teoria, pois aqueles meninos não sabiam jogar recuados… mesmo com um time cheio de remendos como aquele que encarou o São Paulo.

O tricolor abre o marcador, Serginho Chulapa (sempre ele), mas o alvinegro não se abala…

E em 10 minutos empata a partida com Juary…  e  tome corridinha em torno da bandeirinha…uma explosão nas arquibancadas.

No 2º tempo, é a vez de Pita marcar e virar o placar, 2×1. O Santos seguiu jogando melhor e colocou a mão no título.

Mas não seria, assim, tão simples. Zé Carlos e João Paulo tomam cartão amarelo e cedem seu lugar no time… agora serão SETE desfalques para a 2ª partida… enquanto isso o tricolor segue completo.

Vieira vai para a posição de volante e Rubens Feijão (também da base) entra com a 8, completando o trio de meio campo com Pita. Célio (outro da base) entrava no lugar de João Paulo… Na prática, era um 4-4-2 que Formiga preparava para enfrentar o matreiro Minelli.

A primeira vista, parecia que o Santos ficaria recuado… mas, quem segurava aquela bando de garotos?

Logo aos 20′ penalti para o SFC. Sem Ailton Lira, é o zagueirão Antonio Carlos que parte para a cobrança… Chicão catimba…. Antonio Carlos bate, Waldir Perez avança quase até a linha da pequena área  e defende…

O alvinegro não desanima e continua em cima, até que no finalzinho do 1º tempo, Célio coloca o Santos na frente, 1×0.

O mar branco transborda no Morumbi. Cerca de 2/3 das 115.000 pessoas são santistas…

No 2º tempo manteve-se a mesma toada… o Santos mandando na partida. Aos 80′ Juary recebe livre na área, chuta … e Waldir Perez defende… era o gol do título… uma pena. E os deuses do futebol não perdoam uma situação dessas… a massa santista já gritava “É Campeão”, quando aos 89′ Zé Sérgio faz o gol que nem os tricolores acreditavam mais, 1×1 e tudo se decidindo na 3ª partida.

No mesmo dia, em Nova Iorque, falecia Cláudio, brilhante goleiro dos anos 60.

Os problemas do SFC persistem… agora é Joãozinho que desfalcará o time na final… o retorno de Neto, Nilton Batata e Zé Carlos é um pequeno alívio…

Na 3ª partida o tricolor não tinha escolha, ou vencia a partida e a prorrogação ou tudo estava perdido.

E assim, alucinadamente feito animal  acuado, o São Paulo se joga na partida… o alvinegro tenta manter em banho-maria, mas Zé Sérgio coloca o SPFC em vantagem… o SFC não é o mesmo das partidas anteriores… parece que sente a responsabiliodade e atua sem saber se parte para cima ou se toca a bola…

No início do 2º tempo Neca amplia, 2×0. O jogo acaba na prática… o São Paulo tem a vitória nas mãos e não precisa fazer mais gols,  e o Santos não quer arriscar… serão 40 minutos de bola rolando e os dois times esperando a prorrogação.

E foi dessa forma, num 2º tempo chatíssimo que as coisas aconteceram.

Fim de jogo, São Paulo 2×0. A maratona absurda daquele Campeonato seria decidido em 30 minutos de prorrogação.

E ao invés do tricolor partir com tudo… quem toma conta é o alvinegro… são 30 minutos de grande exibição, o futebol esquecido nos 90′ foi superado e o gol santista era questão de tempo… gols, gols e mais gols são deperdiçados… Juary, Claudinho e Rubens Feijão perdem chances incríveis… Toninho Vieira e Pita mandam e desmandam no meio de campo e  a  zaga com os imprevisíveis Antonio Carlos e Neto jogam como se deve jogar uma final, sem brincadeiras, sem firula, na base do chutão e da dividida mantinham a bola longe da área santista, dando tranquilidade para Flávio e a massa santista.

Ao final dos 30 minutos termina o Campeonato… Santos, Campeão!!!!!!!!!!!!

Um ataque campeão!

Veja coletânea de gols em 1978:

A campanha vitoriosa:

1º turno:

20/08 – 1×1 SC Corinthians P – Morumbi – 111.103 + 6.525 menores

27/08 – 2×1 AA Portuguesa – VB – 24.867 + 1.606 menores

30/08 – 5×0 Comercial FC – VB – 12.525 + 1.122 menores

03/09 – 2×2 AA Ponte Preta – Moises Lucarelli – 30.568 + 2.653 menores

07/09 – 0x0 Paulista FC – VB – 26.212 + 2.934 menores

10/09 – 0x0 Marília AC –  Marília – 15.394 + 675 menores

17/09 – 4×0 A Portuguesa D –  Morumbi  – 37.039 + 3.178 menores

20/09 – 2×0 EC Noroeste – VB – 21.368 + 2.239 menores

24/09 – 0x0 Botafogo FC – Santa Cruz – 23.451 + 2.634 menores

28/09 – 1×0 AA Francana – VB – 19.924 + 1.249 menores

01/10 – 3×1 São Paulo FC – Morumbi – 91.962 + 5.229 menores

04/10 – 3×1 A Ferroviária E – VB – 25.505 + 1.880 menores

08/10 – 0x0 EC São Bento – VB – 27.237 + 1.220 menores

15/10 – 0x2 SE Palmeiras – Morumbi – 123.318 + 4.105 menores

18/10 –  0x2 Guarani FC –  VB – 28.352 + 2.820 menores

22/10 – 2×2 EC XV de Novembro (Piracicaba) – Piracicaba – 16.269 + 1.620 menores

25/10 – 1×1 CA Juventus – VB  – 14.573 + 672 menores

29/10 – 1×1 EC XV de Novembro (Jaú) – Jaú – 15.447 + 1.911 menores

05/11 – 0x1 America FC – SJRP – 15.071 + 1.770 menores

Finais do turno:

11/11 – 0x0 São Paulo FC (0x0 prorrogação) – Morumbi – 21.920 + 1.632 menores

22/11 – 1×0 AA Ponte Preta  – Morumbi – 31.481 + 1.874 menores

26/11 – 0x1 SC Corinthians P – Morumbi – 120.000

2º turno:

29/11 – 0x2  AA Francana  – Franca – 16.583 + 1.724 menores

03/12 – 2×1 AA Portuguesa -VB – 8.807 + 979 menores

09/12 – 3×2 CA Juventus – Pacaembu – 28.968 + 1.317 menores

16/12 – 0x0 Marília AC – VB – 13.802 + 1.438 menores

28/01/1979 – 4×1 São Paulo FC –  Morumbi – 74.356 + 4.116 menores

03/02/1979 – 2×0 Comercial FC – Palma Travassos – 26.821 + 2.711 menores

11/02/1979 – 1×2 SC Corinthians P –  Morumbi – 103.494 + 5.497

14/02/1979 – 1×0 EC XV de Novembro (Piracicaba) – VB – 16.529 + 1.021 menores

17/02/1979 – 1×0 EC XV de Novembro (Jaú) – VB – 19.258 + 1.280 menores

21/02/1979 – 0x0 EC Noroeste – Bauru – 16.220 + 1.915 menores

24/02/1979 – 0x0 Paulista FC – Jundiaí – 15.110 + 1.016 menores

04/03/1979 – 1×2 SE Palmeiras – Morumbi – 55.585 + 1.841menores

07/03/1979 – 0x2 EC São Bento – Valter Ribeiro – 13.964 + 1.546 menores

11/03/1979 – 3×2 A Portuguesa D – Pacaembu – 36.336 + 1.269 menores

14/03/1979 – 4×0 America FC – VB – 12.438 + 1.694 menores

18/03/1979 – 1×0 Guarani FC – Brinco de Ouro – 30.557 + 3.322 menores

24/03/1979 – 3×0 Botafogo FC – VB – 13.083

28/03/1979 – 0x0 A Ferroviária E – Araraquara – 13.517

02/04/1979 – 0x1 AA Ponte Preta – VB – 27.181 + 3.618 menores

Finais do turno:

14/04/1979 – 2×1 AA Francana – VB – 26.332 + 2.749 menores

19/04/1979 – 1×1 AA Ponte Preta (0x1 prorrogação) – Morumbi – 51.312 + 2.028

3º turno:

03/05/1979 – 5×1 Botafogo FC – VB – 12.006 + 2.143 menores

06/05/1979 – 1×0 AA Francana – VB – 19.069

09/05/1979 – 5×1 A Portuguesa D – VB – 21.497 + 2.688 menores

12/05/1979 – 1×2 São Paulo FC –  Morumbi – 73.803 + 4.225 menores

20/05/1979 – 0x1 CA Juventus – VB – 17.153 + 2.110 menores

27/05/1979 – 1×2 SE Palmeiras- Morumbi – 60.076 + 4.694 menores

30/05/1979 – 3×1 Guarani FC – Pacaembu  -13.152 + 525 menores

07/06/1979 – 2×0 AA Ponte Preta – Pacaembu – 41.346 + 4.697 menores

10/06/1979 – 0x1 SC Corinthians P – Morumbi – 100.569 + 6.198 menores

Finais:

16/06/1979 – 3×1 Guarani FC – Morumbi – 41.352 + 2.856 menores

20/06/1979 – 2×1 São Paulo FC – Morumbi – 81.788 + 6.528 menores

24/06/1979 – 1×1 São Paulo FC – Morumbi – 107.485 + 7.670 menores

28/06/1979 – 0x2 São Paulo FC (0x0 prorrogação) – Morumbi – 74.535 + 5.95 menores

Veja os vídeos das finais:

Explode a massa santista nos estádios, surgem os “Meninos da Vila”.

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

A traumática desclassificação do SFC em pleno Pacaembu calou fundo na alma do santista. O sentimento era de humilhação, e qualquer coisa  poderia detonar consequências imprevisíveis… a falta de paciência da torcida era palpável feito um saco de cimento.

Assim, a direção santista providenciou uns amistosos pelo sul do País para que o time se preparasse para o Nacional de 1978, que seria no 1º semestre, por conta da Copa do Mundo na Argentina…

O time enfrenta o Internacional (Lages-SC) e vence por 3×0, segue para Caçador e enfrenta dois times no mesmo dia e estádio… entra em campo para enfrentar o GRE Kinderman, quando retorna do intervalo esta em campo a A Caçadorense D… é que o Kinderman estava mudando de nome naquela partida… morria o Kinderman e nascia o Caçadorense, e o SFC foi o “padrinho” de batismo do clube catarinense.

Seguiu em amistosos com a mesma irregularidade… perdeu para o Maringá (0x2), venceu o Corintians de Presidente Prudente (2×0) e perdeu para o Guarani (2×3). A massa santista realmente não nutria grandes esperanças em relação ao elenco do alvinegro… Sem nenhum reforço de peso, entraria no Nacional de 78 com pouquíssimas chances de algo acima de 10º lugar… A única vantagem santista era que contaria com todos os seus titulares na competição, enquanto que seus rivais teriam desfalque dos craques que estariam servindo a Seleção Brasileira…

Vejam a tristeza do torcedor da época… em outros anos, numa situação dessas (preparativos da Seleção), o SFC era quem mais sofria desfalques… em 78 não teria nenhum atleta convocado… no máximo contava com Clodoaldo e Joãozinho entre os 40 do listão, mas somente 26 foram chamados para os preparativos…

O Nacional de 1978 continuava no processo de inflação de participantes… teriam nesta competição, a fantástica quantidade de 74 agremiações. A política da Ditadura Militar graçava solta nos salões da CBD, e os novos clubes convidados eram do interior de cada Estado… Itabuna (BA), Anápolis (GO), Chapecó (SC), Pelotas (RS), Uberlândia (MG) e por aí afora.

Na 1ª etapa eram 6 grupos (2 de 13 equipes e 4 de 12); Os 6 melhores de cada grupo fariam parte do “grupos dos vencedores”, sendo redistribuídos em 4 chaves de 9 clubes; Os outros clubes ficavam no “grupo dos perdedores” (em número de 6), uma repescagem onde apenas o campeão de cada grupo passaria à 3ª fase; Esta 3ª fase seria formada com os 6 primeiros de cada chave do grupo dos vencedores, além dos campeões da repescagem, além de mais dois classificados pela melhor pontuação.

Os 32 clubes seriam redistribuídos em outros 4 grupos de 8 times; Os dois melhores de cada grupo passariam para às quartas de final, depois semi-finais e as finais. Toda fase de mata-mata seria em duas partidas. Vitórias por 3 gols de diferença valiam 3 pontos. Um regulamento beirando o caos…

E foi nessa maratona de partidas que o Santos se enfiou  a partir de 25 de março, com previsão de fim de campeonato apenas em meados de agosto, com uma Copa do Mundo no meio…

O grupo do Santos era constituído  por: Corinthians (SP), Goiás (GO), Vila Nova (GO), Anapolina (GO), Misto (MT), Dom Bosco (MT), Operário (MS), Comercial (MS), Brasília (DF), Rio Branco (ES) e Desportiva (ES). Santos, Corinthians, Operário e Goiás eram os favoritos, não necessariamente nesta ordem.

A 1ª partida foi uma grande alegria, 3×0 no Goiás (no Pacaembu), numa grande atuação do ataque alvinegro,destacando-se Juary. O empate contra o Misto (MT) em pleno Pacaembu foi o sinal amarelo para Ramos Delgado… Ainda assim, uma nova vitória por 3 pontos contra o fraco Dom Bosco, deu uma certa tranquilidade, porém um gol contra aos 90′ contra o Comercial (MS), em Campo Grande, voltou a abalar a confiança do elenco…

A partida seguinte foi um triste 0x0 contra o Corinthians, no Morumbi, onde um dos lances mais aplaudido foi um pique dado por Toinzinho na pista de atletismo para retornar ao campo de jogo… era uma tarde seca e a corrida de Toinzinho provocou o levantamento de enorme quantidade de poeira… os torcedores santistas sentiram que tal correria e poeira levantada era uma demonstração de boa vontade e aplaudiu o camisa 8… na realidade, alguns aplaudiram, outros deram risada e muitos choraram ou levaram as mãos à cabeça vendo a cena digna de um campo de várzea.

Atletas santistas se envolvem em polêmica na travessia de balsa, ao retornarem de uma churrascadaAtletas santistas se envolvem em polêmica na travessia de balsa, ao retornarem de uma churrascada

Internamente o clima estava fervendo na Praça Princesa Isabel…

A oposição havia ganho as eleições e preparava uma “limpa” no clube… Ramos Delgado foi chamado para discutir redução salarial (em tempos de inflação brava…1978…)…e claro, Ramos Delgado pediu o boné… e para completara situação, 5 atletas santistas (Ailton Lira, Toinzinho, Reinaldo, Bianqui e De Rossis) se envolveram num rumorosos caso de atentado ao pudor na travessia da balsa (Santos- Guarujá), denunciado por 2 senhoras esposas de médicos conselheiros do Peixe….

Lembrando que no final de 76, a delegação do SFC quase foi expulsa do Hotel em São Luiz (MA) por mau comportamento dos atletas…

Mengálvio é chamado para dirigir a equipe contra o Operário, no Pacaembu…

O time começou bem a partida, com Juary abrindo o marcador… depois…

Depois foi um DESASTRE!

Mengálvio tira Ailton Lira e o SFC cede espaço para o Operário… logo aos 48′ o empate. A torcida não perdoou o antigo craque e pôs-se a vaiar freneticamente o Técnico interino… a pressão aumentava e o Operário na dele, tocando a bola… até que aos 81′ o gol da virada.

O Pacaembu explode em violência…. Torcedores pulam o alambrado e seguem direto para o banco santista, não para reclamar , mas para agredir… a PM entra em cena…  Meus amigos, o tempo fechou de vez… 19.000 santistas enfurecidos enfrentaram a polícia com o que tinham nas mãos… paus, pedras, mastros de bandeiras, foguetes… qualquer coisa…por sua vez os policiais não aliviaram no cassetete… baixaram o porrete na massa santista…

O Onibus do alvinegro foi apedrejado… o estádio do Pacaembu parecia uma praça de guerra ao final das cenas de selvageria coletiva.

Esmeraldo Tarquínio foi eleito prefeito pelo MDB (1968), foi cassado pelos Militares 2 dias antes de assumir o cargo. Seu "crime": ser do MDB
Esmeraldo Tarquínio foi eleito prefeito pelo MDB (1968), e cassado pelos Militares 2 dias antes de assumir o cargo. Seu "crime": ser do MDB

Nos dias seguintes esse era o grande assunto da imprensa santista, juntamente com as dívidas, os credores e a contratação de Formiga (com salário menor que Ramos Delgado). A coisa esquentou tanto que virou debate político… O Secretário de Segurança Pública (de triste memória) era Erasmo Dias (conselheiro do SFC e ligado a ARENA) e o Presidente do Conselho do SFC, era Esmeraldo Tarquínio (Prefeito eleito de Santos, do MDB, que teve seus direitos político cassados pela Ditadura Militar), batiam boca via jornais, cada um publicando sua versão dos fatos…

Esmeraldo Tarquínio protestava como a torcida do Santos foi tratada pela PM, enquanto que Erasmo Dias justificava a ação da PM comandada por ele.

Como testemunha daquela época, posso afirmar que o Secretário da (In)Segurança Pública era do tipo que  mandava bater pra valer, isso em estádio de Futebol, porta de Universidade, Fábrica ou Igreja. E Esmeraldo Tarquínio não aceitava tal comportamento.

A partida seguinte foi no Espírito Santo, e as “organizadas” avisavam o técnico Formiga no intervalo da partida: quebrariam a Vila Belmiro na partida contra a Desportiva!

Os torcedores exigiam a vitória.

Uma providencial ajuda da Tabela afastou o alvinegro do turbilhão de confusão… Empatou com a Desportiva no Pacaembu (sob intenso aparato policial) e seguiu para Goiás e Brasília, retornando a atuar em São Paulo somente um mês após as confusões.

Conseguiu (sabe Deus, como) classificação para a fase seguinte, caindo no grupo de Fluminense, Grêmio, Joinville, Ceará, Náutico, Goiás, Santa Cruz e Bahia.

Derrota no Maracanã para o Fluminense foi um resultado óbvio, empatou em zero com o Goiás e perdeu para o Náutico, no Arruda. A desclassificação rondava a Vila Belmiro… e Formiga lança mão da única solução possível naqueles dias… barrar os “medalhões” e lançar os meninos da base… Na realidade , a grande sacada foi a saída de Toinzinho e efetivação de Pita no meio de campo, ao lado de Toninho Vieira e Zé Carlos. No Ataque: Juary, Célio e João Paulo.

Um empate conquistado aos 90′ foi providencial… uma derrota queimaria os meninos… no entanto, o empate não era tão ruim assim… afinal, o Santa Cruz era um grande time, contava com Nunes (servindo a Seleção) e ao lado do Bahia, encarava qualquer time do Sul/Sudeste sem o menor temor.

Duas vitórias em sequência (Ceará e Joinville) aseguraram a classificação para a 3ª fase.

Abriu a 3 ª fase com uma goleada sobre o Goytacaz (4×0), com ótimas participações dos meninos… mas, na partida seguinte, surgia o Botafogo (RP) e Sócrates… e novamente o Doutor provocava uma derrota santista… pegou o Guarani, em Campinas,  e nova derrota. Porém o Guarani  já surpreendia com o futebol de Careca, Zenon, Renato “pé-murcho” e Zé Carlos (ex-Cruzeiro).

Foi para Porto Alegre e perdeu para o Inter, mas Nilton Batata bailou  no gramado… Veja a foto abaixo e conheça quem sofreu com o futebol de Nilton Batata:

E encerrou a participação vencendo o Goiás e empatando com o Botafogo (PB). Conheça, agora, toda a campanha santista:

25/03 – 3×0 EC Goiás – Pacaembu – 30.584 pagantes  + 2.152 menores

29/03 – 1×1 Misto EC – Pacaembu – 12.250

02/04 – 3×0 CE Dom Bosco – José Fragelli (Cuiabá) – 15.926

05/04 – 0x1 Comercial EC – Pedro Pedrossian (Campo Grande) – 13.195

08/04 – 0x0 SC Corinthians P – Morumbi – 53.482 pagantes + 3.253 gratuitos

20/04 – 1×2 Operário FC – Pacaembu – 19.232

23/04 – 2×2 Rio Branco AC – Engenheiro Araripe – 4.508

26/04 – 1×1 A Desportiva VRD – Pacaembu – 10.894

07/05 – 3×1 Vila Nova FC – Serra Dourada – 15.574

10/05 – 1×2 Brasília FC – Elmo Serejo – 18.198

14/05 – 1×1 AA Anapolina –  Jonas Duarte – 6.271

2ª fase:

21/05 – 1×2 Fluminense FC – Maracanã – 13.081

24/05 – 0x0 Goiás EC – Serra Dourada – 22.939

28/05 – 0x2 C Naútico C – Arruda – 7.147

31/05 – 1×1 Santa Cruz FC – Pacaembu  – 11.534

04/06 – 0x3 EC Bahia – Fonte Nova – 22.033

07/06 – 2×1 Ceará SC – Vila Belmiro – 7.745

10/06 – 3×0 Joinville EC – Vila Belmiro – 5.095

17/06 – 0x0 Grêmio FPA –  Morumbi – 10.084

3ª fase:

02/07 – 4×0 Goytacaz FC –  Vila Belmiro – 19.375

05/07 – 1×2 Botafogo FC (SP) – Santa Cruz  – 12.640

08/07 – 1×2 Guarani FC –  Brinco de Ouro – 16.908

13/07 – 0x0 Londrina EC – Vila Belmiro – 19.181 pagantes + 1.125 menores

16/07 – 0x1 SC Internacional –  Beira Rio – 21.078

19/07 – 3×0 Goiás EC –  Vila Belmiro – 10.787

22/07 – 1×1 Botafogo FC (PB) – José Américo de Almeida (João Pessoa) – 8.429

O Campeonato Paulista se aproximava e o SFC ficou realizando amistosos na Vila Belmiro: Fluminense, Noroeste, Villa Nova (MG) e America (RJ) foram os adversários. Um único reforço chega ao clube: Vitor, bom goleiro reserva do Cruzeiro.

O Campeonato Paulista de 1978 foi o mais longo de todos os Campeonatos promovidos pela FPF. Durou quase um ano, começando em 20 de agosto de 1978 e terminando em 28 de junho de 1979!!!!!

O motivo foi a fórmula das mais extravagantes adotada pela cartolagem. O regulamento maluco era assim:

1º turno (Taça Cidade de São Paulo): 20 clubes divididos em 4 grupos de 5 clubes. Jogos entre todos os 20 times; os dois melhores de cada grupo classificavam-se para as quartas de final, depois semi-final e a final do turno;

2º Turno (Taça Governador do Estado): A mesma do 1º turno, porém com a formação de 4 grupos diferentes do 1º turno.

3º turno final: 10 clubes divididos em duas séries de 5 clubes. Jogos entre os 10 times, os dois melhores de cada série passam para a semi-final, e os vencedores fazem a final em melhor de 3 pontos.

A grande novidade era a forma de classificação para o 3º turno: Campeão e Vice de cada turno; os dois melhores por pontos; os dois melhores por arrecadações (!!!) e os dois melhores ataques (!!!!!!!!).

Nas fases de mata-mata (qualquer turno, 1º, 2º,  3º – inclusive a final), em caso de empate, seguia em frente a equipe com melhor ataque(!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)

O Campeonato começou em grande estilo:

Santos x Corinthians, no Morumbi. Estreia de Sócrates no alvinegro paulistano. Batismo de fogo para os Meninos!

Formiga fez o time entrar assim no gramado:  Vitor; Nelsinho Batista, Joãozinho, Neto e Gilberto Sorriso; Clodoaldo, Aílton Lira e Pita; Nilton Batata, Juary e João Paulo.

Pita com a 10 e Ailton Lira com a 8…

O time surpreendia o atônito Corinthiinas e aos 4′ Pita manda um balaço no travessão… os santistas mal acreditavam… o time finalmente jogava bem… eu, particularmente tinha visto isso pela última vez em 1973/74… eram 4 anos de uma agonia que finalmente terminaria… os meninos eram rápidos e bons de bola… Juary, um azougue;  Nilton Batata, um raio driblador e João Paulo colocava a bola onde queria… Clodoaldo, aos 29 anos, dava a tranquilidade que um volante precisa dar a defesa.. e Ailton Lira e Pita dispensam maiores apresentações… dois craques, dois mitos do meio campo. Na defesa Joaõzinho tinha que compensar todos os outros, não que fossem uns pernas-de-pau, mas também não eram craques… Nelsinho Batista, Gilberto Sorriso e Neto montavam uma linha de zagueiros bem razoáveis… nenhum teria oprtunidade numa seleção brasileira. E Vitor, era muito mais seguro que Ricardo, Willian, Wilson Quiqueto ou Joel Mendes juntos.

Assim o Peixe comandou boa parte do clássico e logo no início do 2º tempo, Pita abriu o marcador… Pode-se dizer que o Mar branco se abriu no Morumbi!

Hoje não sei dizer o que era mais belo: o gol de Pita ou a massa santista dividindo o Morumbi meio  a meio…

Mas os meninos cansaram… e cansar jogando contra Sócrates era algo muito perigoso…faltando 10′ Rui Rei (Ex- Ponte, polêmico atacante envolvido numa estranhíssima expulsão na final entre Ponte x Corinthians) empata o jogo.

A Torcida se empolga com seus meninos… seus, pois foram os torcedores que insistiram para que houvesse a promoção dos garotos ao time de cima… e no clássico das praias a Vila Belmiro esta abarrotada e vê uma vitória apertada por 2×1

O Comercial seria o próximo adversário… em 15′, o Santos abre 3×0. Era o futebol “discoteque”!

Discoteque era o ritmo que estava na moda em 1978… na esteira de produtos como o filme “Embalos de sábado  a noite”, “Bee Gees” e muita disco-music.

As meninas usavam essas meias... Dá para acreditar?
As meninas usavam essas meias... Dá para acreditar?

E o Santos virou o time da moda…

O Compromisso seguinte seria em Campinas, contra a temível Ponte Preta. A Ponte tinha um timaço, com Carlos, Oscar, Polozzi, Dicá, Dario (da Copa de 70), além de Vanderlei, Marco Aurélio, Lúcio e Odirlei.

A Ponte abre 2×0 e toca a bola com categoria esperando o tempo passar… até que faltando 5 minutos a “discoteque” começa a funcionar e o alvinegro empata a partida. Explosão num canto de Moisés Lucarelli… e o pau quebra nas arquibancadas… eram 33.000 torcedores se apertando no velho estádio da Ponte… uma pancadaria sem proporções no Estádio, e a torcida santista ganhava a fama de fanática, entusiasta e…. violenta (lamentavelmente)….

Em Marília, outra confusão da massa santista… mas quando chega o clássico contra  a Portuguesa,  o Morumbi vira o “Dancin’ Days” ou o “Papagaios” (discotecas da época)… o Santos lasca 4×0 e com o baile característico do futebol “disco”.

Vence o Noroeste, empata em Ribeirão Preto (Botafogo) e passa pela Francana.

O SFC é a sensação do futebol paulista.  A Tabela marca mais um clássico no Morumbi: São Paulo.

Um confrontos de invictos… E Juary destrói a defesa tricolor… marca 3 gols!!!! Um espetáculo, em campo, nas arquibancadas e no placar.

Veja os gols e Juary correndo em volta da bandeira de escanteio:

Depois do massacre santista, não havia espaço para dúvidas… aquele era um grande time, digno das tradições alvinegras desde os anos 20… jovem, ousado, goleador.

Mais duas semanas e outro clássico, contra o Palmeiras… CENTO E VINTE E SETE MIL pessoas no Morumbi. Sim, meus amigos, vocês estão lendo corretamente… 127.000 torcedores super-abarrotaram o Morumbi… uma pena que o a invencibilidade alvinegro foi quebrada… (0x2).

A partida seguinte foi contra o Guarani (campeão Brasileiro de 1978) e 31.000 santistas ocuparam a Vila e viram outra derrota… (0x2).

O time perde um pouco a concentração,  mas a sua pontuação é o suficiente para garantir a participação na fase decisiva do turno. Ficou em 2º lugar em seu grupo (Ponte, Paulista, Noroeste e Portuguesa Santista) e enfrentaria o São Paulo.

A partida fica no 0x0, inclusive na prorrogação. O tricolor tinha feito 28 pontos, contra 23 do SFC. MAS o regulamento previa que, em caso de empate, o classificado seria a equipe com melhor ataque… e isso o Santos tinha com enorme folga (27 x 18). Dessa forma, o classificado foi o alvinegro… claro que o tricolores prostestaram, entraram na justiça, pararam o  Campeonato… no final o veredicto foi o seguinte: o regulamento prevê como critério de desempate o melhor ataque, portanto Santos classificado.  Assim “sem choro, nem vela” o Santos seguia e o tricolor ficava pelo caminho…

A semi-final seria contra o Ponte Preta (talvez a melhor equipe nos anos de 76/80)… só que a Ponte tinha um  problema: ou era garfada ou tremia…

E naquela quarta-feira, Ailton Lira cobrou uma falta de maneira perfeita e decretou a eliminação do alvinegro campineiro.

Na outra semi-final, o Corinthians eliminava o Guarani e colocava-se na final contra o Santos FC.

Era a oportunidade de redenção ao clube de Vila Belmiro… no entanto, um fato chamou a atenção de todos: o árbitro escalado seria Dulcídio Vanderlei Boschilia, o mesmo que comandara o título, ops, a partida entre Corinthians e Ponte, em 1977 (veja referência ao fato em: http://prof-guilherme.capesp.org/?p=2439)

O Dulcídio fez o que todos esperavam: Corinthians 1×0 Santos.

Morumbi com 120.000 alvinegros… jogo duro, parelho… ataque santista pela direita, Pita recebe entra na área e cai… pênalti seria a marcação comum… mas, esse não seria um jogo comum (o Corinthians disputava um título…) e Dulcídio manda seguir… aos 35′ Sócrates manda de calcanhar para Palhinha, entra na área e cai… pênalti, marca Dulcídio. Clodoaldo se desespera… reclama, gesticula, reclama mais…. e leva o cartão vermelho (muita semelhança aos fatos de 77). O grande capitão fica fora de si… corre, pula, faz gestos com as mãos em sinal de roubo, é cercado pelos policiais, pela imprensa,  até que tomba desmaiado… as imagens são impressionantes.

Com 10 jogadores e um penalti contra, a perspectiva do SFC é das piores… Zé Maria cobra e Vitor defende… O Santos não era a Ponte Preta!

O 2º tempo é uma agonia… o Santos joga pelo empate (no jogo e na prorrogação)…. com 10 no gramado, sem Juary (contundido, nem entrou em campo) e sem Clodoaldo, o alvinegro incorporva toda a raça, toda garra possível.

No final da partida Sócrates entra na área (em posição duvidosa), divide com Vitor, sobra para Palhinha e gol.

Fim das esperanças do título, mas a certeza que o SFC renascera.

A certeza que aquele time tinha alma, e que sua alma era Clodoaldo.

A certeza que aquele time tinha um comandante: Formiga

A certeza que tinha dois craques: Ailton Lira e Pita

A certeza que tinha um goleador nato: Juary.

A certeza que tinha os dois melhores pontas do Brasil, naquele 2º semestre de 1978: Nilton Batata e João Paulo.

A certeza que o Santos não morrera, como diziam.

Que a alegria de jogar para frente, buscando o gol,  estava impregnado em Vila Belmiro. E  embalado ao som da disco-music do final dos anos 70, muitas alegrias e surpresas estavam à espreita em 1979.

Pra frente, Brasil…

.Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Entrava o  ano de 1970 e Pelé ainda recebia homenagens e mais homenagens pelo 1000º gol.

O time , num caso raro começava a temporada no Brasil, em Curitiba. Um amistoso  com o Coritiba marcava o primeiro compromisso do Peixe.

Novidades eram poucas… a maior esperança era a contratação de Joel Mendes, goleiro revelado pelo Coritiba (o amistoso era parte do pagamento do passe do atleta)… Aguinaldo e Jair Esteves não  despertavam confiança na torcida, Cláudio ainda estava contundido e Gilmar e Laércio (foto abaixo, a direita) já haviam abandonado o futebol.

Julio Mazzei marcou época comopreparador físico do SFC
Julio Mazzei marcou época como preparador físico do SFC

Outra “novidade” era o retorno de Coutinho. Colocado em boa forma física pelo preparador físico Julio Mazzei, Coutinho era esperança de um bom companheiro de área para Pelé. Idade não era problema, problema era o joelho e a tendência para engordar… Mas, Coutinho estava “fininho” naquele início de 1970.

E mais uma vez, o alvinegro partia para seu giro pela América Latina. A primeira escala seria a Argentina, em Mar del Plata, onde enfrentaria o Boca Juniors. Mais que o empate (2×2), o retorno e o gol de Coutinho foram celebrados como uma conquista de título… o elenco e os torcedores estavam otimistas.

No amistoso seguinte, em Córdoba, uma boa vitória sobre o Talleres (2×0). Do interior da Argentina para o Chile, Santiago.

O desafio era mais um hexagonal: Santos, Dínamo de Zagreb (Iugoslávia, atual Croácia) e América (México) se juntariam aos três tradicionais adversários da capital chilena.

Começou com uma derrota para o Colo-Colo (3×4, com 67.425 torcedores), mas depois…

Uma fugidinha até Lima e 4×1 no Universitário. Retorna à Santiago e empata com o Dínamo (2×2, e 39.180 pessoas viram mais um gol de Coutinho); em seguida 2×0 no Universiade do Chile (34.983 pagantes), porém o time não convencia…

A decepção dos chilenos é grande… apenas 17.278 pessoas pagam ingressos para acompanhar Santos e America.

Mas é um outro Santos em campo… um Santos ao estilo 1961 ou 1962, e o alvinegro aplica uma de suas maiores goleadas internacionais: 7×0

Na partida final, o Estádio Nacional recebe uma multidão… 63.648 chilenos esperam um novo espetáculo, e recebem. Coutinho e Pelé jogaram muito naquele dia, reviveram suas tabelinhas e marcaram gols… Santos 3×2 no Universidade Católica e mais um título para a Vila Belmiro.

O time retorna ao Brasil e fica sem seus principais craques.

A seleção brasileira já estava se reunindo para os treinamentos para a Copa do Mundo. Copa do Mundo que seria em junho, no México, mas que já se reunia na metade fevereiro. Os clubes que se virassem até julho… assim pensava a CBD, em total sintonia com o Governo Militar. A Copa no México era muito importante para os generais… o País estava crescendo economicamente, era verdade, porém às custas de arrocho salarial e brutal repressão.. uma vitória em campos mexicanos seria perfeito para a imagem de “Brasil grande” que os militares queriam passar à população sem informações livres (afinal os meios de comunicação sofriam o cerco implacável da censura política).

Sem Pelé, Carlos Alberto Torres, Joel Camargo, Clodoaldo e Edu (todos convocados), o SFC espera sobreviver as custas de amistosos e de uma providencial “Taça Cidade de São Paulo” (onde seria oferecido o Troféu Paulo Maluf, prefeito indicado pela ARENA e não eleito pela população).

O Peixe inaugura estádio em Cornélio Procópio (3×1 na Seleção local), e vai até Minas enfrentar o América no Mineirão e sai derrotado por 1×0.

A próxima partida é a estreia na Taça Cidade de São Paulo, contra a Portuguesa, e Antoninho prefere lançar um bando de garotos no time titular.  Antoninho acerta em cheio: 3×1, na Vila Belmiro.

O Santos estava sem 5 titulares… enquanto isso o Palmeiras estava sem Leão e Baldochi; o São Paulo, sem Gérson; o Corinthians, sem Rivellino; e a Portuguesa, sem Zé Maria… portanto, a lógica indicaria que o Santos deveria ficar nas últimas colocações… deveria, mas não ficou….

A campanha na Taça Cidade de São Paulo é um grande sucesso… com um time de meninos, vence a competição!

Veja a campanha:

A Portuguesa D – 3×1 (VB); 0x0 (Parque Antártica)

SE Palmeiras  – 1×0 (Parque Antártica); 1×1 (Parque Antártica)

São Paulo FC – 4×0 (VB); 2×1 (Parque Antártica)

SC Corinthians P – 0x1 (Morumbi); 1×1 (Parque Antártica)

Em pé: Joel Mendes, Léo Oliveira, Ramos Delgado, Djalma Dias, Turcão e Rildo. agachados: Manoel Maria, Pitico, Picolé, Djalma Duarte e Abel. Foto - Placar nº 7

Se as coisas pareciam que iam bem dentro de campo, fora dele era bem diferente… a novata revista Placar, em seu nº 4, apresentava uma reportagem bombástica: um repórter passa-se por intermediário de um empresário marroquino e “compra” Carlos Alberto Torres, Joel Camargo, Rildo, Lima e Coutinho por 600 mil dólares!!!!!!

O contéudo é nitroglicerina pura… na base da conversa, o reporter Georges Boudokan garante a compra para um fictício clube marroquino e ainda combina o “por fora”… para ler a matéria na íntegra, acesse:

http://books.google.com.br/books?id=8no_UFZd_pgC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false

Enquanto isso na outra metade do SFC, na Seleção Brasileira, o ambiente também fervia… a Escola de Educação Física do Exército assume a preparação física dos atletas visando a melhor adaptação à altitude mexicana…. a seleção é um vexame nas primeiras apresentações (derrota para a Argentina, que nem iria à Copa; e empate com o Bangu)… João Saldanha, tão seguro nas eliminatórias, se perde em declarações polêmicas… insinua que Pelé pode pegar banco, não acha um substituto para  Tostão (afastado por deslocamento de retina)… O General Médice faz campanha por Dario, o “peito de aço”, na seleção… diz a lenda, o folclore esportivo, que Saldanha, comunista de carteirinha, teria respondido aos jornalista que “O Presidente escala o Ministério, eu escalo o time” (frase desmentida posteriormene…)

O certo é que Saldanha não ficou até a Copa. E Zagallo foi escolhido para dirigir o selecionado…

E Zagallo, de cara, fez uma modificação importante: barrou Edu e efetivou Paulo Cesar Caju na ponta-esquerda. A gritaria foi geral… A Revista Placar em pesquisa com torcedores publicava que em  São Paulo 94% dos torcedores preferiam Edu no time titular.

E na estreia de Zagallo, contra o Chile, no Morumbi, a seleçao entrava em campo com: Leão; Carlos Alberto Torres, Brito, Joel Camargo e Marco Antonio; Clodoaldo e Gerson; Jairzinho, Roberto, Pelé e Paulo Cesar Caju. Quando o sitema de alto-falantes do Morumbi anunciou o time, o público presente (mais de 100.000 pesosas) vaiou de maneira ensurdecedora o pobre PC Caju. E foi assim os 90 minutos… era a bola tocar em Caju e tome vaia… esse blogueiro lá estava (por sinal na primeira e única partida da seleção que acompanhei em estádio) e vaiava com gosto, assim como meus irmãos tricolores, além de corintianos e palmeirenses… Edu era uma unanimidade e Zagallo colocava no banco o melhor ponta-esquerda do futebol brasileiro entre 1968 e 1974.

Enquanto a seleção sofria com as vaias e a Taça Cidade de São Paulo seguia em frente, ainda sobravam oportunidades de amistosos pelo Brasil…  um 0x0 com o Coritiba, uma vitória por 4×2 em Marília e um 3×1 no América Mineiro. No meio disso tudo a CBD marca a 2ª partida do Torneio dos Campeões… lembram-se dessa competição citada na postagem de 1969?

Pois é, a 1ª partida foi em maio de 69 e a 2ª seria em abril de 1970!

Por questões óbvias financeiras, foi novamente em Maringá. Outra vez um empate, agora por 2 gols. Assim depois de duas partidas tudo permanecia exatamente igual… seria necessária um  3ª confronto… um pesadelo para os dirigentes santistas, afinal quando isso seria?

O Maringá estava disputando o campeoanto Paranaense, o Santos já tinha outra excursão marcada… depois da Copa o calendário seria ainda pior… assim, sem novas datas e totalmente desinteressado, a direção do SFC comunica a CBD que abria mão da competição.

Pelo regulamento inicial, o Maringá estava classificado para enfrentar o Botafogo (Campeão em outubro de 1969, da Taça Brasil de  1968). Porém o Botafogo (que esperava enfrentar o Santos e arrecadar uns trocos), ao saber que teria que enfrentar o Maringá também desiste, e o Maringá torna-se o Campeão do Torneio dos Campeões! Sorte do time do norte do Paraná… ganhou uma taça praticamente de graça.

Em maio, o Santos parte para mais uma excursão.

Destino: Venezuela, América Central e EUA. Serão 50 dias viajando e jogando… mesmo com um  time reservas, a cota de apresentação é maior que qualquer outro time brasileiro.

Na Venezuela, em disputa a pequena Taça do Mundo (Competição tradicional na Venezuela  nos anos 60). Os participantes seriam o SFC, o Chelsea FC (Inglaterra) e o Vitória FC de Setúbal (Portugal). Os jogos no Estádio Universitário de Caracas.

No dia que o Santos enfrentaria o Vitória, havia uma manifestação dos estudantes contra a participação dos soldados norte-americanos no Camboja (a guerra do Vietnan). A foto ao lado é uma dessas manifestações (fonte: revista veja) que acontecia Mundo afora.

E como era comum nos anos 60/70, o exército apareceu  e  o pau quebrou…

Correria, pedras, tiros, bombas de efeito moral… enfim, a confusão típica de uma manifestação nos anos 70. Tempos de contestação e radicalismos…

Quando os ônibus das duas delegações chegaram ao estádio, a confusão era enorme… sendo recebidos com uma chuva de pedras….

Ramos Delgado, Douglas e o General Osman (chefe da delegação) sofreram ferimentos leves.

Talvez como resultado da confusão na chegada, o time não atuou bem e perdeu para os portugueses por 3×1.

Contra o Chelsea o time se recuperou e goleou por 4×1.

Da Venezuela para a Guatemala… dois confrontos e a Revista Placar divulgava que o SFC havia vencido o triangular da Guatemala:

6×1 CSD Comunicaciones FC (Campeão da Guatemala em 1969)

3×0 CSD Municipal (Campeão da Guatemala em 1970)

em 24 de maio estava em Honduras: 4×3 CD Maraton

Seguiu para El Salvador: 2×1 Alianza FC, numa partida que durou apenas 1 hora devido às fortes chuvas.

E finalmente, chegou aos EUA. Em território norte-americano e canadense, uma série de jogos,  veja a seguir a relação completa:

29/05 – 0x1 Internazionale FC (Itália) – Em New York – Nesta partida Douglas marcou um gol de bicicleta, mas o árbitro anulou… a torcida invadiu o campo e a partida foi encerrada (80′).

06/06 – 3×1 Internazionale FC (Itália) – Em Toronto (Canadá) – Troféu Toronto City Soccer Club

09/06 – 0x0 AC Milan (Itália) – Em Montreal (Canadá)

12/06 – 8×0 Boston Astros Jazz – Em Boston (EUA)

14/06 – 10×0 Hudson Portuguese Club Benfica – Em Hudson (EUA) – um massacre no clube semi-amador da colônia portuguesa, com a presença de diversos brasileiros no time.

16/06 – 7×3 Boston Astros – Em Pawtucket (EUA)

17/06 – 1×0 AC Milan (Itália) – Em Boston (EUA)

Termina a excursão com mais jogos na América Central:

21/06 – CD Motagua (Honduras) – Em Tegucigalpa (Honduras), onde Djalma Dias e Rildo receberam homenagens pelo tri-campeonato da seleção brasileira no México.

23/06 – 4×3 LD Alajuelense (Costa Rica) – Em São José (Costa Rica). SFC recebeu troféu comemorativo.

Enquanto isso , o Brasil dava show no México (apesar de Zagallo).

Carlos Alberto Torres, Clodoaldo e Pelé foram titulares absolutos ao longo de toda campanha vitoriosa do Tri-Campeonato. Edu atuou uma única vez (contra a Romênia, em substituição a Clodoaldo) e Joel Camargo fez parte do elenco, mas não teve oportunidade de jogar.

No Brasil, festa intensa… Pelé era definitivamente o maior jogador de todos os tempos… Gerson, Carlos Alberto, Tostão, Jairzinho craques incontestáveis, gênios…

O retorno da Seleção foi apoteótico… rádios e TV só tocavam uma música, a marchinha “pra frente, Brasil”… e os generais de plantão não tiveram dúvidas, fizeram da conquista do futebol uma conquista do regime… viraram tempos do “Brasil prá frente”, “Ninguém segura esse País”, e o amedrontador “Brasil: ame-o ou deixe-o”

Ziraldo (pasquim, 1970); http://historiausp.wordpress.com

Ainda ocorriam manifestações e festejos pelo tri-campeonato e o Campeonato Paulista já começava…

O Santos era o favorito para o tetra, afinal contava com 5 tricampeões.

Mas  a cartolagem não pensava assim…  eles acreditavam que uma nova vitória do alvinegro de Vila Belmiro traria enormes prejuízos ao futebol paulista…

Os adversários estavam reforçados em relação a 1969.

O Corinthians tinha a presença de Ado (que a direção do Londrina oferecera ao Santos, mas que foi recusado pela direção alvinegra), além de Rivelino em grande fase; o Palmeira, sempre perigoso, contava com Leão e  Baldochi, além de Dudu, Ademir da Guia (tão clássico que chamado de “O Divino”), César “maluco” e o uruguaio Héctor Silva.

O São Paulo, talvez tivesse sido o time mais reforçado, contava com Toninho Guerreiro e Gérson, além dos zagueiros Jurandir e Dias e o lateral uruguaio Pablo Forlán (pai do atacante Diego Forlán)… porém, o grande reforço tricolor não estava em campo, mas fora dele. Laudo Natel assumia como Governador do Estado e chegava a assistir os jogos no banco de reservas do tricolor… Laudo Natel, aquele mesmo que tentara impedir que o Santos enfrentasse a seleção soviética em 1962…

O Campeonato seria diferente dos anos anteriores, os clubes do interior disputaram uma fase classificatória, onde 5 clubes passaram a fase final, juntamente com os 5 grandes. Portanto era um campeonato curto, com apenas 10 agremiações…

O Santos começou irregular, com seus jogadores fora da melhor condição física… até que o time embalou começou a ganhar…. aí coisas estranhas aconteceram…

Contra o Corinthians (2×2), um pênalti não marcado em Pelé; contra o São Paulo (2×3), o 2º gol tricolor foi irregular – falta no goleiro santista; contra o São Bento (2×2), gol anulado e contra o Palmeiras o maior absurdo de todos: Pelé pega a bola no meio de campo e arranca… dribla um, dois, três zagueiros… entra na área, dribla Leão e marca um lindo gol… Ramón Barreto segue em direção ao meio de campo, mas o bandeirinha marca IMPEDIMENTO… o árbitro consulta o Mr Magoo e anula o gol, Manoel Maria estaria impedido!!!!! E para completar o serviço, no gol do Palmeiras, César e Hector Silva estavam na banheira… placar final: 1×1.

O campeão foi o São Paulo, depois de 13 anos. O time tricolor era bom, mas a ajuda extra campo foi fundamental… Santos e Ponte Preta foram as maiores vítimas do “apito amigo”… a Ponte perdeu o campeonato graças a erros de arbitragem na partida decisiva contra o São Paulo. A Ponte teve que se contentar com o vice campeonato e o Santos ficou em 4º lugar.

Campanha santista:

Botafogo FC – 1×0 (VB); 0x0 (Ribeirão Preto)

AA Ponte Preta  – 1×2 (VB); 1×0 (Moisés Lucarelli)

SE Palmeiras – 2×0 (Morumbi); 1×1 (Morumbi)

A Ferroviária e – 0x1 (Araraquara); 5×0 (VB)

São Paulo  FC – 2×3 (Parque Antártica); 2×3 (Morumbi)

EC São Bento  – 2×1 (VB); 2×2 (Sorocaba)

Guarani FC – 5×2 (Brinco de Ouro); 5×1 (VB)

A Portuguesa D – 2×1 (VB); 0x1 (Parque Antártica)

SC Corinthians P – 2×2 (Morumbi); 1×1 (Morumbi)

Durante o Campeonato Paulista, inúmeros amistosos pelo Brasil:

22/07 – 3×1 Goiás EC – Em Goiânia – Troféu Cidade de Goiânia

29/07 – 9×1 CS Sergipe –  Em Aracaju

02/09 – 2×0 Gêmio FPA – Em Erexim – Inauguração do Estádio – Recebeu o Troféu Colosso da Lagoa. O Estádio de Erexim era enorme em relação ao tamanho da cidade. Toda a população de Erexim cabia no inteiro do “Colosso da Lagoa”… coisa do tempo do regime militar, “pão e circo”.

Ainda em setembro, mais uma excursão:

Bobby Moore e Pelé na Copa do Mundo. Eles se reencontrariam em New York

09/09 – 0x0 Cruzeiro EC – Em Caracas (Venezuela)

12/09 – 5×1 FC Deportivo Galícia (Campeão Venezuelano 1969 e 1970) – Em Maracaibo

15/09 – 4×3 All Stars –  Em Chicago (EUA) – Uma seleção da liga norte-americano de futebol – SFC recebeu Troféu comemorativo

18/09 – 7×4 Washington Darts (EUA) – Em Washington – Troféu Embaixada do Brasil

20/09 – 2×1 CD Guadalajara AC (México) – Em Los Angeles – Troféu oferecido pelo consulado brasileiro

22/09 – 2×2 West Ham UFC (Inglaterra) – Em New York (EUA) – Presença de Bobby Moore no time inglês

24/09 – 2×1 Independiente Santa Fé CD (Colômbia) – Em Bogotá

No final de setembro começaria o Campeonato Brasileiro (Robertão) e o Santos providenciava um único reforço: o extraordinário goleiro argentino Agustín Mario Cejas.

A revista Placar saudava a contratação com a manchete: “Chegou mais um artista”.

Cejas vinha do Racing, era titular da Seleção argentina e era a grande esperança dos torcedores santistas para que resolvesse a intranquilidade do gol praiano.

No papel, o time seria praticamente imbatível: Cejas; Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Djalma Dias (ou Joel Camargo) e Rildo; Clodoaldo (ou Lima) e Nenê (ou Lima); Manoel Maria, Douglas (ou Coutinho), Pelé e Edu (ou Abel).

Além de meninos bons que davam conta do recado quando  entravam no  time como Léo Oliveira, Picolé, Turcão, Negreiros e Davi.

A estreia foi contra o Cruzeiro, no Mineirão… a chamada da partida era: “Um confronto de deuses”.

E o empate em 1×1 refletiu bem o desfile de craques em campo, pois do lado do Cruzeiro havia Tostão, Brito, Wilson Piazza, Fontana,  Dirceu Lopes, Zé Carlos, Palhinha, Raul Plasmann…

O time parecia que superaria a participação opaca de 69, vencendo bem o Grêmio, Internacional e empatando com o Atlético Mineiro.

Até que vai até o Maracanã enfrentar o Vasco da Gama. O Vasco tinha acabado de conquistar o Campeonato carioca, porém no Robertão estava uma lástima… seus dirigentes temendo vexame, tratam de pagar os “bichos” e premiações atrasadas… e o Santos pagou a conta… sob o comando de Silva (aquele que jogou no SFC em 1967), o Vasco massacra o Peixe por inacreditáveis 5×1!

Confesso amigos, que foi a única vez que chorei por causa de uma partida de futebol…

A partir da derrota, o “trem descarrilhou”… empate com a Ponte, numa apresentação lamentável; derrota para o Atlético Paranaense (0x1), sofrendo gol de Dorval; derrota para o Corinthians (0x2), com jogadores expulsos e ataque inoperante;  2×2 como Botafogo  e 1×1 com o Palmeiras foram sopros de bom futebol, mas ao enfrentar o Flamengo… outra derrota 0x2 sem apresentar a menor capacidade de reação… e se não fosse Cejas, a coisa poderia ter sido bem pior.

Os problemas em campo eram reflexos de tragédias extra-campo… em menos de um mês Manoel Maria e Joel Camargo envolveram-se em graves acidentes automobilísticos deixando o time com os nervos em trapos….

Mesmo assim , em novembro o time recuperou parte de seu futebol com boas vitórias sobre o Fluminense, São Paulo e Bahia… mas não o suficiente para a classificação para a fase final de 4 clubes.

O Santos terminava o ano numa condição que não era vista desde 1955, sem ganhar uma Taça importante sequer. Escrevendo dessa forma em 2011 pode parecer um exagero, mas esse era o clima do Santos, da imprensa e dos torcedores… ” O SFC não ganhou sequer o Robertão”

Mas o clube precisava de dinheiro… e tome amistosos.

Em outubro foi convidado para inaugurar o novo estádio de Alagoas, o estádio Rei Pelé.

Um projeto arquitetônico arrojado, um estádio moderno (para os padrões de 1970) e trabalhadores sem receber salários a mais de 3 meses….assim era o “Rei Pelé”, que no

Douglas jogou no Santos de 1967 a 1972. No time de base chegou a marcar 8 gols na goleada de 23x0 sobre o GR "O Apito". Douglas afirma que em outra oportunidade contra o mesmo "O Apito" chegou a marcar 17 gols!!!!
Douglas jogou no Santos de 1967 a 1972. No time de base chegou a marcar 8 gols na goleada de 23x0 sobre o GR "O Apito". Douglas afirma que em outra oportunidade contra o mesmo "O Apito" chegou a marcar 17 gols!!!!

dia da inauguração recebeu  45.865 pessoas, público que nunca mais se repetiu em sua história. O Santos venceu por 5×0 a Seleção Alagoana e Douglas marcou o 1º gol do estádio (recebendo uma medalha de ouro pelo feito).

Em novembro, mais um amistoso internacional: 3×2 Universitário (Peru), em Lima.

Campanha do SFC no Campeonato Brasileiro (Taça de Prata/Robertão):

Cruzeiro EC – 1×1 (Minerão)

Grêmio FPA – 2×0 (Olímpico)

SC Internacional – 2×0 (Parque Antártica)

C Atlético Mineiro – 1×1 (Parque Antártica)

CR Vasco da Gama – 1×5 (Maracanã)

AA Ponte Preta – 1×1 (Parque Antártica)

C Atlético Paranaense – 0x1 (Belfort Duarte)

SC Corinthians P – 0x2 (Pacaembu)

Botafogo FR – 2×2 (Maracanã)

SE Palmeiras  – 1×1 (Pacaembu)

CR Flamengo – 0x2 (Maracanã)

Fluminense FC – 1×0 (Pacaembu)

America FC – 0x0 (Parque Antártica)

São Paulo FC – 3×2 (Pacaembu)

EC Bahia  – 5×1 (Lourival Batista -Aracaju)

Santa Cruz FC – 0x1 (Ilha do Retiro)

Pensa que acabou?

Não…

Em dezembro, o alvinegro parte para o Extremo Oriente, viaja até Hong-Kong enfrentar o selecionado local em  quatro apesentações (e embolsar mais alguns milhares de dólares):

10/12 – 4×1 Seleção de Hong-Kong

11/12 – 4×0 Seleção de Hong-Kong

13/12 – 5×2 Seleção de Hong-Kong

17/12 – 4×0 Seleção de Hong-Kong

E termina o ano de 1970… difícil o ano…

Mas acredite, o ano de 1971 traria dificuldades ainda maiores.