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Andanças Políticas (09/10/2012)

Paulinho (DEM) continuará neste prédio mais 4 anos.

Amigos,

Terminou a campanha eleitoral… terminou? ainda não…

Para Prefeito sim, tudo finalizado… Paulinho foi o vencedor com 12.039 votos.

Dr Pedro, oficialmente, até agora ficou em 2º com 5.948. O representante tucano (Artur) não teve seus votos computados, uma vez que sua candidatura estava indeferida sob recurso.  O resultado final e oficial apenas após o julgamento do recurso.

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O PSDEMB

Amigos,

FHC e Alckmim defendem a fusão entre o PSDB e o que resta do DEM… seria o PSDEMB. A Suposta agremiação ainda poderia contar com os ex-comunistas do PPS (e como diria uma tio meu, nada pior que comunista arrependido).

Fico imaginando como ficariam as coisas na cidade onde moro, Mongaguá…

Mongaguá é administrada pelo DEM e a oposição na Câmara é comandada pelo PSDB.

Nas eleições passadas foi o inverso, isto é, a “oposição” era o DEM e a situação era o PSDB… esquerda em Mongaguá, apenas os eleitores canhotos.

Será que seria tão absurdo assim a fusão nessa  calma estância balneária?

Creio que não…

Históricamente, Mongaguá é o celeiro do conservadorismo da região.

Apenas na 2ª eleição, no distante ano de 1963 pode-se afirmar que houve uma polarização “esquerda x direita”… nas demais, a disputa se reduziu a “direita x direita”

Em 1963, a esquerda representada pelo PSB perdeu a eleição por meros 18 votos, veja o resultado final:

João  de Barros Teixeira (PTB) – 439 votos

Joaquim Monteiro (PSB) – 423 votos

Jacob Koukdjian  – 200 votos

Obs: Não foi possível identificar o partido político de Jacob Koukdjian (avó do atual vereador Jaco Neto)

Nas eleições seguintes, tivemos resultados curiosos e surpreendentes:

Em 1968, a ARENA (Partido de sustentação da Ditadura Militar) deu um baile :

Atilio Fumo (ARENA) 692 votos; José Dantas (ARENA) 550; Milton Melo (MDB) 200 (Milton Melo tinha sido candidato a Vice-Prefeito na Chapa de Joaquim Monteiro,  em 1963). Na Cãmara foram eleitos 8 vereadores da ARENA e apenas um do MDB.

Em 1972, depois da tentativa de guerrilha no Vale do Ribeira, da fusão da VAR-Palmares em Mongaguá, da prisão de mongaguaenses pela Operação Bandeirantes (Oban), tivemos uma única candidatura… pela ARENA, é claro… o “eleito? Cassimiro com 1.593 votos. Entre os Verteadores eleitos, dois nomes conhecidos até hoje: Lazinho (261 votos) e Jaco Koukdjian Filho (235 votos)… ambos pela ARENA.

Chegamos em 1976, o MDB já havia dado uma surra eleitoral em 74, e ganhava nas principais cidades do País… mas não em Mongaguá. Com a possibilidade de sub-legendas, a ARENA vence com enorme folga as eleições naquele ano. O eleito foi Jaco Koukdjian Filho, com 1.635 votos. Lazinho (também pela ARENA), ficou em 2º lugar (1.515 votos). A oposição, o MDB, lançou Ivone Monteiro (esposa de Joaquim Monteiro) e teve 465 votos.

As eleições de 1978 são adiadas para 1982. Uma eleição sem AI-5, com pluralidade partidária e sob o comando de Paulo Maluf (PDS) no Governo do Estado de São Paulo. São tempos de abertura política, onde se respira e transpira-se democracia…  O PMDB dá uma surra eleitoral no PDS em todo Estado… menos em Mongaguá, onde o PDS disputa com o PDS (as tais sub-legendas) e a diferença de votos para o PMDB é astronômica. Cassimiro é eleito novamente, agora pela Neo-ARENA, o PDS. Cassimiro teve 3.140 votos, contra 3.049 votos de Lazinho (também pelo PDS). O candidato mais votado do PMDB foi Cláudio Kirsten com  340 votos. Na Câmara de Vereadores o quadro se repetiu: todos os vereadores eleitos foram do PDS, entre eles Artur Parada Prócida e Redó.

Chega 1988, o multipartidarismo se estabelece. O PT é organizado na cidade, entre os fundadores membros da família Koukdjian.

O PT propõe coligação com Jaco Koukdjian (PFL), mas a Executiva do Partido é destituída pela Regional do PT, desautorizando uma coligação com o PTB, PFL, PSD e PDC. É nesta coligação que Jaco Koukdjian retorna a Prefeitura (5.637 votos) com Artur Parada P?ocida como vice. Lazinho (coligação PMDB, PDS e PL) atinge 2.538 votos. Entre os vereadores o multipartidarismo se estabelece, com a distribuição de cadeiras entre o PTB (3), PFL (2), PMDB (2), PDS (1) e PDT (1). Entre os vereadores Zé Pedro (PTB), Redó (PFL), José Fernando (PMDB), Cabeça (PDS).

Eleições diretas em 1989 e a eleição de Collor, que óbviamente vence em Mongaguá. A campanha de Lula em Mongaguá é “sui-generis”…. fiz boca-de-urna sozinho no Aracy (e um mar collorido em volta)… numa determinda ocasião, para que fosse possível a visita de lideranças católicas em Mongaguá, os automóveis vindos de Itanhaém ficaram escondidos em minha residência, e assim foram buscar votos para Lula no Vera Cruz sem que a cúpula da Igreja de Mongaguá soubesse… em outra oportunidade fui com a Dona Ivone (candidata do MDB em 76) e o Professor Paulo conversar com um grupo de mulheres que estavam se organizando politicamente, fomos fazer campanha do Lula… quando chegamos, encontramos automóveis com adesivos de Collor até na calota…

Mesmo assim , a votação de Lula foi surpreendente, fato que permitiu a reorganização partidária do PT em 1990, ano que me filiei ao partido.

Ao chegar o ano de 1992, as lideranças conservadoras se unem a Artur e Redó, numa coligação de mais de uma dezena de partidos. O resultado é praticamente igual a o de 1972, com uma candidatura praticamente única, Artur (PSD) vence as eleições com 9.482 votos, contra 869  de Arnaldo Taverna (PT). A candidatura petista prometia IPTU gratis para os moradores (sic)… O Estado de São Paulo já era governado pelo PMDB, e o PSD era base de apoio ao Governo Fleury na Assembléia Legislativa. Todos os vereadores eleitos eram de partidos aliados de Artur.

Em 1993, os professores da rede pública fazem o que seria a maior greve em sua história. Em Mongaguá, o movimento grevista atingiu 100% de paralisação durante quase um mês! A mobilização era intensa, com  atos públicos, assembléias e culminou com uma incrível passeata, reunindo cerca de 100 trabalhadores da educação. Este blogueiro estava entre os organizadores daquele movimento…

Ao chegar nas eleições de 1996, a polarização entre os conservadores se repetiu: Jaco Koukdjian (PFL) é novamente reconduzido ao Paço Municipal com 6. 692, contra os 5.040 de Zé Pedro (PTB). A candidatura petista de chapa pura, com Frank, chegou a 201 votos. Zé Pedro teve o apoio de Artur, que nesta ocasião já pertencia ao PSDB (partido que se filiou após a vitória de Mario Covas – ou durante a campanha –  ao Governo do Estado). Na Câmara de vereadores, a base de apoio de Jaco era muito ampla (PSB -3/ PFL -2/ PMDB -3 e PL -1) a “oposição”, PSDB,  2 cadeiras

No ano de 2000, novamente a polaridade entre Artur (PSDB) e Jaco (PFL) em torno dos quais os partidos políticos se coligaram. O PT sai, novamente, em chapa pura. O resultado foi a vitória de Artur, com 13.009 votos, retornando ao cargo de Prefeito. Jaco  teve 4.676 votos e a candidatura petista (Guilherme Nascimento) alcançou 791 votos. Entre os vereadores, a base de apoio ao Executivo contava com: PRP (2); PST (1); PSDB (3); PSL (1); PSB (1) e PL (1). A “oposição” ficou com: PFL (3), PMDB (2) e PP(1).

Em relação as eleições de 2004 e 2008, sugiro que os leitores vejam os dados no site da Justiça Eleitoral.

Portanto meus amigos, a criação do “PSDEMB”não traria nenhum trauma profundo aos profissionais da política em Mongaguá.  O “PSDEMB” e o PSD de Kassab são retratos fiéis do pensamento dominante por essas praias…

Mas, um dia a modernidade chegará… e eu estarei na Praça, para comemorar.

Fontes de Pesquisa: Reminiscências de Mongaguá (Joaquim e Ivone Monteiro)

Hemeroteca de “A Tribuna”

http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/eleicoes_anteriores.htm

Foto: www.guiadapesca.com.br