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Pés no chão! (1994)

Santistas de todo mundo, uni-vos!

Depois da boa campanha de 1993 o santista esperava muito de 1994.

Porém, fora das 4 linhas, as coisas estavam “mal paradas”…

Marcelo Teixeira deixa a presidência e quem assume é Miguel Kodja Neto, com Pelé fazendo parte da diretoria.

Pelé defendia uma política mais austera, onde o saneamento do clube e os investimentos em infra-estrutura (Reforma da Vila Belmiro, construção do CT, fim da política de medalhões e fortalecimento da base) falassem mais alto. Eram tempos de “pés no chão”!

Dessa forma, é que logo em seguida a posse da Nova Diretoria, Miguel Kodja Neto, Pelé, David Capistrano (prefeito de Santos – PT, já falecido), Mariângela Duarte (presidenta da Câmara de Vereadores, na época eleita pelo PT) subiriam a Serra para se encontrar com FHC (Ministro de Itamar Franco) para acertar a documentação do CT (afinal a área pertencia ao Governo Federal).

Com dívidas acumuladas perante a família Teixeira, Pelé avisava a massa para ter paciência, pois a meta era estabilizar o SFC financeiramente e alicerçá-lo para o futuro…  Pelé atuaria como um “consultor internacional”, viabilizando contatos e abrindo portas junto ao empresariado.

Assim, não foi surpresa a saída de Ricardo Rocha… atletas agora, apenas vindos da base ou jovens (e baratas) promessas… Almir foi vendido para um clube japonês, Axel foi para o Morumbi (em troca vieram Gilberto, Macedo e Dinho), Veloso foi devolvido ao Palmeiras.

E logo em janeiro o alvinegro encarava o Campeonato Paulista.

Depois de 10 anos, retornava o regulamento óbvio e simples: turno e returno, pontos corridos.

O SFC deveria começar o Campeonato contra o Bragantino, mas as fortes chuvas de  verão adiaram o confronto, para o final do 1º turno.

Desta forma, o 1º adversário foi o Guarani, na Vila Belmiro. Com Pelé nos camarotes, o Peixe empatou por 2×2 como forte Bugre de 1994.

Mas no clássico contra o São Paulo… numa verdadeira disputa de pólo aquático, Gilberto leva um enorme frango possibilitando a vitória tricolor por 2×0.

Contra o Ituano, nova falha de Gilberto, e mais um empate (1×1). A massa se impacientava nas arquibancadas…

Gilberto vai para o banco e quem vai para o gol é Edinho… o príncipe… o filho do Rei.

Os santistam se encheram de saudosismo…

Uma espécie de “Sebastianismo”* tomava conta do santista naqueles tempos.

Edinho, como Pelé, começava sua carreira em Santo André.

E o Bruno Daniel lotou… lugar nas arquibancadas, esgotados, apenas nas cadeiras é que haviam vagas… e este blogueiro lá estava, perto de Clodoaldo (agora como Diretor Técnico), voltando aos estádios depois de 7 anos, com a esperança renovada e a certeza que dias melhores estariam por vir…

Se Pelé teve Jair Rosa Pinto ao seu lado, Edinho não teve essa sorte.

Com um time sofrível, nervoso  e pressionado pela posição na tabela, o Santos não teve melhor sorte.

Veja as imagens desta partida:

A campanha continuava irregular, porém uma derrota contra o Corinthians (0x4), onde Edinho teve boa atuação, faz com que a crise exploda na Vila.

Uma providencial excursão ao Japão surgia… poderia ser um alívio ao elenco, mas no aeroporto os torcedores cercam os atletas e a coisa ficou bem feia…

No Japão, os resultados não foram animadores:

23/02 – 1×0 Bellmare Hiratsuka (atual Shonan Bellmare), em Yokohama

26/02 – 2×1 Cerezzo Osaka, em Tokushima

02/03 – 0x0 Kashiwa Reysol, em Fukuoka

Ao retornar do Japão mais resultados adversos e mais uma goleada sofrida: 1×4 Palmeiras. Pepe não resistiu e pediu demissão.

Serginho Chulapa assume como Técnico e o tima muda a forma de jogar… boleiro, “malandro”, e conhecedor da alma dos jogadores, Srginho falava o que o atleta precisava ouvir… e ai dele se não ouvisse….

E Chulapa ainda era o mesmo dos tempos de atleta… na sua 2ª partida como Técnico é expulso do banco de reservas…  e o Peixe ganha do América.

Na raça, o time sai da última colocação e passa a encarar os adversários de igual para igual… fica nove partidas invicto e vence o Corinthians numa partida histórica no Morumbi: 4×3! Três gols de Guga !!!! E Edinho soberano no gol.

Na 2ª feira, o santista andava pelo Gonzaga com a camisa branca e fazendo o “4” com os dedos… uma vitória de lavar a alma.

Nesta altura do Campeonato, Edinho era a grande revelação do futebol Paulista… alguns, mais apressados, já viam o filho do Rei com a camisa nº 1 da Seleção Brasileira.

Veja 10  minutos de imagens dessa vitória:

Ao final do Campeonato, o alvinegro ficou num honroso 4º lugar.

Campanha santista:

Guarani FC – 2×2 (VB); 1×1 (Brinco de Ouro)

São Paulo FC  – 0x2 (Morumbi); 0x0 (Morumbi)

Ituano FC – 1×1 (VB); 2×0 (Itu)

EC Santo André – 0x1 (Bruno Daniel); 2×0 (VB)

AA Ponte Preta  – 0x0 (Moisés Lucarelli);2×1 (VB)

Mogi Mirim EC – 1×0 (VB); 1×1 (Mogi Mirim)

Rio Branco EC – 0x2 (Americana); 3×0 (VB)

SC Corinthians P – 0x4 (Pacaembu); 4×3 (Morumbi)

A Ferroviária E – 1×1 (VB);1×2 (Araraquara)

SE Palmeiras – 1×4 (Pacaembu);1×1 (Pacaembu)

União São João EC – 1×1 (Araras);1×1 (VB)

América FC – 3×1 (VB);2×1 (SJRP)

A Portuguesa D – 2×1 (VB); 1×1 (Canindé)

CA Bragantino  – 1×0 (VB);1×1 (Bragança)

GE Novorizontino – 0x1 (Novo Horizonte); 2×0 (VB)

Com o fim do Paulistão (vencido pelo Palmeiras/Parmalat), chega a Copa do Mundo e os times ficam parados esperando o Brasileirão no 2º semestre.

Seriam 3 meses sem uma competição oficial, e o jeito era ser criativo…e nisso a cartolagem é mestra…

O Peixe realiza alguns amistosos, um deles é contra a seleção de Hortolândia, no 3º aniversário de emancipação da cidade. O alvinegro vai até Hortolândia a goleia por 7×1, levando um Troféu comemorativo na bagagem…

Na sequência, o Torneio Internacional Brasil-Itália, um torneio bancado pela Parmalat. Participantes: Santos, Palmeiras, Parma e Lazio. Torneio ao estilo dos torneios de pré-temporada espanhola…

Campanha:

21/05 – 0x1 SE Palmeiras (Parque Antártica)

22/05 – 3×1 Parma AC  (Parque Antártica)

Com a Copa do Mundo acontecendo nos EUA, a cartolagem e a TV inventam a Copa Denner. Uma competição para preencher a grade horária na TV e com times mistos… Não é necessário dizer que os estádios ficavam às moscas para as partidas…

Participantes: Santos, Portuguesa, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Botafogo e Vasco da Gama .

E o mistão santista, sob o comando de Joãozinho fez bonito:

Botafogo FR – 1×2 (Ítalo del Cima – Estádio do Campo Grande AC – Rio de Janeiro)

C Atlético Mineiro – 4×0 (Juiz de Fora)

CR Vasco da Gama  – 3×3 (Caio Martins, Niterói)

Cruzeiro EC – 1×0 (Juiz de Fora)

A Portuguesa D – 4×1 (Canindé).

Com esses resultados o Peixe ficou em 1º lugar, porém o regulamento previa que os dois melhores colocados fariam uma decisão em jogo único. E lá foram Santos e Atlético Mineiro jogar a final em Ítalo del Cima, no suburbio de Campo Grande, a oeste do Rio de Janeiro.

E o SFC finalmente ganhava um título: Santos 4×2 Atlético Mineiro!

Time misto… é verdade… mas o torcedor santista, àvido por conquistas ainda festejou o caneco… claro, não teve concentração na Praça Independência, mas já era possível esboçar um sorriso…

Demétrios foi o artilheiro do alvinegro (7 gols) e o time na final foi :

Robson; Sérgio Santos, Marcelo Fernandes, Maurício Cupertino e Cerezzo; Piá, Raniéli (Marcelo Passos), Zé Renato e Serginho Fraldinha (Neizinho); Demétrius e Luciano.

Técnico: Joãozinho

Em julho mais um “caça -níquies”:  A Copa Bandeirante… na realidade um “caça-reais”, pois desde o dia 1º de julho era a nova (e atual) moeda brasileira.

O prêmio seria a vaga na Copa do Brasil de 1995.

Eram oito clubes (os 6 melhores do Paulistão, mais o Campeão da 2ª e da 3ª divisão),  divididos em duas chaves:

Santos, Palmeiras, América e Nacional (da Capital) num grupo; Corinthians, São Paulo, Araçatuba e Novorizontino no outro.

Apesar de perder a 1ª partida, o time de Serginho acertou o pé, vencendo o grupo, classificando-se para a final contra o Corinthians.

Campanha:

América FC  – 0x2 (SJRP);1×0 (VB)

SE Palmeiras  – 0x0 (Santo André);2×1 (VB)

Nacional AC – 4×0 (VB); 1×0 (Anacleto Campanella – São Caetano do Sul)

Na final, foram dois encontros… O Título foi decido na prática nos últimos 10 minutos do primeiro confronto…

Santos e Corinthians fizeram um jogo cheio de alternativas… lá e cá… O alvinegro de Parque São Jorge fazia um gol, o Santos ia para o ataque e marcava outro… foi assim: 0x1…1×1…1×2…2×2…2×3…3×3, porém em 5 minutos dos 83′ aos 88′ o Corinthians marcou outras 3 vezes e liquidou a fatura: 3×6!

Na última partida, o Corinthians jogava por um empate… em caso de vitória santista (mesmo por 1×0), prorrogação… e se fosse necessário, pênaltis.

E Demétrios, o gladiador, marcou logo aos 8 minutos… mas Gralak (!!!!) empatou ainda no 1º tempo. Final, 1×1 e o título para o Parque São Jorge…

Demétrios veio do Botafogo (RP)... esperança santista de gols.
Demétrios veio do Botafogo (RP)... esperança santista de gols.

Em agosto, finalmente começa o Brasileirão – 94.

O regulamento, novamente é alterado…

Foram 24 clubes divididos em 4 grupos de 6 equipes. Classificavam-se os 4 melhores de cada grupo.O campeão de cada grupo recebia um ponto de bonificação para a 2ª fase.

Na 2ª fase, os 16 classificados eram divididos em dois grupos de oito.

Os oito desclassificados da 1ª fase, iam para a repescagem… os dois melhores (entre os piores) passariam para as quartas de final do campeonato!

Nos dois grupos dos melhores, os jogos eram em “turno e returno”. No turno os jogos eram dentro dos grupos, e no returno os jogos seriam contra os adversa?ios do outro grupo, totalizando 15 rodadas.  Os campeões de cada turno e em cada grupo, também se classificariam para as quartas de final, juntamente com os dois melhores por pontos na classificação geral (apenas entre os 16 classificados da 1ª fase).

Tudo muito simples… como sempre.

O grupo do SFC na 1ª fase contava com: Bahia, Remo, Vasco, Cruzeiro e Guarani.

Serginho continuava como Técnico, mas as coisa mudaram nos bastidores… Miguel Kodja cansou dos “pés no chão” e contratou o veterano Neto, contrariando Pelé… Pelé estava nos EUA, trabalhando como comentarista do Globo.

A parceria Santos – Pelé chegava ao fim com críticas de Miguel Kodja à Pelé.

E o tempo mostrou que Pelé estava certo…

Além de Neto, chegavam na Vila, Narciso e Marcelinho Paraíba… ambos provenientes do Corintians de Alagoas.

Na 1ª fase  o alvinegro ficou apenas um ponto atrás do Guarani, com a seguinte campanha:

Clube do Remo – 1×0 (VB); 4×1 (Mangueirão)

Cruzeiro EC – 0x0 (Mineirão); 4×1 (VB)

CR Vasco da Gama – 2×0 (VB); 0x0 (São Januário)

EC Bahia – 3×0 (VB);1×2 (Fonte Nova)

Guarani FC – 0x4 (Brinco de Ouro); 1×0 (VB)

Veja os gols contra o Cruzeiro:

Na partida contra o Vasco em São Januário… uma tragédia… uma briga generalizada nas arquibancadas com mais de 10 feridos e 3 hospitalizados. Apenas 6 policiais faziam a “segurança” em São Januário… os torcedores santistas foram perseguidos e acuados… a pancadaria levou quase uma hora,  mas o jogo não foi suspenso nem o Vasco sofreu qualquer punição… nâo… eram tempos de Eurico Miranda…na ocasião candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Na virada do 1ºpara o 2º turno, o mistão santista segue em excursão para o México para 3 amistosos.

Seriam jogos sem importância se não fosse por um detalhe histórico: a presença de Giovanni!

Sim, amigos foi longe da Vila belmiro que Giovanni deu seus primeiros passos coma imaculada camisa branca.

28/08 – 2×3 CD Guadalaja AC Chivas (em Guadalajara)

01/09 – 3×1 CD Tepec (em Tepec) – Giovanni marcava seu 1º gol.

04/09 – 2×0 Atlético San Luiz (em San Luiz de Potosi)

Essas 3 partidas não são consideradas como oficiais, tratava-se de uma equipe mista, com outra comissão técnica. Afinal o time titular estava disputando o Campeonato Brasileiro.

Durante a 1ª fase, o SFC disputou novamente a Super Copa da Libertadores… e mais uma vez caiu na 1ª eliminatória:

CA Independiente (Argentina) – 1×0 (VB); 0x4 (Avellaneda)

Giovanni chegou ao Santos e logo conquistou a condição de titular
Giovanni chegou ao Santos e logo conquistou a condição de titular

Na partida do returno contra o Clube do Remo, em Belém do Pará, Giovanni faz sua estreia oficial com a camisa santista.

Na 2ª fase, os adversários seriam: Paraná, Flamengo , Botafogo, São Paulo, Palmeiras, Sport e Bahia.

A campanha foi decepcionante, ficando apenas na 5ª colocação:

CR Flamengo – 1×1 (Maracanã)

São Paulo FC – 2×3 (VB) – Finalmente, Telê vence na Vila Belmiro…

Sport C Recife  – 2×2 (VB)

SE Palmeiras  – 0x2 (Parque Antártica)

Botafogo FR – 2×0 (VB) – ótima exibição de Giovanni… começava o reinado do “messias”

EC Bahia  – 2×3 (Fonte Nova)

Paraná C – 1×0 – Gol de Giovanni

O 2º turno da 2ª fase iria começar e Giovanni já tomava conta da camisa que no início do Campeonato era para ser de Neto…

Agora os adversários seriam do outro grupo…

E o time arrancou…

Paissandu SC  -1×0 (Mangueirão)

CR Vasco da Gama – 3×0 (Pacaembu)

SC Internacional  – 1×0 (VB)

A Portuguesa D – 0x0 (Canindé)

e no dia 16 de novembro, o desastre… Santos x Corinthians, no Pacaembu… Serginho montou a equipe no 4-4-2, mas com 3 volantes (Dinho, Gallo e Carlinhos) e Neto na armação… na frente, Macedo e Guga.

O alvinegro paulistano abriu 2×0, ainda no 1º tempo… ao final do 1º tempo, Neto entra na área é derrubado…. e nada. O árbitro não marca o pênalti. Nas arquibancadas a massa berra por Giovanni e Chulapa atende… Com Giovanni, organizando o meio de campo, Neto fica livre para atuar mais no ataque… O Santos cresce em campo… Giovanni lança Neto, o meia dribla Gralak e marca!

Apesar dos esforços santistas o placar não se altera… após a partida, torcedores invadem o vestiário para cobrar os atletas… um repórter do jornal “Diário Popular” tenta entrevistar Serginho Chulapa… Serginho perde a cabeça e agride o jornalista… Era, na prática, o fim da carreira de Chulapa como técnico de futebol.

Serginho é demitido em seguida, assumindo a tarefa o ex-zagueiro Joãozinho (campeão em 1978).

Com Joãzinho são mais três compromissos:

Fluminense Fc – 1×0 (Maracanã)

Grêmio FPA – 0x1 (Olímpico)

Guarani FC – 3×0 (VB)

O alvinegro fica com 17 pontos e na vice colocação de seu grupo. Na pontuação geral fica atrás de São Paulo e Bahia, faz mais pontos que Palmeiras e Corinthians (que farão a final do Brasileirão) mas é eliminado do Campeonato… Coisas da CBF nos anos 90…

No último compromisso do ano é um amistoso internacional no México, contra o Chivas Gaudalajara, em 14 de dezembro. Uma convincente vitória por 3×1!

Apesar de conquistar apenas uma Taça comemorativa e a Copa Denner, o torcedor santista havia descoberto dois ídolos: Edinho e Giovanni.

O ano de 1995 prometia ser bem melhor…

*Sebastianismo: Movimento místico-secular que ocorreu em Portugal na segunda metade do século XVI como consequência da morte do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Basicamente é um messianismo adaptado às condições lusas e à cultura nordestina do Brasil. Traduz uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação, ainda que miraculosa, através da ressureição de um morto ilustre. (Fonte: wickipédia)

Morreu Mário Pereira, último remanescente do Título de 35

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

O ano começou triste para os santistas. Faleceu, aos 97 anos, o último remanescente do Título de 1935: Mário Pereira.

Mário Pereira, o “perigo loiro”, foi meia direita do ataque santista.  Atleta de elevada técnica, foi vítima dos botinudos nos primórdios do profissionalismo, tendo sua carreira abreviada por contusão no joelho.

Realizou 39 partidas oficiais (além de outra não oficial) e marcou 24 gols. Atuou entrre 1935 e 1938.

Conheça ano a ano os números do craque:

1935: 12 jogos (+ 1 não oficial); 5 gols – Campeão Paulista de 1935

1936: 25 jogos; 18 gols –

1937: 1 jogo

1938: 1 jogo; 1 gol

Mário Pereira foi homenageado em janeiro de 2011 pela direção do Santos FC. Na foto, Mário Pereira entre Luís Álvaro e Pelé.
Mário Pereira, Pelé e a bola da partida final de 1935
Mário Pereira, Pelé e a bola da partida final de 1935

Centenário em grande estilo

Amigos santistas ou nâo,

O centenário santista começou…

Hoje no início da tarde, a direção santista divulgou o slogan do centenário: “Meninos para sempre”

E para dar a divulgação do evento uma mesa que apenas o SFC poderia apresentar: Pelé, Neymar, Ganso e Falcão.

Os 4 meninos esbanjaram simpatia, entusiasmo e amor ao alvinegro.  E ficou no ar a possibilidade dos 4 entrarem em campo,  juntos para uma exibição de futebol…. já imaginaram?

Bom, imagens muitas vezes valem mais que palavras… portanto, seguem algumas fotos do evento:

Falcão, Pelé e Luis Álvaro
Pelé, Falcão e os futuros "Meninos da Vila"
Neymar cumprimenta Pelé ao chegar no Memorial das conquistas.
Falcão, Pelé, Neymar e os futuros "Meninos da Vila"
PH Ganso, Falcão, Pelé e Neymar... dá para imaginar os quatro juntos num campo ou quadra?
Guilherme Nascimento e Pelé

Fichas técnicas

28/01/1977 Santos FC 2×0 CA River Plate (ARG)

Local: Nacional de Santiago – Santiago (CHI)

Competição: Torneio Hexagonal do Chile

Renda: Cr$ 800.000,00

Público: 25.000

Árbitro: Juan Silvano

Expulsão: Ailton Silva (SFC) expulso

Gols: Aílton Lira 62′ e 75′

SFC: Ricardo; Leo, Ailton Silva, Neto e Fernando; Clodoaldo, Ailton Lira e Toinzinho (Zé Mario); Nilton Batata, Totonho e Reinaldo (Marçal).

Técnico: Urubatão

CARP: Landaburu; Saporitti, Perfumo (Pena), Artico e Hector Lopez; Merlo (Cocco), JJ Lopes e Sabela; Pedro Gonzaçez, Bianco e Ortiz (Commisso).

Amplo domínio santista no 2º tempo, time saiou ovacionado do Estádio…


27/02/1977 Santos FC 3×3 A Portuguesa D (São Paulo)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: – Campeonato Paulista

Renda: Cr$ 1.091.606,00

Público: 52.558

A: José de Assis Aragão

Gols: Bozó 2′ e Toinzinho 61′ e 73′ – Enéas 19”, 49′ e 58′

SFC: Ricardo (Wilson Quiqueto); Leo Paraibano, Aílton Silva (Otávio), Neto e Fernando; Carlos Roberto, Ailton Lira e Toinzinho; Nilton Batata, Totonho e Bozó .

Técnico: Urubatão

APD: Moacir; Marinho, Mendes, Alexandre Pimenta e Bolívar; Badeco e Alexandre Bueno; Antonio Carlos, Enéias, Tata e Valtinho (Esquerdinha).

Técnico: Oto Glória

Nilton Batata deu um show na direita e Toinzinho marcou dois belos gols… partida eletrizante no Pacaembu, com Eneas (APD) jogando muito. Reação santista foi empolgante.

07/08/1977 Santos FC 1×1 C Atlético de Madrid (ESP) (5×6 penaltis)

Local: Morumbi – São Paulo (SP)

Competição: Taça Governador do Estado

Renda: Cr$ 2.446.050 (Rodada dupla, na preliminar Corinthians x Palmeiras)

Público: 67.314 + 4.825 (72.139 total)

A: José Faville Neto

Expulsão: Leal (CAM) expulso

Gols: Juary 35′ – Bermejo 60′

SFC: Ricardo; Fausto, Marçal, Alfredo Mostarda e Fernando; Bianchi (Silva), Zé Mário e Ailton Lira; Nilton Batata, Juary (Reinaldo) e Bozó .

Técnico: Oto Glória

CAM: Reina; Marcelino, Eusebio, Luis Pereira e Capón; Rubi, Marcial, Leal e Agullar (Bermejo); Caño e Ayala (Alberto).

Decisão por pênaltis: SFC: Alfredo Mostarda, Fausto, Ailton Lira, Reinaldo e Fernando marcaram; Bozó e Zé Mário perderam penaltis;

CAM: Marcial, Alberto, Fernejo, Cappon, Cano e Luis Pereira marcaram; Rubi perdeu penalti

Outra boa apresentação santista… a boa novidade foi a grande apresentação do menino Juary, marcando um gol sobre o consagrado Luis Pereira. Juary foi capa da revista Placar na semana seguinte e chamava a tenção dos torcedores santistas. Ao lado de Joãozinho e Clodoaldo eram os destaques do time no 2º semestre de 1977

01/10/1977 Santos FC 1×2 New York Cosmos (EUA)

Local: Giant Stadium – New York (EUA)

Competição: Amistoso

Público: 75.646

A: Gino Hipólito

Gols: Reinaldo 14′ – Pelé (f) 43′ e Mifflin 49′

SFC: Ernani; Fernando, Joãozinho, Alfredo Mostarda e Neto; Carlos Roberto, Zé Mário e Ailton Lira (Pelé); Nilton Batata, Reinaldo (Juary) e Rubens Feijão (Bianchi).

Técnico: Oto Glória

NYC: Messing (Yasin), Nelsi (Hunter), Roth (Mike), Carlos Alberto (Bob Smith) e Rildo (Formoso); Garbett (Vitor) e Beckenbauer; Tony Field (Ord), Chinaglia, Pelé (Ramon Miflin) e Hunt (Oliveira).

Tércnico: Eddie Firmani

Obs: Despedida de Pelé, atuando um tempo para cada equipe. Nelsi, Carlos Alberto, Rildo, Pelé e Mifflin ex-santistas. Ernani armou uma barreira com apenas 2 jogadores e Pelé ia bater a falta… Ernâni não conhecia Pelé… Os times não mudaram de campo, apenas Pelé. Presença de diversas personalidades: Mohamed Ali, Henry Kissinger, Sergio Mendes, Roberta Flack, Jeff Carter (filho do Presidente dos EUA, Jimmy Carter), Robert Redford entre outros1

11/10/1977 Santos Fc 3×2 C  León (México)

Local: Estádio de Leon (Nou Camp) – Leon (MEX)

Competição:  Triangular do México – Torneio Copa Governador Luis Ducoing

Público: 20.000

A: Marco Antonio Borantes

Expulsões: Zé Mário, Ailton Lira e Milton Teixeira (Dirigente do SFC) expulsos

GOls: Zé Mário, Nilton Batata e Juary – Alfredo Mostarda (contra) e Rodriguez

SFC: Ernani; Fernando, Joãozinho, Alfredo Mostarda e Fausto; Carlos Roberto, Zé Mário e Ailton Lira; Nilton Batata, Juary e Bozó (Bianchi).

Técnico: Oto Glória

CL: Miranda; Razo, Ayala, Diaz (Batalha) e Florez; Luiz Gomes, Delgado e Mauri; Rodrigues, Calu (Echevarry) e Alberto Jorge (Salomão).

Veja o vídeo produzido pelo Wesley Miranda com a partida Santos x America (México) pelo  Triangular do México:


11/12/1977 Santos FC1x1 SE Palmeiras (São Paulo)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Brasileiro

Renda: Cr$ 2.018.220,00

Pùblico: 68.327 + 5.205 menores (total de 73.532)

A: Luís Carlos Félix

Expulsões: Pires (SEP) e Toinzinho (SFC) expulsos

Gols: Toinzinho 62′ – Jorge Mendonça 43′

SFC: Ricardo; Nelsinho Batista, Joãozinho, Fernando e Gilberto Sorriso; Carlos Roberto, Ailton Lira e De Rossis (Juary); Nilton Batata, Toinzinho e João Paulo (Bianchi).

Técnico: Ramos Delgado

SEP: Leão; Rosemiro, Jair Gonçalves, Beto Fuscão e Vacaria; Pires, Zé Mário e Jorge Mendonça; Edu, Toninho e Macedo (Adriano).

Técnico: Jorge Vieira

Mais de 70.000 pessoas no Pacaembu…Umas 2.000 penduradas em árvores e barrancos ao redor do Estádio. Recorde absoluto de público!

Boas participações de Toinzinho e Aílton Lira… resultado justo que satisfez o enorme público… Tiveram que liberar as catracas do Pacaembu, a real presença de presentes é muito difícil, até hoje,  de se afirmar qual foi.

Sinal de vida em 1977

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

A bagunça da excursão ao Maranhão no final de 76 tinha que ser controlada, e a direção encontrou um “culpado”: Zé Duarte foi demitido e contratado o disciplinador Urubatão.

O dinheiro continuava curto e o clube não podia abrir mão de qualquer convite que chegasse às mesas da Secretaria de Vila Belmiro.

E foi por esse motivo que o SFC encarou uma viagem de ônibus até o interior de Goiás para enfrentar o Itumbiara EC. Imagine viajar cerca de 3.000 Km (ida e volta) num busão para UMA única partida de futebol! Parecia coisa dos anos 30…

Num busão semelhante a esse que o SFC encarou 3.000 de estrada (Imagem: /www.semprepeixe.com.br)
Num busão semelhante a esse que o SFC encarou 3.000 de estrada (Imagem: /www.semprepeixe.com.br)

Em seguida, partiu para a capital chilena, Santiago (naturalmente de avião…), retornando ao confrontos internacionais e às excursões.

Longe da pressão da torcida, o time saiu-se muito bem, conquistando o Hexagonal do Chile.

O Torneio tinha perdido um pouco do brilho dos anos 60, e nessa edição contava com o Everton (clube chileno de Viña del Mar), os tradicionais Colo-Colo e Universidad do Chile, Além do River Plate e o FK Áustria.

Jogando um futebol convincente, arrancando aplausos do público chileno, o Santos venceu todos os sul-americanos e perdeu apenas para o Áustria  e mais um título para a Vila Belmiro. O 1º título internacional pós-Pelé foi conquistado assim:

19/01 – 3×1 CSD Colo-Colo – 34.353 –

23/01 – 4×0 CD Everton – (em Viña del Mar) – 21.650

28/01 – 2×0 CA River Plate (Argentina) – 25.000

01/02 – 0x1 FK Áustria  – 8.162

04/02 – 2×0 CD Universidad do Chile – 11.761

Totonho com 5 gols foi o artilheiro santista .

De saída do Chile, passou por Rosário  (Argentina) e encarou o Newll’s Old Boys e goleou por 4×1.

A torcida se empolgava com os resultados no Chile e Argentina… o meio de campo e ataque pareciam bem azeitados com Clodoaldo, Aílton Lira e Toinzinho; Nilton Batata, Totonho e Bozó.

Enfrenta ainda o River Plate e perde por 1×3.

Só volta para Santos após ficar por 35′ no gramado do Centenário suportando um tremendo dilúvio que interrompeu a partida contra a Seleção Uruguaia. Como era domingo de carnaval, não houve continuidade do confronto e a partida foi encerrada enquanto estava 1×1. Para fins de estatística, esses 35′ não são considerados.

Voltou para o Campeonato Paulista que já estava em andamento.

Campeonato que teria aqueles regulamentos malucos dos anos 70.

O 1º turno estaria em disputa a “Taça Cidade  São Paulo” e no 2º turno, a “Taça Governador do Estado”

Em cada turno os clubes estariam divididos em 4 grupos, o vencedor de cada grupo disputariam semi-finais e final do turno.

Mas o campeonato seria decidido apenas num turno final. Neste 3º turno fariam parte o campeão e vice de cada turno, os dois melhores na classificação geral por pontos e outros dois por melhores arrecadações. Os oito times seriam divididos em dois grupos e o campeão de cada grupo disputaria a final em melhor de 3 pontos.

“Simples”, não?

Vitórias por 3 gols de diferença valiam 3 pontos.

No 1º turno, o grupo do Santos seria com  Guarani,  América e Paulista. Os outros grupos tinham 5 clubes.

O início da participação santista foi realmente promissor: Vitória em Araraquara, um heróico empate (3×3) com a Portuguesa, um tropeço na Vila (empate com o Noroeste), e boas vitórias contra Guarani e São Bento.

E finalmente um clássico no Morumbi, o adversário seria o Corinthians (que contava com o grande Edu na ponta esquerda). E foi uma experiência bizarra ver Edu usando calções negros e não brancos… Num Morumbi, abarrotado e com as arquibancadas divididas ao meio entre santistas e corintianos o empate no gramado foi um reflexo fiel do foi a partida. O destaque, novamente, seria Ailton Lira… veja a foto abaixo e entenda porque:

Ailton Lira marcando gol em cobrança de falta (Imagem: revista Placar - 25/03/77)

A partida seguinte seria contra o Botafogo na Vila Belmiro… Novamente com Vila Belmiro saindo gente pelo “ladrão” e a 1ª meia hora foi empolgante… 2×0. Ai apareceu um “estraga prazeres”… um atleta alto, magro, que torcia para o SFC na infância e que se tornaria uma pedra no caminho: Sócrates.

Naquela noite, Sócrates marcou um gol de calcanhar na pequena área santista…estava de costas para o gol e quando todos imaginavam um toque para um atacante qualquer, Sócrates rolou de calcanhar para dentro do gol santista… era difícil de aceitar… um lindo gol, mas contra o gol  santista … e pensar que alguns anos antes a direção santista recusou o passe do Dr Sócrates… O Botafogo foi para cima do alvinegro e conseguiu a virada (2×3).

O Botafogo era a grande sensação do futebol paulista em 1977. Além da genialidade de Sócrates, contava com a experiência de Lorico, o futebol vigoroso do zagueiro Miro (que viria pra o alvinegro alguns anos mais tarde), do ex-santista Wilson Campos na lateral e do veloz ponta Zé Mario (que chegou à seleção brasileira).

E o time sentiu a derrota… ficando mais 4 partidas sem vencer… o futebol entusiasmante do início do ano acabava e o time se arrastava em campo…

Problemas extra campo começavam a aparecer… Certa vez conversando com Urubatão, ele me contou um episódio de sua passagem no comando técnico do SFC:

Isso deu um problemão na Vila...
Isso deu um problemão na Vila...

Foi durante um dia de treinos… Antes de começar os treinamentos propriamente ditos, os atletas faziam um aquecimento dando voltas ao redor do campo. E Toinzinho, com rótulo de craque, fazia seu aquecimento ao lado de seu cachorro… segurava a coleira do bicho e partia para a corrida de aquecimento…

Urubatão avisou o craque: “No próximo treino, o cachorro não entra em campo…”

E no treino seguinte, lá estavam Toinzinho e o cãozinho…

Urubatão  pensou, “ou faço valer minha ordem, ou perco o controle…”

Não deu outra… não teve aviso…Urubatão partiu para cima do craque para tirar do campo, o craque e o cachorro, no braço!

Urubatão contava que ele era bem maior que o atleta e que se a turma do “deixa disso, professor” não entra, ele tinha feito um estrago no Toinzinho e no cãozinho…

O fato é que o ambiente não estava lá essas coisas na Vila Belmiro… tanto que Urubatão não durou até o final do turno e Toinzinho continuou na Vila até 1978…

Aos trancos, o SFC chegou  na última rodada podendo se classificar para as finais da Taça Cidade de São Paulo, bastava uma vitória simples contra o desclassificado Juventus na Vila Belmiro. A massa santista lotou a Vila (mais uma vez) e com os nervos a flor da pele (mais uma vez), o alvinegro foi derrotado (mais uma vez), ficando de fora das finais (mais uma vez)…

Os torcedores se desesperavam… o time não conseguia se impor na Vila, começava a nascer um trauma… vencer na Vila em jogos decisivos.

Campanha do 1º turno:

1×0 A Ferroviária E  – Arararquara – 8.570 pagantes

3×3 A Portuguesa D – Pacaembu – 52.558

1×1 EC Noroeste – VB – 22.242 pagantes + 514 gratuitos

2×0 Guarani FC – VB – 23.821 pagantes e 1.652 gratuitos

3×0 EC São Bento – Sorocaba – 8.849

1×1 SC Corinthians P – Morumbi – 116.881 pagantes + 3.901 gratuitos

2×3 Botafogo FC – VB – 21.840

0x0 EC Xv de Novembro (Piracicaba) – Piracicaba – 9.987 pagantes + 315 gratuitos

0x1 América FC – SJRP – 11.556

0x1 SE Palmeiras – Morumbi – 38.853

1×1 Paulista FC – Jundiaí – 12.562

2×1 Comercial FC – Francisco Palma Travassos  – 9.512

1×0 XV de Novembroo (Jaú) – VB – 13.937

1×1 AA Ponte Preta – Moisés Lucarelli – 21.717

1×0 AA Portuguesa -VB – 10.122

1×0 Marília AC – VB – 10.558

0x2 São Paulo FC – Morumbi – 34.769

0x2 CA Juventus  – VB – 21.109

A fragilidade da defesa impressiona… sabedora disso, a direção contrata dois zagueiros: Alfredo Mostarda (ex- Palmeiras, participante da Copa de 1974) e Joãozinho revelado pelo Vitória e que assumiria a condição de líder da defesa por sua técnica e garra. Joãozinho ficou entre os 40 relacionados para a Copa de 1978. Mais tarde, em 1994 Joãozinho assumiu  o comando técnico do Santos FC.

Quem assume o lugar de técnico depois da demissão de Urubatão é o experiente Oto Glória.

Oto fez história no futebol português levando a seleção lusitana ao 3º posto na Copa da Inglaterra e ao  dividir o título com o Santos, pela Portuguesa, em 1973.

Oto Glória pede mais reforços e chega o veteraníssimo atacante Flávio (ex Corinthians, Fluminense, Porto e Internacional). Flávio realizou 12 partidas e marcou 3 gols.

O goleiro metido a galã, Ado, aportou na Vila em 1977. Goleiro reserva da Seleção de 70, viveu seu grande  momento no Corinthians (69/74)... no Peixe apenas treinou e jogou uma partida não oficial contra o Jabaquara.  (Imagem: site Milton Neves)
O goleiro metido a galã, Ado, aportou na Vila em 1977. Goleiro reserva da Seleção de 70, viveu seu grande momento no Corinthians (69/74)... no Peixe apenas treinou e jogou uma partida não oficial contra o Jabaquara. (Imagem: site Milton Neves)

No 2º turno, em disputa a Taça Governador do Estado, o Santos ficou num grupo com Portuguesa, São Bento, Comercial e Noroeste.

Manteve a regularidade da irregularidade, isto é, algumas vitórias, empates e derrotas inexplicáveis durante toda a competição e ficou de fora das finais do 2º turno (a Portuguesa ficou com a vaga), porém sua eliminação se deu numa derrota em Bauru quando ainda faltavam dois compromissos.

Mesmo assim ,o time estava classificado para o 3º turno… pelo critérios das arrecadações… o que na verdade, não era nada animador… apenas se acreditava que a massa santista poderia fazer a diferença… talvez os torcedores (eu incluso) imaginavam que seria possível empurrar a bola para dentro do gol adversário na base do grito proveniente das arquibancadas…

A Campanha no 2º turno foi assim:

2×1 AA Portuguesa – VB – 13.633 pagantes + 1.101 gratuitos

0x4 SC Corinthians P – Morumbi – 117.676 pagantes + 2.289 gratuitos

1×1 Botafogo FC – Santa Cruz – 13.971

0x0 América FC – VB – 13.817

1×1 SE Palmeiras – Morumbi – 24.318

1×0 Paulista FC – VB – 11.612

3×0 EC XV de Novembro (Piracicaba) – VB –  7.182

1×2 Guarani FC – Brinco de Ouro – 9.527 pagantes + 987 gratuitos

0x3 São Paulo FC – Pacaembu – 29.088

2×0 EC São Bento – VB – 7.133

2×0 EC Xv de Novembro (Jaú) – Estádio Zezinho Magalhães (Jaú) –  10.669 pagantes + 1.387 gratuitos

1×0 A Ferroviária E – VB – 12.715

2×0 Marília AC – Marília – 9.813

0x1 AA Ponte Preta – VB – 22.749

0x0 CA Juventus  -Pacaembu – 22.232

0x1 EC Noroeste – Bauru  – 6.265

4×1 Comercial Fc –  VB – 4.828

3×1 A Portuguesa D – Pacaembu  – 20.324

No meio do returno um suspiro de bom futebol… o Atlético de Madrid (com os craques Leivinha e Luis Pereira) chega ao Brasil para alguns amistosos… a cartolagem vê a possibilidade de arrecadar mais alguns cobres e inventa um Torneio: a Taça Governo do Estado de Estado de São Paulo. Os participantes seriam 4 e a fórmula de disputa seria como os torneios europeus: 2 jogos, os vencedores na final e os perdedores disputavam o 3º lugar. E  acharam um jeito de todos ganharem: como os jogos seriam no Morumbi, o tricolor ganhava no aluguel…. como as atrações eram ex-palmeirenses, um dos participantes seria o Palmeiras… como o Corinthians não vencia nada (já eram 23 anos de fila), foi convidado para levantar a Taça e finalmente chamaram o  Santos… para encher as arquibancadas e mais nada.

Sem peso nenhum nas costas, Oto Glória monta o seguinte ataque: Nilton Batata, Juary e João Paulo… o amigo santista, lembra de alguma coisa ao ler esses nomes?

Pois é, os meninos jogam soltos e encaram o Corinthians sem traumas… numa grande exibição eliminam o rival paulistano na disputa por penaltis, após o empate em 2 gols no tempo normal… e aquele time, que entrou no quadrangular para fazer numeração estava na final… o adversário era o poderoso Atlético de Madrid.

A massa santista toma o Morumbi e vibra quando Juary  aproveita uma bobeada do consagrado Luis Pereira e marca o gol alvinegro.

Aquele bando de garotos com a camisa branca estava dando gosto de ver jogar… mas ainda eram muito garotos… e cederam o empate. Na decisão por penaltis, o jovem Zé Mário perde uma cobrança e a taça vai para Madrid.

Campanha:

04/08 – 2×2 SC Corinthians P – Morumbi – 67.610 (preliminar de Palmeiras x Atlético de Madrid); na decisão por penaltis: SFC 5×4 SCCP

07/08 – 1×1 C Atlético de Madrid – Morumbi – 67.314 pagantes + 4.825 gratuitos; na decisão por penaltis: SFC 5×6 CAM

E será com a esperança nos garotos que o Santos inicia o 3º turno. Seu grupo era composto por Palmeiras, Ponte Preta e Botafogo.

Começa com um promissor empate contra o Corinthians… depois, uma Vila Belmiro lotada vê Sócrates destruir o alvinegro (0x2 Botafogo). Uma vitória em Campinas  (1×0 no Guarani) e as esperanças ressurgem. Mas a dura realidade de um time inexperiente e frágil  se impõe nas derrotas para o São Paulo, Ponte Preta  e Portuguesa. Fim de campeonato para o Santos.

Campanha no 3º turno:

2×2 SC Corinthians P – Morumbi – 77.273 pagantes + 3.383 gratuitos

0x2 Botafogo FC – VB – 26.880 pagantes + 1.374 gratuitos

1×0 Guarani FC – Brinco de Ouro – 13.215 pagantes + 1.415 gratuitos

0x2 São Paulo – Pacaembu –  45.678

0x1 AA Ponte Preta – VB – 15.585

0x1 A Portuguesa D – Pacaembu – 11.642 pagantes + 1.162 gratuitos

1×1 SE Palmeiras – Pacaembu – 16.023

Mais uma competição perdida…

Porém uma outra excursão estava em vista.. para os EUA. O motivo era um só: participar da Festa de despedida do Rei Pelé em Nova Iorque.

Pelé desde 1975 jogava pelo New York Cosmos e tentava de maneira comovente fazer os pernas de pau norte americanos aprenderem a jogar futebol … com muito dinheiro, a liga promoveu uma verdadeira invasão estrangeira nas terras de Tio Sam . E lá estavam Pelé, Beckembauer, Chinaglia, Mifflin, Carlos Alberto Torres, Marinho Chagas, Rildo, Manoel Maria e uma infinidade de brasileiros…

Um público recorde de 75.000 pessoas aplaudiram em delírio Pelé… Para a tristeza dos santistas Pelé (que atuou um tempo para cada time) marcou um gol de falta contra o SFC. O goleiro santista (Ernâni) montou uma barreira com apenas 2 atletas… Pelé não perdoou e disparou o canhão… mais um gol de Pelé, o último.

Veja as imagens:

A partida entra para a história… Pelé faz um discurso em inglês e pede: “Love, Love, Love” e o Giant Stadium repete uníssono; Love… Love … Love.

Caetano Veloso eternizou as palavras do Rei na canção:

Fim de um ciclo, fim de uma era… o futebol perdeu o seu maior nome em toda a existência do esporte.

A vida segue e o SFC realiza mais jogos em solo da América do Norte. Parte para um Torneio em León, (México) e surpreendentemente vence a competição. Era o 2º título internacional do alvinegro em 1977. Jogos do Santos na excursão:

28/09 – 2×0 Seatle Sounders (EUA), em Seatle

01/10 – 1×2 New York Cosmos (EUA), em Nova Iorque

05/10 – 1×1 New York Cosmos (EUA), em Detroit

09/10 – 2×2 CF América (México), em León – Copa Governador Luis Ducoing; na decisão por penaltis: SFC 5×3 CFA

11/10 – 3×2 C León (México), em León – Copa Governador Luis Ducoing; Santos Campeão do Triangular do México

No Brasil, as coisas começam a se modificar… tanto nos gramados como fora dele…

O Corinthians quebra o jejum sobre a Ponte Preta… pobre Ponte Preta… garfada em 70, viu o título escapar no Morumbi…  até hoje é lembrada a polêmica participação do árbitro da partida… veja a citação da atuação de Dulcídio Wanderley Boschilia em “Nome aos bois”: http://prof-guilherme.capesp.org/?p=2439

Fora dos gramados, a ditadura começa a ser implodida… no ABC surgem as greves operárias e nos estádios de futebol, torcidas organizadas exibem faixas: “Anistia, ampla, geral e irrestrita”… Duas torcidas fizeram questão de atuar em conjunto com a sociedade, a “Gaviões da Fiel” e a “TORCIDA JOVEM do SFC”. É claro que a polícia reprimia com violência as duas torcidas, e não foram poucas as vezes que isso aconteceu…

No retorno ao Brasil depara-se com mais um inchadíssimo Campeonato Nacional.  Era anunciado o como o maior campeonato de futebol do Mundo…  Teria a participação de absurdas 62 agremiações. Na 1ª fase 6 grupos (4 de 10, e 2 de 11 equipes); Os 5 melhores de cada grupo seriam redistribuídos formando o grupo dos vencedores (6 grupos de 5 times); os outros formavam o grupo dos perdedores ( 6 grupos, sendo 4 com 5 clubes e 2 grupos com 6 clubes);  A 3ª fase contaria com 24 classificados (3 de cada grupo dos vencedores além do campeão de cada grupo de perdedores). Os 24 classificados sofreriam uma nova distribuição de grupos (4 grupos de 6 times). Os campeões de cda grupo passariam para as semi-finais (em duas partidas)e, finalmente, a final em partida única!

Vitória por 2 gols de diferença valiam 3 pontos.

Na chave do SFC: Botafogo (RP), Atlético Mineiro, Cruzeiro, América (MG), Uberaba, Fast Clube (AM), Nacional (AM), Remo e Paissandu.

A vitória em campos mexicanos devolveu as esperanças ao torcedor alvinegro, e na estreia do time praiano no Pacaembu, contra o Cruzeiro, o velho estádio recebeu um público imenso: 67.000 pessoas.

E incredúla, a massa santista via Revetria (atacante do Cruzeiro) destruir  a zaga santista e fazer o clube mineiro vencer por 2×0.

Aquilo foi demais para o impaciente torcedor…  a massa perdeu a cabeça e alguns tentaram invadir o gramado… uma confusão dos diabos… tentaram atingir Revetria com uma pedra…

Na partida seguinte na Vila Belmiro, diversos protestos forma realizados… o caldo só não entornou porque o Peixe venceu com relativa facilidade o Paissandu por 4×0.

O próximo compromisso era contra o fortíssimo Atlético, no Mineirão. Atlético com Cerezo, Reinaldo, Paulo Isidoro, Danival, Ziza e João Leite.  Os 3×0 para o Galo mineiro dá uma ideia do foi a partida…

Dois jogos no Norte do País (Fast e Remo) rendem 6 pontos ao alvinegro e um pouco de tranquilidade para encarar o Botafogo, na Vila…

E Sócrates, mais uma vez não perdoou… Botafogo 1×0… pedras, garrafas, foguetes… apareceu de tudo no gramado de Vila Belmiro, menos o gol do SFC.

O resultado da confusão é que mais uma vez o Técnico foi demitido. Alguma satisfação tinha que ser dada à torcida, pensavam os dirigentes.

Quem assume o barco é o lendário Ramos Delgado.

Nessa altura mais dois reforços desembarcam em Santos: Nelsinho Batista e Gilberto Sorriso (ambos ex-São Paulo FC).

Um providencial excursão ao interior da argentina permite um pouco de entrosamento aos novos contratados (os dois laterais e mais De Rossis).

O resultado foi o seguinte:

16/11 – 1×2 CA Tallares (Argentina), em Córdoba

20/11 – 6×3 Combinado C Juventud Antoniana/Gimnasia Ibura (Argentina), em Salta

22/11-  5×2 C Atlético Tucumán (Argentina), em Tucumán

Lembrando que no final do 1º semestre, o Santos tinha enfrentado uma outra equipe argentina , na Vila Belmiro: o CA San Lorenzo de Almagro (em 29/06, 1×0)

Capengando, o time passa para o grupo dos vencedores e cai num mesmo grupo de Palmeiras, Portuguesa, Bahia e Goytacaz.

Estava claro que o confronto com a Lusa definiria a 3ª vaga (Palmeiras e Bahia eram favoritos). E a massa santista sorriu satisfeita na vitória por 2×1, no Pacaembu.

A derrota contra o Bahia, na Vila foi sentida, mas a classificação era possível… tudo seria resolvido no clássico contra o Palmeiras…

E novamente a torcida santista dava show… comparece em peso no Pacaembu, sendo maioria no estádio… o Público até hoje não se pode precisar… Relatos da imprensa afirmam que mais de 70.000 pessoas se espremeram ao extremo no próprio da municipalidade… a bilheteria registrou, segundo matéria de 1ª página da FSP a presença de 73.532 pessoas, além de umas 2.000 penduradas nas árvores, muros e qualquer espaço disponível para se ver o campo… outros relatos descrevem um público pagante menor, porém com a invasão de mais de 5.000 pessoas que arrombaram os portões localizados na Avenida Itápolis… o fato inquestionável é que o Recorde de público no Pacaembu pertence ao Santos FC!

Foto do jornal FSP. Reparem que só a torcida santista esta na foto.

Foto do jornal FSP… reparem que é a torcida santista o destaque (percebe-se pelas camisas listradas)…

Assim o alvinegro seguia para a fase final, depois de dois anos de ausência…

A fase final seria disputada apenas em 1978, e o Santos ficou no apelidado “grupo do povo”: Santos e Corinthians;Flamengo e Vasco; além de Londrina e Caxias.

Começou com, mais um empate com o Corinthians, e a massa santista dividia meio a meio o lotado Morumbi… mais uma vez Ailton Lira cobrava uma falta com maestria e garantia o gol do SFC… o time foi para o abafa, encurralou e só não ganhou por coisa encomendada…

No Rio de Janeiro, onde o mais justo seria um empate, uma derota por 1×0 para o Vasco da Gama.

O 3º compromisso era decisivo: o Londrina, no Pacaembu.

Outra vez a massa santista invade o Pacaembu (46.000 pessoas)… e a tragédia se repete… nervoso, infeliz e perdendo gols e mais gols, o Santos PERDE para o Londrina por 1×2. O clube do interior do Paraná, chegou a  abrir 2×0, mas Joaõazinho diminiu logo em seguida…

Santos estava para ser eliminado, mais uma vez.

O desespero tomou conta de todos… e violência foi “mato” naquela tarde de sábado… alguns invadiram o gramado e foram para cima de Ramos Delgado.. outros choravam humilhados na arquibancada… uma parte ironizava e gritava “Mais um, mais um… (para o Londrina)”… outra parte abandonava o estádio… uns brigavam entre si… enfim, uma tarde de caos.

Campanha no Campeonato Nacional:

16/10 -0x2 Cruzeiro EC – Pacaembu – 63.885 pagantes + 3.609 menores

19/10 – 4×0 Paissandu SC – VB –  10.412

23/10 – 0x3 C Atlético Mineiro – Mineirão – 25.984

26/10 – 3×1 N Fast Clube – Vivaldão – 17.110

30/10 – 2×0 C Remo – Evandro de Almeida – 14.833

06/11 – 0x1 Botafogo FC – VB – 24.878

09/11 – 1×1 América FC (MG) – VB – 14.608

13/11 – 2×0 Nacional FC – VB – 16.198

27/11 – 1×4 Uberaba SC – João Guido (Uberaba) – 18.903

01/12 – 2×1 A Portuguesa D – Pacaembu – 8.768

07/12 – 0x1 EC Bahia – VB – 20.271

11/12 – 1×1 SE palmeiras –  Pacaembu – 68.327 pagantes + 5.205 menores

14/12 – 0x0 Goytacaz FC – Ari Oliveira e Silva – 11.489

29/01/1978 – 1×1 SC Corinthians P – Morumbi –  85.372 pagantes + 4.842 menores

03/02/1978 – 0x1 CR Vasco da Gama  – Maracanã – 19.789

11/02/1978 – 1×2 Londrina EC –  Pacaembu – 42.514 pagantes + 3.789 (46.303 total)

16/02/1978  – 0x0 CR Flamengo – Pacaembu – 15.512

18/02/1978 – 3×3 SER Caxias – Centenário – 5.956

1978 já tinha começado… os torcedores estavam no limite da paciência (ou falta dela)… tudo conspirava para uma grande crise… e das crises e que surgem as grandes ousadias e soluções.

Fichas técnicas

26/02/1975 SAntos FC 2×2 SE Palmeiras (São Paulo)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Torneio Laudo Natel

Renda: Cr$ 422.593,00 – rodada dupla (na preliminar: Corinthians x Portuguesa)

Público: 32.533

A: Dulcídio Vanderlei Boschilia

Gols: Edu (p) 15′ e 33′ – Ademir da Guia 9′ e Leivinha 50′

SFC: Wilson Quiqueto; Luis Carlos Beleza (Wilson Campos), Oberdã, Vicente e Zé Carlos; Paulo D’ávoli, Léo Oliveira e Brecha; Adílson, Cláudio Adão e Edu.

Técnico: Tim

SEP: Leão; Eurico, Luis Pereira, Alfredo e João Carlos; Jair Gonçalves e Ademir da Guia; Edu (De Rosis), Leivinha, Ronaldo (Fedato) e Nei.

Técnico: Valdir Joaquim de Moraes

Penalti meio mandraque garantiu o (justo) titulo para o SFC… Grande festa da torcida santista. SFC campeão do Torneio Laudo Natel

Olha quem jogava pelo São Paulo...
Olha quem jogava pelo São Paulo...
Cláudio  Adão, o demolidor de invictos
Cláudio Adão, o demolidor de invictos

07/08/1975 Santos FC 2×1 São Paulo FC

Local: Morumbi – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Paulista – 2º turno – fase final

Renda: Cr$ 513.974,00

Público: 23.058 (rodada dupla na preliminar Palmeiras x Corinthians)

A: Armando Marques

Gols: Cláudio Adão 6′ e 81′ – Pedro Rocha 26′

SFC: Joel Mendes; Carlos Alberto Torres, Oberdã, Bianchi e Zé Carlos; Clodoaldo e Mifflin (Léo Oliveira); Adílson, Cláudio Adão, Brecha e Jurandi (Clayton).

Técnico: Pepe

SPFC: Valdir Perez; Nelsinho Batista, Paranhos, Arlindo e Gilberto Sorriso; Chicão e Pedro Rocha ; Terto, Murici Ramalho, Mauro (Silva) e Zé Carlos (Piau).

Técnico: Poy

Santos FC quebrou uma longa série invicta do São Paulo FC

Imagem: Revista Placar (12/12/1975)

07/12/1975 Santos FC 1×1 EC Bahia (Salvador)

Local: Fonte Nova – Salvador (BA)

Competição: Torneio Governador Roberto Santos/ Taça Cidade de Salvador

Renda: Cr$ 129.549,00 (Rodada dupla, na preliminar Atlético Mineiro x Remo)

Público: 14.536

A: Climamulte França

Gols: Brecha 78′ – Alberto 71′

SFC: Willians; Tuca, Bianchi, Vicente e Fernando; Clodoaldo e Léo Oliveira; Babá (Mazinho), Cláudio Adão, Pelé (Brecha) e Toinzinho.

Técnico: Olavo

ECB: Joel Mendes; Ubaldo, Sapatão, Rodolfo e Juca; Baiaco (Alberto) e Fito; Tírson (Adílson), Douglas, Mickey e Caldeira.

Técnico:

Obs: Pelé retornou especialmente para este jogo, mostrando que ainda está em condições de atuar em qualquer clube brasileiro… aos 33′ após deixar Baiaco e Sapatão estatelados no chão, ficou frente a frente com Joel Mendes, que espalmou para escanteio… Cláudio Adão perdeu um penalti, batido na trave.

Repare que o Bahia atuava com 3 ex-atletas do SFC: Joel Mendes, Fito e Douglas.

14 /12/1975 Santos FC 7×2 Seleção de Conceição do Coité (Combinado dos times Associação Carvalho Mota e Botafogo EC)

Local: Conceição do Coité (BA)

Competição: Amistoso

Público: 1.100

Gols: Totonho (4), Brecha (2) e Cláudio Adão – Prego e Teiu

SFC: Willians; Alceu, Lazinho, Bianchi e Fernando; Léo Oliveira (Celso Diniz) e Didi; Toinzinho (Clodoaldo), Cláudio Adão (Zeca), Totonho e Brecha.

Técnico: Olavo

ACM/BEC: Carlinhos; Berto, Hamilton, Edemar e Chupinho; Teteco (Teiu I) e Robério; Deo, Lelo (Teiu II), Panema e Prego.

Um sinal dos tempos… amistoso contra a Seleção de Conceição do  Coité!!!!! Até o Preparador Físico Celso Diniz entrou na pelada… Acredite, um amistoso oficial do SFC!

SFC levou um Troféu Prefeitura De Conceição do Coité

O lento adeus de Pelé.

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Assim como nos anos 50, o ano de 1974 começa sem acabar 1973.

O Campeonato Nacional de 73 ainda estava em andamento quando chegou 1º de janeiro de 1974.

O Santos estava classificado para a fase seguinte do Nacional e era um dos favoritos para a fase final, o quadrangular decisivo da competição. Mas não seria nada fácil, pois seus adversários seriam equipes como o São Paulo , Botafogo, Cruzeiro e Grêmio, além dos perigosos Guarani, Goiás, Vitória, Santa Cruz e Fortaleza.

O início nesta fase foi muito animador, com 3 grandes exibições: 1×1 Santa Cruz, 3×0 Botafogo e 5×1 Fortaleza.

A tabela apontava o Grêmio como adversário no Olímpico… jogo duro, truncado, e empate até o final da partida, quando Carlinhos marcou para o tricolor gaúcho.

A derrota abala  o time, e acaba perdendo novamente, agora  para o São Paulo por 1×2.

Mesmo com as duas derrotas, ainda era possível a classificação, pois as quatro partidas derradeiras seriam em São Paulo, inclusive contra o Cruzeiro (que disputava a vaga)…

Duas vitórias sem convencer, contra o Vitória e Guarani, colocavam o alvinegro novamente no páreo. Agora, viria o Goiás (que nesta altura, não assustava ninguém).

Pacaembu em noite de rodada dupla, com Corinthians e Tiradentes (PI) na preliminar.

O Santos começa muito bem a partida, sem dar chances ao alviverde goiano. Abre 3×0, e desce para o intervalo com a boa vantagem na partida,  3×1. No início do 2º tempo, mais um gol: 4×1. Mesmo com o placar amplamente favorável,o time se arrastava em campo… Pelé, Carlos Alberto Torres, Marinho Peres, Clodoaldo e até Cejas jogavam no sacrifício, todos com algum tipo de lesão… Clodoaldo pede para sair e o time desmonta… o relógio marcava 80’… mas, foi tempo suficiente para o Goiás empatar um jogo perdido. O alvinegro estava desclassificado para as finais.

Campanha no Nacional – 73 (fase semi-final)

13/01 – 1×1 Santa Cruz FC – Arruda – 45.928

20/01 – 3×0 Botafogo FR – Maracanã – 74.478 – Um baile na Maracanã…

23/01 – 5×1 Fortaleza EC – Presidente Vargas – 31.951

26/01 – 0x1 Grêmio FPA – Olímpico – 20.083

29/01 – 1×2 São Paulo FC –  Morumbi – 41.902

31/01 – 1×0 Vitória EC – Pacaembu – 33.361 (rodada dupla – preliminar de São Paulo x Fortaleza)

03/02 – 2×0 Guarani FC- Pacaembu – 21.253

06/02 – 4×4 Goiás EC – Pacaembu – 27.247 (rodada dupla – Corinthians x Tiradentes na preliminar)

10/02 – 0x0 Cruzeiro EC – Pacaembu – 29.059

Com o final do Nacional, o jeito era pensar na derradeira temporada de Pelé. Convites para amistosos choviam em Vila Belmiro, mas o calendário  da CBD já era uma lástima desde aquela época.

Em março são convocados os atletas para a Copa do Mundo de 1974. O SFC colabora com Marinho Peres, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres e Edu. Pelé tinha condições de sobra para disputar mais uma Copa, no entanto manteve sua decisão de não participar… Pelé que jogaria apenas até outubro. Seriam 10 meses de despedidas, uma em cada estádio brasileiro.

A temporada de amistosos até que não foram muitos: um em São Bernardo do Campo no mítico e lotado Estádio de Vila Euclides, onde 5 anos depois ficaria lotado ainda mais, pois uma nova liderança abalava o modorrento sindicalismo brasileiro, Lula.

Imagem: palestrasb.webs.com
Imagem: palestrasb.webs.com

Naquele 9 de janeiro, Pelé recebeu uma chuteira folheada a ouro, e o Santos venceu o Palestra de São Bernardo por 4×0.

Nos anos de 78 a 81 o Vila Euclides foi palco de grandes públicos para o confronto Metalúrgicos x Empresários. Públicos acima de 50.000 eram bem comuns.
Nos anos de 78 a 81 o Vila Euclides foi palco de grandes públicos para o "clássico" Metalúrgicos x Empresários. Públicos acima de 50.000 eram bem comuns.Imagem: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (smabc.org.br)

Voltando ao futebol, depois da desclassificação do Nacional -73, o SFC realiza alguns amistosos pelo Brasil:

22/02 – 2×1 Vila Nova FC (Goiânia)

03/03 – 2×0 Uberaba SC – Pelé recebe o título de cidadão honorário de Uberaba.

06/03 – 1×0 AA Caldense – A arrecadação da partida serviu para o pagamento da contratação do lateral Luis Carlos, que logo recebeu o apelido carinhoso de “Luis Carlos Beleza”. O motivo é a foto abaixo:

Imagem: terceirotempo.ig.com.br (antes e depois)
Imagem: terceirotempo.ig.com.br (antes e depois)

Com os principais atletas brasileiros a serviço da CBD, começava mais um Campeonato Nacional.

Novamente com 40 clubes, mas com alterações no regulamento e substituições de alguns participantes: Avaí (no lugar do Figueirense), Itabaiana (substituindo o Sergipe), CSA (saindo o CRB), Sampaio Correia (ficando com a vaga do Moto Clube, suspenso pela CBD) e Operário (ocupando a vaga do Comercial).

Assim como em 73, os 40 clubes foram divididos em dois grupos de 20. Grupos que foram montados regionalmente, assim o Santos integrou o grupo dos times paulista, mineiros, pernambucanos, amazonenses, cearenses, além do representante alagoano, brasiliense, goiano e matogrossense, ou seja: Santos, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Portuguesa, Guarani, Cruzeiro, Atlético Mineiro, América, Santa Cruz, Naútico, Sport, Ceará, Fortaleza, Rio Negro, Nacional, CEUB, Goiás, Operário e CSA.

A grande novidade era a forma de classificação para a fase semi-final. Dez equipes de cada grupo, mais os dois melhores pontuados independentemente de grupo e ainda mais dois pelas melhores arrecadações (não havendo riscos para que o Flamengo não estivesse na fase seguinte).

Com Pelé cheio de vontade e enfrentando alguns times bem desfalcados, o Santos foi muito bem na fase de classificação:

10/03 – 1×2 A Portuguesa D – Morumbi –  9.308 pagantes + 416 gratuitos (9.724 total)

17/03 – 2×0 América FC – Mineirão – 15.268 pagantes + 2.705 gratuitos (17.973 total)

20/03 – 3×1 CEUB – Nacional Presidente Médici – 18.894

23/03 – 2×2 Guarani Fc –  Brinco de Ouro – 19.338

30/03 – 1×1 C Náutico C – Arruda – 24.122

06/04 – 1×1 Sport C Recife – Arruda – 18.633

13/04 – 1×0 Cruzeiro EC – Pacembu – 26.247 – Com dois times desfalcados, mesmo assim 26.000 pessoas no Pacaembu, afinal Pelé e Dirceu Lopes estavam em campo…

20/04 – 4×0 SE Palmeiras – Pacaembu – 23.139 – Aproveitando um Palmeiras sem 6 titulares, o Santos (mesmo sem 4 titulares) goleou…

28/04 – 1×0 Nacional FC – Vivaldo Lima – 32.060

02/05 – 3×0 A Rio Negro C – Vila Belmiro – 12.790 – Retorno à Vila  depois de 6 meses.

11/05 – 2×3 Goiás EC – Pedro Ludovico – 13.196 – o Goiás vai levando a fama de asa-negra do SFC, versão anos 70.

15/05 – 2×0 Fortaleza EC –  Castelão – 11.110

18/05 – 1×1 SC Corinthians P – Pacaembu – 59.721

22/05 – 1×0 CSA – Vila Belmiro – 6.289

25/05 – 1×1 Ceará SC – Castelão -9.518

02/06 – 1×1 São Paulo FC – Morumbi – 15.982 – Essa partida merece um comentário à  parte, logo abaixo…

05/06 – 0x1 Operário FC – Pedro Petrossian – 17.382

09/06 – 1×2 C Atlético Mineiro – Mineirão – 53.373 pagantes  + 4.570 gratuitos (57.943 total)

12/06 – 1×1 Santa Cruz FC –  Vila Belmiro – 1.253

Com esses resultados o alvinegro seguia na competição. Goiás e Palmeiras se classificaram pelo critério técnico e Fluminense e Nacional se classificaram pelas arrecadações (algumas partidas sob forte suspeita de “engorda”)

Nesta primeira fase, o Santos levou muita gente aos estádios… Tanto que ficou em 2º lugar na arrecadações entre os 40 clubes, atrás apenas do Flamengo. Pelé era sem sombra de dúvida a grande atração. Se o Rei não era mais um menino com a explosão e o vigor da juventude, contava com a experiência e conhecia os atalhos no campo.

Isso ficaria provado na partida contra o São Paulo, no Morumbi, cujo fato que relato abaixo fui testemunha presencial.

Santos e São Paulo faziam um jogo amarrado, onde o ataque santista absolutamente não funcionava.

A partida seguia sem graça, combinando com o vento frio da tarde de inverno no Morumbi.

No 2º tempo o tricolor vai pra cima do Santos e Mirandinha abre a contagem aos 64’… a torcida do SãoPaulo já dava a vitória como certa, ainda mais quando Mirandinha perde mais um gol pouco depois, além disso o ataque santista estava numa draga só, não causando medo nem em criança de 5 anos…

O ataque podia estar bem ruim, mas tinha Pelé… e eles não.

Faltavam menos de 15′ para acabar e mais um ataque santista acaba nas mãos de Waldir Perez.

A defesa do  tricolor vai saindo da área e Pelé recua, andando de costas, olhando para Waldir Perez.

De repente, Pelé sai correndo e gritando… “É minha, é minha”

Samuel, que esta de costas para Waldir, age imeditamente: agarra Pelé e derruba o Rei dentro da área.

PENALTI!!!!!!!!!

Samuel se desespera, os tricolores chiam barbaridade na arquibancada… e os santistas se dobram de rir e gargalhar…

A bola sempre esteve nas mãos de Waldir Perez, e Samuel (coitado), caiu na armadilha do Rei.

Brecha cobrou com categoria e empatou a partida… final 1×1.

Agora, veja as imagens e divirta-se com a cena de pastelão:

Aqui um comentário em homenagem a Brecha, falecido ontem. Brecha veio do Juventus e ajudou a arrumar o meio campo santista em 73/74. Era um bom cobrador de faltas e penaltis, e chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira em 1973. Jogou no Guarani, Juventus, Barretos, Grêmio Maringá e Catanduvense entre outras agremiações. Foi campeão Paulista pelo SFC (1973), além de conquistar o Torneio Laudo Natel e a Taça Cidade de Salvador (1975). Pelo Guarani foi campeão do 1º turno do campeonato Paulista de 1976, no Juventus venceu o Paulistinha 71. A breve biografia publicada no portal terra (http://esportes.terra.com.br/futebol/noticias/0,,OI5329110-EI1832,00.htmlTerra) é muito aquém das qualidades do meio campista, onde o autor afirma que a maior passagem de Brecha em sua carreira não foi a Seleção Brasileira, mas um gol no Corinthians…

Veja foto de Brecha com a camisa da seleção, aqui: http://terceirotempo.ig.com.br/quefimlevou_especial_foto.php?id=2495&sessao=f&galeria_id=2235&foto_id=37916

Retornamos ao Santos FC, para a fase semi-final, onde os 24 clubes classificados formaram 4 grupos de 4, sendo que o campeão de cada grupo classificava-se ao quadrangular final.

Disputado durante a Copa do Mundo na Alemanha, os públicos foram bem baixos, reflexo direto da decepção da torcida com o fraco futebol apresentado nos campos alemães.

No entanto, o Peixe fez a sua parte, contando com a grande revelação Cláudio Adão:

29/06 – 2×1 Coritiba FC – Pacaembu – 3.351

03/07 – 2×0 America FC – Maracnã – 2.302

07/07 – 1×0 Grêmio FPA – Olímpico – 25.044

15/07 – 2×0 C Náutico C – Arruda – 7.944

18/07 – 1×1 Fortaleza EC – Pacaembu – 18.522

Santos no quadrangular final junto com Vasco, Cruzeiro e Internacional.

Pelé queria um último título, e o favoritismo santista era grande… Cláudio Adão era a sensação do momento, e com o retorno de Marinho Peres e Edu, a recuperação de Clodoaldo e Carlos Alberto Torres, poucos duvidavam que a decisão não seria mesmo na última rodada do quadrangular, no Morumbi, entre Santos e Cruzeiro.

21/07 – 1×2 CR Vasco da Gama – Maracanã – 97.696 – Pelé cobrando falta empatou aos 76′, e tudo encaminhava para um ótimo empate, mas Roberto Dinamite desempatou faltando 2’….

24/07 – 2×1 SC Internacional – Morumbi – 19.882 – Uma nova vitória no domingo poderia dar o título ao Santos, desde que o Vasco não ganhasse do Internacional.

A situação era seguinte:

Vasco com 3 pontos (1 vitória); Santos  2 pontos (1 vitória), Cruzeiro 2 pontos e Internacional 1 ponto. Em caso de empate, uma partida extra, com o mando de campo para o clube com maior nº de vitórias na competição (o que favorecia o SFC).

E no dia 28, Santos e Cruzeiro entraram no Morumbi… ou melhor o Cruzeiro entrou em campo, parecia que o Santos não… em meia hora o clube mineiro fazia 3×0 e despachava para longe o sonho santista e o desejo do Rei.

Foi um duro golpe a derrota por 3×1.

E foi assim, abalado, que o Alvinegro começou o Campeonato Paulista na semana seguinte.

Abalado, desanimado, sem dinheiro, e ficando sem Pelé, era angustiante os momentos do Santos naquele 2º semestre de 1974.

Um das imagens mais marcantes dessa fase do alvinegro foi durante uma breve excursão à Espanha, para a disputa do Troféu Ramón Carranza. Os participantes seriam o Santos e Palmeiras (Brasil) e o Barcelona e o Español (Espanha). Com uma tabela elaborada a dedo, Santos enfrentava o Español e Palmeiras, o Barcelona. Na cabeça da cartolagem tudo certo para uma final Santos x Baracelona, ou melhor, uma final Pelé x Cruijff.  Cruijff, o cérebro holandês da Copa do Mundo de 74, o novo gênio do  futebol… o velho Rei e o novo Rei…

Imagem: www.fcbarcelona.com
Imagem: www.fcbarcelona.com

Só que não avisaram os adversários… e sobrou para Santos e Barcelona a decisão do 3º lugar.

E aí, ficou claro como o Santos estava… Cruijff bailou em campo e o Barça aplicou um sonoro 4×1. Mais que o placar, foi a forma…sem apelação, como pugilista grogue enfrentando um campeão… foi muito triste…

31/08 – 0x2 RCD Español –

01/09 – 1×4 CF Barcelona

03/09 – 3×2 R Zaragoza (Espanha) – Pelé marcou dois gols e a torcida espanhola invadiu o gramado para carregar Pelé.

O Paulistão (onde o Peixe seguia aos trancos e barrancos), repetia basicamente a mesma fórmula de 1973 (agora, com 2 partidas finais), porém com 14 times na competição:

03/08 – 2×1 EC Noroeste (VB)

11/08 – 0x1 A Portuguesa D (Pacaembu)

14/08 – 2×1 Botafogo FC (VB

17/08 – 4×0 América FC (VB)

24/08 – 1×3 Saad EC (VB) – Depois da goleada contra o América, Pelé retornava ao time e a torcida lotou a Vila (17.161 torcedores)… no final vaiou pra valer o SFC, Pelé incluso… uma ingratidão…

09/09 – 0x0 SE Palmeiras (Pacaembu)

15/09 – 1×1 São Paulo FC (Pacaembu)

18/09 – 1×0 Comercial FC (Francisco Palma Travassos)

22/09 – 2×2 Guarani FC (Brinco de Ouro)

25/09 – 1×0 EC São Bento (Pacaembu)

29/09 – 0x1 SC Corinthins P  (Pacaembu)

02/10 – 2×0 AA Ponte Preta (VB) – Aqui o futebol perdeu a graça, perdeu a magia. Pelé entrou em campo pela última vez como profissional do SFC. Jogou pouco mais que 20′. Pegou a bola, ajoelhou-se no centro do gramado de Vila Belmiro e agradeceu… aplausos, choro, muito choro na Vila…foram os 70 minutos finais de futebol mais tristes na Vila Belmiro… quem, na realidade se importava com os gols marcados? Na verdade os mais velhos sabiam que uma era do futebol terminava às 21:19 de 2 de outubro de 1974. Nunca mais haveria um Pelé em campo… nunca mais haveria um atleta com a capacidade técnica como Ele… nunca mais teríamos um atacante fazendo mil gols… nunca mais teríamos os gols não feitos mais maravilhosos… nunca mais teríamos diversão garantida aos domingos. O futebol ficava cinzento, frio e morno. A brincadeira acabava naquela 4ª feira.

e na última partida do turno, a 1ª sem Pelé, uma vitória apertada sobre o Juventus (2×1, no Pacaembu)

Nesse momento o time não tinha mais Pelé (é óbvio), Marinho Peres (vendido ao Barcelona), Nenê (vendido ao futebol mexicano… assim como Ferreira, Eusébio e Alcindo). Cejas estava para sair, Clodoaldo vivia com problemas físicos e Carlos Alberto Torres também não duraria muito tempo…

Pelé e Mifflin no Cosmos. No SFC foram poucas partidas juntos
Pelé e Mifflin no Cosmos. No SFC foram apenas duas partidas juntos

A grande esperança era Ramón Mifflin, habilidoso armador peruano, contratado para substituir Pelé…

Pobre Mifflin….

Já imagiram a pressão da torcida sobre o craque?

Pois é…

Mifflin sequer conseguia garantir a condição de titular,  e em 1975 vai para o New York Cosmos.

Sobravam então dois atacantes: Edu e Cláudio Adão para motivar a torcida e mais alguns bons jogadores (Léo Oliveira, Oberdã, Zé Carlos e Brecha).

Não era muito…

Com o Corinthians vencedor do 1º turno, inicia-se o returno:

13/10 – 1×1 Comercial FC (VB)

20/10 – 1×0 AA Ponte Preta (Moisés Lucarelli)

27/10 – 1×1 São Paulo FC (Pacaembu)

30/10 – 2×1 CA Juventus (VB)

03/11 – 1×1 América FC (SJRP)

06/11 – 2×0 Botafogo FC (Santa Cruz)

10/11 – 1×1 EC São Bento (VB)

17/11 – 0x1 SC Corinthians P – (Pacaembu)

24/11 – 0x2 SE Palmeiras (Pacaembu) – Duas derrotas seguidas em clássicos derrubam a possibilidade do bicampeonato

28/11 – 3×1 Saad EC (Parque Antártica) – apenas 932 testemunhas viram o SFC vencer e ouviram o desmentido da direção santista sobre a contratação do jovem atacante Sócrates do Botafogo de Ribeirão Preto…

01/12 – 3×2 EC Noroeste (Bauru)

08/12 – 1×0 A Portuguesa D (Pacaembu) – Apenas 8.000 torcedores no Pacaembu, e os santistas empurrando o time como se estivesse disputando um título… muita vibração no gol de Edu.

15/12 – 1×0 Guarani FC (VB)

Apesar da campanha irregular, o SFC terminou em 3º lugar na classificação geral do Paulista-74.

Mesmo com um gosto amargo, havia um pouco de esperança na alma peixeira para o ano de 1975.

Fichas técnicas

14/01/1973 Santos FC 2×2 Saad EC (São Caetano do Sul)

Local: Lauro Gomes – São Caetano do Sul (SP)

Competição: Amistoso

Renda: Cr$ 23.000,00

A: Antonio Carlos Gomes

Gols: Oscar (contra) e Marçal – Coutinho e Copini

SFC: Willian; Altivo, Paulo, Marçal e Turcão; Pitico e Iaponã (Roberto Gaspar); Manoel Maria (Nelsi), Arlindo, Carlos Eusébio e Ferreira.

Técnico: Formiga

SEC: Fininho; Celso, Flávio, Oscar e Arnaldo; Joel Camargo e Márcio; Dorval, Copini, Coutinho (Mário) e Valdir (Fernando).

Visto no Estádio

O Saad investia no time para subir para a divisão principal do futebol paulitsta. E numa jogada promocional contratou 3 craques do SFC: cJoel Camargo, Dorval e Coutinho que estreavam neste dia… Coutinho deixou sua marca no gol alvinegro.

16/02/1973 Santos FC 7×1 BAHREIN

Local: Estadio de Issa Town – Manama – Bahrein (BAH)

Competição: Amistoso

Renda: US$ 75.000

Público: 33.000

A: Ebrahim Doy

Gols: Edu (2), Euzébio (2), Pelé (2), Brecha 15′ – Salim

SFC: Cláudio (Willians), Hermes, Marinho Peres, Carlos Alberto Torres (Vicente) e Zé Carlos; Clodoaldo (Léo Oliveira) e Brecha; Manoel Maria, Euzébio, Pelé e Edu

Técnico: Pepe

BAH: Al Hamer; Ansari, Bushiri, Durazi e S. Abbadi; Zayani e Salim; Sayar, Klaliosayar, Shireeda e Hassanali.

Não havia grama no campo e sim areia… Presença do Príncipe Hamed Bin isa Al Khalifa (filho do Rei do Bahreim).

Jogar no Oriente Médio era uma festa… todos os atletas do SFC ganharam um relógio de ouro!

20/02/1973 Santos FC 1×0 Hilal Ondurman (SUD) (Al Hilal Al Sudany Club for Phisical Education) -

Local: Estádio Nacional de Kartun – Sudão (SUD)

Competição: Amistoso

Renda: US$ 55.000

Público: 65.000

A: Ahmed Gandil

Gol: Euzébio

SFC: Cláudio, Hermes, Marinho Peres, Carlos Alberto Torres e Zé Carlos; Léo Oliveira e Brecha; Jair da Costa, Euzébio, Pelé (Alcindo) e Edu
Técnico: Pepe

AHASCPE: Zaghbeir; Moosa, Koka, Kori e El Dab; Jaxa e Abdo; Izzedin, M. Houssein, Gagarin e Nagk.

Um exemploda grandeza do SFC.

Atuar no paupérrimo Sudão ao custo de US$ 1,00 o ingresso. Alguém já imaginou o Barcelona,. Manchester, Real, Milan fazendo esse tipo de partida?

O Santos demonstrava que futebol não era apenas dinheiro… a divulgação do esporte, a apresentação dos artistas também valiam…  e a retribuição dos torcedores era inevitável… neste dia a torcida ficou na beira do campo (gramado) e outros dez mil ficaram de fora… a capacidade do estádio era para 45.000 (chutando alto)… a partida demorou “horas” para acabar, pois a todo momento os torcedores entravam no gramado para comemorar qualquer jogada bonita do time santista.

Um marco histórico: menos de um dólar americano para um sudanês ver Pelé, Jair da Costa, Edu, Carlos Alberto Torres (todos campeões Mundiais), além de Cláudio, Marinho Peres, Brecha e Alcindo com passagens pela seleção brasileira.  Isso é o Santos!

29/04/1973 Santos FC  3×0 SC Corinthians P*(São Paulo)

Local: Morumbi – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Paulista

Renda: Cr$ 701.777,00

Público: 78.580

A: Oscar Scolfaro

Gols: Pelé 4′ e 71′ e Brecha 40′

SFC: Cejas, Vicente, Marinho Peres, Carlos Alberto Torres e Turcão; Clodoaldo e Brecha; Jair da Costa (Alcindo), Eusébio, Pelé e Edu

Técnico: Pepe

Corinthians: Ado; Zé Maria, Baldochi, Ademir e Miranda; Tião e Rivelino; Vaguinho, Suingue, Mirandinha e Marco Antonio (Lance).

Técnico: Duque

Uma partida primorosa, um gol inesquecível de Pelé (o 3º)… Cejas, ótimo, com 3 grandes defesas… Carlos Alberto impecável… Clodoaldo muito bem.

A dupla acima arrasou a Ponte (imagem: lidebrasil.com.br)
A dupla acima arrasou a Ponte (imagem: lidebrasil.com.br)

20/05/1973 SAntos FC 5×1 AA Ponte Preta (Campinas)

Local: Vila Belmiro – Santos (SP)

Competição: Campeonato Paulista

Renda: Cr$ 234.300,00

Público: 19.629

A: Armando Marques

Expulsões: Expulsões: Mosca (AAPP) por ofensas ao árbitro; Takeo, massagista do SFC por invasão de campo.

Gols: Eusébio 15′, 19′ e 43′ e Pelé 20′ e 81′ – Tales (f) 57′

Cejas, Zé Carlos, Vicente, Marinho Perez e Turcão; Clodoaldo e Brecha; Jair da Costa (Manoel Maria), Eusébio (Alcindo), Pelé e Edu

Técnico: Pepe

Ponte Preta: Valdir Peres; Galli, Lima, Valdir Vicente e Valter; Chicão e Serginho; Pedro Paulo (Valdomiro), Môsca, Adilton e Tuta (Tales).

Técnico: Alfredo Ramos

Em 20′ o SFC liquidou a partida… poderia ter vencido por mais se não fosse a atuação de Waldir Peres… SFC campeão do 1º turno do campeonato paulista

26/08/1973 Santos FC 0x0 A Portuguesa D (São Paulo) (2×0 pênaltis)

Local: Morumbi – São Paulo (SP)

Competição : Campeonato Paulista (final)

Renda: Cr$ 1.502.255,00

Público: 116.156 + 412 menores (116.568 total)

A: Armando Marques

SFC: Cejas; Zé Carlos, Carlos Alberto Torres, Vicente e Turcão; Clodoaldo e Léo Oliveira; Jair da Costa (Brecha), Eusébio, Pelé e Edu

Técnico: Pepe

APD: Zecão; Cardoso, Pescuma, Calegari e Isidoro; Badeco e Basílio; Xaxá, Eneas (Tatá) , Cabinho e Wilsinho.

Técnico: Oto Glória

Decisão nos penaltis: 2×0 – SFC: Carlos Alberto e Edu; Zé Carlos perdeu a cobrança (SFC)

APD: Isidoro, Calegari e Wilsinho (APD) perderam as cobranças

Armando Marques encerrou as cobranças faltando 2 cobranças à Portuguesa (Basílio e Tatá) e 2 ao Santos (Pelé e Brecha). A FPF proclamou os dois times campeões. SFC campeão paulista de 73

21/11/1973 Santos FC 5×0 CHILE

Local: Nacional de Santiago – Santiago (CHI)

Competição: Amistoso

Público: 18.848

Árbitro: Rafael Hormozabal (CHI)

Gols: Nenê 21′ e 38′, Edu 26′ e Eusébio 29′ e 65′

SFC: Cejas (Willians); Hermes, Marinho Peres, Vicente e Roberto (Turcão); Carlos Alberto Torres e Léo Oliveira (Nelsi); Mazinho, Eusébio, Nenê (Cláudio Adão) e Edu (Ferreira).

Técnico: Pepe

CHILE: Olivares; Machuca (Paez), Figueroa, Quintano e Arias; Rodriguez (Eladio Rojas) e Valdez (Yavar); Reinoso, Cazsely, Ahumada e Leonel Sanchez (Crisosto, depois Velez).

Técnico: Luis Alamos

Ficha da partida atualizada.

Após a partida Cazsely teve sua matrícula cassada no Curso de Educação Física… Cazsely era membro da Juventude Comunista Chilena

05/12/1973 Santos FC 4×0 CA Huracán (ARG)

Local: Tomás Adolfo DucóBuenos Aires (ARG)

Competição: Amistoso

Renda: 67.334.500 pesos

Público: 35.000

A: Ithurralde

Gols: Edu 31′, Pelé 46′, Nenê 53′ e Léo Oliveira 79′

SFC: Cejas (Wilson), Hermes, Marinho Peres, Vicente e Roberto (Zé Carlos); Carlos Alberto Torres e Léo Oliveira (Brecha); Mazinho, Nenê (Tostão), Pelé e Edu
Técnico: Pepe

CAH: Roganti, Chabay, Bublione, Russo e Carrascos; Leone (Cantri), Brindisi e Babington; Housseman, Avallay (Scalise) e Larosa (Qiroga).

Huracán campeão metropolitano de 73

Revista argentina El Grafico (enviado por Marcelo Fernandes, direto de Luxemburgo)

Meio campeão

.Santistas de todo mundo, uni-vos!

Marinho Peres, contratado em 1972, jogou em 1973 e 1974. Foto: www.semprepeixe.com.br
Marinho Peres, contratado em 1972, jogou em 1973 e 1974. Foto: www.semprepeixe.com.br

Mesmo após o final de ano triste ao perder a classificação para as finais do Nacional de 1972, o torcedor santista estava com boas perspectivas para 1973. Um dos motivos estava na defesa, pois com a chegada de Marinho Peres (contratado durante o 2º semestre de 72), tudo indicava que o problema crônico dos últimos dois anos poderia ser resolvido. Finalmente o Peixe tinha novamente um zagueiro ao nível de seleção brasileira.

Marinho Peres foi revelado no EC São Bento e passou a condição de craque na A Portuguesa D… por motivos não muito claros foi dispensado da Lusa, junto com mais 5 atletas durante o Nacional de 72. A direção do SFC não bobeou e contratou o  defensor. Em 74 foi para o Barcelona, retornou ao Brasil em  76 para atuar no Internacional (Porto Alegre), depois para o Palmeiras (1978) e America  (Rio de Janeiro, em 1980). Disputou a Copa da Alemanha em 1974, como atleta do Santos FC.

E antes de ir até o aeroporto para a próxima excursão, o Santos realizava dois amistosos na Vila Belmiro para apresentar os novos contratados: Hermes, (lateral direito, vindo do Coritiba FC); Arlindo (atacante, em testes, proveniente do Saad EC, de São Caetano do Sul) e Marinho Peres. Foram dois empates por 1 gol, contra a Portuguesa e contra o São Paulo.

E em fevereiro, já esta na Austrália para mais uma  turnê mundial, com um roteiro bem exótico: Austrália, Oriente Médio, Norte da África e Europa!

Os jogos:

02/02 – 2×0 Vitoria SF (Austrália) – Melbourne

09/02 – 3×0 – Seleção da Arábia Saudita (sub-20) – Ryad

12/02 – 1×1 Al Kadisiah (Kuwait) – Kuwait

14/02 – 3×0 Combinado de Doha (Qatar) – Doha

16/02 – 7×1 Seleção do Bahrein – Manama

18/02 – 5×0 Ah-Ahly (Egito) – Cairo

20/02 – 1×0 Hilal Ondurman (Sudão) – Kartum

22/02 – 4×1 Al Nasser (Emirados Arábes) – Dubai

Edu, Alcindo e Brecha... repare na "grama' do campo  ao fundo (Foto: terceiro tempo)
Edu, Alcindo e Brecha... repare na "grama' do campo ao fundo (Foto: terceiro tempo)

O SFC jogou quase um mês sob o sol escaldante do deserto, e embarcou para a Europa… em fevereiro… final de inverno.

O Adversário, além da neve de quase 20 cm (e temperatura de -8°C) era a Seleção da Bavária (um combinado Nuremberg/ Bayern Munchen)… o resultado, o esperado desastre: 3×0 para os alemães.

27/02 – 0x3 Seleçao da Bavária  (Alemanha Ocidental) – Nuremberg

04/03 – 2×2 FCG Bordeaux (França) – Bordeaux

06/03 – 1×0 R Standard Liége (Bélgica) – Liége

12/03 – 1×2 Fulhan FC (Inglaterra) – Londres

14/03 – 2×3 Plymouth AFC (Inglaterra) – Plymouth – O 2º gol do time inglês foi em flagrante impedimento, todos no estádio viram, menos o árbitro. Pepe (Técnico do SFC) não se conteve e foi para cima do “juizão” e no melhor estilo soltou o verbo; “Mister, I’m twice world champion, and you are uma bosta”

Retornou ao Brasil e começou o Campeonato Paulista com um desanimador 0x0 com a Ferroviária,  na Vila Belmiro.

Campeonato Paulista que apresentava uma novidade: cada turno indicaria um campeão, e os campeões de cada turno se enfrentariam numa final de partida única.

Em seguida um empate numa grande partida contra o São Paulo, 2×2.

Mas no compromisso seguinte…

Um baile no Juventus, 6×0! E o time embala…

Aparece um novo centro-avante… como nome e futebol de craque, o menino Euzébio.

E o Peixe vai passando pelos adversários… Portuguesa, São Bento, América.

Chega a vez do Guarani, sensação da competição. Brinco de Ouro lotado, Clodoaldo mandou no meio de campo e Alcindo garantiu a vitória: 1×0, Santos líder do turno.

Surge o Corinthians pela frente… Corinthians que havia tomado de 4 no Nacional…

E parecia que os anos 60 haviam voltado… com Pelé inspiradíssimo o Santos atropela o rival de Parque São Jorge: 3×0

A final antecipada do 1º turno seria contra o Palmeiras… Morumbi recebe mais de 90.000 torcedores, e os santistas dividiam meio a meio as arquibancadas… um jogo equilibrado, onde Pelé teve um penalti não marcado e Cejas salvou o SFC numa cabeçada de César “maluco” no final da partida… 1×1 e os dois times continuavam a compartilhar a liderança.

Faltam dois adversários:  Botafogo, em Ribeirão Preto; e a Ponte, em Santos. O Palmeiras enfrentaria a Ferroviária e o São Paulo.

Santos e Palmeiras vencem seus rivais e tudo fica para a última rodada.

Vila Belmiro lotada, os torcedores sabiam que se o Santos atuasse como tinha feito contra o Corinthians e Palmeiras, a Ponte não resistiria… porém a partida contra o Botafogo deixou o santista um tanto “cabreiro”… o time não jogara bem  e a vitória veio na base da virada e com sofrimento.

Pepe sabia que o SFC deveria partir para cima, sem dar chance a Ponte (que contava com Valdir Perez no gol e Chicão de volante), dizia que o alvinegro deveria marcar um gol antes dos 15′ iniciais…

E foi exatamente aos 15′ que Euzébio marcou o 1º gol. Explosão na Vila!!!!!

Foi abrir a porteira e a boiada passar… Euzébio novamente aos 19′ e Pelé aos 20′ liquidam qualquer pretensão da Ponte (ou do Palmeiras)… mas havia espaço para Euzébio marcar mais um e Pelé, outro.  Tales, de falta, ainda diminuiu… Final: Santos 5×1 Ponte Preta.

Manchete da Revista Placar: “A volta do Santos goleador”!!!!

Foto: Placar
Foto: Placar

Campanha do 1º turno:

A Ferroviária E  – 0x0 (VB)

São Paulo FC – 2×2 (Parque Antártica)

CA Juventus – 6×0 (VB)

A Portuguesa D – 1×0 (Morumbi)

EC São Bento – 1×0 (VB)

América FC – 1×0 (VB)

Guarani FC – 1×0 (Brinco de Ouro)

SC Corinthians P – 3×0 (Morumbi)

SE Palmeiras – 1×1 (Morumbi)

Botafogo FC – 2×1 (Santa Cruz)

AA Ponte Preta – 5×1 (VB)

Terminado o 1º turno a competição é interrompida. A Seleção Brasileira é convocada para uma desastrada excursão à Europa (com o famigerado “manifesto de Glascow”). Clodoaldo, Edu e Brecha são convocados.. enquanto isso, o alvinegro parte para os EUA

25/05 – 3×0 SS Lazio (Itália) – New Jersey (EUA) – A Lazio foi campeã italiana 73/74

28/05 – 4×2 SS Lazio (Itália) – Chicago (EUA)

30/05 – 6×4 Baltimore Bays (EUA) – Baltimore – Recorde de público (24.680)

01/06 – 1×0 CD Guadalajara AC (México) – Oakland (EUA)

03/06 – 2×1 CD Guadalajara AC (México) – Los Angeles (EUA) – Taça Miller High

06/06 – 6×1 Miami Toros (EUA) – Miami – Comemorado em Miami o “Dia de Pelé”

10/06 – 5×0 DSC Arminia Bielalfed e.V (Alemanha Ocidental) – Filadélfia (EUA)

15/06 – 7×1 Baltimore Bays (EUA) – Washington (EUA)

17/06 – 2×1 Rochester Lancers (EUA) – Rochester –  O SFC recebeu um diploma da Câmara de Rochester

19/06 – 4×0 Baltimore Bays (EUA) – Baltimore (EUA) – Tudo girou ao redor de Pelé… marcou um gol olímpico!!!!!! e no final da partida foi para o gol.

Ao voltar para o Brasil encarou mais dois amistosos:

01/07 – 1×0 União Tejucana de Esportes – em Ituiutaba (MG)

04/07 – 1×2 Goiás EC – Em Goiânia (GO) –  O SFC perde uma invencibilidade de 22 partidas.

O Paulista-73 tem seu recomeço, e o SFC apresenta novidades: Hélio Pires (atacante) e o veterano ponteiro Marcos (revelado pela Jabaquara e com passagens pelo Corinthians, Bangu, Seleção Brasileira, Newell´s Old Boys e Huracan da Argentina).

E parecia que o time iria ganhar o campeonato sem a necessidade de uma final:

08/07 – Botafogo FC  2×0 (VB)

15/07 – EC São Bento – 1×0 (VB)

No dia 22 o clássico contra o Corinthians. “Eles” estavam com o Santos entalado na garganta, afinal haviam tomado 7 gols nos dois últimos jogos (4×0 e 3×0). Morumbi cheio (65.000 pessoas) e eles partem para cima…

Surpreendentemente,  o Santos não joga…

Eles continuam atacando e aos 15′  Vaguinho abre a contagem… 1×0. A torcida santista gela nas arquibancadas… o Peixe não se encontra, não tem poder de  reação…

Passa pouco tempo e gol do Corinthinas… gol? Não, não… a bola bateu na trave, bateu no chão e não entrou…

Vinte e cinco minutos, Marco Antonio recebe e marca, 2×0… Não, não… estava em claro impedimento…

E segue o jogo… o Santos não dá um chute sequer ao gol corintiano… finalzinho do 1º tempo,  Rivelino  recebe , vai marcar e …. Oscar Scolfaro apita… apita falta para o Corinthians… não, não tinha vantagem, não…

Assim termina o 1º tempo… a massa santista que estava gelada, agora dá risada nas arquibancadas… alguma coisa diferente estava acontecendo, e os torcedores sabiam bem o que era… sabiam que o Santos não perderia aquela partida de forma alguma… por outro lado, no lado oposto das arquibandacas, o outro lado preto e branco espumava de raiva… poderiam estar ganhando por 4×0, mas só um gol foi válido…

Segundo tempo… penalti em Vaguinho !!!  Nada… simulação…. segue o jogo…

Falta perto da área santista? Não… nenhuma falta perigosa para Rivelino cobrar… e os “gaviões” urrando de raiva…

A massa santista via tudo tranquila e sorridente… a vingança é um prato que se aprecia a frio e aos poucos…

Primeiro chute ao gol de Ado acorre apenas aos 70′, sem perigo.

Mas aos 87’…  O Santos ataca (!)… Ferreira é lançado, entra na área, vai chutar (e marcar), Laércio chega e corta, Ferreira cai… corta nada…  Laércio derruba Ferreira na área… PENALTI!!!!!!

A torcida santista não sabe se comemora ou se dá risada, gargalhadas… eu, por exemplo, chorava de rir nas arquibancadas do Morumbi.

Pelé vai para a cobrança… e  a vingança esta completa… gol de Pelé!

Acaba o jogo e adivinhem… os corintianos partem para cima de Scolfaro, a torcida invade o gramado do Morumbi… enfim, o tradicional vexame do rival…

Os dirigentes de Parque São Jorge tiram o clube do campeonato (durou 2 horas, se tanto, a saída)… pedem a anulação da partida… os dirigentes santistas respondem: “Podem marcar outra partida… nas duas últimas marcamos sete gols e não tomamos nenhum… querem jogar de novo? Jogamos… fazemos os 7 num jogo só…”

Não é necessário dizer que tudo ficou por isso mesmo…

Veja aqui, no vídeo produzido pelo Wesley Miranda (a quem agradeço pela inestimável colaboração), os dois jogos do Peixe contra o Corinthians, pelo Paulistão-73:

No dia seguinte da partida foi descoberto que o dinheiro da arrecadação do clássico havia “sumido” dos cofres de Vila Belmiro, cerca de Cr$ 200.000,00…    um mistério policial até hoje não resolvido.

Para um clube que havia perdido o Parque Balneário no ano anterior, por falta de pagamento, depois de pagar a metade (+ou –  Cr$ 5.000.000,00), uma beleza!

Voltando ao Campeonato Paulista, dois empates por 0x0 (Juventus e São Paulo) e mais uma vitória (1×0 sobre o América) colocam cara a cara Santos e Portuguesa, que lideravam o returno. Uma final antecipada (mais uma) no Pacaembu., e 45.000 torcedores viram a Lusa vencer o alvinegro. Lusa que caminhava para a final.

As quatro partidas seguintes foram apenas para cumprir tabela… campanha do 2º turno:

08/07 – Botafogo FC  2×0 (VB)

15/07 – EC São Bento – 1×0 (VB)

22/07 – SC Corinthians P – 1×1 (Morumbi)

26/07 – CA Juventus – 0x0 (Pacaembu)

29/07 – São Paulo FC – 0x0 (Morumbi)

05/08 – América FC – 1×0 (SJRP)

08/08 – A Portuguesa D – 0x1 (Pacaembu)

12/08 –  SE Palmeiras – 0x1 (Morumbi)

15/08 – Guarani FC – 1×0 (VB)

19/08 – AA Ponte Preta – 1×2 (Moisés Lucarelli)

22/08 – A Ferroviária E – 1×1 (Araraquara)

E finalmente a final:

Santos x Portuguesa. Possivelmente o último título de Pelé. Recorde (da época) de público no Morumbi 116.568 pessoas.

Melhor que descrever, é ver as imagens:

Com o título dividido, ficou um gosto meio estranho na boca dos santistas. Pelé foi novamente artilheiro do Campeonato Paulista.

Mal terminara o Paulista, começava o Nacional.

Nacional de 73 que já tinha virado um monstrengo de 40 clubes!!!

Quarenta clubes divididos em dois grupos de 20… depois um “2º turno” com a formação de 4 grupos regionalizados de 10 equipe. Somavam-se os pontos dos “2” turnos e os 20 melhores passavam à fase seguinte. Nesta fase, novamente os clubes seriam divididos em 2 grupos, jogos em tuno único, e os dois melhores de cada grupo disputariam o quadrangular final em turno único.

As novidades eram muitas: Um representante de Santa Catarina (Figueirense), Espírito Santo (Desportiva),  Mato Grosso (Comercial de Campo Grande), Goiás (Goiás EC), Distrito Federal (CEUB), Maranhão (Moto Clube), Piauí (Tiradentes) além disso São Paulo e Guanabara receberam mais uma vaga (Guarani e Olaria), Paraná (Atlético Paranaense), Pernambuco (Sport), Ceará (Fortaleza), Amazonas (Rio Negro) e Pará (Paissandu). O representante do Rio Grande do Norte foi trocado (ABC pelo America).

O Santos ficou num grupo com: Grêmio, Atlético Paranaense, Guarani, Palmeiras, Olaria, Flamengo, Vasco, Desportiva, Atlético Mineiro, Vitória, Sergipe, Náutico, Santa Cruz, América (RN), Ceará, Remo, Rio Negro, Goiás e Comercial (MT).

No “2º turno”, seria contra: Grêmio, Internacional, Coritiba, Atlético Paranaense, São Paulo, Palmeiras, Guarani, Corinthians, Portuguesa.

O Santos começou de ressaca pela decisão contra  Portugesa e perdeu alguns pontos, mas foi obtendo a recuperação aos poucos, classificando-se em 4º lugar.

Campanha:

29/08 – 0x2 EC Vitória – Fonte Nova – 41.596

02/09 – 0x0 SE Palmeiras –  Morumbi – 7.313

05/09 – 0x0 Grêmio FPA – Pacaembu – 8.716

09/09 – 1×0 CR Flamengo – Maracanã – 48.397 – Pelé x Zico

12/09 – 0x1 Comercial EC – Pedro Pedrossian – 27.472

16/09 – 2×0 C Atlético Paranaense – Belfort Duarte – 27.456

19/09 – 0x0 C Atlético Mineiro – Mineirão – 49.388 pagantes + 4.882 gratuitos (54.270 total) – Pelé x Reinaldo

23/09 – 0x2 Ceará SC – Presidente Vargas – 31.174

26/09 – 6×1 América FC – Castelo Branco (Natal) – 41.736

30/09 – 3×0 C Náutico C – Arruda – 38.225

03/10 – 3×0 CS Sergipe – Lourival Batista – 13.109

07/10 – 2×3 Santa Cruz FC – Arruda – 39.917

14/10 – 1×1 CR Vasco da Gama – Maracanã – 44.590

17/10 – 0x0 Goiás EC –  Pedro Ludovico – 25.539

21/10 – 1×2 Olaria AC – Vila Belmiro – 5.940 – Depois de anos (desde 1963), o SFC retorna a Vila Belmiro numa competição organizada pela CBD.

24/10 – 3×1 A Desportiva FVRD – Engenheiro Araripe – 9.197

27/10 – 1×1 A Rio Negro C – Vivaldo Lima – 23.573

31/10 – 1×1 C Remo – Evandro de Almeida – 14.452

04/11 – 3×2 A Portuguesa D – Pacaembu – 40.248 – O Grande tira-teima… Gol ESPETACULAR de Pelé

“2º turno”

11/11 – 1×0 C Atlético Paranaense – Belfort Duarte – 26.225

14/11 – 1×1 Guarani FC – Brinco de Ouro – 22.618

18/11 – 2×1 Coritiba FC – Belfort Duarte – 27.141

24/11 – 0x1 SC Corinthians P – Pacaembu – 64.291

28/11 – 2×0 SC Internacional – Beira-Rio – 44.840 – Pelé x Falcão… o menino de ouro tinha muito o que aprender…

01/12 – 0x0 A Portuguesa D – Pacaembu – 17.207

08/12 – 1×1 SE Palmeiras – Morumbi – 40.775

12/12 – 4×0 Grêmio FPA – Pacaembu – 17.246

17/12 – 1×0 São Paulo FC – Morumbi – Portões abertos (estimado em 30.000 pessoas). Essa partida deveria ter sido realizada em 16/12, sendo adiada pelas chuvas… no dia 16 haviam sido vendidos 15.432 ingressos.

O Santos foi o melhor ataque da competição na fase preliminar, fazendo jus a um prêmio de Cr$ 50.000,00 oferecido pela CBD.

Durante o 2º turno, o Santos aproveitou e realizou dois importantes amistosos: contra  a Seleção do Chile e contra o Huracán (Campeão Argentino)

Contra o Chile, a partida é cheia de lendas, histórias envolvendo, sangue, sofrimento e muitos gols.

Quer conhecer essa história? Então, clique aqui: http://prof-guilherme.capesp.org/?p=35

Foto: candidoneto.blogspot.com
Foto: candidoneto.blogspot.com

Fichas técnicas

02/04/1972 Santos FC 3×0 Alagoinhas Atlético C (Alagoinhas)

Local: Antonio Carneiro - Alagoinhas (BA) – amistoso

Renda: Cr$ 97.000,00

A: Nei Andrade

Gols: Alcindo 51′, 75′ e 85′

SFC: Cejas, Carlos Alberto Torres, Vicente, Oberdan e Zé Carlos; Clodoaldo (Léo Oliveira) e Afonsinho; Manoel Maria (Adilson), Alcindo, Edu e Ferreira

Técnico: Mauro Ramos de Oliveira

AAC: Bruno; Hélio, Enio, Silva e Cachinguelê; Catu e Sabará; Mané Garrincha (Dida), Dedé (Nenê), Tóia e Moraes.

Técnico: Pinguela

Garrincha jogou 45’ pelo Alagoinhas AC. Estádio lotado. O Prefeito de Alagoinhas, Murilo Cavalcante, totalmente bêbado tentou agredir o árbitro… foi contido pelos atletas dos dois times…

Estádio do Alagoinhas (Fonte: ibahia.com)
Estádio do Alagoinhas (Fonte: ibahia.com)

29/04/1972 Santos FC 1×0 SSC Napoli (ITA)

Local: San Paolo – Nápoles (ITA)

Competição: Amistoso

Público: 20.000

A: Latanzi

Gol: Alcindo (2º tempo).

SFC: Cejas, Orlando Lelé, Ramos Delgado, Oberdan e Zé Carlos; Afonsinho e Clodoaldo; Antenor, Alcindo, Pelé e Edu (Ferreira) .

Técnico: Jair Rosa Pinto

SSCN: Trevisan; Pogliana, De Gennaro (Perego), Zurlini (Martella) e Vianello; Perego (Monte Fusco) e Manservisi; Julano, Sormani (Machi), Pinceli e Improta (Esposito).

SFC teve três penaltis assinalados a seu favor.

Na 1ª cobrança, Afonsinho bateu e perdeu; No 2º, Pelé bateu, deu a paradinha e marcou. Porém, o árbitro italiano (Ricardo Lartanzzi) anulou o gol, alegando irregularidade na “paradinha”; E no 3º, novamente cobrado por Pelé, a bola foi por cima do travessão.

05/07/1972 Santos FC 4×2 Toronto Metros (CAN) -

Local: Varsity Stadium – Toronto (CAN)

Competição: Amistoso

A: Jim Hoghet

Expulsão: Miguel (TM) expulso

Gols: Nenê (2), Pelé e Zé Carlos – Perechon e Barison

SFC: Cejas (Cláudio), Orlando Lelé, Vicente, Paulo e Zé Carlos; Léo Oliveira e Afonsinho (Nenê); Jader, Alcindo (Adílson), Pelé e Edu (Ferreira) .

Técnico: Jair Rosa Pinto

TM: Howard; Tony, Brian, Tabbot e Tony; Bobby e Ian; Gus, Miguel, José e Paulo.

Gol nº 1000 de Pelé pelo SFC.

23/11/1972 Santos FC 0x0 CR Flamengo (Rio de Janeiro)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Nacional (Campeonato Brasileiro)

Renda: Cr$ 131.812,00

Público: 18.381

A: Agomar Martins

SFC: Cláudio; Orlando Lelé, Carlos Alberto Torres (Paulo), Vicente e Zé Carlos; Clodoaldo e Brecha; Jair da Costa (Adilson), Nenê, Pelé e Edu

Técnico: Pepe

CRF: Renato; Moreira, Chiquinho, Fred e Rodrigues Neto; Liminha e Paulo César Caju; Fio, Caio (Zico), Doval e Arílson (Mineiro).

Técnico; Zagalo

Primeiro encontro entre Zico e Pelé numa partida de futebol…

26/11/1972 Santos FC 4×0 SC Corinthians P (São Paulo)

Local: Morumbi – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Nacional (Campeonato Brasileiro)

Renda: Cr$ 437.966,00

Público: 58.715 pagantes + 361 gratuitos (59.078 total)

A: Armando Marques

Gols: Clodoaldo 55′, Nenê 68′ e 71′ e Edu 74′

SFC: Cláudio; Orlando Lelé, Carlos Alberto Torres, Vicente e Zé Carlos (Turcão); Clodoaldo e Brecha; Jair da Costa, Nenê, Pelé e Edu

Técnico: Pepe

SCCP: Ado; Zé Maria, Vágner, Luis Carlos (Baldochi) e Pedrinho; Tião e Rivelino; Paulo Borges, Sicupira, Mirandinha e Marco Antonio (Aladim).

Técnico: Duque

Camisas listradas

Um baile, um massacre no 2º tempo… em meia hora o Santos triturou o Corinthians… gol de Edu uma pintura…