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Pelé no esporte espetacular

Amigos,

Pelé foi sem dúvida o maior jogador de futebol de todos os tempos. Tive o privilégio de ver Pelé em campo, ao vivo. Estava em final de carreira, é verdade, mas pude testemunhar algumas genialidades do REI.

Neste domingo, o “esporte espetacular”, apresentou uma bela matéria sobre Ele: Pelé parando guerras.

Conhecia a história passada na África, mais precisamente na Nigéria, em 1969, durante a Guerra da Biafra. As outras duas apresentadas no programa, não conhecia.

A matéria é muito boa… enquanto se fala de futebol. No final, Pelé dá uma declaração política (aí, ele esta mais para Zoca do que para Pelé)… mas a reverência à sua majestade é no plano do futebol. E no futebol, Pelé merece as mais diversas reportagens.

Leia a matéria : http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2010/11/comandante-da-paz-historias-em-detalhes-que-fazem-de-pele-um-idolo.html

Pelé, 70 anos

fonte: da internet

Amigos, Pelé (o maior de todos) completou 70 anos.

Histórias relativas ao Rei do futebol já foram amplamente divulgadas, sendo muito difícil acrescentar algo mais.

Mesmo assim, é possível divulgar passagens pouco conhecidas ou esquecidas do fantástico camisa dez.

Primeiro, deixar bem claro que Pelé só pôde ser Rei pois atuou no Santos FC. Clube que não tinha receio (e continua não tendo) de colocar um menino de 16 anos como titular da equipe.

Uma passagem bem interessante de Pelé pelo Santos FC ocorreu no ano de  1972, ocasião que a presença de Pelé é comparável a “Beatlemania” dos anos 60…

Segue a matéria:

É porque multidões ele foi arrastar

O primeiro desses acontecimentos deu-se na Inglaterra. Partida contra o Aston Villa, em Birmingham. Um frio de rachar e os mineiros ingleses entram em greve.

O Santos jogaria a noite e não haveria luz para a iluminação do estádio. Porém os ingressos já estavam vendidos e não seria possível adiar a partida. A solução encontrada pelos dirigentes foi o aluguel de potentes geradores para a iluminação. Potentes, em termos, pois o campo ficou um tanto escuro, a tal ponto que Ele, o Rei, interrompeu a partida para reclamar da iluminação.

Pelé tinha o poder de paralisar uma partida de futebol, na terra dos inventores do esporte! Os ingleses sabem reconhecer o poder da realeza…

Uma semana depois, estaria em Dublin, capital da República da Irlanda. Pela primeira vez a constelação de craques santistas pisava o solo irlandês. O adversário seria um combinado das duas principais equipes de Dublin, o Bohemians FC e o FC Drumcondra. Estádio lotado, com a presença do Primeiro Ministro da Irlanda, Jack Linch. O resultado foi uma vitória por apertados 3×2, mas o destaque foi a euforia dos irlandeses em ver Pelé e o Santos FC, tanto que logo após o 3º gol santista (de Alcindo “Bugre Xucro”, aos 87′), o árbitro encerrou a partida, pois o público invadira o campo.

Para protestar?

Não, claro que não.

Invadia o campo para tentar abraçar Pelé. Pelé que deu um pique de uns 100 metros para escapar ileso da multidão enlouquecida.

Em Bruxelas, no compromisso seguinte, os belgas repetem as mesmas cenas de euforia. O Santos enfrentaria o tradicional Anderlecht, e o estádio lotou novamente. O público era tão grande que os muros foram derrubados e uma multidão assistiu a partida literalmente na beira do campo. Para tranquilidade e segurança de todos, a partida terminou em 0x0…

Em Roma, dois dias depois, a mesma loucura. Os promotores da partida esperavam um bom público, mas na hora do jogo uma multidão não esperada rondava o Olímpico de Roma. Ingressos vendidos foram 42.000, mas para evitar problemas liberaram o acesso ao estádio e umas 25.000 (!!!!) pessoas invadiram as arquibancadas. Todos querendo ver o Santos e Pelé.

Ainda teve Istambul, Turquia. Abrindo um novo mercado, o Peixe chega na cidade turca, portão de entrada da Ásia (ou da Europa?). O resultado foi novamente um estádio lotado e outra aula de futebol dada pelos artistas santistas, na vitória por 6×1 sobre o Fernerbach SC.

No Japão, cenas semelhantes, O Santos enfrenta a Seleção Japonesa com a presença de parte da família imperial no estádio, e os torcedores japoneses – eufóricos com a presença da “divindade do futebol” – invadem a gramado ao final da partida .

O mesmo aconteceu em Port of Spain, em Trinidad & Tobago, no Caribe. Num estádio para 30.000 pessoas, 50.000 torcedores abarrotam as arquibancadas. O estádio não tinha iluminação e  a partida durou apenas 1 hora. Ao final do encontro, novamente os torcedores invadiram o gramado e sairam com Pelé nos ombros pelas ruas de Port Spain. Pepe (na ocasião, Técnico da equipe) conta que todos ficaram apavorados, pois não sabiam o destino de Pelé… somente depois de mais de meia hotra é que os dirigentes santistas localizaram Pelé e o trouxeram de volta à delegação…

Qual o jogador de futebol é capaz de provocar tanta alegria e entusiasmo nos dias de hoje?


Uma história do Santos FC: Quando o alvinegro humilhou Pinochet.

Amigos,

Vou aproveitar o espaço do blog para contar algumas passagens da história do alvinegro de Vila Belmiro, o Santos FC. São histórias baseadas num dos maiores arquivos de jogos do Santos FC… modestamente, o meu… um arquivo continuamente atualizado a mais de 30 anos.

Começaremos pelo “dia que o Santos derrubou Pinochet”.

Que o Santos já foi capaz de interromper guerras civis, de provocar faltas coletivas ao trabalho, ou “fechar o comércio”, todos os santistas conhecem. Mas, uma história pouco comentada é aquela que o Santos FC provocou a humilhação do sanguinário Ditador Chileno, o General Augusto Pinochet.

O caso inicia-se em 1973, mais precisamente em 11 de setembro de 1973, quando Pinochet lidera o bombardeio ao Palácio Presidencial Chileno, provocando a morte do Presidente eleito livremente pelo povo chileno, o socialista Salvador Allende. Com o golpe, os militares executam um plano de prisões e mortes em massa dos aliados do Governo legalmente constituído, chegando ao cúmulo de manter mais de 5.000 pessoas presas (algumas fontes indicam até 10.000 pessoas) no lendário Estádio Nacional de Santiago.

Nesse estádio, em 1962, a Seleção Brasileira tornava-se bi-campeã mundial (com Gilmar, Mauro e Zito em campo, mais Mengálvio, Coutinho, Pepe e Pelé –  contundido – no banco),  e onde o Santos já havia sido campeão dos hexagonais de 65 e 70, além do octogonal de 1968.

Na mesma época estavam sendo jogadas as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1974,  e pelo capricho dos deuses do futebol, a tabela marcava: Chile x U.R.S.S.

Local: Estádio Nacional de Santiago.


Mesmo após empatar por 0x0 em Moscou, a forte Seleção Soviética poderia vencer o bom time chileno de Figueroa e Cazsely, em Santiago.
Porém, os dirigentes soviéticos recusavam-se a jogar num estádio transformado em campo de concentração, onde os militares chilenos prenderam, torturaram e mataram (no centro do gramado,  4 em 4 presos de cada vez) intelectuais, artistas, sindicalistas, socialistas e comunistas, entre eles o compositor Victor Jara (que além de compositor, era músico, teatrólogo, jornalista e comunista).

Victor Jara teve as mãos amputadas durante as torturas sofridas e foi morto a tiros, no interior do Estádio Nacional.

Os soviéticos afirmavam que jogariam em qualquer lugar no Chile, menos no Estádio Nacional de Santiago.

O Presidente da FIFA, o inglês Sir Stanley Rous, nem quis ouvir os argumentos soviéticos e manteve o jogo no Estádio Nacional.

A União Soviética prometeu e cumpriu: não viajou até Santiago. Sendo assim, o Chile iria classificar-se para a Copa da Alemanha sem jogar, como de fato, aconteceu.

Mas, os dirigentes da Federação Chilena de Futebol, em sintonia com os militares golpistas, queriam uma festa para celebrar a vitória do Chile frente aos “comunistas soviéticos”. E para não ficar sem futebol, convidaram o Santos FC para enfrentar o Selecionado Chileno, com a TV local transmitindo para a Europa e América.

Por um bom punhado de dólares (30.000 dólares americanos), os dirigentes santistas aceitaram o amistoso, e a delegação do alvinegro praiano seguiu viagem para Santiago.

Lá chegando, o Santos entrou no então sinistro estádio Nacional de Santiago.

Apenas 25.000 presentes (os tempos não eram favoráveis a grandes aglomerações, e o comparecimento ao estádio Nacional poderia trazer recordações nada agradáveis à boa parte do povo chileno). Os santistas, alheios aos problemas políticos, defendiam a imaculada camisa branca contra “la roja” (como a seleção chilena é conhecida).

Para o desgosto do ditador Pinochet, o jogo terminou com uma grande goleada santista – 5×0, estragando a festa preparada pelos cartolas e militares Chilenos e sendo uma saborosa vingança daqueles que abominam a violência e a brutalidade (lembrando episódio semelhante acontecido em Berlim, nas Olimpíadas de 1936, onde o atleta negro Jesse Owens ganhou medalha de ouro nas provas de atletismo, com Hitler no estádio).
Interessante saber que a imprensa brasileira pouco divulgava os motivos soviéticos, insistia que seria por meros caprichos políticos, por não concordar com o governo chileno. Era uma época de censura nos meios de comunicação, além do fato de que o regime de Pinochet era simpático aos militares brasileiros…

Os dirigentes da Federação Chilena pretendiam homenagear o Rei do Futebol… e Pelé não jogou pelo Santos FC nesse dia, alegou uma contusão. Ou será que se recusara a participar de tal evento?

Bom, se não pôde ou se não quis, apenas o Rei do Futebol poderá esclarecer.

O que fica para nós, santistas, é que além golear uma das principais seleções da América do Sul, o Santos FC humilhou e estragou a festa preparada ao Ditador, para a alegria daqueles que gostam de futebol, da liberdade e da vida.

Segue a ficha técnica da partida:

21/11/1973 Santos FC  5×0 CHILE
Local: Estádio Nacional – Santiago (CHIL)
Competição: Amistoso
Público: 25.000
Árbitro: Rafael Hormozabal
Gols: Nenê 21′ e 38′, Edu 26′ e Eusébio 29′ e 65′
SFC: Cejas; Hermes, Marinho Perez, Vicente e Roberto; Carlos Alberto Torres e Leo Oliveira (Nelsi); Mazinho, Eusébio, Nenê (Cláudio Adão) e Edu.
Técnico: Pepe
CHILE: Olivares; Machuca, Figueroa, Quintano e Arias; Rodriguez e Valdez (Yavar); Reinoso, Cazsely, Ahumada e Crisosto (Velez).

E para encerrar, um pequeno trecho (já traduzido à Língua Portuguesa) do último poema escrito  por Victor Jara, feito no interior do Estádio Nacional, pouco antes de ser assassinado:


“Somos cinco mil
nesta pequena parte da cidade.
Somos cinco mil.
Quantos seremos no total,
nas cidades e em todo o país?
Somente aqui, dez mil mãos que semeiam
e fazem andar as fábricas.


Quanta humanidade
com fome, frio, pânico, dor,
pressão moral, terror e loucura!


Seis de nós se perderam
no espaço das estrelas.
Um morto, um espancado como jamais imaginei
que se pudesse espancar um ser humano.
Os outros quatro quiseram livrar-se de todos os temores
um saltando no vazio,
outro batendo a cabeça contra o muro,
mas todos com o olhar fixo da morte.


Que espanto causa o rosto do fascismo!”