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Surge Pelé e a seleção brasileira perde o complexo de vira latas

Amigos santistas, dando continuidade ao primeiro texto (http://prof-guilherme.capesp.org/archives/4515), vamos conhecer mais 25 curiosidades, agora no período 1954/1962.

Capítulo II

Evaristo Macedo (quando jogador e como técnico)

Assim como em 1954, novamente o Brasil teve que  disputar as eliminatórias para a Copa da Suécia. E Oswaldo Brandão, que comandou o alvinegro no vice-campeonato paulista de 1948 foi o técnico da Seleção (1). Enfrentando o Peru em duas partidas, o Brasil elimina o concorrente sul-americano e segue para Estocolmo. Em campo, Evaristo de Macedo, que também seria técnico do Santos FC em 1993 (2), atua pelo selecionado.

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A conquista definitiva da Taça Brasil

A conquista definitiva da 1ª Taça Brasil (50 anos)

A Taça Brasil, precursora do atual Campeonato Brasileiro, era a competição oficial da CBD que reunia os campeões estaduais para definir o Campeão Brasileiro. Disputado em sistema eliminatório em melhor de três pontos (com as vitórias valendo dois pontos), tinha em seu regulamento que o clube que vencesse em três ocasiões (consecutivas ou não) levaria o Troféu em definitivo, em semelhança a Taça Jules Rimet.

O Santos FC vencedor da Taça em 1961 e 1962 partia para o Tricampeonato em 1963. No entanto, por conta do calendário brasileiro da época, a Taça Brasil de 1963 avançou no calendário civil e terminou apenas em 1964, quando foram disputadas as fases finais da competição.

Como campeão do ano anterior, o alvinegro entrou direto na fase de semifinais, em janeiro de 1964.

O adversário seria o forte Grêmio Porto-alegrense (que havia eliminado o Metropol – SC e o Atlético Mineiro).

A tabela indicava que o Peixe teria que se deslocar até Porto Alegre e encarar o tricolor gaúcho. O estádio Olímpico (atualmente demolido) recebeu um público recorde de 50 mil pessoas, e os torcedores testemunharam a maior apresentação de um time de futebol no Rio Grande do Sul até então.

Com Coutinho e Pelé fazendo diabruras em altas dosagens, o SFC venceu por 3×1. A partida foi muito disputada e o Grêmio abriu o placar logo no início do 1º tempo. Mas naquela noite, os craques santistas mostraram porque eram bicampeões mundiais. Jogadas inesquecíveis, como a tabelinha de cabeça de Coutinho e Pelé da intermediária até a área tricolor e um show de bola durante os 90 minutos provocaram os aplausos de uma multidão embevecida ao final do espetáculo.

Na partida da volta num Pacaembu lotado, mais um jogo alucinante. Pepe abre a contagem num canhão de falta logo aos 6 minutos. E surpreendentemente, Paulo Lumumba vira a partida e o valente Grêmio faz três gols em 10 minutos!

O Pacaembu, atônito, via o Grêmio abrir 3×1.

Mas o Santos tinha o Rei do Futebol… E Ele marca outras três vezes e vira novamente o Placar: 4×3.

No entanto, logo após o quarto gol santista, Gylmar é expulso de campo por ofensas ao árbitro. O tricolor teria 5 minutos para conseguir outra proeza no mesmo dia… Naquela época era permitida apenas uma substituição (que havia sido realizada com a entrada de Joel Camargo para dar jeito na defesa), e assim algum jogador  de “linha” deveria assumir o cargo de goleiro.

E lá foi Pelé para o gol…

O Grêmio partiu para o abafa…

A defesa santista fazia de tudo para impedir as conclusões das jogadas do ataque gaúcho. Nas poucas ocasiões que furaram o bloqueio santista encontraram Pelé!

fonte: www.acervosantista.com.br

O Rei realizou algumas defesas, entre elas a antecipação num cruzamento que poderia resultar numa jogada perigosa no interior da área santista.

E foi com Pelé no gol que o Santos segurou o 4×3 e classificou-se para as finais.

Após a partida, os santistas viram a  tabela e leram: Bahia!

Os baianos já não causavam arrepios como em 1959 ou 1961. Mesmo assim impunham respeito, pois para chegar até a final eliminaram o Ceará, o Sport Recife e nada menos que o Botafogo, com todos os seus craques.

A primeira partida da final foi no Pacaembu.

Com um novo uniforme e com Pepe barbarizando na esquerda, o Peixe goleou o campeão baiano por 6×0!

Na partida de volta, recorde de renda na Bahia e trinta e cinco mil baianos esperavam um novo milagre do Senhor do Bomfim para vencer o Santos e provocar uma 3ª partida (pelo regulamento, bastava um simples 1×0 para que houvesse um jogo extra, não havia decisão por saldo de gols).

Porém o Santos tinha aprendido a lição de 1959 e com um gol em cada tempo não deu chances para a zebra e conquistou o tricampeonato brasileiro. Mais que isso, conquistou de maneira definitiva a “Taça Brasil”, que se encontra em exposição do Memorial das conquistas.

Foto: Wesley Miranda

Veja o vídeo produzido por Wesley Miranda com imagens da final, vale a pena:

https://www.youtube.com/watch?v=5vDRB5imbE8

Conheça a campanha da conquista da “Taça Brasil” (e do tricampeonato brasileiro):

16/01/1964 Santos FC 3×1 Grêmio FPA (Porto Alegre)

L: Olímpico – Porto Alegre (RS)

D: 5ª feira

Competição: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 21.327.000,00 (Recorde de renda no RS)

P: 50.000 (estimado) (Recorde de público no RS)

A: Eunápio de Queiroz

G: Coutinho 25′, Pelé 37′ e Coutinho 70′ – Paulo Lumumba 6′

SFC: Gylmar; Dalmo, João Carlos e Geraldino; Haroldo e Zito; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Batista.

Técnico: Lula.

Uniforme: Camisas brancas.

GFPA: Alberto; Valério, Airton, Aureo e Ortunho; Cleo e Milton; Marino (Madureira), Joãozinho, Paulo Lumumba e Vieira.

Técnico: Carlos Froner

19/01/1964 Santos FC 4×3 Grêmio FPA (Porto Alegre)

L: Pacaembu – São Paulo (SP)

D: Domingo

C: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 11.931.500,00

Pe (Público estimado pelo valor médio dos ingressos): 31.000

Árbitro: Teodoro Nitti (ARG)

Expulsão: Gylmar (SFC) expulso aos 41’ do 2º tempo (4×3)

G: Pepe (f) 6′ , Pelé (p) 30′, 58′ e (p) 85′ – Paulo Lumumba 9′ e 11′ e Marino 14′

SFC: Gylmar (Pelé); Dalmo, João Carlos (Joel Camargo) e Geraldino; Haroldo e Zito; Batista, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula.

Uniforme: Camisas brancas.

GFPA: Alberto; Valério, Airton, Aureo e Ortunho; Cleo e Milton; Marino, Joãozinho, Paulo Lumumba e Vieira.

Técnico: Carlos Froner

25/01/1964 Santos FC 6×0 EC Bahia (Salvador)

L: Pacaembu – São Paulo (SP)

D: Sábado

C: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 12.432.800,00

Pe: 33.000

Árbitro: Armando Marques

G: Pepe 7′ e 91′ Pelé (p) 28′ e (p) 87′, Coutinho 63′ e Mengálvio 81′

SFC: Gylmar; Ismael, Mauro e Geraldino; Haroldo e Lima; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula.

Uniforme novo: branco com listras verticais finas em preto

ECB: Nadinho; Hélio, Henrique, Roberto e Ivan; Nilsinho e Mário; Valença (Vermelho), Vevé, Hamilton e Biriba

Técnico: Geninho

28/01/1964 Santos FC 2×0 EC Bahia (Salvador)

L: Fonte Nova – Salvador  (BA)

D: 3ª feira

C: Campeonato Brasileiro (Taça Brasil 1963)

R: Cr$ 21.083.300,00 (Recorde de Renda na BA)

P: 35.365

Árbitro: Armando Marques

G: Pelé (f) 26′ e 85′

SFC: Gylmar; Ismael, Mauro e Geraldino; Haroldo (Joel Camargo) e Lima; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula.

Uniforme: Camisas brancas

ECB: Nadinho; Hélio, Henrique, Roberto e Russo (Ivan); Nilsinho e Mário; Miro, Vevé, Hamilton e Biriba

Técnico: Geninho

SFC Tricampeão da Taça Brasil 61/62/63. O Santos FC conquista de maneira definitiva a “1ª Taça Brasil”


A confirmação de Diego e Robinho (2003)

Santistas de todo mundo, uni-vos!

Depois da apoteótica conquista do Brasileiro de 2002, parecia que não haveria limites para o alvinegro praiano. A base do time era mantida, e se Alberto e Robert deixavam o clube, Ricardo Oliveira era um reforço de grande peso para o ataque santista.

Confiante, o torcedor santista esperava por títulos em 2003… Paulista, Brasileiro, Libertadores ou mesmo a neófita Copa Sul-Americana. Continue lendo

1990: Collor assume, o dinheiro some e o Santos sobrevive.

Santistas de Todo Mundo, uni-vos!

O Campeonato Paulista de 1990 começou em janeiro, e nem houve tempo para partidas de pré-temporada.

Quem comandava o SFC era José Macia, o Pepe, que na ausência de grandes recursos teria que usar os atletas da categoria de base. Desta forma, sobem para o time titular os defensores Camilo e Flavinho, o volante Axel, e o meia atacante Sergio Manoel. Chulapa estava de volta, assim como o zagueiro Márcio Rossini e a única contratação era o meia Gilmar, vindo do CR Flamengo. Eram mantidos o goleiro Sérgio Guedes, o volante César Sampaio e o goleador Paulinho McLaren.

O time não era ruim, mas ainda longe de disputar títulos… provavelmente faria uma campanha melhor que nos anos de 87, 88 e 89.

E a torcida desconfiada não comparecia… tanto que o público acima de 10.000 só aconteciam em clássicos… é claro que as condições econômicas contribuiram também… afinal, logo na posse de Collor (15/03/1990), houve o confisco do dinheiro da poupança em nome do combate à inflação…. e do dia para noite, o dinheiro sumiu…. depois o que sumiu foi o emprego e cerca de 1.000.000 de brasileiros ficaram desempregados…. cuja causa estava (além da falta de dinheiro para investimentos) na desastrosa política de abertura do mercado para as importações (a propaganda governista falava que os automóveis fabricados no Brasil eram carroças e passamos a importar  carros russos, como o Lada e o Niva…)

Não é necessário dizer que o SFC sofreu, junto com a população brasileira, com a falta de dinheiro…. se antes dependia da presença da torcida para financiar o clube, sem torcida os investimentos eram quase nulos…

E aquela geração de atletas da base não era de craques como em 78… e a campanha santista foi apenas mediana.

O campeonato Paulista de 1990 foi outro prodígio da imaginação da cartolagem…. eram 24 clubes divididos em dois grupos de 12 equipes. Um grupo “forte” (os 12 melhores de 1989) e um outro “fraco”. No “1º turno” os jogos eram de um grupo contra outro, e no “2º turno”, dentro do mesmo grupo. Os 7 melhores do grupo dos fortes passavam para a 3ª fase, junto com os 5melhores do grupo “fraco”. Os 12 desclassificados foram divididos em duas séries de 6 equipes que jogando dentro da mesma série em turno e returno, disputavam mais duas vagas para a 3ª fase.

Por incrível que pareça, o São Paulo FC conseguiu ficar fora dos 7 classificados, foi para a repescagem e … ficou de fora!   Desta forma, em 1991 o tricolor disputaria o Campeonato Paulista no grupo dos “fracos”… oficialmente não era uma segunda divisão, mas o sentimento do orgulhoso torcedor tricolor era como se o time tivesse sido rebaixado….

No Campeonato, dois grandes protagonistas no Santos: Serginho Chulapa e Kazuo!

Serginho Chulapa pela confusões que aprontou na competição… Numa delas foi contra o Juventus, na Vila. Naquela tarde, Chulapa era banco… e o alvinegro estava no 0xz0 contra a equipe da Moóca, Serginho entrou após o intervalo e aos 18 minutos abriu o marcador… aos 20 minutos o Santos amplia, 2×0. Aí,  Serginho deu o ar de sua graça… uma confusão e o árbitro expulsa três atletas, entre eles, Serginho… Não satisfeito, em ficar apenas 20 minutos em campo, Chulapa tentou invadir o vestiário do Juventus para agredir Albéris (que havia sido expulso  também). Ele jogou 31 partidas em 1990 e foi expulso em 4 ocasiões!

E Kazuo…

Ah, o Kazuo…

Ninguém levava a sério aquele japonês baixinho que se matava na ponta… aquele preconceito bobo que japonês não sabe jogar futebol… que só brasileiro sabe (no máximo alguns argentinos)… Kazuo tinha atuado no Santos anteriormente, passou pelo XV de Jaú e pelo Coritiba… mas gostava mesmo é de atuar com a camisa branca santista. Assim, vencendo a má-vontade e o preconceito, Kazuo buscou seu espaço… e Pepe, que sempre entendeu de futebol, sabia que podia contar com a raça e a personalidade de Kazuo.

FSP (30/04/1990)

E no dia 29 de abril,  Kazuo mostrou todo o seu talento… desmontou a defesa do Palmeiras e foi o principal nome do SFC na partida. Marcou um golaço e deu o passe para Paulinho McLaren fazer outro…

Dias depois, marcou mais um contra o Guarani, numa noite onde a torcida esgotou os ingressos na Vila Belmiro.

Veja gols de Kazuo:

Acompanhe os jogos do SFC na 1ª fase do Paulista de 1990:

EC São Bento – 0x0 (VB)

EC Santo André -1×0 (Santo André

EC XV de Novembro (Jaú) – 1×1 (VB)

A Ferroviária E – 0x0 (Araraquara)

Botafogo FC -1×1 (VB)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 0x1 (Piracicaba)

CA Juventus  – 2×0 (VB)

América FC -1×1 (SJRP)

Ituano FC -2×0 (VB)

GE Catanduvense  – 0x0 (Catanduva)

EC Noroeste  -2×1 (VB)

AA Ponte Preta – 0x1 (Moisés Lucarelli)

2º turno:

São Paulo FC – 0x1 (Pacaembu)

São José EC  -1×1 (VB)

A Portuguesa D – 0x0 (VB)

União São João  FC – 0x0 (Araras)

CA Bragantino – 0x2 (Bragança)

SC Corinthians P – 0x1 (Pacaembu)

AA Internacional – 3×2 (VB)

SE Palmeiras  – 2×1 (Morumbi)

Mogi Mirim EC – 1×1 (Mogi Mirim)

Guarani FC – 1×0 (VB)

GE Novorizontino – 0x0 (Novo Horizonte)

Com essa campanha o Peixe se classificou em 4º lugar em seu grupo e em 9º na classificação geral.

Antes de começar a 3ª fase, o alvinegro parte para um giro na Ásia.

Na agenda, a Super Copa Sul Americana, a ser disputada em Taiwan!

Numa viagem estafante que durou 4 dias, via costa Oeste dos EUA, o SFC chegou a Capital (Taipei ) na vépera de enfrentar o Estudiantes (Argentina) e o Nacional (Uruguai).

Depois de penar no percurso, do fuso horário, teve que encarar um fortíssimo temporal quando enfrentou o Estudiantes e venceu.

Em seguida, foi a vez do Nacional, empate e vitória nos pênaltis.

E, finalmente a decisão, contra o mesmo Nacional. Na partida 0x0, sendo necessária uma prorrogação. O Nacional saiu na frente (gol de José Garcia). Faltando apenas 4 minutos, bola levantada na área, Camilo sobe e manda de cabeça pra o gol uruguaio… Enorme confusão se instala no gramado… os jogadores do Nacional cercam o árbitro argentino alegando falta de Camilo no zagueiro uruguaio… o clima esquenta… as discussões mais ainda… o árbitro parte para cima dos uruguaios e agride os atletas uruguaios… a situação é tão caótica que os santistas pensam que o o gol pode ser anulado e se enfiam na confusão… o quebra pau torna-se generalizado… e a grande vítima foi o Troféu, que acabou quebrado. A partida é encerrada… mas, a confusão não. Dulcídio Wanderlei Boschila (convidado da delegação santista) parte para cima de Romualdo Arpi Filho (que bandeirava a partida) afirmando que Romualdo estava fazendo média com os uruguaios… e acabou saindo no tapa…

Tremendo barraco!

Três dias depois, os organizadores se reuniram e proclamaram Santos e Nacional campeões, e forneceram novas Taças para as equipes.

Campanha do SFC:

Estudiantes (Argentina) – 1×0 – Em Taipei

Nacional (Uruguai) – 1×1 (3×2 nos pênaltis) – Em Tainan

Nacional (Uruguai)- 0x0 (1×1 na prorrogação) – Em Taipei - SFC, Campeão da Super Copa Sul Americana

De Taiwan, foi até o Japão. Claro, a grande atração era Kazuo, que atuou  nas duas partidas:

Yamaha FC (Japão)  2×1 – em Iwata

PJM Futeres FC (Japão)  2×2 – em Hamatsu

Ao voltar par o Brasil, a Copa do Mundo já havia acabado… A seleção de Lazaroni havia sido eliminada pela Argentina, numa campanha da mais melancólicas em Copas do Mundo.

No Campeonato Paulista, a 3ª fase começava. Seriam dois grupos de 7 equipes, onde o campeão de cada grupo passava para a final. No grupo do SFCestavam: Bragantino, Corinthians, Botafogo, Ituano, Mogi Mirim e XV de Jaú.  Corinthians era o favorito e o Bragantino podia surpreender… e o Santos?

Bom, o Santos era uma incógnita… se Kazuo, Paulinho McLaren e Chulapa acertassem o pé, e Sergio continuasse a fazer os milagres no gol, podia até ser… mas seria muito difícil não perder pontos no interior e por consequência, alcançar a vaga.

Logo na 4 ª rodada, após perder para Corinthians e Bragantino, a vaga ficava bem distante… e mesmo não perdendo mais, ficou apenas na 3ª posição. Bragantino se classificou e decidiu o Campeonato  com o Novorizontino, fazendo a “final caipira”. Bragantino , cujo técnico era Wanderlei Luxemburgo, foi o Campeão.

Campanha:

Mogi Mirim EC – 1×1 (MM);0x0 (VB)

EC XV de Novembro (Jaú) – 1×0 (Santo André);1×0 (Jaú)

CA Bragantino – 0x2 (Bragança); 1×0 (VB)

SC Corinthians P – 1×3 (Morumbi); 0x0 (Pacaembu)

Botafogo FC -1×1 (Santa Cruz); 2×1 (VB)

Ituano FC – 2×1 (VB); 1×1 (Itu)

Depois de Campeonato Paulista, os tradicionais amistosos…

Quem visita a Vila Belmiro para um desses amistosos é a Universidad de Guadalajara, vice Campeã mexicana na temporada 89/90. Apenas 1.200 testemunhas viram o insosso empate de 0x0.

Segue para a Espanha para 3 jogos:

Ou melhor, segue para o País Basco onde enfrenta o Athletic Bilbao e depois mais duas partidas na Espanha, pelo Ramón Carranza.

A partida contra o Athletic Bilbao era festiva, tratava-se de uma homenagem ao ponteiro Argotte (502 partidas pelo clube Basco, foto ao lado). E o Peixe venceu por 2×0.

Quem fez sucesso, foi o zagueiro França, confundido com o holandês Ruud Gullit, foi alvo incessante de uma torcedora espanhola que queria um autógrafo do “Gullit” santista.

Na disputa do Troféu Ramón Carranza, venceu o Cádiz na disputa por pênaltis e levou a Taça “Ânfora Inclinada”.

A decisão  foi brasileira, contra o C Atlético Mineiro, e a Taça ficou com o Galo (0x1).

E mais uma disputa sem conquista, ficando apenas com a taça ganha em Taiwan.

Na volta já encarava o Brasileiro.

Campeonato que seria um pouco mais simples que a bagunça de 1989. Seriam 20 clubes em dois grupos de 10. No 1º turno, confrontos de um grupo contra outro; no 2º turno, apenas jogos no interior de cada grupo. Os campeões de cada turno em cada grupo estariam, classificados para as quartas de final, assim como os 4 melhores pontuados na soma dos dois turnos, independentemente de grupos. A parir daí os jogos seriam em mata-mata até a decisão final.

Almir. Esse chegou à seleção Brasileira.
Almir. Esse chegou à seleção Brasileira.

Para o campeonato Brasileiro, o Santos recebia o reforço de Edu Marangón, muito bom meia que surgiu na Portuguesa e vinha do Flamengo. Márcio Rossini tinha saído, assim como Kazuo e Chulapa era mais banco que titular, mas Pepe continuava comandando o time que ficava mais ofensivo e perigoso com a chegada de Almir, rápido ponteiro direito revelado pelo Grêmio.

No 1ºturno, o time não foi muito bem, ficando apenas na 6ª posição.

Mas, no returno…

Surpreendentemente, foi o Campeão do Grupo!

Apesar das duas derrotas, ficou na frente das outras 9 equipes, classificando-se para a fase final do Brasileirão… Uma campanha que nem os mais otimista dos santistas poderia conceber no início do campeonato.

Veja a campanha:

1º turno:

C Naútico C – 0x1 (Aflitos)

São Paulo FC – 1×0 (VB)

SE Palmeiras – 0x0 (Parque Antártica)

São José EC – 2×0 (VB)

Fluminense FC – 2×5 (São Januário)

CR Flamengo  – 0x0 (VB)

AA Internacional – 2×0 (Limeira)

Cruzeiro EC -1×1 (Mineirão)

Grêmio FPA – 0x0 (VB)

Vitória EC – 3×0 (VB)

2º turno:

A Portuguesa D – 1×0 (VB)

C Atlético Mineiro – 0x0 (VB)

EC Bahia – 1×0 (VB)

Goiás EC – 0x1 (Serra Dourada)

SC Internacional – 1×1 (Beira Rio)

SC Corinthians P – 0x1 (Pacaembu)

CA Bragantino – 3×0 (VB)

Botafogo FR – 2×1 (VB)

CR Vasco da Gama  – 2×2 (São Januário)

Durante o 2º turno, o Peixe disputava a Super Copa da Libertadores. E começou bem, empatando no Estádio Centenário com o Peñarol, em 0x0. Uma vitória simples colocava o alvinegro na fase seguinte. Apenas empatou na Vila, na partida de volat (2×2), e nos pênaltis foi eliminado. Uma pena…

Restava o mata-mata do Brasileirão…

O adversário seria o São Paulo de Telê Santana, Zetti, Cafu e Raí. Uma vitória era fundamental na Vila Belmiro, para tentar garantir o empate no Morumbi.

Como sempre, Telê reclamava de atuar na Vila… dizia que o Estádio não comportava um clássico daquela altura e outras coisas… falava da segurança e tal… mas, no fundo ele sabia que vencer o Peixe na Vila era tarefa das mais espinhosas…E numa partida cheia de equilíbrio, Mario Tilico conseguiu fazer um golzinho no final do 1º tempo… e mesmo com toda pressão santista, com um atleta a mais (Cafu foi expulso), não foi possível superar Zetti.

No Morumbi, o Santos foi para cima, arriscando tudo…

Logo aos 6 minutos Paulinho abre a contagem… e o time continuou no ataque… ao poucos o tricolor organizava seu jogo, mas Sérgio Guedes era uma barreira no gol santista… e foi assim, com muito equilíbrio, que a partida seguia… tanto o Santos podia abrir 2×0 e pavimentar sua classificação, como tricolor poderia empatar e derrubar o alvinegro… E aos 81′, o atacante Eliel empatou a contagem e terminou com os sonhos santistas… 1×1.

Veja os melhores momentos da partida:

O Brasil elege seu Presidente e Sócrates deixa o Santos FC… e a Fênix renasce.

Santistas de Todo Mundo, uni-vos!

O ano de 1989 é uma referência na história do Brasil,  pela 1ª vez desde 1960 os brasileiros poderiam eleger o Presidente da República… A economia do Brasil, novamente estava mergulhada em crise, o Plano Cruzado fracassara e uma nova moeda entra em circulação: o Cruzado Novo (NCz$). O povo sofre com a inflação alucinante, porém eram tempos de esperança. E com grande entusiasmo e a expectativa vivia-se a campanha eleitoral de 1989… E não seria por falta de candidatos para animar o processo… eram mais de duas dezenas. Exatamente 22… uma farra cívica/eleitoral… muitos eleitores faziam coleções de adesivos para automóveis… Poucas eram as coligações, a maioria dos Partidos lançou candidatura própria. A direita representada por Collor (PRN), Maluf (PDS), Afif (PL), Aureliano Chaves (PFL), Ronaldo Caiado (PSD), Eneas (PRONA)e Afonso Camargo (PTB). Na centro-esquerda havia: Lula (PT), Brizola (PDT), Gabeira (PV), Covas (PSDB), Ulysses Guimarães (PMDB), Roberto Freire (PCB) e Fernando Brant (PMN)… e, claro, os folclóricos: Marronzinho (PSP), Paulo Gontijo (PP), Zamir Teixeira (PCN), Lívia de Abreu (PN), Eudes Mattar (PLP), Antonio Pedreira (PPB), Manoel Horta (PDC do B) e Armando Corrêa (PMB)…

É engraçado ver essas divisões do campo político nos dias de hoje… era uma época mais radicalizada e as diferenças ideológicas eram evidentes.

A eleição foi pra 2º turno entre Lula e a Globo, digo, Collor, sendo eleito Collor…

No início era a festa da democracia. No 2º turno as posições se radicalizaram e o "pau quebrou" nas ruas em algumas oportunidades.
No início era a festa da democracia. No 2º turno as posições se radicalizaram e o "pau quebrou" nas ruas em algumas oportunidades.

No Santos FC foi uma época de crises…

A presença do Dr Sócrates rendiam convites para amistosos no exterior, e com todos os problemas, o alvinegro voltou às turnês Mundiais. Começou em fevereiro com 3 amistosos no Chile. Jogos em Concepción e Viña del Mar:

07/02 – 1×1 CDRA Fernandes Vial – Concepción  – Quadrangular – 5.845 presentes

09/02 – 1×0 Deportivo Concepción – Concepción – Quadrangular – 7.180 presentes

11/02 – 0x1 CD Everton – Viña del Mar – 4.089 presentes

Cada participação de Sócrates rendia U$ 2.000 ao Doutor…  O resultado final da excursão foi um tanto melancólica, recebeu apenas US$ 16.000 no lugar dos US$ 60.000 prometidos pela Sociedade dos Hemofílicos do Chile e da Associação dos Artistas Chilenos… além disso, o Técnico Marinho Perez abandonou o comando do SFC.

Sérgio Guedes chegou à Seleção Brasileira em 1990

Para o Campeonato Paulista, a direção providencia alguns reforços… o melhor deles era o goleiro Sérgio. Revelado pela Ponte Preta, foi um digno substituto de Rodolfo Rodrigues. Outros reforços também chegaram à Vila Belmiro: o lateral esquerdo Wladimir (ex Corinthinas) e os atacantes Juary e Aloisio Guerreiro retornavam ao Peixe.

Com Wladimir, Sócrates e Juary, o time seria muito forte… em 1979. Não em 1989.

Se o time não disputou o título, ao menos se equilibrou em inúmeros empates…

O Campeonato Paulista vinha cheio de “novidades”, era a fértil cabeça da cartolagem que funcionava a pleno vapor : vitória por 2 gols de diferença ou mais, 3 pontos; vitória por um gol de diferença, 2 pontos; empate com gols, 1 ponto para cada equipe; empate sem gols, decisão por pênaltis (ao vencedor um ponto, ao derrotado nenhum ponto).

Outra inovação era a formação de dois grupos, ambos de 11 clubes (um “forte” e outro “fraco”). No “1º turno” os times de um grupo enfrentavam os times do outro grupo; no “2º turno”, os confrontos eram dentro de cada grupo. No grupo forte, classificavam-se 8 equipes, e no grupo fraco, 4 equipes. As doze equipes seria  reagrupadas em 4 grupos de 3, o campeão de cada grupo passaria às semi-finais e os vencedores fariam as finais.

A Campanha Santista começou com um empate em Ribeirão Preto (1×1 com o Botafogo), nesta partida o Peixe recebeu o Troféu Peirão de Castro, jornalista esportivo falecido em 1989.

O início da participação foi uma decepção tremenda… derrotas vexatórias em plena Vila Belmiro (1×2 Catanduvense)… aos poucos o time foi se estabilizando e chegou a ficar 15 partidas invictas (claro, com muitos empates no meio).

Campanha do 1º turno:

Botafogo FC –  1×1 (Santa Cruz)

GE Catanduvense  – 1×2 (VB)

GE Novorizontino – 1×2 (Novo Horizonte)

AA Intrernacional – 1×1 (VB)

A Ferroviária E – 1×0  (VB)

EC XV de Novembro (Jaú) – 0x0 (4×5 pênaltis) – (Jaú)

Mogi Mirim EC – 0x0 (5×3 pênaltis) – (Mogi Mirim)

EC Noroeste – 1×2 (Bauru)

América FC – 3×0 (VB)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 0x0 (4×3 pênaltis) – (VB)

União São João FC – 0x0 (3×1 pênaltis) (Araras)

Antes de começar o 2º turno, mais um giro internacional. Agora, para o Caribe… no roteiro Jamaica e Ilhas Cayman.

Ilhas Cayman, um local nada agradável de visitar
Ilhas Cayman, um local nada agradável de visitar

Nas duas apresentações, a presença de Sócrates era obrigatória. E Sócrates atraia multidões…

Em Kingstow (Jamaica), 30.000 torcedores se acotovelaram para ver Sérgio  Guedes, Davi (Seleção Olímpica), Wladimir, César Sampaio e Sócrates, no empate por 1×1.

Na ilha de Grand Cayman, 2.000 pessoas ocuparam o estádio local para ver a exibição santista. Parece pouco, mas a população da ilha era de 20.000 pessoas… ou seja 10% de toda a ilha estiveram presentes no estádio … “Estádio”, modo de dizer, havia apenas uma pequena arquibancada com capacidade de 100 torcedores. Os organizadores precisaram colocar tapumes ao redor do campo, para evitar que as pessoas que passassem pela rua vissem a partida sem pagar…

Resultados:

16/04 – 1×1 Seleção da Jamaica

17/04 – 2×0 Seleção das Ilhas Cayman

Voltou ao Brasil após escala em Miami, para buscar a recuperação no 2º turno, onde enfrentaria os times mais fortes.

E o time desempenhou bem, ficando invicto…

CA Bragantino -1×0 (VB)

São José EC – 1×1 (SJC)

Guarani FC – 0x0 (5×3 pênaltis)  (Brinco de Ouro)

Santo André EC  – 0x0 (4×5 pênaltis) (VB)

SE Palmeiras – 1×1 (Morumbi)

SC Corinthians P – 0x0 (4×5 pênaltis) – (Pacaembu)

EC São Bento – 0x0 (5×4 pênaltis) – (Sorocaba)

São Paulo FC – 2×1 (Pacaembu)

A Portuguesa D – 1×0 (Canindé)

CA Juventus – 2×1 (VB)

Veja no vídeo abaixo, um gol belo de Sócrates, contra o América:

Na fase seguinte, o SFC disputaria uma vaga nas semi-finais com Mogi  Mirim e Corinthians. A tática era uma só: fechado na defesa e esperar um jogada genial de Sócrates ou um arranque de Juary…

Começou vencendo o Mogi (1×0), gol de Juary e empatou em zero com o Corinthians. O alvinegro paulistano havia vencido duas vezes o time do interior. Dessa forma a a partida do SFC em Mogi tomou ares de decisão… Apenas a vitória interessava ao alvinegro, no entanto ficou no empate (1×1), tomando o gol aos  89′. Restava uma última e derradeira esperança: vencer o Corinthians no Morumbi. Não foi possível… a série sem derrotas no tempo normal cai na última apresentação santista… SFC eliminado do Paulistão:

Mogi Mirim EC –  1×0 (VB); 1×1 (Mogi Mirim)

SC Corinthians P – 0x0 (Morumbi); 1×3 (Morumbi)

Fora das finais, parte em busca de uns trocados em Santa Catarina, enfrentando times de 2ª linha e perante públicos nunca acima de 3.000 pessoas:

Juary foi o artlheiro na excursão ao Sul do País, com 4 gols.
Juary foi o artlheiro na excursão ao Sul do País, com 4 gols.

1×1 AEC Iguaçu (União da Vitória) – União da Vitória (PR) –  Cidade que é divisa de Estado (Paraná/ Santa Catarina)

4×0 Guaycurus FC (Concórdia) – Concórdia (SC)

4×0 AD Joaçaba – Joaçaba (SC)

4×0 Videira EC – Videira (SC)

Com a crônica falta de gols, a direção traz mais um atacante: Roberto Cearense.

E será com Juary, Roberto Cearense, Sócrates, César Sampaio, Wladimir, Davi e Heriberto (Ex São  Paulo) que o alvinegro parte par o outro lado do planeta. Viaja até a misteriosa e fechada China!

China que se preparava para tornar-se a potência econômica que é hoje. China que dava os primeiros passos para quebrar a época de isolamento esportivo.

E o Santos FC foi convidado para divulgar o futebol brasileiro nas terras de Mao. Pela 1ª vez um grande clube brasileiro visitava a China. O Madureira (Rio de Janeiro ) havia jogado em 1964, mas foi só.

Os chineses fizeram de tudo para agradar e divulgar os brasileiros… A excursão santista era anunciada como a “Competição da Amizade”. E ao final de cada partida os melhores atletas do SFC em campo, eram premiados com finíssimos vasos de porcelana chinesa… um prêmio de uma riqueza cultural inestimável.

Nicanor de Carvalho (Técnico), Sócrates, Ernani, César Sampaio, Sérgio Guedes, Juary  receberam vasos semelhantes ao da foto.
Nicanor de Carvalho (Técnico), Sócrates, Ernani, César Sampaio, Sérgio Guedes, Juary receberam vasos semelhantes ao da foto.

O alvinegro atuou em diversas cidades chinesas, além de Honk Kong (pela 3ª vez – 1970, 1972 e 1989).

Conheça a campanha do SFC na China:

06/08 – 4×1 Seleção de Tianjim – Em Tianjim

09/08 – 1×0 Seleção Olímpica da China – Em Beijing

12/08 – 1×1 Seleção da China  – Em Daliam, com a inauguração do Estádio Local (Estádio do Povo de Daliam)

15/08 – 1×0 Shenyang Liaoning – Em Shenyang, com a inauguração do Estádio Wulihe

18/08 – 2×0 Seleção de Shangai -Em Shangai

21/08 – 2×1 Seleção de Hubei – Em Wuham

24/08 – 1×2 Seleção de Guangdong – Em Guangzo.  Partida com maior público na excursão (55.000 torcedores)

27/08 – 2×0 Double Flowers (HGK) – Em Hong Kong

29/08 – 4×0 Seleção de Fosham – Em Fosham. Aqui, o SFC recebeu a Fosham Cup

Após 20 dias na China , o time estava exausto… mesmo com toda gentileza dos dirigentes chineses, as diferenças culturais eram abissais, as hospedagens muitas vezes não eram das melhores e as viagens eram longas e cansativas… os atletas já estavam saturados das partidas… e para complicar, Sócrates cobrava publicamente a direção do clube, sobre os valores que deveria receber em cada partida internacional…  Cobrava os 2.000 dólares por partida que tinha direito, e que não recebia desde as partidas no Chile, em fevereiro.

Precisando de dinheiro, o SFC estica a excursão para a América do Norte… Sócrates desafia a direção e afirma que se o SFC não pagar o que deve, que ele abandonaria o clube.  E não deu outra… Sem receber o que estava previsto em contrato, Sócrates rescinde o seu contrato com o SFC e volta ao Brasil…

Sócrates realizou 46 partidas e marcou 14 gols. Mesmo jogando apenas o 1º semestre, foi o principal artilheiro em 1989.

Nas terras de Tio Sam, o Peixe realizou mais duas apresentações:

01/09 – 1×0 Boston Bolts (EUA) – Em Boston

02/09 -1×1 Alianza FC (El Salvador) – Em Washington (EUA)

Sem Sócrates, o alvinegro busca reforços para o Brasileirão – 89. E vários atletas chegam ao clube: Carlinhos (vindo do C Atlético Paranaense), Paulinho McLaren (vindo do Figueirense), o lateral-direito Ditinho (ex Palmeiras e Coritiba) e o meia atacante Jorginho. De todos o mais badalado era Jorginho… reconhecido como craque, carregava a triste sina de não ser campeão… 10 anos de Palmeiras comprovavam a tese…  e não seria naquele Santos, que Jorginho perderia o maldoso apelido de “Jorginho pé-frio”.

E o Campeonato Brasileiro apresentava novo regulamento: Os 22 clubes seriam divididos em dois grupos de 11. No 1º turno, jogos apenas dentro dos grupos. Oito times de cada grupo passariam para o 2º turno. Os 6 desclassificados fariam um “Torneio da Morte” para definir os 4 rebaixados para a 2ª divisão de 1990. No 2º turno, haveria o confronto entre os participantes de cada grupo. O campeão de cada grupo disputaria a final.

Havia o real temor que o SFC não passasse para o 2º turno…

E o time foi o mesmo do Campeonato Paulista, fechado na defesa esperando um milagre qualquer dos atacantes.

Nas 5 primeiras partidas marcou apenas um gol (Ernani, na derrota contra o Vasco – 1×2). Venceu apenas no compromisso seguinte, contra o Bahia (3×1) e voltou a perder.

Ao mesmo tempo, iniciava-se a Super Copa da Libertadores. E o SFC deveria enfrentar o Independiente. E não precisava conhecer muito de futebol  para saber que o Santos não teria chances frente ao Campeão Argentino. Tanto que apenas 2176 santistas compareceram à Vila para ver mais um derrota (1×2) e vaiar o time … Ernani, ficou irritado e ao final do 1º tempo (0x2), afirmava aos repórteres que não voltaria ao jogo em protesto às vaias… no final da partida o Peixe marcou um golzinho.

Na Argentina, uma derrota: 0x2, e novamente eliminado.

No Campeonato Brasileiro , uma partida decisiva na Vila  contra a Portuguesa. Torcida nervosa, e time mais ainda… arbitragem caótica e o SFC consegue arrancar um empate… Teve de tudo durante a partida, chuva de pedras (inclusive no bandeirinha) , invasão de campo, gol anulado de Roberto Dinamite (APD), dirigente da Lusa agredindo bandeirinha ao final da partida… um caos, e um empate suado em 1×1.

Nesta altura da competição , o Peixe estava em 8º lugar em seu grupo e teria que enfrentar o Cruzeiro (em BH) e o Coritiba (marcada para Juiz de Fora -MG)… a situação era crítica… o “torneio da morte” se aproximava perigosamente.

Mais um 0x0 em BH colocava o alvinegro na dependência de outros resultados… que não aconteceram.

E no dia 19 de outubro o Santos estava desclassificado, faria companhia ao Bahia e mais um clube (Sport ou Coritiba), além de Guarani, Atlético Paranaense e Vitória no luta pára não cair. Os torcedores morriam de vergonha… o Técnico Nicanor de Carvalho já estava demitido… o dinheiro que já andava curto, prometia ser ainda menor… o fundo do poço chegara como nunca havia chegado… nem em 75/ 76, ou na dédaca de 40 ou no início dos anos 20…  O santista sofria e chorava… e o pior, sem esperanças de recuperação…

Mas os céus abrem caminhos não imaginados pelos homens…

A tabela da CBF marca a data da partida entre Santos e Coritiba para o dia 22 de outubro.

Coritiba que brigava por uma vaga com o Sport Recife, sendo que o Sport deveria enfrentar o líder Vasco no dia 25 de outubro em partida adiada da 9ª rodada (15 de outubro). O Coritiba precisava apenas de um empate para se classificar frente a um despedaçado Santos, enquanto que o Sport teria que vencer o Vasco e torcer para alvinegro vencer o Coxa, para ficar com a vaga…

A direção do Coritiba entende que as partidas devem acontecer simultaneamente, isto é, no mesmo dia e horário, não admitindo enfrentar o SFC na data prevista. Consegue uma liminar na Justiça e suspende seu confronto em Juiz de Fora. A CBF ignora liminar a mantem a partida conforme a tabela… Com a liminar nas mãos, o Coxa nem segue para Juiz de Fora… por outro lado, o alvinegro vai até a cidade mineira, entra em campo, aguarda 20 minutos e é declarado vencedor por WO.

Agora, tudo será definido no tapetão… e na noite de 23 de outubro, o STJD cassa a liminar do Coxa por 6×2, declarando o SFC vencedor por 1×0. As coisas mudam completamente… o Coritiba é eliminado do Campeonato e uma vitória do Vasco, contra o Sport coloca o Peixe na disputa do 2º turno.

Foto: Revista Placar

A Fênix ressurge!

Pepe assume o comando técnico do Santos FC e as esperanças ressurgem nos corações santistas pois, mais uma vez, retorna Serginho Chulapa para fazer os gols que o alvinegro necessitava.

Mesmo com toda a fragilidade do elenco, mesmo com Chulapa ainda mais veterano, Pepe arranca um empate em 0x0 contra o Corinthians e uma vitória contra o Internacional na Vila Belmiro, com direito a gol olímpico de Jorginho.Vitórias contra o Náutico e a Internacional de Limeira garantem o 12º lugar na competição… o que não era ruim diante da perspectiva do rebaixamento que rondava a Vila.

Pepe teria muito trabalho em 1990…

Campanha:

SE Palmeiras – 0x0 (Morumbi)

Fluminense FC – 0x1 (VB)

CR Vasco da Gama  – 1×2 (VB)

Goiás EC – 0x0 (VB)

Grêmio FPA  – 0x0 (Olímpico)

EC Bahia  – 3×1 (VB)

Sport C Recife  – 0x2 (Ilha do Retiro)

A Portuguesa D – 1×1 (VB)

Cruzeiro EC – 0x0x (Mineirão)

Coritiba  – WOx0 (Juiz de Fora)

WO – Expressão inglesa que significa “walkover”. É a atribuição de uma vitória a uma equipe ou competidor quando a equipe adversária está impossibilitada de competir (Wikipédia)

SC Corinthians  P – 0x0 (Morumbi)

SC Internacional – 2×1 (VB)

São Paulo FC – 0x3 (Morumbi)

CR Flamengo – 0x1 (Maracanã)

AA Internacional – 2×0 (VB)

C Náutico C – 2×1 (VB)

C Atlético Mineiro – 1×2 (Mineirão)

Botafogo FR – 0x1 (VB)

Feios, sujo e malvados

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Meus amigos, o time do SFC em 1986 era um time barra pesada… atletas experientes, “malandros”, rodados e sabiam bater… inclusive na bola.

Serginho Chulapa voltava ao alvinegro depois de um ano de férias (quando atuou  pelo Corinthians, como ele mesmo dizia).

Os reforços eram do mesmo naipe… Dunga… sim, o ex-técnico da Seleção brasileira da Copa de 2010 foi atleta do SFC… De León, vigoroso zagueiro uruguaio  veio tomar conta do meio de campo santista… o retorno de Gilberto Sorriso, a manutenção de Rodolfo Rodrigues, Toninho Carlos e Zé Sérgio formavam a espinha dorsal da equipe.

Todos conheciam os segredos do gramado, sabiam o que fazer em campo… mas devia ser um pesadelo para  o treinador… Talvez não fosse para Castilho, técnico experiente e vencedor que estava no clube desde 1984, mas o desgaste e os insucessos do início do ano provocaram a queda do veterano treinador.  E quem ficou com o desafio nas mãos foi Júlio Espinosa, em sua 1ª experiência como técnico. Júio Espinosa era preparador físico de Castilho na comissão técnica santista, e já tinha uma carreira de sucesso no futebol gaúcho, sendo tri-campeão brasileiro pelo Internacional e Campeão de 1981 pelo Grêmio.

A temporada começa com o Torneio Internacional de Verão, em janeiro. Um Torneio caça -níqueis promovido por emissora de TV para cobrir a grade de férias…

O tal Torneio era um triangular, que contava com o Santos, Corinthians e o  Grasshopers, da Suiça!

Resultados:

2×1 Grasshopers (Suiça) – Vila Belmiro

0x2 Corinthians – Vila Belmiro

Mais três resultados negativos provocaram a queda de Castilho… foram dois amistosos e a eliminação no torneio Início:

16/02 – 0x1 AA Ponte Preta  – Pacaembu  – Torneio Início

Júlio  Espinosa chega com a missão de controlar  e dar um padrão de jogo eficiente ao elenco… e conta com o grande reforço de Serginho Chulapa.

E logo no retorno de Chulapa, ele deixa sua marca… 2 gols e uma discussão com o veterano zagueiro Luis Pereira, indo os dois para o chuveiro  mais cedo… Com muita raça, o alvinegro começava o Campeonato Paulista com uma convincente vitória por 4×0 sobre o Santo André.

Campeonato  Paulista que seguia o mesmo regulamento de 1985, isto é, Campeão do 1º turno, Campeão do 2º turno e mais dois melhores por pontos para a fase decisiva, em semi-finais e final.

Era um time irregular  aquele Santos FC, porém os outros grandes estavam mais irregulares ainda…  a fila de 10 anos do Palmeiras já pesava sobre o time, o Corinthians  não se encontrava desde a saída de Sócrates, a Portuguesa sentiu o baque da perda do campeonato para o São Paulo em 1985, os times de Campinas eram uma sombra pálida do que tinham sido no final dos anos 70… sobrava o São Paulo… mas o tricolor tinha seus problemas (metade do time servinda a Seleção),   e não apresentava o mesmo padrão do final de 1985.

Dessa forma, o alvinegro ia ganhando pontos e perdendo outros de maneira inacreditável… Nas 10 primeiras partidas havia perdido 3 (derrotas para Juventus, São Paulo e Mogi-Mirim), empatara 4 vezes (Palmeiras e Portuguesa na Vila Belmiro, Paulista e XV de Piracicaba)  e contava com apenas 3 vitórias (Santo André, São Bento e Novorizontino).

Eram tempos estranhos, aqueles no início de 1986. Bottom que as pessoas usavam em apoio ao plano econômico de Sarney e Funaro

A campanha um tanto confusa era o retrato daqueles tempos no Brasil… no final de fevereiro, o Ministro da Fazenda Dílson Funaro lança o Plano Cruzado! Preços congelados, nova moeda (sai o cruzeiro, entra o cruzado – com 3 zeros a menos)… tempos do tabela de preços  e do Fiscal do Sarney! Tempos, onde a população fechava supermercados se os produtos estivessem com os preços acima das tabelas publicadas pelo Governo Federal.

Voltando ao futebol, na derrota contra o Juventus, uma nota interessante foi a presença do ponteiro japonês Kazuo. Kazuo é um dos maiores nomes da história do futebol nipônico em todos os tempos. Começou um tanto tímido no SFC, mas em 1990 será um dos grandes destaques da equipe…

E a crise rondava a Vila… nesta mesma partida, mais de 200 torcedores cercaram os vestiários do Canindé para exigir a saída de Júlio Espinosa… protestavam contra a escalação do SFC … da presença de jogadores da base que Júlio Espinosa estava lançando no time de cima…

E de uma hora para outra, o alvinegro resolveu jogar… e nas 9 partidas finais do 1º turno, o SFC venceu oito!

Uma arrancada irresistível…

Que começou numa despretensiosa partida contra o XV de Jaú, cujos gols você pode ver aqui:

Depois dessa vitória, o time que chegou a ocupar a 13ª colocação, estava em 9º lugar, a 5 pontos dos líderes Portuguesa e Ponte Preta.

Venceu a Inter de Limeira, e encarou o Corinthians…

Um jogo especial… no elenco santista Dunga, De León e Chulapa que haviam “atuado” no rival paulistano em 1985…

Numa partida soberba de Dunga, o Peixe matou o rival com uma vitória por 1×0. E Dunga, aos 22 anos, já mostrava sua personalidade forte… quando entrevistado pelos

Dunga: raça, dedicação, liderança e língua afiada desde o início da carreira.

jornalistas, declarou à Revista Placar: “Estou realizado (com a vitória) porque provamos que quem faz o ambiente ruim no Corinthians não são os jogadores” “Se Pelé tivesse jogado no Corinthians não teria sido o melhor jogador do Mundo”… esse Dunga… conhece das coisas…

A diferença para os líderes havia diminuído para apenas 3 pontos… o SFC estava no páreo.

Na partida seguinte uma bela vitória sobre a Ponte: 3×2 e gruda nos calcanhares da Lusa…

Porém, uma derrota na ensolarada São José do Rio Preto afasta os sonhos santistas, afinal agora são 5 pontos para serem tirados em apenas 4 jogos.

No entanto como desprezar toda a catimba e malícia daquele elenco?

Na Vila, o  Comercial não foi adversário… 4×0 com 3 gols de Chulapa e outro de Dunga.

O próximo compromisso seria em Campinas, contra o Guarani. E no Brinco de Ouro, Dunga, De León, e Chulapa mostraram todo o repertório que possuiam, isto é, gols (Chulapa), raça (Dunga), liderança (De León) e bom futebol (todos).

O time estava tão bem que nem mesmo a ausência de Rodolfo Rodrigues (preparando-se para a Copa do Mundo, pelo Uruguai) era sentida. Evandro e Mano, jovens arqueiros santistas, davam conta do recado.

A surpresa era a presença de dois meninos que iam muito bem: César Sampaio e Paulo Leme.

Enquanto isso a Portuguesa virava o fio… tomava de 4×1 do São Paulo.

A Ferroviária descia a Serra para encarar o Santos. Mas como encarar aquele time “encardido”?

E Chulapa é decisivo novamente, marca  dois gols e deixa o Peixe com a mão na conquista do 1º turno. Na penúltima rodada o alvinegro esta 1 ponto a frente da Lusa (que perde para o Comercial por 3×0).

Tudo será decidido em Ribeirão Preto, e no interior o SFC mostra toda sua matreirice, sua picardia, vencendo o Botafogo por 1×0.

Santos Campeão do 1º turno do Campeonato Paulista de 1986!

Campanha do 1º turno:

EC Santo André – 4×0 – VB

Paulista FC – 0x0 – Jundiaí

EC São Bento – 2×0 – VB

A Portuguesa D – 1×1 – VB

EC XV de Novembro – 1×1  – Piracicaba

SE Palmeiras – 1×1 (VB)

São Paulo FC – 1×3 –  Morumbi

GE Novorizontino – 2×0 – VB

Mogi Mirim FC – 1×2  –  Mogi Mirim

CA Juventus – 0x1 –  Canindé

EC XV de Novembro (Jaú) – 2×1  – VB

AA Internacional – 1×0 – VB

SC Corinthians P – 1×0 – Pacaembu

AA Ponte Preta – 3×2  – VB

América FC – 0x1  – SJRP

Comercial FC – 4×0 – VB

Guarani FC – 3×1  – Brinco de Ouro

A Ferroviária E – 2×1  – VB

Botafogo FC – 1×0 –  Santa Cruz

Com a equipe classificada para as finais, o 2º turno foi totalmente diferente… com os atletas desinteressados, o time foi um saco de pancadas, sofrendo derrotas inacreditáveis, como 4×0 para o XV de Jaú, ou 3×0 para a Ferroviária, ou ainda 3×0 para a Inter de Limeira…

Sendo assim , o melhor a fazer era faturar uns trocos em amistosos pelo Brasil e na Europa…

No início do ano, o Peixe já havia visitado a América do Norte, com resultado satisfatório:

23/03 – 0x0 Seleção do México  – nos EUA

26/03 – 1×0 Chivas Guadalajara (México)  – no México

Na Europa, o time havia sido convidado para participar de três Torneios: o de Dortmund, Roterdã e o Theresa Herrera (Espanha).

No Torneio de Dortmund, o Peixe ficou em 3º lugar:

29/07 – 2×3 Galatasaray (Turquia) – Dortmund (Alemanha) – Continentale Cup

30/07 – 3×1 PAOK (Grécia) – Dortmund (Alemanha) – Continentale Cup

No Torneio de Roterdã, ficou na 4 ª colocação:

01/08 – 1×3 Feynoord (Holanda) – Quadrangular Internacional de Roterdã (Holanda)

03/08 – 1×2 Everton (Inglaterra) – Quadrangular Internacional de Roterdã (Holanda)

No Theresa Herrera, foi vice-campeão:

09/08 – 1×0 São Paulo FC – La Coruña (Espanha)

10/08 – 0x1 Atlético de Madrid (Espanha)- La Coruña (Espanha)

Após as derrotas na Europa, Júlio Espinosa é demitido e Chico Formiga reassume o comando técnico do Alvinegro.

A situação é muito diferente do início do ano… a crise esta instalada na Vila, onde a campanha no returno foi ridícula, ficando na última colocação. Acompanhe o vexame:

AA Internacional – 0x3 (Limeira)

Guarani FC – 2×1 (VB)

EC Santo André  – 1×2 (Santo André)

A Ferroviária E – 0x3 (Araraquara)

EC Xv de Novembro – 0x4 (Jaú)

Paulista FC – 2×1 (VB)

Botafogo FC – 0x1 (VB)

A Portuguesa D – 1×0 (Canindé)

CA Juventus  – 1×3 (VB)

Mogi Mirim FC – 0x0 (VB)

SE Palmeiras  – 1×1 (Parque Antártica)

EC XV de Piaracicaba –  0x0 (VB)

São Paulo FC – 1×2 (VB)

AA Ponte Preta – 2×1 –  Moisés Lucarelli

GE Novorizontino – 0x1 (Novo Horizonte)

América FC – 0x0 (VB)

SC Corinthians P – 0x2 (VB)

EC São Bento – 1×2 (Sorocaba)

Comercial FC – 1×2 (Francisco Palma Travassos)

Pepe levou a Internacional de Limeira ao título de Campeã Paulista de 1986.

Após amargar a última colocação do returno,  a tabela indica a Inter de Limeira (Campeã do 2º turno) como adversário na semi-final. A Internacional era dirigida nada menos por José Macia, o Pepe, e contava com os ex-santistas Silas (goleiro), Carlos Silva e Gilberto Costa.

E mesmo com a volta de Rodolfo Rodrigues, o Peixe não fez frente para o time interiorano… Com duas vitórias (na Vila e em Limeira), José Macia comandou a conquista do Título Paulista pela Internacional de Limeira, numa decisão épica contra o Palmeiras, num Morumbi lotado. No início de 1987, Pepe conquistava também o Campeonato Brasileiro, pelo São Paulo… uma comprovação inconteste que Pepe, além de grande atleta era também um grande técnico!

Jogos da semi-final:

AA Internacional – 0x2 (VB); 1×2 (Limeira)

Perdendo o Campeonato Paulista, as coisas mudavam…  De León e Zé Sérgio saiam e o Santos FC apostava num outro uruguaio: Santin. A aposta não deu grandes resultados…. o clube voltava a tentar jogadores jovens e desconhecidos por total falta de dinheiro.

De León voltaria em 1987

Sem De León, que seguia para a Alemanha, o Santos começa sua participação no Campeonato Brasileiro de 1986.

Campeonato que foi o retrato perfeito da bagunça que era a “organização” do futebol…

Seriam 44 participantes divididos em 4 grupos de 11 clubes. Os seis melhores seriam classificados para a fase seguinte, os quatro melhores por critérios técnico, além de  4 clubes vindos do “Torneio Paralelo” (vejam que criatividade…). O Tal Torneio Paralelo era composto de 36 equipes agrupadas em 4 séries de 9 times. O campeão de cada série passava para 2 ª fase do Campeonato Brasileiro. Como não havia uma “2ª divisão”, significa dizer que o Campeonato de 86 foi disputado por 80 clubes!

Se isso não fosse o suficiente, o regulamento foi rasgado durante a competição… Como o Vasco não se classificaria para a fase seguinte, seus dirigentes conseguiram através de manobras jurídicas (pleiteando pontos perdidos para seus adversários) uma “virada de mesa”, passando a serem oito os classificados por critério “técnico”.

A fase seguinte ficou composta por 36 equipes, novamente agrupadas em 4 chaves, agora de 9 agremiações.  Os 4 melhores passariam para a fase de “mata-mata”, em oitavas, quartas, semi-finais e final. A novidade era a criação de duas divisões por critério técnico. o dois últimos de cada chave seriam rebaixados para a 2 ª divisão, formando uma 1ª divisão em 1987 com 28 clubes!

Seria assim, se não houvesse uma nova “virada de mesa”…  após terminar o Campeonato, a cartolagem decidiu que não haveria rebaixamento… o grande beneficiado foi o Botafogo, que seria rebaixado. Uma beleza.

Esse foi o espírito do Campeonato.

Sob o Comando de Formiga, o time não deu o vexame que dera no returno do Paulistão… com uma campanha regular, terminou em 3º lugar em seu grupo, classificando-se sem sustos para a 2ª fase.

O Destaque do time foi a presença de “Dino Furacão”, um artilheiro de curta duração… marcou 8 gols em 4 partidas, e a massa santista acreditava que tinha surgido um Toninho Guereiro, um Feitiço, ou  mesmo um novo Chulapa… mas era apenas o Dino Furacão… que levantou muita poeira e sumiu…

Veja aqui um gol de Dino Furacão, na inauguração do Barradão, em novembro de 86 (como brinde, gols de Dino no futebol português e um gol contra o Operário de Várzea Grande, pelo SFC no início do vídeo:

Campanha na 1ª fase:

EC Cruzeiro – 3×2  –  Mineirão

Rio Branco AC – 0x0 – Kleber Andrade (Cariacica – ES)

CR Vasco da Gama  – 0x0 – Pacaembu

EC Bahia – 0x3  – Fonte Nova

Atlético C Goianiense – 1×0 – Serra Dourada

Guarani  FC – 0x1 – Vila Belmiro

CE Operário VG (MT) – 3×0 – Parque Antártica

C Náutico C – 5×0 – Vila Belmiro

Tuna Luso B – 2×0  – Vila Belmiro

Piauí EC – 2×0  – Albertão

Na 2ª fase, ficou na mesmo grupo com São Paulo, Palmeiras, Ponte Preta, America (RJ), Botafogo, Bangu, Joinville e Treze

E começou tropeçando no Treze de Campina Grande em plena Vila Belmiro…

Derrotas para o Palmeiras e São Paulo mostravam que no máximo o time brigaria pela 4ª vaga… e de bom apenas uma vitória de virada sobre o Botafogo, no Maracanã, por 3×2.

No returno, uma façanha: nenhuma vitória… 7 empates e uma derrota (decisiva, contra o America).

A nota mais curiosa foi a partida contra o Treze, em Campina Grande.

O trio de arbitragem chegou atrasado ao estádio, e o delegado da CBF designou o 4º árbitro-reserva (Odilon Pereira) para apitar a partida, chamando para auxiliá-lo outros dois (José do Egito e Marcos Nunes), que estavam nas arquibancadas!!!!! Segundo declarações de Serginho Chulapa, o árbitro previsto para apitar, Alvimar Gaspar dos Reis chegara ao estádio embriagado…. Seus auxiliares eram Custódio José e Carlos Vicente.

Que várzea, não?  A direção do SFC ameaçou pedir os pontos ou pelo menos zerar os cartões recebidos (amarelos), mas ficou tudo na intenção.

Assim era o Campeonato Brasileiro… uma bagunça!

Campanha do SFC na 2ª fase:

Treze FC – 0x1  (VB); 0x0 (Ernani Sátiro  – Campina Grande)

America FC – 1×0 (VB); 0x1 (Caio Martins  – Niterói)

São Paulo FC – 0x2 (Morumbi); 0x0 (Morumbi)

AA Ponte Preta – 1×1 (Pacaembu); 0x0 (Moisés Lucarelli)

SE Palmeiras – 0x1 (Pacaembu); 1×1 (Pacaembu)

Bangu AC – 2×0 (VB); 1×1 (Moça Bonita)

Joinville EC – 0x0 (Ernesto Sobrinho – Joinville); 0x0 (VB)

Botafogo FR – 3×2 (Maracanã); 0x0 (Pacaembu)

As partidas contra o America e contra a Ponte Preta ocorreram apenas em 1987.

Ainda no final do ano, além de inaugurar o Barradão, o SFC foi até a Argentina para inaugurar os refletores do Estádio do Racing:

11/11 – 1×1 EC Vitória – Barradão – Inauguração do Estádio

03/12 – 0x2 Racing C (Argentina) – Estádio Presidente Juan Perón (Inauguração dos refletores)

O SFC inaugurou a iluminação deste estádio

E Corró dá adeus

Santistas de Todo Mundo, uni-vos!

Em 79 eram capa de revista... em 80 não estavam mais no SFC.
Em 79 eram capa de revista... em 80 não estavam mais no SFC.

Os anos 70 chegam ao fim… O Brasil mudava rapidamente… A Ditadura Militar começava a perder força, no ABC novas lideranças operárias abalavam a estrutura sindical… A Igreja Católica colocava-se ao lado da classe trabalhadora com a prática da Teologia da Libertação e a opção preferencial pelos pobres. A censura ainda dominava nas artes, mas já era possível ouvir “Cálice” ou ler “A Ilha” sem  ser às escondidas…. Nascia o PT.

No futebol,  a geração da Copa de 70 estava em seu crepúsculo… Poucos ainda corriam pelos gramados e os nomes que a mídia descatava eram outros… Zico (Flamengo), Reinaldo (Atlético MG), Falcão (Inter), Sócrates (Corinthians), Carlos (Ponte Preta),Careca (Guarani), Jorge Mendonça (Palmeiras), Serginho Chulapa (São Paulo).

Na Vila Belmiro o mesmo fenômeno ocorria… Clodoaldo o único remanescente dos gloriosos anos 60 dava adeus ao alvinegro. Outro grande craque, Ailton Lira trocava a Baixada Santista pelo Morumbi (onde encontraria Renato e Oscar).

Mas a grande perda para os santistas foi a saída de Juary, goleador, fominha que fazia lembrar Toninho Guerreiro pelo apetite de gols.  Juary, seduzido pelas liras italianas, seguiu para a Europa, para o Avelino. Ainda defendeu a Internazionale, foi campeão Europeu e Mundial pelo Porto e retornou ao alvinegro em 1989 (quando atuou ao lado de Sócrates).

Com a saída dos três craques, a direção santista foi atrás de reforços e além de Marolla que já havia chegado no final de 1979, somam-se a eles: o atacante Aloísio Guerreiro (revelado pelo Flamengo), o zagueiro Márcio Rossini (vindo do Marília), o volante (e zagueiro quando necessário) Miro, vindo do Botafogo RP,  e o lateral Paulinho.

O início do ano é recheado por amistosos pelo Brasil. O 1º deles é exatamente a despedida de Clodoaldo… uma partida festiva na Vila Belmiro (lotada) contra a Seleção do Romênia, com derrota por 1×0 (26/01).

Parte para Goiânia para o Torneio Adjair Lima, onde fica em 2º lugar:

31/01 – 4×0 Goiás EC

03/02 – 2×3 Vila Nova FC

Inaugura a iluminação do Bruno Daniel, em Santo André, numa partida que contou com o divino Ademir da Guia com a camisa azul do “Ramalhão” por 20 minutos. Com uma boa participação de Aloíso Guerreiro, o Peixe vence por 2×1.

Antes de iniciar o Campeonato Brasileiro, realiza amistosos em Fortaleza (2×0 no Ceará) e em Dourados – MS (4×0 Operário local).

A avaliação da torcida é que o time montado por Pepe esta bem preparado para o Nacional de 80. Campeonato que, para variar será cheio de grupos, fases e muitos times…

Depois do absurdo de 79, a CBD inova e estabelece duas divisões no futebol brasileiro… eram duas divisões, mas na prática funcionava como uma só. Senão vejamos:

A divisão principal foi batizada de “Taça de Ouro”, e a secundário de “Taça de Prata”.

Na Taça de Ouro, 40 clubes, divididos em 4 grupos de 10 equipes. Os 7 melhores passavam para a 2ª fase, onde se uniriam a 4 equipes provenientes da Taça de Prata… isso mesmo, 4 times da 2ª divisão passavam para a 2ª fase da 1ª divisão! Essas 32 equipes formavam 8 grupos de 4. Dois de cada grupo seriam classificados para a 3ª fase, totalizando 16 equipes. As 16 agremiações são novamente divididas em 4 grupos de 4, os campeões de cada grupo passam para as semi-finais (em 2 partidas) e finais (2 partidas).

A Taça de Prata contava com 64 equipes divididas em 8 grupos de 8. Os campeões de cada grupo disputavam em “mata-mata” 4 vagas para a Taça de Ouro. Os 4 perdedores juntamente com mais 2 de cada grupo, passavam para a fase seguinte da competição, num total de 20 times. Agora seriam 4 grupos de 5 times, onde o campeão de cada grupo passava as semi-finais e posteriormente às finais. Tudo bem simples, não?

O Santos, como um bom time grande, participou da Taça de Ouro, num, grupo que contava com Flamengo, Internacional, Ponte Preta, Naútico, Itabaiana (SE), Botafogo (PB), Ferroviário (CE), São Paulo (RS) e Misto (MT).

Pegou o Flamengo de Zico na estreia no Morumbi. Mesmo com o apoio de mais de 70.000 santistas, foi derrotado por 1×0. O grande destaque da partida foram as cornetas que azucrinavam atletas, jornalistas e torcedores que não estavam usando o objeto infernal… algo como as populares vuvuzelas da Copa na África do Sul de 2010.

Isso já era um inferno em 1980
Isso já era um inferno em 1980

Foi para Fortaleza e empatou com o Ferroviário (1×1) e depois desembestou a ganhar… 2×0 no Itabaiana, 2×1 na Ponte; 2×0 no São Paulo (RS); 3×0 no Botafogo (PB).

Este jogo em João Pessoa foi cercado de grande expectativa, tanto que o recorde de público no Estádio foi quebrado naquele dia (em mantido até hoje). Mais de 40.000 pessoas entupiram  o Estádio José Américo de Almeida para ver  o Botafogo apanhar do Peixe… os torcedores paraibanos estavam eufóricos com a vitória de seu clube contra o Flamengo, em pleno Maracanã (2×1).

E continuou ganhando… 4×1 no Naútico e uma grande vitória contra o Internacional, no Morumbi. Uma vitória muito importante, pois desde 1974 o alvinegro não vencia um clube de Porto Alegre, BH ou Rio de Janeiro em Campeonatos Brasileiros.

Fechou a 1º fase como campeão de seu grupo e em 2º numa classificação geral… O time era basicamente o mesmo que de 78, com poucas alterações: Marola no gol, Paulinho na lateral esquerda, Miro como volante e Aloísio no meio do ataque. Era um time consistente e sem dúvida era um dos favoritos ao título.

Na 2ª fase ficou lado a lado com Guarani, América (RJ) e Joinville.

Novamente ficou em 1º, mas com uma campanha mais irregular…

Finalmente a 3ª fase… Pela 1ª vez desde 1974, o time entrava para competir de verdade… O grupo era difícil: Ponte Preta, Flamengo e a “zebra” Desportiva (ES).

A intenção de Pepe era vencer as duas na Vila  e garantir o empate contra o Flamengo.

E na tarde de 10 de maio, na Vila Belmiro, o Santos bailou… Com Rubens Feijão e Toninho Vieira jogando muito bem, o Peixe lascou 3×0 na veterana Ponte Preta.

Na partida seguinte a Vila transbordou de gente… 31.000 alvinegros esperavam outra bela exibição do SFC… mas sem Toninho Vieira no meio campo, o SFC não consegiuu traduzir domínio em gols, e a massa santista  saiu amargando um pálido 0x0.. o menos ruim é que a Ponte segurara o Flamengo em Campinas. Mesmo assim , o empate era vantagem para o rubro-negro.

No Maracnã tudo seria bem mais difícil… Zico desequilibrou… mandando no campo, abriu espaços e ainda marcou dois gols, levando o Flamengo às finais.

O Santos ficou numa hipotética classificação geral num 7º lugar… apenas razoável é verdade, porém bem longe dos vexames de 75, 76, 77 e 78.

Na final da Taça de Ouro, O Atlético foi operado no Maracanã… vale a pena ver o  vídeo para entender melhor o que acontecerá em 1983:

Campanha do SFC:

0x1 CR Flamengo – Morumbi – 73.540

1×1 Ferroviário AC – Presidente Vargas – 11.869

2×0 AO Itabaiana  – Lourival Batista – 13.911

2×1 AA Ponte Preta – Vila Belmiro -16.566

2×0 SC São Paulo (RS) – Vila Belmiro – 14.000

3×0 Botafogo FC (PB) – José Américo de Almeida –  40.417 (Recorde)

4×1 C Naútico C  –  Vila Belmiro – 16.474 + 2.560 gratuitos  (19.034 total)

1×0 SC Internacional – Morumbi  – 32.421

2×1 Misto EC  –  José Fragelli – 13.826

2ª fase:

4×1 Guarani FC – Vila Belmiro – 16.922

0x1 America FC –  Morumbi – 43.324 + 4.163 menores (47.487 total)

0x2 Joinville EC – Ernesto Schlemn Sobrinho – 22.918

2×0 America FC –  Maracanã – 7.435

2×0 Joinville EC –  Vila Belmiro – 25.374

1×1 Guarani FC – Brinco de Ouro – 34.232 + 4.350 menores (38.582 total)

3ª fase:

3×0 AA Ponte Preta – Vila Belmiro – 22.600 + 2.833 gratuitos (25.433 total)

0x0 A Desportiva FVRD – Vila Belmiro – 26.743 + 4.303 gratuitos (31.146 total)

0x2 CR Flamengo – Maracanã – 110.079

No meio do Campeonato teve tempo para um importante amistoso na Vila Belmiro: contra o New York Cosmos.

Pelé retorna à Vila e dá o pontapé inicial da partida. E no vídeo você verá o Peixe com uma estranha camisa negra, por sinal bem interessante de ser relançada… uma boa pedida para um modelo retrô. Em campo, “monstros” como Beckembauer, Romerito, Chinaglia, com a companhia de Pita e João Paulo.

Mal acabava o Brasileiro, começava o Paulista. Campeonato Paulista mais simples, longe das loucuras de 77, 78 e 79.

20 clubes, turno e returno. Ao final de cada turno, semi-finais e finais entre as 4 melhores equipes. Campeão do 1º turno x Campeão do 2º turno.

O único reforço que chegou a Vila foi o veterano atacante Campos (Ex-Atlético MG), sem a mesma volúpia de gols de 72,73.

Como a situação econômica do brasileiro fazia água, a presença de público nos Estádios diminuía sensivelmente… até porque os torcedores começaram a selecionar os jogos que realmente interessavam… Assim a média de público na Vila, não era das melhores…muito abaixo de 78 ou 77.

Em campo, os meninos de Pepe continuavam dando conta do recado… e o alvinegro segue vencendo e termina a fase de classificação do 1º turno em 2º lugar, atrás da Portuguesa. Pega o Botafogo na semi-final e massacra: 5×1!

Um baile no 2º tempo: 5x1! (Imagem: Placar)

E jogando com muita categoria, jovialidade e no ataque o Santos passou por cima da Lusa nas duas partidas (1×0 e 2×1), ganhando o 1º turno do Paulistão-80.

O destaque da campanha foi o meio de campo, Pita. Um digno substituto de Ailton Lira, Jair Rosa Pinto ou Antoninho.

Pita chegou a Seleção Brasileira em 1980 (Imagem: Placar)

No 2º turno, o alvinegro seguia na mesma toada… vencendo seus adversários e dando a impressão  que poderia vencer o Campeonato direto, sem decisão, caso também ganhasse o 2º turno.

Tudo ia bem até outubro…

Duas derrotas seguidas encerram as esperanças santistas… uma em São José do Rio Preto(0x4 America) e outra no Morumbi (0x3 Corinthians).

Contra o America, um pênalti contestado logo aos 2 minutos abalou  a equipe, mais 15 minutos e leva mais um… mesmo assim o SFC não se abateu e lançou-se loucamente ao aatque… pressionou, mandou uma bola na trave, o zagueiro do America evitou um gol em cima da linha… e aos 75′ o desasstre… Neto e João Paulo são expulsos… e nos acréscimos toma mais dois gols…

No Morumbi, quase a repetição… sem 3 titulares (Nilton Batata, Neto e João Paulo) o Peixe mandou na partida, mas o gol não aparecia… Depois de mandar toda partida, aos 70′ Vaguinho em posição duvidosa (na dúvida, pró Corinthians) marca… muita reclamação… Pepe afirmava que o jogo estava “armado”, que não era para o SFC vencer o 2º turno… Dezoito minutos de paralisação… e nos acréscimos, o SCCP marca mais dois gols…

Com o título do 2º turno perdido, mas garantido na final do Campeonato, o Santos retorna à Europa depois de 6 anos, para enfrentar o Sevilha, na comemoração do 75º aniversário do clube.  Uma única partida, mas a vitória santista possibilitou a reabertura do mercado Europeu para os anos seguintes.

Ao retornar ao Brasil, o SFC já pensva na final e aguardava o adversário.

E o adversário seria o São Paulo.

Diferentemente de 1978, o São Paulo estava embalado, tinha uma constelação de craques (Valdir Perez, Oscar, Dario Pereyra, Serginho Chulapa, Zé Sergio e Renato) e era levemente favorito.

Mas Pepe sabia armar bem o alvinegro, e na 1ª partida com 122.000 torcedores trasnbordando no Morumbi, a partida foi equilibrada.

Mas, na fase final os experientes craques tricolores fizeram a diferença…e Chulapa aos 85′ marcou… tudo terminado?

Não!

Aquele SFC não era tão técnico como  o de 78, mas tinha raça… e foi ao ataque… aos 88′ Miro acerta um belo chute… a bola vai entrar… Valdir Perez toca com as pontas dos dedos e caprichosamente a bola bate na trave… vai entrando… a massa santista prepara o grito de gol…. e Valdir agarra a bola pelo”rabo” salvando a meta tricolor.

Na 2ª partida, tudo seria mais difícil… a vantagem era tricolor.

Pepe coloca Campos no ataque, mas Campos não era Juary…

E Chulapa novamente não perdoou, marcando outro gol na decisão… Rubens Feijão teve a oportunidade do empate, mas quis enfeitar a jogada e perdeu um gol feito, sendo imediatamente substituido por um Pepe furioso. Ainda apareceu mais uma oprtunidade com Joãozinho, mas na realidade o São Paulo esteve mais próximo do gol qie o alvinegro.

Termina o Campeonato, SPFC campeão e  Santos, Vice.

O ano que tinha começado bem , terninava com problemas internos no elenco sntista… não havia certeza que Pepe continuaria e o ano de 1981 se aproximava cercado de incertezas.

Campanha:

EC XV de Novembro (Jaú) – 3×0 (VB); 2×2 (Jaú)

Botafogo FC – 2×0 (VB); 0x0 (Santa Cruz)

A Ferroviária E  – 0x0 (VB); 0x0 (Araraquara)

AA Ponte Preta – 0x0 (Moisés Lucarelli); 0x0 (VB)

AA Francana  – 3×1 (VB); 1×1 (Franca)

EC São Bento  – 1×1 (Sorocaba); 0x0 (VB)

AA Internacional  – 1×0 (VB); 0x1 (Limeira)

Comercial FC – 1×2 (Francisco Palma Travassos); 1×0 (VB)

America FC – 1×0 (VB); 0x4 (SJRP)

A Portuguesa D – 1×1 (Pacaembu); 3×0 (Pacaembu)

Marília AC – 3×1 (Marília); 2×1 (VB)

Guarani FC – 1×1 (VB); 1×2 (Brinco de Ouro)

EC Xv de Novembro (Piracicaba ) – 1×0; 2×1 (VB)

SC Corinthinas P – 1×1 (Morumbi); 0x3 (Morumbi)

EC Taubaté – 3×1 (VB); 3×1 (Taubaté)

CA Juventus – 1×0 (Parque Antártica); 1×1 (Pacaembu)

EC Noroeste – 4×1 (VB); 2×1 (Bauru)

São Paulo FC – 2×2 (Morumbi); 1×1 (Morumbi)

SE Palmeiras  – 0x1 (Parque Antártica); 0x0 (Morumbi)

Finais do 1º turno:

Botafogo FC – 5×1 (Morumbi); 2×0 (Pacaembu)

A Portuguesa D – 1×0 (Morumbi); 2×1 (Morumbi)

Finais do Campeonato:

São Paulo FC – 0x1 (Morumbi); 0x1 (Morumbi)

Amistosos internacionais:

14/10 – 1×0 Sevilla FC (Espanha), em Sevilla – Troféu Cidade de Sevilla

13/03 – 1×2 New York Cosmos (EUA) – Vila Belmiro

26/01 – 0x1 Seleção da Romênia – Vila Belmiro

fichas técnicas

02/02/1968 Santos FC 4×1 CSD Colo Colo (CHIL)

Local: Estádio Nacional de Santiago – Santiago (CHI)

Competição: Octogonal do Chile

Renda: 201.411 pesos chilenos

Público: 26.363

A: Carlos Robles (CHI)

Gols: Toninho 7′ e Clariá (contra) 37′, Douglas 57′ e Edu 73′ – Capot 25′

SFC: Cláudio (Laércio); Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado (Oberdan), Joel Camargo e Geraldino (Rildo); Lima (Orlando Peçanha) e Clodoaldo (Negreiros); Orlandinho (Wilson), Toninho (Abel), Pelé (Douglas) e Edu

Técnico: Antoninho

CSDCC: Cavallero; Valentine, Gaymer (Donoso), Gonzalez e Claria; Ramirez e Moreno; Silva, Zelada (Caszely), Beirute e Capot (Astudillo).

As diversas substituições foram permitidas pelos organizadores… na véspera falecera o dirigente Nicolau Moran e os jogadores santistas estavam abalados…

08/05/1968 Santos FC 0x0 CR Flamengo (Rio de Janeiro)

Local: Maracanã – Rio de Janeiro (GB)

Competição: Amistoso

Renda: NCr$ 169.763,15

Público: 65.574

A: Arnaldo César Coelho

SFC: Cláudio; Oberdã (Negreiros), Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Clodoaldo e Lima; Wilson, Toninho, Pelé e Abel.

Técnico: Antoninho

CRF: Marco Aurélio, Murilo, Onça, Manicera (Guilherme), Paulo Henrique, Carlinhos, Liminha, Luís Carlos, César “maluco”(Dionísio), Fio e Rodrigues Neto.

Técnico: Valter Miraglia

Pepe homenageado, recebendo o Troféu Belfort Duarte, por sua exemplar conduta disciplinar ao longo da carreira. O prêmio foi criado em 16 de agosto de 1945 pelo extinto Conselho Nacional de Desportos e instituído em 1 de janeiro de 1946, destinado a jogadores de futebol, amadores ou profissionais, que tivessem em suas respectivas carreiras ao menos duzentos jogos oficiais ao longo de no mínimo dez anos. Esses jogadores recebiam um diploma, uma medalha e uma carteirinha que concede entrada gratuita em qualquer estádio de futebol no Brasil.

19/05/1968 Santos FC 3×1 SE Palmeiras (São Paulo)

Local: Parque Antártica – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Paulista

Renda: NCr$ 68.122,00

Público: 16.276

A: Roberto Goicochéa

Gols: Edu (f) 54′, Pelé 59′ e Toninho 66′ – China 46′

SFC: Cláudio; Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Clodoaldo e Lima; Toninho, Douglas, Pelé e Edu.

Técnico: Antoninho

SEP: Maidana; Djalma Santos, Baldochi, Minuca e Jorge; Zequinha e Júlio Amaral; Suingue, China, Cabralzinho (Moraes) e Gildo.

Técnico: Alfredo González

Com esse resultado o SFC tornou-se bicampeão paulista (1967/68) com quatro rodadas de antecipação.

10/10/1968 Santos FC 9×2 EC Bahia (Salvador)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Campeonato Brasileiro (Torneio Roberto Gomes Pedrosa – Robertão/Taça de Prata)

Renda: NCr$ 10.245,00

Público: 2.448

A: Jairo Câmara

Gols: Toninho 29’, 34’, 65’ e 82’, Pelé 38’, 63’ e 79’, Negreiros 24’ e Douglas 57’ – Biriba 17’ e Adeuri 49’

SFC: Cláudio; Haroldo, Ramos Delgado (Paulo), Marçal e Rildo; Clodoaldo (Lima) e Negreiros; Toninho, Douglas, Pelé e Abel.

Técnico: Antoninho

ECB: Jurandir; Zé Oto, Jaime, Itamar e Pão; Amorim e Eliseu; Biriba, Adauri, Moraes e Pinheirinho.

Técnico: Paulo Amaral

Foi a maior goleada do Santos FC  no ano de 1968.

10/12/1968 Santos FC  2×1 CR Vasco da Gama (Rio de Janeiro)

Local: Maracanã – Rio de Janeiro (GB)

Competição: Campeonato Brasileiro (Torneio Roberto Gomes Pedrosa – Robertão/ Taça de Prata)

Renda: NCr$ 144.372,00

Público: 54.994

A: Arnaldo César Coelho

Expulsões: Bianchine (CRVG) e Claúdio (SFC) expulsos

Gols: Toninho 15′ e Pelé 38′ – Bianchine 60′

SFC: Cláudio; Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Edu, Toninho (Douglas), Pelé e Abel (Laércio)

Técnico: Antoninho

CRVG: Valdir, Ferreira, Brito, Moacir (Fernando), Eberval, Benetti, Alcir, Nado, Valfrido, Bianchini e Danilo Menezes (Adílson)

Técnico : Paulinho De Almeida

SFC Campeão Brasileiro de 1968

Um ano Perfeito

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Um ano perfeito. Assim pode ser definido 1968.

O Alvinegro da Vila Belmiro ganhou todos os títulos que disputou naquela temporada, inclusive as competições amistosas.

Num ano onde aconteceu de tudo no Mundo…

Passeata dos 100 mil - 26/06/68 - Rio de Janeiro

As barricadas de Paris, primavera de Praga, Black Panthers, passeata dos 100 mil, AI-5…  protestos… protestos e mais

Atletas negros norte americanos nas Olímpidas do México em 68. Por fazerem uma demonstração política, forma banidos dos Jogos Olímpicos pelo COI

protestos… a geração do pós-guerra queria mudar o Mundo… cultura, arte, música, política, tudo estava de cabeça para baixo. Poder Jovem, Black Power, guerra fria no extremo… eram tempos de forte posições… não havia meio termo, não havia o “cinza”… era preto ou branco.

E no futebol era preto e branco. O Santos FC tinha, disparado, o melhor time do Brasil…

O começo da temporada foi no Chile. No lugar do tradicional hexagonal, um octogonal. Seriam os 3 tradicionais times chilenos e mais 5 convidados: Três clubes: Santos FC, Vasas (Hungria)  e o Racing (Argentina), campeão Mundial de 1967; e Duas Seleções: Tchecoslováquia e Alemanha Oriental.

A campanha foi arrasadora:

4×1 Seleção da Tchecoslováquia – 69.342 torcedores

4×1 Universidade Católica – 49.486

4×0 Vasas – 36.060

1×2 Universidade do Chile – 49.667

2×1 Racing – 30.000

4×1 Colo-Colo – 26.363

3×1 Seleção da Alemanha Oriental – 67.862

Sem dúvida uma ótima campanha, onde a única nota triste foi o falecimento de Nicolau Moran, em território chileno… com o time em frangalhos emocionalmente o alvinegro entrou em campo para enfrentar o Colo-Colo… e na melhor homenagem que poderia fazer, goleou o time chileno. A taça do octogonal recebeu o nome de “Taça Nicolau Moran”.

Voltou para o Brasil e começou o Campeonato Paulista… mais uma vez o time sobrou na competição… com diversas goleadoas, o SFC passou feito um trator sobre os adversários e foi campeão com várias rodadas de antecedência (fato esse que provocou a “morte” dos campeonatos por pontos corridos”… a cartolagem imaginava que somente em poucos jogos o Santos poderia ser derrotado e começou a inventar as mais mirabolantes fórmulas de campeonatos… isso ficou impregnado na cabeça da cartolagem até 2003!).

O time era praticamente o mesmo de 67, apenas com a efetivação de Negreiros no meio de campo, no lugar de Buglê.

Guilherme Nascimento, Guilherme Guarche, Negreiros e Pedro Macedo no Programa Radar Esportivo

Negreiros, veio da base santista… junto com Clodoaldo, Douglas, Kaneco, Oberdã e Edu formavam a “força jovem” santistas naquele início de 1968.

Filho de craque santista (Negreiros, de 1933), Walter Ferraz Negreiros era um meio campo de classe… brilhou no Santos, Coritiba e Grêmio. Hoje participa como convidado no Programa de Esportes da TV comunitária de Santos, “Radar Esportivo”, a qual tive o prazer de participar em abril deste ano (foto ao lado).

O SFc disparou logo no início, ao lado do rival alvinegro da capital… o Palmeiras estava as voltas com a Libertadores e teve várias partidas adiadas… São Paulo e Portuguesa com a campanha de sempre, isto é, bem irregular…a surpresa era a forte Ferroviária de Araraquara.

Corinthians vivia com duas traumas: não vencer o Santos e não conquistar um campeonato Paulista. Para superar esses traumas, a direção corintiana fazia de tudo… contratava jogadores às dúzias e trocava de técnico nos primeiros tropeços… a frustação de 1966 ainda estava bem presente entre os corintianos, quando Wadih Helou (dirigente eterno) abriu os cofres novamente para trazer Paulo Borges (Bangu), Buião (Atlético Mineiro) e Eduardo (America – Rio de janeiro) para montar mais uma equipe… mas a grande surresaseria emso a contratação de Lula como técnico. O mesmo Lula que ganhou de tudo pelo SFC.

Assim naquele março de 68, no primeiro confronto de Lula contra o Santos, a expectativa era enorme…  e Lula, que conhecia todos os truques dos craques santistas, soube montar seu time quebrou o tabu que já durava 11 anos! Irônico, não… Lula que tinha criado o tabu, ajudava a quebrá-lo… pensando bem, essa seria a única maneira deles vencerem o alvinegro de Vila belmiro naqueles tempos… a presença da velha raposa foi fundamental…

Os apressados já diziam que o título estava a caminho do Parque São Jorge… mas, o destino é cruel (como diria o poeta)… “eles” precisavam vencer o são bento para conquistar a Taça dos Invictos e perderam… a partir daí foi uma coleção de insucessos e mais uma no de fila…

A vingança santista da quebra do tabu foi em grande estilo… a vítima foi o Botafogo de Ribeirão Preto… um baile no tricolor interiorano por 5×1 com um gol simplesmente ESPETACULAR.

Foi uma jogada de Kaneco e o gol foi de Toninho… foi tão espetacular, diferente o drible de Kaneco que ficou conhecido como um  “lance psicodélico”… veja o lance:

E o campeonato foi seguindo assim… SFC vencendo e os concorrentes ao título perdendo ou empatando…

O caso do Palmeiras também merece um comentário… eles estavam disputando a Libertadores e tiveram diversos jogos adiados… em algumas partidas usaram atletas reservas e assim perderam muitos pontos… após cairem frente ao  Estudiantes (Argentina) a situação ficou ainda pior… com o time desmotivado, foi uma sucessão de maus resultados e o clube foi parar na zona do rebaixamento… só não caiu por colaboração do Guarani que “sem saber” escalou atleta sem condições de participar da competição e perdeu os pontos… graças a esses pontos o Palmeiras escapou do vexame de cair para a 2ª divisão.

Como o time santista não tinha nada a haver com o drama palmeirense, quando se enfrentaram no Parque Antártica, o SFC bailou e venceu por 3×1

Assim, com 4 rodadas de antecipação o Santos sagrou-se bicampeão.

Campanha:

Guarani FC – 1×0 (VB); 2×0 (Brinco de Ouro)

AA Portuguesa  – 6×0 (Ulrico Mursa); 1×2 (VB)

EC São Bento – 3×1 (Humberto Realli); 1×0 (VB)

EC Xv de Novembro (Piracicaba) – 1×0 (VB); 1×0 (Piracicaba)

A Ferroviária E – 4×1 (Araraquara); 0x0 (VB)

SC Corinthinas P – 0x2 (Pacaembu); 2×0 (Morumbi)

Botafogo FC – 5×1 (VB); 3×1 (Santa Cruz)

A Portuguesa D – 3×0 (VB); 1×0 (Pacaembu)

CA Juventus  – 4×0 (Rua Javari); 2×3 (VB)

São Paulo FC – 5×2 (Morumbi); 3×1 (VB)

America FC – 4×3 (VB); 1×3 (SJRP)

Comercial FC  – 8×2 (Francisco Palma Travassos); 5×0 (VB)

SE Palmeiras – 1×0 (VB); 3×1 (Parque Antártica)

Após a conquista, um amistoso na Vila, contra o Boca. Uma partida que foi um marco… foi a partir dessa data que o SFC passou a usar 2 estrelas sobre o escudo… em comemoração ao Bi-campeonato de futebol em 62/63, um pioneiro neste tipo de homenagem:      

O Boca estragou a festa vencendo por 1×0.

Ainda ocorreram mais três partidas pelo Campeonato Paulista… e  o SFC parte para viajar… Destino: o Mundo

O Parque Balneário é voraz por mais dólares…

Segue o Santos para a Itália:

09/06 – 2×1 Cagliari C (Itália) – O Cagliari seria campeão italiano da temporada 69/70

12/06 – 2×1 US Alessandria (Itália)

15/06 – 4×5 FC Zurich (Suiça)

17/06 – 3×0 FC Saarbrucken (Alemanha Ocidental)

Da Europa, para os EUA

21/06 – 4×2 SCC Napoli (Itália) – em New York (EUA) – A presença de JK (exilado) nas tribunas foi “destaque” na imprensa… a censura já estava presente no dia-a-dia brasileiro e JK não era bem quisto pelos militares… não só JK mas milhares de brasileiros também… o povo ia às ruas protestar e a prisões começavam lotar


JK e Pelé, na recepção aos atletas campeões após a Copa de 1958

26/06 – 6×2 SCC Napoli (Itália) – em New York (EUA)

28/06 – 5×2 SCC Napoli (Itália) – em Toronto (CAN)

30/06 – 3×2 Saint Louis Stars (EUA) – em Saint Louis

04/07 – 4×1 Kansas City Spurs (EUA) – em Kansas City

06/07 – 4×3 C Necaxa (México) – em Los Angeles (EUA)

08/07 – 7×1 Boston Beacons (EUA) – em Boston – Taça Paul Revere

10/07 – 1×2 Cleveland Stokers (EUA) – em Cleveland

12/07 – 3×5 New York Generals (EUA) – em New York – O destaque da partida foi a atuação de um argentino que veio para o SFC logo depois… era Cesar Menotti, que em 1978 seria técnico da Seleção Argentina campeã do mundo

14/07 – 3×1 Washington Whips (EUA) – em Washington

17/07 – 4×2 Seleção da Colômbia –  em Bogotá – Famosa partida que o árbitro expulsou Pelé de campo e teve que voltar atrás… Pelé voltou e o árbitro foi substituido

Assim, o alvinegro retorna ao Brasil… descansa 15 dias e segue para outra excursão pelo norte/nordeste do País:

Primeira parada, Fortaleza… empate em 0x0 contra o Ferroviário… conta a lenda que o árbitro inventou um pênalti para o SFC… Pepe foi encarregado da cobrança, mas de mandar seu canhão, Pelé e outros atletas santistas pediram para que Pepe não marcasse o gol (afinal, o pênalti não existira)…e assim fêz Pepe… deu um canhão por cima do gol, sendo aplaudido pela torcida . Coisas de Pelé… coisas do Santos FC.

Segunda parada, Belém… a chegado da SFC coincide coma chegada de do Ditador Médice e alguns Ministros… os jornais dão mais destaque para o Santos que para o s Militares… sábia decisão…

Próxima escala: Manaus. Pela primeira vez o Santos no Coração da Amazônia… e uma multidão se espremem no acanhado Estádio Gilberto Mestrinho… 17.000 pessoas se encantam com Pelé & Cia, vendo a vitória santista por 3×1 no Fast Clube. Dois dias depois, mais uma vitória (2×1 sobre o Nacional) e mais uma Taça na bagagem (A Taça da Amazônia).

E o time não para… do Amazonas parte para a Argentina, para disputar a Taça Cidade de Buenos Aires (ou pentagonal de Buenos Aires). Boca e River (Argentina), Santos (Brasil), Benfica (Portugal) e Nacional (Uruguai). Quatro jogos, outro título:

15/08 – 2×1 River Plate

18/08 – 4×2 Benfica

20/08 – 2×2 Nacional

25/08 – 1×1 Boca Juniors

E novamente EUA… a trupe santista não parava…

28/08 – 6×2 Atlanta Chiefs (EUA) – Em Atlanta

30/08 – 3×1 Oakland Clippers (EUA) – Em Oakland

01/09 – 3×3 Benfica (Portugal) – Em New York

O Grande destaque das excursões foi Pepe. O veterano ponteiro marcou muitos gols e voltou a ser cortejado por diversas equipes… Pepe (um símbolo santista, que havia recebido o prêmio Belfort Duarte, por sua conduta exemplar em campo, em 08/05 0x0 contra o Flamengo) permaneceu na Vila Belmiro até 1969, quando encerrou carreira.

Começa setembro e tem iinício o Torneio Roberto Gomes Pedrosa. A competição tinha sido um sucesso em 1967, e já recebia o apelido de “Robertão”… agora, era a própria CBD que assumia a tarefa de organizar o Canpeonato… e assim o faz, com mais duas equipes convidadas: o EC Bahia e o C Naútico C… a competição assume caráter “nacional”  e não regional. A fórmula de competição é semelhante a de 1967… turno único, dois grupos (para efeito de classificação), dois melhores de cada grupo e um quadrangular final.

A Campanha Santista é muito superior aos outros clubes:

08/09 – 2×3 C Atlético Paranaense – Dorival de Brito – O atlético monta uma verdadeira seleção para participar do Robertão… Djalma Santos, Belline, Gildo, Nair e Zé Roberto são os destaques da equipe paranaense

15/09 – 2×0 CR Flamengo – Maracanã

18/09 – 0x0 SE Palmeiras – Pacaembu

21/09 – 2×1 Fluminense FC – Morumbi

25/09 – 1×1 Bangu AC – Pacaembu

29/09 – 2×3 CR Vasco da Gama  -Maracanã

06/10 – 2×1 SC Corinthians P – Morumbi

10/10 – 9×2 EC Bahia – Pacaembu – O Técnico do Bahia, Paulo Amaral, conhecido por sua truculência, sai de campo chorando…

13/10 – 2×0 EC Cruzeiro – Morumbi – Depois dessa vitória, poucos duvidavam que o título não voltaria para a Vila Belmiro.

16/10 – 2×0 A Portuguesa D – Parque Antártica

20/10 – 0x0 São Paulo FC – Morumbi

23/10 – 3×1 SC Internacional – Olímpico – Outro recorde de público… 57.000 pessoas cantaram “Parabéns a você” no aniversário de Pelé… de presente,  Pelé marcou um gol.

27/10 – 3×0 C Naútico C – Ilha do Retiro

Uma pequena parada para a recopa Sul-Americana… falaremos dela na postagem de 1969.

24/11 – 2×2 C Atlético Mineiro – Mineirão

27/11 – 3×1 Grêmio FPA – Parque Antártica

01/12 – 2×3 Botafogo FR – Maracanã

Santos classificado para as finais… os outros três são: Palmeiras, Internacional e Vasco. O campeão e o vice representarão o Brasil na taça Libertadores de 1969.

O favoritismo do SFC é enorme… o Mundo sabe que o time das camisas brancas praticam o melhor futebol do planeta…

Dizem que o álbum branco dos Beatles, lançado em 1968, foi uma homenagem as camisas barncas do SFC...
Dizem que o álbum branco dos Beatles, lançado em 1968, foi uma homenagem as camisas brancas do SFC...

Na fase final, o favoritimo é amplamente confirmado:

04/12 – 2×1 SC Internacional – Olímpico

08/12 – 3×0 SE Palmeiras – Morumbi

10/12 – 2×1 CR Vasco da Gama – Maracanã

Dessa forma o Santos termina o ano de 1968 de maneira perfeita… ganhou TODOS os torneios que disputou… estava assim desde 1967, ao vencer o triangular Florença/Roma e vai continuar até julho de 1969… serão dois anos vencendo todas as competições que participava…

Um time incrível… o melhor SFC que vi (apesar da pouca idade que tinha).

Num ano de turbulências enormes, o ano terminaria com perspectivas sombrias para 1969… em 13 de dezembro, o AI-5… o golpe dentro do golpe.

A cidade de Santos irá sofrer… e muito… e em consequência, o Santos FC.

Mas ainda reservavam grandes alegrias ao SFC em 1969.

Pelé, Zito e Pepe Campeões Mundiais… e o Santos não para: 80 partidas em 1958

Santistas de todo Mundo, Uni-vos!

O ano de 1958 é um marco no futebol brasileiro!

A Seleção do Brasil sagra-se Campeã Mundial pela primeira vez (Suécia) e Pelé é proclamado REI!

Enquanto isso o Santos joga.

E como joga… são 80 partidas ao longo do ano.

Logo no início de 58, recebe a Taça “A Tribuna”, por ter sido a melhor equipe santista no Campeonato Paulista de 1957.

São diversos amistosos por todo 1958, só contra o C Atlético Mineiro foram 5!!!!!

A primeira competição oficial foi o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (o Rio/São Paulo). Uma campanha com poucos destaques, como a vitória no Maracanã, contra o America por 5×3 e a alucinante partida contra a SE Palmeiras, com a vitória por 7×6!!!!!!!!!

Veja a campanha santista:

America FC – 5×3 – Maracanã

Botafogo FR – 2×2 – Pacaembu

SE Palmeiras – 7×6 – Pacaembu

CR Flamengo – 2×3  – Pacaembu

A Portuguesa D – 2×3 – Pacaembu

São Paulo FC – 2×4 – Pacaembu

CR Vasco da Gama –  0x1 – Maracanã

SC Corinthians P – 1×2  – Pacaembu

Fluminense FC – 3×0 Vila Belmiro

Termina na 7ª colocação (Vasco da Gama foi o campeão)

Em seguida, participa do Torneio Charles Miller (promovido pela FPF), com os 3 melhores do Campeonato Paulista de 1957:

13/04 – SC Corinthians P – 2×2

24/04 – São Paulo FC – 2×1

Em seguida, a participação no Torneio Início. Que é resumida a uma única apresentação: 0x3 A Portuguesa D ( América FC, de São José do Rio Preto, foi Campeão).

Enquanto  Zito, Pelé e Pepe servem à Seleção Brasileira, o Santos FC parte para excursões pelo interior do Brasil.

Seleção que perderá seu complexo de “vira-latas”, como dizia Nelson Rodrigues.

Seleção que só embalou na Copa do Mundo a partir da 3ª partida, quando Zito, Pelé e Garrincha entraram no time. Pepe ficou de fora por sentir uma contusão na véspera da competição.

Os jogos da seleção foram: 3×0 Aústria; 0x0 Inglaterra e 2×0 URSS (1ª fase)

1×0 País de Gales (gol de Pelé)

5×2 França (3 gols de Pelé)

5×2 Suécia (2 gols de Pelé)

Na foto ao lado (copadomundo.uol.com.br), Pelé campeão do Mundo aos 17 anos, chora copiosamente no peito de Gilmar.

Gilmar, que atuaria no Santos FC a partir de janeiro de 1962.

Brasil, Campeão do Mundo de 1958!

Voltando ao Santos FC:

em 04/05 vence a AA Caldense (4×1), no dia 11/05 bate o combinado AA Caldense/Rio Branco FC (Andradas) (4×1).

Duas partidas em Goiás: 7×1 no Sírio Libanês FC e 1×1 com o Goiânia EC.

E é na partida entre Santos FC e Sírio Libânes FC que aparece para o futebol, o mago da pequena área: Coutinho.

Antonio Wilson Honório, faz a sua 1ª partida pelo alvinegro, com 15 anos incompletos (exatamente, 14 anos, 11 meses e 7 dias) !!!! Coisa que apenas o Lula (técnico do SFC) poderia promover.

Coutinho é uma das lendas santistas…

Jogou até 1967, saiu do Santos e voltou em 1969, ficando até 1970.

Foi o melhor companheiro de Pelé!

Realizou 450 partidas e marcou 368 gols.

É o 3º maior artilheiro da história do SFC, e poderia ter feito ainda mais gols, se não fosse o problema físico que tinha (tendência para engordar e contusão sofrida no joelho).

Participou da Copa do Mundo no Chile, em 1962, sagrando-se bicampeão mundial.

Imagem: footbook.com.br

De Goiás, para o Paraná. Em Ponta Grossa, mais duas apresentações: 5×2 no Guarani e 2×0 no Operário.

Dali, uma nova excursão pelas Minas Gerais:

Primeira parada: BH (0x0 e 2×5 C Atlético Mineiro). Depois pelos caminhos da Gerais…

2×1 Valerio (em Itabira); 0x1 Acesita (Acesita); 3×0 Ateneu (Montes Claros);

Uma esticada no interior do Paraná: 4×2 Comercial (Cornélio Procópio) e 2×1 Londrina (Londrina).

e finalmente retorna à Minas na última partida antes da estreia no campeonato Paulista: Uma vitória sobre a Seleção de Itajubá, por 2×1.

Essas partidas foram disputadas durante o período da Copa na Suécia, e as fichas técnicas de algumas delas não estão completas (partidas no interior de MG) . Desde já esse blogueiro pede ajuda aos amigos que acompanham a saga santista, qualquer informação será bem recebida.

No Campeonato Paulista foi uma farra de gols e goleadas… o Título foi conquistado com recordes sobre recordes. Pelé foi o artilheiro com 59 gols em 33 partidas!!!!!!

O ataque santista é demolidor, são 143 gols em 38 jogos!

Em pé: Ramiro, Airton Pavilhão, Veludo, Geraldo Scotto, Dalmo e Zito; .Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Pelé, Pagão e Pepe.

Repare no escudo… não era um novo modelo, mas o uniforme que estava desbotado!

A Campanha do Campeão:

Jabaquara AC – 7×3 (VB); 6×2 (VB)

CA Juventus  – 2×0 (Javari); 7×1 (VB)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 6×0 (VB); 5×0 (Roberto Gomes Pedrosa)

Botafogo FC – 2×2 (Luis Pereira); 4×0 (VB)

Comercial FC – 1×1 (Parque São Jorge); 9×1 (VB)

América FC – 0x0 (São José do Rio Preto); 3×1 (VB)

A Portuguesa D – 4×3 (VB); 1×1 (Canindé)

Noroeste EC – 0x1 (Alfredo Castilho); 3×0 (VB)

A Ferroviária E – 4×3 (VB); 1×2 (Fonte Luminosa)

São Paulo FC – 1×0 (VB); 2×2 (Pacaembu)

AA Ponte Preta – 4×0 (VB); 2×1 (Moisés Lucarelli)

SE Palmeiras – 1×0 (Parque Antártica); 2×1 (VB)

EC XV de Novembro (Jaú) – 5×2 (VB); 0x0 (Artur Simões)

AA Portuguesa – 2×1 (Ulrico Mursa); 6×1 (VB)

EC Taubaté – 3×0 (VB); 2×3 (Joaquim de Moraes)

CA Ipiranga – 4×1 (Américo Guazelli – Santo André); 8×1 (VB)

Nacional AC – 10×0 (VB); 4×3 (Comendador de Souza)

SC Corinhtinas P – 1×0 (Pacaembu); 6×1 (VB)

Guarani FC – 8×1 (VB); 7×1 (Brinco de Ouro)

Nada menos que 18 goleadas!!!!!!!

Observações:

* O Ipiranga passa a mandar seus jogos em Santo André;

* A AA São Bento muda novamente de nome, retorna a Comercial FC mandando seus jogos em São Paulo);

* Durante o Campeonato, uma desastrosa excursão ao Rio Grande do Sul (1×5 SC Internacional e 0x4 Grêmio FPA);

* O Campeonato Paulista com 20 clubes, em turno e returno, foi muito criticado… excesso de jogos era o motivo das críticas. A média de público em toda competição foi baixa: 4.877 pessoas.

* Na partida contra o América, em São José do Rio Preto, o Santos recebeu a Taça “Café Cimo”.

Fichas Técnicas Selecionadas:

30/01/1958 Santos FC  2×5 C Atlético Mineiro (Belo Horizonte)

Local: Independência – Belo Horizonte (MG)

Competição: Amistoso

Renda: Cr$ 292.280,00

Árbitro: João Etzel

Gols: Pelé 11′ e Guerra 44′ – Tomazinho 32′ e 77′, Jair 13′ e 54′ e Márcio 82′

SFC: Manga; Dalmo e Fiote; Hélvio, Zito e Urubatão (Brauner); Dorval, Afonsinho, Guerra (Raimundinho), Pelé e Pepe (Alfredinho).
Técnico: Lula

CAM: Arizona (Zé Maria); Anísio e Grilo (William); Benito, Jair e Nilsinho; Márcio, Nilson, Tomazinho, Alvinho e Dino (Amorim)

Técnico: Newton Anet.

Nesta partida Pelé perdeu penalti (Arizona defendeu). provavelmente foi o 1º pênalti perdido por Pelé, enquanto atleta profissional. Além desse amistoso, ocorreram também: 2×0 (em 02/02); 2×2 (em 05/02); 0x0 (em 03/06) e 2×5 (em 05/06)… não foram bons os resultados contra o Galo Mineiro, em 1958.

06/03/1958 Santos FC 7×6 SE Palmeiras (São Paulo)

Local: Pacaembu – São Paulo (SP)

Competição: Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Torneio Rio/São Paulo)

Renda: Cr$ 1.676.995,00

Público: 43.068

Árbitro: João Etzel Filho

Gols: Pelé 21′, Pagão 25′, Dorval 32′, Pepe 38′, 45′ + 1′, 83′ e 86′ – Urias 18′ e 79′, Nardo 26′, Paulinho 61′, Mazzola 64′ e 72′

SFC: Manga; Hélvio (Urubatão) e Dalmo; Fioti, Ramiro e Zito; Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão (Afonsinho), Pelé e Pepe.

Técnico: Lula

SEP: Edgard (Vitor), Waldemar Carabina e Édson; Formiga (Maurinho), Valdemar de Fiúme e Dema; Paulinho, Nardo (Caraballo), Mazzola, Ivan e Urias.

Técnico: Oswaldo Brandão

Falar do ano de 1958 e não comentar essa partida é uma heresia… Mas os 7×6 merecem uma postagem à  parte.

17/05/1958 Santos FC 7×1 Sírio Libanês FC (Goiânia)

Local: Pedro Ludovico (provável) – Goiânia (GO)

Competição: Amistoso

Renda: Cr$ 120.000,00

Árbitro: Francisco Moreno

Gols: Jair Rosa Pinto (2), Álvaro (2), Dorval e Coutinho e Getúlio – Bil Brair

SFC: Manga (Laércio); Getúlio (Pinduca) e Dalmo; Feijó, Ramiro e Fioti; Dorval, Álvaro, Guerra (Raimundinho), Jair Rosa Pinto (Coutinho) e Hélio.

Técnico: Lula

SLFC: Miguel; Sergio e Barreto; Otaviano, Jonas e Badaria; Zezé, Da Guia, Bil Brair, Zezinho e Pedrinho.

Estreia de Coutinho no SFC. Uma partida histórica, sem dúvida.

11/09/1958 Santos FC 10×0 Nacional AC (São Paulo)

Local: Vila Belmiro – Santos (SP)

Competição: Campeonato Paulista

Renda: Cr$ 165.505,00

Árbitro: Juan Brozzi

Gols; Pelé 19′, 70′, 87′ e 89′, Guerra 20′, 55′ e 63′, Dorval 77′ e ??? e Urubatão 43′

SFC:Manga; Ramiro e Feijó; Getúlio, Urubatão e Zito; Dorval, Álvaro, Guerra, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula

NAC: Valentino; Nino e Mario; Gonçalves, Pixo e Roderlei; Edgard, Jorge, Lavorato, Elson e Vasco.

Maior goleada do SFC no Campeonato Paulista

07/12/1958 Santos FC 6×1 SC Corinthians P (São Paulo)

Local: Vila Belmiro – Santos (SP)

Competição:  Campeonato Paulista

Renda: Cr$ 849.200,00

Árbitro: Esteban Marino

Gols: Pelé 5′, 15′, 36′ e (p) 73′, Pepe 52′ e Pagão 82′ – Zague 41′

SFC: Manga; Ramiro e Dalmo; Getúlio, Urubatão e Zito; Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe

Técnico: Lula

SCCP: Cabeção; Idario, Olavo e Oreco; Valmir e Roberto; Bataglia, Indio, Zague, Rafael e Tite.

Técnico: Cláudio

Pepe marcou um gol de calcanhar! Uma surra santista no alvinegro paulistano… fato corriqueiro nos próximos 10 anos!!!!!