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Um ano para esquecer

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

A principal novidade no início de 1982 era a contratação de Clodoaldo para o comando técnico do alvinegro praiano.

E o ano começou muito bem!

Um amistoso em Porto Alegre e uma bela vitória sobre o Grêmio (1×0), Campeão Brasileiro de 1981.

Era um amistoso preparatório para o Brasileirão de 82 que começaria em seguida… tudo seria antecipado, pois 82 era ano de Copa do Mundo.

Seriam 40 clubes, novamente, mas com novo regulamento.

Eram 8 grupos de 5 equipes, onde se classificavam os 3 melhores de cada grupo. Os 4ºs colocados disputavam um mata-mata, para qualificar outros 4 para a fase seguinte. Outras 4 equipes viram da Taça de Prata (2ª divisão).

Taça de Prata que contava com 36 clubes divididos em 6 grupos de 6 participantes. Os dois melhores seguiam na competição, totalizando 12 agremiações. Essas 12 equipes eram divididas em 4 grupos de 3 times. O campeão de cada grupo passava à Taça de Ouro (1ª divisão). Cada 2º colocado passava para fase seguinte da Taça de Prata, que recebia também os 12 eliminados da Taça de Ouro. Esses 16 times disputavam o título da Taça de Prata em jogos eleiminatórios.

Enquanto isso, os 32 classificados na Taça de Ouro (os 28 dos grupos) mais os 4 promovidos da Taça de Prata, eram novamente divididos em 8 grupos de 4 equipes.  Os dois primeiros de cada grupo seguiam adiante totalizando 16 clubes.

Dai para frente eram jogos eliminatórios até a final.

Continuava tudo bem simples…  Um time poderia começar disputando a 2ª divisão e ser campeão da 1ª divisão. Ou então, começava disputando a 1ª divisão e acabava campeão da 2ª divisão… no mesmo ano!!!!! Uma lógica impressionante.

Bom, o SFC ficou no mesmo grupo de Vasco da Gama , Moto Clube, Paissandu e Nacional.

Antes que eu esqueça… Corinthians, Palmeiras e Portuguesa disputavam a Taça de Prata (2ª divisão).

A primeira partida no Brasileirão foi contra o Vasco… e foi uma grande exibição do Santos FC. Uma vitória convincente, por magros 1×0, é verdade, mas o alvinegro de Vila Belmiro jogou muito bem e empolgou a torcida.

E Clodoaldo não tinha feito muita coisa… efetivou Márcio Rossini na zaga, teve o retorno de Gilberto Sorriso na lateral esquerda e colocou o time para jogar no ataque… o resultado foram goleadas que iam aparecendo… No final da 1ª fase, uma derrapada: derrotas para o Vasco e Moto Clube, terminando em 2º lugar o grupo. veja os jogos:

17/01 – 1×0 CR Vasco da Gama – Pacaembu – 52.412

20/01 – 4×1 Moto Clube – Vila Belmiro – 17.160

24/01 – 2×2 Nacional FC – Vivaldo Lima – 31.474

28/01 – 0x0 Paissandu SC – Alacid Nunes (atual Mangueirão) – 20.322

03/02 – 3×1 Nacional FC – Vila Belmiro – 15.849

07/02 – 4×1 Paissandu SC – Vila Belmiro – 18.637

14/02 – 0x3 CR Vasco da Gama – Maracanã – 42.959

17/02 – 1×2 Moto Clube – Nhozinho Santos – 10.690

Como um bo time grande, o Santos já estava na 2ª fase, ao lado de Internacional (Limeira), São Paulo (Rio Grande) e Bangu.

Castor de Andrade voltava a gastar o dinheiro do jogo do bicho com o Bangu, e o alvirubro do subúrbio contava novamente com uma boa formação… Assim,  SFC e Bangu eram os favoritos para a classificação à fase seguinte (eliminatória).

E assim foi… vencendo na Vila e arrancando pontinhos fora, o alvinegro liderou o grupo:

27/02 – 1×0 AA Internacional – Vila Belmiro – 14.695

07/03 – 6×1 SC São Paulo  – Vila belmiro – 12.205

11/03 – 0x2 Bangu AC – Moça Bonita – 4.696

14/-3 – 0x0 SC São Paulo – Aldo Dapuzzo – 4.896

20/03 – 1×0 Bangu AC – Vila Belmiro  – 15.680

25/03 – 1×0 AA Internacional – Major Levy Sobrinho – 6.695

A preocupação da torcida era ausência de um goleador, de um centroavante fazedor de gols… e isso poderia ser fatal numa fase eliminatória…

O adversário do Santos saiu do grupo de Bangu, Londrina, Botafogo (RJ) e Treze. Sendo classificado o Londrina (o Botafogo foi eliminado)

Era um mata-mata, era muito impotante fazer o maior nº de pontos possíveis, pois isso definiria vantagem para a fase seguinte. O alvinegro enfrentaria o Londrina com a vantagem de dois empates, pois fizera mais pontos que o Londrina na  fase anterior.

Jogando com o regulamento debaixo do braço, empatou em Londrina e venceu na Vila Belmiro:

28/03 – 0x0 Londrina EC – Estádio do Café – 33.436

31/03 – 1×0 Londrina EC –  Vila Belmiro – 15.733

O Santos estava classificado para enfrentar o Flamengo… perigoso Flamengo…de Zico, Junior, Tita, Wright, Aragão…

Se iso não basta, veja também:

Guardaram o nome? Scolfaro…. mais um para a lista…

O alvinegro jogaria com a vantagem do empate, istoé, caso perdesse no Maracanã, uma vitória em São Paulo pela mesma diferençade gols classificaria o SFC.

O Peixe jogou bem no Maracanã, mas sofre uma derrota nos minutos finais, por 1×2. Uma vitória por 1×0 colocava o time nas semi-finais, contra o Guarani.

NO Morumbi, o Santos  foi para cima do assustado Flamengo… e ficou assim até fazer o gol (que seria) da classificação… Pita arranca e entra na área, via chutar…. é Pênalti!!!!! (Pênalti contra o Flamengo?????)…. o árbitro deixa seguir e Paulinho Batistote entra na corrida e estufa a rede… aí, não tinha jeito… Santos 1×0.

Flamengo morto… Santos mandando…

Inexplicavelmente, o alvinegro recua… e dá campo para Zico e Cia.

Uma chuva de gols perdidos no Morumbi… sempre pelo rubronegro… o gol de empate parece questão de tempo… mas o relógio trabalha a favor do time paulista…

Clodoaldo grita no banco… Pelé, nas arquibancadas pede para o time ir para o ataque… ao menos segurar a bola na frente…

Até que aos 83′, Tita levanta a bola na área santista… Zico sobe e empata de cabeça. Fim do sonho.

03/04 – 1×2 CR Flamengo – Maracanã – 65.805

06/04 – 1×1 CR Flamengo – Morumbi – 54.215

Se parasse de contar aqui como foi o ano de 1982 não faria a menor diferença, pois de abril até dezembro pouco de útil aconteceu, numa sucessão de maus resultados.

Com a Copa do Mundo, a CBF inventa um Torneio Caça Níqueis, batizado com o nome de Torneio dos Campeões…

Quem participava? Os campeões do Brasileiro pós 71, os campeões do Robertão e da Taça Brasil…

Na época seriam: Atlético MG, Palmeiras, Vasco, Internacional, São Paulo, Guarani, Flamengo (desistiu do Torneio), Grêmio, Fluminense, Santos, Botafogo, Cruzeiro e Bahia.

Para completar número, chamaram os vices também: Fortaleza, Naútico, Corinthians. Além desses a CBF convidou também a Portuguesa (Pelo Rio/São Paulo 52 e 55), O America (RJ), como clube com maior participação nos torneios nacionais e ainda o Santa Cruz (em substituição ao Flamengo).

Os 18 clubes foram divididos em 4 grupos: 2 grupos com 5 equipes e outros dois com 4 equipes. As partidas seriam em turno e returno no mesmo grupo. Os campeões de cada turno passariam a fase final, em partida eleiminatórias até a final.

O grupo do SFC era: Santos, São Paulo, Guarani,  Vasco e Botafogo.

No 1º turno, um vexame:

24/04 – 0x1 Botafogo FR – Maracanã – 6.976

02/05 – 0x1 São Paulo FC – Vila Belmiro – 13.541

06/05 – 1×2 Guarani FC – Brinco de Ouro -2.129

09/05 – 2×1 CR Vasco da Gama – Vila Belmiro – 6.713

No 2º turno, já sem Clodoaldo e com Paulo Emílio no banco… parecia que ia melhorar… mas, não melhororu.

20/05 – 3×1 Botafogo FR – Vila Belmiro – 5.342

22/05 – 2×0 Guarani FC – Vila Belmiro – 7.668

25/05 – 0x1 São Pauloo FC – Morumbi – 1.159

30/05 – 1×3 CR Vasco da Gama – Maracanã – 1.630

Os públicos eram ridículos, afinal todos acompanhavam os preparativos da Seleção de Telê Santana, para a Copa do Mundo na Espanha. E mais uma vez, não havia nenhum santista entre os 22 escolhidos. Marolla, Pita, João Paulo que tinham participado de amistosos em 80 e 81 não foram relacionados.

Antes do Campeonato Paulista, alguns amistosos e também alguns vexames.

Em abril, derrota para o São Paulo, na Vila (0x2), em maio goleada para o Palmeiras (0x4 no Parque Antártica), em junho, é goleado pelo Uberlândia : 4×0 !!!!!!!

Um desastre…

Vitórias contra times sem a menor tradição: 1×0 no Operário de Dourados (MS) e 5×0 no CA Paulista (Suzano – Grande São Paulo)!!!!!!

Para o campeonato Paulista as coisas foram, finalmente, simplificadas. 20 clubes, turno e returno. Campeão do 1º turno x Campeão do 2º turno.

O regulamento enxuto não dava muitas esperanças ao santista.

Reforço para o elenco?

A vinda de Toninho Carlos  para fazer dupla com Márcio Rossini, o atacante Roberto César (Ex- Cruzeiro).. e um trio do Londrina: o atacante Paulinho, o volante Luiz Gustavo e o zagueiro Toninho Paraná. Além disso havia a manutenção de Cardim (que ganhava o lugar de Carlos Silva) e de Paulinho Batistote na ponta… Palhinha, Chicão e Gilberto Sorriso não ficaram até o final do ano.

Os destaques eram (ainda) Marolla, Pita e João Paulo. Márcio Rossini tomava conta da defesa. E só.

A maior “façanha” do Santos, de Paulo Emílio, em 1982 foi a excursão ao México. Quatro jogos, 3 derrotas, um empate… último lugar no Torneio Aguillas Aztecas e uma pancadaria sem tamanho na partida contra o America.

Anote o vexame:

08/08 – 1×3 C Necaxa  – Cidade do México – Torneio Aguillas Aztecas

12/08 – 1×2 Universidad de Guadalajara – Guadalajara – amistosó

15/08 – 0x4 America FC –  Cidade do México – Torneio Aguillas Aztecas

17/08 – 1×1 CSDC Cruz Azul – Hidalgo – amistoso

Antes seguir ao México, o time estava mal da pernas no Paulista. Conseguiu manter um série de 8 partidas sem derrota, mas após perder para o Guarani, pegou ‘gosto” da coisa…

No retorno da excursão, a torcida já queria Paulo Emílio fora do comando… Mas Paulo Emílio tinha uma última esperança: vencer o Corinthians de Sócrates e Casagrande.

E 63.000 pessoas compareceram ao Morumbi para ver o Corinthians vencer e Paulo Emílio, cair.

Clodoaldo esquenta o banco para Cilinho… e tudo na mesma…

O alvinegro chega a 14 partidas sem vitórias…  o desespero bate às portas santistas…

Clássico contra o Palmeiras e Pita resolve jogar…

Um show de Pita e uma vitória convincente por 3×1. Parecia que o time iria acordar…

Foi só impressão e a rotina de derrotas, empates e vitórias insossas retornaria.

Valia mais a pena acompanhar as eleições que se aproximavam do que ver os jogos do Peixe.

Slogan de Montoro era: Você sabe, é preciso mudar! Venceu as eleições.

Seriam as primeiras eleições livres para Governador desde o Golpe Militar de 1964.

A participação da população era enorme.

Cinco eram os candidatos: Franco Montoro (PMDB), Reinaldo de Barros (PDS), Jânio Quadros (PTB), Lula (PT) e Rogê Ferreira (PDT).

Montoro venceu. Uma esperança de novos ares democráticos soprava sobre o Brasil…

Mas ainda teríamos que esperar mais 7 anos para uma eleição para Presidência da República… a Ditadura se esvaziava a olhos vistos, mas não largava “o osso”….

Na esteira da vitória da democracia (como se dizia na época), surge a democracia corintiana…

Em outubro, o Peixe inaugura o novo Estádio de Presidente Prudente, vencendo o Corinthians local por 1×0.

A única grande alegria do santista foi no  2º turno, novamente contra o Palmeiras.

Uma incrível goleada por sonoros 6×1!!!!!!

Vale a  pena ver os gols:

http://www.youtube.com/watch?v=6xBS91W2bjI

A mudança do time? A presença de Chico Formiga…

Vejam só… Formiga montou os “Meninos da Vila”, saiu… o time caiu de rendimento… Pepe retornou, o time disputou um Título… saiu…. o time foi caindo, caindo e teve que aparecer Formiga para recuperar o alvinegro.

Campanha do SFC no Paulistão:

São José EC – 0x0 (VB); 1×0 (SJC)

EC São Bento – 2×0 (VB); 2×2 (Sorocaba)

Santo André EC  – 0x0 (Santo André); 2×0 (VB)

Comercial FC – 2×0 (VB); 0x0 (Francisco Palma Travassos)

AA Internacional – 1×1 (VB); 0x0 (Limeira)

A Ferroviária E – 1×1 (Araraquara); 1×2 (VB)

Marília AC – 1×0 (VB); 3×2 (Marília)

A Portuguesa D – 1×1 (Canindé); 0x3 (VB)

Guarani FC – 0x1 (VB); 1×2 (Brinco de Ouro)

SC Corinthians – 0x1 (Morumbi); 0x1 (Morumbi)

CA Juventus  – 1×1 (Pacaembu); 0x1 (Parque Antártica)

EC XV de Novembro (Jaú) – 0x0 (Jaú); 3×2 (VB)

EC Taubaté – 0x0 (VB); 0x0 (Taubaté)

AA Ponte Preta – 0x0 (Moisés Lucarelli); 2×1 (VB)

São Paulo FC – 1×1 (Morumbi); 0x0 (Morumbi)

América FC – 0x0x (VB); 1×2 (SJRP)

AA Francana – 0x2 (Franca); 1×3 (VB)

SE Palmeiras – 3×1 (Morumbi); 6×1 (Pacaembu)

Botafogo FC – 0x2 (Santa Cruz); 1×1 (VB)

Terminou em 9º lugar na classificação geral… um ano para esquecer, ou melhor para aprender.

E Corró dá adeus

Santistas de Todo Mundo, uni-vos!

Em 79 eram capa de revista... em 80 não estavam mais no SFC.
Em 79 eram capa de revista... em 80 não estavam mais no SFC.

Os anos 70 chegam ao fim… O Brasil mudava rapidamente… A Ditadura Militar começava a perder força, no ABC novas lideranças operárias abalavam a estrutura sindical… A Igreja Católica colocava-se ao lado da classe trabalhadora com a prática da Teologia da Libertação e a opção preferencial pelos pobres. A censura ainda dominava nas artes, mas já era possível ouvir “Cálice” ou ler “A Ilha” sem  ser às escondidas…. Nascia o PT.

No futebol,  a geração da Copa de 70 estava em seu crepúsculo… Poucos ainda corriam pelos gramados e os nomes que a mídia descatava eram outros… Zico (Flamengo), Reinaldo (Atlético MG), Falcão (Inter), Sócrates (Corinthians), Carlos (Ponte Preta),Careca (Guarani), Jorge Mendonça (Palmeiras), Serginho Chulapa (São Paulo).

Na Vila Belmiro o mesmo fenômeno ocorria… Clodoaldo o único remanescente dos gloriosos anos 60 dava adeus ao alvinegro. Outro grande craque, Ailton Lira trocava a Baixada Santista pelo Morumbi (onde encontraria Renato e Oscar).

Mas a grande perda para os santistas foi a saída de Juary, goleador, fominha que fazia lembrar Toninho Guerreiro pelo apetite de gols.  Juary, seduzido pelas liras italianas, seguiu para a Europa, para o Avelino. Ainda defendeu a Internazionale, foi campeão Europeu e Mundial pelo Porto e retornou ao alvinegro em 1989 (quando atuou ao lado de Sócrates).

Com a saída dos três craques, a direção santista foi atrás de reforços e além de Marolla que já havia chegado no final de 1979, somam-se a eles: o atacante Aloísio Guerreiro (revelado pelo Flamengo), o zagueiro Márcio Rossini (vindo do Marília), o volante (e zagueiro quando necessário) Miro, vindo do Botafogo RP,  e o lateral Paulinho.

O início do ano é recheado por amistosos pelo Brasil. O 1º deles é exatamente a despedida de Clodoaldo… uma partida festiva na Vila Belmiro (lotada) contra a Seleção do Romênia, com derrota por 1×0 (26/01).

Parte para Goiânia para o Torneio Adjair Lima, onde fica em 2º lugar:

31/01 – 4×0 Goiás EC

03/02 – 2×3 Vila Nova FC

Inaugura a iluminação do Bruno Daniel, em Santo André, numa partida que contou com o divino Ademir da Guia com a camisa azul do “Ramalhão” por 20 minutos. Com uma boa participação de Aloíso Guerreiro, o Peixe vence por 2×1.

Antes de iniciar o Campeonato Brasileiro, realiza amistosos em Fortaleza (2×0 no Ceará) e em Dourados – MS (4×0 Operário local).

A avaliação da torcida é que o time montado por Pepe esta bem preparado para o Nacional de 80. Campeonato que, para variar será cheio de grupos, fases e muitos times…

Depois do absurdo de 79, a CBD inova e estabelece duas divisões no futebol brasileiro… eram duas divisões, mas na prática funcionava como uma só. Senão vejamos:

A divisão principal foi batizada de “Taça de Ouro”, e a secundário de “Taça de Prata”.

Na Taça de Ouro, 40 clubes, divididos em 4 grupos de 10 equipes. Os 7 melhores passavam para a 2ª fase, onde se uniriam a 4 equipes provenientes da Taça de Prata… isso mesmo, 4 times da 2ª divisão passavam para a 2ª fase da 1ª divisão! Essas 32 equipes formavam 8 grupos de 4. Dois de cada grupo seriam classificados para a 3ª fase, totalizando 16 equipes. As 16 agremiações são novamente divididas em 4 grupos de 4, os campeões de cada grupo passam para as semi-finais (em 2 partidas) e finais (2 partidas).

A Taça de Prata contava com 64 equipes divididas em 8 grupos de 8. Os campeões de cada grupo disputavam em “mata-mata” 4 vagas para a Taça de Ouro. Os 4 perdedores juntamente com mais 2 de cada grupo, passavam para a fase seguinte da competição, num total de 20 times. Agora seriam 4 grupos de 5 times, onde o campeão de cada grupo passava as semi-finais e posteriormente às finais. Tudo bem simples, não?

O Santos, como um bom time grande, participou da Taça de Ouro, num, grupo que contava com Flamengo, Internacional, Ponte Preta, Naútico, Itabaiana (SE), Botafogo (PB), Ferroviário (CE), São Paulo (RS) e Misto (MT).

Pegou o Flamengo de Zico na estreia no Morumbi. Mesmo com o apoio de mais de 70.000 santistas, foi derrotado por 1×0. O grande destaque da partida foram as cornetas que azucrinavam atletas, jornalistas e torcedores que não estavam usando o objeto infernal… algo como as populares vuvuzelas da Copa na África do Sul de 2010.

Isso já era um inferno em 1980
Isso já era um inferno em 1980

Foi para Fortaleza e empatou com o Ferroviário (1×1) e depois desembestou a ganhar… 2×0 no Itabaiana, 2×1 na Ponte; 2×0 no São Paulo (RS); 3×0 no Botafogo (PB).

Este jogo em João Pessoa foi cercado de grande expectativa, tanto que o recorde de público no Estádio foi quebrado naquele dia (em mantido até hoje). Mais de 40.000 pessoas entupiram  o Estádio José Américo de Almeida para ver  o Botafogo apanhar do Peixe… os torcedores paraibanos estavam eufóricos com a vitória de seu clube contra o Flamengo, em pleno Maracanã (2×1).

E continuou ganhando… 4×1 no Naútico e uma grande vitória contra o Internacional, no Morumbi. Uma vitória muito importante, pois desde 1974 o alvinegro não vencia um clube de Porto Alegre, BH ou Rio de Janeiro em Campeonatos Brasileiros.

Fechou a 1º fase como campeão de seu grupo e em 2º numa classificação geral… O time era basicamente o mesmo que de 78, com poucas alterações: Marola no gol, Paulinho na lateral esquerda, Miro como volante e Aloísio no meio do ataque. Era um time consistente e sem dúvida era um dos favoritos ao título.

Na 2ª fase ficou lado a lado com Guarani, América (RJ) e Joinville.

Novamente ficou em 1º, mas com uma campanha mais irregular…

Finalmente a 3ª fase… Pela 1ª vez desde 1974, o time entrava para competir de verdade… O grupo era difícil: Ponte Preta, Flamengo e a “zebra” Desportiva (ES).

A intenção de Pepe era vencer as duas na Vila  e garantir o empate contra o Flamengo.

E na tarde de 10 de maio, na Vila Belmiro, o Santos bailou… Com Rubens Feijão e Toninho Vieira jogando muito bem, o Peixe lascou 3×0 na veterana Ponte Preta.

Na partida seguinte a Vila transbordou de gente… 31.000 alvinegros esperavam outra bela exibição do SFC… mas sem Toninho Vieira no meio campo, o SFC não consegiuu traduzir domínio em gols, e a massa santista  saiu amargando um pálido 0x0.. o menos ruim é que a Ponte segurara o Flamengo em Campinas. Mesmo assim , o empate era vantagem para o rubro-negro.

No Maracnã tudo seria bem mais difícil… Zico desequilibrou… mandando no campo, abriu espaços e ainda marcou dois gols, levando o Flamengo às finais.

O Santos ficou numa hipotética classificação geral num 7º lugar… apenas razoável é verdade, porém bem longe dos vexames de 75, 76, 77 e 78.

Na final da Taça de Ouro, O Atlético foi operado no Maracanã… vale a pena ver o  vídeo para entender melhor o que acontecerá em 1983:

Campanha do SFC:

0x1 CR Flamengo – Morumbi – 73.540

1×1 Ferroviário AC – Presidente Vargas – 11.869

2×0 AO Itabaiana  – Lourival Batista – 13.911

2×1 AA Ponte Preta – Vila Belmiro -16.566

2×0 SC São Paulo (RS) – Vila Belmiro – 14.000

3×0 Botafogo FC (PB) – José Américo de Almeida –  40.417 (Recorde)

4×1 C Naútico C  –  Vila Belmiro – 16.474 + 2.560 gratuitos  (19.034 total)

1×0 SC Internacional – Morumbi  – 32.421

2×1 Misto EC  –  José Fragelli – 13.826

2ª fase:

4×1 Guarani FC – Vila Belmiro – 16.922

0x1 America FC –  Morumbi – 43.324 + 4.163 menores (47.487 total)

0x2 Joinville EC – Ernesto Schlemn Sobrinho – 22.918

2×0 America FC –  Maracanã – 7.435

2×0 Joinville EC –  Vila Belmiro – 25.374

1×1 Guarani FC – Brinco de Ouro – 34.232 + 4.350 menores (38.582 total)

3ª fase:

3×0 AA Ponte Preta – Vila Belmiro – 22.600 + 2.833 gratuitos (25.433 total)

0x0 A Desportiva FVRD – Vila Belmiro – 26.743 + 4.303 gratuitos (31.146 total)

0x2 CR Flamengo – Maracanã – 110.079

No meio do Campeonato teve tempo para um importante amistoso na Vila Belmiro: contra o New York Cosmos.

Pelé retorna à Vila e dá o pontapé inicial da partida. E no vídeo você verá o Peixe com uma estranha camisa negra, por sinal bem interessante de ser relançada… uma boa pedida para um modelo retrô. Em campo, “monstros” como Beckembauer, Romerito, Chinaglia, com a companhia de Pita e João Paulo.

Mal acabava o Brasileiro, começava o Paulista. Campeonato Paulista mais simples, longe das loucuras de 77, 78 e 79.

20 clubes, turno e returno. Ao final de cada turno, semi-finais e finais entre as 4 melhores equipes. Campeão do 1º turno x Campeão do 2º turno.

O único reforço que chegou a Vila foi o veterano atacante Campos (Ex-Atlético MG), sem a mesma volúpia de gols de 72,73.

Como a situação econômica do brasileiro fazia água, a presença de público nos Estádios diminuía sensivelmente… até porque os torcedores começaram a selecionar os jogos que realmente interessavam… Assim a média de público na Vila, não era das melhores…muito abaixo de 78 ou 77.

Em campo, os meninos de Pepe continuavam dando conta do recado… e o alvinegro segue vencendo e termina a fase de classificação do 1º turno em 2º lugar, atrás da Portuguesa. Pega o Botafogo na semi-final e massacra: 5×1!

Um baile no 2º tempo: 5x1! (Imagem: Placar)

E jogando com muita categoria, jovialidade e no ataque o Santos passou por cima da Lusa nas duas partidas (1×0 e 2×1), ganhando o 1º turno do Paulistão-80.

O destaque da campanha foi o meio de campo, Pita. Um digno substituto de Ailton Lira, Jair Rosa Pinto ou Antoninho.

Pita chegou a Seleção Brasileira em 1980 (Imagem: Placar)

No 2º turno, o alvinegro seguia na mesma toada… vencendo seus adversários e dando a impressão  que poderia vencer o Campeonato direto, sem decisão, caso também ganhasse o 2º turno.

Tudo ia bem até outubro…

Duas derrotas seguidas encerram as esperanças santistas… uma em São José do Rio Preto(0x4 America) e outra no Morumbi (0x3 Corinthians).

Contra o America, um pênalti contestado logo aos 2 minutos abalou  a equipe, mais 15 minutos e leva mais um… mesmo assim o SFC não se abateu e lançou-se loucamente ao aatque… pressionou, mandou uma bola na trave, o zagueiro do America evitou um gol em cima da linha… e aos 75′ o desasstre… Neto e João Paulo são expulsos… e nos acréscimos toma mais dois gols…

No Morumbi, quase a repetição… sem 3 titulares (Nilton Batata, Neto e João Paulo) o Peixe mandou na partida, mas o gol não aparecia… Depois de mandar toda partida, aos 70′ Vaguinho em posição duvidosa (na dúvida, pró Corinthians) marca… muita reclamação… Pepe afirmava que o jogo estava “armado”, que não era para o SFC vencer o 2º turno… Dezoito minutos de paralisação… e nos acréscimos, o SCCP marca mais dois gols…

Com o título do 2º turno perdido, mas garantido na final do Campeonato, o Santos retorna à Europa depois de 6 anos, para enfrentar o Sevilha, na comemoração do 75º aniversário do clube.  Uma única partida, mas a vitória santista possibilitou a reabertura do mercado Europeu para os anos seguintes.

Ao retornar ao Brasil, o SFC já pensva na final e aguardava o adversário.

E o adversário seria o São Paulo.

Diferentemente de 1978, o São Paulo estava embalado, tinha uma constelação de craques (Valdir Perez, Oscar, Dario Pereyra, Serginho Chulapa, Zé Sergio e Renato) e era levemente favorito.

Mas Pepe sabia armar bem o alvinegro, e na 1ª partida com 122.000 torcedores trasnbordando no Morumbi, a partida foi equilibrada.

Mas, na fase final os experientes craques tricolores fizeram a diferença…e Chulapa aos 85′ marcou… tudo terminado?

Não!

Aquele SFC não era tão técnico como  o de 78, mas tinha raça… e foi ao ataque… aos 88′ Miro acerta um belo chute… a bola vai entrar… Valdir Perez toca com as pontas dos dedos e caprichosamente a bola bate na trave… vai entrando… a massa santista prepara o grito de gol…. e Valdir agarra a bola pelo”rabo” salvando a meta tricolor.

Na 2ª partida, tudo seria mais difícil… a vantagem era tricolor.

Pepe coloca Campos no ataque, mas Campos não era Juary…

E Chulapa novamente não perdoou, marcando outro gol na decisão… Rubens Feijão teve a oportunidade do empate, mas quis enfeitar a jogada e perdeu um gol feito, sendo imediatamente substituido por um Pepe furioso. Ainda apareceu mais uma oprtunidade com Joãozinho, mas na realidade o São Paulo esteve mais próximo do gol qie o alvinegro.

Termina o Campeonato, SPFC campeão e  Santos, Vice.

O ano que tinha começado bem , terninava com problemas internos no elenco sntista… não havia certeza que Pepe continuaria e o ano de 1981 se aproximava cercado de incertezas.

Campanha:

EC XV de Novembro (Jaú) – 3×0 (VB); 2×2 (Jaú)

Botafogo FC – 2×0 (VB); 0x0 (Santa Cruz)

A Ferroviária E  – 0x0 (VB); 0x0 (Araraquara)

AA Ponte Preta – 0x0 (Moisés Lucarelli); 0x0 (VB)

AA Francana  – 3×1 (VB); 1×1 (Franca)

EC São Bento  – 1×1 (Sorocaba); 0x0 (VB)

AA Internacional  – 1×0 (VB); 0x1 (Limeira)

Comercial FC – 1×2 (Francisco Palma Travassos); 1×0 (VB)

America FC – 1×0 (VB); 0x4 (SJRP)

A Portuguesa D – 1×1 (Pacaembu); 3×0 (Pacaembu)

Marília AC – 3×1 (Marília); 2×1 (VB)

Guarani FC – 1×1 (VB); 1×2 (Brinco de Ouro)

EC Xv de Novembro (Piracicaba ) – 1×0; 2×1 (VB)

SC Corinthinas P – 1×1 (Morumbi); 0x3 (Morumbi)

EC Taubaté – 3×1 (VB); 3×1 (Taubaté)

CA Juventus – 1×0 (Parque Antártica); 1×1 (Pacaembu)

EC Noroeste – 4×1 (VB); 2×1 (Bauru)

São Paulo FC – 2×2 (Morumbi); 1×1 (Morumbi)

SE Palmeiras  – 0x1 (Parque Antártica); 0x0 (Morumbi)

Finais do 1º turno:

Botafogo FC – 5×1 (Morumbi); 2×0 (Pacaembu)

A Portuguesa D – 1×0 (Morumbi); 2×1 (Morumbi)

Finais do Campeonato:

São Paulo FC – 0x1 (Morumbi); 0x1 (Morumbi)

Amistosos internacionais:

14/10 – 1×0 Sevilla FC (Espanha), em Sevilla – Troféu Cidade de Sevilla

13/03 – 1×2 New York Cosmos (EUA) – Vila Belmiro

26/01 – 0x1 Seleção da Romênia – Vila Belmiro

Um ataque campeão

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Com o vice campeonato da Taça Cidade de São Paulo, o alvinegro já estava classificado para o 3º e decisivo turno.

Antes disso, porém, havia um looooongo  a ser percorrido. Ainda em dezembro de 1978 começava o 2º turno, começou um tanto desconcentrado… perdeu para a Francana, uma vitória opaca sobre a AA Portuguesa no clássico praiano, uma vitória no sufoco contra o “moleque travesso” e um empate com o Marília encerravam o ano de 1978. O Paulistão entraria 1979 afora…

Na 1ª partida de 79, uma grande festa… era o volta de Serginho Chulapa ao ataque tricolor depois de pegar um gancho  de quase um ano por ter chutado um bandeirinha em Ribeirão Preto.

Morumbi lotado e Rubens Minelli, o vencedor técnico do tricolor anuncia que tinha um jeito de segurar o endiabrado Juary… colocaria Marião na marcação do atacante santista. Marião era um zagueiro tipo “armário”, grande, seguro, firme nas bolas altas e seguia toda a orientação do técnico… mas não era um Jurandir ou Roberto Dias, longe disso…

Os tricolores estavam confiantes e comparecem em grande número, mas os santistas eram maioria… até mesmo no setor reservado aos tricolores haviam alvinegros… e não eram poucos, digo isso pois lá estava… eu e mais algumas centenas  de santistas “infiltrados” entre os tricolores.

Aos 12 minutos Juary marca 1×0… grito contido, segurado… afinal não estava no melhor lugar para torcer … E gente chegando… mesmo com 20′ ainda chegava mais torcedores, afinal por ali, atrás do gol era o único lugar que era possível encontrar algum lugar…

Aos 28′, Juary faz 2×0… não segurei e pulei…. Quando vi, tinha um monte de santistas pulando também…. aquele pessoal que estava chegando atrasado eram santistas em sua maioria…

Com 2×0, o alvinegro bailava em campo… e foi assim que virou o 1º tempo.

No início da fase final, Serginho deixa sua marca de artilheiro… explosão no meu setor…  um mar de tricolores transpiravam otimismo, acreditando na virada…

Mas, quem tinha Ailton Lira, Juary, Pita, Nilton Batata e João Paulo não se deixava intimidar…

Um lançamento primoroso de Lira deixa Batata livre na direita…. ele avança e penalti!

Meus amigos, em 1978 penalti era covardia, pois quem cobrava era Ailton Lira… uma cobrança com uma tranquilidade e precisão impressionante e o 3º gol.

Com o São Paulo desmontado, foi só tocar a bola, e bem no finalzinho, Juary ganha um presentão da defesa tricolor, parte em velocidade e outro penalti.  E novamente Ailton Lira marca um golaço de penalti. 4×1!

Ao final a partida, dividindo os prêmios com Ailton Lira, perguntaram ao Juary sobre a marcação especial do São Paulo, sobre a marcação de Marião… Juary respondeu:

Marião? Marião me marcou? e saiu dando risada… Esses eram os meninos da Vila… irreverentes, rápidos e craques.

E o SFC foi seguindo sua batida, vencendo os times do interior… tropeçando em Sócrates, até que chega o clássico com o Palmeiras em 04 de março.

O destaque não é o gol relâmpago de Juary, mas a torcida santista, que abre uma faixa na arquibancada exigindo “Anistia ampla, geral e irrestrita”

FSP - 05/03/1979

A sociedade se levantava contra o poder ditatorial dos militares que mantinham a 15 anos a nação silenciosa. Eram tempos de grande agitação política no Brasil.

Bem , voltando ao Paulistão, o Santos classifica-se para a fase final do turno ficando em 1º lugar em seu grupo (Ferroviária, XV de Piracicaba, XV de Jaú e .Portuguesa). O mata-mata do 2º turno começava contra a Francana, e no sufoco mas com um golaço de Zé Roberto, o alvinegro passa para as semi-finais.

Assim como no 1º turno, quem encara o SFC é a Ponte Preta. A Ponte era a equipe com maior quantidade de pontos (fosse em pontos corridos, seria a campeã). O jogo é dos melhores, compensando cada cruzeiro gasto pelos 53.000 torcedores no Morumbi. O empate de 1×1 manda a partida para a prorrogação, porém faltando 3′ para o final da prorrogação, a Ponte desempata  e se classifica.

É no final do 2º turno que fica claro a bagunça que era a competição… As quartas de final começam com jogos ainda para serem realizados pelo 2º turno… no dia da semi-final entre Santos e Ponte, se disputam outros jogos da quartas de final… o último jogo do 2º turno só aconteceu após a 2ª partida da semi-final… e para completar, preparem-se que esta é a mais surreal de todas: a final do 2º turno (Ponte x Guarani) só foi realizada 2 meses depois, quando o 3º turno tinha acabado.

Nesta confusão começa o 3º e último turno… Os participantes são: Corinthians, Santos, Guarani e Ponte (Campeão e Vice de cada turno); São Paulo e Palmeiras (2 melhores por pontos), Portuguesa (por gols marcados), Francana (por arrecadação), Juventus (Vice do Torneio Incentivo) e Botafogo (a vaga deveria ser do Paulista – Campeão do Torneio Incentivo – mas, como o Paulista foi rebaixado, o tricolor de Ribeirão Preto ficou com a vaga pelo nº de pontos ) . Pois é, na postagem anterior eu errei… tinha esquecido esse “Torneio Incentivo” (Um caça-níqueis disputados pelos clubes que não participaram do Campeonato Brasileiro de 1978).

O Santos ficou no grupo de Ponte Preta, Palmeiras, Juventus e Portuguesa. No outro grupo: Corinthians, Guarani, São Paulo, Botafogo e Francana.

Antes de começar o 3º turno, o Peixe realiza um amistoso no Mineirão  contra o Atlético Mineiro, e vence por 2×1. Santos, Atlético Mineiro, Flamengo, Guarani, Ponte Preta, Corinthians, e Internacional eram os melhores times de 1979.

Cartaz usado no 1º de Maio de 1979 (Imagem: PCO)
Cartaz usado no 1º de Maio de 1979 (Imagem: PCO)

No dia 1º de maio, o Governo do Estado de São Paulo e a FPF promovem uma partida em homenagem ao Dia do Trabalhador: Seleção da Capital x Seleção do Interior, no Pacembu. A seleção da capital vence por 4×1. Na seleção do Interior jogaram Clodoaldo, Ailton Lira, Nilton Batata, Juary e João Paulo, sob o comando de Formiga.  O público não foi dos melhores…. é que no Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, 130.000 trabalhadores comemoravam a mesma data sem a participação do Governo e sem jogo de futebol… Um 1º de Maio de luta, como se dizia na época… diferente de hoje…

No mesmo dia, em Santo André, um mistão do Santos, orientado por Mengálvio, perde para o Santo André (0x2) em partida patrocinada pela Prefeitura de Santo André. Mesmo com portões  abertos, o estádio Bruno José Daniel não encheu…

Voltando ao Paulistão, no início do 3º turno o alvinegro foi arrasador; Pegou o Botafogo e surrou, 5×1. Veio a Francana e mais uma vitória praiana (1×0). Clássico na Vila Belmiro, a instável Portuguesa desce a Serra sob protestos…. e toma de 5×1.

Inexplicavelmente o time desanda…  perde 3 partidas em seguida: São Paulo, Juventus (!) e Palmeiras.

A classificação esta por um fio… O SFC ocupa apenas a 4ª colocação em seu grupo, atrás até do Juventus.

As duas partidas seguintes são contra as poderosas equipes de Campinas, Guarani e Ponte, ambas no Pacaembu. O futebol do SFC renasce, com um toque de bola envolvente bate o Guarani por 3×1 e a Ponte por 2×0.

A classificação para as semi-finais fica novamente visível. Um empate no clássico alvinegro e pronto.

E com um gol de penalti, o alvinegro paulistano vence o praiano por 1×0. A vaga estava quase que nas mãos do surpreendente Juventus (que já tinha eliminado o Corinthians no 2º turno).

Na última rodada, o Juventus enfrentaria a Ponte no Pacaembu e a torcida do Santos compareceu em grande número (quase 9.000 pessoas no estádio) para empurrar o time de Campinas.  E foi assim que a Ponte venceu por 2×1. O Palmeiras venceu o grupo e Santos e Ponte ficaram em 2º, porém no critério de desempate, o Santos foi o classificado (tinha melhor ataque que a Ponte, apesar de ter feito menos pontos…).

As semi-finais apontavam: Santos x Guarani e Palmeiras x São Paulo.

O Guarani era franco favorito, além de ter feito mais pontos que o Santos em todo Campeonato, pegava o alvinegro aos pedaços.

O SFC entraria em campo remendado, desfalcado de alguns de seus melhores atletas… Clodoaldo estava fora do time desde a derrota contra o São Paulo, e na partida contra o Corinthinas perdera de uma só vez, Vitor, Neto, Nilton Batata (contusão e cartões) além do maestro Ailton Lira (expulso).

Sem 5 titulares enfrentaria o completo Guarani.

Entraram no time Flávio (goleiro que fazia a torcida viver fortes emoções), Antonio Carlos (zagueiro  vindo do futebol,de São Bernardo do Campo) e Zé Carlos, Toninho Vieira e Claudinho (todos das categorias de base do alvinegro). O Meio de campo atuou beirando a perfeição com Vieira, Zé Carlos e Pita e o ataque foi novamente infernal… em 90′ liquidou o Campeão Brasileiro de 78, com categóricos 3×1! O Santos estava na final!!!!!!

Na outra semi–final o tricolor, com um gol no último minuto da prorrogação eliminava o Palmeiras. Os dois favoritos verdes caiam.

Era um confronto de contrates, de um lado  o futebol irreverente, rápido de dribles e gols dos meninos da Vila , do outro o experiente, malandro, pesado e tinhoso São Paulo.

Os destaques no tricolor eram Chicão, Dario Pereyra, Serginho Chulapa, Zé Sérgio, Valdir Perez e o técnico tri-campeão brasileiro (Inter 75/76, São Paulo 77), Rubens Minelli.

Ainda com cinco desfalques, o alvinegro entra em campo no gélido Morumbi de uma noite de junho, com um objetivo: manter a vantagem do regulamento em suas mãos, isto é, em caso de empates seria o campeão, pois seu ataque fizera mais gols que o ataque tricolor.

Isso na teoria, pois aqueles meninos não sabiam jogar recuados… mesmo com um time cheio de remendos como aquele que encarou o São Paulo.

O tricolor abre o marcador, Serginho Chulapa (sempre ele), mas o alvinegro não se abala…

E em 10 minutos empata a partida com Juary…  e  tome corridinha em torno da bandeirinha…uma explosão nas arquibancadas.

No 2º tempo, é a vez de Pita marcar e virar o placar, 2×1. O Santos seguiu jogando melhor e colocou a mão no título.

Mas não seria, assim, tão simples. Zé Carlos e João Paulo tomam cartão amarelo e cedem seu lugar no time… agora serão SETE desfalques para a 2ª partida… enquanto isso o tricolor segue completo.

Vieira vai para a posição de volante e Rubens Feijão (também da base) entra com a 8, completando o trio de meio campo com Pita. Célio (outro da base) entrava no lugar de João Paulo… Na prática, era um 4-4-2 que Formiga preparava para enfrentar o matreiro Minelli.

A primeira vista, parecia que o Santos ficaria recuado… mas, quem segurava aquela bando de garotos?

Logo aos 20′ penalti para o SFC. Sem Ailton Lira, é o zagueirão Antonio Carlos que parte para a cobrança… Chicão catimba…. Antonio Carlos bate, Waldir Perez avança quase até a linha da pequena área  e defende…

O alvinegro não desanima e continua em cima, até que no finalzinho do 1º tempo, Célio coloca o Santos na frente, 1×0.

O mar branco transborda no Morumbi. Cerca de 2/3 das 115.000 pessoas são santistas…

No 2º tempo manteve-se a mesma toada… o Santos mandando na partida. Aos 80′ Juary recebe livre na área, chuta … e Waldir Perez defende… era o gol do título… uma pena. E os deuses do futebol não perdoam uma situação dessas… a massa santista já gritava “É Campeão”, quando aos 89′ Zé Sérgio faz o gol que nem os tricolores acreditavam mais, 1×1 e tudo se decidindo na 3ª partida.

No mesmo dia, em Nova Iorque, falecia Cláudio, brilhante goleiro dos anos 60.

Os problemas do SFC persistem… agora é Joãozinho que desfalcará o time na final… o retorno de Neto, Nilton Batata e Zé Carlos é um pequeno alívio…

Na 3ª partida o tricolor não tinha escolha, ou vencia a partida e a prorrogação ou tudo estava perdido.

E assim, alucinadamente feito animal  acuado, o São Paulo se joga na partida… o alvinegro tenta manter em banho-maria, mas Zé Sérgio coloca o SPFC em vantagem… o SFC não é o mesmo das partidas anteriores… parece que sente a responsabiliodade e atua sem saber se parte para cima ou se toca a bola…

No início do 2º tempo Neca amplia, 2×0. O jogo acaba na prática… o São Paulo tem a vitória nas mãos e não precisa fazer mais gols,  e o Santos não quer arriscar… serão 40 minutos de bola rolando e os dois times esperando a prorrogação.

E foi dessa forma, num 2º tempo chatíssimo que as coisas aconteceram.

Fim de jogo, São Paulo 2×0. A maratona absurda daquele Campeonato seria decidido em 30 minutos de prorrogação.

E ao invés do tricolor partir com tudo… quem toma conta é o alvinegro… são 30 minutos de grande exibição, o futebol esquecido nos 90′ foi superado e o gol santista era questão de tempo… gols, gols e mais gols são deperdiçados… Juary, Claudinho e Rubens Feijão perdem chances incríveis… Toninho Vieira e Pita mandam e desmandam no meio de campo e  a  zaga com os imprevisíveis Antonio Carlos e Neto jogam como se deve jogar uma final, sem brincadeiras, sem firula, na base do chutão e da dividida mantinham a bola longe da área santista, dando tranquilidade para Flávio e a massa santista.

Ao final dos 30 minutos termina o Campeonato… Santos, Campeão!!!!!!!!!!!!

Um ataque campeão!

Veja coletânea de gols em 1978:

A campanha vitoriosa:

1º turno:

20/08 – 1×1 SC Corinthians P – Morumbi – 111.103 + 6.525 menores

27/08 – 2×1 AA Portuguesa – VB – 24.867 + 1.606 menores

30/08 – 5×0 Comercial FC – VB – 12.525 + 1.122 menores

03/09 – 2×2 AA Ponte Preta – Moises Lucarelli – 30.568 + 2.653 menores

07/09 – 0x0 Paulista FC – VB – 26.212 + 2.934 menores

10/09 – 0x0 Marília AC –  Marília – 15.394 + 675 menores

17/09 – 4×0 A Portuguesa D –  Morumbi  – 37.039 + 3.178 menores

20/09 – 2×0 EC Noroeste – VB – 21.368 + 2.239 menores

24/09 – 0x0 Botafogo FC – Santa Cruz – 23.451 + 2.634 menores

28/09 – 1×0 AA Francana – VB – 19.924 + 1.249 menores

01/10 – 3×1 São Paulo FC – Morumbi – 91.962 + 5.229 menores

04/10 – 3×1 A Ferroviária E – VB – 25.505 + 1.880 menores

08/10 – 0x0 EC São Bento – VB – 27.237 + 1.220 menores

15/10 – 0x2 SE Palmeiras – Morumbi – 123.318 + 4.105 menores

18/10 –  0x2 Guarani FC –  VB – 28.352 + 2.820 menores

22/10 – 2×2 EC XV de Novembro (Piracicaba) – Piracicaba – 16.269 + 1.620 menores

25/10 – 1×1 CA Juventus – VB  – 14.573 + 672 menores

29/10 – 1×1 EC XV de Novembro (Jaú) – Jaú – 15.447 + 1.911 menores

05/11 – 0x1 America FC – SJRP – 15.071 + 1.770 menores

Finais do turno:

11/11 – 0x0 São Paulo FC (0x0 prorrogação) – Morumbi – 21.920 + 1.632 menores

22/11 – 1×0 AA Ponte Preta  – Morumbi – 31.481 + 1.874 menores

26/11 – 0x1 SC Corinthians P – Morumbi – 120.000

2º turno:

29/11 – 0x2  AA Francana  – Franca – 16.583 + 1.724 menores

03/12 – 2×1 AA Portuguesa -VB – 8.807 + 979 menores

09/12 – 3×2 CA Juventus – Pacaembu – 28.968 + 1.317 menores

16/12 – 0x0 Marília AC – VB – 13.802 + 1.438 menores

28/01/1979 – 4×1 São Paulo FC –  Morumbi – 74.356 + 4.116 menores

03/02/1979 – 2×0 Comercial FC – Palma Travassos – 26.821 + 2.711 menores

11/02/1979 – 1×2 SC Corinthians P –  Morumbi – 103.494 + 5.497

14/02/1979 – 1×0 EC XV de Novembro (Piracicaba) – VB – 16.529 + 1.021 menores

17/02/1979 – 1×0 EC XV de Novembro (Jaú) – VB – 19.258 + 1.280 menores

21/02/1979 – 0x0 EC Noroeste – Bauru – 16.220 + 1.915 menores

24/02/1979 – 0x0 Paulista FC – Jundiaí – 15.110 + 1.016 menores

04/03/1979 – 1×2 SE Palmeiras – Morumbi – 55.585 + 1.841menores

07/03/1979 – 0x2 EC São Bento – Valter Ribeiro – 13.964 + 1.546 menores

11/03/1979 – 3×2 A Portuguesa D – Pacaembu – 36.336 + 1.269 menores

14/03/1979 – 4×0 America FC – VB – 12.438 + 1.694 menores

18/03/1979 – 1×0 Guarani FC – Brinco de Ouro – 30.557 + 3.322 menores

24/03/1979 – 3×0 Botafogo FC – VB – 13.083

28/03/1979 – 0x0 A Ferroviária E – Araraquara – 13.517

02/04/1979 – 0x1 AA Ponte Preta – VB – 27.181 + 3.618 menores

Finais do turno:

14/04/1979 – 2×1 AA Francana – VB – 26.332 + 2.749 menores

19/04/1979 – 1×1 AA Ponte Preta (0x1 prorrogação) – Morumbi – 51.312 + 2.028

3º turno:

03/05/1979 – 5×1 Botafogo FC – VB – 12.006 + 2.143 menores

06/05/1979 – 1×0 AA Francana – VB – 19.069

09/05/1979 – 5×1 A Portuguesa D – VB – 21.497 + 2.688 menores

12/05/1979 – 1×2 São Paulo FC –  Morumbi – 73.803 + 4.225 menores

20/05/1979 – 0x1 CA Juventus – VB – 17.153 + 2.110 menores

27/05/1979 – 1×2 SE Palmeiras- Morumbi – 60.076 + 4.694 menores

30/05/1979 – 3×1 Guarani FC – Pacaembu  -13.152 + 525 menores

07/06/1979 – 2×0 AA Ponte Preta – Pacaembu – 41.346 + 4.697 menores

10/06/1979 – 0x1 SC Corinthians P – Morumbi – 100.569 + 6.198 menores

Finais:

16/06/1979 – 3×1 Guarani FC – Morumbi – 41.352 + 2.856 menores

20/06/1979 – 2×1 São Paulo FC – Morumbi – 81.788 + 6.528 menores

24/06/1979 – 1×1 São Paulo FC – Morumbi – 107.485 + 7.670 menores

28/06/1979 – 0x2 São Paulo FC (0x0 prorrogação) – Morumbi – 74.535 + 5.95 menores

Veja os vídeos das finais:

Explode a massa santista nos estádios, surgem os “Meninos da Vila”.

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

A traumática desclassificação do SFC em pleno Pacaembu calou fundo na alma do santista. O sentimento era de humilhação, e qualquer coisa  poderia detonar consequências imprevisíveis… a falta de paciência da torcida era palpável feito um saco de cimento.

Assim, a direção santista providenciou uns amistosos pelo sul do País para que o time se preparasse para o Nacional de 1978, que seria no 1º semestre, por conta da Copa do Mundo na Argentina…

O time enfrenta o Internacional (Lages-SC) e vence por 3×0, segue para Caçador e enfrenta dois times no mesmo dia e estádio… entra em campo para enfrentar o GRE Kinderman, quando retorna do intervalo esta em campo a A Caçadorense D… é que o Kinderman estava mudando de nome naquela partida… morria o Kinderman e nascia o Caçadorense, e o SFC foi o “padrinho” de batismo do clube catarinense.

Seguiu em amistosos com a mesma irregularidade… perdeu para o Maringá (0x2), venceu o Corintians de Presidente Prudente (2×0) e perdeu para o Guarani (2×3). A massa santista realmente não nutria grandes esperanças em relação ao elenco do alvinegro… Sem nenhum reforço de peso, entraria no Nacional de 78 com pouquíssimas chances de algo acima de 10º lugar… A única vantagem santista era que contaria com todos os seus titulares na competição, enquanto que seus rivais teriam desfalque dos craques que estariam servindo a Seleção Brasileira…

Vejam a tristeza do torcedor da época… em outros anos, numa situação dessas (preparativos da Seleção), o SFC era quem mais sofria desfalques… em 78 não teria nenhum atleta convocado… no máximo contava com Clodoaldo e Joãozinho entre os 40 do listão, mas somente 26 foram chamados para os preparativos…

O Nacional de 1978 continuava no processo de inflação de participantes… teriam nesta competição, a fantástica quantidade de 74 agremiações. A política da Ditadura Militar graçava solta nos salões da CBD, e os novos clubes convidados eram do interior de cada Estado… Itabuna (BA), Anápolis (GO), Chapecó (SC), Pelotas (RS), Uberlândia (MG) e por aí afora.

Na 1ª etapa eram 6 grupos (2 de 13 equipes e 4 de 12); Os 6 melhores de cada grupo fariam parte do “grupos dos vencedores”, sendo redistribuídos em 4 chaves de 9 clubes; Os outros clubes ficavam no “grupo dos perdedores” (em número de 6), uma repescagem onde apenas o campeão de cada grupo passaria à 3ª fase; Esta 3ª fase seria formada com os 6 primeiros de cada chave do grupo dos vencedores, além dos campeões da repescagem, além de mais dois classificados pela melhor pontuação.

Os 32 clubes seriam redistribuídos em outros 4 grupos de 8 times; Os dois melhores de cada grupo passariam para às quartas de final, depois semi-finais e as finais. Toda fase de mata-mata seria em duas partidas. Vitórias por 3 gols de diferença valiam 3 pontos. Um regulamento beirando o caos…

E foi nessa maratona de partidas que o Santos se enfiou  a partir de 25 de março, com previsão de fim de campeonato apenas em meados de agosto, com uma Copa do Mundo no meio…

O grupo do Santos era constituído  por: Corinthians (SP), Goiás (GO), Vila Nova (GO), Anapolina (GO), Misto (MT), Dom Bosco (MT), Operário (MS), Comercial (MS), Brasília (DF), Rio Branco (ES) e Desportiva (ES). Santos, Corinthians, Operário e Goiás eram os favoritos, não necessariamente nesta ordem.

A 1ª partida foi uma grande alegria, 3×0 no Goiás (no Pacaembu), numa grande atuação do ataque alvinegro,destacando-se Juary. O empate contra o Misto (MT) em pleno Pacaembu foi o sinal amarelo para Ramos Delgado… Ainda assim, uma nova vitória por 3 pontos contra o fraco Dom Bosco, deu uma certa tranquilidade, porém um gol contra aos 90′ contra o Comercial (MS), em Campo Grande, voltou a abalar a confiança do elenco…

A partida seguinte foi um triste 0x0 contra o Corinthians, no Morumbi, onde um dos lances mais aplaudido foi um pique dado por Toinzinho na pista de atletismo para retornar ao campo de jogo… era uma tarde seca e a corrida de Toinzinho provocou o levantamento de enorme quantidade de poeira… os torcedores santistas sentiram que tal correria e poeira levantada era uma demonstração de boa vontade e aplaudiu o camisa 8… na realidade, alguns aplaudiram, outros deram risada e muitos choraram ou levaram as mãos à cabeça vendo a cena digna de um campo de várzea.

Atletas santistas se envolvem em polêmica na travessia de balsa, ao retornarem de uma churrascadaAtletas santistas se envolvem em polêmica na travessia de balsa, ao retornarem de uma churrascada

Internamente o clima estava fervendo na Praça Princesa Isabel…

A oposição havia ganho as eleições e preparava uma “limpa” no clube… Ramos Delgado foi chamado para discutir redução salarial (em tempos de inflação brava…1978…)…e claro, Ramos Delgado pediu o boné… e para completara situação, 5 atletas santistas (Ailton Lira, Toinzinho, Reinaldo, Bianqui e De Rossis) se envolveram num rumorosos caso de atentado ao pudor na travessia da balsa (Santos- Guarujá), denunciado por 2 senhoras esposas de médicos conselheiros do Peixe….

Lembrando que no final de 76, a delegação do SFC quase foi expulsa do Hotel em São Luiz (MA) por mau comportamento dos atletas…

Mengálvio é chamado para dirigir a equipe contra o Operário, no Pacaembu…

O time começou bem a partida, com Juary abrindo o marcador… depois…

Depois foi um DESASTRE!

Mengálvio tira Ailton Lira e o SFC cede espaço para o Operário… logo aos 48′ o empate. A torcida não perdoou o antigo craque e pôs-se a vaiar freneticamente o Técnico interino… a pressão aumentava e o Operário na dele, tocando a bola… até que aos 81′ o gol da virada.

O Pacaembu explode em violência…. Torcedores pulam o alambrado e seguem direto para o banco santista, não para reclamar , mas para agredir… a PM entra em cena…  Meus amigos, o tempo fechou de vez… 19.000 santistas enfurecidos enfrentaram a polícia com o que tinham nas mãos… paus, pedras, mastros de bandeiras, foguetes… qualquer coisa…por sua vez os policiais não aliviaram no cassetete… baixaram o porrete na massa santista…

O Onibus do alvinegro foi apedrejado… o estádio do Pacaembu parecia uma praça de guerra ao final das cenas de selvageria coletiva.

Esmeraldo Tarquínio foi eleito prefeito pelo MDB (1968), foi cassado pelos Militares 2 dias antes de assumir o cargo. Seu "crime": ser do MDB
Esmeraldo Tarquínio foi eleito prefeito pelo MDB (1968), e cassado pelos Militares 2 dias antes de assumir o cargo. Seu "crime": ser do MDB

Nos dias seguintes esse era o grande assunto da imprensa santista, juntamente com as dívidas, os credores e a contratação de Formiga (com salário menor que Ramos Delgado). A coisa esquentou tanto que virou debate político… O Secretário de Segurança Pública (de triste memória) era Erasmo Dias (conselheiro do SFC e ligado a ARENA) e o Presidente do Conselho do SFC, era Esmeraldo Tarquínio (Prefeito eleito de Santos, do MDB, que teve seus direitos político cassados pela Ditadura Militar), batiam boca via jornais, cada um publicando sua versão dos fatos…

Esmeraldo Tarquínio protestava como a torcida do Santos foi tratada pela PM, enquanto que Erasmo Dias justificava a ação da PM comandada por ele.

Como testemunha daquela época, posso afirmar que o Secretário da (In)Segurança Pública era do tipo que  mandava bater pra valer, isso em estádio de Futebol, porta de Universidade, Fábrica ou Igreja. E Esmeraldo Tarquínio não aceitava tal comportamento.

A partida seguinte foi no Espírito Santo, e as “organizadas” avisavam o técnico Formiga no intervalo da partida: quebrariam a Vila Belmiro na partida contra a Desportiva!

Os torcedores exigiam a vitória.

Uma providencial ajuda da Tabela afastou o alvinegro do turbilhão de confusão… Empatou com a Desportiva no Pacaembu (sob intenso aparato policial) e seguiu para Goiás e Brasília, retornando a atuar em São Paulo somente um mês após as confusões.

Conseguiu (sabe Deus, como) classificação para a fase seguinte, caindo no grupo de Fluminense, Grêmio, Joinville, Ceará, Náutico, Goiás, Santa Cruz e Bahia.

Derrota no Maracanã para o Fluminense foi um resultado óbvio, empatou em zero com o Goiás e perdeu para o Náutico, no Arruda. A desclassificação rondava a Vila Belmiro… e Formiga lança mão da única solução possível naqueles dias… barrar os “medalhões” e lançar os meninos da base… Na realidade , a grande sacada foi a saída de Toinzinho e efetivação de Pita no meio de campo, ao lado de Toninho Vieira e Zé Carlos. No Ataque: Juary, Célio e João Paulo.

Um empate conquistado aos 90′ foi providencial… uma derrota queimaria os meninos… no entanto, o empate não era tão ruim assim… afinal, o Santa Cruz era um grande time, contava com Nunes (servindo a Seleção) e ao lado do Bahia, encarava qualquer time do Sul/Sudeste sem o menor temor.

Duas vitórias em sequência (Ceará e Joinville) aseguraram a classificação para a 3ª fase.

Abriu a 3 ª fase com uma goleada sobre o Goytacaz (4×0), com ótimas participações dos meninos… mas, na partida seguinte, surgia o Botafogo (RP) e Sócrates… e novamente o Doutor provocava uma derrota santista… pegou o Guarani, em Campinas,  e nova derrota. Porém o Guarani  já surpreendia com o futebol de Careca, Zenon, Renato “pé-murcho” e Zé Carlos (ex-Cruzeiro).

Foi para Porto Alegre e perdeu para o Inter, mas Nilton Batata bailou  no gramado… Veja a foto abaixo e conheça quem sofreu com o futebol de Nilton Batata:

E encerrou a participação vencendo o Goiás e empatando com o Botafogo (PB). Conheça, agora, toda a campanha santista:

25/03 – 3×0 EC Goiás – Pacaembu – 30.584 pagantes  + 2.152 menores

29/03 – 1×1 Misto EC – Pacaembu – 12.250

02/04 – 3×0 CE Dom Bosco – José Fragelli (Cuiabá) – 15.926

05/04 – 0x1 Comercial EC – Pedro Pedrossian (Campo Grande) – 13.195

08/04 – 0x0 SC Corinthians P – Morumbi – 53.482 pagantes + 3.253 gratuitos

20/04 – 1×2 Operário FC – Pacaembu – 19.232

23/04 – 2×2 Rio Branco AC – Engenheiro Araripe – 4.508

26/04 – 1×1 A Desportiva VRD – Pacaembu – 10.894

07/05 – 3×1 Vila Nova FC – Serra Dourada – 15.574

10/05 – 1×2 Brasília FC – Elmo Serejo – 18.198

14/05 – 1×1 AA Anapolina –  Jonas Duarte – 6.271

2ª fase:

21/05 – 1×2 Fluminense FC – Maracanã – 13.081

24/05 – 0x0 Goiás EC – Serra Dourada – 22.939

28/05 – 0x2 C Naútico C – Arruda – 7.147

31/05 – 1×1 Santa Cruz FC – Pacaembu  – 11.534

04/06 – 0x3 EC Bahia – Fonte Nova – 22.033

07/06 – 2×1 Ceará SC – Vila Belmiro – 7.745

10/06 – 3×0 Joinville EC – Vila Belmiro – 5.095

17/06 – 0x0 Grêmio FPA –  Morumbi – 10.084

3ª fase:

02/07 – 4×0 Goytacaz FC –  Vila Belmiro – 19.375

05/07 – 1×2 Botafogo FC (SP) – Santa Cruz  – 12.640

08/07 – 1×2 Guarani FC –  Brinco de Ouro – 16.908

13/07 – 0x0 Londrina EC – Vila Belmiro – 19.181 pagantes + 1.125 menores

16/07 – 0x1 SC Internacional –  Beira Rio – 21.078

19/07 – 3×0 Goiás EC –  Vila Belmiro – 10.787

22/07 – 1×1 Botafogo FC (PB) – José Américo de Almeida (João Pessoa) – 8.429

O Campeonato Paulista se aproximava e o SFC ficou realizando amistosos na Vila Belmiro: Fluminense, Noroeste, Villa Nova (MG) e America (RJ) foram os adversários. Um único reforço chega ao clube: Vitor, bom goleiro reserva do Cruzeiro.

O Campeonato Paulista de 1978 foi o mais longo de todos os Campeonatos promovidos pela FPF. Durou quase um ano, começando em 20 de agosto de 1978 e terminando em 28 de junho de 1979!!!!!

O motivo foi a fórmula das mais extravagantes adotada pela cartolagem. O regulamento maluco era assim:

1º turno (Taça Cidade de São Paulo): 20 clubes divididos em 4 grupos de 5 clubes. Jogos entre todos os 20 times; os dois melhores de cada grupo classificavam-se para as quartas de final, depois semi-final e a final do turno;

2º Turno (Taça Governador do Estado): A mesma do 1º turno, porém com a formação de 4 grupos diferentes do 1º turno.

3º turno final: 10 clubes divididos em duas séries de 5 clubes. Jogos entre os 10 times, os dois melhores de cada série passam para a semi-final, e os vencedores fazem a final em melhor de 3 pontos.

A grande novidade era a forma de classificação para o 3º turno: Campeão e Vice de cada turno; os dois melhores por pontos; os dois melhores por arrecadações (!!!) e os dois melhores ataques (!!!!!!!!).

Nas fases de mata-mata (qualquer turno, 1º, 2º,  3º – inclusive a final), em caso de empate, seguia em frente a equipe com melhor ataque(!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)

O Campeonato começou em grande estilo:

Santos x Corinthians, no Morumbi. Estreia de Sócrates no alvinegro paulistano. Batismo de fogo para os Meninos!

Formiga fez o time entrar assim no gramado:  Vitor; Nelsinho Batista, Joãozinho, Neto e Gilberto Sorriso; Clodoaldo, Aílton Lira e Pita; Nilton Batata, Juary e João Paulo.

Pita com a 10 e Ailton Lira com a 8…

O time surpreendia o atônito Corinthiinas e aos 4′ Pita manda um balaço no travessão… os santistas mal acreditavam… o time finalmente jogava bem… eu, particularmente tinha visto isso pela última vez em 1973/74… eram 4 anos de uma agonia que finalmente terminaria… os meninos eram rápidos e bons de bola… Juary, um azougue;  Nilton Batata, um raio driblador e João Paulo colocava a bola onde queria… Clodoaldo, aos 29 anos, dava a tranquilidade que um volante precisa dar a defesa.. e Ailton Lira e Pita dispensam maiores apresentações… dois craques, dois mitos do meio campo. Na defesa Joaõzinho tinha que compensar todos os outros, não que fossem uns pernas-de-pau, mas também não eram craques… Nelsinho Batista, Gilberto Sorriso e Neto montavam uma linha de zagueiros bem razoáveis… nenhum teria oprtunidade numa seleção brasileira. E Vitor, era muito mais seguro que Ricardo, Willian, Wilson Quiqueto ou Joel Mendes juntos.

Assim o Peixe comandou boa parte do clássico e logo no início do 2º tempo, Pita abriu o marcador… Pode-se dizer que o Mar branco se abriu no Morumbi!

Hoje não sei dizer o que era mais belo: o gol de Pita ou a massa santista dividindo o Morumbi meio  a meio…

Mas os meninos cansaram… e cansar jogando contra Sócrates era algo muito perigoso…faltando 10′ Rui Rei (Ex- Ponte, polêmico atacante envolvido numa estranhíssima expulsão na final entre Ponte x Corinthians) empata o jogo.

A Torcida se empolga com seus meninos… seus, pois foram os torcedores que insistiram para que houvesse a promoção dos garotos ao time de cima… e no clássico das praias a Vila Belmiro esta abarrotada e vê uma vitória apertada por 2×1

O Comercial seria o próximo adversário… em 15′, o Santos abre 3×0. Era o futebol “discoteque”!

Discoteque era o ritmo que estava na moda em 1978… na esteira de produtos como o filme “Embalos de sábado  a noite”, “Bee Gees” e muita disco-music.

As meninas usavam essas meias... Dá para acreditar?
As meninas usavam essas meias... Dá para acreditar?

E o Santos virou o time da moda…

O Compromisso seguinte seria em Campinas, contra a temível Ponte Preta. A Ponte tinha um timaço, com Carlos, Oscar, Polozzi, Dicá, Dario (da Copa de 70), além de Vanderlei, Marco Aurélio, Lúcio e Odirlei.

A Ponte abre 2×0 e toca a bola com categoria esperando o tempo passar… até que faltando 5 minutos a “discoteque” começa a funcionar e o alvinegro empata a partida. Explosão num canto de Moisés Lucarelli… e o pau quebra nas arquibancadas… eram 33.000 torcedores se apertando no velho estádio da Ponte… uma pancadaria sem proporções no Estádio, e a torcida santista ganhava a fama de fanática, entusiasta e…. violenta (lamentavelmente)….

Em Marília, outra confusão da massa santista… mas quando chega o clássico contra  a Portuguesa,  o Morumbi vira o “Dancin’ Days” ou o “Papagaios” (discotecas da época)… o Santos lasca 4×0 e com o baile característico do futebol “disco”.

Vence o Noroeste, empata em Ribeirão Preto (Botafogo) e passa pela Francana.

O SFC é a sensação do futebol paulista.  A Tabela marca mais um clássico no Morumbi: São Paulo.

Um confrontos de invictos… E Juary destrói a defesa tricolor… marca 3 gols!!!! Um espetáculo, em campo, nas arquibancadas e no placar.

Veja os gols e Juary correndo em volta da bandeira de escanteio:

Depois do massacre santista, não havia espaço para dúvidas… aquele era um grande time, digno das tradições alvinegras desde os anos 20… jovem, ousado, goleador.

Mais duas semanas e outro clássico, contra o Palmeiras… CENTO E VINTE E SETE MIL pessoas no Morumbi. Sim, meus amigos, vocês estão lendo corretamente… 127.000 torcedores super-abarrotaram o Morumbi… uma pena que o a invencibilidade alvinegro foi quebrada… (0x2).

A partida seguinte foi contra o Guarani (campeão Brasileiro de 1978) e 31.000 santistas ocuparam a Vila e viram outra derrota… (0x2).

O time perde um pouco a concentração,  mas a sua pontuação é o suficiente para garantir a participação na fase decisiva do turno. Ficou em 2º lugar em seu grupo (Ponte, Paulista, Noroeste e Portuguesa Santista) e enfrentaria o São Paulo.

A partida fica no 0x0, inclusive na prorrogação. O tricolor tinha feito 28 pontos, contra 23 do SFC. MAS o regulamento previa que, em caso de empate, o classificado seria a equipe com melhor ataque… e isso o Santos tinha com enorme folga (27 x 18). Dessa forma, o classificado foi o alvinegro… claro que o tricolores prostestaram, entraram na justiça, pararam o  Campeonato… no final o veredicto foi o seguinte: o regulamento prevê como critério de desempate o melhor ataque, portanto Santos classificado.  Assim “sem choro, nem vela” o Santos seguia e o tricolor ficava pelo caminho…

A semi-final seria contra o Ponte Preta (talvez a melhor equipe nos anos de 76/80)… só que a Ponte tinha um  problema: ou era garfada ou tremia…

E naquela quarta-feira, Ailton Lira cobrou uma falta de maneira perfeita e decretou a eliminação do alvinegro campineiro.

Na outra semi-final, o Corinthians eliminava o Guarani e colocava-se na final contra o Santos FC.

Era a oportunidade de redenção ao clube de Vila Belmiro… no entanto, um fato chamou a atenção de todos: o árbitro escalado seria Dulcídio Vanderlei Boschilia, o mesmo que comandara o título, ops, a partida entre Corinthians e Ponte, em 1977 (veja referência ao fato em: http://prof-guilherme.capesp.org/?p=2439)

O Dulcídio fez o que todos esperavam: Corinthians 1×0 Santos.

Morumbi com 120.000 alvinegros… jogo duro, parelho… ataque santista pela direita, Pita recebe entra na área e cai… pênalti seria a marcação comum… mas, esse não seria um jogo comum (o Corinthians disputava um título…) e Dulcídio manda seguir… aos 35′ Sócrates manda de calcanhar para Palhinha, entra na área e cai… pênalti, marca Dulcídio. Clodoaldo se desespera… reclama, gesticula, reclama mais…. e leva o cartão vermelho (muita semelhança aos fatos de 77). O grande capitão fica fora de si… corre, pula, faz gestos com as mãos em sinal de roubo, é cercado pelos policiais, pela imprensa,  até que tomba desmaiado… as imagens são impressionantes.

Com 10 jogadores e um penalti contra, a perspectiva do SFC é das piores… Zé Maria cobra e Vitor defende… O Santos não era a Ponte Preta!

O 2º tempo é uma agonia… o Santos joga pelo empate (no jogo e na prorrogação)…. com 10 no gramado, sem Juary (contundido, nem entrou em campo) e sem Clodoaldo, o alvinegro incorporva toda a raça, toda garra possível.

No final da partida Sócrates entra na área (em posição duvidosa), divide com Vitor, sobra para Palhinha e gol.

Fim das esperanças do título, mas a certeza que o SFC renascera.

A certeza que aquele time tinha alma, e que sua alma era Clodoaldo.

A certeza que aquele time tinha um comandante: Formiga

A certeza que tinha dois craques: Ailton Lira e Pita

A certeza que tinha um goleador nato: Juary.

A certeza que tinha os dois melhores pontas do Brasil, naquele 2º semestre de 1978: Nilton Batata e João Paulo.

A certeza que o Santos não morrera, como diziam.

Que a alegria de jogar para frente, buscando o gol,  estava impregnado em Vila Belmiro. E  embalado ao som da disco-music do final dos anos 70, muitas alegrias e surpresas estavam à espreita em 1979.