Arquivo da tag: Serginho Chulapa

1990: Collor assume, o dinheiro some e o Santos sobrevive.

Santistas de Todo Mundo, uni-vos!

O Campeonato Paulista de 1990 começou em janeiro, e nem houve tempo para partidas de pré-temporada.

Quem comandava o SFC era José Macia, o Pepe, que na ausência de grandes recursos teria que usar os atletas da categoria de base. Desta forma, sobem para o time titular os defensores Camilo e Flavinho, o volante Axel, e o meia atacante Sergio Manoel. Chulapa estava de volta, assim como o zagueiro Márcio Rossini e a única contratação era o meia Gilmar, vindo do CR Flamengo. Eram mantidos o goleiro Sérgio Guedes, o volante César Sampaio e o goleador Paulinho McLaren.

O time não era ruim, mas ainda longe de disputar títulos… provavelmente faria uma campanha melhor que nos anos de 87, 88 e 89.

E a torcida desconfiada não comparecia… tanto que o público acima de 10.000 só aconteciam em clássicos… é claro que as condições econômicas contribuiram também… afinal, logo na posse de Collor (15/03/1990), houve o confisco do dinheiro da poupança em nome do combate à inflação…. e do dia para noite, o dinheiro sumiu…. depois o que sumiu foi o emprego e cerca de 1.000.000 de brasileiros ficaram desempregados…. cuja causa estava (além da falta de dinheiro para investimentos) na desastrosa política de abertura do mercado para as importações (a propaganda governista falava que os automóveis fabricados no Brasil eram carroças e passamos a importar  carros russos, como o Lada e o Niva…)

Não é necessário dizer que o SFC sofreu, junto com a população brasileira, com a falta de dinheiro…. se antes dependia da presença da torcida para financiar o clube, sem torcida os investimentos eram quase nulos…

E aquela geração de atletas da base não era de craques como em 78… e a campanha santista foi apenas mediana.

O campeonato Paulista de 1990 foi outro prodígio da imaginação da cartolagem…. eram 24 clubes divididos em dois grupos de 12 equipes. Um grupo “forte” (os 12 melhores de 1989) e um outro “fraco”. No “1º turno” os jogos eram de um grupo contra outro, e no “2º turno”, dentro do mesmo grupo. Os 7 melhores do grupo dos fortes passavam para a 3ª fase, junto com os 5melhores do grupo “fraco”. Os 12 desclassificados foram divididos em duas séries de 6 equipes que jogando dentro da mesma série em turno e returno, disputavam mais duas vagas para a 3ª fase.

Por incrível que pareça, o São Paulo FC conseguiu ficar fora dos 7 classificados, foi para a repescagem e … ficou de fora!   Desta forma, em 1991 o tricolor disputaria o Campeonato Paulista no grupo dos “fracos”… oficialmente não era uma segunda divisão, mas o sentimento do orgulhoso torcedor tricolor era como se o time tivesse sido rebaixado….

No Campeonato, dois grandes protagonistas no Santos: Serginho Chulapa e Kazuo!

Serginho Chulapa pela confusões que aprontou na competição… Numa delas foi contra o Juventus, na Vila. Naquela tarde, Chulapa era banco… e o alvinegro estava no 0xz0 contra a equipe da Moóca, Serginho entrou após o intervalo e aos 18 minutos abriu o marcador… aos 20 minutos o Santos amplia, 2×0. Aí,  Serginho deu o ar de sua graça… uma confusão e o árbitro expulsa três atletas, entre eles, Serginho… Não satisfeito, em ficar apenas 20 minutos em campo, Chulapa tentou invadir o vestiário do Juventus para agredir Albéris (que havia sido expulso  também). Ele jogou 31 partidas em 1990 e foi expulso em 4 ocasiões!

E Kazuo…

Ah, o Kazuo…

Ninguém levava a sério aquele japonês baixinho que se matava na ponta… aquele preconceito bobo que japonês não sabe jogar futebol… que só brasileiro sabe (no máximo alguns argentinos)… Kazuo tinha atuado no Santos anteriormente, passou pelo XV de Jaú e pelo Coritiba… mas gostava mesmo é de atuar com a camisa branca santista. Assim, vencendo a má-vontade e o preconceito, Kazuo buscou seu espaço… e Pepe, que sempre entendeu de futebol, sabia que podia contar com a raça e a personalidade de Kazuo.

FSP (30/04/1990)

E no dia 29 de abril,  Kazuo mostrou todo o seu talento… desmontou a defesa do Palmeiras e foi o principal nome do SFC na partida. Marcou um golaço e deu o passe para Paulinho McLaren fazer outro…

Dias depois, marcou mais um contra o Guarani, numa noite onde a torcida esgotou os ingressos na Vila Belmiro.

Veja gols de Kazuo:

Acompanhe os jogos do SFC na 1ª fase do Paulista de 1990:

EC São Bento – 0x0 (VB)

EC Santo André -1×0 (Santo André

EC XV de Novembro (Jaú) – 1×1 (VB)

A Ferroviária E – 0x0 (Araraquara)

Botafogo FC -1×1 (VB)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 0x1 (Piracicaba)

CA Juventus  – 2×0 (VB)

América FC -1×1 (SJRP)

Ituano FC -2×0 (VB)

GE Catanduvense  – 0x0 (Catanduva)

EC Noroeste  -2×1 (VB)

AA Ponte Preta – 0x1 (Moisés Lucarelli)

2º turno:

São Paulo FC – 0x1 (Pacaembu)

São José EC  -1×1 (VB)

A Portuguesa D – 0x0 (VB)

União São João  FC – 0x0 (Araras)

CA Bragantino – 0x2 (Bragança)

SC Corinthians P – 0x1 (Pacaembu)

AA Internacional – 3×2 (VB)

SE Palmeiras  – 2×1 (Morumbi)

Mogi Mirim EC – 1×1 (Mogi Mirim)

Guarani FC – 1×0 (VB)

GE Novorizontino – 0x0 (Novo Horizonte)

Com essa campanha o Peixe se classificou em 4º lugar em seu grupo e em 9º na classificação geral.

Antes de começar a 3ª fase, o alvinegro parte para um giro na Ásia.

Na agenda, a Super Copa Sul Americana, a ser disputada em Taiwan!

Numa viagem estafante que durou 4 dias, via costa Oeste dos EUA, o SFC chegou a Capital (Taipei ) na vépera de enfrentar o Estudiantes (Argentina) e o Nacional (Uruguai).

Depois de penar no percurso, do fuso horário, teve que encarar um fortíssimo temporal quando enfrentou o Estudiantes e venceu.

Em seguida, foi a vez do Nacional, empate e vitória nos pênaltis.

E, finalmente a decisão, contra o mesmo Nacional. Na partida 0x0, sendo necessária uma prorrogação. O Nacional saiu na frente (gol de José Garcia). Faltando apenas 4 minutos, bola levantada na área, Camilo sobe e manda de cabeça pra o gol uruguaio… Enorme confusão se instala no gramado… os jogadores do Nacional cercam o árbitro argentino alegando falta de Camilo no zagueiro uruguaio… o clima esquenta… as discussões mais ainda… o árbitro parte para cima dos uruguaios e agride os atletas uruguaios… a situação é tão caótica que os santistas pensam que o o gol pode ser anulado e se enfiam na confusão… o quebra pau torna-se generalizado… e a grande vítima foi o Troféu, que acabou quebrado. A partida é encerrada… mas, a confusão não. Dulcídio Wanderlei Boschila (convidado da delegação santista) parte para cima de Romualdo Arpi Filho (que bandeirava a partida) afirmando que Romualdo estava fazendo média com os uruguaios… e acabou saindo no tapa…

Tremendo barraco!

Três dias depois, os organizadores se reuniram e proclamaram Santos e Nacional campeões, e forneceram novas Taças para as equipes.

Campanha do SFC:

Estudiantes (Argentina) – 1×0 – Em Taipei

Nacional (Uruguai) – 1×1 (3×2 nos pênaltis) – Em Tainan

Nacional (Uruguai)- 0x0 (1×1 na prorrogação) – Em Taipei - SFC, Campeão da Super Copa Sul Americana

De Taiwan, foi até o Japão. Claro, a grande atração era Kazuo, que atuou  nas duas partidas:

Yamaha FC (Japão)  2×1 – em Iwata

PJM Futeres FC (Japão)  2×2 – em Hamatsu

Ao voltar par o Brasil, a Copa do Mundo já havia acabado… A seleção de Lazaroni havia sido eliminada pela Argentina, numa campanha da mais melancólicas em Copas do Mundo.

No Campeonato Paulista, a 3ª fase começava. Seriam dois grupos de 7 equipes, onde o campeão de cada grupo passava para a final. No grupo do SFCestavam: Bragantino, Corinthians, Botafogo, Ituano, Mogi Mirim e XV de Jaú.  Corinthians era o favorito e o Bragantino podia surpreender… e o Santos?

Bom, o Santos era uma incógnita… se Kazuo, Paulinho McLaren e Chulapa acertassem o pé, e Sergio continuasse a fazer os milagres no gol, podia até ser… mas seria muito difícil não perder pontos no interior e por consequência, alcançar a vaga.

Logo na 4 ª rodada, após perder para Corinthians e Bragantino, a vaga ficava bem distante… e mesmo não perdendo mais, ficou apenas na 3ª posição. Bragantino se classificou e decidiu o Campeonato  com o Novorizontino, fazendo a “final caipira”. Bragantino , cujo técnico era Wanderlei Luxemburgo, foi o Campeão.

Campanha:

Mogi Mirim EC – 1×1 (MM);0x0 (VB)

EC XV de Novembro (Jaú) – 1×0 (Santo André);1×0 (Jaú)

CA Bragantino – 0x2 (Bragança); 1×0 (VB)

SC Corinthians P – 1×3 (Morumbi); 0x0 (Pacaembu)

Botafogo FC -1×1 (Santa Cruz); 2×1 (VB)

Ituano FC – 2×1 (VB); 1×1 (Itu)

Depois de Campeonato Paulista, os tradicionais amistosos…

Quem visita a Vila Belmiro para um desses amistosos é a Universidad de Guadalajara, vice Campeã mexicana na temporada 89/90. Apenas 1.200 testemunhas viram o insosso empate de 0x0.

Segue para a Espanha para 3 jogos:

Ou melhor, segue para o País Basco onde enfrenta o Athletic Bilbao e depois mais duas partidas na Espanha, pelo Ramón Carranza.

A partida contra o Athletic Bilbao era festiva, tratava-se de uma homenagem ao ponteiro Argotte (502 partidas pelo clube Basco, foto ao lado). E o Peixe venceu por 2×0.

Quem fez sucesso, foi o zagueiro França, confundido com o holandês Ruud Gullit, foi alvo incessante de uma torcedora espanhola que queria um autógrafo do “Gullit” santista.

Na disputa do Troféu Ramón Carranza, venceu o Cádiz na disputa por pênaltis e levou a Taça “Ânfora Inclinada”.

A decisão  foi brasileira, contra o C Atlético Mineiro, e a Taça ficou com o Galo (0x1).

E mais uma disputa sem conquista, ficando apenas com a taça ganha em Taiwan.

Na volta já encarava o Brasileiro.

Campeonato que seria um pouco mais simples que a bagunça de 1989. Seriam 20 clubes em dois grupos de 10. No 1º turno, confrontos de um grupo contra outro; no 2º turno, apenas jogos no interior de cada grupo. Os campeões de cada turno em cada grupo estariam, classificados para as quartas de final, assim como os 4 melhores pontuados na soma dos dois turnos, independentemente de grupos. A parir daí os jogos seriam em mata-mata até a decisão final.

Almir. Esse chegou à seleção Brasileira.
Almir. Esse chegou à seleção Brasileira.

Para o campeonato Brasileiro, o Santos recebia o reforço de Edu Marangón, muito bom meia que surgiu na Portuguesa e vinha do Flamengo. Márcio Rossini tinha saído, assim como Kazuo e Chulapa era mais banco que titular, mas Pepe continuava comandando o time que ficava mais ofensivo e perigoso com a chegada de Almir, rápido ponteiro direito revelado pelo Grêmio.

No 1ºturno, o time não foi muito bem, ficando apenas na 6ª posição.

Mas, no returno…

Surpreendentemente, foi o Campeão do Grupo!

Apesar das duas derrotas, ficou na frente das outras 9 equipes, classificando-se para a fase final do Brasileirão… Uma campanha que nem os mais otimista dos santistas poderia conceber no início do campeonato.

Veja a campanha:

1º turno:

C Naútico C – 0x1 (Aflitos)

São Paulo FC – 1×0 (VB)

SE Palmeiras – 0x0 (Parque Antártica)

São José EC – 2×0 (VB)

Fluminense FC – 2×5 (São Januário)

CR Flamengo  – 0x0 (VB)

AA Internacional – 2×0 (Limeira)

Cruzeiro EC -1×1 (Mineirão)

Grêmio FPA – 0x0 (VB)

Vitória EC – 3×0 (VB)

2º turno:

A Portuguesa D – 1×0 (VB)

C Atlético Mineiro – 0x0 (VB)

EC Bahia – 1×0 (VB)

Goiás EC – 0x1 (Serra Dourada)

SC Internacional – 1×1 (Beira Rio)

SC Corinthians P – 0x1 (Pacaembu)

CA Bragantino – 3×0 (VB)

Botafogo FR – 2×1 (VB)

CR Vasco da Gama  – 2×2 (São Januário)

Durante o 2º turno, o Peixe disputava a Super Copa da Libertadores. E começou bem, empatando no Estádio Centenário com o Peñarol, em 0x0. Uma vitória simples colocava o alvinegro na fase seguinte. Apenas empatou na Vila, na partida de volat (2×2), e nos pênaltis foi eliminado. Uma pena…

Restava o mata-mata do Brasileirão…

O adversário seria o São Paulo de Telê Santana, Zetti, Cafu e Raí. Uma vitória era fundamental na Vila Belmiro, para tentar garantir o empate no Morumbi.

Como sempre, Telê reclamava de atuar na Vila… dizia que o Estádio não comportava um clássico daquela altura e outras coisas… falava da segurança e tal… mas, no fundo ele sabia que vencer o Peixe na Vila era tarefa das mais espinhosas…E numa partida cheia de equilíbrio, Mario Tilico conseguiu fazer um golzinho no final do 1º tempo… e mesmo com toda pressão santista, com um atleta a mais (Cafu foi expulso), não foi possível superar Zetti.

No Morumbi, o Santos foi para cima, arriscando tudo…

Logo aos 6 minutos Paulinho abre a contagem… e o time continuou no ataque… ao poucos o tricolor organizava seu jogo, mas Sérgio Guedes era uma barreira no gol santista… e foi assim, com muito equilíbrio, que a partida seguia… tanto o Santos podia abrir 2×0 e pavimentar sua classificação, como tricolor poderia empatar e derrubar o alvinegro… E aos 81′, o atacante Eliel empatou a contagem e terminou com os sonhos santistas… 1×1.

Veja os melhores momentos da partida:

Fichas técnicas -1989

18/05/1989 Santos FC 2×1 São Paulo FC

L: Pacaembu – São Paulo (SP)

C: Campeonato Paulista

R: NCz$ 21.668

P: 9.278

A: Dagoberto Teixeira

G: Junior 27′ e Sócrates (p) 54′ – Paulo Cesar (p) 67′

SFC: Sergio; Heraldo, Luis Carlos, Luisinho e Wladimir; César Sampaio, César Ferreira, Junior e Sócrates; Juary e Tuíco

Técnico: Nicanor Carvalho

SPFC: Gilmar; Netto, Adílson, Ivan e Nelsinho; Bernardo, Flavio (Mario Tilico) e Bobô; Benê, Paulo Cesar e Renatinho (Ney).

Técnico: Carlos Alberto Silva

Num Pacaembu semi-deserto, um belo gol de Junior… vale a pena conhecer os gols da partida:

27/08/1989 Santos FC 2×0 Double Flowers (HK) -

L: Municipal de Hong Kong (Hong Kong Government Stadium) – Hong Kong (HKG)

C: Amistoso

P: 8.145 pessoas

A: Samuel Y. Chian

G: Marco Antonio Cipó e Roberto Cearense

SFC: Sérgio (Nilton Pelegrine); Ditinho, Davi, Luis Carlos e Wladimir (Luisinho), César Sampaio (Cássio); César Ferreira e Sócrates (Marco Antônio Cipó); Roberto Cearense, Heriberto e Totonho.

Técnico: Nicanor de Carvalho.

DF: Cha San Yin; Tang Chi Ming, Lee Chung, Cha Chi Kwong e Russel Milton; Kam Wah, Chan Man Sholn e Deniel Esguliant; Ho Kwok Lrung, Ho Kam Pio e Tsang Ting Tai.

Última partida de Sócrates no SFC

05/11/1989 Santos FC 2×1 SC Internacional PA (Porto Alegre)

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Campeonato Brasileiro

R: NCz$ 190.640

P: 8.883

A: Manoel Serapião Filho

Expulsão: Julio Cesar (SCI) expulso

G: Jorginho (olímpico) 19′ e Paulinho MacLaren 65′ – Zé Carlos 31′

SFC: Sergio; Cesar Ferreira, Luisinho, Luis Carlos e Vladimir; César Sampaio, Axel (Totonho) e Jorginho; Paulinho McLaren, Serginho Chulapa e Tuíco

Técnico: Pepe

SCI: Taffarel; Julio Cesar (Edmundo), Norton, Maurício e Casemiro; Norberto (Dacroce), Luvanor, Bonamico e Zé Carlos; Nelson e Edu.

Técnico: Francisco Neto

Gol de Jorginho foi olímpico. Serginho Chulapa retorna ao SFC

Fichas técnicas 1986

23/02/1986  Santos FC 4×0 EC Santo André

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Campeonato Paulista

R: Cr$ 96.340.000,00

P: 4.766 + 953 (5.719)

A: Almir Laguna

Expulsões: Serginho Chulapa (SFC); Luis Pereira e Marcos (ECSA) expulsos

G: Serginho Chulapa 20′ e 37′, Carlos Alberto Borges 74′ e Paulo Leme 84′

SFC: Evandro; Gilberto Sorriso, Davi, Toninho Carlos e Paulo Robson; Dunga (Mazinho), Celso e Carlos Alberto Borges (Paulo Leme); Junior, Serginho Chulapa e Zé Sergio.

Técnico: Julio Espinosa

ECSA: Tonho; Jair, Luis Pereira, Marcos e Vladimir; Elcio, Rota e Gerson (Zezé); Arnaldo, Gaucho (Agnaldo) e Cabrinha.

Técnico: José Poy

No retorno de Serginho Chulapa, gols!!!!

17/05/1986 Santos FC 1×0 Botafogo FC (Ribeirão Preto)

L: Santa Cruz – Ribeirão Preto (SP)

C: Campeonato Paulista

R: Cz$ 580.020

P: 27.501 + 1.927 + 902 (30.303)

A: Ilton José da Costa

G: Paulo Leme 16′

SFC: Evandro; Cesar Sampaio, Pedro Paulo, Celso e Paulo Robson; Dunga (Gerson), Hugo De León e Paulo Leme; Carlos Alberto Borges, Serginho Chulapa e Zé Sergio (Gilberto Sorriso).

Técnico: Julio Espinosa

BFC: Gasperin; Edivaldo, Arnaldo, Valdir Carioca e Ari; Paulo Rodrigues, Marco Antonio Boiadeiro e Raí; Nilton, Peu e Mario Sergio (Teco).

Técnico: Pedro Rocha

Com esse resultado o SFC venceu o 1º turno do campeonato Paulista de 1986.

37 – 01/07 1×3 CA Juventus (São Paulo) - 3781

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Campeonato Paulista

R: Cz$ 45.420

P: 2.571 + 380 (2.951)

A: José Renato de Oliveira Fidalgo

Expulsão: Serginho Chulapa (SFC) expulso

G: Paulo Leme 30′ – Raudinei 60′ e 63′ e Betinho 73′

SFC: Mano, Cesar Sampaio, Davi, Flavio e Paulo Robson; Carlos Alberto Borges, Junior e Paulo Leme; Ribamar (Gersinho), Serginho Chulapa e Zé Sérgio (Mazinho).

Técnico: Julio Espinosa

CAJ: Barbiroto; Jairo, Juninho, Paulo Roberto e Bizi; Rocha, Sergio (Heriberto) e Gatãozinho; Raudinei, Fagundes (Reinaldo) e Betinho.

Técnico: Candinho

Veja abaixo, um retrato daquele Santos de 1986:

Feios, sujo e malvados

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Meus amigos, o time do SFC em 1986 era um time barra pesada… atletas experientes, “malandros”, rodados e sabiam bater… inclusive na bola.

Serginho Chulapa voltava ao alvinegro depois de um ano de férias (quando atuou  pelo Corinthians, como ele mesmo dizia).

Os reforços eram do mesmo naipe… Dunga… sim, o ex-técnico da Seleção brasileira da Copa de 2010 foi atleta do SFC… De León, vigoroso zagueiro uruguaio  veio tomar conta do meio de campo santista… o retorno de Gilberto Sorriso, a manutenção de Rodolfo Rodrigues, Toninho Carlos e Zé Sérgio formavam a espinha dorsal da equipe.

Todos conheciam os segredos do gramado, sabiam o que fazer em campo… mas devia ser um pesadelo para  o treinador… Talvez não fosse para Castilho, técnico experiente e vencedor que estava no clube desde 1984, mas o desgaste e os insucessos do início do ano provocaram a queda do veterano treinador.  E quem ficou com o desafio nas mãos foi Júlio Espinosa, em sua 1ª experiência como técnico. Júio Espinosa era preparador físico de Castilho na comissão técnica santista, e já tinha uma carreira de sucesso no futebol gaúcho, sendo tri-campeão brasileiro pelo Internacional e Campeão de 1981 pelo Grêmio.

A temporada começa com o Torneio Internacional de Verão, em janeiro. Um Torneio caça -níqueis promovido por emissora de TV para cobrir a grade de férias…

O tal Torneio era um triangular, que contava com o Santos, Corinthians e o  Grasshopers, da Suiça!

Resultados:

2×1 Grasshopers (Suiça) – Vila Belmiro

0x2 Corinthians – Vila Belmiro

Mais três resultados negativos provocaram a queda de Castilho… foram dois amistosos e a eliminação no torneio Início:

16/02 – 0x1 AA Ponte Preta  – Pacaembu  – Torneio Início

Júlio  Espinosa chega com a missão de controlar  e dar um padrão de jogo eficiente ao elenco… e conta com o grande reforço de Serginho Chulapa.

E logo no retorno de Chulapa, ele deixa sua marca… 2 gols e uma discussão com o veterano zagueiro Luis Pereira, indo os dois para o chuveiro  mais cedo… Com muita raça, o alvinegro começava o Campeonato Paulista com uma convincente vitória por 4×0 sobre o Santo André.

Campeonato  Paulista que seguia o mesmo regulamento de 1985, isto é, Campeão do 1º turno, Campeão do 2º turno e mais dois melhores por pontos para a fase decisiva, em semi-finais e final.

Era um time irregular  aquele Santos FC, porém os outros grandes estavam mais irregulares ainda…  a fila de 10 anos do Palmeiras já pesava sobre o time, o Corinthians  não se encontrava desde a saída de Sócrates, a Portuguesa sentiu o baque da perda do campeonato para o São Paulo em 1985, os times de Campinas eram uma sombra pálida do que tinham sido no final dos anos 70… sobrava o São Paulo… mas o tricolor tinha seus problemas (metade do time servinda a Seleção),   e não apresentava o mesmo padrão do final de 1985.

Dessa forma, o alvinegro ia ganhando pontos e perdendo outros de maneira inacreditável… Nas 10 primeiras partidas havia perdido 3 (derrotas para Juventus, São Paulo e Mogi-Mirim), empatara 4 vezes (Palmeiras e Portuguesa na Vila Belmiro, Paulista e XV de Piracicaba)  e contava com apenas 3 vitórias (Santo André, São Bento e Novorizontino).

Eram tempos estranhos, aqueles no início de 1986. Bottom que as pessoas usavam em apoio ao plano econômico de Sarney e Funaro

A campanha um tanto confusa era o retrato daqueles tempos no Brasil… no final de fevereiro, o Ministro da Fazenda Dílson Funaro lança o Plano Cruzado! Preços congelados, nova moeda (sai o cruzeiro, entra o cruzado – com 3 zeros a menos)… tempos do tabela de preços  e do Fiscal do Sarney! Tempos, onde a população fechava supermercados se os produtos estivessem com os preços acima das tabelas publicadas pelo Governo Federal.

Voltando ao futebol, na derrota contra o Juventus, uma nota interessante foi a presença do ponteiro japonês Kazuo. Kazuo é um dos maiores nomes da história do futebol nipônico em todos os tempos. Começou um tanto tímido no SFC, mas em 1990 será um dos grandes destaques da equipe…

E a crise rondava a Vila… nesta mesma partida, mais de 200 torcedores cercaram os vestiários do Canindé para exigir a saída de Júlio Espinosa… protestavam contra a escalação do SFC … da presença de jogadores da base que Júlio Espinosa estava lançando no time de cima…

E de uma hora para outra, o alvinegro resolveu jogar… e nas 9 partidas finais do 1º turno, o SFC venceu oito!

Uma arrancada irresistível…

Que começou numa despretensiosa partida contra o XV de Jaú, cujos gols você pode ver aqui:

Depois dessa vitória, o time que chegou a ocupar a 13ª colocação, estava em 9º lugar, a 5 pontos dos líderes Portuguesa e Ponte Preta.

Venceu a Inter de Limeira, e encarou o Corinthians…

Um jogo especial… no elenco santista Dunga, De León e Chulapa que haviam “atuado” no rival paulistano em 1985…

Numa partida soberba de Dunga, o Peixe matou o rival com uma vitória por 1×0. E Dunga, aos 22 anos, já mostrava sua personalidade forte… quando entrevistado pelos

Dunga: raça, dedicação, liderança e língua afiada desde o início da carreira.

jornalistas, declarou à Revista Placar: “Estou realizado (com a vitória) porque provamos que quem faz o ambiente ruim no Corinthians não são os jogadores” “Se Pelé tivesse jogado no Corinthians não teria sido o melhor jogador do Mundo”… esse Dunga… conhece das coisas…

A diferença para os líderes havia diminuído para apenas 3 pontos… o SFC estava no páreo.

Na partida seguinte uma bela vitória sobre a Ponte: 3×2 e gruda nos calcanhares da Lusa…

Porém, uma derrota na ensolarada São José do Rio Preto afasta os sonhos santistas, afinal agora são 5 pontos para serem tirados em apenas 4 jogos.

No entanto como desprezar toda a catimba e malícia daquele elenco?

Na Vila, o  Comercial não foi adversário… 4×0 com 3 gols de Chulapa e outro de Dunga.

O próximo compromisso seria em Campinas, contra o Guarani. E no Brinco de Ouro, Dunga, De León, e Chulapa mostraram todo o repertório que possuiam, isto é, gols (Chulapa), raça (Dunga), liderança (De León) e bom futebol (todos).

O time estava tão bem que nem mesmo a ausência de Rodolfo Rodrigues (preparando-se para a Copa do Mundo, pelo Uruguai) era sentida. Evandro e Mano, jovens arqueiros santistas, davam conta do recado.

A surpresa era a presença de dois meninos que iam muito bem: César Sampaio e Paulo Leme.

Enquanto isso a Portuguesa virava o fio… tomava de 4×1 do São Paulo.

A Ferroviária descia a Serra para encarar o Santos. Mas como encarar aquele time “encardido”?

E Chulapa é decisivo novamente, marca  dois gols e deixa o Peixe com a mão na conquista do 1º turno. Na penúltima rodada o alvinegro esta 1 ponto a frente da Lusa (que perde para o Comercial por 3×0).

Tudo será decidido em Ribeirão Preto, e no interior o SFC mostra toda sua matreirice, sua picardia, vencendo o Botafogo por 1×0.

Santos Campeão do 1º turno do Campeonato Paulista de 1986!

Campanha do 1º turno:

EC Santo André – 4×0 – VB

Paulista FC – 0x0 – Jundiaí

EC São Bento – 2×0 – VB

A Portuguesa D – 1×1 – VB

EC XV de Novembro – 1×1  – Piracicaba

SE Palmeiras – 1×1 (VB)

São Paulo FC – 1×3 –  Morumbi

GE Novorizontino – 2×0 – VB

Mogi Mirim FC – 1×2  –  Mogi Mirim

CA Juventus – 0x1 –  Canindé

EC XV de Novembro (Jaú) – 2×1  – VB

AA Internacional – 1×0 – VB

SC Corinthians P – 1×0 – Pacaembu

AA Ponte Preta – 3×2  – VB

América FC – 0x1  – SJRP

Comercial FC – 4×0 – VB

Guarani FC – 3×1  – Brinco de Ouro

A Ferroviária E – 2×1  – VB

Botafogo FC – 1×0 –  Santa Cruz

Com a equipe classificada para as finais, o 2º turno foi totalmente diferente… com os atletas desinteressados, o time foi um saco de pancadas, sofrendo derrotas inacreditáveis, como 4×0 para o XV de Jaú, ou 3×0 para a Ferroviária, ou ainda 3×0 para a Inter de Limeira…

Sendo assim , o melhor a fazer era faturar uns trocos em amistosos pelo Brasil e na Europa…

No início do ano, o Peixe já havia visitado a América do Norte, com resultado satisfatório:

23/03 – 0x0 Seleção do México  – nos EUA

26/03 – 1×0 Chivas Guadalajara (México)  – no México

Na Europa, o time havia sido convidado para participar de três Torneios: o de Dortmund, Roterdã e o Theresa Herrera (Espanha).

No Torneio de Dortmund, o Peixe ficou em 3º lugar:

29/07 – 2×3 Galatasaray (Turquia) – Dortmund (Alemanha) – Continentale Cup

30/07 – 3×1 PAOK (Grécia) – Dortmund (Alemanha) – Continentale Cup

No Torneio de Roterdã, ficou na 4 ª colocação:

01/08 – 1×3 Feynoord (Holanda) – Quadrangular Internacional de Roterdã (Holanda)

03/08 – 1×2 Everton (Inglaterra) – Quadrangular Internacional de Roterdã (Holanda)

No Theresa Herrera, foi vice-campeão:

09/08 – 1×0 São Paulo FC – La Coruña (Espanha)

10/08 – 0x1 Atlético de Madrid (Espanha)- La Coruña (Espanha)

Após as derrotas na Europa, Júlio Espinosa é demitido e Chico Formiga reassume o comando técnico do Alvinegro.

A situação é muito diferente do início do ano… a crise esta instalada na Vila, onde a campanha no returno foi ridícula, ficando na última colocação. Acompanhe o vexame:

AA Internacional – 0x3 (Limeira)

Guarani FC – 2×1 (VB)

EC Santo André  – 1×2 (Santo André)

A Ferroviária E – 0x3 (Araraquara)

EC Xv de Novembro – 0x4 (Jaú)

Paulista FC – 2×1 (VB)

Botafogo FC – 0x1 (VB)

A Portuguesa D – 1×0 (Canindé)

CA Juventus  – 1×3 (VB)

Mogi Mirim FC – 0x0 (VB)

SE Palmeiras  – 1×1 (Parque Antártica)

EC XV de Piaracicaba –  0x0 (VB)

São Paulo FC – 1×2 (VB)

AA Ponte Preta – 2×1 –  Moisés Lucarelli

GE Novorizontino – 0x1 (Novo Horizonte)

América FC – 0x0 (VB)

SC Corinthians P – 0x2 (VB)

EC São Bento – 1×2 (Sorocaba)

Comercial FC – 1×2 (Francisco Palma Travassos)

Pepe levou a Internacional de Limeira ao título de Campeã Paulista de 1986.

Após amargar a última colocação do returno,  a tabela indica a Inter de Limeira (Campeã do 2º turno) como adversário na semi-final. A Internacional era dirigida nada menos por José Macia, o Pepe, e contava com os ex-santistas Silas (goleiro), Carlos Silva e Gilberto Costa.

E mesmo com a volta de Rodolfo Rodrigues, o Peixe não fez frente para o time interiorano… Com duas vitórias (na Vila e em Limeira), José Macia comandou a conquista do Título Paulista pela Internacional de Limeira, numa decisão épica contra o Palmeiras, num Morumbi lotado. No início de 1987, Pepe conquistava também o Campeonato Brasileiro, pelo São Paulo… uma comprovação inconteste que Pepe, além de grande atleta era também um grande técnico!

Jogos da semi-final:

AA Internacional – 0x2 (VB); 1×2 (Limeira)

Perdendo o Campeonato Paulista, as coisas mudavam…  De León e Zé Sérgio saiam e o Santos FC apostava num outro uruguaio: Santin. A aposta não deu grandes resultados…. o clube voltava a tentar jogadores jovens e desconhecidos por total falta de dinheiro.

De León voltaria em 1987

Sem De León, que seguia para a Alemanha, o Santos começa sua participação no Campeonato Brasileiro de 1986.

Campeonato que foi o retrato perfeito da bagunça que era a “organização” do futebol…

Seriam 44 participantes divididos em 4 grupos de 11 clubes. Os seis melhores seriam classificados para a fase seguinte, os quatro melhores por critérios técnico, além de  4 clubes vindos do “Torneio Paralelo” (vejam que criatividade…). O Tal Torneio Paralelo era composto de 36 equipes agrupadas em 4 séries de 9 times. O campeão de cada série passava para 2 ª fase do Campeonato Brasileiro. Como não havia uma “2ª divisão”, significa dizer que o Campeonato de 86 foi disputado por 80 clubes!

Se isso não fosse o suficiente, o regulamento foi rasgado durante a competição… Como o Vasco não se classificaria para a fase seguinte, seus dirigentes conseguiram através de manobras jurídicas (pleiteando pontos perdidos para seus adversários) uma “virada de mesa”, passando a serem oito os classificados por critério “técnico”.

A fase seguinte ficou composta por 36 equipes, novamente agrupadas em 4 chaves, agora de 9 agremiações.  Os 4 melhores passariam para a fase de “mata-mata”, em oitavas, quartas, semi-finais e final. A novidade era a criação de duas divisões por critério técnico. o dois últimos de cada chave seriam rebaixados para a 2 ª divisão, formando uma 1ª divisão em 1987 com 28 clubes!

Seria assim, se não houvesse uma nova “virada de mesa”…  após terminar o Campeonato, a cartolagem decidiu que não haveria rebaixamento… o grande beneficiado foi o Botafogo, que seria rebaixado. Uma beleza.

Esse foi o espírito do Campeonato.

Sob o Comando de Formiga, o time não deu o vexame que dera no returno do Paulistão… com uma campanha regular, terminou em 3º lugar em seu grupo, classificando-se sem sustos para a 2ª fase.

O Destaque do time foi a presença de “Dino Furacão”, um artilheiro de curta duração… marcou 8 gols em 4 partidas, e a massa santista acreditava que tinha surgido um Toninho Guereiro, um Feitiço, ou  mesmo um novo Chulapa… mas era apenas o Dino Furacão… que levantou muita poeira e sumiu…

Veja aqui um gol de Dino Furacão, na inauguração do Barradão, em novembro de 86 (como brinde, gols de Dino no futebol português e um gol contra o Operário de Várzea Grande, pelo SFC no início do vídeo:

Campanha na 1ª fase:

EC Cruzeiro – 3×2  –  Mineirão

Rio Branco AC – 0x0 – Kleber Andrade (Cariacica – ES)

CR Vasco da Gama  – 0x0 – Pacaembu

EC Bahia – 0x3  – Fonte Nova

Atlético C Goianiense – 1×0 – Serra Dourada

Guarani  FC – 0x1 – Vila Belmiro

CE Operário VG (MT) – 3×0 – Parque Antártica

C Náutico C – 5×0 – Vila Belmiro

Tuna Luso B – 2×0  – Vila Belmiro

Piauí EC – 2×0  – Albertão

Na 2ª fase, ficou na mesmo grupo com São Paulo, Palmeiras, Ponte Preta, America (RJ), Botafogo, Bangu, Joinville e Treze

E começou tropeçando no Treze de Campina Grande em plena Vila Belmiro…

Derrotas para o Palmeiras e São Paulo mostravam que no máximo o time brigaria pela 4ª vaga… e de bom apenas uma vitória de virada sobre o Botafogo, no Maracanã, por 3×2.

No returno, uma façanha: nenhuma vitória… 7 empates e uma derrota (decisiva, contra o America).

A nota mais curiosa foi a partida contra o Treze, em Campina Grande.

O trio de arbitragem chegou atrasado ao estádio, e o delegado da CBF designou o 4º árbitro-reserva (Odilon Pereira) para apitar a partida, chamando para auxiliá-lo outros dois (José do Egito e Marcos Nunes), que estavam nas arquibancadas!!!!! Segundo declarações de Serginho Chulapa, o árbitro previsto para apitar, Alvimar Gaspar dos Reis chegara ao estádio embriagado…. Seus auxiliares eram Custódio José e Carlos Vicente.

Que várzea, não?  A direção do SFC ameaçou pedir os pontos ou pelo menos zerar os cartões recebidos (amarelos), mas ficou tudo na intenção.

Assim era o Campeonato Brasileiro… uma bagunça!

Campanha do SFC na 2ª fase:

Treze FC – 0x1  (VB); 0x0 (Ernani Sátiro  – Campina Grande)

America FC – 1×0 (VB); 0x1 (Caio Martins  – Niterói)

São Paulo FC – 0x2 (Morumbi); 0x0 (Morumbi)

AA Ponte Preta – 1×1 (Pacaembu); 0x0 (Moisés Lucarelli)

SE Palmeiras – 0x1 (Pacaembu); 1×1 (Pacaembu)

Bangu AC – 2×0 (VB); 1×1 (Moça Bonita)

Joinville EC – 0x0 (Ernesto Sobrinho – Joinville); 0x0 (VB)

Botafogo FR – 3×2 (Maracanã); 0x0 (Pacaembu)

As partidas contra o America e contra a Ponte Preta ocorreram apenas em 1987.

Ainda no final do ano, além de inaugurar o Barradão, o SFC foi até a Argentina para inaugurar os refletores do Estádio do Racing:

11/11 – 1×1 EC Vitória – Barradão – Inauguração do Estádio

03/12 – 0x2 Racing C (Argentina) – Estádio Presidente Juan Perón (Inauguração dos refletores)

O SFC inaugurou a iluminação deste estádio

Fichas técnicas – 1984

14/07/1984 Santos FC 2×0 América FC (São José do Rio Preto)

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Campeonato Paulista

R: Cr$ 15.938.000,00

P: 6.906 + 1.140 (8.046)

A: José de Assis Aragão

G: Serginho Chulapa 26′ e 52′

SFC: Rodolfo Rodrigues; Chiquinho, Márcio (Fernando), Toninho Carlos e Gilberto (Paulo Robson); Dema, Humberto e Paulo Isidoro; Lino, Serginho e Zé Sergio.

Técnico: Carlos Castilho.

AFC: Paulo Cesar; Nena, Orlando Fumaça, Jorge Lima e Daniel; Paulo Martins, Catanoce (Mazola) e Toninho; Formiga, Tarciso e Vilmar (Ílton).

Técnico: Candinho

Rodolfo Rodrigues realizou 3 defesas seguidas, à queima roupa, de maneira fantástica aos 39’ do 1º tempo

29/08/1984 Santos FC 2×0 EC Santo André

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Campeonato Paulista

R: Cr$ 11.943.000,00

P: 5.509 + 732 (6.241)

A: Almir Laguna

G: Paulo Isidoro 50” e Gersinho 78′

SFC: Rodolfo Rodrígues; Chiquinho, Márcio Rossini, Fernando e Toninho Oliveira; Humberto, Lino e Paulo Isidoro (Mário Sergio); Gersinho, Ataliba (Ronaldo) e Zé Sérgio.

Técnico: Carlos Castilho.

ECSA: Tonho; Marcos, Julião, Neto e Jaime Bôni; Élcio, Rota e Arnaldo; Barbosa, Jones e Esquerdinha (Brinda).

Técnico: Roberto Correa

Santos conquistou a Taça dos invictos de “A Gazeta Esportiva” ao atingir 15 jogos (nova série da VI Taça dos Invictos)

02/12/1984 Santos FC1x0 SC Corinthians P (São Paulo)

L: Morumbi – São Paulo (SP)

C: Campeonato Paulista

R: Cr$ 419.323.500,00

P: 101.587 + 9.758 menores (111.345)

A: José de Assis Aragão

G: Serginho Chulapa 72′

SFC: Rodolfo Rodrigues; Chiquinho, Márcio Rossini, Toninho Carlos e Toninho Oliveira (Gilberto Sorriso); Dema, Paulo Isidoro e Humberto; Lino, Serginho Chulapa e Zé Sergio (Mario Sergio)

Técnico: Castilho

SCCP: Carlos; Edson, Juninho, Vagner e Vladimir; Biro-Biro, Arturzinho (Paulo César), Zenon e Dunga; Lima e João Paulo.

Técnico: Jair Picerni

SFC Campeão Paulista , melhor defesa do Campeonato e Serginho Chulapa foi o artilheiro.

16/12/1984 Santos FC 2×1 EC Noroeste (Bauru)

L: Alfredo de Castilho – Bauru (SP)

C: Amistoso

R: Cr$ 21.250.000,00

P: 4.114 + 1.600 (5.714)

A: Renato Fidalgo

G: Serginho Chulapa 16′ e Mazinho 69′ – Jânio 23′

SFC: Silas, Chiquinho, Marcio Rossini, Toninho Carlos e Toninho Oliveira; Lino, Paulo Isidoro (Mazinho) e Humberto; Mario Sérgio, Serginho Chulapa (Enéas) e Zé Sérgio (Gersinho).

Técnico: Carlos Castilho.

ECN: Silvio Luiz; Edinho, Jorge Fernandes (Dedé), Carlos Alberto (Edson) e Ferreira (Valter); , Marcão (Mauri), Bira e Jenildo; Amauri (Jorge Maravilha), Osmair e Jânio.

SFC recebeu o Troféu dos Campeões (Campeão da Divisão Especial x Campeão da 1º divisão)

No ano das “Diretas”, SFC é Campeão!

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

1984 não é apenas o título do Livro de George Orwell, mas o ano que marcou profundamente o Brasil e os santistas.

No Brasil,  explodem as manifestações populares exigindo eleições diretas para a Presidência da República, numa demonstração clara e inequívoca que a Ditadura Militar não tinha mais a menor chance de sustentação… Trabalhadores, Estudantes, Intelectuais, a classe média, e mesmo setores conservadores não suportavam mais a censura, a inflação, a decadência econômica e a opressão dos militares.

O povo brasileiro ia às ruas, e em São Paulo, embalados pelas baterias de torcidas do Santos FC e do Corinthians, multidões bradavam: Diretas, Já!

Nos palanques a presença de Osmar Santos, genial e revolucionário locutor de rádio, comandava a massa e abria os microfones para lideranças díspares, como Lula, FHC, Ulisses Guimarães (Ex- dirigente do SFC nos anos 40), Leonel Brizola, Tancredo Neves, Chico Buarque, Fafá de Belém, Sócrates, Casagrande e uma infinidade de brasileiros, inclusive o Rei Pelé.

Nos jogos do Santos, apareciam faixas exigindo : “Diretas, já”… e ao contrário da campanha pela anistia, as faixas não eram mais retiradas e nem seus portadores presos…

A campanha foi tão intensa , que no Maracanã, num Fla-Flu, antes da partida começar, as torcidas se uniram e gritavam: “Diretas, Já! Diretas, Já! Diretas, Já!”

Sócrates, em um dos comícios avisava… se a Emenda pelas Diretas passasse no Congresso, assumia o compromisso de permanecer no Brasil, abrindo mão de qualquer proposta italiana…

E a Rede Globo não mostrava os comícios em seus telejornais...

Para conhecer mais sobre o movimento que arrebatou o Brasil, clique aqui: http://virtualiaomanifesto.blogspot.com/2009/06/diretas-ja-quando-o-povo-voltou-as-ruas.html

Outra referência sobre as Diretas, esta na música “Nome aos bois” (Titãs), onde você pode ver  e ouvir aqui: http://prof-guilherme.capesp.org/?p=2439

No vídeo aparece o General Newton Cruz, que impedia as pessoas de entrarem ou saírem de Brasília por ocasião da votação da emenda pela Diretas…

No Santos algumas novidades… o que era mais que esperado, pois o Vice Brasileiro e a queda nas semi-finais do Paulista foram bem frustantes… o time era um dos melhores do Brasil, mas não havia ganho nenhum título…

Porém o fato de voltar à Libertadores depois de 18 anos, enchia de esperanças a massa  santista e a direção do Clube…

O grande reforço era o uruguaio Rodolfo Rodrigues… um mito no gol santista, o maior goleiro que vi atuar sob os arcos santistas… E Rodolfo chegou ao clube com a ajuda do Rei Pelé, que emprestou dólares ao SFC para que o goleiro assumisse a condição de titular.

Chegava RR, mas João Paulo partia… o Papinha da Vila ia para o Flamengo. Dos meninos da Vila sobrava apenas Pita… Claudinho, outro menino, era um reserva de luxo…

A temporada começa com o Campeonato Brasileiro. Ainda com 40 clubes, divididos em 8 grupos de 5 equipes, mas com mudanças na Taça de Prata. A CBF já tinha achado um jeito de garantir os clubes mais tradicionais na Taça de ouro, instituindo o convite baseado num ranking histórico… assim, aos clubes que participassem da Taça de Prata era garantindo apenas uma vaga ao seu campeão na 3ª fase da Taça de Ouro…

Os 3 melhores de cada grupo se classificavam à 2ª fase, assim como outros 4 provenientes de confrontos entre os 4ºs colocados de cada grupo. Os 28 clubes eram divididos em 7 grupos de 4 equipes e as 2 melhores se classificariam à 3ª fase, assim como o clube que mais pontuasse nas duas primeiras fases e o Campeão da Taça de Prata. As 16 equipes seriam, novamente, divididas em 4 grupos de  4 equipes… as duas melhores de cada grupo seguiam em frente e teríamos as quartas de final, semi -finais e finais. Tudo muito simples…

Na 1ª fase do Brasileirão, o alvinegro terminou invicto… com apenas  um empate:

Campanha:

29/01 – 1×1 Fluminense FC – Morumbi – 24.392 + 1.883 gratuitos (26.275)

02/02 – 2×0 AD Confiança – Batistão – 21.197

05/02 – 2×0 ABC FC – Castelo Branco – 46.111

09/02 – 2×0 Ferroviário AC – Vila Belmiro – 12.206 + 2.396 gratuitos (14.602)

15/02 – 4×1 ABC FC – Vila Belmiro – 8.450 + 813 (9.273)

23/02 – 5×0 Ferroviário AC – Castelão – 4.930

26/02 – 1×0 Fluminense FC – Maracanã – 25.903

29/03 – 3×0 AD Confiança – Vila Belmiro – 11.262 + 1.142 gratuitos (12.404)Para Libertadores a co

Para a Libertadores, a confiança era grande… a primeira partida seria no Rio de Janeiro, contra o Flamengo. Os outros adversários seriam da Colômbia (Atlético Junior e America).

No Rio de Janeiro, foi um desastre… O Flamengo deu um baile e venceu por 4×1!

Tudo seria decidido na Colômbia e nos jogos de volta em São Paulo.

A 2ª fase começava no Brasileirão e os resultados continuavam positivos:

08/03 – 1×1 Fortaleza EC – Vila Belmiro – 19.557 + 3.125 gratuitos (22.682)

14/03 – 0x0 CRB –  Rei Pelé – 31.957

17/03 – 2×2 SE Palmeiras- Morumbi – 33.291 + 2.239 gratuitos (35.526)

21/03 – 2×0 CRB – Vila Belmiro – Vila Belmiro – 8.354 + 915 gratuitos (9.269)

25/03 – 2×3 SE Palmeiras – Morumbi – 41.405 + 3.925 (45.330)

30/03 – 4×1 Fortaleza EC – Castelão – 36.939

Entrava o mês de abril… trágico mês de abril…

Brasília em Estado de Segurança Nacional… ninguém podia entrar na Capital da República e a transmissão de TV foi cortada… A emenda “Dante de Oliveira” que restabelecia as eleições Diretas para Presidente não obteve a quantidade suficiente de votos… o mobilização popular fora  derrotada momentaneamente.

Para o Santos o mês de abril foi uma sucessão de tragédias…

Começou no giro pela Colômbia..  a 1ª apresentação foi uma convincente vitória contra o Atlético Junior de Barranquila (3×0);  em seguida a derrota para o America de Cáli (ox1), e com 3 atletas expulsos. No returno não restava outra alternativa a não ser vencer as 3 partidas restantes…

No Brasileirão, a 3ª fase começava com uma vitória sobre o Náutico por 4×2, depois empatou com o America (RJ) em São Januário, 1×1. O último adversário seria o Flamengo, no Morumbi.

Quase 50.000 pessoas ocuparam o Morumbi

E viram Tita marcar logo aos 3 minutos… depois disso, o Santos tentou mas não conseguiu superar o rubro-negro. Na realidade, se não fosse Rodolfo Rodrigues e as atuações da dupla Márcio Rossini e Davi as coisas seriam piores…

A derrota traria mais consequências: A queda de Formiga!

Quem assume a direção técnica seria Del Vechio.

A derrota para o Flamengo colocava o alvinegro em situação de risco contra o Náutico em Recife.

O Náutico jogou a partida de sua vida e derrotou o Santos por 1×0, assumindo a 2º colocação do grupo.

A única esperança santista seriam duas vitórias seguidas contra o Flamengo, uma pela Libertadores e outra pelo Brasileirão.

O SFC bancou o Judas no Morumbi

E numa sexta-feira Santa, o Flamengo massacrou o Peixe no Morumbi.

5×0!

E vexame maior foi não saber perder… o campeão da técnica e da disciplina apelou feio e distribuiu pontapés… terminando a partida com 9 atletas.

No desespero, o time viajou para o Rio de Janeiro para decidir a classificação no Brasileirão, novamente contra o Flamengo. Com o time carioca jogando com o freio de mão puxado, ao menos o SFC arrancou um empate (2×2).

A última partida seria contra o America, na Vila Belmiro. O time tinha que vencer e torcer para o Flamengo vencer o Náutico no Recife.

Na Vila, o Santos fez sua obrigação e bateu os rubros por 1×0. Porém, no Recife, o embalado Náutico passou por cima do Flamengo (2×1). Náutico e Flamengo classificados e o Santos eliminado

Restavam ainda duas apresentações pela Libertadores…

Num desértico Morumbi (457 testemunhas) novo vexame, 1×0 paro América e mais uma vez o time  apelou, sobrando apenas 8 atletas em campo devido às expulsões.

E para encerrar a deplorável campanha, uma última derrota para o Atlético Junior… 1×3!

Campanha na Libertadores:

11/02 – 1×4 CR Flamengo – Maracanã

04/04 – 3×0 CPD Atlético Junior – Barranquila

06/04 – 0x1 CD América – Cáli

20/04 – 0x5 CR Flamengo – Morumbi

27/04 – 0x1 CD América – Morumbi

08/05 – 1×3 CPD Atlético Junior – Vila Belmiro

Campanha na 3ª fase do Brasileirão:

09/04 – 4×2 C Náutico C – Vila Belmiro – 11.564 + 1.418 gratuitos (12.982)

12/04 – 1×1 America FC – São Januário – 1.756

15/04 – 0x1 CR Flamengo – Morumbi – 45.267 + 3.151 gratuitos (48.418)

18/04 – 0x1 C Náutico C – Arruda -19.072

22/04 – 2×2 CR Flamengo – Maracanã – 46.236

25/04 – 1×0 America FC – Vila Belmiro – 8.602 + 1.250 gratuitos (9.852)

Fora da Libertadores e fora do Brasileiro, o time parte para amistosos.

A direção contrata Castilho para técnico do time.

E será com Castilho no comando que o alvinegro retorna à Ásia para um amistoso com a Seleção de Israel. O  placar apontava a derrota santista (1×2), porém o destaque foi a torcida do SFC. Isso mesmo, meus amigos, A “Torcida Jovem, de Chail” compareceu ao Estádio de Tel Aviv e abriu suas faixas, uma delas com os dizeres: “Diretas, já!”

Voltou ao Brasil e empatou com o Maringá: 0x0

E retornou ao aeroporto… destino: as Antilhas, no Caribe. No roteiro a “Copa Centro Desportivo de Corsow”.

Os participantes seriam 4: Santos FC, Atlético Junior (Colômbia), Seleção da Venezuela  e a Seleção das Antilhas. A seleção antilhana contaria com Clodoaldo, Rivelino e Jairzinho em cada uma de suas apresentações.

Jogos:

31/05 – 1×0 Venezuela  – Curaçao

02/06 – 2×0 Antilhas – Curaçao – Rivelino jogou pela Seleção das Antilhas

04/06 – 1×2 CPD Atlético Junior – Curaçao

O Paulistão de 1984 teria início apenas em julho e finalmente a competição seria a mais racional possível. Pontos corridos… e só!

O time sofria uma alteração importante… Pita seria trocado por Humberto e Zé Sérgio. Outro atleta que chegava era o folclórico ponteiro Ataliba.

E A FPF ressuscitava o Torneio Início.

Numa competição muito parecida com os festivais varzeanos, a maratona de jogos curtos começaram pela manhã e terminaram com o céu já escuro. Umas 60.000 pessoas circularam pelo Morumbi ao longo do dia, porém no momento de maior concentração não mais de 30 mil pessoas estavam no Estádio.

E foi neste dia que Rodolfo Rodrigues começou a fazer história no SFC… não que tivesse ido mal no 1º semestre, mas o mito ainda não tinha sido construído…

No Torneio Início, RR iniciou seus milagres… como as partidas normalmente terminavam empatadas, o desempate ocorria nas disputadas por pênaltis… e aí apareceu a muralha. Em seis cobranças, o estupendo goleiro uruguaio defendeu 2 vezes, uma outra a bola foi para a trave e sofreu apenas 3 gols…

Campanha:

24/06 – No Morumbi, 61.486 pagantes ao longo do dia.

Adversários: 0x0 Taubaté (3×0 nos escanteios) – Quando ocorria empate a decisaõ era na base da quantidade de escanteios conquistados!

0x0 Marília (2×1 nos pênaltis) – Quando ocorria empate até nos escanteios, a decisão ia para os pênaltis… RR defendeu um pênalti;

0x0 Palmeiras (3×2 nos pênaltis) – Mário Sérgio, atacante do Palmeiras, cobrou um pênalti na trave.

0x0 XV de Jaú – (1×0 nos pênaltis) – RR defendeu mais um pênalti e garantiu o Título ao Santos FC!

Imagem: Revista Placar

Com a conquista do Título, RR saia do gramado carregado pelos torcedores e pela Comissão Técnica.

Começa o Campeonato Paulista e o Peixe desanda a ganhar… na 3ª apresentação, uma apresentação fenomenal de Rodolfo Rodrigues.

É contra o América de São José do Rio Preto, na Vila Belmiro.

O Santos vencia por 1×0 e o América vai para o ataque… O chute da intermediária vem forte… RR se estica e toca com a ponta dos dedos e a bola vai na trave… a bola passa por trás de RR e corre sobre a linha fatal… o atacante americano se atira na bola e RR também… a bola explode no goleiro e sobra para o centro-avante livre na pequena área… ele enche o pé e RR ágil feito um leopardo pula para o alto e salva o gol com a bola batendo em seu braço… a bola vai para o meio da área e mais uma bomba em direção ao gol… RR estica-se novamente, e com a ponta dos dedos toca levemente na bola, a bola vai saindo e um outro atacante adversário que se joga de carrinho contra o gol santista… do chão RR pula novamente fechando a única passagem possível para a bola… novamente a esfera choca-se com a trave santista e, finalmente, a zaga santista dá um chutão para escanteio…

Carlos Castilho, técnico santista e que foi goleiro da Seleção Brasileira nas Copas de 58 e 62, afirmava que nunca tinha visto algo semelhante em sua longa carreira de goleiro consagrado.

Não havia mais dúvidas… ali estava um mito, um monstro, uma muralha… algo que somente na Vila Belmiro poderia acontecer…

Veja as imagens da façanha:

E o alvinegro continuou vencendo… ficou 15 partidas invicto e ganhou a Taça dos Invictos, prêmio do jornal esportivo “A Gazeta Esportiva”.

Ironicamente, após ganhar a Taça, perde para o São Paulo de Pita e Casagrande, e fica outras 5 partidas sem vencer, cedendo a liderança para o Palmeiras.

Engata uma nova série de resultados positivos até que chega o clássico contra os verdes… e aquele time  sabia enfrentar jogos difíceis… todos eram experientes, não tinha nenhum “santo” no elenco, mas Castilho sabia controlar aquela coleção de “maladragens e picardia”. E atuando com enorme competência chegou aos 2×0 sem a menor chance ao Palmeiras. Novamente RR fechou o gol e no ataque as coisas ficaram por conta de Chulapa e Paulo Isidoro.

A tabela indicava o São Bento com  próximo adversário na Vila Belmiro.. O SFC era franco favorito, defendia a liderança e todos apostavam numa vitória.

Aos 7 minutos, César abre o placar… São Bento 1×0.

Ainda no 1º tempo, Humberto empata em cobrança de falta. Na etapa final o SFC aluga metade do campo e não sai do campo sorocabano… ao mesmo tempo, o “pau quebra” no gramado… Dema quebra a perna de César numa dividida… o tempo vai passando e tudo na mesma… 30 minutos, e o São Bento segura o empate… 35 minutos, 40 minutos e o SFC continua tentando sem sucesso… 45 minutos  e o banco do São Bento pede o fim de jogo…  Emídio Marques Mesquita consulta seu relógio e manda seguir a partida… os jogadores do São bento, o banco de reservas do time de Sorocaba, todos estão desesperados… 50 minutos do 2º tempo e nada de acabar a partida… Emídio olha o relógio e afirma que ainda tem jogo… 54 minutos, Humberto pega a bola e manda para o fundo do gol…

Um minuto depois, Emídio encerra o jogo… cercado pelos jornalistas e alertado por todos pelo tempo a mais de jogo, Emídio declara que o seu relógio tenha quebrado e que só percebeu depois do gol santista… parece que o relógio de sua senhoria era daquele lote de brindes que o SFC ofereceu em 1983…

Dali para frente a estratégia do alvinegro era uma só: vencer em casa e empatar no interior… se 2 pontos viessem do interior seria ainda melhor… e foi o que aquele time fez… e assim foi mantendo a liderança do campeonato até a última rodada.

O adversário seria o Corinthians… O alvinegro paulistano tinha perdido Sócrates (como a emenda das diretas não passou, o craque foi para a Itália) e Casagrande (emprestado ao São Paulo), assim a “democracia corinthiana” tinha se desmanchado e o time voltava ao comum das outras equipes. Eles tinham arrancado no 2º turno , numa recuperação de time de chegada… contava com Carlos, Juninho, Vladimir, Zenon, Dunga e João Paulo (Ex SFC).

E o Morumbi lotou novamente…

Serginho tinha certeza do Título… e com a constelação de “bad boys” que usavam a imaculada camisa santista, muitos torcedores tinham a certeza que o título viria… e caso não conquistasse o título, o outro alvinegro não daria a volta olímpica…

O Jogo foi nervoso… eles até hoje choram um suposto pênalti em João Paulo… claro que é choro absurdo… o SFC foi cozinhando o jogo até que aos 72′ Zé Sérgio avança pela esquerda e cruza… quem aparece feito um corisco é ele… Serginho Chulapa.

E Chulapa só encosta na bola… e tudo esta encerrado… gol do Santos… gol de Serginho….

Explode metade do Morumbi.

A justiça esta sendo feita… o melhor time de toda a competição esta a um passo de conquistar o título… Serginho é o artilheiro do Campeonato… o Corinthians tenta, mas não há mais tempo.

Fim de jogo, fim de Campeonato. Santos Campeão, do início ao fim.

Veja todos os gols do alvinegro na conquista de 1984:

Campanha do Campeão:

Comercial FC -1×0 (VB); 3×0 (Francisco Palma Travassos)

Guarani FC – 1×0 (VB); 1×2 (Brinco de Ouro)

América FC – 2×0 (VB); 0x0 (SJRP)

EC São Bento  – 3×0 (Sorocaba); 2×1 (VB)

AA Ponte Preta – 1×0 (Brinco de Ouro); 2×1 (VB)

A Ferroviária E – 2×2 (VB); 1×0 (Araraquara)

Botafogo FC – 3×1 (Santa Cruz); 1×1 (VB)

SE Palmeiras – 1×1 (Morumbi); 2×0 (Morumbi)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 3×0 (VB); 0x0 (Piracicaba)

EC Taubaté  –  3×0 (Taubaté); 2×0 (VB)

CA Taquaritinga – 0x0 (Taquaritinga); 3×1 (VB)

Marília AC -1×0 (VB); 0x0 (Marília)

CA Juventus  – 4×2 (Pacaembu); 0x0 (Pacaembu)

A Portuguesa D – 1×1 (Pacaembu); 1×0 (Pacaembu)

EC Santo André -2×0 (VB); 0x1 (Santo André)

São Paulo FC  – 1×4 (Morumbi); 0x0 (Morumbi)

AA Internacional – 0x0 (Limeira); 2×0 (VB)

EC Xv de Novembro (Jaú) – 1×1 (Jaú); 3×0 (VB)

SC Corinthians P – 0x0 (Morumbi); 1×0 (Morumbi)

1983: Começar de novo

Santistas de Todo Mundo, uni-vos!

Depois do Paulistão 82, o clube de Vila Belmiro estava numa draga só…

E a CBF, após ver Corinthians e Palmeiras na Taça de Prata,  resolve não arriscar mais e garante (na canetada) vagas para os times mais tradicionais do País na Taça de Ouro. Assim, o Santos é convidado a participar da principal competição organizada pela mandatária.

Chico Formiga estava no comando, porém diferentemente de 78, não dava para aproveitar os garotos da base… não havia tempo para lançar os meninos e a qualidade não era mesma de 78. Dessa forma, a Direção Peixeira colocou a mão no bolso e trouxe os reforços que o alvinegro precisava.

Assim, de uma só vez, desembarcaram na Vila, não apenas jovens promessas, mas craques consagrados.

Desengonçado, briguento e GOLEADOR. Serginho caiu como uma luva no SFC.

Dois grandes craques que haviam disputado a Copa da Espanha chegam e assumem a condição de titulares da equipe: Serginho Chulapa e Paulo Isidoro.

Serginho Chulapa já tinha quase 10 anos de atleta, sempre defendendo o São Paulo FC. No Morumbi era artilheiro, ídolo e conquistado diversos títulos. Sua passagem pela Seleção Brasileira tirou um pouco do brilho que tinha… jogou inibido, fora de suas característica… não era um craque , mas sabia fazer gols e não levava desaforo para casa.

E Chulapa veio parar um time que tinha Márcio Rossini e Toninho Carlos na zaga (dois zagueiros que tinham técnica e sabiam (muito bem) “chegar junto” do adversário. Além da dupla, chegava Dema para atuar como volante…. Clássico, pinta de craque, mas se o tempo começasse a fechar em campo, era mais um que não fugia do “pau”.

E para completar o craque Paulo Isidoro.

Revelado pelo Atlético Mineiro, atuava no Grêmio e foi contratado para dar mais categoria ao ataque. Também sabia jogar pela equipe fazendo papel de 3º homem do meio de campo ou do ataque. Um atleta de encaixe em esquemas táticos, fruto de sua dedicação e inteligência.

Assim, em poucos dias o SFC passa de coadjuvante para ator principal.

O ano de 83 prometia… e muito.

A Taça de Ouro e Taça de Prata tiveram o  mesmo número de participantes do ano anterior, assim como seu regulamento. Modificações apenas na 3ª fase, onde uma nova distribuição de grupos substituia a fase eliminatória.

Fora dos gramados as coisas ferviam pelo Brasil… Montoro havia assumido como Governador e encara uma passeata de desempregados em frente ao Palácio dos Bandeirantes, onde milhares de manifestantes derrubam as grades do Palácio…

Imagem: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

No mesmo ano nascia a CUT.

A inflação disparava, chegando a marca de 150% ao ano.

As greves se multiplicavam e a Ditadura Militar preparava a saída do poder.

Mesmo assim , havia o temor de um novo golpe.

Manifestações eram constantes e os gritos de “Vai acabar, vai acabar… a Ditadura Militar” eram cada vez mais ouvidos e mais fortes.

O futebol continuava sendo o alvo das atenções, mas um outro esporte coletivo preparava sua explosão: o volei!

O fenômeno foi tão intenso que aconteceu uma partida de volei no Maracanã, entre o Brasil e a URSS. Um acontecimento e tento!

É dentro deste contexto que a Taça de Ouro se desenvolve.

O SFC fica no mesmo grupo inicial de Flamengo, Paissandu, Rio Negro e Moto Clube.

A primeira partida foi no Maracanã (0x2 para o Flamengo) e a derrota poderia ser considerada natural… Enfrentou o Moto no Vila e Chulapa mostrou seu cartão de visitas: 3 gols na vitória por 3×1.

Daí para frente, foi um desembestar de gols e de Estádios Superlotados.

Veja a campanha na 1ª fase:

23/01 – 0x2 CR Flamengo – Maracanã – 68.169

26/02 – 3×1 Moto Clube – Vila Belmiro –  15.606

30/01 – 1×0 A Rio Negro C – Ismael Benigno – 15.312

03/02 – 2×1 Paissandu SC – Alcid Nunes (Mangueirão) – 28.849

09/02 – 3×0 A Rio Negro C – Vila Belmiro – 22.646

20/02 – 4×1 Paissandu SC –  Vila Belmiro – 23.785

27/02 – 3×2 CR Flamengo – Morumbi – 111.111 + 5.662 gratuitos (116.773 total)

06/03 – 1×1 Moto Clube – João Castelo (Castelão) – 14.335

Com esse resultado, o alvinegro ficou em 1º em seu grupo e em 2º na classificação geral.

Luque foi Campeão Mundial em 1978. Não chegou a brilhar no SFC, mas sua presença chamou a atenção da imprensa.

Em março, consegue uma escapada para o Uruguai para disputar a “Copa dos Vencedores da América”. Os adversários seriam o Peñarol e o Nacional, e lógico, numa competição com esse nome apenas um alvinegro do Estado de São Paulo poderia disputar…

Pegou o Nacional e venceu por 2×1. Nacional que contava em seu gol com nada menos que Rodolfo Rodrigues.

A decisão do Título seria contra o Peñarol, Campeão da Libertadores e Mundial de 82.

E no tradicional Estádio Centenário o Santos bailou!

3×0, numa grande apresentação… e Chulapa não jogou. As manchetes eram as mais elogiosas.. uma atuação perfeita da equipe, que em 45 dias apresentava um entrosamento fora do comum…

Nos dois jogos no Uruguai, mais um atacante de Copa do Mundo atua com a imaculada camisa branca: Luque, centro avante argentino, Campeão do Mundo em 78. Foi uma passagem relâmpago do artilheiro argentino que não chegou a balançar as redes pelo alvinegro.

As partidas contra Nacional e Peñarol foram o batismo internacional para o grupo… Chico Formiga estava eufórico, a imprensa gastava todos seus adjetivos para descrever aquele Santos e a massa santista vibrava, dava risada… e comparecia nos estádios.

Campanha no Uruguai:

08/03 – 2×1 C Nacional F

10/03 – 3×0 CA Peñarol – Santos Campeão da Copa Vencedores da América!

Como curiosidade, vale destacar que os organizadores não entregaram o Troféu ao SFC…

A direção santista continuava precisando de dinheiro e numa “grande sacada” prepara mais uma inovação: o carnê “Peixão de Ouro”, onde o torcedor pagava as prestações do referido carnê e concorria a prêmios pela Loteria Federal. Ao comprar o tal carnê, ganhava de brinde um relógio. E, como lembra meu xará, Guilherme Guarche, em “O melhor do século nas Américas”, o tal relógio não funcionava, encalhando nos depósitos de Vila Belmiro mais de 15.000 unidades do “brinde”. É lógico, que o tal carnê teve vida curta pela Baixada…

Relógio que atrasa, não adianta... pelo menos serviu pra fazer 1.500 times de botão.

Ao retornar do Uruguai, o Peixe começava sua participação na 2ª fase enfrentando o Comercial (MS) e mais um baile…4×1!

Um Santos irresistível, assim a imprensa comentava a partida.

O adversário seguinte seria o Guarani (e a arbitragem), empate em 1 gol e duas expulsões: Serginho e Márcio Rossini.

E continua empatando: em BH (contra o Cruzeiro) e em Campinas (Guarani).

E chega o confronto contra o Cruzeiro…

Simplesmente arrasa o time mineiro… num festival de gols, chega aos 4×0 ainda no 1º tempo!

O Cruzeiro sentindo que podia vir ainda mais reclamava de tudo… e teve 3 atletas expulsos ao final dos 45′ iniciais.

Aquele Santos era malandro, experiente, e tinha a partida nas mãos… assim o 2º tempo foi toque pra lá, toque pra cá, numa “gato e rato” o tempo todo… e Chulapa não perdoou quando ficou de frente ao gol ao receber passe de Camargo: 5×0. Se tivesse mantido o ritmo, eram 9 ou 10 no balaio cruzeirense.

Campanha na 2ª fase:

13/03 – 4×1 EC Comercial – Vila Belmiro – 17.908

16/03 – 1×1 Guarani FC – Vila Belmiro – 25.753 + 2.776 menores (28.529)

20/03 – 1×1 Cruzeiro EC – Mineirão – 60.475

26/03 – 2×2 Guarani FC – Brinco de Ouro – 19.404 + 1.582 gratuitos (20.986)

30/03 – 5×0 Cruzeiro EC – Morumbi – 42.838 + 2.085 gratuitos (44.923)

03/04 – 2×2 EC Comercial – Pedro Pedrossian -22. 118

Chega a 3ª fase, o torneio se afunila e o SFC é um dos favoritos ao título. Seu grupo não seria nada fácil: Palmeiras, Vasco da Gama e Náutico.

A tabela era interessante… fazia as 4 primeiras partidas em São Paulo e as duas últimas, fora. Portanto nestas 4 partidas o SFC deveria fazer ao menos 6 pontos e buscar um ou dois jogando fora de seus domínios.

E as coisa não começaram bem… o Náutico arranca um empate na Vila Belmiro (2×2). Os 26.000 santistas que abarrotaram a Vila não viram Serginho, mas sim Mirandinha um rapidíssimo centroavante que faria sucesso no Palmeiras e no próprio SFC (em 1985).

Em seguida, sobe a Serra e encara o forte Palmeiras de Eneas, Jorginho, Luís Pereira e Batista.  Com o Morumbi lotado (de novo), 75.000 pessoas viram um partida equilibrada onde as oportunidades foram mais para o Santos do que para os verdes, e apenas aos 75′ é que Serginho Dourado marca o gol da vitória e derrubava o último invicto do Brasileirão-83.

Cheio de confiança, encara o Vasco no Morumbi. O sempre perigoso Vasco dos anos 70 e 80, de Roberto Dinamite.

Uma participação brilhante de Toninho Carlos e, principalmente, Márcio Rossini,  e o Peixe engoliu o Bacalhau, vencendo por 1×0. E poderia ter sido mais se o árbitro tivesse dado um pênalti claro de Acácio (goleiro do CRVG) sobre Serginho Dourado.

Vem o returno, e o última confronto em São Paulo: o clássico contra o Palmeiras. Um público ainda maior (80.000 torcedores no Morumbi) assistem uma grande partida que acaba com o empate em 2 gols. O alvinegro mandou no 1º tempo e abriu 2×0, mas quando voltou para os 45′ finais tomou um tremendo sufoco e quase sofre a virada completa… Segundo Paulo Isidoro, o time “tinha que levantar as mãos ao céu e agradecer pelo empate”… Serginho Chulapa tinha feito uma aposta com Luís Pereira e quem perdesse faria uma doação em dinheiro ao Sindicato dos Atletas e mais uma camisa do clube. Como a partida ficou no empate, cada um doou a metade do valor da aposta… o   outro destaque é que Chulapa e Vagner quase sairam no tapa no  final da partida se não fosse a ação tranquilizadora de Luis Pereira…

Precisando apenas de um empate para a classificação para a fase eliminatória, o SFC viaja para o Rio de Janeiro e perde para o Vasco (0x2). Uma vitória no Recife, por 1×0 deixa a liderança do grupo com o Peixe e pronto para enfrentar o Goiás pelas oitavas-de -final do Brasileirão-83.

Campanha:

10/04 – 2×2 C Náutico C – Vila Belmiro – 26.796

14/04 – 1×0 SE Palmeiras – Morumbi – 72.417 + 2.798 gratuitos (75.215)

17/04 – 1×0 CR Vasco da Gama – Morumbi – 58.930 + 2.298 gratuitos  (61.228)

21/04 – 2×2 SE Palmeiras – Morumbi – 76.215 + 4.319 gratuitos  (80.584)

17/04 – 0x2 CR Vasco da Gama – Maracanã – 75.813

30/04 – 1×0 C Náutico C  – Arruda – 39.597

O Goiás havia eliminado o Corinthians em seu grupo e seria, sem dúvida, um adversário perigoso ao SFC, que jogava com a vantagem do empate.

No Serra Dourada deu empate, ficando no 0x0 e perdendo um pênalti. No Morumbi, outro empate, 2×2, com um gol maravilhoso de Chulapa, vale a pena ver:

Goiás eliminado, agora era o Galo.

Atlético que era um timaço, com Nelinho, João Leite, Luisinho, Reinaldo e Éder.

Quem jogava pelo empate era o clube de Minas Gerais e o SFC tinha que vencer a 1ª partida no Morumbi…

Veja os gols e os principais lances da partida:

No Mineirão, Marolla fechou o gol   e mais uma vez o Galo mineiro morreu na praia.

Santos na final e o adversário seria o Flamengo.

Flamengo que era um perigo em jogos decisivos nos anos 80 (veja as postagens relativas a 1980, 81 e 82):

http://prof-guilherme.capesp.org/?p=2644

http://prof-guilherme.capesp.org/?p=2619

http://prof-guilherme.capesp.org/?p=2604

Assim como contra o Atlético Mineiro, o alvinegro faria a 1ª partida no Morumbi e uma vitória seria fundamental para o título.

Acompanhei essa partida pelo rádio, na casa de minha namorada (na época) e de meu sogro. Ele era gaucho, orgulhoso de suas origens e colorado fanático, além de santista, pois vários anos longe do Estado Natal permitiram que ele escolhesse um clube em São Paulo.Todos nós torcendo pelo alvinegro.

E quando Osmar Santos, grande narrador esportivo, descrevia a festa nas arquibancadas da multidão de santistas (quase 120.000 pessoas) e anunciava a presença de faixas na Torcida santista pedindo autonomia política para a capital do futebol-arte, não pude esconder o sorriso de satisfação e orgulho daquele time e da torcida, que numa simples faixa desafiava com lucidez a Ditadura Militar.

Nos vinte primeiros minutos, equilíbrio, e até que o Flamengo criou chances… mas num rebote de escanteio, Pita enche o pé de fora d’área e marca um golaço! A partir daí, tudo muda… o alvinegro toma conta do jogo e aperta, as oportunidades aparecem, mas não são concretizadas. No 2º tempo, gols são perdidos e “água mole em pedra dura, tanto bate até fura”, Serginho marca mais um gol!

E naquele sobradinho em Diadema, todos nós gritamos gol!!!!

Um rojão estoura no gramado… partida interrompida… esfria o SFC…

O Flamengo ataca e Baltazar, o artilheiro de Deus diminui…

No desespero o time carioca vai tentar o empate e deixa amplas avenidas para o contra-ataque santista… e mais uma chuva de gols perdidos…

Fim de jogo, 2×1… foi pouco …era o sentimento do torcedor santista.

No Maracanã seria a decisão final. E o recorde de público, em todos os tempos, no Campeonato Brasileiro foi quebrado: 155.000 torcedores… e uma multidão de santistas, talvez a maior aglomeração de santistas fora do Estado de São Paulo em toda a história do SFC . Uns falam em 10.000, outros em 15.000… os mais exagerados em 20 ou 25 mil alvinegros no Maracanã.

No entanto, logo aos 30 segundos de partida, Zico pega uma batida de roupa de Marolla e gol, 1×0!

O Santos se assusta e só dá Flamengo…

Zico entra pela direita vai cruzar e Toninho Carlos corta… Zico fica reclamando pênalti… o alvinegro segue no contra ataque, João Paulo lança Pita, ele entra na área e é derrubado… pênalti.

Mas nem  sonhando isso aconteceria numa final no Maracanã… Arnaldo (a regra é clara) marca uma falta em dois lances

(Pode isso, Arnaldo?)

Seria muito difícil vencer o Flamengo naquela tarde…

Além de Arnaldo, o Flamengo contava com Zico, Leandro e Junior que gastaram a bola na decisão, e o sonho santista termina em 3×0 para o Flamengo.

Veja  aqui a partida na íntegra no Morumbi:

E aqui, os melhores momentos no Maracanã:

http://www.youtube.com/watch?v=_T93AokW_oU

Campanha na fase final:

05/05 – 0x0 Goiás EC  – Serra Dourada – 58.391 + 1.519 gratuitos (59.911)

08/05 – 2×2 Goiás EC –  Morumbi – 40.455 + 4.681 gratuitos (45.136)

12/05 – 2×1 C Atlético Mineiro – Morumbi – 64.446 + 4.026 gratuitos (68.471)

15/05 – 0x0 C Atlético Mineiro – Mineirão – 113.479

22/05 – 2×1 CR Flamengo – Morumbi – 114.481 + 5.503 gratuitos (119.984)

29/05 – 0x3 CR Flamengo – Maracanã – 155.52

Na semana seguinte já teria que entrar em campo pelo Paulistão -83.

E mais um regulamento cheio de fases,  grupos… As 20 equipes são divididas em 4 grupos de 5. Todos jogam contra todos em turno e returno. os 2 melhores de cada grupo se classificam para a 2ª fase. Os 8 times são novamente agrupados em 2 gupos de 4. Jogos somente no mesmo grupo, e os dois melhores passam para as semi-finais e depois as finais.

Num campeonato tão longo, o Peixe conseguiu um tempinho para uma excursão até a África, sendo a última vez que o SFC  visitou o continente.

15/08 – 2×0 Seleção de Point Noire (República do Congo)

16/08 – 1×1 Seleção da República do Congo

21/08 – 2×1 Seleção de Camarões

Da África para a Espanha:

24/08 – 2×1 R Racing C Santander – Troféu Cidade de Pamplona

26/08 – 2×1 CA Osasuña – Troféu Cidade de Pamplona – Santos conquista o troféu.

30/08 – 0x2 Valencia CF

Serginho entrou de fraque e cartola, no final da partida brigou com o zagueiro Mauro e ambos rolaram no gramado.

Na fase de classificação do Paulista  dois momentos interessantes, ambos contra o Corinthians.

Em 31 de julho, Serginho entra em campo de fraque e cartola, em aposta com Casagrande.

Já fazia um bom tempo que o SFC não dobrava o Corinthians de Sócrates, e o santista queria a vitória de qualquer forma…

E Chulapa, que era santista desde criança tinha o alvinegro atravessado na garganta…

Ele brigou pela bola, tentou, tentou e não marcou…

Chulapa também brigou com Leão e no final da partida rolou no chão com o zagueirão Mauro… uma cena de pastelão…

No 2º turno, a vitória santista tão esperada: 2×0, no Morumbi.

E foi no 2º turno que o time embalou novamente… boas exibições, principalmente nos clássícos, com Serginho  fazendo gols e mais gols…

E no clássico contra o Palmeiras um lance bizarro:

O alvinegro jogava bem e vencia os verdes até os 90′, quando sua senhoria decidiu o clássico…

Não, não… o árbitro não inventou um pênalti, ou anulou um gol santista, ou expulsou um craque ou qualquer coisa assim…

Não…

O juizão marcou um gol pelo Palmeiras!

Dá para acreditar?

Se não acredita veja aqui:

Campanha no Paulistão:

São José EC – 1×1 (VB);0x1 (SJC)

EC Taubaté – 0x2 (Taubaté);1×0 (VB)

EC XV de Novembro (Jaú) – 0x1 (VB); 1×0 (Jaú)

AA Internacional – 1×0 (Limeira); 5×1 (VB)

São Paulo FC – 0x3 (Morumbi); 2×1 (Morumbi)

CA Taquaritinga – 1×1 (VB); 3×0 (Taquaritinga)

AA Ponte Preta – 3×1 (VB); 0x2 (Moisés Lucarelli)

Guarani FC – 4×0 (Brinco de Ouro); 2×1 (VB)

CA Juventus – 2×0 (Canindé); 0x0 (Morumbi)

Marília AC – 0x0 (Marília); 0x0 (VB)

SE Palmeiras – 2×2 (Morumbi); 2×2 (Morumbi)

Comercial FC  – 2×1 (VB); 1×0 (Francisco Palma Travassos)

Botafogo FC – 2×2 (Santa Cruz); 2×1 (VB)

EC Santo André  -1×1 (Santo  André); 1×2 (VB)

EC São Bento – 4×0 (VB); 1×1 (Sorocaba)

A Portuguesa D – 2×1 (VB); 0x1 (Canindé)

SC Corinthians P – 0x0 (Morumbi); 2×0 (Morumbi)

A Ferroviária E – 3×1 (VB); 0x3 (Araraquara)

América FC – 0x0 (SJRP); 3×1 (VB)

Na 2ª fase ficou ao lado de Corinthians, Ponte Preta e São Bento;

Uma participação mais que previsível, com dois empates contra o Corinthians e vitórias contra Ponte e São Bento:

SC Corinthians P – 1×1 (Morumbi); 0x0 (Morumbi)

EC São Bento – 0x0 (Sorocaba); 2×0 (VB)

AA Ponte Preta -2×1 (Moisés Lucarelli); 3×1 (VB)

A imprensa apostava numa final entre os dois alvinegros…

Esqueceram de avisar os outros…

O SFC pegou o tricolor na semi-final e mantinha o empate até os 91′ , quando o uruguaio Dario Pereyra , castigou o alvinegro , fazendo 2×1.

Na partida de volta, o tricolor fez o que sabia fazer… fechou-se na defesa e garantiu o empate, indo para as finais.

Com o time fora das finais a direção começou a se preparar para a Libertadores de 1984 e a busca pela 3ª estrela…

ui

Um ataque campeão

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Com o vice campeonato da Taça Cidade de São Paulo, o alvinegro já estava classificado para o 3º e decisivo turno.

Antes disso, porém, havia um looooongo  a ser percorrido. Ainda em dezembro de 1978 começava o 2º turno, começou um tanto desconcentrado… perdeu para a Francana, uma vitória opaca sobre a AA Portuguesa no clássico praiano, uma vitória no sufoco contra o “moleque travesso” e um empate com o Marília encerravam o ano de 1978. O Paulistão entraria 1979 afora…

Na 1ª partida de 79, uma grande festa… era o volta de Serginho Chulapa ao ataque tricolor depois de pegar um gancho  de quase um ano por ter chutado um bandeirinha em Ribeirão Preto.

Morumbi lotado e Rubens Minelli, o vencedor técnico do tricolor anuncia que tinha um jeito de segurar o endiabrado Juary… colocaria Marião na marcação do atacante santista. Marião era um zagueiro tipo “armário”, grande, seguro, firme nas bolas altas e seguia toda a orientação do técnico… mas não era um Jurandir ou Roberto Dias, longe disso…

Os tricolores estavam confiantes e comparecem em grande número, mas os santistas eram maioria… até mesmo no setor reservado aos tricolores haviam alvinegros… e não eram poucos, digo isso pois lá estava… eu e mais algumas centenas  de santistas “infiltrados” entre os tricolores.

Aos 12 minutos Juary marca 1×0… grito contido, segurado… afinal não estava no melhor lugar para torcer … E gente chegando… mesmo com 20′ ainda chegava mais torcedores, afinal por ali, atrás do gol era o único lugar que era possível encontrar algum lugar…

Aos 28′, Juary faz 2×0… não segurei e pulei…. Quando vi, tinha um monte de santistas pulando também…. aquele pessoal que estava chegando atrasado eram santistas em sua maioria…

Com 2×0, o alvinegro bailava em campo… e foi assim que virou o 1º tempo.

No início da fase final, Serginho deixa sua marca de artilheiro… explosão no meu setor…  um mar de tricolores transpiravam otimismo, acreditando na virada…

Mas, quem tinha Ailton Lira, Juary, Pita, Nilton Batata e João Paulo não se deixava intimidar…

Um lançamento primoroso de Lira deixa Batata livre na direita…. ele avança e penalti!

Meus amigos, em 1978 penalti era covardia, pois quem cobrava era Ailton Lira… uma cobrança com uma tranquilidade e precisão impressionante e o 3º gol.

Com o São Paulo desmontado, foi só tocar a bola, e bem no finalzinho, Juary ganha um presentão da defesa tricolor, parte em velocidade e outro penalti.  E novamente Ailton Lira marca um golaço de penalti. 4×1!

Ao final a partida, dividindo os prêmios com Ailton Lira, perguntaram ao Juary sobre a marcação especial do São Paulo, sobre a marcação de Marião… Juary respondeu:

Marião? Marião me marcou? e saiu dando risada… Esses eram os meninos da Vila… irreverentes, rápidos e craques.

E o SFC foi seguindo sua batida, vencendo os times do interior… tropeçando em Sócrates, até que chega o clássico com o Palmeiras em 04 de março.

O destaque não é o gol relâmpago de Juary, mas a torcida santista, que abre uma faixa na arquibancada exigindo “Anistia ampla, geral e irrestrita”

FSP - 05/03/1979

A sociedade se levantava contra o poder ditatorial dos militares que mantinham a 15 anos a nação silenciosa. Eram tempos de grande agitação política no Brasil.

Bem , voltando ao Paulistão, o Santos classifica-se para a fase final do turno ficando em 1º lugar em seu grupo (Ferroviária, XV de Piracicaba, XV de Jaú e .Portuguesa). O mata-mata do 2º turno começava contra a Francana, e no sufoco mas com um golaço de Zé Roberto, o alvinegro passa para as semi-finais.

Assim como no 1º turno, quem encara o SFC é a Ponte Preta. A Ponte era a equipe com maior quantidade de pontos (fosse em pontos corridos, seria a campeã). O jogo é dos melhores, compensando cada cruzeiro gasto pelos 53.000 torcedores no Morumbi. O empate de 1×1 manda a partida para a prorrogação, porém faltando 3′ para o final da prorrogação, a Ponte desempata  e se classifica.

É no final do 2º turno que fica claro a bagunça que era a competição… As quartas de final começam com jogos ainda para serem realizados pelo 2º turno… no dia da semi-final entre Santos e Ponte, se disputam outros jogos da quartas de final… o último jogo do 2º turno só aconteceu após a 2ª partida da semi-final… e para completar, preparem-se que esta é a mais surreal de todas: a final do 2º turno (Ponte x Guarani) só foi realizada 2 meses depois, quando o 3º turno tinha acabado.

Nesta confusão começa o 3º e último turno… Os participantes são: Corinthians, Santos, Guarani e Ponte (Campeão e Vice de cada turno); São Paulo e Palmeiras (2 melhores por pontos), Portuguesa (por gols marcados), Francana (por arrecadação), Juventus (Vice do Torneio Incentivo) e Botafogo (a vaga deveria ser do Paulista – Campeão do Torneio Incentivo – mas, como o Paulista foi rebaixado, o tricolor de Ribeirão Preto ficou com a vaga pelo nº de pontos ) . Pois é, na postagem anterior eu errei… tinha esquecido esse “Torneio Incentivo” (Um caça-níqueis disputados pelos clubes que não participaram do Campeonato Brasileiro de 1978).

O Santos ficou no grupo de Ponte Preta, Palmeiras, Juventus e Portuguesa. No outro grupo: Corinthians, Guarani, São Paulo, Botafogo e Francana.

Antes de começar o 3º turno, o Peixe realiza um amistoso no Mineirão  contra o Atlético Mineiro, e vence por 2×1. Santos, Atlético Mineiro, Flamengo, Guarani, Ponte Preta, Corinthians, e Internacional eram os melhores times de 1979.

Cartaz usado no 1º de Maio de 1979 (Imagem: PCO)
Cartaz usado no 1º de Maio de 1979 (Imagem: PCO)

No dia 1º de maio, o Governo do Estado de São Paulo e a FPF promovem uma partida em homenagem ao Dia do Trabalhador: Seleção da Capital x Seleção do Interior, no Pacembu. A seleção da capital vence por 4×1. Na seleção do Interior jogaram Clodoaldo, Ailton Lira, Nilton Batata, Juary e João Paulo, sob o comando de Formiga.  O público não foi dos melhores…. é que no Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, 130.000 trabalhadores comemoravam a mesma data sem a participação do Governo e sem jogo de futebol… Um 1º de Maio de luta, como se dizia na época… diferente de hoje…

No mesmo dia, em Santo André, um mistão do Santos, orientado por Mengálvio, perde para o Santo André (0x2) em partida patrocinada pela Prefeitura de Santo André. Mesmo com portões  abertos, o estádio Bruno José Daniel não encheu…

Voltando ao Paulistão, no início do 3º turno o alvinegro foi arrasador; Pegou o Botafogo e surrou, 5×1. Veio a Francana e mais uma vitória praiana (1×0). Clássico na Vila Belmiro, a instável Portuguesa desce a Serra sob protestos…. e toma de 5×1.

Inexplicavelmente o time desanda…  perde 3 partidas em seguida: São Paulo, Juventus (!) e Palmeiras.

A classificação esta por um fio… O SFC ocupa apenas a 4ª colocação em seu grupo, atrás até do Juventus.

As duas partidas seguintes são contra as poderosas equipes de Campinas, Guarani e Ponte, ambas no Pacaembu. O futebol do SFC renasce, com um toque de bola envolvente bate o Guarani por 3×1 e a Ponte por 2×0.

A classificação para as semi-finais fica novamente visível. Um empate no clássico alvinegro e pronto.

E com um gol de penalti, o alvinegro paulistano vence o praiano por 1×0. A vaga estava quase que nas mãos do surpreendente Juventus (que já tinha eliminado o Corinthians no 2º turno).

Na última rodada, o Juventus enfrentaria a Ponte no Pacaembu e a torcida do Santos compareceu em grande número (quase 9.000 pessoas no estádio) para empurrar o time de Campinas.  E foi assim que a Ponte venceu por 2×1. O Palmeiras venceu o grupo e Santos e Ponte ficaram em 2º, porém no critério de desempate, o Santos foi o classificado (tinha melhor ataque que a Ponte, apesar de ter feito menos pontos…).

As semi-finais apontavam: Santos x Guarani e Palmeiras x São Paulo.

O Guarani era franco favorito, além de ter feito mais pontos que o Santos em todo Campeonato, pegava o alvinegro aos pedaços.

O SFC entraria em campo remendado, desfalcado de alguns de seus melhores atletas… Clodoaldo estava fora do time desde a derrota contra o São Paulo, e na partida contra o Corinthinas perdera de uma só vez, Vitor, Neto, Nilton Batata (contusão e cartões) além do maestro Ailton Lira (expulso).

Sem 5 titulares enfrentaria o completo Guarani.

Entraram no time Flávio (goleiro que fazia a torcida viver fortes emoções), Antonio Carlos (zagueiro  vindo do futebol,de São Bernardo do Campo) e Zé Carlos, Toninho Vieira e Claudinho (todos das categorias de base do alvinegro). O Meio de campo atuou beirando a perfeição com Vieira, Zé Carlos e Pita e o ataque foi novamente infernal… em 90′ liquidou o Campeão Brasileiro de 78, com categóricos 3×1! O Santos estava na final!!!!!!

Na outra semi–final o tricolor, com um gol no último minuto da prorrogação eliminava o Palmeiras. Os dois favoritos verdes caiam.

Era um confronto de contrates, de um lado  o futebol irreverente, rápido de dribles e gols dos meninos da Vila , do outro o experiente, malandro, pesado e tinhoso São Paulo.

Os destaques no tricolor eram Chicão, Dario Pereyra, Serginho Chulapa, Zé Sérgio, Valdir Perez e o técnico tri-campeão brasileiro (Inter 75/76, São Paulo 77), Rubens Minelli.

Ainda com cinco desfalques, o alvinegro entra em campo no gélido Morumbi de uma noite de junho, com um objetivo: manter a vantagem do regulamento em suas mãos, isto é, em caso de empates seria o campeão, pois seu ataque fizera mais gols que o ataque tricolor.

Isso na teoria, pois aqueles meninos não sabiam jogar recuados… mesmo com um time cheio de remendos como aquele que encarou o São Paulo.

O tricolor abre o marcador, Serginho Chulapa (sempre ele), mas o alvinegro não se abala…

E em 10 minutos empata a partida com Juary…  e  tome corridinha em torno da bandeirinha…uma explosão nas arquibancadas.

No 2º tempo, é a vez de Pita marcar e virar o placar, 2×1. O Santos seguiu jogando melhor e colocou a mão no título.

Mas não seria, assim, tão simples. Zé Carlos e João Paulo tomam cartão amarelo e cedem seu lugar no time… agora serão SETE desfalques para a 2ª partida… enquanto isso o tricolor segue completo.

Vieira vai para a posição de volante e Rubens Feijão (também da base) entra com a 8, completando o trio de meio campo com Pita. Célio (outro da base) entrava no lugar de João Paulo… Na prática, era um 4-4-2 que Formiga preparava para enfrentar o matreiro Minelli.

A primeira vista, parecia que o Santos ficaria recuado… mas, quem segurava aquela bando de garotos?

Logo aos 20′ penalti para o SFC. Sem Ailton Lira, é o zagueirão Antonio Carlos que parte para a cobrança… Chicão catimba…. Antonio Carlos bate, Waldir Perez avança quase até a linha da pequena área  e defende…

O alvinegro não desanima e continua em cima, até que no finalzinho do 1º tempo, Célio coloca o Santos na frente, 1×0.

O mar branco transborda no Morumbi. Cerca de 2/3 das 115.000 pessoas são santistas…

No 2º tempo manteve-se a mesma toada… o Santos mandando na partida. Aos 80′ Juary recebe livre na área, chuta … e Waldir Perez defende… era o gol do título… uma pena. E os deuses do futebol não perdoam uma situação dessas… a massa santista já gritava “É Campeão”, quando aos 89′ Zé Sérgio faz o gol que nem os tricolores acreditavam mais, 1×1 e tudo se decidindo na 3ª partida.

No mesmo dia, em Nova Iorque, falecia Cláudio, brilhante goleiro dos anos 60.

Os problemas do SFC persistem… agora é Joãozinho que desfalcará o time na final… o retorno de Neto, Nilton Batata e Zé Carlos é um pequeno alívio…

Na 3ª partida o tricolor não tinha escolha, ou vencia a partida e a prorrogação ou tudo estava perdido.

E assim, alucinadamente feito animal  acuado, o São Paulo se joga na partida… o alvinegro tenta manter em banho-maria, mas Zé Sérgio coloca o SPFC em vantagem… o SFC não é o mesmo das partidas anteriores… parece que sente a responsabiliodade e atua sem saber se parte para cima ou se toca a bola…

No início do 2º tempo Neca amplia, 2×0. O jogo acaba na prática… o São Paulo tem a vitória nas mãos e não precisa fazer mais gols,  e o Santos não quer arriscar… serão 40 minutos de bola rolando e os dois times esperando a prorrogação.

E foi dessa forma, num 2º tempo chatíssimo que as coisas aconteceram.

Fim de jogo, São Paulo 2×0. A maratona absurda daquele Campeonato seria decidido em 30 minutos de prorrogação.

E ao invés do tricolor partir com tudo… quem toma conta é o alvinegro… são 30 minutos de grande exibição, o futebol esquecido nos 90′ foi superado e o gol santista era questão de tempo… gols, gols e mais gols são deperdiçados… Juary, Claudinho e Rubens Feijão perdem chances incríveis… Toninho Vieira e Pita mandam e desmandam no meio de campo e  a  zaga com os imprevisíveis Antonio Carlos e Neto jogam como se deve jogar uma final, sem brincadeiras, sem firula, na base do chutão e da dividida mantinham a bola longe da área santista, dando tranquilidade para Flávio e a massa santista.

Ao final dos 30 minutos termina o Campeonato… Santos, Campeão!!!!!!!!!!!!

Um ataque campeão!

Veja coletânea de gols em 1978:

A campanha vitoriosa:

1º turno:

20/08 – 1×1 SC Corinthians P – Morumbi – 111.103 + 6.525 menores

27/08 – 2×1 AA Portuguesa – VB – 24.867 + 1.606 menores

30/08 – 5×0 Comercial FC – VB – 12.525 + 1.122 menores

03/09 – 2×2 AA Ponte Preta – Moises Lucarelli – 30.568 + 2.653 menores

07/09 – 0x0 Paulista FC – VB – 26.212 + 2.934 menores

10/09 – 0x0 Marília AC –  Marília – 15.394 + 675 menores

17/09 – 4×0 A Portuguesa D –  Morumbi  – 37.039 + 3.178 menores

20/09 – 2×0 EC Noroeste – VB – 21.368 + 2.239 menores

24/09 – 0x0 Botafogo FC – Santa Cruz – 23.451 + 2.634 menores

28/09 – 1×0 AA Francana – VB – 19.924 + 1.249 menores

01/10 – 3×1 São Paulo FC – Morumbi – 91.962 + 5.229 menores

04/10 – 3×1 A Ferroviária E – VB – 25.505 + 1.880 menores

08/10 – 0x0 EC São Bento – VB – 27.237 + 1.220 menores

15/10 – 0x2 SE Palmeiras – Morumbi – 123.318 + 4.105 menores

18/10 –  0x2 Guarani FC –  VB – 28.352 + 2.820 menores

22/10 – 2×2 EC XV de Novembro (Piracicaba) – Piracicaba – 16.269 + 1.620 menores

25/10 – 1×1 CA Juventus – VB  – 14.573 + 672 menores

29/10 – 1×1 EC XV de Novembro (Jaú) – Jaú – 15.447 + 1.911 menores

05/11 – 0x1 America FC – SJRP – 15.071 + 1.770 menores

Finais do turno:

11/11 – 0x0 São Paulo FC (0x0 prorrogação) – Morumbi – 21.920 + 1.632 menores

22/11 – 1×0 AA Ponte Preta  – Morumbi – 31.481 + 1.874 menores

26/11 – 0x1 SC Corinthians P – Morumbi – 120.000

2º turno:

29/11 – 0x2  AA Francana  – Franca – 16.583 + 1.724 menores

03/12 – 2×1 AA Portuguesa -VB – 8.807 + 979 menores

09/12 – 3×2 CA Juventus – Pacaembu – 28.968 + 1.317 menores

16/12 – 0x0 Marília AC – VB – 13.802 + 1.438 menores

28/01/1979 – 4×1 São Paulo FC –  Morumbi – 74.356 + 4.116 menores

03/02/1979 – 2×0 Comercial FC – Palma Travassos – 26.821 + 2.711 menores

11/02/1979 – 1×2 SC Corinthians P –  Morumbi – 103.494 + 5.497

14/02/1979 – 1×0 EC XV de Novembro (Piracicaba) – VB – 16.529 + 1.021 menores

17/02/1979 – 1×0 EC XV de Novembro (Jaú) – VB – 19.258 + 1.280 menores

21/02/1979 – 0x0 EC Noroeste – Bauru – 16.220 + 1.915 menores

24/02/1979 – 0x0 Paulista FC – Jundiaí – 15.110 + 1.016 menores

04/03/1979 – 1×2 SE Palmeiras – Morumbi – 55.585 + 1.841menores

07/03/1979 – 0x2 EC São Bento – Valter Ribeiro – 13.964 + 1.546 menores

11/03/1979 – 3×2 A Portuguesa D – Pacaembu – 36.336 + 1.269 menores

14/03/1979 – 4×0 America FC – VB – 12.438 + 1.694 menores

18/03/1979 – 1×0 Guarani FC – Brinco de Ouro – 30.557 + 3.322 menores

24/03/1979 – 3×0 Botafogo FC – VB – 13.083

28/03/1979 – 0x0 A Ferroviária E – Araraquara – 13.517

02/04/1979 – 0x1 AA Ponte Preta – VB – 27.181 + 3.618 menores

Finais do turno:

14/04/1979 – 2×1 AA Francana – VB – 26.332 + 2.749 menores

19/04/1979 – 1×1 AA Ponte Preta (0x1 prorrogação) – Morumbi – 51.312 + 2.028

3º turno:

03/05/1979 – 5×1 Botafogo FC – VB – 12.006 + 2.143 menores

06/05/1979 – 1×0 AA Francana – VB – 19.069

09/05/1979 – 5×1 A Portuguesa D – VB – 21.497 + 2.688 menores

12/05/1979 – 1×2 São Paulo FC –  Morumbi – 73.803 + 4.225 menores

20/05/1979 – 0x1 CA Juventus – VB – 17.153 + 2.110 menores

27/05/1979 – 1×2 SE Palmeiras- Morumbi – 60.076 + 4.694 menores

30/05/1979 – 3×1 Guarani FC – Pacaembu  -13.152 + 525 menores

07/06/1979 – 2×0 AA Ponte Preta – Pacaembu – 41.346 + 4.697 menores

10/06/1979 – 0x1 SC Corinthians P – Morumbi – 100.569 + 6.198 menores

Finais:

16/06/1979 – 3×1 Guarani FC – Morumbi – 41.352 + 2.856 menores

20/06/1979 – 2×1 São Paulo FC – Morumbi – 81.788 + 6.528 menores

24/06/1979 – 1×1 São Paulo FC – Morumbi – 107.485 + 7.670 menores

28/06/1979 – 0x2 São Paulo FC (0x0 prorrogação) – Morumbi – 74.535 + 5.95 menores

Veja os vídeos das finais: