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Morreu Dr Sócrates

Amigos,

Morreu  Sócrates, grande craque dos anos 80.  Sócrates jogou no Botafogo (Ribeirão Preto), Corinthians, Fiorentina (Itália), Flamengo e Santos.

Inteligência e categoria fora do comum nos gramados, sempre assumiu posições políticas da vida nacional. Líder dos atletas na Campanha pelas “Diretas, já!”, liderou o movimento da “Democracia Corintiana” ao lado de Casagrande e Wladimir. Na Seleção Brasileira era referência no meio de campo e junto com Zico, Cerezo e Falcão marcando época em Copas do Mundo.

Jogou na Itália e não obteve o mesmo sucesso e no final da carreira deu um toque de categoria a um cambaleante Santos FC.

Com Sócrates em campo, o Corinthians era um adversário temido e difícil de ser batido… por sinal, a única época que tive simpatias pelo futebol do clube de Parque São Jorge foi durante a passagem do Doutor.

Sócrates e Zico na Copa de 1982
Sócrates e Zico na Copa de 1982

Fichas técnicas -1989

18/05/1989 Santos FC 2×1 São Paulo FC

L: Pacaembu – São Paulo (SP)

C: Campeonato Paulista

R: NCz$ 21.668

P: 9.278

A: Dagoberto Teixeira

G: Junior 27′ e Sócrates (p) 54′ – Paulo Cesar (p) 67′

SFC: Sergio; Heraldo, Luis Carlos, Luisinho e Wladimir; César Sampaio, César Ferreira, Junior e Sócrates; Juary e Tuíco

Técnico: Nicanor Carvalho

SPFC: Gilmar; Netto, Adílson, Ivan e Nelsinho; Bernardo, Flavio (Mario Tilico) e Bobô; Benê, Paulo Cesar e Renatinho (Ney).

Técnico: Carlos Alberto Silva

Num Pacaembu semi-deserto, um belo gol de Junior… vale a pena conhecer os gols da partida:

27/08/1989 Santos FC 2×0 Double Flowers (HK) -

L: Municipal de Hong Kong (Hong Kong Government Stadium) – Hong Kong (HKG)

C: Amistoso

P: 8.145 pessoas

A: Samuel Y. Chian

G: Marco Antonio Cipó e Roberto Cearense

SFC: Sérgio (Nilton Pelegrine); Ditinho, Davi, Luis Carlos e Wladimir (Luisinho), César Sampaio (Cássio); César Ferreira e Sócrates (Marco Antônio Cipó); Roberto Cearense, Heriberto e Totonho.

Técnico: Nicanor de Carvalho.

DF: Cha San Yin; Tang Chi Ming, Lee Chung, Cha Chi Kwong e Russel Milton; Kam Wah, Chan Man Sholn e Deniel Esguliant; Ho Kwok Lrung, Ho Kam Pio e Tsang Ting Tai.

Última partida de Sócrates no SFC

05/11/1989 Santos FC 2×1 SC Internacional PA (Porto Alegre)

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Campeonato Brasileiro

R: NCz$ 190.640

P: 8.883

A: Manoel Serapião Filho

Expulsão: Julio Cesar (SCI) expulso

G: Jorginho (olímpico) 19′ e Paulinho MacLaren 65′ – Zé Carlos 31′

SFC: Sergio; Cesar Ferreira, Luisinho, Luis Carlos e Vladimir; César Sampaio, Axel (Totonho) e Jorginho; Paulinho McLaren, Serginho Chulapa e Tuíco

Técnico: Pepe

SCI: Taffarel; Julio Cesar (Edmundo), Norton, Maurício e Casemiro; Norberto (Dacroce), Luvanor, Bonamico e Zé Carlos; Nelson e Edu.

Técnico: Francisco Neto

Gol de Jorginho foi olímpico. Serginho Chulapa retorna ao SFC

O Brasil elege seu Presidente e Sócrates deixa o Santos FC… e a Fênix renasce.

Santistas de Todo Mundo, uni-vos!

O ano de 1989 é uma referência na história do Brasil,  pela 1ª vez desde 1960 os brasileiros poderiam eleger o Presidente da República… A economia do Brasil, novamente estava mergulhada em crise, o Plano Cruzado fracassara e uma nova moeda entra em circulação: o Cruzado Novo (NCz$). O povo sofre com a inflação alucinante, porém eram tempos de esperança. E com grande entusiasmo e a expectativa vivia-se a campanha eleitoral de 1989… E não seria por falta de candidatos para animar o processo… eram mais de duas dezenas. Exatamente 22… uma farra cívica/eleitoral… muitos eleitores faziam coleções de adesivos para automóveis… Poucas eram as coligações, a maioria dos Partidos lançou candidatura própria. A direita representada por Collor (PRN), Maluf (PDS), Afif (PL), Aureliano Chaves (PFL), Ronaldo Caiado (PSD), Eneas (PRONA)e Afonso Camargo (PTB). Na centro-esquerda havia: Lula (PT), Brizola (PDT), Gabeira (PV), Covas (PSDB), Ulysses Guimarães (PMDB), Roberto Freire (PCB) e Fernando Brant (PMN)… e, claro, os folclóricos: Marronzinho (PSP), Paulo Gontijo (PP), Zamir Teixeira (PCN), Lívia de Abreu (PN), Eudes Mattar (PLP), Antonio Pedreira (PPB), Manoel Horta (PDC do B) e Armando Corrêa (PMB)…

É engraçado ver essas divisões do campo político nos dias de hoje… era uma época mais radicalizada e as diferenças ideológicas eram evidentes.

A eleição foi pra 2º turno entre Lula e a Globo, digo, Collor, sendo eleito Collor…

No início era a festa da democracia. No 2º turno as posições se radicalizaram e o "pau quebrou" nas ruas em algumas oportunidades.
No início era a festa da democracia. No 2º turno as posições se radicalizaram e o "pau quebrou" nas ruas em algumas oportunidades.

No Santos FC foi uma época de crises…

A presença do Dr Sócrates rendiam convites para amistosos no exterior, e com todos os problemas, o alvinegro voltou às turnês Mundiais. Começou em fevereiro com 3 amistosos no Chile. Jogos em Concepción e Viña del Mar:

07/02 – 1×1 CDRA Fernandes Vial – Concepción  – Quadrangular – 5.845 presentes

09/02 – 1×0 Deportivo Concepción – Concepción – Quadrangular – 7.180 presentes

11/02 – 0x1 CD Everton – Viña del Mar – 4.089 presentes

Cada participação de Sócrates rendia U$ 2.000 ao Doutor…  O resultado final da excursão foi um tanto melancólica, recebeu apenas US$ 16.000 no lugar dos US$ 60.000 prometidos pela Sociedade dos Hemofílicos do Chile e da Associação dos Artistas Chilenos… além disso, o Técnico Marinho Perez abandonou o comando do SFC.

Sérgio Guedes chegou à Seleção Brasileira em 1990

Para o Campeonato Paulista, a direção providencia alguns reforços… o melhor deles era o goleiro Sérgio. Revelado pela Ponte Preta, foi um digno substituto de Rodolfo Rodrigues. Outros reforços também chegaram à Vila Belmiro: o lateral esquerdo Wladimir (ex Corinthinas) e os atacantes Juary e Aloisio Guerreiro retornavam ao Peixe.

Com Wladimir, Sócrates e Juary, o time seria muito forte… em 1979. Não em 1989.

Se o time não disputou o título, ao menos se equilibrou em inúmeros empates…

O Campeonato Paulista vinha cheio de “novidades”, era a fértil cabeça da cartolagem que funcionava a pleno vapor : vitória por 2 gols de diferença ou mais, 3 pontos; vitória por um gol de diferença, 2 pontos; empate com gols, 1 ponto para cada equipe; empate sem gols, decisão por pênaltis (ao vencedor um ponto, ao derrotado nenhum ponto).

Outra inovação era a formação de dois grupos, ambos de 11 clubes (um “forte” e outro “fraco”). No “1º turno” os times de um grupo enfrentavam os times do outro grupo; no “2º turno”, os confrontos eram dentro de cada grupo. No grupo forte, classificavam-se 8 equipes, e no grupo fraco, 4 equipes. As doze equipes seria  reagrupadas em 4 grupos de 3, o campeão de cada grupo passaria às semi-finais e os vencedores fariam as finais.

A Campanha Santista começou com um empate em Ribeirão Preto (1×1 com o Botafogo), nesta partida o Peixe recebeu o Troféu Peirão de Castro, jornalista esportivo falecido em 1989.

O início da participação foi uma decepção tremenda… derrotas vexatórias em plena Vila Belmiro (1×2 Catanduvense)… aos poucos o time foi se estabilizando e chegou a ficar 15 partidas invictas (claro, com muitos empates no meio).

Campanha do 1º turno:

Botafogo FC –  1×1 (Santa Cruz)

GE Catanduvense  – 1×2 (VB)

GE Novorizontino – 1×2 (Novo Horizonte)

AA Intrernacional – 1×1 (VB)

A Ferroviária E – 1×0  (VB)

EC XV de Novembro (Jaú) – 0x0 (4×5 pênaltis) – (Jaú)

Mogi Mirim EC – 0x0 (5×3 pênaltis) – (Mogi Mirim)

EC Noroeste – 1×2 (Bauru)

América FC – 3×0 (VB)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 0x0 (4×3 pênaltis) – (VB)

União São João FC – 0x0 (3×1 pênaltis) (Araras)

Antes de começar o 2º turno, mais um giro internacional. Agora, para o Caribe… no roteiro Jamaica e Ilhas Cayman.

Ilhas Cayman, um local nada agradável de visitar
Ilhas Cayman, um local nada agradável de visitar

Nas duas apresentações, a presença de Sócrates era obrigatória. E Sócrates atraia multidões…

Em Kingstow (Jamaica), 30.000 torcedores se acotovelaram para ver Sérgio  Guedes, Davi (Seleção Olímpica), Wladimir, César Sampaio e Sócrates, no empate por 1×1.

Na ilha de Grand Cayman, 2.000 pessoas ocuparam o estádio local para ver a exibição santista. Parece pouco, mas a população da ilha era de 20.000 pessoas… ou seja 10% de toda a ilha estiveram presentes no estádio … “Estádio”, modo de dizer, havia apenas uma pequena arquibancada com capacidade de 100 torcedores. Os organizadores precisaram colocar tapumes ao redor do campo, para evitar que as pessoas que passassem pela rua vissem a partida sem pagar…

Resultados:

16/04 – 1×1 Seleção da Jamaica

17/04 – 2×0 Seleção das Ilhas Cayman

Voltou ao Brasil após escala em Miami, para buscar a recuperação no 2º turno, onde enfrentaria os times mais fortes.

E o time desempenhou bem, ficando invicto…

CA Bragantino -1×0 (VB)

São José EC – 1×1 (SJC)

Guarani FC – 0x0 (5×3 pênaltis)  (Brinco de Ouro)

Santo André EC  – 0x0 (4×5 pênaltis) (VB)

SE Palmeiras – 1×1 (Morumbi)

SC Corinthians P – 0x0 (4×5 pênaltis) – (Pacaembu)

EC São Bento – 0x0 (5×4 pênaltis) – (Sorocaba)

São Paulo FC – 2×1 (Pacaembu)

A Portuguesa D – 1×0 (Canindé)

CA Juventus – 2×1 (VB)

Veja no vídeo abaixo, um gol belo de Sócrates, contra o América:

Na fase seguinte, o SFC disputaria uma vaga nas semi-finais com Mogi  Mirim e Corinthians. A tática era uma só: fechado na defesa e esperar um jogada genial de Sócrates ou um arranque de Juary…

Começou vencendo o Mogi (1×0), gol de Juary e empatou em zero com o Corinthians. O alvinegro paulistano havia vencido duas vezes o time do interior. Dessa forma a a partida do SFC em Mogi tomou ares de decisão… Apenas a vitória interessava ao alvinegro, no entanto ficou no empate (1×1), tomando o gol aos  89′. Restava uma última e derradeira esperança: vencer o Corinthians no Morumbi. Não foi possível… a série sem derrotas no tempo normal cai na última apresentação santista… SFC eliminado do Paulistão:

Mogi Mirim EC –  1×0 (VB); 1×1 (Mogi Mirim)

SC Corinthians P – 0x0 (Morumbi); 1×3 (Morumbi)

Fora das finais, parte em busca de uns trocados em Santa Catarina, enfrentando times de 2ª linha e perante públicos nunca acima de 3.000 pessoas:

Juary foi o artlheiro na excursão ao Sul do País, com 4 gols.
Juary foi o artlheiro na excursão ao Sul do País, com 4 gols.

1×1 AEC Iguaçu (União da Vitória) – União da Vitória (PR) –  Cidade que é divisa de Estado (Paraná/ Santa Catarina)

4×0 Guaycurus FC (Concórdia) – Concórdia (SC)

4×0 AD Joaçaba – Joaçaba (SC)

4×0 Videira EC – Videira (SC)

Com a crônica falta de gols, a direção traz mais um atacante: Roberto Cearense.

E será com Juary, Roberto Cearense, Sócrates, César Sampaio, Wladimir, Davi e Heriberto (Ex São  Paulo) que o alvinegro parte par o outro lado do planeta. Viaja até a misteriosa e fechada China!

China que se preparava para tornar-se a potência econômica que é hoje. China que dava os primeiros passos para quebrar a época de isolamento esportivo.

E o Santos FC foi convidado para divulgar o futebol brasileiro nas terras de Mao. Pela 1ª vez um grande clube brasileiro visitava a China. O Madureira (Rio de Janeiro ) havia jogado em 1964, mas foi só.

Os chineses fizeram de tudo para agradar e divulgar os brasileiros… A excursão santista era anunciada como a “Competição da Amizade”. E ao final de cada partida os melhores atletas do SFC em campo, eram premiados com finíssimos vasos de porcelana chinesa… um prêmio de uma riqueza cultural inestimável.

Nicanor de Carvalho (Técnico), Sócrates, Ernani, César Sampaio, Sérgio Guedes, Juary  receberam vasos semelhantes ao da foto.
Nicanor de Carvalho (Técnico), Sócrates, Ernani, César Sampaio, Sérgio Guedes, Juary receberam vasos semelhantes ao da foto.

O alvinegro atuou em diversas cidades chinesas, além de Honk Kong (pela 3ª vez – 1970, 1972 e 1989).

Conheça a campanha do SFC na China:

06/08 – 4×1 Seleção de Tianjim – Em Tianjim

09/08 – 1×0 Seleção Olímpica da China – Em Beijing

12/08 – 1×1 Seleção da China  – Em Daliam, com a inauguração do Estádio Local (Estádio do Povo de Daliam)

15/08 – 1×0 Shenyang Liaoning – Em Shenyang, com a inauguração do Estádio Wulihe

18/08 – 2×0 Seleção de Shangai -Em Shangai

21/08 – 2×1 Seleção de Hubei – Em Wuham

24/08 – 1×2 Seleção de Guangdong – Em Guangzo.  Partida com maior público na excursão (55.000 torcedores)

27/08 – 2×0 Double Flowers (HGK) – Em Hong Kong

29/08 – 4×0 Seleção de Fosham – Em Fosham. Aqui, o SFC recebeu a Fosham Cup

Após 20 dias na China , o time estava exausto… mesmo com toda gentileza dos dirigentes chineses, as diferenças culturais eram abissais, as hospedagens muitas vezes não eram das melhores e as viagens eram longas e cansativas… os atletas já estavam saturados das partidas… e para complicar, Sócrates cobrava publicamente a direção do clube, sobre os valores que deveria receber em cada partida internacional…  Cobrava os 2.000 dólares por partida que tinha direito, e que não recebia desde as partidas no Chile, em fevereiro.

Precisando de dinheiro, o SFC estica a excursão para a América do Norte… Sócrates desafia a direção e afirma que se o SFC não pagar o que deve, que ele abandonaria o clube.  E não deu outra… Sem receber o que estava previsto em contrato, Sócrates rescinde o seu contrato com o SFC e volta ao Brasil…

Sócrates realizou 46 partidas e marcou 14 gols. Mesmo jogando apenas o 1º semestre, foi o principal artilheiro em 1989.

Nas terras de Tio Sam, o Peixe realizou mais duas apresentações:

01/09 – 1×0 Boston Bolts (EUA) – Em Boston

02/09 -1×1 Alianza FC (El Salvador) – Em Washington (EUA)

Sem Sócrates, o alvinegro busca reforços para o Brasileirão – 89. E vários atletas chegam ao clube: Carlinhos (vindo do C Atlético Paranaense), Paulinho McLaren (vindo do Figueirense), o lateral-direito Ditinho (ex Palmeiras e Coritiba) e o meia atacante Jorginho. De todos o mais badalado era Jorginho… reconhecido como craque, carregava a triste sina de não ser campeão… 10 anos de Palmeiras comprovavam a tese…  e não seria naquele Santos, que Jorginho perderia o maldoso apelido de “Jorginho pé-frio”.

E o Campeonato Brasileiro apresentava novo regulamento: Os 22 clubes seriam divididos em dois grupos de 11. No 1º turno, jogos apenas dentro dos grupos. Oito times de cada grupo passariam para o 2º turno. Os 6 desclassificados fariam um “Torneio da Morte” para definir os 4 rebaixados para a 2ª divisão de 1990. No 2º turno, haveria o confronto entre os participantes de cada grupo. O campeão de cada grupo disputaria a final.

Havia o real temor que o SFC não passasse para o 2º turno…

E o time foi o mesmo do Campeonato Paulista, fechado na defesa esperando um milagre qualquer dos atacantes.

Nas 5 primeiras partidas marcou apenas um gol (Ernani, na derrota contra o Vasco – 1×2). Venceu apenas no compromisso seguinte, contra o Bahia (3×1) e voltou a perder.

Ao mesmo tempo, iniciava-se a Super Copa da Libertadores. E o SFC deveria enfrentar o Independiente. E não precisava conhecer muito de futebol  para saber que o Santos não teria chances frente ao Campeão Argentino. Tanto que apenas 2176 santistas compareceram à Vila para ver mais um derrota (1×2) e vaiar o time … Ernani, ficou irritado e ao final do 1º tempo (0x2), afirmava aos repórteres que não voltaria ao jogo em protesto às vaias… no final da partida o Peixe marcou um golzinho.

Na Argentina, uma derrota: 0x2, e novamente eliminado.

No Campeonato Brasileiro , uma partida decisiva na Vila  contra a Portuguesa. Torcida nervosa, e time mais ainda… arbitragem caótica e o SFC consegue arrancar um empate… Teve de tudo durante a partida, chuva de pedras (inclusive no bandeirinha) , invasão de campo, gol anulado de Roberto Dinamite (APD), dirigente da Lusa agredindo bandeirinha ao final da partida… um caos, e um empate suado em 1×1.

Nesta altura da competição , o Peixe estava em 8º lugar em seu grupo e teria que enfrentar o Cruzeiro (em BH) e o Coritiba (marcada para Juiz de Fora -MG)… a situação era crítica… o “torneio da morte” se aproximava perigosamente.

Mais um 0x0 em BH colocava o alvinegro na dependência de outros resultados… que não aconteceram.

E no dia 19 de outubro o Santos estava desclassificado, faria companhia ao Bahia e mais um clube (Sport ou Coritiba), além de Guarani, Atlético Paranaense e Vitória no luta pára não cair. Os torcedores morriam de vergonha… o Técnico Nicanor de Carvalho já estava demitido… o dinheiro que já andava curto, prometia ser ainda menor… o fundo do poço chegara como nunca havia chegado… nem em 75/ 76, ou na dédaca de 40 ou no início dos anos 20…  O santista sofria e chorava… e o pior, sem esperanças de recuperação…

Mas os céus abrem caminhos não imaginados pelos homens…

A tabela da CBF marca a data da partida entre Santos e Coritiba para o dia 22 de outubro.

Coritiba que brigava por uma vaga com o Sport Recife, sendo que o Sport deveria enfrentar o líder Vasco no dia 25 de outubro em partida adiada da 9ª rodada (15 de outubro). O Coritiba precisava apenas de um empate para se classificar frente a um despedaçado Santos, enquanto que o Sport teria que vencer o Vasco e torcer para alvinegro vencer o Coxa, para ficar com a vaga…

A direção do Coritiba entende que as partidas devem acontecer simultaneamente, isto é, no mesmo dia e horário, não admitindo enfrentar o SFC na data prevista. Consegue uma liminar na Justiça e suspende seu confronto em Juiz de Fora. A CBF ignora liminar a mantem a partida conforme a tabela… Com a liminar nas mãos, o Coxa nem segue para Juiz de Fora… por outro lado, o alvinegro vai até a cidade mineira, entra em campo, aguarda 20 minutos e é declarado vencedor por WO.

Agora, tudo será definido no tapetão… e na noite de 23 de outubro, o STJD cassa a liminar do Coxa por 6×2, declarando o SFC vencedor por 1×0. As coisas mudam completamente… o Coritiba é eliminado do Campeonato e uma vitória do Vasco, contra o Sport coloca o Peixe na disputa do 2º turno.

Foto: Revista Placar

A Fênix ressurge!

Pepe assume o comando técnico do Santos FC e as esperanças ressurgem nos corações santistas pois, mais uma vez, retorna Serginho Chulapa para fazer os gols que o alvinegro necessitava.

Mesmo com toda a fragilidade do elenco, mesmo com Chulapa ainda mais veterano, Pepe arranca um empate em 0x0 contra o Corinthians e uma vitória contra o Internacional na Vila Belmiro, com direito a gol olímpico de Jorginho.Vitórias contra o Náutico e a Internacional de Limeira garantem o 12º lugar na competição… o que não era ruim diante da perspectiva do rebaixamento que rondava a Vila.

Pepe teria muito trabalho em 1990…

Campanha:

SE Palmeiras – 0x0 (Morumbi)

Fluminense FC – 0x1 (VB)

CR Vasco da Gama  – 1×2 (VB)

Goiás EC – 0x0 (VB)

Grêmio FPA  – 0x0 (Olímpico)

EC Bahia  – 3×1 (VB)

Sport C Recife  – 0x2 (Ilha do Retiro)

A Portuguesa D – 1×1 (VB)

Cruzeiro EC – 0x0x (Mineirão)

Coritiba  – WOx0 (Juiz de Fora)

WO – Expressão inglesa que significa “walkover”. É a atribuição de uma vitória a uma equipe ou competidor quando a equipe adversária está impossibilitada de competir (Wikipédia)

SC Corinthians  P – 0x0 (Morumbi)

SC Internacional – 2×1 (VB)

São Paulo FC – 0x3 (Morumbi)

CR Flamengo – 0x1 (Maracanã)

AA Internacional – 2×0 (VB)

C Náutico C – 2×1 (VB)

C Atlético Mineiro – 1×2 (Mineirão)

Botafogo FR – 0x1 (VB)

1988 – Fichas Técnicas – Despedida de RR

10/04/1988 Santos FC 0x1 EC Santo André

L: Bruno Daniel – Santo André (SP)

C: Campeonato Paulista

R: Cz$ 879.000

P: 2.746 + 971 (3.717)

A: Renato Marsiglia

G: – Arizinho

SFC: Rodolfo Rodrigues; Ijuí, Celso, Nildo e Flavio (Davi); Cesar Ferreira, Junior e Zizinho; Edson, Arturo e Edelvan

Técnico: Geninho

ECSA: Tonho; Ronaldo, Luis Pereira, Adilson e Toninho Oliveira; Gerson, Eduardo (Catanoce) e Jaiminho; Osmarzinho, Gaucho e Arizinho.

Técnico: Jair Picerni

Vendo a inoperância do ataque santista, RR foi jogar como atacante… passou, driblou adversários e esperou em vão, um cruzamento na área para tentar um golzinho de cabeça… Do lado do Santo André, destaque para o veterano Luis Pereira e os ex-santistas Toninho Oliveira, Osmarzinho e Arizinho.

24/04/1988 Santos FC 1×1 EC Santo André

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Amistoso (Festejos de Aniversário do SFC)

R: Portões abertos

A: Euclides Zamperti Fiori

G: Juninho 12′ – Toninho Oliveira 63′

SFC: Rodolfo Rodriguez (Nilton), Heraldo, Celso, Nildo (Davi) e Ijuí (Lula); César Ferreira, Juninho (Edu) e Mendonça (Edelvan); Édson (Miltinho), Soares (Zizinho) e Luvanor.

Técnico: Geninho

ECSA: Tonho; Ronaldo, Luis Pereira, Alaor (Paulo) e Toninho Oliveira; Gerson, Eduardo e Catanoce; Osmarzinho (Mané), Gaucho e Dica (Luis Antonio).

Técnico: Jair Picerni

Zamperti roubou a cena ao final da partida… não marcou um penalti de Luis Pereira em Miltinho, armou-se uma confusão e o juizão encerrou a partida aos 89′ (após 2′ de discussão)… no caminho ao vestiário, Zampertti teve tempo de dar uma cotovelada em Zizinho.. durante a confusão, Gerson (ECSA) acertou um pontapé em Edelvan que ficou estatelado no chão… uma várzea completa a “festa” de aniversário do SFC…

22/05/1988 Santos FC 3×0 São Paulo FC – 3921

L: Morumbi – São Paulo (SP)

C: Campeonato Paulista

R: Cz$ 7.421.000

P: 26.548 + 2.721 (29.269)

A: Renato Marsiglia

G: Serginho Chulapa 33′, Mendonça (p) 37′ e Cesar Sampaio 88′

SFC: Rodolfo Rodrigues; Heraldo, Celso (Davi), Nildo e Ijuí; Cesar Ferreira, Cesar Sampaio, Mendonça (Edson) e Luvanor; Serginho Chulapa e Tuíco

Técnico: Geninho

SPFC: Rojas; Zé Teodoro, Adílson, Dario Pereyra e Nelsinho; Bernardo, Pita e Lê; Muller, Nei (Raí) e Sidney (Renatinho).

Técnico: Cilinho

Seguramente, a melhor partida do SFC em 1988. Show de RR e Chulapa.

Além de ótimo goleiro, RR sabia impor respeito na área. Ali ele era soberano, era rei, era uma Muralha!

03/07/1988 Santos FC 2×3 SC Corinthians P (São Paulo)

L: Morumbi – São Paulo (SP)

C: Campeonato Paulista (fase semi-final)

R: Cz$ 10.472.200

P: 31.333 + 446 (31.780)

A: Arnaldo César Coelho

Expulsões: Expulsões: Dama (SCCP) e Serginho Chulapa (SFC)

G: Mendonça 18′ e Cesar Ferreira 53′ – João Paulo 40′, Biro-Biro 65′ e Everton 77′

SFC: Rodolfo Rodrigues; Heraldo (Junior), Davi, Luisinho e Ijuí ; Cesar Ferreira, Cesar Sampaio, Mendonça e Luvanor (Giba); Serginho Chulapa e Tuíco

Técnico: Geninho

SCCP: Carlos; Wilson Mano, Marcelo, Dama e Ailton (Edson); Biro-Biro, Edmundo (Paulinho Carioca) e Márcio; Marcos Roberto, Everton e João Paulo.

Técnico: Jair Pereira

Última partida de Rodolfo Rodrigues pelo Santos FC.Foi atuar no Sporting (Portugal) e retornou ao Brasil em 1991, para atuar na Portuguesa de Desportos.

Rodolfo Rodrigues foi, sem dúvida o melhor goleiro dos últimos 40 anos. Jogador símbolo dos anos 80 e 90. O único a rivalizar com o excepcional goleiro uruguaio, foi o não menos espetacular Gilmar dos Santos Neves.

A Rodolfo Rodrigues toda a reverência da torcida santista! Obrigado, Rodolfo!!!!!!!

Rodolfo festejado pela companheiros da Seleção Uruguaia

29/11/1988 Santos FC 4×2 CA Cerro (URU)

L: Vila Belmiro – Santos (SP)

C: Amistoso

R: Cz$ 4.667.000

P: 8.058 + 1.526 (9.584)

A: Romualdo Arpi Filho

G: Mendonça 36′, Sócrates 38′, Junior 66′ e Giba (p) 90′ – Vingnello 24′ e Fernandez 59′

SFC: Ferreira; Cesar Ferreira (Heraldo), Nildo, Davi (Cássio) e Luis Carlos (Ijuí); César Sampaio, Mendonça (César Pereira), Sócrates (Zimmerman) e Giba; Junior e Sídnei

Técnico: Marinho Perez

CAC: Revereno; De Leon (Gonzales), Ponze, Wilson Gonzalez e Operti (Ferrem); Escobal (Nestor Martins), Dorneli e Carabajo; Fernandez, Vingnello e De Los Santos (Jorge).

Obs: estreia de Sócrates no SFC. Partida teve pontapé inicial de Telma de Souza, recém eleita Prefeita de Santos pelo PT.

Até que Rodolfo Rodrigues desistiu…

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Depois da melancólica e vexaminosa participação no Brasileirão de 1987 o torcedor santista não esperava por muita coisa boa em 1988.

Sem dinheiro, sem revelações, sem tine competitivo, passou a mandar os clássicos na Vila Belmiro na tênue tentativa de endurecer com os rivais e arrancar uma vitória aqui ou acolá…

Cipó foi tema de matéria da Revista Placar, como a aposta do SFC para 1988

Conseguia manter no 1º semestre Rodolfo Rodrigues, Mendonça e César Sampaio, chegava o uruguaio Arturo Sainz e a grande esperança era Marco Antonio Cipó.

Cipó era um jovem atacante negro, vindo de Bauru e muitos acreditavam que a história poderia ser repetida… mas o velho Marx já ensinava que a história se repete na forma de farsa.

Outra aposta era o meia atacante Zizinho, filho do grande Zizinho dos anos 50… porém a semelhança ficava no nome…

E os amistosos de início de ano comprovavam as previsões mais sombrias: venceu o Maringá (1×0) e a Portuguesa (2×0) e perdeu para o Umuarama (0x2)!!!!!!, Botafogo FR (0x1) e Corinthians (0x1).

Sem maiores perspectivas, o SFC começa sua participação da Super Copa da Libertadores de América.  A Super Copa era uma competição oficial promovida pela Conmebol e reunia todos os vencedores da Libertadores em jogos eliminatórios. O adversário santista seria o Racing, da Argentina.

E o resultado foi o esperado… derrota em Avellaneda (0x2) e empate na Vila (0x0), sendo eliminado da competição.

No Campeonato Paulista  de 1988 a perspectiva não era das melhores… talvez por força do regulamento, chegasse mais adiante, mas se fosse em pontos corridos não teria grandes chances… São Paulo e Guarani eram os favoritos, numa competição que mudava novamente de regulamento. Os 20 participantes eram divididos em dois grupos de 10 equipes, no “1º turno” as equipes de um grupo enfrentariam equipes de outro grupo e no “2º turno” os confrontos eram entre os times do mesmo grupo. Ao final dos “dois turnos” (na realidade um só), as 4 melhores colocadas de cada grupo passariam à fase semi-final, sendo reagrupadas em duas chaves de 4. Jogos em turno e returno dentro de cada chave e o campeão de cada chave disputavam a final em jogos de ida e volta.

E a campanha alvinegra foi cheia de altos e baixos… algumas situações foram sofríveis, como nas derrotas para o Corithians e Santo André …. na partida contra o time do ABC o protagonista foi Rodolfo Rodrigues… Inconformado com a total incapacidade do ataque, RR foi para a área tentar um gol de cabeça… em vão, pois sequer  conseguiam cruzar a bola na área andreense… era a 2ª tentativa de RR em ajudar o ataque santista, a 1ª vez tinha ocorrido em 1986:

http://www.youtube.com/watch?v=SawovaSjY5I&feature=results_video&playnext=1&list=PLCE59169BAE7E7381

No “2º turno” o time saiu-se bem… Realizou uma boa sequência de partidas, chegando a vencer o forte São Paulo, por 3×0 no Morumbi. Numa jornada inspiradíssima de Serginho Chulapa, que mais uma vez retornava ao SFC, E Chulapa derrubou a defesa tricolor, fazendo um gol de bico e arrumando espaços para os outros gols santistas. E, claro, RR garantiu tudo no gol. Uma vitória maiúscula, que empolgou a torcida santista. Veja o show de Chulapa e RR:

A campanha no final da fase de classificação foi razoável, ficando em 6º lugar, porém a apenas dois pontos dos líderes (Corinthians, Inter de Limeira, Guarani e São José):

São José EC – 0x0 (SJC)

EC São Bento – 0x0 (VB)

A Ferroviária E – 3×1 (VB)

Guarani FC – 0x2 (Brinco de Ouro)

SE Palmeiras – 1×0 (VB)

América FC – 2×0 (SJRP)

A Portuguesa D – 1×1 (VB)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 3×0 (VB)

SC Corinthians P – 0x3 (Pacaembu)

EC Santo André – 0x1 (Santo André)

Mogi Mirim EC – 1×0 (VB)

AA Internacional – 0x0 (VB)

EC XV de Novembro (Jaú) – 2×1 (VB)

CA Juventus  – 0x0 (VB)

São Paulo FC – 3×0 (Morumbi)

EC Noroeste -1×1 (Bauru)

GE Novorizontino -2×1 (VB)

União São João EC – 1×0 (Araras)

Botafogo FC – 0x1 (Pacaembu)

Na fase semi-final, o grupo do SFC era o mais complicado, com a presença dos 4 maiores clubes do Estado de São Paulo juntos: Santos, São Paulo, Corinthians e Palmeiras. A FPF marcou todas as partidas para a Capital, o que reduzia as chances do alvinegro…

Começou com um empate (0x0) com o Palmeiras, porém duas derrotas seguidas praticamente afasta as possibilidades (0x2, São Paulo e 2×3, Corinthians). No returno, a vitória contra o Palmeiras devolve uma esperança matemática aos torcedores,  extinta com o empate seguinte contra o tricolor… a derrota contra o Corinthians na última rodada é o prego final no caixão alvinegro.

Campanha:

SE Palmeiras – 0x0 e 2×1 (ambos no Pacaembu)

São Paulo  FC – 0x2 (Morumbi)  e  1×1 (Pacaembu)

SC Corinthians P – 2×3 (Morumbi) e 0x2 (Pacaembu)

A derrota contra o Corinthians (2×3) foi a última partida de RR pelo Santos FC.

Uma observação é que o Campeonato Paulista foi paralisado durante a competição, pois a Ponte Preta e o Bandeirante conseguiram liminar na Justiça que garantia a presença de ambos na competição (haviam sido rebaixados em 1987)… Foi uma confusão dos diabos… os clubes protestavam não entrando em campo, o único que furava o boicote era o Corinthians… dessa forma, o Santos teve um WO contra o Bandeirante. Os jogos contra  Ponte Preta até que ocorreram, mas posteriormente foram anulados (assim como as vitórias por WO do Bandeirante), por decisão final da Justiça, que mandou os dois clubes interioranos para a Divisão de Acesso.

Em maio, o alvinegro conquistou o único Troféu da Temporada, num amistoso contra o Operário de Ponta Grossa, no Paraná, na vitória por 1×0 (Troféu Diário dos Campos – jornal de Ponte Grossa).

Terminado o Paulista, o SFC parte para uma excursão na Itália.

Excursão que foi um retrato fiel da terrível fase do glorioso alvinegro praiano… na agenda, adversários da 3º ou 4ª divisão do futebol italiano.

E contra adversários desse teor, os públicos eram fraquíssimos… 500 numa partida, 1.000 em outra e assim ia…

Veja os adversários:

Zimermman jogou no SFC em 1988. Era melhor compositor que boleiro...

07/08 – 6×0 time de Riva Del Garda (Itália) – Em Riva del Garda – Um jogo-treino onde sequer o nome do adversário ficou conhecido…

09/08 – 2×0 Aosta FC (Itália) – Aosta –  Mil testemunhas viram a primeira vitória santista…

11/08 – 2×1 AS Casele Monferrato C (Itália) – Casele Monferrato – O incrível público de 516 pessoas viram a vitória obtida com um gol de Zirmermman…

13/08 – 1×0 Novara C (Itália) – Novara

14/08 – 2×0 Seleção de San Marino – San Marino

16/08 – 3×1 UC Chioggia Sotto Marina (Italia) – Chioggia

21/08 – 0x1 Ternana C  (Itália) –  Ternana

e no encerramento a coroação do improviso e da decadência:

25/08 – 2×1 Combinado de atletas sem contrato da Federação Italiana – Lucca – Mais um jogo-treino, portanto não oficial. Eram atletas da 2ª divisão que estavam sem contrato…No banco de reservas do SFC ficou o atacante Roberto Pruzzo, artilheiro da Roma. Especulava-se que Pruzzo poderia ser contratado pelo SFC…

Ao retornar ao Brasil, o Campeonato Brasileiro já estava para iniciar…  As brigas com a CBF haviam sido superadas, e a competição (novamente chamada de Copa União) apresentava um novo regulamento.

No lugar dos 16 clubes de 1987, em 88 seriam 24, divididos em 2 grupos de 12 equipes. Voltavam a série principal o America (RJ), Sport Recife, Guarani, Bangu, Atlético Paranaense, Vitória, Portuguesa e Criciúma. E o regulamento inovava, e muito…

Vitórias valiam 3 pontos, em caso de empate a partida teria uma decisão por pênaltis. A equipe vencedora levava dois pontos, enquanto que a perdedora ficava com um ponto.

Os times do grupo “A” enfrentavam os clubes do grupo  “B”  (era o 1º turno). Os dois melhores de cada grupo passavam para  a fase final.

No “2º turno”, as equipes se enfrentavam dentro do grupo. Os dois melhores de cada grupo também passavam para a fase seguinte. Caso o mesmo clube ficasse entre os dois primeiros nos dois turnos, classificaria-se também a equipe de melhor pontuação entre os 24 participantes.

No 1º turno, o SFC enfrentaria: Fluminense, Flamengo, Bangu, Portuguesa, São Paulo, Palmeiras, Internacional, Atlético Mineiro, Atlético Paranaense,Vitória, Sport e Goiás.

No 2º turno: Botafogo, Vasco, America, Corinthians, Guarani, Grêmio, Cruzeiro, Coritiba, Bahia, Santa Cruz  e Criciúma.

Para enfrentar a competição a direção traz o ponta Sidney, revelação do São Paulo em 1985… mas o comportamento extra-campo já havia levado o craque a sair do tricolor, perdido a vaga na Seleção Brasileira comandada por Telê Santana, e mesmo indo atuar no Flamengo não conseguiu fixar sua carreira… buscava a recuperação do tempo perdido no SFC… não obteve êxito…

O torcedor santista sabia que o time não brigaria pelo título, sonhava quando muito, com a classificação entre os 8 melhores… O mais realista entendia que o rebaixamento não aconteceria, e estimava algo em torno de 10º ao 15º lugar…

No 1º turno foi o normal, isto é, poucas vitórias, algumas derrotas e empates… e mesmo assim sem vencer nos pênaltis… ao menos ficou longe da turma que brigava para não cair. Conheça os resultados:

SE Palmeiras – 1×1 (Parque Antártica) – na decisão por pênaltis:  3×4

C Atlético Paranense – 1×1 (Pinheirão) – na decisão por pênaltis: 4×1

SC Internacional – 0x0 (Beira Rio) – na decisão por pênaltis: 3×5

Bangu AC – 2×0 (Parque Antártica)

A Portuguesa D – 0x1 (Canindé)

São Paulo FC – 0x1 (Morumbi)

EC Vitória  – 1×1 (Vila Belmiro) – na decisão por pênaltis: 2×4

CR Flamengo – 0x1 (Maracanã)

Goiás EC – 0x1 (Vila Belmiro)

C Atlético Mineiro – 0x1 (Mineirão)

Sport C Recife -3×0 (Vila Belmiro)

Fluminense FC – 2×1 (Vila Belmiro)

A campanha era ruim… apesar da 7º colocação no grupo, estava em 19º na classificação geral, apenas três pontos acima da linha da degola. Logo, as coisas tinham que melhorar para o 2º turno… e numa jogada de ousadia e desespero por parte da direção do alvinegro, é contratado o já aposentado Sócrates. Sim, o Dr Sócrates era contratado para salvar o SFC… ele que fora seu carrasco quando atuou pelo Botafogo de Ribeirão Preto e pelo Corinthians, era a derradeira esperança santista…

Sócrates trouxe um mínimo de categoria e respeito a um time desacreditado...

Mesmo aposentado, Sócrates sabia jogar bola… e a fase do futebol brasileiro em 1988 não era das melhores… os torcedores imaginavam que Sócrates podia ter o papel que Jair Rosa Pinto tivera nos anos 50. O meio de campo seria bom, com César Sampaio, Mendonça, Sócrates e Junior… o problema era o ataque e a defesa…

Porém, Sócrates teria que recuperar um condicionamento físico mínimo para disputar partidas de futebol profissionalmente… assim demorou um pouco para estrear no time. Mas a simples presença do Doutor, já provocava o surgimentos de convites para o Santos. Dessa forma, em 14 de novembro, o time misto do Santos parte para Catanduva para inaugurar o Estádio local. A única exigência dos promotores: que Sócrates desse o pontapé inicial da partida. E assim  foi feito … Sócrates viajou com o elenco e deu o pontapé inicial do empate em 1×1 entre Santos FC (misto) e Catanduvense.

Sua estreia ocorreu 15 dias depois no amistoso contra o Cerro (Uruguai)… Uma festa em Santos… neste dia quem deu o pontapé inicial foi a Prefeita recém eleita, Telma de Souza (PT)… e Sócrates desfilou sua categoria no gramado… driblou, lançou, marcou um gol e fez jogadas belíssimas… vale a pena conhecer a primeira partida de Sócrates pelo Santos FC:

Uma coisa porém era enfrentar o Cerro , outra era o Campeonato Brasileiro… desta forma novos tropeços ocorreram , porém uma vitória lavou a alma santista. Na penúltima rodada, Santos (de Sócrates) 2×1 Corinthinas! Com direito a um golaço de Mendonça.

Campanha no 2º turno:

Guarani FC – 0x0 (Vila Belmiro) -na decisão por pênaltis: 3×2

Criciúma EC – 1×0 (Heriberto Hulse)

CR Vasco da Gama  – 0x4 (São Januário)

America FC – 2×0 (Vila Belmiro)

Coritiba FC – 0x2 (Couto Pereira)

Cruzeiro EC – 1×3 (Vila Belmiro)

Grêmio FPA – 2×1 (Vila Belmiro)

EC Bahia – 1×5 (Fonte Nova)

Santa Cruz FC – 0x0 (Arruda)-  na decisão por pênaltis: 4×3

SC Corinthians P – 2×1 (Pacaembu)

Botafogo FR – 0x0 (Vila Belmiro) – na decisão por pênaltis: 9×10

Foi o suficiente para permanecer na divisão principal  do futebol brasileiro… O ano de 1989 trazia algumas esperanças para o santista, afinal nada poderia ser pior que o ano de 1988.

Sinal de vida em 1977

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

A bagunça da excursão ao Maranhão no final de 76 tinha que ser controlada, e a direção encontrou um “culpado”: Zé Duarte foi demitido e contratado o disciplinador Urubatão.

O dinheiro continuava curto e o clube não podia abrir mão de qualquer convite que chegasse às mesas da Secretaria de Vila Belmiro.

E foi por esse motivo que o SFC encarou uma viagem de ônibus até o interior de Goiás para enfrentar o Itumbiara EC. Imagine viajar cerca de 3.000 Km (ida e volta) num busão para UMA única partida de futebol! Parecia coisa dos anos 30…

Num busão semelhante a esse que o SFC encarou 3.000 de estrada (Imagem: /www.semprepeixe.com.br)
Num busão semelhante a esse que o SFC encarou 3.000 de estrada (Imagem: /www.semprepeixe.com.br)

Em seguida, partiu para a capital chilena, Santiago (naturalmente de avião…), retornando ao confrontos internacionais e às excursões.

Longe da pressão da torcida, o time saiu-se muito bem, conquistando o Hexagonal do Chile.

O Torneio tinha perdido um pouco do brilho dos anos 60, e nessa edição contava com o Everton (clube chileno de Viña del Mar), os tradicionais Colo-Colo e Universidad do Chile, Além do River Plate e o FK Áustria.

Jogando um futebol convincente, arrancando aplausos do público chileno, o Santos venceu todos os sul-americanos e perdeu apenas para o Áustria  e mais um título para a Vila Belmiro. O 1º título internacional pós-Pelé foi conquistado assim:

19/01 – 3×1 CSD Colo-Colo – 34.353 –

23/01 – 4×0 CD Everton – (em Viña del Mar) – 21.650

28/01 – 2×0 CA River Plate (Argentina) – 25.000

01/02 – 0x1 FK Áustria  – 8.162

04/02 – 2×0 CD Universidad do Chile – 11.761

Totonho com 5 gols foi o artilheiro santista .

De saída do Chile, passou por Rosário  (Argentina) e encarou o Newll’s Old Boys e goleou por 4×1.

A torcida se empolgava com os resultados no Chile e Argentina… o meio de campo e ataque pareciam bem azeitados com Clodoaldo, Aílton Lira e Toinzinho; Nilton Batata, Totonho e Bozó.

Enfrenta ainda o River Plate e perde por 1×3.

Só volta para Santos após ficar por 35′ no gramado do Centenário suportando um tremendo dilúvio que interrompeu a partida contra a Seleção Uruguaia. Como era domingo de carnaval, não houve continuidade do confronto e a partida foi encerrada enquanto estava 1×1. Para fins de estatística, esses 35′ não são considerados.

Voltou para o Campeonato Paulista que já estava em andamento.

Campeonato que teria aqueles regulamentos malucos dos anos 70.

O 1º turno estaria em disputa a “Taça Cidade  São Paulo” e no 2º turno, a “Taça Governador do Estado”

Em cada turno os clubes estariam divididos em 4 grupos, o vencedor de cada grupo disputariam semi-finais e final do turno.

Mas o campeonato seria decidido apenas num turno final. Neste 3º turno fariam parte o campeão e vice de cada turno, os dois melhores na classificação geral por pontos e outros dois por melhores arrecadações. Os oito times seriam divididos em dois grupos e o campeão de cada grupo disputaria a final em melhor de 3 pontos.

“Simples”, não?

Vitórias por 3 gols de diferença valiam 3 pontos.

No 1º turno, o grupo do Santos seria com  Guarani,  América e Paulista. Os outros grupos tinham 5 clubes.

O início da participação santista foi realmente promissor: Vitória em Araraquara, um heróico empate (3×3) com a Portuguesa, um tropeço na Vila (empate com o Noroeste), e boas vitórias contra Guarani e São Bento.

E finalmente um clássico no Morumbi, o adversário seria o Corinthians (que contava com o grande Edu na ponta esquerda). E foi uma experiência bizarra ver Edu usando calções negros e não brancos… Num Morumbi, abarrotado e com as arquibancadas divididas ao meio entre santistas e corintianos o empate no gramado foi um reflexo fiel do foi a partida. O destaque, novamente, seria Ailton Lira… veja a foto abaixo e entenda porque:

Ailton Lira marcando gol em cobrança de falta (Imagem: revista Placar - 25/03/77)

A partida seguinte seria contra o Botafogo na Vila Belmiro… Novamente com Vila Belmiro saindo gente pelo “ladrão” e a 1ª meia hora foi empolgante… 2×0. Ai apareceu um “estraga prazeres”… um atleta alto, magro, que torcia para o SFC na infância e que se tornaria uma pedra no caminho: Sócrates.

Naquela noite, Sócrates marcou um gol de calcanhar na pequena área santista…estava de costas para o gol e quando todos imaginavam um toque para um atacante qualquer, Sócrates rolou de calcanhar para dentro do gol santista… era difícil de aceitar… um lindo gol, mas contra o gol  santista … e pensar que alguns anos antes a direção santista recusou o passe do Dr Sócrates… O Botafogo foi para cima do alvinegro e conseguiu a virada (2×3).

O Botafogo era a grande sensação do futebol paulista em 1977. Além da genialidade de Sócrates, contava com a experiência de Lorico, o futebol vigoroso do zagueiro Miro (que viria pra o alvinegro alguns anos mais tarde), do ex-santista Wilson Campos na lateral e do veloz ponta Zé Mario (que chegou à seleção brasileira).

E o time sentiu a derrota… ficando mais 4 partidas sem vencer… o futebol entusiasmante do início do ano acabava e o time se arrastava em campo…

Problemas extra campo começavam a aparecer… Certa vez conversando com Urubatão, ele me contou um episódio de sua passagem no comando técnico do SFC:

Isso deu um problemão na Vila...
Isso deu um problemão na Vila...

Foi durante um dia de treinos… Antes de começar os treinamentos propriamente ditos, os atletas faziam um aquecimento dando voltas ao redor do campo. E Toinzinho, com rótulo de craque, fazia seu aquecimento ao lado de seu cachorro… segurava a coleira do bicho e partia para a corrida de aquecimento…

Urubatão avisou o craque: “No próximo treino, o cachorro não entra em campo…”

E no treino seguinte, lá estavam Toinzinho e o cãozinho…

Urubatão  pensou, “ou faço valer minha ordem, ou perco o controle…”

Não deu outra… não teve aviso…Urubatão partiu para cima do craque para tirar do campo, o craque e o cachorro, no braço!

Urubatão contava que ele era bem maior que o atleta e que se a turma do “deixa disso, professor” não entra, ele tinha feito um estrago no Toinzinho e no cãozinho…

O fato é que o ambiente não estava lá essas coisas na Vila Belmiro… tanto que Urubatão não durou até o final do turno e Toinzinho continuou na Vila até 1978…

Aos trancos, o SFC chegou  na última rodada podendo se classificar para as finais da Taça Cidade de São Paulo, bastava uma vitória simples contra o desclassificado Juventus na Vila Belmiro. A massa santista lotou a Vila (mais uma vez) e com os nervos a flor da pele (mais uma vez), o alvinegro foi derrotado (mais uma vez), ficando de fora das finais (mais uma vez)…

Os torcedores se desesperavam… o time não conseguia se impor na Vila, começava a nascer um trauma… vencer na Vila em jogos decisivos.

Campanha do 1º turno:

1×0 A Ferroviária E  – Arararquara – 8.570 pagantes

3×3 A Portuguesa D – Pacaembu – 52.558

1×1 EC Noroeste – VB – 22.242 pagantes + 514 gratuitos

2×0 Guarani FC – VB – 23.821 pagantes e 1.652 gratuitos

3×0 EC São Bento – Sorocaba – 8.849

1×1 SC Corinthians P – Morumbi – 116.881 pagantes + 3.901 gratuitos

2×3 Botafogo FC – VB – 21.840

0x0 EC Xv de Novembro (Piracicaba) – Piracicaba – 9.987 pagantes + 315 gratuitos

0x1 América FC – SJRP – 11.556

0x1 SE Palmeiras – Morumbi – 38.853

1×1 Paulista FC – Jundiaí – 12.562

2×1 Comercial FC – Francisco Palma Travassos  – 9.512

1×0 XV de Novembroo (Jaú) – VB – 13.937

1×1 AA Ponte Preta – Moisés Lucarelli – 21.717

1×0 AA Portuguesa -VB – 10.122

1×0 Marília AC – VB – 10.558

0x2 São Paulo FC – Morumbi – 34.769

0x2 CA Juventus  – VB – 21.109

A fragilidade da defesa impressiona… sabedora disso, a direção contrata dois zagueiros: Alfredo Mostarda (ex- Palmeiras, participante da Copa de 1974) e Joãozinho revelado pelo Vitória e que assumiria a condição de líder da defesa por sua técnica e garra. Joãozinho ficou entre os 40 relacionados para a Copa de 1978. Mais tarde, em 1994 Joãozinho assumiu  o comando técnico do Santos FC.

Quem assume o lugar de técnico depois da demissão de Urubatão é o experiente Oto Glória.

Oto fez história no futebol português levando a seleção lusitana ao 3º posto na Copa da Inglaterra e ao  dividir o título com o Santos, pela Portuguesa, em 1973.

Oto Glória pede mais reforços e chega o veteraníssimo atacante Flávio (ex Corinthians, Fluminense, Porto e Internacional). Flávio realizou 12 partidas e marcou 3 gols.

O goleiro metido a galã, Ado, aportou na Vila em 1977. Goleiro reserva da Seleção de 70, viveu seu grande  momento no Corinthians (69/74)... no Peixe apenas treinou e jogou uma partida não oficial contra o Jabaquara.  (Imagem: site Milton Neves)
O goleiro metido a galã, Ado, aportou na Vila em 1977. Goleiro reserva da Seleção de 70, viveu seu grande momento no Corinthians (69/74)... no Peixe apenas treinou e jogou uma partida não oficial contra o Jabaquara. (Imagem: site Milton Neves)

No 2º turno, em disputa a Taça Governador do Estado, o Santos ficou num grupo com Portuguesa, São Bento, Comercial e Noroeste.

Manteve a regularidade da irregularidade, isto é, algumas vitórias, empates e derrotas inexplicáveis durante toda a competição e ficou de fora das finais do 2º turno (a Portuguesa ficou com a vaga), porém sua eliminação se deu numa derrota em Bauru quando ainda faltavam dois compromissos.

Mesmo assim ,o time estava classificado para o 3º turno… pelo critérios das arrecadações… o que na verdade, não era nada animador… apenas se acreditava que a massa santista poderia fazer a diferença… talvez os torcedores (eu incluso) imaginavam que seria possível empurrar a bola para dentro do gol adversário na base do grito proveniente das arquibancadas…

A Campanha no 2º turno foi assim:

2×1 AA Portuguesa – VB – 13.633 pagantes + 1.101 gratuitos

0x4 SC Corinthians P – Morumbi – 117.676 pagantes + 2.289 gratuitos

1×1 Botafogo FC – Santa Cruz – 13.971

0x0 América FC – VB – 13.817

1×1 SE Palmeiras – Morumbi – 24.318

1×0 Paulista FC – VB – 11.612

3×0 EC XV de Novembro (Piracicaba) – VB –  7.182

1×2 Guarani FC – Brinco de Ouro – 9.527 pagantes + 987 gratuitos

0x3 São Paulo FC – Pacaembu – 29.088

2×0 EC São Bento – VB – 7.133

2×0 EC Xv de Novembro (Jaú) – Estádio Zezinho Magalhães (Jaú) –  10.669 pagantes + 1.387 gratuitos

1×0 A Ferroviária E – VB – 12.715

2×0 Marília AC – Marília – 9.813

0x1 AA Ponte Preta – VB – 22.749

0x0 CA Juventus  -Pacaembu – 22.232

0x1 EC Noroeste – Bauru  – 6.265

4×1 Comercial Fc –  VB – 4.828

3×1 A Portuguesa D – Pacaembu  – 20.324

No meio do returno um suspiro de bom futebol… o Atlético de Madrid (com os craques Leivinha e Luis Pereira) chega ao Brasil para alguns amistosos… a cartolagem vê a possibilidade de arrecadar mais alguns cobres e inventa um Torneio: a Taça Governo do Estado de Estado de São Paulo. Os participantes seriam 4 e a fórmula de disputa seria como os torneios europeus: 2 jogos, os vencedores na final e os perdedores disputavam o 3º lugar. E  acharam um jeito de todos ganharem: como os jogos seriam no Morumbi, o tricolor ganhava no aluguel…. como as atrações eram ex-palmeirenses, um dos participantes seria o Palmeiras… como o Corinthians não vencia nada (já eram 23 anos de fila), foi convidado para levantar a Taça e finalmente chamaram o  Santos… para encher as arquibancadas e mais nada.

Sem peso nenhum nas costas, Oto Glória monta o seguinte ataque: Nilton Batata, Juary e João Paulo… o amigo santista, lembra de alguma coisa ao ler esses nomes?

Pois é, os meninos jogam soltos e encaram o Corinthians sem traumas… numa grande exibição eliminam o rival paulistano na disputa por penaltis, após o empate em 2 gols no tempo normal… e aquele time, que entrou no quadrangular para fazer numeração estava na final… o adversário era o poderoso Atlético de Madrid.

A massa santista toma o Morumbi e vibra quando Juary  aproveita uma bobeada do consagrado Luis Pereira e marca o gol alvinegro.

Aquele bando de garotos com a camisa branca estava dando gosto de ver jogar… mas ainda eram muito garotos… e cederam o empate. Na decisão por penaltis, o jovem Zé Mário perde uma cobrança e a taça vai para Madrid.

Campanha:

04/08 – 2×2 SC Corinthians P – Morumbi – 67.610 (preliminar de Palmeiras x Atlético de Madrid); na decisão por penaltis: SFC 5×4 SCCP

07/08 – 1×1 C Atlético de Madrid – Morumbi – 67.314 pagantes + 4.825 gratuitos; na decisão por penaltis: SFC 5×6 CAM

E será com a esperança nos garotos que o Santos inicia o 3º turno. Seu grupo era composto por Palmeiras, Ponte Preta e Botafogo.

Começa com um promissor empate contra o Corinthians… depois, uma Vila Belmiro lotada vê Sócrates destruir o alvinegro (0x2 Botafogo). Uma vitória em Campinas  (1×0 no Guarani) e as esperanças ressurgem. Mas a dura realidade de um time inexperiente e frágil  se impõe nas derrotas para o São Paulo, Ponte Preta  e Portuguesa. Fim de campeonato para o Santos.

Campanha no 3º turno:

2×2 SC Corinthians P – Morumbi – 77.273 pagantes + 3.383 gratuitos

0x2 Botafogo FC – VB – 26.880 pagantes + 1.374 gratuitos

1×0 Guarani FC – Brinco de Ouro – 13.215 pagantes + 1.415 gratuitos

0x2 São Paulo – Pacaembu –  45.678

0x1 AA Ponte Preta – VB – 15.585

0x1 A Portuguesa D – Pacaembu – 11.642 pagantes + 1.162 gratuitos

1×1 SE Palmeiras – Pacaembu – 16.023

Mais uma competição perdida…

Porém uma outra excursão estava em vista.. para os EUA. O motivo era um só: participar da Festa de despedida do Rei Pelé em Nova Iorque.

Pelé desde 1975 jogava pelo New York Cosmos e tentava de maneira comovente fazer os pernas de pau norte americanos aprenderem a jogar futebol … com muito dinheiro, a liga promoveu uma verdadeira invasão estrangeira nas terras de Tio Sam . E lá estavam Pelé, Beckembauer, Chinaglia, Mifflin, Carlos Alberto Torres, Marinho Chagas, Rildo, Manoel Maria e uma infinidade de brasileiros…

Um público recorde de 75.000 pessoas aplaudiram em delírio Pelé… Para a tristeza dos santistas Pelé (que atuou um tempo para cada time) marcou um gol de falta contra o SFC. O goleiro santista (Ernâni) montou uma barreira com apenas 2 atletas… Pelé não perdoou e disparou o canhão… mais um gol de Pelé, o último.

Veja as imagens:

A partida entra para a história… Pelé faz um discurso em inglês e pede: “Love, Love, Love” e o Giant Stadium repete uníssono; Love… Love … Love.

Caetano Veloso eternizou as palavras do Rei na canção:

Fim de um ciclo, fim de uma era… o futebol perdeu o seu maior nome em toda a existência do esporte.

A vida segue e o SFC realiza mais jogos em solo da América do Norte. Parte para um Torneio em León, (México) e surpreendentemente vence a competição. Era o 2º título internacional do alvinegro em 1977. Jogos do Santos na excursão:

28/09 – 2×0 Seatle Sounders (EUA), em Seatle

01/10 – 1×2 New York Cosmos (EUA), em Nova Iorque

05/10 – 1×1 New York Cosmos (EUA), em Detroit

09/10 – 2×2 CF América (México), em León – Copa Governador Luis Ducoing; na decisão por penaltis: SFC 5×3 CFA

11/10 – 3×2 C León (México), em León – Copa Governador Luis Ducoing; Santos Campeão do Triangular do México

No Brasil, as coisas começam a se modificar… tanto nos gramados como fora dele…

O Corinthians quebra o jejum sobre a Ponte Preta… pobre Ponte Preta… garfada em 70, viu o título escapar no Morumbi…  até hoje é lembrada a polêmica participação do árbitro da partida… veja a citação da atuação de Dulcídio Wanderley Boschilia em “Nome aos bois”: http://prof-guilherme.capesp.org/?p=2439

Fora dos gramados, a ditadura começa a ser implodida… no ABC surgem as greves operárias e nos estádios de futebol, torcidas organizadas exibem faixas: “Anistia, ampla, geral e irrestrita”… Duas torcidas fizeram questão de atuar em conjunto com a sociedade, a “Gaviões da Fiel” e a “TORCIDA JOVEM do SFC”. É claro que a polícia reprimia com violência as duas torcidas, e não foram poucas as vezes que isso aconteceu…

No retorno ao Brasil depara-se com mais um inchadíssimo Campeonato Nacional.  Era anunciado o como o maior campeonato de futebol do Mundo…  Teria a participação de absurdas 62 agremiações. Na 1ª fase 6 grupos (4 de 10, e 2 de 11 equipes); Os 5 melhores de cada grupo seriam redistribuídos formando o grupo dos vencedores (6 grupos de 5 times); os outros formavam o grupo dos perdedores ( 6 grupos, sendo 4 com 5 clubes e 2 grupos com 6 clubes);  A 3ª fase contaria com 24 classificados (3 de cada grupo dos vencedores além do campeão de cada grupo de perdedores). Os 24 classificados sofreriam uma nova distribuição de grupos (4 grupos de 6 times). Os campeões de cda grupo passariam para as semi-finais (em duas partidas)e, finalmente, a final em partida única!

Vitória por 2 gols de diferença valiam 3 pontos.

Na chave do SFC: Botafogo (RP), Atlético Mineiro, Cruzeiro, América (MG), Uberaba, Fast Clube (AM), Nacional (AM), Remo e Paissandu.

A vitória em campos mexicanos devolveu as esperanças ao torcedor alvinegro, e na estreia do time praiano no Pacaembu, contra o Cruzeiro, o velho estádio recebeu um público imenso: 67.000 pessoas.

E incredúla, a massa santista via Revetria (atacante do Cruzeiro) destruir  a zaga santista e fazer o clube mineiro vencer por 2×0.

Aquilo foi demais para o impaciente torcedor…  a massa perdeu a cabeça e alguns tentaram invadir o gramado… uma confusão dos diabos… tentaram atingir Revetria com uma pedra…

Na partida seguinte na Vila Belmiro, diversos protestos forma realizados… o caldo só não entornou porque o Peixe venceu com relativa facilidade o Paissandu por 4×0.

O próximo compromisso era contra o fortíssimo Atlético, no Mineirão. Atlético com Cerezo, Reinaldo, Paulo Isidoro, Danival, Ziza e João Leite.  Os 3×0 para o Galo mineiro dá uma ideia do foi a partida…

Dois jogos no Norte do País (Fast e Remo) rendem 6 pontos ao alvinegro e um pouco de tranquilidade para encarar o Botafogo, na Vila…

E Sócrates, mais uma vez não perdoou… Botafogo 1×0… pedras, garrafas, foguetes… apareceu de tudo no gramado de Vila Belmiro, menos o gol do SFC.

O resultado da confusão é que mais uma vez o Técnico foi demitido. Alguma satisfação tinha que ser dada à torcida, pensavam os dirigentes.

Quem assume o barco é o lendário Ramos Delgado.

Nessa altura mais dois reforços desembarcam em Santos: Nelsinho Batista e Gilberto Sorriso (ambos ex-São Paulo FC).

Um providencial excursão ao interior da argentina permite um pouco de entrosamento aos novos contratados (os dois laterais e mais De Rossis).

O resultado foi o seguinte:

16/11 – 1×2 CA Tallares (Argentina), em Córdoba

20/11 – 6×3 Combinado C Juventud Antoniana/Gimnasia Ibura (Argentina), em Salta

22/11-  5×2 C Atlético Tucumán (Argentina), em Tucumán

Lembrando que no final do 1º semestre, o Santos tinha enfrentado uma outra equipe argentina , na Vila Belmiro: o CA San Lorenzo de Almagro (em 29/06, 1×0)

Capengando, o time passa para o grupo dos vencedores e cai num mesmo grupo de Palmeiras, Portuguesa, Bahia e Goytacaz.

Estava claro que o confronto com a Lusa definiria a 3ª vaga (Palmeiras e Bahia eram favoritos). E a massa santista sorriu satisfeita na vitória por 2×1, no Pacaembu.

A derrota contra o Bahia, na Vila foi sentida, mas a classificação era possível… tudo seria resolvido no clássico contra o Palmeiras…

E novamente a torcida santista dava show… comparece em peso no Pacaembu, sendo maioria no estádio… o Público até hoje não se pode precisar… Relatos da imprensa afirmam que mais de 70.000 pessoas se espremeram ao extremo no próprio da municipalidade… a bilheteria registrou, segundo matéria de 1ª página da FSP a presença de 73.532 pessoas, além de umas 2.000 penduradas nas árvores, muros e qualquer espaço disponível para se ver o campo… outros relatos descrevem um público pagante menor, porém com a invasão de mais de 5.000 pessoas que arrombaram os portões localizados na Avenida Itápolis… o fato inquestionável é que o Recorde de público no Pacaembu pertence ao Santos FC!

Foto do jornal FSP. Reparem que só a torcida santista esta na foto.

Foto do jornal FSP… reparem que é a torcida santista o destaque (percebe-se pelas camisas listradas)…

Assim o alvinegro seguia para a fase final, depois de dois anos de ausência…

A fase final seria disputada apenas em 1978, e o Santos ficou no apelidado “grupo do povo”: Santos e Corinthians;Flamengo e Vasco; além de Londrina e Caxias.

Começou com, mais um empate com o Corinthians, e a massa santista dividia meio a meio o lotado Morumbi… mais uma vez Ailton Lira cobrava uma falta com maestria e garantia o gol do SFC… o time foi para o abafa, encurralou e só não ganhou por coisa encomendada…

No Rio de Janeiro, onde o mais justo seria um empate, uma derota por 1×0 para o Vasco da Gama.

O 3º compromisso era decisivo: o Londrina, no Pacaembu.

Outra vez a massa santista invade o Pacaembu (46.000 pessoas)… e a tragédia se repete… nervoso, infeliz e perdendo gols e mais gols, o Santos PERDE para o Londrina por 1×2. O clube do interior do Paraná, chegou a  abrir 2×0, mas Joaõazinho diminiu logo em seguida…

Santos estava para ser eliminado, mais uma vez.

O desespero tomou conta de todos… e violência foi “mato” naquela tarde de sábado… alguns invadiram o gramado e foram para cima de Ramos Delgado.. outros choravam humilhados na arquibancada… uma parte ironizava e gritava “Mais um, mais um… (para o Londrina)”… outra parte abandonava o estádio… uns brigavam entre si… enfim, uma tarde de caos.

Campanha no Campeonato Nacional:

16/10 -0x2 Cruzeiro EC – Pacaembu – 63.885 pagantes + 3.609 menores

19/10 – 4×0 Paissandu SC – VB –  10.412

23/10 – 0x3 C Atlético Mineiro – Mineirão – 25.984

26/10 – 3×1 N Fast Clube – Vivaldão – 17.110

30/10 – 2×0 C Remo – Evandro de Almeida – 14.833

06/11 – 0x1 Botafogo FC – VB – 24.878

09/11 – 1×1 América FC (MG) – VB – 14.608

13/11 – 2×0 Nacional FC – VB – 16.198

27/11 – 1×4 Uberaba SC – João Guido (Uberaba) – 18.903

01/12 – 2×1 A Portuguesa D – Pacaembu – 8.768

07/12 – 0x1 EC Bahia – VB – 20.271

11/12 – 1×1 SE palmeiras –  Pacaembu – 68.327 pagantes + 5.205 menores

14/12 – 0x0 Goytacaz FC – Ari Oliveira e Silva – 11.489

29/01/1978 – 1×1 SC Corinthians P – Morumbi –  85.372 pagantes + 4.842 menores

03/02/1978 – 0x1 CR Vasco da Gama  – Maracanã – 19.789

11/02/1978 – 1×2 Londrina EC –  Pacaembu – 42.514 pagantes + 3.789 (46.303 total)

16/02/1978  – 0x0 CR Flamengo – Pacaembu – 15.512

18/02/1978 – 3×3 SER Caxias – Centenário – 5.956

1978 já tinha começado… os torcedores estavam no limite da paciência (ou falta dela)… tudo conspirava para uma grande crise… e das crises e que surgem as grandes ousadias e soluções.