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Surge Pelé e a seleção brasileira perde o complexo de vira latas

Amigos santistas, dando continuidade ao primeiro texto (http://prof-guilherme.capesp.org/archives/4515), vamos conhecer mais 25 curiosidades, agora no período 1954/1962.

Capítulo II

Evaristo Macedo (quando jogador e como técnico)

Assim como em 1954, novamente o Brasil teve que  disputar as eliminatórias para a Copa da Suécia. E Oswaldo Brandão, que comandou o alvinegro no vice-campeonato paulista de 1948 foi o técnico da Seleção (1). Enfrentando o Peru em duas partidas, o Brasil elimina o concorrente sul-americano e segue para Estocolmo. Em campo, Evaristo de Macedo, que também seria técnico do Santos FC em 1993 (2), atua pelo selecionado.

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Música para o feriado

No 1º de maio, uma música dedicada às lutas dos trabalhadores do mundo inteiro:

A Internacional Socialista, escrita em 1871 (Eugènne Portier) e composta em 1888 por Pierre Degeyter, após a repressão à comuna de Paris. Em 1896 virou o hino do Partido Operário Francês e entre 1917 e 1941 foi o hino da URSS.

Veja a versão hard core dos “Garotos Podres” de 2003:

O ano perfeito

Santistas de todo mundo, uni-vos!

Chegamos a 1962, ano do cinquentenário santista.

Um ano perfeito… onde o alvinegro ganhou todas as competições oficiais que disputou.

Ganhou a  Libertadores, o Mundial Interclubes e o Campeonato Paulista. A Taça Brasil de 1962 foi conquistada no início de 1963.

O ano começou com um amistoso entre Santos e Botafogo, no Maracanã… uma das poucas derrotas do SFC em 1962. No jogo de entregas de faixas, 102.000 pessoas lotaram o Maracanã para ver Garrincha e Pelé.

Mas, não apenas os dois gênios, como também, Zito, Nilton Santos, Didi, Coutinho, Amarildo, Pepe, Zagallo, Mauro Ramos de Oliveira, Rildo, Lima, Manga, e ainda, Dorval, Quarentinha, Calvet, Pagão, Dalmo…

Dessa turma, mais da metade estariam conquistando a Copa do Mundo no Chile, em julho.

O SFC forneceria Gilmar, Mauro, Zito, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. O Botafogo participaria com Nilton Santos, Garrincha, Didi, Amarildo  e Zagallo. Nada menos que 12 atletas dos dois times montavam a Seleção Brasileira da época.

Nesta partida, Garrincha estava muito inspirado e o Botafogo venceu o SFC por 3×0!!!!!

Imagem: pedraenxuta.wordpress.com

Em seguida, a turnê sul-americana, com jogos no Equador, Peru, Uruguai e Argentina:

17/01 – SFC 6×2 Barcelona SC (Guaiaquil) – Equador

Aqui, a primeira partida de Gilmar (foto ao lado, santosfc.com.br) no gol santista. Gilmar que havia se desentendido com a direção do SC Corinthians P e veio para o alvinegro praiano para ser Campeão da Libertadores (coisa que nunca alcançaria no clube anterior). Vale lembrar que Gilmar foi revelado pelo querido Jabaquara AC, o Leão do Macuco.

14/01 – SFC 6×1 LDU – Equador

17/01 – SFC 5×1 C Alianza Lima – Peru

Mais uma lenda de Pelé.

Pelé foi substituido no intervalo por Pagão, quando os 25.000 torcedores perceberam a troca de jogadores passaram a vaiar intensamente a partida e exigir o retorno de Pelé, inclusive com a ameaça de invasão do gramado. Para acalmar a platéia, Pelé retornou no lugar de Coutinho.

20/01 – SFC 5×2 C Universitario D – Peru

24/01 – SFC 5×1 C Sporting Crystal (Campeão Peruano de 1961)- Peru

28/01 – SFC 3×2 CC Deportivo Municipal – Peru

31/01 – SFC 3×2 C Nacional F – Uruguai

03/02 – SFC 8×3 Racing C (Campeão Argentino de 1961) – Argentina – Triangular de Buenos Aires

Um baile!!!!!

Um jogo histórico!!!!

8×3 no campeão Argentino, e em Buenos Aires!

Não restavam mais dúvidas sobre o favoritismo do SFC na Libertadores que começaria no mês seguinte.

Em 11 minutos o SFC abria 3×0… o primeiro gol (Coutinho) após sensacional tabelinha com Pelé; No 3º, Pelé driblou toda a defesa do Racing, e na hora de marcar, sofreu pênalti. Pelé cobrou e converteu.

Ao final da partida, o SFC recebeu a Taça Racing C.

06/02 – SFC 1×2 CA River Plate – Argentina – Triangular de Buenos Aires

Depois do baile contra o Racing, 80.000 porteños se aglomeraram para entrar no Monumental de Nuñez… e muitos outros ficaram de fora… as coisas se complicaram e a polícia teve que intervir, usando inclusive, bombas de efeito moral para dispersar a multidão que tentava invadir o estádio…

09/02 – SFC 2×2 C Gimnasya y Esgrima de La Plata – Argentina

Ao final da excursão, a direção do Santos desiste oficialmente de participar do Torneio Rio/São Paulo e elege a Taça Libertadores de América como a principal competição do semestre.

O Santos fica no grupo 1, ao lado do Deportivo Municipal (campeão da Bolívia) e do Cerro Porteño (Campeão do  Paraguai). Naquele época, apenas os campeões de cada País disputavam a Libertadores.

O Santos se prepara para a altitude de La Paz, e parte para a Bolívia. A chegada do alvinegro causa furor no aeroporto de La Paz. Uma multidão enlouquecida aguarda o Santos, milhares de fãs saúdam o SFC na chegada ao solo boliviano.

Em 18/02, 38.000 pessoas se acotovelam no Hernandes Siles Suaso para ver a difícil vitória santista por 4×3.

No dia 21 de fevereiro, os bolivianos descem ao nível do mar para conhecer a Vila belmiro. 6×1 para o SFC,  demonstrando a diferença técnica entre os dois campeões.

Mais quatro dias e lá estava o Santos no “Defensores Del Chaco”, em Assunção para empatar com o aguerrido Cerro Porteño em 1×1.

A última partida da fase de grupos indicava mais um confronto na Vila Belmiro. O Cerro precisava da vitória para forçar uma decisão extra… ao SFC um empate bastava.

E o empate (1×1) persistia até a entrada de Pelé (35′)… depois foi um massacre … NOVE gols marcou o Peixe. Pode-se dizer, literalmente,  que Pelé incendiou a Vila Belmiro, tanto que ao terminar a partida houve um princípio de incêndio no Estádio… mas, tudo foi contornado e nada de mais grave ocorreu.

Santos classificado para as semifinais.

Em seguida, começaram os preparativos para a Copa do Mundo no Chile. Oito atletas do alvinegro foram chamados: Gilmar, Calvet, Mauro, Zito, Coutinho, Mengálvio, Pelé e Pepe. Apenas Calvet, não seguiu com a delegação brasileira para Viña del Mar (Chile).

Com os preparativos para a Copa, o futebol praticamente parou no Brasil. Para que os clubes não ficassem totalmente sem atividade, a Federação Paulista inventou a “Copa São Paulo”, uma competição em mata-mata, envolvendo os clubes das duas principais divisões de São Paulo.  A diferença era que o Santos entrava com um time reserva e todos os outros com seus times praticamente sem desfalques, o Corinthians por exemplo, atuou com seu time titular, uma vez que nenhum atleta tinha sido chamado para a Seleção.

Pela Copa São Paulo, os resultados foram:

AA Ponte Preta – 3×1 (VB) e 3×3 (Moisés Lucarelli)

EC Corintians de Presidente Prudente – 1×2 (PP) e 3×1 (VB)

A Portuguesa D – 2×1 (Canindé) e 2×0 (VB)

Comercial FC (RP) – 2×1 (VB); 0x1 (Costa Coelho) e 2×2 (Pacaembu). Houve a necessidade de uma prorrogação, vencida pelo SFC por 1×0. Prorrogação que não chegou ao seu final, pois um briga generalizada entre os atletas provocou  o encerramento da partida.

SC Corinthians P – 1×3 (Parque São Jorge) e 3×3 (VB). O Santos ficou com o Vice-campeonato da Copa São Paulo.

Com o final da Copa do Chile, os atletas voltam aos clubes… no caso do Santos nem todos, pois Pelé e Pepe se contudem nos campos chilenos e desfalcam o time por bom tempo.

Assim, sem Pelé e Pepe o Santos vai participar de mais uma edição do Torneio de Paris… e perde:

26/06 – SFC 0x1 FK Estrela Vermelha (Iugoslávia, atual Sérvia) – Torneio de Paris

28/06  – SFC 2×3 Racing C de F (França) – Torneio de Paris

Volta da Europa e encara o Universidade do Chile pelas semi-finais da Libertadores.

Pepe retorna ao time, mesmo assim foram dois jogos duríssimos: 1×1, em Santiago; e 1×0, na Vila Belmiro.

E o SFC na final contra o temível Peñarol.

Ainda sem Pelé, o alvinegro parte para Montevideo e vence bem, por 2×1. Um empate basta agora ao SFC.

E na Vila Belmiro, o imponderável acontece… numa partida cheia de incidentes, que dura mais de 3 horas, o árbitro encerra o jogo apenas no interior de sua cabeça e deixa a bola correr… ele trila o apito final com o placar de 3×3, MAS… na sua cabeça tinha terminado com o placar de 3×2 para o Peñarol!!!!!!

A partida ficou conhecida como “a noite das garrafadas”…  A imagem ao lado (santistasloucos.net) explicita o motivo.

Coisas que só acontencem contra o Santos…

Assim foi necessário uma 3ª partida. Onde seria?

O Santos forçava a situação para que a decisão ocorresse no Brasil (Pacaembu ou Maracanã), porém a Sul-americana marcou  Buenos Aires. Uma simples travessia de balsa pela desembocadura do Rio da Prata, separava os torcedores do Peñarol do Monumental de Nuñez.

Porém, em campo “neutro” e contando novamente com Pelé, o alvinegro deitou e rolou… 3×0, sem apelação.

Antes das finais da Libertadores, o Santos FC iniciava a trilha do Campeonato Paulista. Favoritismo Santista levado às alturas, pois não haviam adversários para o SFC. Tanto que o alvinegro paulistano escolheu (e a Federação Paulista consentiu) enfrentar o Peixe no Parque São Jorge, na vã tentativa de brecar o time de Vila Belmiro.

A Campanha do SFC no 1º turno do Paulista foi assim:

AE Guaratinguetá – 5×0 (VB)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 5×1 (VB)

A Prudentina EA – 2×0 (Félix Marcondes -Presidente Prudente)

CA Juventus – 2×0 (Pacaembu)

SE Palmeiras – 4×2 (Pacaembu)

EC Taubaté – 1×0 (Taubaté)

Jabaquara AC – 5×1 (VB)

Guarani FC – 1×1 (Brinco de Ouro)

São Paulo FC – 3×3 (VB)

Botafogo FC – 5×2 (VB)

A Ferroviaria E – 7×2 (VB)

SC Corinthians P – 5×2 (VB)

EC Noroeste – 4×0 (VB)

Comercial FC (RP) – 3×1 (Costa Coelho)

A Portuguesa D – 2×3 (Pacaembu)

Antes de começar o 2º turno, a decisão do Mundial Interclubes.

O Benfica (Portugal), era o Campeão Europeu de clubes. Benfica de Eusébio, Coluna e Simões. Uma máquina de marcar gols.

Um confronto de dois grandes atletas negros: Pelé x Eusébio (imagem acima: blogzonadoagriao.blogspot.com)

Com os acontecimentos na decisão da Libertadores, seria pouco provável uma decisão em Vila Belmiro, ainda mais numa partida de tamanhas dimensões.

A lógica indicaria o Pacaembu como o local da partida… mas, a má vontade na capital, com o time praiano era evidente… e Athiê, num golpe de mestre, indica o Maracanã como local da final!

Ali no Maracanã, o SFC tinha aplicado grandes goleadas e feito grandes exibições… o gol de Placa, os 7×1 no Flamengo, as jogos do Combinado Vasco-Santos, tudo isso era bem nítido na mente carioca, além do fato do SFC não ser da capital paulistana atraia ainda mais a simpatia do torcedor do Rio de Janeiro.

E foi assim, num Maracanã com 90.000 pessoas que o Santos enfrentou o Benfica.

Numa partida até certo ponto equilibrada, o alvinegro venceu os “encarnados” por 3×2.

E a decisão ficou para Portugal.

O Benfica estava confiante na vitória, pois havia a lenda de ninguém vencer os benfiquistas no  Estádio da Luz (Lisboa).

Havia…

Uma partida épica!

Uma partida histórica!

Uma partida inenarrável!

A melhor partida do Santos Futebol Clube em toda sua existência!

Abriu 5×0 e acabou em 5×2.

Não muito mais o que comentar sobre a conquista…

Recomendo a leitura de “Os donos da terra”, de Odir Cunha,  para se entender com maior profundidade o que foi a conquista.

Enquanto o amigo leitor procura o livro, veja as imagens e se delicie com a mais primorosa participação de Pelé & Cia.

http://www.youtube.com/watch?v=zfIf4IcNVD0

Depois de um espetáculo desse porte, os convites choveram em Vila Belmiro…  todos queriam ver o SFC. E dali mesmo, o alvinegro partiu para uma mini-excursão em solo europeu… um time que deveria estar descansando e curtindo seu grande feito, partiu para exibir-se em 5 dias em 3 países diferentes: França, Alemanha Ocidental e na Inglaterra… sim na Inglaterra, país de origem do futebol.

As exibições santistas eram repletas de gols e alegria, mas também fruto de muito trabalho…

Em Paris, 35.000 pessoas superlotaram o Parc des Princes para saudar Pelé, Pepe (Le canon) e outros astros maravilhosos… Até mesmo um torcedor cego compareceu ao estádio… queria ver Pelé, conhecer Pelé… e viu…e conheceu… ao final da partida (SFC 5×2 Racing de France), Pelé conheceu e autografou para o torcedor cego francês.

Três dias depois, em Hamburgo, no Volksparkstadium (Estádio do Parque do Povo), um confronto de deuses: Pelé x Uwe Seeler. São 72.000 alemães berrando, gritando e se divertindo… o rsultado foi o empate em 3 gols. Torcida amplamente satisfeita…

A fama do Santos vai ultrapassando todos os limites…

Última parada antes de voltar ao Brasil: Sheffield, Inglaterra.

E segue o Peixe para a Inglaterra, para Sheffield, cidade milenar, enfrentar o Sheffield Wednesday.

Uma multidão toma o Hillsboroug (Estádio local), mais de 65.000 torcedores (jovens em sua maioria, pois assim era a população inglesa naquela primeira geração do pós -guerra) se apertam no estádio com capacidade atual para 38.000 pessoas.

E o SFC, mesmo cansado, mesmo dando um duro danado naqueles dias, dava show… 4×2 no Sheffield Wednesday.

Dizem, que dois jovens vindos de Liverpool (que não é muito longe de Sheffield) estavam no estádio… eram dois torcedores do Liverpool, que gostavam de grandes espetáculos e de muita alegria… Pois bem, dizem que esses dois jovens, vendo o SFC em campo e sabendo da maratona santista, rabiscaram uns versos, mais ou menos assim (já traduzido):

Vem sendo uma noite de um dia difícil                                       
E eu estive trabalhando como um cachorro
Vem sendo uma noite de um dia difícil
Eu devia estar dormindo como uma pedra,

Em inglês seria algo como:

It’s been a hard day’s night
And I’ve been workin’ like a dog
It’s been a hard day’s night
I should be sleepin’ like a log

Pois é… dizem que esse dois jovens ai ao lado (Imagem: forties-fifties-sixties-love.tumblr.com), estiveram em Sheffield…

O Nome deles?

Paul e John

Lenda?

E o ano ainda não havia terminado…

O Santos tinha sede de conquistas… e o 2º turno do Campeonato Paulista foi um passeio:

EC Taubaté – 3×0 (VB);

Guarani FC – 5×0 (VB)

SC Corinthians P  – 2×1 (Parque São Jorge)!!!!!!!

CA Juventus – 3×0 (VB)

EC Noroeste  – 1×1 (Bauru)

SE Palmeiras  – 3×0 (VB)

EC XV de Novembro (Piracicaba) – 1×1 (Piracicaba)

A Portuguesa D – 4×1 (VB)

A Ferroviaria E – 1×1 (Araraquara)

Comercila FC (RP) – 6×2 (VB)

Jabaquara AC – 8×2 (VB)

São Paulo FC  – 5×2 (Pacaembu)

AE Guaratinguetá – 1×2 (Guaratinguetá)

Botafogo FC – 1×0 (Luis Pereira)

A Prudentina EA – 4×0 (VB)

Na partida contra a Esportiva Guaratinguetá, o SFC atuou com o time reserva, pois já era campeão, ou melhor tri-campeão.

Novamente foi o melhor ataque, e outra vez, Pelé foi o artilheiro.

Mas, ainda há um último episódio: A URSS.

A Seleção da União Soviética estava no Brasil, para alguns amistosos.

E pediram um amistoso contra o Santos FC, afinal não apenas a Europa Ocidental (e Capitalista) que queria conhecer o melhor time do Mundo…os atletas da Socialista União Soviética também.

Para os dirigentes e atletas santistas não havia problema algum… seria uma boa bilheteria para os cofres de Vila Belmiro.

Mas, sempre há aqueles que teimam em misturar futebol com seus planos (mesquinhos) políticos…

A apresentação que seria no Rio de Janeiro, foi vetada por Lacerda…

E a cartolagem  paulistana, representada pelas tristes figuras de Laudo Natel (SPFC – seria Governador do Estado indicado pelo Governo Militar), Wadih Helou  (SCCP – foi deputado estadual da ARENA, partido que apoiou a Ditadura Militar) e Delfino Faccina (SEP) seguia  na mesma ladainha ridícula…

Que a apresentação da Seleção Soviétiva era propaganda comunista….

Que a partida não poderia ser no Pacaembu…

Que era um desrespeito ao Campeonato Paulista…

Que a partida deveria ser em Santos…

E outras baboseiras desse naipe.

Uma reunião na FPF, colocou-se a situação nos seus devidos lugares: A partida seria no Pacamebui e ponto final.

E os 3 tristes dirigentes tiveram que engolir mais essa…

Bom, sobre a partida, não teria segredos… O time Soviético podia ser bom no Leste Europeu, mas não era páreo para o poderoso Santos FC.

E numa, 2ª feira, lá foi o alvinegro enfrentar os “perigosos comedores de criançinhas, comunistas materialistas e ateus” (conforme a propaganda anti-soviética da época).

Antes da partida, muita festa. Os visitantes entregaram as faixas de tri-campeão paulista ao SFC e aquelas cerimônias de praxe numa partida internacional.

Em campo, o Santos não deu chances à URSS… Santos 2×1.

E assim fecha-se o ano de 1962.

Com o Santos vencendo tudo e a todos… vencendo em São Paulo, vencendo na América do Sul, vencendo na Europa, e vencendo  a cegueira política da guerra-fria.

O Santos pela primeira vez, parava uma guerra. A guerra ideológica que alguns dirigentes e políticos mal-intencionados queriam fazer e não conseguiram, pois a arte, o futebol bem jogado sempre esteve acima das ambições políticas dos medíocres.