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O lento adeus de Pelé.

Santistas de todo Mundo, uni-vos!

Assim como nos anos 50, o ano de 1974 começa sem acabar 1973.

O Campeonato Nacional de 73 ainda estava em andamento quando chegou 1º de janeiro de 1974.

O Santos estava classificado para a fase seguinte do Nacional e era um dos favoritos para a fase final, o quadrangular decisivo da competição. Mas não seria nada fácil, pois seus adversários seriam equipes como o São Paulo , Botafogo, Cruzeiro e Grêmio, além dos perigosos Guarani, Goiás, Vitória, Santa Cruz e Fortaleza.

O início nesta fase foi muito animador, com 3 grandes exibições: 1×1 Santa Cruz, 3×0 Botafogo e 5×1 Fortaleza.

A tabela apontava o Grêmio como adversário no Olímpico… jogo duro, truncado, e empate até o final da partida, quando Carlinhos marcou para o tricolor gaúcho.

A derrota abala  o time, e acaba perdendo novamente, agora  para o São Paulo por 1×2.

Mesmo com as duas derrotas, ainda era possível a classificação, pois as quatro partidas derradeiras seriam em São Paulo, inclusive contra o Cruzeiro (que disputava a vaga)…

Duas vitórias sem convencer, contra o Vitória e Guarani, colocavam o alvinegro novamente no páreo. Agora, viria o Goiás (que nesta altura, não assustava ninguém).

Pacaembu em noite de rodada dupla, com Corinthians e Tiradentes (PI) na preliminar.

O Santos começa muito bem a partida, sem dar chances ao alviverde goiano. Abre 3×0, e desce para o intervalo com a boa vantagem na partida,  3×1. No início do 2º tempo, mais um gol: 4×1. Mesmo com o placar amplamente favorável,o time se arrastava em campo… Pelé, Carlos Alberto Torres, Marinho Peres, Clodoaldo e até Cejas jogavam no sacrifício, todos com algum tipo de lesão… Clodoaldo pede para sair e o time desmonta… o relógio marcava 80’… mas, foi tempo suficiente para o Goiás empatar um jogo perdido. O alvinegro estava desclassificado para as finais.

Campanha no Nacional – 73 (fase semi-final)

13/01 – 1×1 Santa Cruz FC – Arruda – 45.928

20/01 – 3×0 Botafogo FR – Maracanã – 74.478 – Um baile na Maracanã…

23/01 – 5×1 Fortaleza EC – Presidente Vargas – 31.951

26/01 – 0x1 Grêmio FPA – Olímpico – 20.083

29/01 – 1×2 São Paulo FC –  Morumbi – 41.902

31/01 – 1×0 Vitória EC – Pacaembu – 33.361 (rodada dupla – preliminar de São Paulo x Fortaleza)

03/02 – 2×0 Guarani FC- Pacaembu – 21.253

06/02 – 4×4 Goiás EC – Pacaembu – 27.247 (rodada dupla – Corinthians x Tiradentes na preliminar)

10/02 – 0x0 Cruzeiro EC – Pacaembu – 29.059

Com o final do Nacional, o jeito era pensar na derradeira temporada de Pelé. Convites para amistosos choviam em Vila Belmiro, mas o calendário  da CBD já era uma lástima desde aquela época.

Em março são convocados os atletas para a Copa do Mundo de 1974. O SFC colabora com Marinho Peres, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres e Edu. Pelé tinha condições de sobra para disputar mais uma Copa, no entanto manteve sua decisão de não participar… Pelé que jogaria apenas até outubro. Seriam 10 meses de despedidas, uma em cada estádio brasileiro.

A temporada de amistosos até que não foram muitos: um em São Bernardo do Campo no mítico e lotado Estádio de Vila Euclides, onde 5 anos depois ficaria lotado ainda mais, pois uma nova liderança abalava o modorrento sindicalismo brasileiro, Lula.

Imagem: palestrasb.webs.com
Imagem: palestrasb.webs.com

Naquele 9 de janeiro, Pelé recebeu uma chuteira folheada a ouro, e o Santos venceu o Palestra de São Bernardo por 4×0.

Nos anos de 78 a 81 o Vila Euclides foi palco de grandes públicos para o confronto Metalúrgicos x Empresários. Públicos acima de 50.000 eram bem comuns.
Nos anos de 78 a 81 o Vila Euclides foi palco de grandes públicos para o "clássico" Metalúrgicos x Empresários. Públicos acima de 50.000 eram bem comuns.Imagem: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (smabc.org.br)

Voltando ao futebol, depois da desclassificação do Nacional -73, o SFC realiza alguns amistosos pelo Brasil:

22/02 – 2×1 Vila Nova FC (Goiânia)

03/03 – 2×0 Uberaba SC – Pelé recebe o título de cidadão honorário de Uberaba.

06/03 – 1×0 AA Caldense – A arrecadação da partida serviu para o pagamento da contratação do lateral Luis Carlos, que logo recebeu o apelido carinhoso de “Luis Carlos Beleza”. O motivo é a foto abaixo:

Imagem: terceirotempo.ig.com.br (antes e depois)
Imagem: terceirotempo.ig.com.br (antes e depois)

Com os principais atletas brasileiros a serviço da CBD, começava mais um Campeonato Nacional.

Novamente com 40 clubes, mas com alterações no regulamento e substituições de alguns participantes: Avaí (no lugar do Figueirense), Itabaiana (substituindo o Sergipe), CSA (saindo o CRB), Sampaio Correia (ficando com a vaga do Moto Clube, suspenso pela CBD) e Operário (ocupando a vaga do Comercial).

Assim como em 73, os 40 clubes foram divididos em dois grupos de 20. Grupos que foram montados regionalmente, assim o Santos integrou o grupo dos times paulista, mineiros, pernambucanos, amazonenses, cearenses, além do representante alagoano, brasiliense, goiano e matogrossense, ou seja: Santos, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Portuguesa, Guarani, Cruzeiro, Atlético Mineiro, América, Santa Cruz, Naútico, Sport, Ceará, Fortaleza, Rio Negro, Nacional, CEUB, Goiás, Operário e CSA.

A grande novidade era a forma de classificação para a fase semi-final. Dez equipes de cada grupo, mais os dois melhores pontuados independentemente de grupo e ainda mais dois pelas melhores arrecadações (não havendo riscos para que o Flamengo não estivesse na fase seguinte).

Com Pelé cheio de vontade e enfrentando alguns times bem desfalcados, o Santos foi muito bem na fase de classificação:

10/03 – 1×2 A Portuguesa D – Morumbi –  9.308 pagantes + 416 gratuitos (9.724 total)

17/03 – 2×0 América FC – Mineirão – 15.268 pagantes + 2.705 gratuitos (17.973 total)

20/03 – 3×1 CEUB – Nacional Presidente Médici – 18.894

23/03 – 2×2 Guarani Fc –  Brinco de Ouro – 19.338

30/03 – 1×1 C Náutico C – Arruda – 24.122

06/04 – 1×1 Sport C Recife – Arruda – 18.633

13/04 – 1×0 Cruzeiro EC – Pacembu – 26.247 – Com dois times desfalcados, mesmo assim 26.000 pessoas no Pacaembu, afinal Pelé e Dirceu Lopes estavam em campo…

20/04 – 4×0 SE Palmeiras – Pacaembu – 23.139 – Aproveitando um Palmeiras sem 6 titulares, o Santos (mesmo sem 4 titulares) goleou…

28/04 – 1×0 Nacional FC – Vivaldo Lima – 32.060

02/05 – 3×0 A Rio Negro C – Vila Belmiro – 12.790 – Retorno à Vila  depois de 6 meses.

11/05 – 2×3 Goiás EC – Pedro Ludovico – 13.196 – o Goiás vai levando a fama de asa-negra do SFC, versão anos 70.

15/05 – 2×0 Fortaleza EC –  Castelão – 11.110

18/05 – 1×1 SC Corinthians P – Pacaembu – 59.721

22/05 – 1×0 CSA – Vila Belmiro – 6.289

25/05 – 1×1 Ceará SC – Castelão -9.518

02/06 – 1×1 São Paulo FC – Morumbi – 15.982 – Essa partida merece um comentário à  parte, logo abaixo…

05/06 – 0x1 Operário FC – Pedro Petrossian – 17.382

09/06 – 1×2 C Atlético Mineiro – Mineirão – 53.373 pagantes  + 4.570 gratuitos (57.943 total)

12/06 – 1×1 Santa Cruz FC –  Vila Belmiro – 1.253

Com esses resultados o alvinegro seguia na competição. Goiás e Palmeiras se classificaram pelo critério técnico e Fluminense e Nacional se classificaram pelas arrecadações (algumas partidas sob forte suspeita de “engorda”)

Nesta primeira fase, o Santos levou muita gente aos estádios… Tanto que ficou em 2º lugar na arrecadações entre os 40 clubes, atrás apenas do Flamengo. Pelé era sem sombra de dúvida a grande atração. Se o Rei não era mais um menino com a explosão e o vigor da juventude, contava com a experiência e conhecia os atalhos no campo.

Isso ficaria provado na partida contra o São Paulo, no Morumbi, cujo fato que relato abaixo fui testemunha presencial.

Santos e São Paulo faziam um jogo amarrado, onde o ataque santista absolutamente não funcionava.

A partida seguia sem graça, combinando com o vento frio da tarde de inverno no Morumbi.

No 2º tempo o tricolor vai pra cima do Santos e Mirandinha abre a contagem aos 64’… a torcida do SãoPaulo já dava a vitória como certa, ainda mais quando Mirandinha perde mais um gol pouco depois, além disso o ataque santista estava numa draga só, não causando medo nem em criança de 5 anos…

O ataque podia estar bem ruim, mas tinha Pelé… e eles não.

Faltavam menos de 15′ para acabar e mais um ataque santista acaba nas mãos de Waldir Perez.

A defesa do  tricolor vai saindo da área e Pelé recua, andando de costas, olhando para Waldir Perez.

De repente, Pelé sai correndo e gritando… “É minha, é minha”

Samuel, que esta de costas para Waldir, age imeditamente: agarra Pelé e derruba o Rei dentro da área.

PENALTI!!!!!!!!!

Samuel se desespera, os tricolores chiam barbaridade na arquibancada… e os santistas se dobram de rir e gargalhar…

A bola sempre esteve nas mãos de Waldir Perez, e Samuel (coitado), caiu na armadilha do Rei.

Brecha cobrou com categoria e empatou a partida… final 1×1.

Agora, veja as imagens e divirta-se com a cena de pastelão:

Aqui um comentário em homenagem a Brecha, falecido ontem. Brecha veio do Juventus e ajudou a arrumar o meio campo santista em 73/74. Era um bom cobrador de faltas e penaltis, e chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira em 1973. Jogou no Guarani, Juventus, Barretos, Grêmio Maringá e Catanduvense entre outras agremiações. Foi campeão Paulista pelo SFC (1973), além de conquistar o Torneio Laudo Natel e a Taça Cidade de Salvador (1975). Pelo Guarani foi campeão do 1º turno do campeonato Paulista de 1976, no Juventus venceu o Paulistinha 71. A breve biografia publicada no portal terra (http://esportes.terra.com.br/futebol/noticias/0,,OI5329110-EI1832,00.htmlTerra) é muito aquém das qualidades do meio campista, onde o autor afirma que a maior passagem de Brecha em sua carreira não foi a Seleção Brasileira, mas um gol no Corinthians…

Veja foto de Brecha com a camisa da seleção, aqui: http://terceirotempo.ig.com.br/quefimlevou_especial_foto.php?id=2495&sessao=f&galeria_id=2235&foto_id=37916

Retornamos ao Santos FC, para a fase semi-final, onde os 24 clubes classificados formaram 4 grupos de 4, sendo que o campeão de cada grupo classificava-se ao quadrangular final.

Disputado durante a Copa do Mundo na Alemanha, os públicos foram bem baixos, reflexo direto da decepção da torcida com o fraco futebol apresentado nos campos alemães.

No entanto, o Peixe fez a sua parte, contando com a grande revelação Cláudio Adão:

29/06 – 2×1 Coritiba FC – Pacaembu – 3.351

03/07 – 2×0 America FC – Maracnã – 2.302

07/07 – 1×0 Grêmio FPA – Olímpico – 25.044

15/07 – 2×0 C Náutico C – Arruda – 7.944

18/07 – 1×1 Fortaleza EC – Pacaembu – 18.522

Santos no quadrangular final junto com Vasco, Cruzeiro e Internacional.

Pelé queria um último título, e o favoritismo santista era grande… Cláudio Adão era a sensação do momento, e com o retorno de Marinho Peres e Edu, a recuperação de Clodoaldo e Carlos Alberto Torres, poucos duvidavam que a decisão não seria mesmo na última rodada do quadrangular, no Morumbi, entre Santos e Cruzeiro.

21/07 – 1×2 CR Vasco da Gama – Maracanã – 97.696 – Pelé cobrando falta empatou aos 76′, e tudo encaminhava para um ótimo empate, mas Roberto Dinamite desempatou faltando 2’….

24/07 – 2×1 SC Internacional – Morumbi – 19.882 – Uma nova vitória no domingo poderia dar o título ao Santos, desde que o Vasco não ganhasse do Internacional.

A situação era seguinte:

Vasco com 3 pontos (1 vitória); Santos  2 pontos (1 vitória), Cruzeiro 2 pontos e Internacional 1 ponto. Em caso de empate, uma partida extra, com o mando de campo para o clube com maior nº de vitórias na competição (o que favorecia o SFC).

E no dia 28, Santos e Cruzeiro entraram no Morumbi… ou melhor o Cruzeiro entrou em campo, parecia que o Santos não… em meia hora o clube mineiro fazia 3×0 e despachava para longe o sonho santista e o desejo do Rei.

Foi um duro golpe a derrota por 3×1.

E foi assim, abalado, que o Alvinegro começou o Campeonato Paulista na semana seguinte.

Abalado, desanimado, sem dinheiro, e ficando sem Pelé, era angustiante os momentos do Santos naquele 2º semestre de 1974.

Um das imagens mais marcantes dessa fase do alvinegro foi durante uma breve excursão à Espanha, para a disputa do Troféu Ramón Carranza. Os participantes seriam o Santos e Palmeiras (Brasil) e o Barcelona e o Español (Espanha). Com uma tabela elaborada a dedo, Santos enfrentava o Español e Palmeiras, o Barcelona. Na cabeça da cartolagem tudo certo para uma final Santos x Baracelona, ou melhor, uma final Pelé x Cruijff.  Cruijff, o cérebro holandês da Copa do Mundo de 74, o novo gênio do  futebol… o velho Rei e o novo Rei…

Imagem: www.fcbarcelona.com
Imagem: www.fcbarcelona.com

Só que não avisaram os adversários… e sobrou para Santos e Barcelona a decisão do 3º lugar.

E aí, ficou claro como o Santos estava… Cruijff bailou em campo e o Barça aplicou um sonoro 4×1. Mais que o placar, foi a forma…sem apelação, como pugilista grogue enfrentando um campeão… foi muito triste…

31/08 – 0x2 RCD Español –

01/09 – 1×4 CF Barcelona

03/09 – 3×2 R Zaragoza (Espanha) – Pelé marcou dois gols e a torcida espanhola invadiu o gramado para carregar Pelé.

O Paulistão (onde o Peixe seguia aos trancos e barrancos), repetia basicamente a mesma fórmula de 1973 (agora, com 2 partidas finais), porém com 14 times na competição:

03/08 – 2×1 EC Noroeste (VB)

11/08 – 0x1 A Portuguesa D (Pacaembu)

14/08 – 2×1 Botafogo FC (VB

17/08 – 4×0 América FC (VB)

24/08 – 1×3 Saad EC (VB) – Depois da goleada contra o América, Pelé retornava ao time e a torcida lotou a Vila (17.161 torcedores)… no final vaiou pra valer o SFC, Pelé incluso… uma ingratidão…

09/09 – 0x0 SE Palmeiras (Pacaembu)

15/09 – 1×1 São Paulo FC (Pacaembu)

18/09 – 1×0 Comercial FC (Francisco Palma Travassos)

22/09 – 2×2 Guarani FC (Brinco de Ouro)

25/09 – 1×0 EC São Bento (Pacaembu)

29/09 – 0x1 SC Corinthins P  (Pacaembu)

02/10 – 2×0 AA Ponte Preta (VB) – Aqui o futebol perdeu a graça, perdeu a magia. Pelé entrou em campo pela última vez como profissional do SFC. Jogou pouco mais que 20′. Pegou a bola, ajoelhou-se no centro do gramado de Vila Belmiro e agradeceu… aplausos, choro, muito choro na Vila…foram os 70 minutos finais de futebol mais tristes na Vila Belmiro… quem, na realidade se importava com os gols marcados? Na verdade os mais velhos sabiam que uma era do futebol terminava às 21:19 de 2 de outubro de 1974. Nunca mais haveria um Pelé em campo… nunca mais haveria um atleta com a capacidade técnica como Ele… nunca mais teríamos um atacante fazendo mil gols… nunca mais teríamos os gols não feitos mais maravilhosos… nunca mais teríamos diversão garantida aos domingos. O futebol ficava cinzento, frio e morno. A brincadeira acabava naquela 4ª feira.

e na última partida do turno, a 1ª sem Pelé, uma vitória apertada sobre o Juventus (2×1, no Pacaembu)

Nesse momento o time não tinha mais Pelé (é óbvio), Marinho Peres (vendido ao Barcelona), Nenê (vendido ao futebol mexicano… assim como Ferreira, Eusébio e Alcindo). Cejas estava para sair, Clodoaldo vivia com problemas físicos e Carlos Alberto Torres também não duraria muito tempo…

Pelé e Mifflin no Cosmos. No SFC foram poucas partidas juntos
Pelé e Mifflin no Cosmos. No SFC foram apenas duas partidas juntos

A grande esperança era Ramón Mifflin, habilidoso armador peruano, contratado para substituir Pelé…

Pobre Mifflin….

Já imagiram a pressão da torcida sobre o craque?

Pois é…

Mifflin sequer conseguia garantir a condição de titular,  e em 1975 vai para o New York Cosmos.

Sobravam então dois atacantes: Edu e Cláudio Adão para motivar a torcida e mais alguns bons jogadores (Léo Oliveira, Oberdã, Zé Carlos e Brecha).

Não era muito…

Com o Corinthians vencedor do 1º turno, inicia-se o returno:

13/10 – 1×1 Comercial FC (VB)

20/10 – 1×0 AA Ponte Preta (Moisés Lucarelli)

27/10 – 1×1 São Paulo FC (Pacaembu)

30/10 – 2×1 CA Juventus (VB)

03/11 – 1×1 América FC (SJRP)

06/11 – 2×0 Botafogo FC (Santa Cruz)

10/11 – 1×1 EC São Bento (VB)

17/11 – 0x1 SC Corinthians P – (Pacaembu)

24/11 – 0x2 SE Palmeiras (Pacaembu) – Duas derrotas seguidas em clássicos derrubam a possibilidade do bicampeonato

28/11 – 3×1 Saad EC (Parque Antártica) – apenas 932 testemunhas viram o SFC vencer e ouviram o desmentido da direção santista sobre a contratação do jovem atacante Sócrates do Botafogo de Ribeirão Preto…

01/12 – 3×2 EC Noroeste (Bauru)

08/12 – 1×0 A Portuguesa D (Pacaembu) – Apenas 8.000 torcedores no Pacaembu, e os santistas empurrando o time como se estivesse disputando um título… muita vibração no gol de Edu.

15/12 – 1×0 Guarani FC (VB)

Apesar da campanha irregular, o SFC terminou em 3º lugar na classificação geral do Paulista-74.

Mesmo com um gosto amargo, havia um pouco de esperança na alma peixeira para o ano de 1975.

Aniversário do LULA!!!

Amigos,

Hoje é o aniversário do Presidente Lula, do Lula.

Lula que acompanho desde 1978.

Lula foi o responsável pelo primeiro comício que vi: FHC candidato ao Senado pelo MDB, Praça da Matriz em São Bernardo do Campo. Lembro-me que cheguei a Praça e perguntei se o Lula ia falar… Dizia-se na época que se FHC conseguisse uma boa votação havia a possibilidade da fundação de um Partido Socialista… nos meus 17 anos, não conseguia distinguir o que era fato, do que era boato de campanha.

Lula em campanha de FHC para o Senado, pelo MDB, 1978. fonte: da internet

Em 79, uma das grandes greves no ABC. O Sindicato dos Metalúrgicos ficava próximo a minha Faculdade e o clima de tensão era gigantesco… militares armados, camburões da PM circulando pelo ABC  e uma mobilização da sociedade inesquecível. O Fundo de Greve para os metalúrgicos era passado em qualquer ambiente… Show da Mercedez Sosa, Ginásio do Ibirapuera, interrompe-se o espetáculo e alguns estudantes sobem ao palco, fazem um breve discurso e inicia-se a coleta para o fundo de Greve.

1980, Lula e outros heróicos companheiros fundam o PT.

Em maio, a passeata dos 100.000 em SBC… Vila Euclides sitiada, SBC sitiada…

Assembléia em Vila Euclides. fonte: www.brasilescola.com

Em 81, arrumei um poster com a frase: “Nunca mais ousem duvidar da capacidade de luta da classe trabalhadora!… Lula”

Em 82, minha primeira eleição, votando para Governador. Lula para Governador.

Vote 3, o resto é burguês! Trabalhador vota em Trabalhador. PT: Trabalho, Terra e Liberdade.

Lula fica em 4º lugar, minha primeira decepção eleitoral.

Para a Assembléia Constituinte, Lula tem votação histórica, mas não votei em Lula, achava que ele seria eleito de qualquer forma.

1989: Lula-lá.

Uma campanha emocionante, de grande militância, de enorme participação de toda a sociedade.

No mês de campanha do 2º turno, muitas vezes a aula no cursinho (pequeno) parava para discutirmos as eleições… e eu sou Professor de Química… não havia uma reclamação sequer… teria se não houvesse o debate em sala de aula… um colega Professor vendia camisetas do Lula às escondidas… Eu dava aula de estrelinha no peito ou com um broche retangular, escrito: Lula-lá

No último debate, levaram uma TV… “aula” só até meia hora antes do debate… depois o cursinho todo se acotovelando ao redor de um aparelho de TV, uns 30 ou 40 alunos, mais professores e funcionários. Eram uns 90% votando em Lula, poucos indecisos e (que eu lembre) nenhum votando em Collor.

A história do 3 em 1, Miriam Cordeiro, o sequestro do Abílio Diniz… a infâmia, o anti-comunismo o discurso do medo…

Fiz boca de urna sozinho, numa cidade que conhecia no máximo 20 pessoas.

No final, uma profunda tristeza…

Em 94, Lula era favorito até abril, maio…

Fui a um comício em São Vicente (de ônibus de linha e sozinho) e presenciei uma  cena que nunca mais esqueci: Durante a fala de Lula, um rapaz negro abraçado numa bandeira do Lula tinha os olhos fixos no palanque… sorvia cada palavra de Lula… aquele rapaz negro, forte e simples tinha seus olhos brilhantes e marejados, pregados em Lula. Realmente fiquei muito impressionado com a capacidade de comunicação de Lula.

Outra boca de urna, acompanhar apuração e outra derrota.

1998: Chapa Brizula. Lula Presidente, Brizola, Vice. Uma grande emoção vivenciei quando na inauguração do Comitê de campanha em São Paulo, onde pude cumprimentar Lula e Brizola. Eu estava diante das duas maiores lideranças políticas do campo popular da história recente do Brasil.

Nova derrota.

Chega a redenção em 2002. Uma vitória de lavar a alma. Comício no Campo de Bagatelli em São Paulo foi apoteótico. Uma enorme festa, gente, gente, mas muita gente presente. Eu estava lá outra vez, desta feita com toda minha família…

A posse em 2003 acompanhei pela TV…

Reeleição em 2006, depois da apoteose em 2002, a vitória de Lula vi com naturalidade… mas, o ódio despertado na elite foi  inquietante

Chegamos em 2010. Lula termina seu mandato histórico. Muito acima das minhas expectativas.

Lula torna-se um mito. Junto com Vargas e JK.

Lula um personagem político que entra para a História. Por seus erros e acertos. Por sua capacidade de diálogo e liderança. Por seu gigantesco carisma.

Parabéns, Presidente.